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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Como proteger seus joelhos de problemas futuros (Parte 1/2)

Crédito: Getty Images

Como proteger seus joelhos de problemas futuros

Autor: David Cox

De BBC Future

6 outubro 2025

Os primeiros sinais de desgaste podem aparecer já na casa dos 30 anos: aquela dor incômoda que surge quando o tempo muda, a rigidez matinal ao levantar da cama ou até aquela hesitação antes de se agachar.

Todos esses são indícios de que os joelhos já não funcionam tão bem quanto antes.

Isso tende a ser mais evidente em quem pratica esportes regularmente ou tem trabalhos que exigem esforço físico.

Mas há outros fatores que podem agravar o problema: ganho de peso, doenças autoimunes e até a genética aceleram o desgaste da articulação.

Também não surpreende que os joelhos sofram tanto. Pesquisas indicam que, apenas ao caminhar, a força exercida sobre eles equivale a uma vez e meia o peso do corpo.

Depois da dor nas costas, as dores nos joelhos são a queixa musculoesquelética mais frequente entre os idosos, impactando desde a mobilidade até a qualidade de vida.

"O joelho é uma das articulações mais complexas do corpo," explica Anikar Chhabra, cirurgião ortopédico e chefe de medicina esportiva da Mayo Clinic, nos Estados Unidos. "A cada passo, ele suporta toda a carga do nosso peso."

Há boas razões para dedicar atenção à saúde dos joelhos desde cedo, o que pode fazer a diferença tanto agora quanto no futuro. E a boa notícia é que existem passos simples que todos nós podemos adotar para garantir a mobilidade por mais tempo.

Nossos joelhos sofrem bastante ao longo da vida – e um pequeno esforço agora pode fazer a diferença entre ter mobilidade ou enfrentar dificuldades no futuro (Crédito: Getty Images)

Os joelhos dependem diretamente de quatro grupos musculares ao seu redor: isquiotibiais (superiores da coxa), glúteos, quadríceps e panturrilhas. Esses músculos dão sustentação, estabilidade e absorvem impactos.

"Quando esses músculos não trabalham em conjunto, a sobrecarga vai direto para a articulação. É aí que surge a dor," diz Chhabra.

Pesquisas mostram que fortalecer esses grupos musculares por meio de exercícios ajuda a evitar a degeneração da cartilagem que leva à osteoartrite, retardando ou até prevenindo a necessidade de prótese no joelho.

Além disso, manter os músculos fortes pode reduzir a carga sobre a articulação e aliviar a dor em estágios iniciais da doença.

Segundo Alexis Colvin, professora de cirurgia ortopédica na Escola de Medicina Icahn, em Nova York, os exercícios também podem melhorar a saúde das próprias células da cartilagem.

"Dentro do joelho, existe um líquido chamado sinovial, que funciona como um óleo lubrificante," diz. "O exercício estimula sua produção, reduzindo rigidez e inflamação, além de proteger a cartilagem."

Determinados exercícios ainda ajudam a fortalecer os ossos do joelho, reduzindo o risco de osteoporose ou de perda óssea ao redor da articulação com o avançar da idade. Para os idosos, lembra Chhabra, o fortalecimento dos músculos que cercam o joelho também diminui a chance de quedas.

Mas os exercícios para os joelhos podem trazer outros benefícios surpreendentes e muitas vezes negligenciados, como melhorar a propriocepção – a consciência subconsciente de onde estão as partes do nosso corpo no espaço. Esse "sexto sentido" ajuda a melhorar a mobilidade e o equilíbrio.

"Os exercícios para o joelho contribuem para essa percepção," diz Chhabra. "É basicamente treinar a mente para se conectar ao joelho, o que reduz o risco de quedas."

Colvin afirma que nunca é cedo demais para começar a fortalecer os joelhos.

Embora a maior parte das pesquisas sobre os benefícios desse tipo de exercício seja feita com idosos que já têm osteoartrite, estudos com adolescentes que praticam esportes mostraram que o fortalecimento dos joelhos, mesmo nessa idade, pode reduzir bastante o risco de lesões.

Para o restante da população, Colvin recomenda começar por volta dos 30 anos.

"É nessa fase que começamos a perder massa muscular e densidade óssea, ainda que de forma muito lenta. Por isso, é um bom momento para dar atenção a isso, caso o fortalecimento não faça parte da sua rotina de exercícios," ela explica.

Que tipo de exercícios devemos fazer?

Para manter os principais grupos musculares fortes, Chhabra sugere dedicar 15 minutos por dia, três a quatro vezes por semana, a diferentes exercícios para os joelhos – todos podem ser feitos em casa, sem a necessidade de equipamentos especiais.

Ainda assim, ele recomenda procurar um fisioterapeuta ou treinador de força para garantir a execução correta.

Continua...

Fonte: https://www.bbc.com/

Leão XIV: Deus nos faz grandes dons, mas deixa-nos livres para os aceitar ou não

Angelus, 08/12/2025 - Papa Leão XIV (Vatican News)

"Esta festa, que nos alegra pela beleza imaculada da Mãe de Deus, convida-nos também a acreditar como ela acreditou, dando o nosso consentimento generoso à missão para a qual o Senhor nos chama".

https://youtu.be/zjpIvnOyOX4

Vatican News

Na Solenidade da Imaculada Conceição, esta segunda-feira (08/12), o Papa Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. 

Hoje, celebramos a Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Expressamos a nossa alegria porque o Pai do Céu a quis «inteiramente imune da mancha do pecado original», cheia de inocência e santidade para poder confiar-lhe, para a nossa salvação, «o seu Filho unigénito [...] amado como a si mesmo».

De acordo com o Papa, "o Senhor concedeu a Maria a graça extraordinária de um coração totalmente puro, em vista de um milagre ainda maior: a vinda ao mundo, como homem, do Cristo Salvador. A Virgem recebeu esta notícia, com o espanto típico dos humildes, pela saudação do Anjo: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo» e com fé respondeu o seu “sim”: «Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra»".

Comentando estas palavras, Santo Agostinho diz que «Maria acreditou e, aquilo em que acreditou, nela se realizou». O dom da plenitude da graça, na jovem de Nazaré, pôde dar fruto porque ela, na sua liberdade, o acolheu abraçando o projeto de Deus.

"O Senhor age sempre assim: faz-nos grandes dons, mas deixa-nos livres para os aceitar ou não", sublinhou o Papa Leão, recordando ainda as palavras de Santo Agostinho: «Acreditemos também nós, para que o que se realizou [nela] possa beneficiar-nos também».

Assim, esta festa, que nos alegra pela beleza imaculada da Mãe de Deus, convida-nos também a acreditar como ela acreditou, dando o nosso consentimento generoso à missão para a qual o Senhor nos chama.

Segundo o Pontífice, "o milagre que aconteceu a Maria na sua concepção renovou-se para nós no Batismo: lavados do pecado original, tornamo-nos filhos de Deus, sua morada e templo do Espírito". "E como Maria, por graça especial, pôde acolher em si Jesus e doá-lo aos homens, assim «o Batismo permite que Cristo viva em nós e a nós que vivamos unidos a Ele, para colaborar na Igreja, cada um segundo a própria condição, para a transformação do mundo»", sublinhou ainda o Papa.

"Caríssimos, grande é o dom da Imaculada Conceição, mas também o é o dom do Batismo que recebemos", disse Leão XIV, acrescentando:

O “sim" da Mãe do Senhor é maravilhoso, mas o nosso também pode sê-lo, se renovado todos os dias com fidelidade, gratidão, humildade e perseverança, na oração e nas obras concretas de amor, desde os gestos mais extraordinários até aos compromissos e serviços mais quotidianos, para que Jesus seja conhecido, acolhido e amado em toda a parte e a sua salvação chegue a todos.

O Papa concluiu, convidando a pedir "isso hoje ao Pai, por intercessão da Imaculada".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Advento: tempo de faxina interior

Shutterstock | Aleteia

Canção Nova - publicado em 04/12/19 - atualizado em 08/12/25

Neste tempo do Advento, a faxina da espera deve remover as teias de aranha dos sentimentos que estacionaram em nossa alma.

As estações da natureza nos ensinam a reconciliar, em nosso coração, o tempo dos mistérios que abraçam nossa fé. Advento é tempo da espera. Ainda não é Natal, mas antecipa-se a alegria dessa festa. Viver cada tempo litúrgico com o coração é um jeito nobre de não adiantar um tempo que ainda não chegou. Na sobriedade que este tempo litúrgico exige, vamos tecendo a colcha das alegrias do Cristo que vem ao nosso encontro.

Esperar é uma alegria antecipada de algo que ainda não chegou. A mulher grávida vive na alma a felicidade antecipada pela vida que, em seu ventre, vai sendo gerada no tempo que lhe cabe. A natureza cumpre o ritual das estações para que cada tempo seja único. Os casais apaixonados esperam o momento do encontro. As famílias organizam a casa no cuidado da espera dos parentes que vão chegar. Esperar é uma metáfora do cotidiano da vida. No contexto do Advento, a espera ganha tonalidades alegres e sóbrias.

Casa mal arrumada não é adequada para acolher os amigos e familiares que vão chegar. Jardim sujo não pode se tornar um canteiro para novas sementes. Esperar é também tempo de cuidado e organização.

No tempo da espera, o tempo do cuidado na vida espiritual. Chegando ao fim de mais um ano, muitos corações se encontram totalmente bagunçados. Raivas armazenadas nos potes da prepotência, mágoas guardadas nas gavetas do rancor, amizades sendo consumidas pelo microondas da inveja, tristezas crescendo no jardim da infelicidade, violência sendo gerada no silêncio do coração.

No Advento da vida

Enquanto as lojas fazem o balanço [de seu patrimônio], somos convidados a fazer o balanço de nossa situação emocional. No balancete da vida, o amor deve sempre ser o saldo positivo que nos impulsiona a sermos mais humanos a cada dia.

Casa mal arrumada não é local adequado para receber quem nos visita. Coração bagunçado dificilmente tem espaço para acolher quem chega. Neste tempo do Advento, a faxina da espera deve remover as teias de aranha dos sentimentos que estacionaram em nossa alma. O pó que asfixia o amor deve ser varrido. Tempo novo exige coração novo. Jesus, com Seu amor sem limites, adentrava o coração de cada pessoa e fazia uma faxina de amor; abria as janelas da vida, que impediam cada pessoa de ver a luz de um novo tempo chegar; devolvia às flores, já secas pelas dores e tristezas, as alegrias da ressurreição; semeava nos sertões sem vida as sementes do amor e da paz.

No Advento da vida, as estações do coração se tornam tempo propício para limpar os quartos da alma à espera do Cristo que vem. Se o jardim do coração estiver sendo cuidado, as sementes da esperança vão germinar no tempo que lhes cabe, e o Amor nascerá nas alegrias da chegada.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Leão XIV aos pés da Imaculada: aprender a arte da reconciliação

O Papa Leão durante o ato de veneração a Nossa Senhora na Praça de Espanha (Vatican Media)

Aos pés da estátua de Nossa Senhora, na Praça de Espanha, o Papa Leão XIV rezou para que “floresça a esperança jubilar em Roma e em todos os cantos da terra”. Expressou o desejo de que, após as Portas Santas abertas para o Jubileu, se abram outras portas de “oásis de paz onde floresça a dignidade” e “se eduque à não-violência”.

Vatican News

Na Solenidade da Imaculada Conceição, celebrada nesta segunda-feira (08/12), o Papa Leão XIV foi à Praça de Espanha, situada no centro de Roma, para um ato de veneração a Nossa Senhora. 

Aos pés da estátua de Nossa Senhora, situada no topo de uma coluna de 12 metros de altura, o Papa fez a seguinte oração a Nossa Senhora.

Ave Maria!
Alegra-te, cheia de graça,
daquela graça que, como luz suave,
torna radiantes aqueles sobre quem resplandece a presença de Deus.

O Mistério te envolveu desde o princípio,
desde o ventre de tua mãe começou a operar grandes coisas em ti, que logo exigiram o teu consentimento,
aquele "sim" que inspirou muitos outros "sim".

Imaculada, Mãe de um povo fiel,
a tua transparência ilumina Roma com luz eterna,
o teu caminho perfuma as suas ruas mais do que as flores que hoje te oferecemos.

Muitos peregrinos de todo o mundo, ó Imaculada,
percorreram as ruas desta cidade ao longo da história e neste Ano Jubilar.

Uma humanidade provada, por vezes esmagada,
humilde como a terra de que Deus a formou,
e na qual o seu Espírito de vida nunca cessa de soprar.

Olha, ó Maria, aos tantos filhos e filhas em quem a esperança não se apagou:
que brote neles o que teu Filho semeou.
Ele, Palavra viva que em cada um pede para crescer mais,
e assumir carne, rosto e voz.

Floresça a esperança jubilar em Roma e em todos os cantos da terra,
esperança no mundo novo que Deus está preparando,
e do qual tu, ó Virgem, és como o botão e a aurora.

Depois das portas santas, abram-se agora outras portas de casas e oásis de paz onde floresça a dignidade,
onde se eduque à não-violência
e onde se aprenda a arte da reconciliação.

Venha o reino de Deus,
novidade que tanto esperaste e à qual te abriste completamente,
como criança, como jovem e como mãe da Igreja nascente.

Inspira novas intuições à Igreja que caminha em Roma
e às Igrejas particulares que, em cada contexto, reúnem
as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias
de nossos contemporâneos, especialmente os pobres,
e de todos os que sofrem.

Que o batismo gere ainda homens e mulheres santos e imaculados,
chamados a se tornarem membros vivos do Corpo de Cristo,
um Corpo que age, consola, reconcilia e transforma
a cidade terrena na qual a Cidade de Deus está sendo preparada.

Intercede por nós, em meio a mudanças
que parecem nos encontrar despreparados e impotentes.
Inspira sonhos, visões e coragem,
Tu que sabes melhor do que ninguém que nada é impossível para Deus, e ao mesmo tempo que Deus nada faz sozinho.

Coloca-nos no caminho, com a pressa que outrora impulsionou teus passos em direção à tua prima Isabel
e a trepidação com que te tornaste exilada e peregrina, para ser bendita,
sim, mas entre todas as mulheres,
a primeira discípula do teu Filho,
mãe de Deus conosco.

Ajuda-nos a ser sempre Igreja com e entre as pessoas,
fermento na massa de uma humanidade que clama por justiça e esperança.

Imaculada, mulher de infinita beleza,
cuida desta cidade, desta humanidade.
Indique a elas Jesus, leve-as a Jesus, apresenta-as a Jesus.

Virgem Imaculada, Rainha da Paz,
Rogai por nós!

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Assembleia Arquidiocesana de Pastoral aponta diretrizes para uma Igreja Mistagógica, Sinodal e Missionária

Assembleia Arquidiocesana de Pastoral - Arquidiocese de Brasília (arqbrasilia)

A Arquidiocese de Brasília realizou, neste sábado (06/12), a Assembleia Arquidiocesana de Pastoral, reunindo sacerdotes, religiosos, diáconos, leigos, representantes das pastorais, movimentos e comunidades no auditório do Colégio Santo Antônio, na Asa Sul.

6 de dezembro de 2025 16:43

Com o tema “Uma Igreja Mistagógica, Sinodal e Missionária” e o lema “Reconhecer Jesus, ouvir o Espírito e anunciar com alegria” (cf. Lc 24,31; At 15,28; Mt 28,19), a assembleia reforçou o compromisso da Arquidiocese com um processo pastoral integrado, maduro e profundamente enraizado no Evangelho. O encontro marcou a apresentação e aprovação do novo Plano Pastoral Arquidiocesano, que será homologado pelo Arcebispo Metropolitano de Brasília, Cardeal Paulo Cezar Costa, ainda este ano.

Durante a reflexão, Dom Paulo destacou o primeiro eixo do plano, a Igreja Mistagógica, que conduz os fiéis a uma experiência profunda e transformadora do mistério de Deus. “Uma Igreja mistagógica é uma Igreja que conduz as pessoas a fazer a experiência de Deus”. O Arcebispo enfatizou que a fé cristã não nasce de ideologias, mas de um encontro real e pessoal com Cristo. “A fé se move pelo encontro, pela experiência… uma experiência que dá sentido à vida.”

Ao citar o Papa Francisco e a centralidade do querigma, Dom Paulo ressaltou que o anúncio cristão sempre deve conduzir a uma vivência concreta do mistério. “O querigma não é um anúncio vazio. Ele precisa conduzir a pessoa a encontrar Aquele que está sendo anunciado. A Igreja deve ser a comunidade que ajuda os homens e mulheres de hoje a experimentarem o mistério de Deus… uma Igreja que reza bem, que celebra bem a liturgia, que professa a fé com beleza e pratica bem a caridade”, destacou.

Ao tratar do segundo eixo, a Igreja Sinodal, Dom Paulo reforçou que a sinodalidade não é um modismo, mas a forma própria de ser Igreja. “Na Igreja há uma igualdade fundamental que une a todos e uma distinção ministerial… A sinodalidade envolve todos na evangelização e na missão.”

O Arcebispo sublinhou que o ministro ordenado não é um detentor de poder, mas aquele que anima a vida comunitária. “O presbítero não é um príncipe, ele é um servidor. Onde o presbítero serve, a comunidade se sente envolvida, caminha unida e se doa com alegria.”

Dom Paulo também destacou a beleza da Igreja no Brasil, explicando que o “Nosso diferencial é o amor. As pessoas trabalham o dia inteiro e à noite estão na pastoral, no movimento, servindo por amor.” E completou sobre o sentido verdadeiro da sinodalidade. “Se a sinodalidade se tornasse uma luta de poder, seria falência total. Sinodalidade é comunhão: todos caminhando juntos, buscando o bem do povo de Deus.”

Ao refletir sobre o terceiro eixo, a Igreja Missionária, Dom Paulo recordou o desafio da indiferença religiosa e da saída de muitos fiéis das igrejas. Diante desse cenário, reafirmou o ensinamento de Aparecida: “Quem se encontrou com Jesus Cristo é discípulo… e quem é discípulo é missionário. A missão faz parte do meu ser batizado. Não é algo opcional. A vida de todo batizado deve ser uma missão.”

Dom Paulo salientou que uma Igreja missionária é uma Igreja que olha para fora. “Uma Igreja que olha para os pobres, para os necessitados, uma Igreja que sai ao encontro.” O Arcebispo concluiu a reflexão afirmando que os três eixos se iluminam mutuamente. “A sinodalidade não é fim em si mesma, ela existe em vista da missão, para que a Igreja seja mais evangelizadora e mais bonita.”

Após as reflexões de Dom Paulo, Padre Antônio Xavier, que integra a equipe sinodal da Arquidiocese e coordenou a equipe de redação e síntese do Plano Pastoral Arquidiocesano, apresentou o tema, o lema e o objetivo geral do Plano Pastoral, destacando sua organicidade e propósito. “O plano é para a Arquidiocese inteira e busca iluminar as situações. Ele não é para substituir nada, mas para fazer com que todos olhem na mesma direção.”

O sacerdote explicou que o trabalho agora segue em duas fases: a conclusão da redação do documento e, posteriormente, a recepção e aplicação do plano nas paróquias, comunidades, movimentos e pastorais. “O objetivo não é produzir um papel, mas que aquilo que está tratado ali possa iluminar a ação pastoral da Arquidiocese. Hoje terminamos a construção; o próximo passo é a aplicação.”

Os três eixos do Plano Pastoral:

 1. Igreja Mistagógica: Formação integral e permanente; Vida litúrgica viva e comunitária; Renovação da iniciação à vida cristã. 

2. Igreja Sinodal: Caminho conjunto, escuta e participação; Corresponsabilidade e unidade; Liderança servidora. 

3. Igreja Missionária: Igreja em saída; Evangelização como identidade; Protagonismo de cada batizado.

“Queremos promover, na Igreja Arquidiocesana, uma renovação espiritual, pastoral e missionária, conduzindo cada pessoa a um encontro vivo com Jesus Cristo, fortalecendo uma Igreja sinodal, de verdadeira comunhão e participação, e formando discípulos missionários comprometidos com o anúncio do Evangelho e com a transformação da realidade à luz do amor e da caridade cristã”, finalizou Padre Xavier.

Após as reflexões, os participantes foram divididos em pequenos grupos de trabalho para leitura do Plano Pastoral proposto. Após a análise, os presentes aprovaram o documento, que será homologado ainda este ano pelo Cardeal Paulo Cezar Costa e será implementado nas paróquias da Arquidiocese de Brasília, orientando os trabalhos pastorais nos próximos anos.

Fonte: https://arqbrasilia.com.br/

Leão XIV, um papa mariano e prudente

Antoine Mekary | ALETEIA

Cibele Battistini - publicado em 08/12/25

Desde o início do pontificado de Leão XIV, assim como no de seu predecessor Francisco, vários textos foram publicados pelo Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) para alertar contra certos desvios relacionados à devoção mariana.

O novo Papa segue a linha do anterior, adotando uma postura prudente, garantindo que a figura de Maria seja honrada sem jamais ofuscar a primazia de Cristo na fé cristã.

Nos últimos meses, a questão mariana voltou ao centro das atenções da Igreja, impulsionada por uma série de esclarecimentos doutrinais. Em 4 de novembro, o DDF publicou a nota doutrinal Mater Populi fidelis (A Mãe do povo fiel), fazendo um ponto de situação sobre certos títulos atribuídos à Virgem Maria — especialmente “corredentora” e “mediadora”. O documento esclarece a posição do magistério sobre o status e o papel de Maria, recordando que, segundo a fé católica, “somente Deus pode conceder a graça”.

Roma alerta contra qualquer consideração sobre a Virgem que “afaste de Cristo ou a coloque no mesmo nível que o Filho de Deus”. Contudo, “não se trata de corrigir, mas de valorizar, admirar e encorajar a piedade do povo fiel de Deus”, afirma a nota, que destaca a “cooperação” particular de Maria na salvação realizada por Jesus, entendida como uma “maternidade espiritual” em relação aos seres humanos.

Embora sua publicação tenha gerado muitos comentários, Mater Populi fidelis não foi impulsionada por Leão XIV, pois foi escrita durante o pontificado de Francisco. Mas o texto foi aprovado pelo novo Papa duas vezes: o cardeal Robert Prevost o aprovou como membro do dicastério em 26 de março — antes da morte de Francisco — e novamente como Papa em 7 de outubro.

“Nossa Mãe Maria quer sempre caminhar conosco, estar próxima de nós, ajudar-nos por sua intercessão e por seu amor.”

Algumas semanas antes da publicação, durante a missa do Jubileu da espiritualidade mariana, dedicada a grupos e movimentos devotos à Virgem, o pontífice americano-peruano afirmou que “a espiritualidade mariana, que alimenta nossa fé, tem Jesus como centro”. Palavras com a mesma tonalidade das da nota doutrinal.

No livro Leão XIV, retrato de um papa peruano (2025, Fayard), a teóloga Véronique Lecaros relata a “atitude muito pragmática” adotada pelo padre Robert Francis Prevost diante de supostas visões e mensagens do além durante seu tempo como missionário no Peru. Segundo um de seus próximos colaboradores, César Piscoya, o agostiniano advertia: “Pense que 103 vezes essas visões vêm da imaginação; é possível que, na 104ª vez, seja uma mensagem inspirada…”

Outros documentos de esclarecimento foram publicados recentemente pelo Vaticano. Em 9 de julho, o DDF concedeu o nihil obstat às aparições marianas do Monte Zvir, na Eslováquia, embora alertando contra algumas mensagens ambíguas atribuídas à mãe de Jesus. Em 12 de novembro, o “Guardião do dogma” decretou que o fenômeno das presumidas aparições de Dozulé, na Normandia, “deve ser considerado, de modo definitivo, como não sobrenatural”.

Mais uma vez, não há novidade nesses veredictos: foi no pontificado de Francisco que, em maio de 2024, uma nova metodologia de investigação sobre fenômenos místicos foi implementada. Essas normas estabeleceram seis “níveis” de avaliação, permitindo destacar aspectos positivos e negativos em um mesmo fenômeno. O estudo desses dossiês continua, portanto, sob o pontificado de seu sucessor.

Um brasão papal com o lírio mariano

Desde seus primeiros instantes como Papa, Leão XIV expressou sua devoção pessoal à Virgem Maria. Saudando a multidão da varanda da Basílica de São Pedro logo após sua eleição, o novo papa destacou que 8 de maio marca o dia da Súplica a Nossa Senhora de Pompeia. “Nossa Mãe Maria quer sempre caminhar conosco, estar próxima de nós, ajudar-nos por sua intercessão e por seu amor”, afirmou antes de convidar os fiéis a rezar uma Ave-Maria.

Em seu livro, Véronique Lecaros comenta a escolha do brasão papal — o mesmo que o brasão episcopal de Robert Prevost — que retoma os símbolos característicos dos agostinianos, incluindo a flor-de-lis, “o símbolo mariano por excelência”. “A devoção mariana, de forma sapiencial e meditativa, harmoniza-se bem com a espiritualidade agostiniana e representa também uma dimensão pessoal de Leão XIV”, escreve a autora.

No dia seguinte à sua eleição, a primeira saída do Papa Leão XIV fora de Roma também teve uma tonalidade mariana: ele foi a Genazzano para se recolher no santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, fundado no século XV por uma religiosa agostiniana, a beata Petruccia.

“Mãe da Igreja, acolhe-nos com benevolência, para que, sob teu manto, encontremos refúgio.”

Durante o jubileu da espiritualidade mariana, o sucessor de Pedro declarou que “a espiritualidade mariana autêntica torna atual na Igreja a ternura de Deus, sua maternidade”. “A espiritualidade mariana nos mergulha na história sobre a qual o céu se abriu; ela nos ajuda a ver os soberbos dispersos pelos pensamentos de seu coração, os poderosos derrubados de seus tronos, os ricos enviados embora de mãos vazias”, acrescentou, evocando temas do Magnificat.

Ao final da celebração, Leão XIV pronunciou uma oração ao Coração Imaculado de Maria, apresentando-a como “perfeita discípula do Senhor” e confiando a ela “o mundo inteiro e toda a humanidade”. “Mãe da Igreja, acolhe-nos com benevolência, para que, sob teu manto, encontremos refúgio e sejamos sustentados por tua ajuda materna nas provações da vida”, suplicou.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

SOCIEDADE: Reflexões sobre desgaste

Raffaele Armando Califano Mundo, Monte di pietà, obra de datação incerta preservada no Município de Nápoles | 30Giorni.

SOCIEDADE

Arquivo 30Dias nº 12 - 1999

Reflexões sobre desgaste

Três histórias da revista Il tramp vagabondo . Os motivos para recorrer a um agiota variam, mas as consequências são sempre as mesmas.

Três histórias da revista The Wandering Tramp

Naquela pequena e maravilhosa revista, Il barbone vagabondo, lemos reflexões muito perspicazes sobre o flagelo da usura, que estende seus tentáculos até mesmo entre os mais pobres.

O artigo, intitulado Er nastro tra i bumboni (O Latoeiro entre os Sem-Teto ), é apresentado da seguinte forma:
"Uma das razões pelas quais um indivíduo 'normal' acaba virando sua vida completamente de cabeça para baixo, a ponto de ser forçado a desistir de tudo, até mesmo da própria vida, é a usura.

Os motivos para recorrer à usura, apesar de conhecer seus perigos, são variados, mas as consequências são quase sempre as mesmas.
Estes são os testemunhos de três de nossos colaboradores que, direta ou indiretamente, vivenciaram essa terrível experiência.
Aqui estão os três testemunhos."

Guido: Um conhecido meu — vou chamá-lo de Andrea — foi levado à miséria por agiotas. Sua história não é diferente de muitas outras que lemos periodicamente nos jornais hoje em dia. Há cerca de quatro anos, Andrea havia começado um pequeno negócio, mas as coisas não deram certo e ele logo se viu em apuros. Não vou entrar em detalhes sobre seu sofrimento aqui; direi apenas que — como você já deve ter imaginado — ele acabou nas mãos de agiotas inescrupulosos que o sufocaram com suas exigências abusivas. As ameaças constantes o forçaram a desistir até do pouco que lhe restava, e assim ele acabou nas ruas, vagando de um centro de assistência social para outro. Foi em um desses centros que o conheci, e ele me confidenciou suas desventuras. Quando lhe perguntei por que não havia denunciado seus perseguidores, ele explicou que havia se contido por medo de represálias: por esse motivo, preferiu escolher o que lhe pareceu o menor dos males.

Infelizmente, quando ele soube da existência de um "fundo anti-usura" ao qual poderia recorrer em caso de necessidade, já era tarde demais." 

Silvana: "Quando ouço o nome dos chamados 'agiotas', meu sangue ferve, porque eu mesma já passei por isso, e é algo que eu não desejaria nem para o meu pior inimigo. Foi há muito tempo, por ocasião da primeira comunhão de um dos meus filhos. Na época, tínhamos pouco dinheiro em casa e, por orgulho, não queríamos pedir ajuda aos nossos parentes. Então, preferimos recorrer, por meio de um... 'amigo', a uma empresa de empréstimo de dinheiro, embora os juros parecessem excessivos. Combinamos um empréstimo de 200.000 liras, mas recebemos apenas 180.000. O pagamento tinha que ser feito em parcelas de 25.000 liras a cada duas semanas, porque meu companheiro, Vittorio, recebia quinzenalmente."

Tendo pago as 200.000 liras, estávamos convencidos de que tínhamos quitado completamente nossa dívida, mas estávamos redondamente enganados. De fato, 15 dias após o último pagamento, aqueles abutres retornaram, exigindo mais juros, e a mesma coisa aconteceu outros 15 dias depois. Nesse ponto, Vittorio se recusou a continuar pagando uma dívida que já havíamos quitado há muito tempo. Quando fui à escola no sábado seguinte buscar meus filhos, descobri que um deles havia desaparecido, e em seu lugar havia uma carta exigindo o pagamento de 50.000 liras, avisando-nos para não mencionarmos isso a ninguém, ou nunca mais veríamos nosso filho.

O que faríamos? Naturalmente, o medo nos obrigou a ceder à chantagem. Pagamos um preço muito além de nossas possibilidades, mas a vida do nosso filho valia muito mais." 

Rosina: "Também tenho uma amiga que passou por essa experiência trágica de agiotagem e, com a permissão dela, contarei a triste provação que virou sua vida de cabeça para baixo. Sua família era feliz; Ela tinha três filhos lindos e um marido que, com o irmão, administrava uma carpintaria que lhes proporcionava um certo conforto. Isso até seis anos atrás, quando, repentinamente, em um intervalo de três meses, seu marido morreu de câncer. Sozinha com seus três filhos adolescentes, ela reuniu coragem para assumir os negócios do marido. Mas ela não contava com o cunhado — o contador da pequena empresa — que, na primeira oportunidade, desapareceu com todo o dinheiro do banco, deixando-a atolada em dívidas. Assim, mais uma vez, a tragédia da agiotagem se repetiu, que, como sempre, termina com uma família na miséria. Depois de acabar dormindo com os filhos na estação, ela finalmente conseguiu uma vaga em uma residência municipal, onde ainda mora. Mas sua vida mudou completamente. Ela desenvolveu problemas cardíacos e mal consegue fazer pequenos trabalhos para algumas famílias; seus filhos, agora adultos, procuram emprego... mas rezam para que não encontrem. Essa pobre mulher realmente não aguenta mais. Todos nos perguntamos: 'Quando conseguiremos pôr fim ao massacre causado pelos agiotas?'"

Fonte: https://www.30giorni.it/

Hoje a Igreja celebra a solenidade da Imaculada Conceição

Solenidade da Imaculada Conceição | ACI Digital

Por Redação central

8 de dez de 2025 às 00:01

A Igreja celebra hoje (8) a Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria, o dogma de fé segundo o qual a Mãe do Jesus foi preservada do pecado desde o momento de sua concepção, ou seja, desde o instante em que começou sua vida humana.

Em 8 de dezembro de 1854, o papa Pio IX, depois de receber inúmeros pedidos de bispos e fiéis de todo o mundo, ante mais de 200 cardeais, bispos, embaixadores e milhares de fiéis católicos, declarou com sua bula “Ineffabilis Deus”:

“A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio do Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha da culpa original, é revelada por Deus e por isso deve ser crida firme e constantemente por todos os fiéis”.

Em Roma, enviou-se uma grande quantidade de pombas mensageiras em todas as direções levando a grande notícia. E nos 400 mil templos católicos do mundo celebraram-se grandes festas em honra da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Antes mesmo da publicação desta bula, em 1830, a Virgem Maria havia aparecido a santa Catarina Labouré, na França, pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

Anos depois da “Ineffabilis Deus”, em 1858, em uma de suas aparições em Lourdes, na França, Nossa Senhora se apresentou diante da humilde santa Bernardette Soubirous com estas palavras: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Atualmente são milhares as Igrejas dedicadas a este título de Nossa Senhora em todo mundo e milhões de fiéis têm uma particular devoção a Ela.

Fonte: https://www.acidigital.com/

São Eutiquiano, Papa

São Eutiquiano, Papa (A12)
08 de dezembro
São Eutiquiano, Papa

São Eutiquiano foi o Papa da Igreja Católica entre 275 e 283. Nascido na cidade italiana de Luni, ele assumiu o papado em um momento delicado, ainda durante as perseguições romanas aos cristãos. Como pastor, sua liderança foi marcada pela coragem e pela dedicação ao serviço da Igreja e dos fiéis.

Ele é lembrado por sua especial atenção aos mártires cristãos, demonstrando grande zelo e compaixão ao cuidar dos ritos de sepultamento dos que eram mortos por causa da fé. Durante esse período de intensa perseguição, São Eutiquiano se empenhou em garantir que os corpos dos mártires fossem enterrados com dignidade e respeito, como testemunhas do Evangelho.

Além de seu cuidado pastoral, São Eutiquiano dedicou-se a fortalecer a fé do povo e a unidade da Igreja. Ele incentivava os cristãos a perseverarem na fé, mesmo em face das dificuldades, e organizava celebrações eucarísticas em segredo para sustentar a esperança dos fiéis.

Seu pontificado foi também marcado pela preservação dos rituais e pela organização das celebrações litúrgicas, que ajudaram a manter vivas as tradições da Igreja. Ele acreditava que a unidade e a fé do povo dependiam de uma prática religiosa sólida e bem estruturada.

São Eutiquiano é lembrado como um homem de coragem e fidelidade. Mesmo diante das ameaças de morte, ele permaneceu firme em seu compromisso de cuidar dos fiéis e das práticas da Igreja, sendo ele mesmo martirizado em defesa de sua fé.

Sua vida e missão são recordadas como exemplos de liderança e zelo pastoral. São Eutiquiano inspirou muitos cristãos a manterem sua fé viva e vibrante, mesmo em meio às adversidades.

Reflexão:

A espiritualidade de São Eutiquiano nos convida a refletir sobre o zelo pela fé e pelo cuidado com o próximo. Ele nos lembra que a Igreja é uma família, onde cada membro deve ser cuidado e amparado, especialmente em tempos de dor e perseguição. Sua coragem nos motiva a sermos perseverantes e a defender nossa fé com integridade. O exemplo de São Eutiquiano também nos inspira a valorizar as tradições da Igreja e a importância de preservar nossa fé através da vivência dos sacramentos e da unidade entre os irmãos. Que possamos cultivar em nós a mesma dedicação e coragem em nosso cotidiano.

Oração:

São Eutiquiano, pastor fiel e defensor dos cristãos perseguidos, intercede por nós para que possamos viver nossa fé com coragem e compaixão. Amém. Ajuda-nos a sermos zelosos na nossa fé e a cuidar dos nossos irmãos, para que a luz de Cristo brilhe em cada um de nós. Amém.

Fonte: https://www.a12.com/

domingo, 7 de dezembro de 2025

2º Domingo de Advento: A voz do Batista (A)

Crédito: Opus Dei

2º Domingo de Advento: A voz do Batista

Evangelho do 2º domingo de Advento (Ano A). “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo". Estas palavras são um convite para abrir o coração e acolher a salvação que Deus nos oferece incessantemente, porque nos quer livres do pecado.

07/12/2025

Evangelho (Mt 3,1-12)

Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia:

“Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.”

João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse:

“Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!”

João usava uma roupa feita de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo.

Os moradores de Jerusalém, de toda a Judeia e de todos os lugares em volta do rio Jordão vinham ao encontro de João. Confessavam os seus pecados e João os batizava no rio Jordão. Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes:

“Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão. Não penseis que basta dizer: 'Abraão é nosso pai', porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão. O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo.

Eu vos batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga.”


Comentário

O evangelho deste segundo domingo de Advento apresenta a figura de são João Batista no Jordão. O termo advento era empregado pelos historiadores antigos para descrever a chegada à urbe dos imperadores, depois de importantes campanhas militares. Toda a cidade se preparava para o evento e a entrada triunfal. A Igreja se prepara também para um advento, uma chegada muito mais importante: a do Filho de Deus no Natal, e muito diferente da que os poderosos comemoravam, porque vem na humildade de uma criança deitada em um presépio. A voz do Batista ressoa neste tempo litúrgico, através do relato de Mateus, com uma forte mensagem de conversão pessoal como meio eficaz para preparar a chegada do Messias.

Várias coisas chamam a atenção no relato de Mateus. Em primeiro lugar o marco escolhido pelo Precursor para exercer o seu ministério. O Batista não prega na cidade onde há grande afluência de pessoas e onde sua mensagem poderia chegar a muitas pessoas ao mesmo tempo. Escolhe, pelo contrário, o deserto, lugar inóspito e pouco habitado, que recorda por contraste o Paraíso perdido pelo pecado original (cfr. Gn 2-3). O deserto, geograficamente, reflete talvez a situação de pecado e suas consequências, que a humanidade padece. O deserto foi também o lugar da prova para o povo de Israel, como narram sobretudo os livros do Êxodo e Números. E foi o âmbito das suas contínuas conversões, graças à providente ajuda divina, porque Deus é sempre fiel à aliança que fez com seu povo. De fato, depois de ter sido batizado por João, o Filho de Deus vencerá no deserto as provas que o povo de Israel não soube superar. O deserto, em suma, favorecia o clima necessário de sobriedade e penitência que João pedia para receberem o batismo de conversão.

Mateus diz que João usava “uma roupa feita de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo” (v. 4). Baseando-se nesta descrição, a arte costuma representar o Precursor com um porte externo pobre. Pode-se, no entanto, supor que João se vestisse assim para mostrar a sua missão profética. O livro de Zacarias 13, 4, por exemplo, dá a entender que os falsos profetas usavam mantos suntuosos. As pessoas poderiam, portanto, reconhecer em João alguém que tinha autoridade para profetizar e que não se vestia como os falsos profetas. Seja como for, João dava testemunho com o seu exemplo, seu porte austero e nobre e sua alimentação sóbria, as disposições interiores e a preparação que pregava e exigia das pessoas.

O evangelista resume a pregação de são João com a frase: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (v. 2). No texto grego original utiliza-se o verbo metanoein, que alude à mudança de opinião e critério próprio. No contexto dessa passagem, implica uma transformação interior no modo de pensar e viver, uma mudança desse modo . É o que a tradição da Igreja condensou sempre com a palavra “conversão”, que inclui necessariamente um forte sentido de purificação pessoal. Por isso a versão latina da Bíblia traduziu a frase do Batista com a expressão “fazei penitência”.

A mensagem do Batista é exigente como o é o evangelho do Reino que Jesus pregou. Corremos continuamente o perigo de desejar adaptar esse evangelho ao nosso critério e às nossas circunstâncias atuais. É sem dúvida necessário saber transmitir a fé em cada momento e lugar com o dom de línguas necessário. Mas o que se deduz da mensagem do Batista, que se torna atual neste Advento, é que somos nós, homens, que necessitamos adaptar-nos ao evangelho, com uma mudança de mentalidade e atitude, com espírito de penitência pessoal.

Como dizia certa vez o Papa Francisco, “a voz do Batista grita também hoje nos desertos da humanidade, que são - quais são os desertos de hoje? - as mentes fechadas e os corações duros, e nos leva a perguntar-nos se na realidade estamos no bom caminho, vivendo uma vida segundo o Evangelho. Hoje, como então, adverte-nos com as palavras do profeta Isaías: ‘Preparai o caminho do Senhor, aplainai suas veredas’ (v. 4). Trata-se de um premente convite a abrir o coração e acolher a salvação que Deus nos oferece incessantemente, quase que com teimosia, porque nos quer a todos livres da escravidão do pecado”[1].


[1] . Papa Francisco, Ângelus, 6 de dezembro de 2015.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF