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segunda-feira, 18 de março de 2024

Dia dos Missionários Mártires, a recordação de Ezequiel Ramin assassinado na Amazônia

Lembrança de Ezequiel Ramin em vista do Dia dos Missionários Mártires 2024, a ser celebrado em 24 de março (Reprodução c. copyright Família Ramin/TeM/Missionários Combonianos) | Vatican News

O missionário italiano, assassinado há 39 anos, estará no centro das iniciativas promovidas pelas dioceses de Roma e Porto-Santa Rufina em vista do próximo Dia dedicado aos religiosos, religiosas e leigos que deram a vida pelo Evangelho e pelos irmãos e irmãs. O programa inclui duas Via Sacras, uma exposição com desenhos feitos pelo próprio Ramin e uma conferência intitulada "Guardiões do jardim". Irmã Antonietta Papa, representante da UISG: agora cabe a nós manter vivo o testemunho deles.

Adriana Masotti – Vatican News

Por ocasião do 32º "Dia dos Mártires Missionários", no próximo dia 24 de março, várias iniciativas recordarão o empenho, até o dom da própria vida, de missionários e missionárias que, em diversas partes do mundo, defenderam os últimos pelo reconhecimento de sua dignidade e de seus direitos, muitas vezes ligados à sua terra. Serão organizados também numerosos encontros nas dioceses de Roma e Porto-Santa Rufina, dedicados de modo especial ao sacerdote comboniano Ezequiel Ramin, conhecido como Lele, assassinado na Amazônia em 24 de julho de 1985, e àqueles que, como ele, abraçaram a cruz do martírio em missão pela nossa casa comum.

Via Sacra "Mártires da Terra

O primeiro evento da série foi a Via Sacra Missionária intitulada "Mártires da Terra", que se realizou no último dia 15 de março, no Jardim Laudato Si' das Irmãs da Caridade de Santa Joana Antida Thouret, em Roma. O evento foi promovido pela Comissão "Justiça, Paz e Integridade da Criação" da UISG - USG, pelo Escritório de Cooperação Missionária entre as Igrejas da Diocese de Roma, pela Terra e Missione e pelo Movimento Laudato si'. Em cada estação, a memória de um dos mártires da América Latina e um dos direitos violados na Amazônia em relação às pessoas ou ao meio ambiente, por meio do desmatamento e da exploração de petróleo.

Via Sacra "Mártires da Terra" no Jardim Laudato Si' das Irmãs da Caridade de Santa Joana Antida Thouret, em Roma | Vatican News

Exposição "Paixão Amazônica" em Roma e Porto-Santa Rufina

Para a ocasião, explica o comunicado dos organizadores, na presença dos dois co-secretários executivos da Comissão USG e UISG, irmã Maamalifar M. Poreku e padre Roy Thomas, será inaugurada a exposição "Paixão Amazônica", com curadoria de Terra e Missione, da família Ramin e da família Comboniana, com os desenhos feitos pelo missionário: serão expostos 12 painéis. A exposição será depois transferida para a diocese de Porto-Santa Rufina onde, na sexta-feira, 22 de março, às 19h30, será repetida a celebração da Via Sacra "Mártires da Terra" no Jardim Laudato si' da Paróquia da Natividade de Maria Santíssima (na Via Santi Martiri di Selva Cândida, no Município de Roma). O momento de oração, conduzido pelo padre Federico Tartaglia, diretor do Centro Missionário Porto-Santa Rufina, contará com a presença dos irmãos de Ezequiel Ramin e da irmã Giovanna Dugo sfma, que manteve uma estreita troca de cartas com o padre Lele durante seus anos missionários na Amazônia.

O missionário, servo de Deus, Ezequiel Ramin | Vatican News

A conferência "Guardiões do Jardim”

Finalmente, no sábado, 23 de março, das 9h às 13h, na Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação "Auxilium", em Roma, será realizada a conferência "Guardiões do Jardim", com o tema "Mártires da justiça ambiental e da exploração dos recursos". O evento contará com a presença de dom Gianrico Ruzza, bispo das dioceses de Porto-Santa Rufina e Civitavecchia-Tarquinia; Piera Ruffinatto fma, decano da Faculdade Auxilium; padre Adelson Araújo dos Santos SJ, teólogo e professor de espiritualidade na Pontifícia Universidade Gregoriana; padre Giulio Albanese, diretor do Escritório de Comunicações Sociais e do Escritório Missionário da diocese de Roma; os jornalistas Gianni Beretta, Lucia Capuzzi e Toni Mira; e os irmãos de Ezequiel Ramin.

"A vida é bela e estou feliz em dá-la", escreveu Ezequiel Ramin, agora servo de Deus, morto por defender os direitos dos índios Suruí e dos camponeses sem terra, em uma de suas cartas. A irmã Antonietta Papa, uma missionária italiana que conheceu Ramin durante sua missão no Brasil, falou à mídia do Vaticano sobre ele e seu trabalho. A irmã Antonietta, das Filhas de Maria Missionárias, vive agora entre Roma e Lampedusa e é a pessoa de contato do projeto "Migrantes Sicília" da UISG, União Internacional das Superioras Gerais.

Irmã Antonietta, a senhora esteve em missão no Brasil e conheceu bem padre Ramin: pode nos contar algo sobre ele e seu compromisso?

Conheci Ezequiel desde o momento em que ele chegou ao local onde viveu seu curto período no Brasil. Eu o conheci em sua função de padre nas celebrações e quando ele às vezes vinha conosco para a floresta amazônica, onde todas as comunidades de índios e camponeses estão espalhadas. Ele tinha um jovem em sua paróquia que queria ser batizado e receber a Eucaristia, mas tinha muitas dificuldades e, por isso, o padre Ezequiel o enviou a mim, dizendo-me em uma carta que ficasse atento a esse jovem - e isso revela muito sobre a espiritualidade de Ezequiel, que era capaz de uma ação pastoral firme, com certeza, mas, ao mesmo tempo, adaptada à pessoa - e propôs um caminho progressivo para ele, sem pressa, justamente para que esse menino se tornasse um verdadeiro cristão.

Nessa carta, ele escreve: "descobri algo belo na vida: a fé em Deus nos leva à ação. Deixei para trás, na Itália, o pensamento e a ação espiritual que tanto me preocupavam, e me sinto mais livre e mais maduro". Aqui, acredito que, a partir dessa observação das pessoas e, acima de tudo, do compromisso com os índios - com os quais ele criou uma amizade tão grande que o chefe Suruí o chamava de "irmão, meu irmão" -, compreende-se que Ramin era realmente uma pessoa que amava profundamente essa terra, Ele amava essa terra, onde mais tarde foi morto, mas a amava com o coração, a mente e a inteligência, a inteligência para entender rapidamente o que estava acontecendo e como os "grandes" estavam tentando dividir os pequenos para que os colonos pudessem tomar posse da terra, dos índios e dos camponeses. Ele percebeu isso imediatamente.

Evidentemente, a ação de Ezequiel foi incômoda. Em resumo, lembre-nos quais foram os direitos que ele viu serem negados às pessoas na Amazônia?

Os direitos negados eram os direitos à terra para os camponeses, os direitos dos índios. Naquela época, os índios eram considerados, e talvez ainda sejam um pouco, como bicho do mato, ou seja, animais da floresta, sem a dignidade de uma pessoa, simplesmente não eram gente! Isso foi o que impressionou Ezequiel, o que impressionou cada um de nós, e vocês podem ver isso nos desenhos que ele produziu durante esse período em que esteve lá com eles, observando-os, conversando, especialmente com os índios, dos quais ele tinha grande conhecimento.

Além de Ramin, há outros missionários que hoje são chamados de "mártires da terra". A senhora chegou a conhecer alguns deles. Pode ao menos citar o nome deles?

É claro, conheci Josimo Tavares, um padre brasileiro que tive a oportunidade de conhecer em algumas reuniões sempre sobre a pastoral da terra, e Maurizio Maraglio, um missionário de Mântua com quem costumávamos nos escrever o tempo todo. Um dia recebi uma carta dizendo: "Maurizio não pode lhe responder porque foi assassinado", e o assassinato foi justamente por causa desse assunto da pastoral da terra, sobre o qual costumávamos falar tanto juntos. Mas também quero me lembrar, embora não a tenha conhecido diretamente, de Dorothy Stang, essa missionária estadunidense que lutou tanto pelos agricultores da Amazônia brasileira. Ela também foi morta em 2005, tinha 73 anos e ainda lutava pela terra. Realmente uma grande mulher! Portanto, homens e mulheres que lutaram pela floresta amazônica, para que ela fosse preservada, para que ela fosse valorizada.

Retrato de um homem Suruí, desenho de Ramin. Reprodução reservada © copyright Família Ramin/TeM/Missionários Colombianos | Vatican News

A senhora mencionou anteriormente que Ramin adorava desenhar e algumas de suas obras estarão expostas em Roma e na diocese de Porto Santa Rufina. O que o desenho significava para ele e o que ele queria comunicar?

Ele observava muito as pessoas. Nessa exposição, podemos ver a paixão de Cristo que ele tentava ver nesses olhares. Ele viu os rostos, mas também as atitudes desses índios que eram tão explorados, tão maltratados e aniquilados por tudo ao seu redor. E ele disse que viu em seus olhares a primavera que estava chegando. Apesar de ainda estarmos no meio do inverno, ele conseguia entender e ver os brotos que estavam nascendo no que ele estava desenhando, e comparava esses rostos com o de Cristo na cruz. Lembro-me de que costumávamos vê-los passando à nossa frente, esses camponeses que haviam sido mortos e amarrados a uma estaca, e assim era o Cristo crucificado.

Flagelação, desenho de Ezequiel Ramin. Reprodução reservada © copyright Família Ramin/TeM/Missionários Combonianos | Vatican News

Em recordação de Ramin, mas também de outros mártires da Terra, a UISG promoveu uma Via Sacra: que mensagem vocês querem transmitir com esse momento?

Para nós, a Via Sacra é importante porque retrata todos esses mártires que deram suas vidas pela causa da terra, mas não é só a terra: a terra é onde vivemos e estamos. E para esses índios, para esses agricultores, a terra é a mãe. A Via Sacra refaz o caminho dos vários missionários que deram suas vidas por ela. Para nós, a Via Sacra é realmente um caminho que nos convida a ser mulheres e homens de fé, mulheres e homens que trilham o caminho de Cristo, sabendo que estão guardando o que Deus, o Pai, nos confiou desde o Gênesis.

Desde 1980, ano em que São Oscar Romero foi morto, o "Dia dos Missionários Mártires" é celebrado. A ênfase no martírio da terra no Dia deste ano é muito oportuna porque vincula o cuidado com o meio ambiente aos direitos das pessoas, ou seja, nos faz entender melhor a conexão entre a vida de homens e mulheres e o território em que cada um vive...

Exatamente, é isso mesmo. Talvez na década de 1980 a consciência disso fosse muito menos difundida, estávamos apenas começando a ter a consciência de que o território em que vivemos é a nossa própria vida, é a vida para nós. Porque dentro da floresta amazônica, além dos animais, das pessoas, nós vivemos juntos, é um ambiente vital.

Não consigo encontrar outra palavra a não ser "vida", essa cultura da terra da qual estamos nos apropriando gradualmente de forma mais completa hoje.

Mas todas essas pessoas que deram suas vidas pela Terra compreenderam plenamente esse valor e, portanto, hoje somos suas testemunhas e devemos transmiti-lo aos outros. Devemos ser aqueles que levam essa missão adiante para não arruinar totalmente este nosso ambiente. Também vejo isso em Lampedusa, onde estou agora.... É a mesma coisa: o Mediterrâneo, a floresta amazônica, a floresta do Congo, as florestas da Índia: todas essas regiões são sagradas porque nos permitem viver, respirar, ser nós mesmos. Não sei como explicar melhor essa paixão que agora está dentro de cada um de nós.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

São Cirilo de Jerusalém

São Cirilo de Jerusalém (A12)
18 de março
São Cirilo de Jerusalém

Cirilo nasceu por volta do ano 315 em Jerusalém ou em seus arredores. Teve um lar cristão, com uma vida financeira confortável, e recebeu uma sólida formação nas Sagradas Escrituras e em matérias humanísticas. Em 348 foi eleito bispo, patriarca de Jerusalém. Enormes foram suas contribuições para o ensinamento da sã Doutrina.

Deixou diversos escritos, como a descoberta da Cruz e da rocha que fechava o Santo Sepulcro, mas os mais famosos deles, sua obra-prima, foram as "Catequeses", que estão entre os mais preciosos tesouros da antiguidade cristã; duas importantes constituições dogmáticas do Concílio Vaticano II, a Lumen Gentium sobre a Igreja, e a Dei Verbum sobre a Revelação Divina, foram inspiradas em seus escritos.

Suas catequeses foram redigidas como parte da preparação dos catecúmenos para o batismo, à qual se dedicou por muitos anos e com muito cuidado. Elas tratam com rigor doutrinal e profundidade, mas de forma simples e direta, temas como o pecado, os Sacramentos, o Credo e outros pontos essenciais da Fé. Constituem-se de uma Introdução, 23 “Aulas Catequéticas”, “Orações Catequéticas” ou “Homilias Catequéticas”, e cinco “Catequeses Mistagógicas”.

As "Aulas Catequéticas", ministradas na Quaresma, instruem sobre os principais tópicos da fé e da prática cristã. Cada aula baseia-se num texto das Escrituras e inclui admoestações contra concepções pagãs, judias e erros heréticos. Elas são de grande importância para o entendimento do método de ensino e das práticas litúrgicas geralmente utilizados na época, provavelmente o seu mais completo registro sobrevivente. As "Catequeses Mistagógicas", ministradas durante a semana de Páscoa para os que haviam recebido o batismo (neófitos), têm este nome por tratarem dos "mistérios" , ou seja, os Sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia.

O episcopado de Cirilo, entre 350 e 386, sofreu interrupções por conta das perseguições arianas, num total de 16 anos. A heresia ariana negava a divindade de Jesus. Foi exilado pela primeira vez em 357, pelo bispo ariano Acácio de Cesaréia da Palestina, que pretendia que a sede de Jerusalém fosse submetida à sua: convocou um concílio, sem a presença de Cirilo, acusando-o formalmente de vender propriedades da Igreja para ajudar os pobres, e lhe impôs um retiro forçado na cidade de Tarso, na Cilícia. Mas em 359 o concílio episcopal de Selêucia reinstalou Cirilo e depôs Acácio. Foi expulso pela segunda vez em 360, por causa das pressões de Acácio sobre o imperador filo-ariano, Constâncio. Retornou com a morte do soberano. Em 367 o imperador ariano Valente o condenou ao mais longo – 11 anos – e cruel exílio, encerrado definitivamente quando Graciano assumiu o trono em 378. Assim, em 381, Cirilo pôde participar do II Concílio Ecumênico de Constantinopla, que o confirmou na sede de Jerusalém, e quando foi proclamado o Credo Niceno-Constantinopolitano, que explicitava e corrigia em definitivo o erro ariano.

 São Cirilo morreu em 386, provavelmente no dia 18 de março, com 71 anos. Foi proclamado Doutor da Igreja.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

“Ide ao mundo inteiro, proclamai o Evangelho a todas as criaturas (Mc 16,15).” Esta é uma ordem explícita de Jesus, Ressuscitado, aos Apóstolos. A catequese é uma obrigação e a maior caridade que se pode fazer, pois muitas almas não chegam a Deus simplesmente porque não há quem lhes transmita a Verdade (cf. Rm 10,14-17). É preciso difundir a Fé pelo exemplo e pela palavra, em harmonia e coerência, mas se a nossa imperfeição muitas vezes atrapalha os bons exemplos, a palavra de Deus está sempre certa (incluindo a advertência sobre estas falhas no exemplo). Não se pode pretender – o que seria imenso pecado! – levar os outros a Deus sem nos esforçarmos ao máximo para sermos os primeiros a viver o que vamos pregar, mas mesmo Cristo (cf. Mt 23,3) orientou a que se seguisse a lei de Deus, mesmo que os fariseus, que a ensinavam, não a cumprisse. Essencial é sempre pregar, quando conveniente ou não – cf. 2Tm 4,1-7 –, pois, como admoesta São Paulo, virão tempos em que os homens não suportarão a Boa Nova da Verdade e buscarão mestres que ensinem segundo as paixões das suas próprias fantasias, a tarefa pastoral mais importante no tempo de São Cirilo era catequizar os pagãos; mas as palavras de São Paulo parecem escritas especialmente para os nossos dias, e, infelizmente, não apenas para outros, mas primeiramente para os católicos, dentre os quais há quem pensa poder “escolher” só alguns pontos da Doutrina e não seguir o resto. Agir de acordo com a própria consciência é um direito, mas é questão de simples honestidade, intelectual e espiritual, assumir que não se é católico, quando não se quer seguir – ou mesmo conhecer de verdade – o ensinamento de Deus e da Igreja. Conhecer a Fé não exige uma titulação acadêmica em Teologia, mas interesse e empenho sinceros de saber o Catecismo e nele sempre mais se aprofundar, dentro das possibilidades de cada um. Não se pode amar o que não se conhece; e não conhecer corretamente a Deus e o que Ele ensina, talvez por desinteresse ou comodismo, é já um caminho de escolher não amá-Lo.

Oração:

Senhor Deus, que Vos fizestes Verbo, Encarnado para escrever a salvação em nossos corações, concedei-nos por intercessão de São Cirilo ouvir com amor e atenção a Vossa Palavra, guardá-La na alma e proclamá-La por nossas vozes e ações, sendo como dizia este santo “portadores de Cristo”, de modo a termos nossos nomes grafados no Livro da Vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.


Fonte: https://www.a12.com/

NAZARENO: Perdoar sempre (a ovelha desgarrada) - (34)

Nazareno (Vatican News)

Cap. 34 - Perdoar sempre (a ovelha desgarrada)

O verão já terminou e a Festa dos Tabernáculos está se aproximando. De volta a Cafarnaum, Jesus alterna entre encontrar as multidões e conversar com seus amigos. Certa tarde, Jesus os faz entender o poder da oração, assegurando-lhes que sempre estaria presente entre os que se reunissem em seu nome: " Em verdade ainda vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles”. Ele repete as razões profundas de sua vinda: "Se alguém tiver cem ovelhas e uma delas se extraviar, não deixará as noventa e nove nos montes e irá procurar a que se extraviou? Se um homem possui cem ovelhas e uma delas se extravia, não deixa ele as noventa e nove nos montes e vai à procura da extraviada? Se consegue achá-la, em verdade vos digo, terá maior alegria com ela do que com as noventa e nove que não se extraviaram. Assim também, não é da vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um desses pequeninos se perca". Os apóstolos olham uns para os outros com ar de interrogação. Pedro se aproxima do Mestre e lhe diz: "Senhor, se meu irmão cometer ofensas contra mim, quantas vezes devo perdoá-lo? Até sete vezes?" Ele lhe responde: "Não lhe digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete". Ou seja, sempre. Assim como Deus faz. E aquele que é agraciado com misericórdia é solicitado a olhar para seu irmão ou irmã da mesma forma. Não se pode pedir perdão a Deus e depois fechar o coração para o irmão que pede perdão.

https://media.vaticannews.va/media/audio/s1/2024/03/15/11/137783004_F137783004.mp3

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

domingo, 17 de março de 2024

Momento histórico: um Bispo para a Ilha de Chipre depois de 340 anos

Cardeal Pierbattista Pizzaballa durante a Consagração Episcopal do brasileiro frei Bruno Varriano (Foto: GPO)

“Um momento histórico” foi a definição do Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa durante a Consagração Episcopal do brasileiro frei Bruno Varriano, neste sábado 16 de março no Centro Filoxenia de Nicósia, em Chipre.

Lurdinha Nunes e Silvia Giuliano

Presidiu a celebração S.B cardeal Pizzaballa junto com os consagrantes:  o cardeal Fortunato Frezza, o arcebispo Maronita de Chipre, dom Selim Jean, o cardeal Américo Aguiar de Lisboa e o cardeal Odillo Scherrer de São Paulo. Presentes em grande número para concelebrar autoridades eclesiásticas da Igreja Latina e Oriental de todo o mundo, S.B. Fouad Twal, patriarca emérito de Jerusalém dos Latinos, dom Giovanni Pietro Dal Toso, núncio apostólico na Jordânia e Chipre, dom  Adolfo Tito Ylana, núncio apostólico em Israel e Chipre, o exarca maronita  dom Edgar Madi, de São Paulo, frei Francesco Patton, custódio da Terra Santa com um grande número de frades de todo o território da Custódia franciscana. Participaram também muitas autoridades políticas da Ilha.

Consagração Episcopal do brasileiro frei Bruno Varriano (Foto: GPO)

S.B CARDEAL CARDEAL PIERBATTISTA PIZZABALLA - Patriarca de Jerusalém dos Latinos

É um acontecimento que podemos chamar de histórico, ele é o primeiro bispo latino a residir em Chipre depois de 340 anos. E é um sinal de mudança importante. Os fiéis cristãos e católicos de todo o mundo estão dando uma nova face à ilha de Chipre e, por isso, necessita também de uma presença eclesial mais sólida. O novo bispo trará esta solidez à presença católica e cristã latina dentro de uma história muito bonita.

Mas sem dúvida a presença mais participativa foi a comunidade de fiéis que quis acompanhar o pastor neste momento importante: uma comunidade heterogênea, composta em grande parte por imigrantes das Filipinas, Sri Lanka, Índia, África e sobretudo de países de língua francesa.

Consagração Episcopal do brasileiro frei Bruno Varriano (Foto: GPO)

O cardeal Pizzaballa recordou os desafios pastorais que afetaram a vida de Chipre e que «exigem uma presença eclesial cada vez mais sólida, um serviço pastoral diferente e mais corajoso, estendido aos fiéis espalhados por todo o território da ilha, e muitas vezes  em situações sociais muito frágeis."

O rito da ordenação episcopal inclui uma apresentação que foi  feita por Fr. Francesco Patton, Custódio da Terra Santa, que mostrou a Bula Papal expressando o cuidado pastoral e o olhar benevolente do Papa Francisco para com a Igreja de Chipre nomeando o Padre Bruno como bispo auxiliar do Patriarcato Latino de Jerusalém para Chipre.

Fr. FRANCESCO PATTON - Custódio da Terra Santa

“O que eu desejo ao frei Bruno, num contexto como este de Chipre, é precisamente o de poder construir fraternidade. E espero também que ele  consiga viver o desafio do  Papa Francisco: “Um pastor que tem cheiro de ovelha”, ou seja, que saiba sempre estar junto ás pessoas e perceber quais são suas necessidades mais profundas. A presença franciscana em Chipre remonta às origens, da presença franciscana na Terra Santa. No final de 1200, quando os frades foram temporariamente expulsos dos lugares santos eles se refugiaram em Chipre. Ao longo dos séculos, os frades tiveram na ilha um lugar muito querido, um lugar de refúgio. Depois houve um período um pouco difícil,  quando os turcos conquistaram Chipre, mas  os frades regressaram e a partir de 1600 a nossa presença cresceu na ilha.

Consagração Episcopal do brasileiro frei Bruno Varriano (Foto: GPO)

De origem brasileira, frei Bruno Varriano nasceu em São Paulo em 1971. Ingressou na Custódia da Terra Santa em 1996. Entre as muitas especializações, frei Bruno obteve a licenciatura em Teologia Espiritual e o doutorado em psicologia clínica.

Exerceu vários cargos na Custódia da Terra Santa. Foi Guardião do Convento de Nazaré e da Basílica da Natividade. Ficou conhecido entre os peregrinos através da Fiacollata, a procissão das Velas, aos sábados e o Programa  “Na escola da Sagrada Família”, que apresentou, com inspiração na Sagrada Família, como também o programa atual, “Na escola dos apóstolos " que está sendo gravado em Chipre e apresentado na TV Canção Nova. Também os co-fundadores da Comunidade Canção Nova Luzia Santiago e Welington Silva Jardim, participaram da celebração.

Consagração Episcopal do brasileiro frei Bruno Varriano (Foto: GPO)

No final da celebração, dom Bruno Varriano, quis agradecer a todos aqueles que tornaram possível a celebração: "Obrigado a todos pelo incentivo. Lembro-me da minha missão em Nazaré, onde vivi durante 9 anos: foi na proximidade de Maria de Nazaré e de São José que pude amadurecer o meu “sim” a esta nova missão. Gostaria de agradecer ao Patriarcado e a todos os sacerdotes e seminaristas pela proximidade e carinho: obrigado a todos os frades da Custódia da Terra Santa. Obrigado ao Padre Custódio que me acompanhou neste momento e me trouxe de volta ao essencial. Um agradecimento particular e especial à minha família e a Igreja".

Fotos: GPO.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

São José - Patris Cordis

Patris Cordis: com coração de Pai (comshalom)

SÃO JOSÉ – PATRIS CORDIS

Dom Leomar Antônio Brustolin  
Arcebispo de Santa Maria (RS)

Dia 19 de março a Igreja celebra o dia de José de Nazaré, esposo de Maria e pai de coração (Patris Cordis) de Jesus. Sobre José não há uma única palavra de sua boca que tenha sido registrada nos Evangelhos.  Ele não é lembrado por seus méritos, mas por causa de Jesus e de sua esposa. A Sagrada Escritura menciona o anúncio do anjo sobre a gravidez de Maria somente depois das núpcias de Maria e José. José, não sabendo que Maria havia concebido pelo Espírito Santo, tinha direito de repudiá-la, considerando-a culpada de adultério. Por ser justo, porém, tenta abandoná-la em segredo, pois percebe que, mesmo num eventual divórcio privado na presença de apenas algumas testemunhas, poderia lançar sobre Maria a suspeita popular de adultério. 

Trabalhar como carpinteiro foi uma profissão que possivelmente José herdou do pai, uma vez que era costume da época o pai transmitir a profissão ao filho. Portanto, desde a adolescência José pertencia à categoria dos artesãos.  

Sendo que a profissão é transmitida de pai para filho, provavelmente Jesus também foi carpinteiro em virtude da herança recebida de seu pai. Jesus deve ser compreendido no contexto cultural da época, portanto, em perfeita sintonia com a realidade familiar na qual vivia até mesmo no quesito “profissão”. Defendemos, em sintonia com a Tradição, que Jesus foi carpinteiro porque seu pai era um carpinteiro.  

O fato de Maria ter um noivo foi importante dentro do contexto da cultura judaica para poder ser a mãe do salvador. Nesse sentido, para ser mãe, Maria deveria estar legalmente casada para ser acolhida sem repreensão por seu povo.  

A questão do matrimônio entre José e Maria estava tão certa, por isso fora de discussão aos olhos de todos, que José era considerado por todos como o pai de Jesus e Jesus como sendo seu filho legítimo (cf. Lc 2,27) 

A paternidade de José, foi um dom de Deus, por isso dotada do que é essencial para qualquer paternidade dando-lhe plenamente a consciência de seus direitos e deveres,  tanto é verdade que embora nem fosse necessário a presença de Maria para o recenseamento em Belém, pois não era de descendência e nem da família de Davi, tampouco proprietária de qualquer imóvel em Belém. José e Maria foram até lá para não se encontrarem separados naquele momento importante do nascimento de Jesus. José foi, depois de Maria, o primeiro adorador de Jesus, Filho de Deus; ele o circuncidou, apresentou-o no Templo, conduziu-o com cuidado e carinho juntamente com Maria para o Egito e depois os trouxe de volta para Nazaré. Ele depois providenciará laboriosamente com seu trabalho o sustento de Jesus e Maria. 

Para ser justo com José temos que retornar ao Evangelho para continuar chamando José simplesmente de “pai de Jesus” sem acrescentar qualquer adjetivo a esse título. A paternidade não está vinculada à questão biológica na geração da prole, mas ao vínculo matrimonial. O caso de José e Maria é único na história.


Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Reflexão para o V Domingo da Quaresma (B)

Evangelho do domingo (Vatican News)

“Quem se apega à sua vida, perde-a; Se alguém me quer servir, siga-me.”

Padre Cesar Augusto, SJ - Vatican News

“QUEREMOS VER JESUS.” Este é o desejo dos discípulos gregos de João Batista ao se dirigirem a Filipe e, certamente também nosso. Quando Filipe e André levaram esse desejo ao Senhor, escutaram a seguinte declaração: “Quem se apega à sua vida, perde-a; Se alguém me quer servir, siga-me.”

Nada de euforia, pelo contrário. Muita lucidez e autêntica seleção. Jesus veio para todos nós e deseja ser acolhido por todos, mas seu seguimento está no abandono, na entrega, na doação como vimos no domingo passado.    Por outro lado, o Senhor diz: “Quem faz pouco de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna.

Nossa natureza rejeita tudo aquilo que é dor, que é desagradável, que é morte. Mas por que essa fuga? Vamos ficar fugindo a vida toda sabendo que a morte terá a última palavra? Chegará um momento em que nada adiantará e morreremos. É isso que Deus quer? Foi isso que Ele planejou para nós?

Certamente não. Se fosse assim seríamos pessoas conformadas com a morte, com o destino de caminhar neste vale de lágrimas e morrer dolorosamente.

Mas não é assim. Queremos a vida e a queremos plenamente, com saúde, carinho, amor, eternamente feliz. Tudo isso porque essa é a nossa marca registrada. Fomos feitos pela vida e para a vida. Deus, Vida, nos fez para Ele, a VIDA. Por isso, tudo aquilo que traz sinais de morte, nós rejeitamos.

Contudo, frequentemente, nos enganamos. Quantas e quantas vezes escolhemos o caminho da morte como se fosse o da vida! O egoísmo, o “não” dito ao apelo da caridade, ao gesto de amor e de perdão, o “sim” ao pecado, tudo isso são enganos e envenenamento para nossa vida feliz e para o encontro com o sofrimento e a morte.

Quando os gregos pediram para ver Jesus, estavam pedindo para ver a Vida e a Vida se apresentou a eles como serviço, entrega, doação.

A vida diz que ela não se coaduna com a morte e nem com seus sinais, ou seja, egocentrismo, personalismo, e seus familiares.

E nós, queridos irmãos, ouvintes da Rádio Vaticano? Também nós queremos ver Jesus, mas como analgésico para nossos males, ou como saúde, como Vida?

Aceitamos suportar sofrimentos por causa de nossa fé em Jesus? Aceitamos renúncias, abnegações para que a vida do outro seja mais saudável e feliz?

Como é nossa relação conjugal, familiar e de amizade? É relação libertadora, de doação, de crescimento ou nós a privatizamos e subordinamos o outro às nossas necessidades e caprichos, ou nós aos dele?

Ver Jesus, encontrar Jesus são atos libertadores, atos de vida.

Do mesmo modo que Moisés foi convidado a tirar suas sandálias porque estava em terra sagrada, o que devo tirar de meu coração para que, de fato, possa ver Jesus e permanecer com ele?

A 1ª leitura fala da lei da Aliança impressa pelo Pai em nossas entranhas, e a 2ª, da obediência de Jesus que se tornou salvação para todos nós. Aliança e obediência são provocadoras de vida, aliás, já são a própria Vida.

Que cada dia, o desejo de ver Jesus, renove em nós a obediência que nos une ao Pai e nos torna produtores generosos de bons frutos. Só produz frutos quem está com Jesus.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

A batalha pró-vida e pró-família é político-cultural, diz secretário da Federação Portuguesa pela Vida

José Seabra Dutra | Arquivo pessoal (ACI Digital)

“As circunstâncias são muito melhores. Mas, não tenho dúvida de que essa batalha é político-cultural”, disse o secretário da direção da Federação Portuguesa pela Vida (FPV), José Seabra Duque, sobre o significado para a causa pró-vida e pró-família do resultado eleitoral em Portugal, que levou à derrota da esquerda e ao crescimento da direita na Assembleia da República.

Nas eleições legislativas de domingo (10) em Portugal, a Aliança Democrática (AD), coalizão de centro, elegeu 79 deputados, dois a mais do que tinha na legislatura anterior. O Partido Socialista (PS), que tinha 120 parlamentares, foi o grande derrotado e elegeu apenas 77. A grande novidade, no entanto, foi o Chega, de direita, que passou de 12 para 48 deputados eleitos.

“Nós, em Portugal, tivemos nos últimos oito anos uma maioria que é favorável a mudanças desde eutanásia até questões de ideologia de gênero nas escolas e promoveu agressivamente essa cultura”, disse Duque. Nesse período, o Partido Socialista esteve à frente do governo.

Para o secretário da FPV, “as pessoas rejeitam ser criadas à imagem e semelhança de Deus e, portanto, acham que são criadas por si mesmas – podem ser homem, mulher, ou um dos 53 mil gêneros conforme uma pertença –, a família é o que eu digo que é a família, a vida é o que eu digo que é a vida”.

“Essa cultura individualista é o que o papa Francisco, Bento XVI e João Paulo II falaram tantas vezes. São João Paulo II falava da cultura da morte, o papa Francisco fala em cultura do descarte. Esta cultura está fortemente embrenhada em Portugal”, disse.

Duque considerou que, com o resultado eleitoral de domingo, “felizmente, essa maioria [de esquerda] desapareceu”. Mas, ele acredita que “a situação atual não é uma situação estável”, porque “o Chega e o PSD (Partido Social Democrata, que lidera a AD), que formam juntos maioria, não se parecem entender sobre a forma de governar”.

“Não sabemos se estão reunidas as condições para reverter algo, esperamos que sim. É uma luta que iremos travar e veremos quais serão os resultados”, disse, destacando que uma das questões a serem revertidas é a eutanásia.

A lei da eutanásia foi promulgada pelo presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, em 16 de maio de 2023, depois de ser confirmada pelo parlamento quatro dias antes. “Neste momento está aprovada, mas não está regulamentada”, destacou Duque. Ele lembrou que anteriormente, a Assembleia da República portuguesa já havia tentando aprovar a eutanásia, sem sucesso.

A eutanásia foi aprovada na quinta vez que o tema foi colocado no parlamento. Nas ocasiões anteriores, os projetos receberam dois vetos políticos do presidente Marcelo Rebelo de Sousa e dois vetos após serem considerados inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional.

No que diz respeito ao aborto, Duque disse que “a situação e muito dramática”. O aborto é legalizado em Portugal até a décima semana de gestação, desde 2007, quando um referendo com 56,39% de abstenção teve como resultado 59,25% de votos favoráveis à legalização do aborto e 40,75% contra. Um estudo de outubro de 2023 da Federação Portuguesa pela Vida revela que foram feitos 256.070 abortos oficiais “por opção da mulher” em Portugal desde 2007.

“O aborto é uma batalha político-cultural muito complicada. Neste momento, em Portugal, o aborto já é visto por um grupo considerável de pessoas como um direito e qualquer mexida na lei do aborto é considerada retrocesso”, disse. Segundo ele, neste tema, “uma das grandes batalhas travadas nos últimos anos” é contra tentativas de “tornar muito difícil o direito à objeção de consciência”. “É catastrófico”, ressaltou.

Para Duque, mesmo com uma maioria de direita da Assembleia da República, “essa batalha não será fácil no poder”.

Entretanto, afirmou acreditar “nos próximos tempos”. “Nós, o movimento pró-vida, continuamos fortes nessa certeza de que o que defendemos é mais verdade do que a cultura da morte, este amor à vida, a família como célula base da sociedade, a família baseada no amor entre homem e mulher que gera filhos, isso é o futuro. No tempo, a verdade acaba por triunfar”, destacou.

Por isso, disse que a Federação Portuguesa pela Vida, formada associações de apoio a grávidas e a famílias, vai continuar fazendo seu trabalho em defesa da vida. “Temos agora pela frente a tarefa de tentar reverter a lei da eutanásia; continuar a alertar para os perigos e o drama do aborto, para salvar as duas vidas, do bebê e da mulher; também o apoio à liberdade de expressão e à liberdade de consciência”, disse.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Papa: dom e perdão são a essência da glória de Deus

Papa Francisco no Angelus de 17/03/2024 (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

"A glória, para Deus, não corresponde ao sucesso humano, à fama ou à popularidade: não tem nada de autorreferencial, não é uma manifestação grandiosa de poder seguida de aplausos do público. Para Deus, a glória é amar até dar a vida (...). E isto aconteceu de forma culminante na Cruz, onde Jesus manifestou ao máximo o amor de Deus, revelando plenamente o seu rosto de misericórdia, dando-nos vida e perdoando".

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

"Para Deus, a glória é amar até dar a vida. Glorificar-se, para Ele, significa doar-se, tornar-se acessível, oferecer o seu amor (...). Dom e perdão são a essência da glória de Deus."

Chegamos ao V Domingo da Quaresma. E ao nos aproximarmos da Semana Santa, o Papa nos recorda que Jesus diz-nos algo importante no Evangelho: que na Cruz veremos a sua glória e a do Pai.

Para Deus, a glória é amar até dar a vida

Dirigindo-se aos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro para o Angelus dominical, Francisco pergunta "como é possível que a glória de Deus se manifeste precisamente ali, na Cruz?". "Poder-se-ia pensar que isto acontece na Ressurreição, não na Cruz, o que é uma derrota, um fracasso", observa, mas ao invés disso, hoje Jesus, falando da sua Paixão, diz que "chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado". Mas, que exatamente Ele quer nos dizer ao afirmar isso?

Ele quer dizer-nos que a glória, para Deus, não corresponde ao sucesso humano, à fama ou à popularidade: não tem nada de autorreferencial, não é uma manifestação grandiosa de poder seguida de aplausos do público. Para Deus, a glória é amar até dar a vida. Glorificar-se, para Ele, significa doar-se, tornar-se acessível, oferecer o seu amor. E isto aconteceu de forma culminante na Cruz, onde Jesus manifestou ao máximo o amor de Deus, revelando plenamente o seu rosto de misericórdia, dando-nos vida e perdoando os seus crucificadores.

Verdadeira glória de Deus feita de dom e perdão

Da Cruz, “cátedra de Deus” - disse o Santo Padre - "o Senhor ensina-nos que a verdadeira glória, aquela que nunca se apaga e nos faz felizes, é feita de dom e perdão":

Dom e perdão são a essência da glória de Deus. E são para nós o caminho da vida. Dom e perdão: critérios muito diferentes do que vemos ao nosso redor, e também em nós, quando pensamos na glória como algo a ser recebido mais do que dado; como algo a ser possuído em vez de oferecido. Mas a glória mundana passa e não deixa alegria no coração; nem mesmo leva ao bem de todos, mas à divisão, à discórdia, à inveja.

Quando damos e perdoamos, resplandece em nós a glória de Deus

E então, o Papa propõe que nos perguntemos:

Qual é a glória que desejo para mim, para a minha vida, que sonho para o meu futuro? A de impressionar os outros pelo meu valor, pelas minhas capacidades ou pelas coisas que possuo? Ou o caminho do dom e do perdão, o de Jesus Crucificado, o caminho de quem não se cansa de amar, confiante de que isto testemunha Deus no mundo e faz brilhar a beleza da vida? Recordemo-nos, de fato, que quando damos e perdoamos, resplandece em nós a glória de Deus.

Que a Virgem Maria, que seguiu com fé Jesus na hora da Paixão - disse ao concluir - nos ajude a ser reflexos vivos do amor de Jesus.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF