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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

O Natal em um país economicamente desigual. Será que eu daria as minhas duas únicas moedas?

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Cibele Battistini - publicado em 05/12/25

No final do ano, as luzes tomam as ruas, as vitrines piscam e os carrinhos dos shoppings parecem ganhar vida própria.

No Brasil, esse país imenso e desigual, o Natal costuma acender contrastes: de um lado, a classe média alta com suas ceias fartas, viagens marcadas e presentes importados; do outro, famílias que fazem milagres para colocar algo simples na mesa.

Ainda assim, há um traço que atravessa essas diferenças: a capacidade de doar, de estender a mão, de se comover com o outro.

É aqui que a parábola da viúva (Lucas 21, 2–4) que ofertou suas duas únicas moedas ressurge com força. Ela não deu o que “sobrou”. Deu tudo o que tinha. Não porque queria reconhecimento, mas porque acreditava que ajudar importa — mesmo quando parece pouco.

A narrativa bíblica (Lucas 21, 2–4) — recontada

Jesus observava as pessoas depositando suas ofertas no templo. Muitos ricos colocavam quantias grandes, chamando atenção pelo barulho das moedas ao cair. Mas entre eles surgiu uma viúva pobre, que deixou cair apenas duas pequenas moedas — moedas tão simples que quase não faziam som. Foi então que Jesus disse aos que estavam ao seu lado que aquela mulher, embora parecesse ter dado pouco, na verdade tinha oferecido mais do que todos, porque entregou tudo o que possuía para viver naquele dia.

E essa parábola, contada há séculos, continua surpreendentemente moderna.

Quando a gente olha para o Brasil real — o da senhora que doa um pacote de arroz mesmo sabendo que fará falta na semana seguinte, ou do jovem que reparte o que ganhou no trabalho informal — percebe que o coração generoso costuma morar nos lugares mais improváveis.

Em comunidades onde o dinheiro é curto, a solidariedade é larga. Onde falta luxo, sobra partilha. Há quem se organize para montar ceias coletivas, quem dê brinquedos usados mas limpos e arrumados, quem entre numa vaquinha sabendo que o próprio bolso está apertado. É quase como se o espírito da viúva ainda caminhasse entre nós.

Mas e quem tem mais? Como fica quem vive com conforto, estabilidade, cartão de crédito sem susto? A oferta dessas pessoas é maior em valor numérico, claro — mas será que pesa no coração? Será que transforma? Será que custa? Ou é um gesto automático, quase protocolar?

E você, leitor — como se encaixa nessa história?
No meio da correria das compras, das festas e dos compromissos, cabe uma pausa honesta: o que eu tenho ofertado realmente me envolve?
Minhas “duas moedas” são só o que sobra… ou algo que eu escolho dar de verdade?
Meu Natal toca alguém além da minha própria mesa?

O Brasil, com toda a sua diversidade e contrastes, talvez nos ensine algo fundamental: solidariedade não é sobre quantidade, é sobre intenção.
E, às vezes, quem tem menos entrega mais — não em cifras, mas em significado.

Neste Natal, talvez valha perguntar:
Será que eu daria as minhas duas únicas moedas?

O sentido teológico — um gesto que revela o coração

Teologicamente, a viúva revela o núcleo da fé cristã: confiança radical. Ela entrega mais do que moeda; entrega dependência, entrega vulnerabilidade, entrega sua própria segurança material nas mãos de Deus. Enquanto os ricos ofertam do que lhes sobra, ela oferece do que lhe sustenta — um gesto que ultrapassa a matemática e entra no campo da espiritualidade. A lógica divina, presente no ensinamento de Jesus, vira o raciocínio humano de cabeça para baixo: o valor de uma oferta não está no tamanho da quantia, mas na profundidade do amor que a motiva. A viúva encarna o que Jesus mais admirava — a entrega sincera, o coração que não calcula, a fé que não espera retorno. E é exatamente isso que confronta cada um de nós: quando ajudo, estou realmente oferecendo algo de mim… ou apenas liberando o que não me faz falta?

Fonte: https://pt.aleteia.org/

LEITURAS: "A Virgem entrou no mundo por meio de Maria" (Parte 3/3)

Algumas miniaturas das Très belles heures de Notre Dame, um dos três volumes em que está dividido o manuscrito Très belles heures du duc de Berry, século XV, Bibliothèque Nationale de Paris. Aqui, a Anunciação; abaixo, a Visitação e a Natividade | 30Giorni.

LEITURAS

Arquivo 30Dias nº 05 - 2004

"A Virgem entrou no mundo por meio de Maria"

Assim, Pio XII na encíclica Sacra virginitas. Por ocasião do quinquagésimo aniversário do documento sobre a virgindade consagrada, publicamos algumas passagens dos Padres da Igreja citadas pelo Papa.

Por Lorenzo Bianchi

A Visitação | 30Giorni.

«A fidelidade das virgens ao seu Esposo divino depende da oração» Sacra virginitas , 56

«Oratio quoque nos Deo crebra commendet. Si enim Propheta dicet: “Septies in die laudem dixi tibi” ( Sl 118 [119], 164), qui regni erat necessitatibus occupatus; quid nos facere oportet, qui legimus: “Vigiai e rezai, não caiamos em tentação” ( Mt 26, 41)? Certas orações solenes cum gratiarum actione sunt deferende, cum e somno surgimus, cum prodimus, cum cibum paramus sumere, cum sumpserimus, et hora incensi, cum denique cubitum pergimus. Sed etiam in ipso cubili volo psalmos cum oratione Dominica freqüente contexas vice, vel cum evigilaveris, vel antequam corpus sopor irriget; ut te in ipso quietis exordio rerum saecularium cura liberam, divina meditantem somnus inveniat. Denique etiam qui primus philosophiae ipsius nomen invenit, quotidie priusquam cubitum iret, tibicinem iubebat molliora canere, ut anxia curis saecularibus corda mulceret. Sed ille, sicut is qui laterem lavat, saecularia saecularibus frustra cupiebat abolere; magis enim se oblinibat luto, qui remedium a voluptate quaerebat: nos autem terrerum vitiorum colluvione cleansa, ab omnipollution carnis mentium interna mundemus. Symbolum quoque specialiter debemus tamquam nostri signaculum cordis antelucanis horis quotidie reviewe: quo etiam cum horremus aliquid, animo recurrendum est. Quando enim sine militiae sacramento, miles in tentorio, bellator in praelio?”

«A oração frequente também nos recomenda a Deus. De fato, se o profeta diz: “Sete vezes por dia eu te louvo” ( Sl 118 [119], 164), aquele que estava ocupado com os cuidados do reino, o que devemos fazer, quem lê: “Vigiai e orai para não cair em tentação” ( Mt.26, 41)? Certamente, orações solenes com ação de graças devem ser oferecidas ao acordarmos, ao sairmos, ao nos prepararmos para comer, após as refeições e ao anoitecer, e finalmente ao irmos dormir. Mas quero que vocês intercalem repetidamente os salmos com a Oração do Senhor, tanto quando estiverem acordados quanto antes que o sono relaxe seus corpos, para que o sono os encontre, no início do seu repouso, livres das preocupações mundanas, enquanto meditam nas coisas de Deus. E, de fato, até mesmo aquele que primeiro inventou a palavra "filosofia" [Pitágoras], todos os dias, antes de se deitar, ordenava ao flautista que tocasse música suave, para aliviar seu coração oprimido pelas preocupações mundanas. Mas ele, como quem lava um tijolo [isto é, quem faz um trabalho inútil], queria em vão remover as coisas mundanas com instrumentos mundanos; pois, buscando remédio no prazer, sujou-se ainda mais de lama. Nós, porém, depois de termos lavado toda a imundície dos vícios terrenos, purificamos interiormente nossas mentes de toda contaminação da carne. Devemos, em particular, todos os dias, antes do amanhecer, recitar também a profissão de fé como se fosse o selo do nosso coração, ao qual devemos recorrer com coragem mesmo quando algo nos assusta. Pois quando é que um soldado está na tenda, um combatente na batalha, sem ter prestado o juramento militar?
Ambrósio, De virginibus , III, 4, 18-20: PL 16, 225

Santo Agostinho | 30Giorni.

AGOSTINHO
As duas citações de Agostinho propostas aqui, entre as numerosas que se repetem na encíclica, são extraídas das Epistolae e da obra
De sancta virginitate , escrita em 401.

«Todos os santos, homens e mulheres, sempre consideraram a fuga e a vigilância cuidadosa para remover diligentemente toda ocasião de pecado como o melhor meio
de vencer nesta questão».

Sacra virginitas
 , 49.

«Nec dicatis vos habere animos pudicos, si habeatis oculos impudicos: quia impudicus oculus impudici cordis est nuntius». «Não digais que tendes almas virtuosas, se tendes olhos impuros, porque um olho impuro é sinal de um coração impuro». Agostinho, Epistolae , 211,10: PL 33, 961. «Talvez ninguém, melhor do que Santo Agostinho, tenha demonstrado a importância da humildade cristã para salvaguardar a virgindade». Sacra virginitas , 54. «Perpétua continentia, maximeque virginitas, magnum bonum est in sanctis Dei, vigilantissime cavendum est ne superbia corrumpatur. [...] Quod bonum as magnum video, tanto assim, ne pereat, furem superbiam pertimesco. Non ergo custodiat bonum virginale, nisi Deus ipse qui dedit: et “Deus charitas est” ( 1Jn 4, 8). Custos ergo virginitatis charitas: locus autem huius custodias humilitas» «A continência perpétua, e muito mais a virgindade, são um grande bem nos santos de Deus; mas com a máxima vigilância devemos garantir que não seja corrompido pelo orgulho. [...]

Quanto maior o bem que vejo, mais temo que o orgulho não o sequestre. Assim, ninguém salvaguarda melhor o bem da virgindade do que Deus que o concedeu; e “Deus é caridade” ( 1 João 4:8). A guardiã, portanto, da virgindade é a caridade, mas a morada dessa guardiã é a humildade» Agostinho, De sancta virginitate , 33.51: PL 40, 415.426

Fonte: https://www.30giorni.it/

Pe. Pasolini: Advento, tempo de espera confiante para a salvação (A)

Padre Pasolini na pregação ao Papa e à Cúria Romana   (@Vatican Media)

"A Parusia do Senhor. Uma espera sem hesitação" é o tema da primeira das três meditações de preparação ao Natal na manhã desta sexta-feira, 5 de dezembro, na Sala Paulo VI. Na presença do Papa, o pregador da Casa Pontifícia enfatiza que perceber a falta de paz ou a eficiência que domina a vida "não basta para converter o coração". O que é necessário é a graça de Deus, que nos liberta do pecado e da morte.

Benedetta Capelli – Cidade do Vaticano

"Não andarilhos sem rumo", mas "sentinelas que, na noite do mundo, mantêm humildemente a sua fé" para ver a luz "capaz de iluminar todo homem". Padre Roberto Pasolini, pregador da Casa Pontifícia, acompanha-nos numa viagem em que o tempo do Advento se torna uma oportunidade para sermos "peregrinos rumo a uma pátria", em um caminho marcado pela esperança e que tem como horizonte a salvação.

A primeira de três meditações previstas sobre o tema "Aguardando e apressando a vinda do dia de Deus", centra-se na Parusia do Senhor e introduz em um tempo singular: a conclusão do Jubileu da Esperança. "O Advento", sublinha o capuchinho, "é o tempo em que a Igreja reacende a esperança, contemplando não só a primeira vinda do Senhor, mas sobretudo o seu regresso no fim dos tempos." É o momento em que somos chamados a "aguardar e, ao mesmo tempo, apressar a vinda do Senhor com vigilância serena e diligente".

Santo Padre durante a pregação   (@Vatican Media)

Perceber a graça de Deus

"Parusia" é um termo usado quatro vezes pelo evangelista Mateus no capítulo 24 com um duplo significado: "presença" e "vinda". Jesus compara a expectativa de sua vinda aos dias de Noé antes do dilúvio universal. Eram dias em que a vida seguia normalmente e em que Noé sozinho construiu a arca, o instrumento da salvação. Sua história levanta questões essenciais para a compreensão do que o homem moderno precisa reconhecer. Diante de novos e complexos desafios, "a Igreja é chamada a permanecer um sacramento de salvação em uma era de mudanças".

“A paz - enfatiza o Padre Pasolini - permanece uma miragem em muitas regiões até que antigas injustiças e memórias feridas sejam curadas, enquanto na cultura ocidental o senso de transcendência é enfraquecido, esmagado pelo ídolo da eficiência, da riqueza e da tecnologia. O advento da inteligência artificial amplifica a tentação de uma humanidade sem limites e sem transcendência.”

LEIA O TEXTO COMPLETO (ITALIANO E INGLÊS) DO PRIMEIRO SERMÃO DO ADVENTO DO PADRE ROBERTO PASOLINI AQUI

O mistério de um Deus que tem confiança na humanidade

Perceber não basta, é preciso reconhecer “a direção para a qual o Reino de Deus continua a se mover dentro da história”, retornando à capacidade profética do Batismo. Perceber a graça de Deus, “esse dom da salvação universal que a Igreja humildemente celebra e oferece, para que a vida humana seja libertada do fardo do pecado e do medo da morte”. Uma graça à qual os ministros da Igreja não podem se habituar, correndo o risco de se familiarizarem tanto com Deus a ponto de o tomarem como óbvio. Assim, tomamos consciência do mistério de um Deus que “continua diante de sua criação com confiança inabalável, aguardando dias melhores”.

Padre Pasolini na pregação ao Papa e à Cúria Romana   (@Vatican Media)

Apagar o mal

O pregador da Casa Pontifícia recorda que, para redescobrir o rosto de Deus que acompanha "sua criação ferida", devemos recorrer à história do dilúvio universal, quando o Senhor vê o mal no coração humano. Esse mal não pode ser vencido pela mudança, pela evolução, porque à humanidade não serve somente realizar-se, mas também de salvar-se. "O mal não deve ser simplesmente perdoado: deve ser apagado, para que a vida possa finalmente florescer em sua verdade e beleza." Apagar, na cultura do cancelamento em que a humanidade de hoje está imersa, não é apenas destruir tudo, eliminar o que parece pesado nos outros. "Todos os dias cancelamos muitas coisas, sem nos sentirmos culpados ou causar qualquer dano. Apagamos - recorda Pasolini - mensagens, arquivos inúteis, erros em documentos, manchas, vestígios, dívidas. De fato, muitos desses gestos são necessários para permitir que nossos relacionamentos amadureçam e tornem o mundo habitável." Apagar significa abrir-nos a Deus, partindo de nossa própria fragilidade, e permitir que Ele nos cure.

A vida floresce quando Deus volta a estar no centro

O Senhor nunca se cansa de encontrar "um homem sábio, alguém que busca a Deus", assim como fez com Noé, que por sua vez sentiu a graça do Senhor. No homem na arca, Deus encontra a possibilidade de apagar e recomeçar. "Somente quando o homem retorna para viver diante da verdadeira face de Deus é que a história pode realmente mudar", enfatiza o monge capuchinho. "A história do dilúvio nos lembra que a vida floresce somente quando reconstruímos os céus, na medida em que colocamos Deus de volta no centro." O dilúvio se torna "uma passagem de recriação através de um momento de descriação". "É uma mudança temporária nas regras do jogo, para salvar o próprio jogo que Deus havia inaugurado com confiança."

Momento da I Pregação de Advento na Sala Paulo VU   (@Vatican Media)

Decidir não ferir

O dilúvio é, portanto, "uma renovação paradoxal da vida". Deus não se esquece da humanidade e coloca seu arco nas nuvens como sinal de aliança. O Senhor depõe suas armas com uma solene declaração de não violência. “Pode parecer -  acrescenta o padre Pasolini - uma metáfora ousada, quase inadequada para falar de Deus e da forma como a sua graça se manifesta. No entanto, a humanidade, após milênios de história e evolução, ainda está longe de saber como imitá-lo.”

A Terra, de fato, está dilacerada “por conflitos atrozes e intermináveis, que não dão trégua a tantas pessoas fracas e indefesas.” A decisão daqueles que, apesar de terem a capacidade, escolhem voluntariamente não ferir é reconfortante, porque compreendem que só acolhendo os outros é que a aliança “pode ser duradoura, verdadeira e livre.”

O tempo do bem

“Vigiai pois, porque não sabeis o dia em que o seu Senhor virá”: esta é a recomendação final de Jesus. Não saber o dia e a hora deste evento criou muita expectativa no passado, sublinha o pregador, mas hoje as coisas parecem ter invertido. “A espera diminuiu ao ponto de, por vezes, dar lugar a uma subtil resignação quanto ao seu cumprimento.” Hoje, prevalece "uma vigilância cansada, tentada pelo desânimo".

O tempo de espera é o tempo de semear o bem e aguardar a vinda de Jesus Cristo. Cuidado com duas grandes tentações que afetam a humanidade e a Igreja: "esquecer a necessidade da salvação e pensar que podemos recuperar o consenso cuidando da aparência externa da nossa imagem e diminuindo a radicalidade do Evangelho". Devemos — enfatiza o capuchinho — retornar "à alegria — e também ao esforço — de seguir, sem domesticar a palavra de Cristo". Somente como "sentinelas nas fronteiras do mundo", como escreveu o monge Thomas Merton, podemos aguardar o retorno de Cristo.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Um guia espiritual para abandonar um hábito pecaminoso

Shutterstock I Prostock-studio

Philip Kosloski - publicado em 07/11/25

Romper com um hábito de pecado específico pode ser difícil, mas o venerável Luís de Granada oferece uma orientação útil que pode ajudar.

Em algum momento da nossa vida, podemos perceber que existe um pecado concreto que queremos (ou precisamos!) deixar de cometer. Talvez esse pecado já tenha se tornado um hábito enraizado, e livrar-se dele sem direção pode parecer quase impossível.

De certo modo, pode ser que até nos sintamos apegados a ele, temendo como seria nossa vida se o abandonássemos.

Mas afinal, é possível deixar de cometer esse pecado? O que devemos fazer?

A guia do pecador

venerável Luís de Granada, sacerdote dominicano do século XVI, oferece seus conselhos em um livro de título muito apropriado: “A guia do pecador.”

Nele, ele apresenta um plano passo a passo para os pecadores que desejam começar a praticar a virtude e libertar-se da escravidão do pecado.

Segundo Granada, “o primeiro remédio contra o pecado é a firme resolução de não cometê-lo.

1 - RESOLVE NÃO VOLTAR A PECAR

Sua primeira decisão deve ser uma resolução profunda e inabalável de nunca cometer um pecado mortal, pois ele nos priva da graça e da amizade de Deus.

Essa resolução é o alicerce de uma vida virtuosa.

2 - MANTENHA ESSA RESOLUÇÃO, ACONTEÇA O QUE ACONTECER

Assim como uma casa continua sendo casa mesmo que perca seus adornos — mas deixa de existir se o edifício for destruído —, também a vida da virtude tem uma essência: a caridade.

Enquanto essa caridade permanece, nossa construção espiritual se mantém de pé.

Mas se a resolução de não cometer pecado mortal desmorona, toda a estrutura cai em ruínas: deixamos de ser amigos de Deus e nos tornamos seus inimigos.

3 - SUBSTITUA O PECADO PELO DESEJO DE CRESCER NA AMIZADE COM DEUS

Aquele que deseja perseverar no mesmo caminho de conversão deve se esforçar para imitar os santos, firmando essa resolução nas profundezas da alma.

Reconhecendo o verdadeiro valor das coisas, deve preferir a amizade de Deus a todos os tesouros da terra, sacrificando sem hesitação os prazeres passageiros em troca das delícias eternas.

Conseguir isso deve ser o objetivo de todas as suas açõesa intenção de todas as suas oraçõeso fruto buscado nos sacramentoso proveito extraído dos sermões e das leituras piedosasa lição aprendida na beleza e harmonia do mundo e de todas as criaturas.

4 - NÃO DESISTA QUANDO CAIR

fizkes | Shutterstock

Aprenda com o carpinteiro: quando quer pregar um grande prego, ele não se contenta com alguns golpes, mas continua martelando até ter certeza de que o fixou firmemente.

Você deve imitá-lo se quiser enraizar profundamente essa resolução em sua alma.

Não se contente em renová-la de vez em quando; aproveite cada dia e todas as oportunidades que se apresentarem — na meditação, nas leituras, no que vê ou ouve — para fortalecer cada vez mais em sua alma esse horror ao pecado.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

LEITURAS: "A Virgem entrou no mundo por meio de Maria" (Parte 2/3)

Algumas miniaturas das Très belles heures de Notre Dame, um dos três volumes em que está dividido o manuscrito Très belles heures du duc de Berry, século XV, Bibliothèque Nationale de Paris. Aqui, a Anunciação; abaixo, a Visitação e a Natividade | 30Giorni.

LEITURAS

Arquivo 30Dias nº 05 - 2004

"A Virgem entrou no mundo por meio de Maria"

Assim, Pio XII na encíclica Sacra virginitas. Por ocasião do quinquagésimo aniversário do documento sobre a virgindade consagrada, publicamos algumas passagens dos Padres da Igreja citadas pelo Papa.

Por Lorenzo Bianchi


Santo Ambrósio | 30Giorni.

AMBROGIO
Existem inúmeras citações de Ambrogio; os aqui propostos são retirados de De virginibus , obra de 377, e de De Institutione virginis , de 392

«A virgindade perpétua é um bem sublime de carácter essencialmente cristão e distingue-se da virgindade pagã porque esta última tem um carácter temporário»
Sacra virginitas , 1

«Quis mihi praetendit Vestae virgines et Palladis Prides? Qualis ista est non morum pudicitia, sed annorum: quae non perpetuate, sed aetate praescribitur! Petulantior est talis integritas, cuius corruptela seniori servitur aetati. Ipsi docentes virgines suas non debere persevere, nec posse, qui virginitati finem dederunt. Qualis autem est illa religio, ubi pudicae adolescentes iubentur esse, impudicae anus?”

«E quem me louvará as virgens de Vesta e as sacerdotisas do Paládio? Que tipo de castidade é esta, não de costumes, mas de anos, que não é prescrita para sempre, mas por um tempo? Esta integridade é vergonhosa, cuja violação é reservada para uma idade mais madura. Aqueles que puseram fim à virgindade ensinam às suas virgens que elas não devem e não podem ser perseverantes. Mas que vínculo sagrado é esse pelo qual as jovens são obrigadas a ser castas e as mulheres idosas imodestas?»
Ambrósio, De virginibus , I,4, 15: PL 16,193

Visitação de Maria a Santa Izabel | 30Giorni.

«Há grande semelhança, já desde o tempo de Ambrósio, entre o rito da consagração das virgens e o da bênção nupcial»
Sacra virginitas , 14

«Te quaeso ut tuearis hanc famulam tuam, quae tibi serve, tibi animam suam, tibi integritatis suae studium dire praesumpsit. Quam padres munere offero, effectu patrio commendo; ut propitius et praesul conferas ei gratiam, quo coelestium thalamorum immorantem adytis Sponsum excutiat, mereatur videre, introducatur in cubiculum Dei sui regis: mereatur audire dicentem sibi: "Ades huc a Lebanon, Sponsa, ades huc a Lebanon; transibis et pertransibis a origine fidei" ( Canção 4, 8); ut transeat saeculum, ad illa aeterna pertranseat. [...] Egredere itaque tu, Domine Iesu, in die sponsalium tuorum, suscipe iamdudum devotam tibi spiritu, nunc etiam professione»

«Rogo-te que proteja esta tua serva, que ousou colocar-se ao teu serviço, que te consagre a sua alma e que te dedique a vontade da sua integridade. Eu a ofereço a você como sacerdote. Eu a recomendo a você com afeto paternal, para que você, benevolente protetor, possa conceder-lhe a graça de despertar o Esposo que habita nos aposentos das câmaras nupciais celestiais, de merecer vê-lo, de ser introduzida na câmara de Deus, seu Rei, e de merecer ouvi-lo dizer-lhe: “Vem do Líbano, ó noiva, vem do Líbano; desde o princípio da fé você atravessará e chegará” ( Cântico dos Cânticos 4:8), para que ela possa atravessar o mundo e alcançar a eternidade. [...] Sai então, ó Senhor Jesus, no dia do teu casamento, acolhe aquela que há muito tempo te é devotada em espírito, agora também por profissão»
Ambrósio, De institutione virginis , 17, 107.114: PL 16, 331.334

«Mas para manter a castidade pura e aperfeiçoá-la, há um meio cuja maravilhosa eficácia é confirmada pela experiência repetida dos séculos: e esse é uma devoção sólida e ardente à Virgem Mãe de Deus. Ela, segundo as palavras de Santo Ambrósio, é “a mestra da virgindade” e a mãe mais poderosa especialmente das almas consagradas
ao serviço de Deus»

Sacra virginitas , 58 «E o que é que tem maior mérito que a mãe do Senhor, o louvor deve ser reservado? Nada maior do que a virgindade pela qual se deve delegar [...]. Aliis promittit ut non deficiant: matrem suam deficere patiebatur? Sed non deficit Maria, non deficit virginitatis magistra; nec fieri porat ut quae Deum portaverat, portandum hominem arbitraretur»

«E a quem o Senhor teria atribuído maior mérito, reservado maior recompensa do que à sua própria mãe? De fato, a ninguém destinou dons mais ricos do que os concedidos à virgindade de Maria [...]. Ele promete aos outros que não falharão: poderia ele tolerar que sua mãe falhasse? Mas Maria não falha, a mestra da virgindade não falha; e não poderia acontecer que aquela que carregou Deus em seu ventre pensasse em carregar um homem ali».
Ambrósio, De institutione virginis , 6, 45: PL 16, 317.

«Cuius tanta gratia, ut non solum in se virginitatis gratiam reservaret, sed etiam his quos viseret integritatis insigne conferret».
«Tão grande era a graça de Maria, que ela não reservou apenas para si o dom da virgindade, mas também àqueles a quem viu, conferiu o ornamento da integridade».
Ambrósio, De institutione virginis , 7, 50: PL 16, 319.

Fonte: https://www.30giorni.it/

Em imagens, a primeira Viagem Apostólica de Leão XIV

Em imagens, a primeira Viagem Apostólica do Papa Leão XIV (Vatican News)

O vídeo mostra a chegada ao país que é uma ponte entre Oriente e o Ocidente, com um apelo para fomentar a fraternidade na região, a unidade entre as Igrejas e a plena dignidade das minorias. Em seguida, a chegada no País dos Cedros, com o abraço dos líderes religiosos em nome da paz, o entusiasmo dos jovens que resistem às dificuldades e a oração silenciosa no porto de Beirute. E a promessa: "Não vos abandonaremos".

https://youtu.be/vFcj3lbQx8A

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria

Imaculada Conceição (Regina Fidei)

Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria. 08/12/25 (Lc 1,26-38). 

03/12/2025

Dom Carmo João Rhoden
Bispo Emérito de Taubaté (SP)

Texto referencial: O anjo, então, disse-lhe: Não tenhas medo Maria, porque encontrastes graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás a luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. (Lc 1,30-31).

 Maria nunca pode e nem deve ser distanciada do Filho: Jesus Cristo. Nem a mariologia da cristologia. Somente entende bem a pessoa de Maria e sua missão materna na história da salvação e da Igreja, quem souber vê-la e analisá-la começando pela revelação bíblica. Sugiro ler (Lucas 1,26-38; 1,46-56) (João 19,25-27).

Jesus e somente Ele podia chamá-la de Mãe e certamente somente Ela, podia denominá-lo de Filho, com toda a razão. O Verbo Encarnado poderia ser feito presente na terra, na história, de muitos modos diferentes. Mas escolheu Maria. A Trindade assim o quiz. Por isso, também a Igreja a chama de sua Mãe.

O anjo “arcanjo” saudou angelicamente: “ave cheia de graça – o Senhor está contigo” ela respondeu, então: “Eis aqui serva do Senhor”. Hoje em dia o Senhor quer inculturar-se em nossa história. Ajudamos? Como vai a nossa Evangelização? Como assumimos nossas pastorais? A pergunta é fazê-la…, mas a resposta?? Bem, esta custa mais e as vezes ainda nos pode envergonhar.

“Ave Maria”, Ave Mãe Maria, também hoje teus filhos adotivos te saúdam do mesmo modo e assim esperam fazê-lo também no céu.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Papa extingue Comissão de doações à Santa Sé

Basílica de São Pedro (Vatican Media)

Com um quirógrafo, fruto de consultas com o Conselho de Economia e outros especialistas, Leão XIV extinguiu a Comissão de donationibus pro Sancta Sede, instituída pelo Papa Francisco em 11 de fevereiro. O Estatuto, aprovado ad experimentum, e todos os atos adotados até então foram revogados. Os membros cessam suas funções e todos os bens pertencentes à organização são "destinados" à Santa Sé.

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

Menos de dez meses após sua criação, o Papa Leão XIV, por meio de um quirógrafo assinado em 29 de setembro, mas divulgado nesta quinta-feira, 4 de dezembro, extingue a Commissio de donationibus pro Sancta Sede ("Comissão de doações para a Santa Sé"), órgão criado para incentivar contribuições dos fiéis, das Conferências Episcopais e de outros potenciais benfeitores.

O Papa Francisco havia instituído a Comissão, também por meio de um quirógrafo, assinado em 11 de fevereiro de 2025. A notícia de sua criação havia sido divulgada no dia 26 do mesmo mês, durante os dias em que o Pontífice esteve hospitalizado no Hospital Gemelli.

LEIA O TEXTO COMPLETO DO QUIROGRAFIA DO PAPA LEÃO XIV AQUI

Composta por cinco membros, a Commissio era presidida por monsenhor Roberto Campisi, ex-assessor para os Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, a quem Leão XIV nomeou observador permanente da Santa Sé junto à UNESCO em 27 de setembro, com a função também de acompanhar as atividades das Organizações Católicas Internacionais.

Ele e os demais membros "cessam imediatamente suas funções", afirma o quirógrafo, que é resultado – lê-se – da "resolução" e das "recomendações" aprovadas e apresentadas pelo Conselho para a Economia, nos termos do Artigo 207 da Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, ou seja, o artigo referente à proteção de bens, riscos patrimoniais e recursos humanos e financeiros a serem geridos "com prudência, eficiência e transparência".

A Instituição do organismo

A Comissão foi criada com a tarefa específica de "incentivar as doações por meio de campanhas específicas" entre os fiéis, episcopados e benfeitores, bem como "angariar fundos de doadores dispostos a contribuir para projetos específicos apresentados pelas instituições da Cúria Romana e do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, sem prejuízo da autonomia e das responsabilidades específicas de cada organização, de acordo com a legislação vigente".

A decisão do Papa

No quirógrafo do Papa Leão XIV, lê-se: "A questão das doações e d fundraising (arrecadação de fundos) para a Santa Sé representa um aspecto importante do vínculo de unidade e caridade entre as Igrejas particulares e a Sé Apostólica, particularmente na perspectiva do exercício efetivo do ministério petrino."

"O Conselho para a Economia, responsável pela supervisão das estruturas e atividades administrativas e financeiras da Santa Sé, dedicou especial atenção ao estudo deste tema, reexaminando-o e consultando especialistas na área", afirma o documento. Em seguida, continua: "Ao avaliar positivamente os primeiros passos dados recentemente, o Conselho formulou algumas recomendações com o objetivo de reformular a atual estrutura institucional responsável pela gestão desta área."

O delegado para os bens é o presidente da APSA

Após consultar "pessoas com experiência no assunto", o Papa Leão XIII decide assim revogar o Estatuto da Commissio de donationibus pro Sancta Sede. O Estatuto revoga também "todos os atos adotados até o momento e os Regulamentos eventualmente elaborados pela Commissio", que "deixarão, portanto, de ter qualquer força canônica ou jurídica". Além disso, o quirógrafo estabelece que "todos os bens atualmente pertencentes à Commissio devem ser destinados à Santa Sé".

Delegado é o presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA), monsenhor Giordano Piccinotti, e tem "o poder de subdelegar e proceder com a liquidação da Commissio de acordo com a legislação vigente".

Grupo de trabalho

A Secretaria para a Economia, juntamente com um grupo de trabalho por ela designado, será responsável por "resolver quaisquer questões que possam permanecer pendentes após a dissolução da Commissio". A Secretaria para a Economia "manterá o Conselho para a Economia informado sobre todas as ações tomadas a esse respeito".

Por fim, o Papa anunciou a criação de um grupo de trabalho para formular "propostas sobre a questão geral da arrecadação de fundos para a Santa Sé, bem como a definição de uma estrutura adequada". O Conselho para a Economia voltará a propor os nomes dos membros do grupo, que serão submetidos ao Papa por meio da Secretaria de Estado.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

LEITURAS: "A Virgem entrou no mundo por meio de Maria" (Parte 1/3)

Algumas miniaturas das Très belles heures de Notre Dame, um dos três volumes em que está dividido o manuscrito Très belles heures du duc de Berry, século XV, Bibliothèque Nationale de Paris. Aqui, a Anunciação; abaixo, a Visitação e a Natividade | 30Giorni.

LEITURAS

Arquivo 30Dias nº 05 - 2004

"A Virgem entrou no mundo por meio de Maria"

Assim, Pio XII na encíclica Sacra virginitas. Por ocasião do quinquagésimo aniversário do documento sobre a virgindade consagrada, publicamos algumas passagens dos Padres da Igreja citadas pelo Papa.

Por Lorenzo Bianchi

«A virgindade sagrada e a castidade perfeita consagradas ao serviço de Deus estão certamente entre os tesouros mais preciosos que o seu Autor lhe legou. Por esta razão, os Santos Padres enfatizaram que a virgindade perpétua é um bem supremo de caráter essencialmente cristão. [...] Os Santos Padres – como Cipriano, Atanásio, Ambrósio, João Crisóstomo, Jerônimo, Agostinho e muitos outros – celebraram a virgindade com o mais alto louvor em seus escritos. Esta doutrina dos Santos Padres, enriquecida ao longo dos séculos pelos doutores da Igreja e pelos mestres do ascetismo cristão, certamente exerce grande influência entre os cristãos de ambos os sexos, despertando e confirmando a resolução de se consagrar a Deus por meio da castidade perfeita e de perseverar nela até a morte» ( Sacra virginitas , 1.3).

Há cinquenta anos, em 25 de março de 1954, festa da Anunciação, o Papa Pio XII publicou, no décimo sexto ano de seu pontificado, a encíclica Sacra virginitas (“Sobre a Virgindade Consagrada”). Após a introdução, ela se divide em três capítulos principais: “O Ensinamento da Igreja”, “A Razoabilidade da Virgindade” e “A Prática da Virgindade”, seguidos de uma conclusão que menciona o declínio das vocações e a perseguição sofrida pelos consagrados a Deus. É a última, em ordem cronológica, das cinco encíclicas mais importantes de Pio XII, depois de Mystici Corporis (“Sobre o Corpo Místico de Jesus Cristo e sobre Nossa União com Cristo Nele”), de 29 de junho de 1943; Divino afflante Spiritu (“Sobre o Modo Mais Adequado de Promover os Estudos Bíblicos”), de 30 de setembro de 1943; Mediator Dei (“Sobre a Sagrada Liturgia”), de 20 de novembro de 1947; e Humani generis (“Sobre Certas Opiniões Falsas que Ameaçam Subverter os Fundamentos da Doutrina Católica”), de 12 de agosto de 1950.

Abaixo, retraçamos a encíclica Sacra virginitas de Pio XII por meio de algumas citações dos escritos dos Padres da Igreja mencionados pelo Papa, introduzidas pelas palavras da encíclica e agrupadas por autor em ordem cronológica: Cipriano, bispo de Cartago, onde foi martirizado em 14 de setembro de 258; Atanásio, bispo de Alexandria, onde faleceu em 2 de maio de 373; Ambrósio, bispo de Milão, falecido em 4 de abril de 397; e, finalmente, Agostinho, bispo de Hipona, onde faleceu em 28 de agosto de 430.

                                                         
                                                                       São Cipriano de Cartago | 30Giorni.

Cipriano

Todas as citações de Cipriano usadas por Pio XII, das quais três são relatadas aqui, são retiradas da obra De habitu virginum , composta em 249

«Os Santos Padres exortam as virgens a amarem o seu divino Esposo mais do que amariam o seu próprio marido»

Sacra virginitas , 15 «Neque enim inanis haec cautio est et vana formido quae ad salutis viam consulit, quae Dominica et vitalia praecepta custodiat, ut quae se Christo dicaverint, et a carnali concupiscentia recedentes tam carne quam mente se Deo voverint, consumament opus suum magno praemio destinatum, nec ornari iam aut prazerre cuiquam nisi Domino suo estudante, a quo et mercedem virginitatis expectant" «Não é uma precaução inútil ou um medo insensato que cuida do modo de salvação, e que guarda os preceitos vivificantes do Senhor, para que as virgens que se consagraram a Cristo e, abandonando a concupiscência da carne, se consagraram a Deus tanto na carne quanto na mente, possam completar sua obra destinada a uma grande recompensa, e não se preocupem em se embelezar ou agradar a ninguém além de seu Senhor, de quem aguardam a recompensa da virgindade» Cipriano, De habitu virginum , 4: PL 4, 443-444 

«A virgindade é uma virtude angélica» 

Sacra virginitas , 27 «Quod futuri sumus iam vos esse coepistis. Vos resurrectionis gloriam in isto saeculo iam tenetis, per saeculum sine saeculi contagione transitis. Cum castae perseveratis et virgines, angelis Dei estis aequales» «O que um dia seremos, vocês já começam a ser. Vocês já desfrutam da glória da ressurreição nesta era; vocês atravessam o mundo sem serem contaminadas por ela. Enquanto "Se perseverares na castidade e na virgindade, sereis igual aos anjos de Deus." Cipriano, De habitu virginum , 22: PL 4,462

Santo Atanásio | 30Giorni.

A citação de Atanásio aqui apresentada foi extraída da Apologia ad Constantium , iniciada em 353.
"A Igreja Católica costuma chamar as virgens de esposas de Cristo."
Sacra virginitas , 14.

"O Filho de Deus, nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, tendo-se feito homem por nós, aboliu a morte e libertou a raça humana da escravidão da corrupção. Além de todas essas graças, concedeu-nos possuir na terra uma imagem da própria santidade dos anjos, a virgindade. Aquelas que professam essa virtude, a Igreja Católica costuma chamar de esposas de Cristo. Mesmo os pagãos que as veem as admiram como um templo da Palavra; pois em nenhum outro lugar, na verdade, se encontra essa venerável e celestial instituição senão entre nós, cristãos."

Fonte: https://www.30giorni.it/

O sim de São José, o santo do Advento

São José é exemplo de proteção e fé (Canção Nova)

O SIM DE SÃO JOSÉ, O SANTO DO ADVENTO

03/12/2025

Dom Carlos José

Bispo de Apucarana (PR)

“José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado.” (Mt 1, 24).

Escolhido para ser o pai terreno de Jesus, José, o Justo, nos dá um precioso ensinamento: a obediência silenciosa e o serviço fiel ao Senhor sem alardes, sem alvoroço, cumprindo a vontade do Pai, em detrimento da sua.

De natureza simples, profundamente justo, conforme nos diz a Sagrada Escritura, José assume para si,  com profunda confiança nos propósitos do Senhor, a Virgem Maria e o Filho de Deus que Ela já trazia no ventre.

Escândalo para época, uma jovem grávida antes do casamento era motivo de comentários maldosos.

Somente um homem de fé inabalável, conhecedor da Palavra Sagrada e das promessas sobre a vinda do Messias poderia aceitar esse chamado que para todos parecia loucura.

No entanto, José sabia em quem punha sua esperança e confiança!

Trazendo para nossos dias, quem de nós, hoje, se colocaria no lugar de José?

Será que encontraríamos alguém?

O sim de José foi dito em silêncio, um sim silencioso que grita até hoje em nossos ouvidos, da mesma importância quanto o da jovem Maria quando do anúncio do Anjo.

Ela, disse: “Faça-se” (Lc 1,38) e José, obediente à Palavra do Senhor que lhe foi transmitida pelo Anjo (Mt 1,20), “levantou-se e fez como o Anjo lhe havia mandado”,  assumindo Maria e Jesus, sem questionar ou murmurar.

Ambos, José e Maria, nos ensinam que, seja em palavras, seja no silêncio do coração, devemos estar atentos ao que Deus deseja de nós.

José, ao aceitar os desígnios do Senhor, certamente viu cair por terra todos os seus planos particulares.

A partir do seu sim, José passa a ser aquele que deixa de ser o protagonista de sua própria história para ser aquele que dá suporte irrestrito e total à sua família.

Interessante que José não pediu explicações! Sua fé e confiança em Deus lhe respondia tudo e isso lhe bastava.

Ele jamais gritou ou se vangloriou por ser o escolhido de Deus, mas anunciou, sem palavras, a todos ao seu redor com suas atitudes de homem fiel, seu amor e fidelidade ao Pai. Certamente seu coração paterno sofreu com Maria as dificuldades que antecederam o nascimento do Menino.

Com Ela, enfrentou as perseguições, a falta de acolhimento, e com Ela, alegrou-se pelo nascimento!

Ele se deixou conduzir pela Sabedoria do Pai, que o guiava pela fé!

Como seria bom se também nós, à imitação de São José, tivéssemos essa postura de humildade, serviço e testemunho silencioso, fiel e sereno.

Se todas as nossas ações, sejam as que envolvem nossas participações nas pastorais e movimentos, ou as que fazemos como voluntários, ou mesmo nossas doações e ajudas humanitárias envolvessem mais o coração e menos o estrelismo, certamente surtiriam mais efeito restaurador em nós mesmos e, consequentemente, ajudariam a outros a perceberem que as boas obras não fazem barulho, fazem presença.

O Advento nos ensina a imitarmos José na simplicidade e obediência; a deixarmos o nosso querer e a querermos o que Deus quer.

Que a esperança de novos tempos nos leve a sermos novos homens e novas mulheres mais atentos à Voz de Deus, antes que a voz do mundo nos leve a perder a oportunidade de vivermos o Natal como deve ser vivido: renascendo como novas criaturas em Jesus e Maria Santíssima, protegidos pelo amor de São José!

Abençoando!

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF