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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Hoje é um dia de têmpora, tradição antiga quase esquecida de jejuar em cada estação do ano

Imagem referencial | udra11/Shutterstock

Por Jonah McKeown*

17 de dez de 2025 às 02:30

Hoje (17) é um dia especial na Igreja, embora relativamente poucos católicos saibam disso.

Hoje, sexta-feira (19) e sábado (20) são dias de têmpora, tradicionalmente dedicados a jejum e abstinência de carne. São os últimos dias de têmpora de 2025.

Os dias de têmpora estão ligados às quatro estações do ano, em latim “quatuor tempora”.

Cada uma das quatro estações do ano tem três dias de têmpora. Os 12 dias de têmpora ao longo do ano são:

  • Quarta-feira, sexta-feira e sábado depois da Quarta-feira de Cinzas
  • Quarta-feira, sexta-feira e sábado depois de Pentecostes
  • Quarta-feira, sexta-feira e sábado depois da festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro)
  • Quarta-feira, sexta-feira e sábado depois da festa de santa Luzia , em 13 de dezembro

Os dias de têmpora eram uma prática cristã muito antiga, registrada pela primeira vez como parte da tradição apostólica pelo papa Leão I no século V. O propósito de sua introdução, segundo a edição em inglês da Enciclopédia Católica, era agradecer a Deus pelos dons da natureza, daí sua ligação com as estações, especialmente as colheitas usadas para fazer pão e vinho para a Eucaristia.

Os dias de têmpora também foram uma resposta aos festivais pagãos de Roma; os dias encorajavam os cristãos a combater os excessos e a devassidão desses festivais jejuando e rezando. A princípio, a Igreja em Roma tinha jejuns em junho, setembro e dezembro, mas os dias exatos não eram fixos. O primeiro registro de jejuns decretados para todas as estações está nos escritos do papa Gelásio no fim do século V.

Depois de Gelásio, a prática se espalhou para além de Roma. O papa Gelásio também iniciou a prática de permitir ordenações em sábados de têmpora, antes feita só na Páscoa. A tradição de fazer ordenações em sábados de têmpora continua até hoje, e os dias de têmpora têm sido tradicionalmente dias de oração pelas vocações.

A observância dos dias de têmpora foi estendida a toda a Igreja latina pelo papa Gregório VII (1073–1085).

Embora o direito canônico não exija mais a observância do jejum e da abstinência em dias de têmpora, eles continuam a ser importantes para os católicos em muitos países, e sua observância contínua por católicos em todos os lugares certamente não é desencorajada.

Os dias de têmpora são uma tradição fascinante e antiga da Igreja que foi largamente esquecida. Embora não seja obrigatório, considere observar os últimos dias de têmpora do ano, ao agradecer a Deus pela natureza e pelos presentes que Ele dá por meio dela.

*Jonah McKeown é jornalista e produtor de podcasts de Catholic News Agency. Tem um mestrado na Escola de Jornalismo da Universidade de Missouri e trabalhou como escritor, produtor radial e camarógrafo.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Nossa Senhora da Expectação

Nossa Senhora da Expectação (Aleteia)

NOSSA SENHORA DA EXPECTAÇÃO

16/12/2025

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Celebramos, na próxima quinta-feira, dia 18 de dezembro, a memória litúrgica de Nossa Senhora da Expectação, ou simplesmente Nossa Senhora do Ó. Aqui no Rio de Janeiro temos a Igreja de Nossa Senhora do Parto. É o clima que vivemos nestes últimos dias do Advento. Esse é mais um título dedicado à Mãe de Jesus, como tantos outros que existem. Esse título, em específico, é dedicado a Nossa Senhora devido à proximidade do Natal, e somos convidados a sentir a mesma expectativa que Nossa Senhora sentiu ao se aproximar o nascimento de Jesus.

A partir da festa da Expectação de Nossa Senhora, faltarão seis dias para o Natal do Senhor, um período em que devemos rezar, vigiar e pedir a luz do Espírito Santo sobre nós e nossa família. Estaremos no período propriamente chamado de Novena de Natal, onde as leituras da missa nos transmitirão justamente a expectativa do nascimento de Jesus. Podemos, ao longo dessa semana, concluir a Novena de Natal até o dia vinte e quatro, montar o presépio, se ainda não montou, e entrar no clima do Natal.

Por essa época, a expectativa de Nossa Senhora era muito grande, e a alegria tomava conta dela e de São José. Além da alegria, a aflição e o medo do que viria pela frente envolviam Nossa Senhora e São José. Jesus nasceu no estábulo, pois não havia lugar para eles na hospedaria, e depois tiveram que fugir para o Egito por causa de Herodes. Nossa Senhora sabia da grande missão que havia assumido e que Jesus seria causa de reerguimento e queda para muitos em Israel. Muitos teriam inveja de Jesus, do mesmo modo que Herodes, e fariam de tudo para tirá-lo do caminho; por isso, eles tiveram que fugir para o Egito.

Nesses últimos dias do Advento, a liturgia nos aproxima desse momento que mudou a história da humanidade e podemos repetir, em toda missa, com mais veemência: “Vem, Senhor Jesus”. Por isso, ao longo desse tempo do Advento, façamos a nossa oração, busquemos a confissão sacramental e fiquemos em constante vigilância.

Essa expectativa para o nascimento do Messias passou por muitos anos. O povo de Israel esperava ansioso a vinda do Messias, só que, para a frustração de alguns que esperavam um Messias político, guerreiro ou que vivesse em palácio, Deus, ao contrário, envia o seu Filho, gerado no seio de uma serva humilde. E Jesus não era um guerreiro ou político, mas anunciava o Reino de Deus e que todos se convertessem de suas más atitudes de todo coração.

Hoje os judeus ainda vivem essa “expectativa” para a chegada do Messias, e nós, cristãos, vivemos uma “expectativa” diferente: aguardamos a segunda vinda de Cristo; Ele já nasceu uma vez em Belém. Em cada Natal, nos unimos a Nossa Senhora e vivemos a “expectativa” para que Ele nasça em nosso lar.

A expectativa que envolvia Nossa Senhora não era simplesmente a ansiedade de uma moça jovem grávida, mas a de ser a Mãe do Filho de Deus; e, ao mesmo tempo, Ela sentia um certo medo daquilo que viria pela frente. Mas, é claro, Ela estava realizada em fazer a vontade de Deus. A expectativa que envolvia Maria era a de ser a “bendita entre todas as mulheres da terra”. Ao gerar o Filho de Deus, Nossa Senhora coopera com a obra salvadora de Deus.

Meus irmãos, junto com Nossa Senhora proclamamos, na semana de preparação próxima para o Nata, 16 a 24 de dezembro, aquilo que denominamos como antífonas do Ó; por isso, Nossa Senhora da Expectação é conhecida como Nossa Senhora do Ó. As antífonas expressam, de certo modo, a expectativa de toda a Igreja na vinda do Messias. O Messias é aquele que vai selar a paz e ensinará a todos o caminho do amor. A cada antífona do Ó que proclamamos, e conforme vamos avançando até chegar na sétima antífona, sentimos o Messias mais perto de nós, do mesmo modo que, ao longo do tempo do Advento, vamos acendendo as velas da coroa do Advento. Por isso, ao proclamarmos as antífonas, nos aproximamos mais daquilo que Nossa Senhora sentia e daquilo que Ela viveu antes do nascimento de Jesus.

As antífonas sempre vêm acompanhadas pela interjeição “Ó”, como, por exemplo: “Ó Sabedoria, vinde ensinar-nos o caminho da salvação”; “Ó Rebento da raiz de Jessé, vinde libertar-nos, não tardeis mais”; “Ó Emanuel, vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus”. Com isso, junto com Nossa Senhora, a Igreja entra num período de expectação pela chegada do nosso Salvador. O verdadeiro sentido do Natal é esse; não devemos viver a expectativa da chegada do Papai Noel ou de receber presentes, mas o nosso maior presente, que chega no Natal, é Jesus. Por isso, a Igreja celebra, ao longo do tempo do Advento, a Novena de Natal e a festa de Nossa Senhora do Ó, nos ensinando, a exemplo da Virgem Maria, a esperar Jesus no Natal e não outra coisa.

A festa de Nossa Senhora do Ó ou da Expectação foi instituída no século VI pelo décimo Concílio de Toledo, ilustre na história da Igreja pela dolorosa, humilde, edificante e pública confissão de Potâmio, Bispo Bracarense, e pela leitura do testamento de São Martinho de Dume. Além da presença simultânea de três santos de origem espanhola: Santo Eugênio III de Toledo, São Frutuoso de Braga e o então abade agaliense Santo Ildefonso.

Nessa data, antigamente comemorava-se a festa da “Anunciação de Nossa Senhora e Encarnação do Verbo”. Santo Ildefonso estabeleceu que, nessa data, fosse celebrada a festa com o título: “Expectação do Parto”. Assim ficou sendo na Hispânia e em muitas Igrejas da França. Ainda é celebrada com esse título na Arquidiocese de Braga. Por isso, essa festa de hoje tem diversos títulos, mas o mesmo significado.

Segue abaixo a oração que podemos fazer a Nossa Senhora da Expectação ou do Ó ao longo desse tempo do Advento e, sobretudo, entre os dias 16 e 24, ou ainda rezar sempre em favor de alguma gestante e daquelas que desejam ser mães:

“Maria, padroeira das gestantes e daquelas que desejam engravidar, pedimos que realize os milagres mais impossíveis a favor da vida e do crescimento cristão. Às gestantes em risco, dai conforto e fortaleza, saúde e esperança, para que o nome de Jesus seja amado e adorado em todo o mundo. Amém.”

Nossa Senhora do Ó, rogai por nós!

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Papa: acumular riquezas não dá sentido à vida, nosso tesouro está no coração

Audiência Geral, 17/12/2025 - Papa Leão XIV (Vatican News)

Na Audiência Geral desta quarta-feira (17/12), Leão XIV recordou que “o verdadeiro tesouro” não se encontra “nos cofres da terra” nem nas falsas seguranças do mundo, mas no coração que, iluminado pela Páscoa de Cristo, encontra no amor de Deus o repouso, o sentido e a esperança para a vida.

https://youtu.be/_oaAT9xv0LA

Thulio Fonseca – Vatican News

“No coração se guarda o verdadeiro tesouro, não nos cofres da terra, não nos grandes investimentos financeiros, nunca tão enlouquecidos e injustamente concentrados como hoje, idolatrados ao preço sangrento de milhões de vidas humanas e da devastação da criação de Deus.”

Foi essa a forte exortação do Papa Leão XIV na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 17 de dezembro. Dando continuidade ao ciclo de reflexões dedicado ao Jubileu da Esperança, o Santo Padre aprofundou o tema “A Páscoa como refúgio do coração inquieto” e propôs uma leitura pascal da experiência humana marcada pelo ativismo, pela dispersão interior e pela busca, muitas vezes frustrada, de sentido.

Não somos máquinas, temos um coração

Antes de se dirigir à Praça São Pedro, o Papa Leão encontrou-se com os doentes reunidos na Sala Paulo VI, onde quis saudá-los pessoalmente e oferecer-lhes sua bênção, permitindo-lhes acompanhar a Audiência em um ambiente mais protegido do frio. Próximo do Natal, o Santo Padre desejou que a alegria deste tempo acompanhasse cada um, suas famílias e entes queridos, exortando-os a permanecer sempre confiantes nas mãos do Senhor.

Logo no início da catequese, o Pontífice partiu de uma constatação: “A vida humana caracteriza-se por um movimento constante que nos impele a fazer, a agir”, e observou que muitas das atividades que preenchem os dias das pessoas estão ligadas a compromissos práticos, responsabilidades e problemas a resolver. Até o próprio Jesus, recordou, envolveu-se profundamente com a vida e com as pessoas, entregando-se sem reservas. Contudo, advertiu que o excesso de atividades pode transformar-se em um turbilhão que rouba a serenidade e impede de viver o essencial, fazendo-nos sentir cansados e insatisfeitos:

“O tempo parece ser desperdiçado em mil coisas práticas que, no entanto, não resolvem o sentido último da nossa existência. Por vezes, no final de dias repletos de atividades, sentimo-nos vazios. Por quê? Porque não somos máquinas, temos um ‘coração’; ou melhor, poderíamos dizer, somos um coração.”

Atenção às falsas seguranças

Interpretar a vida à luz da Páscoa, explicou Leão XIV, significa reencontrar o acesso à essência da pessoa humana: “O nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em Deus”, citou, evocando Santo Agostinho. Segundo o Pontífice, a inquietação revela que o coração humano está em caminho, orientado para um “regresso a casa”, e completou:

“A verdadeira plenitude do coração não consiste em possuir os bens deste mundo, mas em alcançar aquilo que o pode preencher completamente: o amor de Deus, ou melhor, Deus Amor. Este tesouro, porém, só se encontra amando o próximo que encontramos pelo caminho: irmãos e irmãs de carne e osso, cuja presença desafia e questiona o nosso coração, convidando-o a abrir-se e a dar-se. O nosso próximo pede-nos para abrandar o ritmo, para olhá-lo nos olhos, por vezes para mudar de planos, talvez até para mudar de direção.”

Papa Leão XIV durante a Audiência Geral   (@Vatican Media)

A esperança que não desilude

Na conclusão da catequese, o Papa recordou que ninguém pode viver sem um sentido que transcenda o contingente. O coração humano, disse, foi feito para a plenitude e não para a carência. Essa esperança tem um fundamento sólido: Jesus Cristo, que, com a sua Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição, lançou as bases de uma esperança que não decepciona.

“O coração inquieto não se desiludirá se se entregar ao dinamismo do amor para o qual foi criado”, afirmou o Santo Padre. A vitória da vida já é certa e em Cristo continuará a manifestar-se em cada “morte” da vida cotidiana. Esta é, concluiu o Santo Padre, a esperança cristã, dom pelo qual a Igreja é chamada a bendizer e agradecer sempre ao Senhor.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A religião está virando moda?

Antoine Mekary | ALETEIA

Paulo Teixeira - publicado em 17/11/25

As novas gerações, à primeira vista, parecem estar distantes da fé. Elas são laicas, digitais e alérgicas a qualquer forma de autoridade. No entanto, um movimento surpreendente e inesperado está em curso: a religião está voltando à moda e os padres da internet exemplificam isso.

No Censo de 2010, os sem religião eram 8% da população brasileira, ou mais de 15 milhões de pessoas. As pesquisas Datafolha de 2022, por exemplo, mostram que, em nível nacional, 49% dos entrevistados se dizem católicos, 26% evangélicos e 14% sem religião — já acima dos 8% sem religião identificados no último Censo. Entre os jovens de 16 a 24, o percentual dos sem religião chega a 25% em âmbito nacional. Mesmo nesse cenário muitos padres pregam e são ouvidos.

Mas se olharmos além dos números percebemos pelo cenário digital que há sinais de um retorno da religião em toda parte. No Brasil o religioso Frei Gilson tem mais de 9 milhões de seguidores nas redes sociais e com um “produto midiático” que parece não ser atraente: a quaresma de São Miguel que consiste em 40 dias de oração entre agosto e setembro. Claro que a oração é atraente, mas o horário não é convencional: mais de um milhão de pessoas acompanham a live às 4 horas da madrugada!  

Também Padre Adriano Zandoná, religioso da Canção Nova, mostra que a mensagem da fé está viva e tem muitos que dão atenção. Ele tem 2 milhões de seguidores no Instagram, 1,6 milhão no YouTube e 1,4 milhão no Facebook, o sacerdote tem uma disciplina de influencer nas redes sociais, com publicações diárias, lives e "cortes". 

Padre Reginaldo Manzotti, de Curitiba – PR, há mais de duas décadas evangeliza pelo rádio e TV e não sai de moda, pelo contrário, cresce em audiência entre os internautas. O sacerdote já soma 6,3 milhões de seguidores no Instagram, 4,9 milhões no YouTube e 1,7 milhão no TikTok.  

Religiosas também despontam nesse cenário levanto a alegria dos conventos para as telas dos celulares.  

A resistência da fé

Em uma época onde tudo é “brand e performance", a fé surge como um ato quase subversivo. Vivemos em uma era de autodeterminação que é, por vezes, "quase tóxica", na qual somos ensinados que devemos trabalhar duríssimo pelos nossos objetivos. 

Neste contexto, a religião oferece um caminho oposto, que pode ser libertador: Certamente é importante trabalhar duríssimo, mas existe um algo a mais, existe um ser superior que acompanha o fiel nos sucessos e fracassos. 

Em um mundo caótico em que muitas propostas de vida desorganizam os pensamentos, esse olhar mais “tradicional” sobre a existência, por meio da religião, pode oferecer um antídoto essencial para o mundo caótico. Nesse sentido, a religião “retorna à moda” como objeto de escândalo, mas também como fonte de fascínio. Ela oferece algo que a sociedade moderna parece ter esquecido: O direito de não saber, de não ser sempre o centro e de se abandonar a algo maior. Quase uma rendição que nos pode tornar livres. 

Convenhamos, entre tantos conteúdos na internet, entre tantas coisas diferentes, padres com o discurso católico não parecem dialogar com a sociedade atual. Mas, o segredo da batina deles é revelado na internet, talvez a mensagem da Igreja não seja antiquada como alguns pensam, talvez ela seja o antídoto para os males da sociedade de hoje.  

Fonte: https://pt.aleteia.org/

LITURGIA: A criação é maravilhosa, a redenção é ainda mais maravilhosa

Jesus salva pela cruz (Versos Divinos)

LITURGIA

Arquivo 30Dias nº 02 - 1999

A criação é maravilhosa, a redenção é ainda mais maravilhosa

Na oração que o sacerdote recita ao derramar água no cálice, a expressão que indicava a distinção entre criação e redenção na única história da salvação foi removida. Em meio à confusão teológica das últimas décadas, isso poderia ter contribuído para a preservação da simplicidade da Tradição.

Por Lorenzo Bianchi

A reforma implementada após o Concílio Vaticano II modificou, entre outras coisas, algumas partes do Ordo Missae , a parte mais sagrada da celebração litúrgica, incluindo as três fórmulas pronunciadas pelo celebrante durante o ofertório. Destas, a primeira e a terceira, que acompanham a colocação do pão e do vinho no altar, foram completamente alteradas (isto ocorreu porque os reformadores queriam evitar antecipar a própria oferta do sacrifício, própria do Cânon); a segunda, ou seja, a pronunciada pelo sacerdote ao verter o vinho e a água no cálice, foi desprovida de sua parte inicial (ver Tabela). A fórmula original para a infusão de água era de facto: «Deus, qui humanae substantiae dignitatem mirabiliter condidisti, et mirabilius reformasti, da nobis per huius aquae et vini mysterium eius divinitatis esse consortes, qui humanitatis nostrae fieri dignatus est particeps, Iesus Christus Filius tuus Dominus noster, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum. Amém". 

Foi estabelecido nesta forma e neste lugar por São Pio V no Missal promulgado em 19 de julho de 1570, mas é testemunhado em uso já nos textos dos Missais medievais: por exemplo, os encontrados em Florença, Biblioteca Riccardiana, códice 300, do século XI; em Montecassino, código CXXVII (XI, 5), datado entre os séculos XI e XII; em Roma, Biblioteca Casanatense, códice 614 (B III, 7), datado entre os séculos XI e XII; em Nápoles, Biblioteca Nacional, códice VI, G, 38, século XIII. Nas celebrações medievais alterna com outras duas fórmulas: «Ex latere Christi sanguis et aqua exisse perhibetur et ideo pariter commiscimus, ut misericors Deus utrumque ad medelam. animarum nostrarum santificado dignificador»; e: «De latere Domini nostri Iesu Christi exivit sanguis pro redenção mundi tempore passionis, id est mysterium Sanctae Trinitatis et Iohannes evangelista vidit et testimonium perhibuit et scimus, quia verum est testimonium eius».

A fórmula, no entanto, é muito mais antiga. Ela deriva, com a adição da expressão «per huius aquae et vini mysterium», de uma oração cuja composição é atribuída a São Leão Magno, papa de 440 a 461. Este texto aparece, com mínimas variações, em todas as coleções mais antigas de textos litúrgicos que chegaram até nós: no chamado Sacramentário Leonino, conservado em Verona na Biblioteca Capitular, códice LXXXV (80), provavelmente escrito entre o final do século VI e a primeira metade do século VII, mas que remonta a São Leão Magno; no Sacramentário Gelasiano, atribuído a São Gelásio I, papa de 492 a 496, cujo exemplo mais antigo se encontra em um códice agora em Roma, na Biblioteca Apostólica Vaticana (Codex Vaticanus Reginensis Latin 316), e foi fisicamente escrito no norte da França pouco antes de meados do século VIII; no Sacramentário Gregoriano, atribuído a São Gregório Magno, papa de 590 a 604, cujo manuscrito mais antigo (Cambrai, França, Bibliothèque Municipale, ms. 164 ex Cathédrale 159) data dos anos 811-812.

No Missal promulgado por Paulo VI em 1970 (e também na segunda edição de 1975), a fórmula aparece simplificada para: "Per huius aquae et vini mysterium eius efficiamur divinitatis consortes, qui humanitatis nostrae fieri dignatus est particeps", enquanto todo o texto de São Leão Magno foi transferido para a oração coletiva da terceira Missa do Natal: agora, portanto, não é mais recitado todos os dias, mas apenas uma vez por ano.

A história dessa transformação acompanha naturalmente a da revisão do Ordo Missae em toda a sua estrutura, realizada pelo grupo de estudos nº 1. 10 do Consilium ad exsequendam Constitutionem de Sacra Liturgia , em implementação do artigo 50 da própria constituição (que afirma: «A ordem ritual da Missa deve ser revista de modo que a natureza específica das partes individuais e sua conexão mútua apareçam mais claramente, e a participação devota e ativa dos fiéis seja facilitada. Por esta razão, os ritos, embora preservando fielmente sua substância, devem ser simplificados, os elementos que com o passar dos séculos foram duplicados ou acrescentados de forma menos útil devem ser eliminados; alguns elementos, porém, que se perderam com o tempo, devem ser reintegrados, segundo a tradição dos Padres, na medida em que parecer apropriado ou necessário»). Esta foi a primeira composição do grupo (abril de 1964): relator: Johannes Wagner, diretor do Instituto Litúrgico de Trier (Alemanha); secretário: Anton Hänggi; membros: Mario Righetti, Theodor Schnitzler, Pierre Jounel, Cipriano Vagaggini, Adalberto Franquesa, Pierre-Marie Gy, Joseph A. Jungmann.

Na sexta reunião do Consilium , de 19 a 26 de outubro de 1965, o relator, Monsenhor Wagner, apresentou o esboço completo de um novo Ordo Missae , que foi discutido e votado. Em 25 de outubro, o Cardeal Gaetano Cicognani, Secretário de Estado, escreveu ao presidente do Consilium , Cardeal Giacomo Lercaro: «Cumpro o venerável dever de informá-lo de que, como todo o Ordo Missae está sendo examinado por este Consilium , Sua Santidade expressou o augusto desejo – dada a conhecida sensibilidade do assunto – de saber qual revisão está sendo preparada; se envolve, isto é, simples ajustes ou reformas substanciais, para que se possa, se necessário, dar diretrizes antes que as conclusões do referido estudo, destinadas à imprensa, sejam submetidas à sua soberana consideração». Pedidos semelhantes do Papa foram feitos em 10 de dezembro de 1965 e 7 de março de 1966; Até 15 de novembro de 1966, a Secretaria de Estado comunicou que o Papa havia decidido que os esquemas mais importantes da reforma litúrgica deveriam ser levados ao Sínodo dos Bispos em outubro de 1967. Em 18 de maio de 1967, foi publicado um pequeno volume contendo as alterações feitas até então no rito da Missa ( Variationes in Ordinem Missae inducendae ad normam Instructionis SRC diei 4 maii 1967 , Typis Polyglottis Vaticanis, 1967): as orações do ofertório ainda eram as do Missal de São Pio V. 

O novo esquema reformado, elaborado pelo Consilium , contendo também as novas formas para o ofertório, foi submetido, como esperado, ao Sínodo dos Bispos em 1967, que em 26 de outubro se pronunciou sobre esta e outras questões, em particular sobre a relativa à aprovação da nova Missa. Setenta e um bispos foram a favor, 43 contra, enquanto Foram solicitadas 62 alterações. No que diz respeito à liturgia eucarística, a principal objeção era a pobreza do ofertório: solicitou-se que as orações e os ritos em uso fossem mantidos, especialmente a infusão de água no vinho com a oração que a acompanha. Em janeiro de 1968, foi celebrada uma missa experimental na presença do Papa, utilizando as novas fórmulas do ofertório, propostas com base em pesquisas realizadas pelo Professor Jounel a pedido do secretariado do Consilium.

(Aníbal Bugnini); o primeiro e o terceiro mudariam novamente em abril de 1968, enquanto o relativo à infusão de água já estava em sua forma atual: “Per huius aquae et vini mysterium ejus efficiamur, Domine, divinitatis consortes, qui humanitatis nostrae fieri dignatus est particeps, Iesus Christus, teu Filho, nosso Senhor”. Na subsequente 10ª assembleia geral do Consilium (23-30 de abril de 1968), foram aprovadas as novas fórmulas do ofertório, correspondentes, salvo alguns detalhes, às atuais.

Todo o novo Ordo Missae foi enviado ao Papa em 10 de maio de 1968, assinado pelo relator do grupo de estudo nº. 10, Wagner; foi então enviado também aos 14 cardeais prefeitos dos Dicastérios da Cúria. Suas observações chegaram ao Papa, que as encaminhou a dois especialistas, Monsenhor Carlo Colombo, teólogo, e Monsenhor Carlo Manziana, Bispo de Crema. Apesar das objeções dos cardeais quanto às fórmulas do ofertório, Monsenhor Manziana reiterou ao Papa que as novas fórmulas deveriam ser consideradas felizes, pois eliminavam a ambiguidade do "pequeno Cânon" (isto é, a repetição de expressões presentes no Cânon). Em particular, no que diz respeito à fórmula para a infusão da água, ele apontou sua natureza de "oremus" natalino, sendo seu comprimento inadequado, em sua opinião, para a ação realizada: daí o corte da parte inicial. Contudo, Paulo VI, em comunicação ao Consilium datada de 22 de setembro de 1968, acompanhada da nota "por favor, levem em consideração estas observações com livre e ponderada reflexão", reiterou explicitamente suas dúvidas (juntamente com muitas outras sobre outras questões) quanto à redação da fórmula: "Será necessário abreviar e mutilar a fórmula 'Deus, qui humanae substantiae etc.'?"; mas o Consilium , em sua 11ª reunião geral (8 a 17 de outubro de 1968), adotando as justificativas de Monsenhor Manziana, não considerou necessário acatar o pedido do Papa sobre este ponto, e o texto permaneceu como está atualmente. O Ordo Missae foi aprovado pelo Papa em 2 de novembro de 1968 e publicado (após correções adicionais solicitadas por Paulo VI) em 2 de maio de 1969, entrando em vigor em 30 de novembro do mesmo ano.

A supressão da fórmula para a infusão de água foi, portanto, feita, como se pode entender, por razões de amplitude, ou mesmo por uma suposta colocação incorreta. Como se fosse, para usar as palavras da constituição conciliar, um dos "elementos [...] menos úteis acrescentados ao longo dos séculos [...]". E, no entanto, "Deus, que milagrosamente preservou a dignidade dos seres humanos e milagrosamente os reformou". contém, numa única expressão, toda a dinâmica real da história da salvação. Na verdade, a criação do homem é maravilhosa , mas a sua redenção é mais maravilhosa . Repetir esta oração todos os dias poderia ajudar bispos e sacerdotes a permanecer na simplicidade da Tradição da Igreja, face à confusão teológica destas décadas, que também tem origem na confusão entre natureza e graça. 

Tabela comparativa Oração recitada pelo celebrante enquanto derrama água no cálice Missal de São Pio V (1570) « Deus, qui humanae substantiae dignitatem mirabiliter condidisti, et mirabilius reformasti : da nobis per huius aquae et vini mysterium, eius divinitatis esse consortes, qui humanitatis nostrae fieri dignatus est particeps, Iesus Christus Filius tuus Dominus noster: qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus: per omnia saecula saeculorum. Amém". 

Missal de Paulo VI (1970) «Per huius aquae et vini mysterium eius efficiamur divinitatis consortes, qui humanitatis nostrae fieri dignatus est particeps». 

Tradução italiana «Que a água combinada com o vinho seja sinal da nossa união com a vida divina daquele que quis assumir a nossa natureza humana».

Fonte: https://www.30giorni.it/

Papa: Deus se aproxima de nós ao contemplarmos o presépio e a árvore de Natal

Papa Leão XIV visita o Presépio e a Árvore de Natal na Praça São Pedro (Vatican News)

"São sinais de fé e esperança", afirma o Papa ao descrever o presépio e a árvore de Natal que encontramos dentro de casa e do próprio Vaticano, como aqueles que serão inaugurados nesta segunda-feira (15/12) na Praça São Pedro. Em audiência, Leão XIV recebeu delegações do norte e do sul da Itália que doaram a decoração natalina deste ano. Inclusive um grupo proveniente da Costa Rica com a artista que produziu o presépio presente na Sala Paulo VI, um apelo para proteger a vida desde a concepção.

Andressa Collet - Vatican News

Já é tradição no Vaticano o Papa receber no mesmo dia da inauguração do presépio e da árvore de Natal na Praça São Pedro, as delegações que fizeram as doações. Na manhã desta segunda-feira (15/12), na Sala Paulo VI, 4.500 pessoas encontraram Leão XIV provenientes tanto do norte quanto do sul da Itália. De fato, aqueles que vieram dos municípios de Lagundo e Ultimo da província de Bolzano, região do Trentino-Alto Ádige, doaram ao Vaticano o abeto de quase 27 metros de altura. O outro grupo, que veio do sul, da cidade Nocera da província de Salerno, região da Campânia, presentearam o Papa com o presépio que traz elementos típicos locais. A inauguração do presépio e a iluminação da árvore de Natal na Praça São Pedro estão programadas para a tarde desta segunda-feira (15/12), às 17h do horário local, 14h no horário de Brasília, com transmissão ao vivo dos canais do Vatican News.

A Sala Paulo VI recebeu 4.500 pessoas para a audiência com o Papa   (@Vatican Media)

O Pontífice cumprimentou todos com grande alegria, inclusive uma delegação da Costa Rica, formada inclusive pela primeira-dama do país, Signe Zeicate, pelo embaixador da Costa Rica junto à Santa Sé e pela artista Paula Sáenz Soto. É obra dela o presépio Nacimiento Gaudium que ficará exposto na Sala Paulo VI durante todo o período de Natal, que traz inclusive um apelo ao mundo para proteger a vida desde a concepção:

"Cada uma das 28 mil fitas coloridas que decoram a cena representa uma vida preservada do aborto graças à oração e ao apoio prestado por organizações católicas a muitas mães em dificuldade. Agradeço à artista costarriquenha que quis, juntamente com a mensagem de paz do Natal, lançar também um apelo para que a vida seja protegida desde a concepção".

Contemplar no presépio humildade e amor

Na saudação, Leão XIV começou agradecendo todos os envolvidos na produção do presépio da Praça São Pedro, "obra artística que remete a elementos típicos do território" de Nocera, no sul da Itália, "lugares habitados por Santo Afonso Maria de Ligório, pelos Servos de Deus dom Enrico Smaldone e Alfonso Russo", porque procura "unir arte e espiritualidade numa cenografia que narra a fé e as raízes culturais da terra de vocês", comentou o Pontífice, ao acrescentar:

“Aos peregrinos provenientes de todas as partes do mundo que se dirigirão à Praça São Pedro, a cena da Natividade lembrará que Deus se aproxima da humanidade, torna-se um de nós, entrando na nossa história com a pequenez de uma criança. De fato, na pobreza do estábulo de Belém, contemplamos um mistério de humildade e amor. Diante de cada presépio, mesmo aqueles feitos em nossas casas, nós revivemos aquele Acontecimento e redescobrimos a necessidade de buscar momentos de silêncio e de oração na nossa vida, para nos reencontrarmos e entrarmos em comunhão com Deus.”

E esse modelo de "silêncio adorador" a ser seguido, continuou Leão XIV, vem de Nossa Senhora: "ao contrário dos pastores que, voltando de Belém, glorificam a Deus e contam o que viram e ouviram, a Mãe de Jesus guarda tudo no seu coração. O seu silêncio não é simplesmente calar: é admiração e adoração".

Por ocasião da inauguração do presépio, o Serviço Postal e Filatélico do Vaticano também coloca em uso um carimbo especial, cuja impressão reproduz o logotipo disponibilizado pela diocese de Nocera Inferiore – Sarno com símbolos natalinos e jubilares. O material filatélico a ser carimbado, devidamente franqueado pelos interessados, deverá ser enviado ao Setor de Carimbos do Serviço Postal e Filatélico até 17 de janeiro de 2026.

Leão XIV convidou a contemplar o presépio com humildade e amor   (@Vatican Media)

A esperança da árvore de Natal e contra o ódio

Ao lado do presépio na Praça São Pedro, a majestosa árvore de Natal proveniente das florestas do norte da Itália, "com suas folhas sempre verdes, é sinal de vida e lembra a esperança que não se perde nem mesmo no frio do inverno. As luzes que o adornam simbolizam Cristo, luz do mundo, que veio para dissipar as trevas do pecado e iluminar o nosso caminho". O Papa finalizou a saudação recordando as vítimas da tragédia de Sydney:

"Queridos irmãos e irmãs, o Presépio e a Árvore são sinais de fé e esperança; enquanto os contemplamos em nossas casas, nas paróquias e nas praças, pedimos ao Senhor que renove em nós o dom da paz e da fraternidade. Rezemos por aqueles que sofrem por causa da guerra e da violência; em particular, hoje desejo confiar ao Senhor as vítimas do atentado terrorista perpetrado ontem em Sydney contra a comunidade judaica. Chega dessas formas de violência antissemita! Precisamos eliminar o ódio dos nossos corações. Deixemos que a ternura do Menino Jesus ilumine a nossa vida. Deixemos que o amor de Deus, como as folhas de uma árvore sempre verde, permaneça fervoroso em nós."

Árvore e presépio na Praça São Pedro até 11 de janeiro

As árvores que estão decorando o Vaticano no Natal deste ano, o primeiro do Papa Leão XIV, vêm todas do Alto Adige. Além do abeto de 25 metros e 8 mil quilos, haverá outras 40 árvores menores, colocadas em escritórios e prédios da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano. O presépio e a árvore de Natal na Praça São Pedro ficarão em exposição até o final do tempo do Natal, que coincide com a Festa do Batismo do Senhor, em 11 de janeiro de 2026. Após a utilização, o abeto será reciclado.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Pesquisas comprovam: hobbies como a jardinagem são benéficos à saúde

Joshua Resnick / Shutterstock

Beatriz Camargo - publicado em 17/04/19 - atualizado em 15/12/25

Reúna as ferramentas, as luvas, o chapéu e mãos à obra!

CAMPANHA DE NATAL ALETEIA 2025 - QUERO DOAR EM 3 CLIQUES

Você pode duvidar, mas estudos comprovaram que, no longo prazo, cuidar do jardim traz benefícios semelhantes aos obtidos com a prática de exercícios aeróbicos numa academia. Essa informação foi publicada em artigo do British Journal of Sports Medicine após pesquisas indicarem que hobbies como a jardinagem, quando praticados regularmente, auxiliam na diminuição das taxas de morte por câncer e de doenças cardiovasculares na população. 

De acordo com o levantamento, atividades como plantio de flores, podas de arbustos, corte de canteiros, entre outras, trazem benefícios ao corpo semelhantes aos alcançados com exercícios. Realizada ao longo de 11 anos, a pesquisa foi baseada em dados de quase 90.000 participantes com idade que varia de 40 a 85 anos e que afirmaram praticar atividades como dança, caminhada, pintura, jardinagem e natação em seus momentos de lazer.

A partir de dados fornecidos pela National Health Interview Survey, pesquisa realizada anualmente nos Estados Unidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, os pesquisadores constataram que realizar essas atividades semanalmente, numa escala de duração que pode ir de 10 a 59 minutos, pode reduzir em 18% o risco de morte causada por doenças cardiovasculares e câncer. E esse índice sobe a 31% entre as pessoas que, ao longo da semana, dedicam de 150 a 299 minutos de seu tempo ao hobby preferido.

Embora tenha dados surpreendentes, a pesquisa não é a primeira a mostrar que a jardinagem melhora a qualidade de vida de seus adeptos. Anteriormente, estudos já indicaram que ela reduz a incidência de casos de depressão e ansiedade, contribuindo para a melhoria da saúde mental de quem a pratica.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Evangelizar: missão de todos, compromisso de amor

"Por causa da tua Palavra, lançarei as redes." - Lc 5,5 (A12)

EVANGELIZAR: MISSÃO DE TODOS, COMPROMISSO DE AMOR

15/12/2025

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
 

Caminhamos a passos largos neste tempo litúrgico do Advento, um período de vigilância e de alegre expectativa. A liturgia nos conduz, progressivamente, ao encontro do Menino Deus que se faz carne e habita entre nós. É um tempo de preparação interior, de aplainar os caminhos e endireitar as veredas, como nos exorta a voz profética de João Batista. Contudo, a preparação para o Natal não é apenas um movimento introspectivo; ela exige de nós uma resposta concreta de “saída” ao encontro do outro. 

É neste contexto de esperança que a Igreja no Brasil nos convida a participar, de forma generosa e consciente, da Campanha para a Evangelização. Realizada anualmente, culminando na coleta do 3º Domingo do Advento – o Domingo Gaudete, ou da Alegria –, esta iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é um chamado à corresponsabilidade. Se a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus, como nos ensina o Papa Francisco, essa alegria não pode ficar retida; ela precisa transbordar. E para que ela chegue aos confins do nosso imenso país, a evangelização necessita de recursos, estruturas e, acima de tudo, da solidariedade de cada batizado. 

A Solidariedade que Sustenta a Missão

É verdade que o Espírito Santo é o protagonista da missão, mas Deus, em sua infinita sabedoria, quis precisar das mãos humanas e da generosidade dos fiéis para realizar a sua obra. A Coleta da Evangelização nasceu em 1998 com um objetivo muito claro: despertar nos fiéis a consciência de que todos somos responsáveis pela sustentação das atividades pastorais da Igreja Católica no Brasil. 

O Brasil é um país de dimensões continentais e de profundas desigualdades. Da mesma forma, a realidade de nossas dioceses e prelazias varia imensamente. Enquanto algumas Igrejas particulares, em grandes centros urbanos, possuem estruturas mais consolidadas, existem comunidades na Amazônia, no sertão nordestino e nas periferias das grandes metrópoles que carecem do básico para anunciar a Palavra de Deus. Há locais onde o missionário precisa de barco e combustível para visitar uma comunidade uma vez ao mês; há locais onde não existe sequer um espaço digno para a celebração da Eucaristia ou para a catequese das crianças. 

É aqui que entra o sentido profundo desta coleta: a comunhão de bens. O que arrecadamos neste domingo não é apenas uma doação financeira; é um gesto de amor fraterno que diz: “Eu me importo com a evangelização do meu país”. É a atualização daquele gesto das primeiras comunidades cristãs, onde os que tinham mais auxiliavam os que passavam necessidade, para que não houvesse indigentes entre eles e para que a Palavra corresse veloz. 

Para Onde Vão os Recursos?

A transparência é fundamental para a credibilidade de nossa missão. Por isso, é importante que todo católico saiba como são distribuídos os recursos oriundos da Coleta da Evangelização. O montante arrecadado é partilhado de forma solidária em três níveis eclesiais, garantindo que a ajuda chegue a quem mais precisa e sustente as estruturas de comunhão. 

Do total arrecadado, 45% permanece na própria Diocese. Isso é vital para apoiar as ações pastorais locais, a formação de nossos leigos, a manutenção de seminários e o auxílio às paróquias mais necessitadas dentro de nosso próprio território arquidiocesano. Outros 20% são destinados ao Regional da CNBB (no nosso caso, o Regional Leste 1, que compreende as duas arquidioceses e as dioceses do Estado do Rio de Janeiro e a Administração Pessoal São João Maria Vianney). Esses recursos financiam a articulação pastoral em nível estadual, permitindo encontros, formações e a unidade entre as dioceses vizinhas. Por fim, 35% são enviados à CNBB Nacional. É com essa parcela que a Igreja no Brasil consegue manter projetos missionários em áreas carentes, apoiar a Igreja na Amazônia, sustentar as Comissões Episcopais que cuidam desde a liturgia até a ação social transformadora, e garantir o funcionamento da estrutura que une os bispos de todo o país. 

Ao colocar sua oferta no envelope ou no cestinho da coleta, o fiel está, simultaneamente, ajudando sua paróquia vizinha, fortalecendo a Igreja em seu estado e enviando missionários para os rincões mais distantes do Brasil. É a catolicidade – a universalidade – da Igreja acontecendo na prática. 

Evangelizar: Um Dever de Amor

O tema da campanha deste ano nos recorda que Cristo bate à nossa porta: “Hoje é preciso que eu fique em tua casa” (Lc 19,1). Em um mundo marcado por guerras, polarizações e desesperança, a Igreja tem a missão urgente de anunciar o Príncipe da Paz. Mas como anunciarão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? (Rm 10, 15). O envio dos missionários, a impressão de materiais catequéticos, o uso dos meios de comunicação social, a formação de novos padres e religiosos, tudo isso exige recursos materiais. 

Não podemos ter uma visão angelical que ignora a materialidade da missão. O próprio Jesus e os apóstolos tinham uma bolsa comum para suas necessidades e para os pobres. A Coleta da Evangelização é a nossa “bolsa comum”. Ela garante que a voz da Igreja continue a defender a vida desde a concepção até o fim natural; garante que a Doutrina Social da Igreja chegue aos legisladores e à sociedade civil; garante que os sacramentos continuem a ser ministrados. 

Além disso, esta coleta é um exercício espiritual de desapego. No Advento, meditamos sobre o mistério da Encarnação: Deus, sendo rico, fez-se pobre por nós (2Cor 8, 9). Ele se despojou de sua glória para nos enriquecer com sua divindade. Quando partilhamos nossos bens, imitamos a generosidade de Deus. Combatemos o egoísmo e o consumismo desenfreado que muitas vezes ofuscam o verdadeiro sentido do Natal. O presente que oferecemos à Igreja reverte-se em dons espirituais para todo o povo brasileiro. 

Um Convite à Generosidade

Sei que os tempos são difíceis e que muitas famílias enfrentam desafios econômicos. No entanto, a experiência pastoral nos ensina que a generosidade não depende do tamanho da conta bancária, mas da grandeza do coração. Muitas vezes, é o óbolo da viúva – aquela pequena oferta dada com sacrifício e amor – que sustenta as grandes obras de Deus. 

Convido cada um de vocês a se preparar para este gesto concreto no próximo domingo. Que a Coleta da Evangelização seja assumida com alegria. Que possamos dizer, através de nossa oferta: “Senhor, eu quero que o Teu Evangelho chegue a todos. Eu quero ser parte ativa desta missão”. 

Que Maria Santíssima, a Estrela da Evangelização, aquela que nos trouxe o maior de todos os dons, Jesus Cristo, interceda por nossa Arquidiocese e por toda a Igreja no Brasil. Que o nosso gesto de partilha prepare nossos corações para acolher o Salvador que vem. Um santo e abençoado Advento a todos. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

A LUZ DA IMACULADA BRILHA EM OVIEDO

Vigília da Imaculada presidida pelo Arcebispo de Oviedo (neocatechumenaleiter)

A LUZ DA IMACULADA BRILHA EM OVIEDO

11 dezembro 2025

CncMadrid

CAMINHO NEOCATECUMENAL CELEBRA 50 ANOS EM OVIEDO COM A PRESENÇA DE KIKO ARGÜELLO E DO ARCEBISPO D. JESÚS SANZ MONTES

Concerto em Oviedo

https://youtu.be/PfnvolXJ4Vw

Por ocasião do 50º aniversário do Caminho Neocatecumenal nas Astúrias, o arcebispo de Oviedo, Dom Jesús Sanz Montes, presidiu a solene Vigília da Imaculada com as comunidades neocatecumenais da capital asturiana.

Na segunda-feira, 8 de dezembro, Kiko Argüello apresentou sua obra sinfônica no Auditório Príncipe Felipe de Oviedo. Antes do início do concerto, o arcebispo da diocese, D. Jesús Sanz, abriu o ato com uma oração diante dos 1.500 participantes presenciais, aos quais se somaram mais de 24.000 pessoas conectadas online. Entre os presentes estavam comunidades do Caminho Neocatecumenal da região Noroeste da Espanha e os Seminários Redemptoris Mater de Oviedo, León, Lugo, Orense, Burgos, Vitoria, Múrcia e Baiona.

“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nós te damos graças, Senhor, por esta convocação por ocasião de uma história que aqui começou há 50 anos e que dia após dia os irmãos continuam escrevendo. A vida é uma sinfonia inacabada; tu colocas a letra de nossa biografia e nós, humildemente, a música das nossas notas. Contigo fazemos uma beleza que possa converter e abrir os corações das pessoas às quais tu nos envias para anunciar-lhes o Querigma que as salva. Com a proteção de nossa Mãe, a Virgem Imaculada, e de todos os nossos Santos, te apresentamos este ato como uma homenagem de gratidão pela história ainda não concluída do Caminho Neocatecumenal aqui nas Astúrias. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.”

Dom Jesús Sanz Montes

Kiko Argüello começou sua intervenção dizendo:

“Emociona-me celebrar o concerto nesta festa, porque o Caminho Neocatecumenal foi inspirado pela Santa Virgem Maria justamente no dia da Imaculada Conceição.”

(neocatechumenaleiter)
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Ao apresentar sua primeira obra sinfônica, “O Sofrimento dos Inocentes”, Kiko expressou como sempre o comoveu a figura do Servo de Iahweh anunciada por Isaías, relacionando essa imagem com o Santo Sudário de Oviedo e o Santo Sudário de Turim:

“Um homem cheio de dores, cujas feridas nos trouxeram a paz. Várias vezes pintei o seu rosto, seguindo a imagem do Santo Sudário. Impressionou-me saber que as pesquisas mais recentes identificam o personagem do Sudário de Turim com o do Santo Sudário que é conservado há mais de 1.000 anos na Catedral de Oviedo. A tradição da Igreja diz que esse pequeno pano de linho é o Santo Sudário que cobriu a cabeça de Cristo após sua morte. Os estudos mais recentes confirmam que ele cobriu a cabeça de um homem crucificado, coroado de espinhos e com tantas feridas.”

Após a interpretação da Sinfonia, Kiko introduziu o Poema Sinfônico “O Messias”, destacando a perene atualidade do testemunho cristão diante da perseguição:

“A perseguição dos cristãos que ocorre atualmente no mundo é algo que nos interroga, porque até nós poderíamos estar envolvidos. Assim como estiveram Santa Eulália, São Pelayo, São Eulógio e tantos outros mártires cujas relíquias são conservadas em Oviedo. Os últimos nesta diocese foram os seminaristas de Oviedo, mártires na perseguição contra a Igreja nos anos 30 do século passado. O sangue dos cristãos continua sendo derramado no século XXI para tornar presente que, no Sangue de Cristo, Deus oferece gratuitamente o seu perdão a todos os homens.”

(neocatechumenaleiter)
(neocatechumenaleiter)
Kiko Argüello, Tomáš Hanus e músicos (neocatechumenaleiter)

orquestra do Caminho Neocatecumenal, composta nesta ocasião por 97 músicos e 120 coralistas, sob a regência do prestigiado maestro Tomáš Hanus, interpretou magistralmente a obra sinfônica de Kiko Argüello: a sinfonia “O Sofrimento dos Inocentes” e o Poema Sinfônico “O Messias”.

O concerto superou todas as expectativas; diante do entusiasmo do público, a orquestra precisou executar vários bis, aclamados por todos.

Fonte: https://neocatechumenaleiter.org/pt-br

Américo Aguiar: “Nem os párocos são monarcas, nem os leigos miniaturas de padres”

Cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal (Vatican News)

O cardeal e bispo de Setúbal destaca a importância do método sinodal, assinalando alguns aspetos do que tem sido feito na sua diocese e agradece o trabalho da Rede Sinodal em Portugal que aqui apresenta o episódio 11 do podcast “No coração da esperança”.

https://youtu.be/TzyOYsjAWWI

Rui Saraiva – Portugal

“No coração da esperança” é o nome da iniciativa em podcast da Rede Sinodal em Portugal. Apresentamos aqui o episódio número 11 de uma parceria inovadora de comunicação que faz caminhar em conjunto Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo.

Neste episódio 11 o entrevistado é o cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal e que coordenou a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023. Publicamos aqui as suas respostas às questões da Rede Sinodal em Portugal:

P: Que leitura faz do Documento Final do Sínodo e das Pistas para a implementação do Sínodo, a partir daquela que foi a sua experiência na XVI Assembleia Geral do Sínodo dos bispos?

R: Em primeiro lugar, termos todos consciência que estamos a caminho. Estamos a fazer um caminho, estamos a caminho e fomos provocados para fazer o caminho juntos: uns com os outros. Não numa corrida de fundo isolada, mas cada vez mais termos consciência que fazemos caminho como povo. E chegar a uma estação a meio do caminho, ou no meio do início, ou no meio do fim… Nunca sabemos. Chegar a meio de uma viagem implica sempre muito respeito pela caminhada feita e alguma coragem para questionar o caminho feito. Como é óbvio.

Confesso que o que mais foi difícil para mim naqueles dias, naquelas semanas, foi, porque não tinha tido a experiência anterior, os grupos de trabalho com aquela metodologia da conversação no espírito. Confesso que a certa altura já cortava os pulsos, daquilo que significava converter-me àquela dinâmica e àquela metodologia. Mas passado metade já era qualquer coisa normal, já fazia parte, enfim, da aprendizagem, do protocolo e da metodologia.

Foi muito importante nos grupos em que... Eu acho que mudei só duas vezes de grupo: um grupo, depois outro, depois voltei ao início. Eu não me lembro de qual era o nome da função, mas era uma… Foram senhoras que nos calharam na primeira vez. Depois um senhor, depois uma senhora. Que eram os responsáveis por distribuir jogo, por fazer com que as coisas funcionassem. E eu tenho muita gratidão a essas pessoas, porque, de facto, fizeram com que cardeais, bispos, padres, leigos, mais ou menos famosos, mais ou menos anónimos, a certa altura éramos irmãos conhecidos desde sempre.

P: O que está a ser feito na sua diocese de Setúbal?

R: Temos uma Comissão Sinodal Diocesana, constituída por um sacerdote e três leigos. Duas leigas e um leigo, mais o sacerdote. Que eu já herdei quando cheguei. E pedi-lhes que continuassem a fazer o trabalho que tinham feito. Sei que antes tinham feito trabalho de grupos paroquiais, vicariais… O trabalho do terreno que foi feito por algumas dioceses, e Setúbal também. E eles agora, aliás, nestes dias últimos, estiveram no Jubileu, também participaram. E sou muito grato por isso, que temos de ter consciência que os leigos têm vida para além da participação nestas coisas que a Igreja lhes pede. E estivemos reunidos há dias para preparar aquilo que serão os próximos passos.

Nós, já comigo em Setúbal, eu pedi-lhes que eles fizessem um circuito por toda a diocese, ao nível das vigararias, para uma atualização, tipo revisão da matéria dada e projeção dos passos seguintes. Que o fizeram e eu pedi-lhes que me remetessem um documento síntese disso.

É assim, eu quero meter-me o menos possível nestas fases. Acho que é mais puro que venha ter ao bispo o diamante lapidado, porque eu acho que é do que se trata. Isto que se está a fazer, com imprescindível protagonismo laical… No caso de Setúbal é a maioria esmagadora: três, um. E depois nos conselhos também. Mas eu acho que é muito importante nós permitirmos que o diamante seja lapidado, e tenha ganho valor exatamente por isso.

E, por exemplo, aquilo que vamos fazer este Ano Pastoral 25/26:  uma das coisas que vamos, e estamos a arrancar... Uma: em Setúbal tem sido difícil a concretização da constituição dos Conselhos Pastorais Paroquiais. Tem sido difícil. A primeira… Eu estou lá há dois anos. A primeira carta pastoral... Pedi que se constituíssem. A segunda carta pastoral… Pedi, insisti e rezei para que se constituíssem. E a terceira carta pastoral, que foi há dias, pedi, rezei, insisti e supliquei. Não sei o que é que será a palavra a seguir. Mas estou muito grato porque nós somos 57 paróquias, e nós já passámos a barreira dos 40. Já passámos a barreira dos 40. Mas é fundamental. E estas instâncias de sinodalidade prática são fundamentais. E eu não consigo entender porque razão é que uma paróquia não o tem, não o constitui. Aliás, eu até uso a imagem: nem os párocos são monarcas, nem é preciso também, enfim, transformar os leigos em miniaturas de padres ou coisas parecidas. Portanto cada um no seu lugar, cada um respeitando a sua missão.

Mas este Ano Pastoral, com a ajuda desta Comissão, e com a ajuda destes 40 já constituídos Conselhos Paroquiais Pastorais, vamos aprofundar para que todos saibam qual é de verdade a missão, a função. Porque, às vezes, nós convidamos as pessoas e normalmente enganamo-las. “Olhe, não dá trabalho nenhum, é só uma reunião por ano.” Pronto, está enganadinho. E a partir daí muitos acreditam nisso, e depois também as coisas não produzem como deveriam produzir, em razão destes mínimos olímpicos que nós vamos combinando uns com os outros.

Depois, também os Conselhos Paroquiais para os Assuntos Económicos. Também são muito importantes, e é fundamental que todos cresçam na corresponsabilidade pelas decisões da vida material da comunidade. De maneira que nem o pároco se sinta única e exclusivamente o dono, nem os leigos se sintam desresponsabilizados, nem também, erradamente, responsáveis pela decisão final.

E nós vamos ter no dia 28 de fevereiro próximo, um primeiro grande encontro de todos os Conselhos Pastorais Paroquiais constituídos. Estou muito curioso e muito orante por esse encontro, para que cada um comece a levar a sério a responsabilidade de fazer parte deste tal caminho. Porque a sinodalidade é querermos, desejarmos e aceitarmos caminhar juntos. E o que é isso? É fácil: ouvir, rezar, discernir e decidir. E eu aqui digo: decidir. Porque às vezes acho que há processos que esquecem a última parte, e passam eternamente a refletir, a discernir, a rezar, e depois falha a decisão. E a decisão é muito importante.

P: A Rede Sinodal em Portugal procura ser um espaço de partilha de conteúdos e dinamização do processo sinodal. Que papel poderá ter nesta fase da implementação das conclusões do Sínodo?

R: Acima de tudo nós temos todos que também... Temos que nos converter a que ninguém é dono da sinodalidade, e ninguém é dono do caminho. Ou seja, se há um dono é Cristo Rei. Já que há poucos dias celebramos Cristo Rei. O Espírito Santo, Deus, Jesus. Eles são os donos do caminho. São eles que nos inspiram, que nos projetam, que nos provocam e, por isso, em primeiro lugar, temos que dar graças a Deus por... Não sei se por loucura, por martírio, muitos leigos se colocarem na linha da frente do pelotão de fuzilamento para nos provocarem, para nos ajudarem à reflexão sobre exatamente esta temática. E com equilíbrio, porque às vezes nós conversamos… Eu não sou muito erudito naquilo que significa a sistematização académica das coisas… Chateia-me, aborrece-me, e não tenho muita paciência para isso. Mas ainda bem que há quem a tenha para nos ajudar a arrumar as coisas e a refletir de modo científico.

Mas eu temo muito, às vezes, que nos distraiamos demasiado com uma tentativa de tornar a sinodalidade uma cátedra da faculdade não sei de quê. E eu acho que isto não é propriamente a urgência. É preciso sistematizar, é preciso aprofundar, é preciso refletir. Mas eu... A minha preocupação como pastor, acima de tudo, é que as minhas ovelhas entendam. Saibam e entendam. Porque acima de tudo, e eu tenho notado nestes dois anos… Acho que é uma urgência uma aproximação e familiaridade, vejam lá, com a palavra de Deus. Acho que há um défice tamanho das pessoas mais diversas que encontramos no dia a dia, nas paróquias, nos serviços, nas comunidades, que é um défice gigantesco de familiaridade, de conhecimento com a Sagrada Escritura. Isso estou convencido que temos de fazer alguma coisa. Depois, se nós saltarmos da Sagrada Escritura para o Magistério da Igreja, para os documentos do Papa, para não sei quê… Então é melhor não continuar a conversar, porque isto vai acabar muito pessimista.

Portanto, em relação à Rede, agradecer o trabalho que fazem. Que ofereçam os sofrimentos para salvação do mundo, mas na certeza de que não é trabalho deitado fora. Pelo contrário. E acredito que estes caminhos das dioceses, das paróquias, dos movimentos… Estes caminhos, sendo caminhos de Deus, vão-se cruzar. A certa altura vão-se cruzar. Vai demorar mais, ou vai demorar menos tempo.

O cardeal Américo Aguiar é bispo de Setúbal e foi presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023. Com esta entrevista colaborou com a iniciativa podcast “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal, uma parceria que junta Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo.

Laudetur Iesus Christus

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF