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sábado, 27 de dezembro de 2025

Leão XIV diz que o cristão não tem inimigos, mas irmãos e irmãs

Papa Leão XIV na varanda do Palácio Apostólico, no Vaticano. | Captura de tela - Vatican Media

Por Victoria Cardiel*

26 de dez de 2025 às 12:09

O papa Leão XIV exortou hoje (26) à unidade e à fraternidade, dizendo que os cristãos “não têm inimigos, mas irmãos e irmãs", mesmo diante de desentendimentos.

“O cristão, porém, não tem inimigos, mas irmãos e irmãs, que continuam a sê-lo mesmo quando não estão de acordo”, disse ele da varanda do Palácio Apostólico, no Vaticano.

Na oração do Ângelus na festa de santo Estêvão, o primeiro mártir cristão, o papa disse que o Mistério do Natal consiste em reconhecer em cada pessoa, mesmo nos “adversários”, “a dignidade indelével das filhas e dos filhos de Deus”.

Em sua reflexão, Leão XIV disse que aqueles que hoje acreditam na paz e escolhem “o caminho desarmado de Jesus e dos mártires” são frequentemente “ridicularizados” e “excluídos do debate público”, ou até mesmo “acusados ​​de favorecer adversários e inimigos”.

O papa disse que o cristão não tem inimigos, uma convicção que, segundo ele, é fonte de alegria "motivada pela tenacidade de quem já vive a fraternidade".

Leão XIV centrou sua mensagem na figura de santo Estêvão, diácono da Igreja primitiva em Jerusalém e a primeira testemunha a derramar seu sangue por Cristo. Apedrejado depois de ser acusado de blasfêmia, ele morreu perdoando seus algozes, entre eles Saulo de Tarso, o futuro são Paulo Apóstolo. A Igreja celebra sua festa em 26 de dezembro, logo depois do Natal, como sinal da união entre o nascimento do Salvador e o testemunho até o fim.

O martírio é um “nascimento para o Céu”.

“Hoje é o natal de santo Estêvão, como costumavam dizer as primeiras gerações cristãs, certas de que não se nasce só uma vez”, disse o papa. Inspirando-se no relato dos Atos dos Apóstolos, ele disse que aqueles que testemunharam seu martírio “ficaram surpreendidos com a luz do seu rosto”.

“Está assim escrito: Todos os membros do Sinédrio tinham os olhos fixos nele e viram que o seu rosto era como o rosto de um Anjo» (cf At6, 15)”, disse ele. “É o rosto de quem não passa indiferente pela história, mas a enfrenta com amor”.

Leão XIV disse que o martírio é “um nascimento para o Céu” e que, numa perspectiva de fé, mesmo a morte “já não significa só trevas”.

“Viemos ao mundo sem decidir, mas passamos depois por muitas experiências nas quais nos é pedido, cada vez mais conscientemente, que venhamos à luz, que escolhamos a luz”, disse o papa.

O nascimento do Filho de Deus “convida-nos a viver como filhos de Deus, tornando-o possível”, com um “movimento de atração” como o vivido por “pessoas humildes” como Nossa Senhora, são José e os pastores em Belém.

Ele disse que a beleza de Jesus e daqueles que vivem como Ele “é uma beleza rejeitada”, porque sua “força magnética” provocou, desde o princípio, “a reação de quem teme pela sobrevivência do seu poder, de quem é desmascarado na sua injustiça por uma bondade que revela os pensamentos dos corações (cf. Lc 2, 35)”.

Nenhum poder pode prevalecer sobre a obra de Deus

“Até hoje, poder algum prevalece sobre a obra de Deus”, disse o papa. Assim, ele disse que em todo o mundo existem pessoas que escolhem a justiça “mesmo que isso tenha um custo” e “anteponha a paz aos próprios medos”.

“Então, apesar de tudo, brota a esperança e faz sentido estar em festa”, disse Leão XIV.

“Nas condições de incerteza e sofrimento do mundo atual, a alegria pareceria impossível”, disse ele.

Santo Estêvão morreu perdoando, como Jesus Cristo, por uma força “mais verdadeira do que a das armas”, disse o papa.

“Sim, isto é renascer, isto é vir novamente à luz, isto é o nosso Natal”, disse ele, antes de confiar os fiéis a Nossa Senhora, “bendita entre todas as mulheres que servem a vida”, para que ela conduza a Igreja a uma alegria que “dissolve todo o medo e toda a ameaça”.

Ao fim da oração do Ângelus, o papa fez uma saudação aos peregrinos reunidos na praça de São Pedro, renovando "sinceramente" seus votos de paz e serenidade "na luz do Natal do Senhor".

“Saúdo todos os fiéis de Roma e os peregrinos vindos de tantos países”, disse Leão XIV, antes de invocar a intercessão de santo Estêvão. Assim, ele confiou à sua intercessão as comunidades de cristãos perseguidos e pediu que o seu testemunho “fortaleça a nossa fé e sustente as comunidades que mais sofrem por causa do seu testemunho cristão”.

Leão XIV falou sobre o valor do exemplo do protomártir, destacando sua mansidão, coragem e perdão. "Que o seu exemplo de mansidão, coragem e perdão acompanhe todos aqueles que estão envolvidos em situações de conflito para promover o diálogo, a reconciliação e a paz", exortou ele.

*Victoria Cardiel é jornalista especializada em temas de informação social e religiosa. Desde 2013, ela cobre o Vaticano para vários veículos, como a agência de noticias espanhola Europa Press, e o semanário Alfa y Omega, da arquidiocese de Madri (Espanha).

Fonte: https://www.acidigital.com/

O Papa aos jovens de Taizé: sejam construtores da paz e portadores da esperança

Taizé em Paris 2025-2026 | Vatican News.

Numa mensagem assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, aos participantes do 48º Encontro Europeu de Fim de Ano, organizado em Paris pela Comunidade Monástica Francesa, Leão XIV faz votos de que os momentos de oração e partilha possam ajudar a aprofundar a sua fé e a discernir "como viver o Evangelho na realidade concreta".

Vatican News

Um convite para ser "peregrinos da confiança, construtores da paz e da reconciliação, capazes de levar uma esperança humilde e alegre aos que os rodeiam". Este é o convite de Leão XIV aos jovens reunidos de domingo, 28 de dezembro, a 1° de janeiro, em Paris, e na região da Île-de-France, para o 48.º Encontro Europeu, organizado anualmente pela Comunidade de Taizé. O Pontífice enviou uma mensagem assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, aos cerca de 15 mil participantes, de 18 aos 35 anos, que, a convite das Igrejas na Europa de várias confissões, se reunirão em oração e partilha, num espírito de celebração e amizade. O Papa lhes assegura sua proximidade espiritual.

Ter certeza de ter Jesus ao seu lado

Agradecido por saber que os jovens estarão reunidos "numa cidade marcada por uma rica herança religiosa, moldada ao longo dos séculos pelo testemunho luminoso de tantas figuras de santidade que, cada uma à sua maneira, responderam corajosamente ao chamado de Cristo", o Papa observa que "o tema da Carta escrita este ano pelo frei Mateus, prior de Taizé, 'O que procuram?', aborda uma questão essencial que reside no coração de cada ser humano" e nos convida a não a temê-la, "mas a carregá-la em oração e silêncio", na certeza de ter Cristo ao nosso lado e na convicção de que Ele "se deixa encontrar por aqueles que o procuram com um coração sincero".

Viver o Evangelho na realidade concreta

Para Leão XIV, neste ano "marcado por tantas provações" para a humanidade, a generosa hospitalidade que os jovens estão recebendo em Paris "de fiéis de todas as origens e de pessoas de boa vontade é uma mensagem poderosa para o mundo". "Que os momentos de oração e partilha que vocês viverão nestes dias os ajudem a aprofundar a sua fé, discernindo cada vez mais claramente como viver o Evangelho na realidade concreta de suas vidas", ressalta o Papa.

Comunhão e fraternidade

A mensagem, que destaca o "momento eclesial particular, marcado pelo encerramento de um Ano Jubilar e pelas comemorações dos 1.700 anos do Concílio de Niceia", recorda também que, durante o encontro ecumênico de oração em Iznik, o Pontífice falou da reconciliação como "um apelo que vem de toda a humanidade afligida por conflitos e violência". Por fim, enfatiza que "o desejo de plena comunhão entre todos os fiéis em Jesus Cristo é sempre acompanhado pela busca da fraternidade entre todos os seres humanos".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

A obra-prima de São João Evangelista

CC | Aleteia

Reportagem local - publicado em 27/12/17

O prólogo do seu Evangelho é uma declaração de fé e de maravilhamento espiritual a ser rezada todos os dias.

O prólogo do Evangelho de São João (1, 1-14) fascina todas as gerações de cristãos. Sua beleza e profundidade teológica são de inspiração quase tangível. Não surpreende que era lido ao final de todas as Missas no Rito Romano Antigo. É uma declaração de fé e de maravilhamento espiritual a ser rezada todos os dias:

Em português:

No princípio era o Verbo,
e o Verbo estava junto de Deus
e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio junto de Deus.
Tudo foi feito por ele,
e sem ele nada foi feito.
Nele havia a vida,
e a vida era a luz dos homens.
A luz resplandece nas trevas,
e as trevas não a compreenderam.

Houve um homem, enviado por Deus,
que se chamava João.
Este veio como testemunha,
para dar testemunho da luz,
a fim de que todos cressem por meio dele.
Não era ele a luz,
mas veio para dar testemunho da luz.

[O Verbo] era a verdadeira luz,
que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.
Estava no mundo
e o mundo foi feito por ele,
e o mundo não o reconheceu.
Veio para o que era seu,
mas os seus não o receberam.

Mas a todos aqueles que o receberam,
aos que creem no seu nome,
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,
os quais não nasceram do sangue,
nem da vontade da carne,
nem da vontade do homem,
mas sim de Deus.

E o Verbo se fez carne
e habitou entre nós,
e vimos a sua glória,
a glória que o Filho único recebe do seu Pai,
cheio de graça e de verdade.

Em latim:

In principio erat Verbum,
et Verbum erat apud Deum,
et Deus erat Verbum.
Hoc erat in principio apud Deum.
Omnia per ipsum facta sunt,
et sine ipso factum est nihil quod factum est;
in ipso vita erat,
et vita erat lux hominum,
et lux in tenebris lucet,
et tenebrae eam non conprehenderunt.

Fuit homo missus a Deo,
cui nomen erat Iohannes;
hic venit in testimonium
ut testimonium perhiberet de lumine,
ut omnes crederent per illum.
Non erat ille lux,
sed ut testimonium perhiberet de lumine.

Erat lux vera,
quae illuminat omnem hominem,
venientem in mundum.
In mundo erat,
et mundus per ipsum factus est,
et mundus eum non cognovit.
In propria venit,
et sui eum non receperunt.

Quotquot autem receperunt eum,
dedit eis potestatem filios Dei fieri,
his, qui credunt in nomine eius,
qui non ex sanguinibus
neque ex voluntate carnis
neque ex voluntate viri,
sed ex Deo nati sunt.

Et Verbum caro factum est
et habitavit in nobis;
et vidimus gloriam eius,
gloriam quasi unigeniti a Patre,
plenum gratiae et veritatis.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Um dia de descanso para os nervos à flor da pele

Pearl PhotoPix | Shutterstock

Aleteia Polônia - publicado em 25/12/25

Como dominar a arte de se acalmar? Na verdade, é mais fácil do que parece, mas precisamos levar isso a sério.

CAMPANHA DE NATAL ALETEIA 2025 - QUERO DOAR EM 3 CLIQUES

Todos nós "perdemos a cabeça" às vezes. Estresse, exaustão, um sentimento de injustiça — em uma fração de segundo, podem nos transformar em alguém que mal reconhecemos. De uma perspectiva neurobiológica, estamos falando de um "desligamento do córtex pré-frontal" — a parte do cérebro responsável pelo raciocínio e autocontrole. Em seu lugar, o sistema límbico, o centro emocional, assume o controle, reagindo automaticamente e acionando o modo de sobrevivência: lutar, fugir ou congelar.

Quando gritamos, batemos portas ou ferimos com palavras, é o nosso "cérebro reptiliano" que assume o controle. Estar ciente desse processo não tem o objetivo de nos envergonhar, mas sim de nos ajudar a entender que a calma não é uma característica imutável, mas sim uma habilidade que pode ser praticada.

Respiração, ritmo, previsibilidade

O remédio mais simples? Ritmo. Respiração profunda e lenta, caminhada, rezar o terço — qualquer coisa que coloque o corpo em um estado de ritmo regular e envie o sinal de "está tudo bem". Um exercício simples de 4-7-8 ajuda com isso: inspire por quatro segundos, prenda a respiração por sete segundos, expire por oito. Algumas repetições e o coração começa a bater mais calmamente. Somente quando o corpo se acalma é que a capacidade de pensar logicamente, comunicar e ter empatia retorna.

Um ritual previamente praticado também pode ajudar. Por exemplo, conheço alguém que, quando se sente estressado, vai à cozinha preparar um chá de erva-cidreira. Por um lado, a própria erva-cidreira tem um efeito calmante, mas, por outro, os movimentos repetitivos e a sequência de ações a acalmam gradualmente. A chave para o sucesso? Fazer isso devagar, concentrando-se no aqui e agora, sem se deter no problema. E para que isso funcione, deve ser uma sequência de ações que praticamos "com calma", para que se torne mais fácil em momentos difíceis.

De onde vêm essas reações violentas?

Muitas vezes, não se trata da situação em si. Chegamos até a nos perguntar por que algo tão pequeno desencadeou uma reação emocional tão violenta. Afinal, não é nada de especial, não é? Uma palavra, um tom de voz, um gesto — tudo isso pode evocar memórias antigas de dor, rejeição ou medo. Reagimos, então, não apenas ao "aqui e agora", mas também a ecos do passado. Ou talvez seja simplesmente um sinal de exaustão ou de um resfriado começando? Como escreve o Dr. Daniel Siegel, a meta-perspectiva — a capacidade de observar as próprias emoções à distância, sem se identificar com elas — ajuda.

Esse estado parece difícil de alcançar, mas muitas vezes tudo o que é preciso é se perguntar: como ele se parece visto de lado? O que está acontecendo dentro do corpo? É como se nosso corpo estivesse em um aquário e nós o observássemos através de um vidro.

Só o fato de saber que esse sistema límbico automático está funcionando já ajuda a acalmar nossos nervos. Mas, para isso, precisamos nos concentrar em nos observar de fora, e não no que nos perturba. Trata-se de mudar o foco.

Com amor por si mesmo e pelos outros

O que precisamos em momentos como este é de uma pausa, uma mudança de ares e um afastamento da situação estressante. Vamos encarar isso não como uma fuga do problema, mas como um ato de compaixão por nós mesmos e pelos outros. Ao nos permitirmos fazer uma pausa, paramos de reagir impulsivamente, no nível mais primitivo. Assim, nosso cérebro recupera o equilíbrio, os relacionamentos se tornam mais saudáveis ​​e as pessoas que amamos nos veem como alguém capaz de se recuperar de fracassos.

Após se acalmar, um pedido de desculpas pode ser necessário se a perda de controle resultou em danos a outras pessoas. Esta é uma lição de humildade. Em tais momentos, uma das mais belas passagens das Escrituras, na minha opinião, pode nos ajudar:

“Vinde a mim, todos vós que estais cansados ​​e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

(Mt 11,28-30)

Fonte: https://pt.aleteia.org/

'Convidamos um homem para passar o Natal em nossa casa

Ronnie Lockwood usando um chapéu de papel de Natal e Ronnie segurando Lloyd, filho de Rob e Dianne Parson, à mesa de Natal (Crédito: Rob Parsons)

'Convidamos um homem para passar o Natal em nossa casa. Ele ficou conosco por 45 anos'

Autor: Charlie Buckland

De BBC País de Gales

25 dezembro 2025

O Natal é frequentemente considerado uma época de boa vontade, mas o ato de bondade de um jovem casal britânico há 50 anos mudou suas vidas para sempre.

Em 23 de dezembro de 1975, Rob Parsons e sua esposa Dianne estavam se preparando para o Natal em sua casa em Cardiff, País de Gales, quando ouviram alguém bater à porta.

À porta da sua casa estava um homem com um saco do lixo contendo os seus pertences na mão direita e um frango congelado na esquerda.

Rob estudou o rosto do homem e lembrou-se vagamente dele como Ronnie Lockwood, alguém que ele via ocasionalmente na escola dominical quando era menino e com quem lhe diziam para ser gentil, pois ele era "um pouco diferente".

"Eu disse: 'Ronnie, o que é essa galinha?' Ele respondeu: 'Alguém me deu de presente de Natal'. Então eu disse uma palavra que mudou a vida de todos nós. E não sei bem por que as disse. Eu disse: 'Entre'."

Com apenas 27 e 26 anos na época, o casal sentiu-se compelido a acolher Ronnie, que era autista.

Eles prepararam frango para ele, deixaram-no tomar banho e concordaram em deixá-lo ficar para o Natal.

O que começou como um ato de compaixão transformou-se em uma amizade única, marcada pelo amor e pelo compromisso, que durou 45 anos, até o dia em que Ronnie faleceu.

Rob, agora com 77 anos, e Dianne, agora com 76, estavam casados havia apenas quatro anos quando receberam Ronnie em sua casa.

Ronnie tinha então quase 30 anos e estava sem casa desde os 15, vivendo em Cardiff e arredores e mudando constantemente de emprego — Rob às vezes o via em um clube juvenil que ele administrava.

Para que ele se sentisse o mais bem-vindo possível, pediram à família que lhe trouxesse um presente de Natal, qualquer coisa, desde um par de meias a perfumes.

"Agora consigo lembrar-me dele. Ele estava sentado à mesa de Natal, tinha aqueles presentes e chorava porque nunca tinha conhecido aquele tipo de sentimento de amor, sabe?", disse Dianne.

"Foi realmente incrível de se ver."

Ronnie, fotografado com Lloyd, filho de Rob e Dianne, no Natal, era muito prestativo ao ajudar com as crianças e costumava dizer: "Sou bom com crianças, sim" (Crédito: Rob Parsons)

O casal planejava deixá-lo ficar até o dia seguinte ao Natal, mas quando o dia chegou, eles não conseguiram expulsar Ronnie e procuraram orientação das autoridades.

O centro para sem-teto disse a eles que Ronnie precisava de um endereço para conseguir um emprego, disse Rob, mas "para conseguir um endereço, você precisa de um emprego".

"É esse o dilema em que se encontram muitos sem-teto."

Ronnie Lockwood tinha autismo e ficou sem teto depois de ser expulso de um centro de acolhimento aos 15 anos de idade (Crédito: Rob Parsons)

Colocado em um lar adotivo quando tinha apenas oito anos, Ronnie desapareceu de Cardiff aos 11 anos, disse Rob, e foi somente quando ele estava pesquisando para seu livro, A Knock on the Door, que descobriu o que aconteceu com ele.

Ele foi enviado para uma escola a 320 km de distância, referida num relatório como uma "escola para meninos com deficiência mental", e viveu lá durante cinco anos.

Ele não tinha amigos lá. Não tinha nenhum assistente social que o conhecesse. Não tinha professores que o conhecessem.

Rob disse que Ronnie costumava perguntar "eu fiz algo errado?", algo que eles acreditam que ele aprendeu durante o tempo que passou na escola.

"Ele sempre se preocupava em ter ofendido você ou feito algo errado."

Aos 15 anos, Ronnie foi mandado de volta para Cardiff "para nada", segundo eles.

Dianne diz que Ronnie "se revelou" ajudando com as crianças quando ela sofria de síndrome de fadiga crônica (Crédito: Rob e Dianne Parsons)

O casal disse que Ronnie era um pouco estranho no início, pois tinha dificuldade em fazer contato visual e mantinha a conversa ao mínimo.

"Mas então passamos a conhecê-lo e, na verdade, passamos a amá-lo", disseram eles.

Eles ajudaram Ronnie a conseguir um emprego como coletor de lixo e o levaram para comprar roupas novas depois de descobrirem que ele usava as mesmas roupas que ganhou quando era adolescente na escola.

"Não tínhamos filhos, era como vestir os nossos filhos para a escola, éramos pais orgulhosos", disse Rob.

"Quando saímos da loja, ela [Dianne] me disse: 'Ele trabalha como lixeiro, mas nós o vestimos como se trabalhasse no Hotel Dorchester (um hotel de luxo em Londres)", disse Rob, rindo.

Rob, que era advogado, acordava uma hora mais cedo para levar Ronnie ao trabalho antes de ir para o seu próprio emprego.

Quando chegava em casa, Rob disse que Ronnie costumava estar sentado ali, apenas sorrindo, e uma noite ele perguntou: "Ronnie, o que está te divertindo tanto?"

Ronnie respondeu: "Rob, quando você me leva para o trabalho pela manhã, os outros homens perguntam: 'Quem é aquele que te leva para o trabalho naquele carro?' E eu respondo: 'Ah, é meu advogado'".

"Não achamos que ele estivesse orgulhoso por ter sido levado ao trabalho por um advogado, mas achamos que talvez ele nunca tivesse tido alguém para levá-lo no seu primeiro dia de aula", disse Rob.

"E agora ele está quase com 30 anos... finalmente alguém está no portão."

Rob e Dianne fotografados com Ronnie (à direita) e seus dois filhos, Lloyd e Katie, em 1988 (Crédito: Rob Parsons)

Ronnie tinha muitos rituais aos quais eles se acostumaram, incluindo esvaziar a máquina de lavar louça todas as manhãs, ao que Rob fingia surpresa para evitar a decepção de Ronnie.

"É difícil parecer surpreso quando você recebe na terça-feira a mesma pergunta que recebeu na segunda-feira, mas esse era o Ronnie."

"Fizemos isso durante 45 anos", disse ele, rindo.

"Ele obviamente tinha dificuldade para ler e escrever, mas comprava o South Wales Echo (um jornal local) todos os dias", acrescentou Dianne.

Ronnie comprava para eles os mesmos cartões-presente da Marks and Spencer (uma loja de departamento) todo Natal, mas a cada ano ele ficava igualmente animado com a reação deles.

Rob e Dianne, com cerca de 20 anos, tiveram dois filhos e cinco netos (Crédito: Rob Parsons)

Ronnie passava grande parte do seu tempo livre na igreja local, recolhendo doações para os sem-teto e preparando os serviços religiosos, alinhando "meticulosamente" as cadeiras.

Dianne lembrou-se de um dia em que ele chegou a casa com um par de sapatos diferente e ela perguntou: "Ronnie, onde estão os seus sapatos?"

Ele disse a ela que um morador de rua precisava deles.

"Ele era assim mesmo. Era incrível", disseram.

Um dos momentos mais difíceis foi quando Dianne adoeceu com a síndrome da fadiga crônica, pois ela se lembra de dias em que não conseguia sair da cama.

"Eu tinha uma filha pequena de três anos, Rob estava fora a trabalho", disse Dianne.

Mas ela disse que Ronnie era "notável" e se destacava, preparando mamadeiras para o filho Lloyd, ajudando nas tarefas domésticas e brincando com a filha Katie.

"[Ronnie] estava lá antes de eles chegarem e estava lá quando eles partiram com seus próprios filhos", diz Rob (Crédito: Rob e Dianne Parsons)

Embora admitissem que a dinâmica tinha suas dificuldades, incluindo a luta contra o vício em jogos de azar de Ronnie por 20 anos, eles não conseguiam imaginar suas vidas sem ele.

"Não é algo que eu recomendaria como estratégia", disse Rob, "mas Ronnie enriqueceu nossas vidas de muitas maneiras".

"Ele tinha um grande coração, Ronnie. Era gentil, era frustrante", disse Dianne.

"Às vezes eu era sua mãe, às vezes eu era sua assistente social e às vezes eu era sua cuidadora."

"Um dia, alguém perguntou a eles [seus filhos]: 'Como vocês lidavam com o Ronnie quando seus amigos vinham à sua casa?' E eles responderam: 'Bem, nós realmente não pensamos nisso, ele é apenas o Ronnie'."

Rob acrescentou: "Nossos filhos nunca conheceram a vida sem Ronnie. Ele estava lá antes deles nascerem e continuou lá depois que eles partiram, com seus próprios filhos."

Ronnie era voluntário regular no banco de alimentos da igreja local e ajudava a organizar uma partida de futebol no dia seguinte ao Natal por 25 anos (Crédito: Rob Parsons)

Uma vez o casal considerou apoiar Ronnie para que ele vivesse de forma independente, alguns anos depois de ele se mudar para lá.

À medida que seus dois filhos cresciam e o espaço parecia limitado em sua casa com apenas um banheiro, eles abordaram Ronnie para sugerir que ele alugasse um apartamento na mesma rua.

Mas, ao entrarem, ele repetiu aquela pergunta familiar: "Eu fiz algo errado?"

Rob disse que Dianne o mandou sair da sala, começou a chorar e disse: "Não consigo fazer isso".

Algumas noites depois, Ronnie entrou no quarto deles e perguntou: "Nós três somos amigos íntimos, não somos?"

"Eu disse 'sim, Ronnie, nós três somos amigos íntimos'", disse Rob.

"E ficaremos juntos para sempre, não é?", perguntou ele.

E houve uma pausa, provavelmente muito longa. Olhei para a Di e disse: "Sim, Ronnie, ficaremos juntos para sempre".

"E nós ficamos"

Ronnie faleceu em 2020, aos 75 anos, após sofrer um derrame, e o casal diz sentir muita saudade dele.

Ronnie deixou £ 40.000 (R$ 298 mil) para instituições de caridade em seu testamento, que era exatamente a quantia necessária para consertar o telhado do centro Lockwood (Crédito: Rob Parsons)

Apenas 50 pessoas puderam comparecer ao seu funeral devido à pandemia de covid, mas "os ingressos estavam mais disputados do que um show do Coldplay", brincou Rob.

Eles receberam pelo menos 100 cartões de condolências, desde "professores da Universidade de Oxford até políticos e desempregados".

Após sua morte, um novo centro de bem-estar no valor de £ 1,6 milhão (R$ 11,9 milhões), anexo à Igreja Glenwood em Cardiff, recebeu o nome de Lockwood House, em homenagem a Ronnie.

Mas o prédio antigo e o novo não combinavam muito bem, e eles precisavam de financiamento extra para concluir a reforma.

"Mas eles não precisavam se preocupar", disse Rob.

"Quase ao centavo, era a quantia exata que Ronnie havia deixado para o centro em seu testamento. No final, o sem-teto colocou um teto sobre as nossas cabeças."

"Não é incrível? Acho que tudo isso estava destinado a acontecer", disse Dianne.

"As pessoas nos perguntam como isso aconteceu em 45 anos, mas a verdade é que, de certa forma, aconteceu um dia de cada vez."

"Ronnie trouxe riqueza para nossas vidas", conclui ela.

Reportagem adicional de Greg Davies

Fonte: https://www.bbc.com/

Muito além do Natal: como é a Lapônia, a terra gelada do Papai Noel

Papai Noel em trenó de renas, Ruka (Kuusamo), região norte da Ostrobótnia, Lapônia, Finlândia (Foto: Roberto Moiola/Sysaworld/Getty Images)

Região no extremo norte da Europa mistura lendas natalinas, povos ancestrais, renas, aurora boreal e invernos de congelar.

Por: Redação Terra

25 dez 2025 - 04h59

O Natal toma conta das vitrines, decorações e do imaginário coletivo.  A época transporta a nossa imaginação para um lugar com neve branquinha, casas iluminadas e trenós com renas — algo que parece um conto de fadas. No entanto, esse cenário é realidade na Lapônia, uma região real, habitada, diversa e cheia de curiosidades. Na prática, a terra do Papai Noel vai além do imaginário, e é um dos locais mais fascinantes (e gelados) do planeta.

A Lapônia não é um país, mas uma grande região histórica e cultural localizada no extremo norte da Europa. Seu território se espalha por quatro países: Finlândia, Suécia, Noruega e uma pequena parte da Rússia. Grande parte da área fica acima do Círculo Polar Ártico, o que explica tanto o frio intenso quanto um de seus fenômenos mais famosos, a aurora boreal, visível em várias épocas do ano, especialmente no inverno.

Vista aérea noturna do parque de diversões Vila do Papai Noel e dos mercados de Natal em Rovaniemi, Lapônia, Finlândia (Foto: Roberto Moiola/Sysaworld/Getty Images)

A paisagem é marcada por florestas de coníferas, montanhas cobertas de neve, lagos congelados e longos períodos de luz ou escuridão extrema. No verão, o sol praticamente não se põe; é o chamado “sol da meia-noite”. Já no inverno, há semanas em que o dia mal clareia. As temperaturas podem variar bastante, no verão, os termômetros chegam a 20°C, e no inverno, não é raro registrar -30°C ou até -40°C em algumas áreas.

Quem vive na Lapônia?

Vista aérea dos telhados nevados de casas vermelhas e da torre sineira sob um céu flamejante ao amanhecer, cidade da igreja de Gammelstad, Luleå, Suécia (Foto: Roberto Moiola/Sysaworld/Getty Images)

Entre os habitantes da Lapônia estão os Sámi, povo indígena que vive na região há milhares de anos e mantém tradições ligadas à criação de renas, à pesca e ao artesanato. Além deles, há populações urbanas que vivem em cidades como Rovaniemi (Finlândia), Kiruna (Suécia) e Narvik (Noruega), combinando modos de vida modernos com uma forte relação com a natureza. No dia a dia, o inverno rigoroso exige roupas térmicas, casas bem isoladas e atividades ao ar livre adaptadas ao frio.

Renas em frente a casas típicas de madeira pintadas de vermelho, Fazenda de Renas Torassieppi, Torassieppi, Lapônia, Norte da Finlândia (Foto: James Strachan/Getty Images)

A fauna local parece saída de um livro infantil --ou de um filme de Natal. Renas estão por toda parte e são um símbolo regional, mas não estão sozinhas. A Lapônia também abriga alces, ursos, lobos, linces, raposas-do-ártico e diversas espécies de aves. Em áreas de preservação, como parques nacionais e centros de conservação, esses animais vivem soltos em ambientes naturais.

Papai Noel

Papai Noel admirando escultura de gelo na região da Lapônia, com a aurora boreal ao fundo (Foto: Roberto Moiola/Sysaworld/Getty Images)

E o Papai Noel? A associação da Lapônia com o bom velhinho começou a ganhar força no século 20, especialmente na Finlândia. Em 1927, um radialista finlandês afirmou em um programa de rádio que o Papai Noel morava na Lapônia, mais precisamente em uma montanha chamada Korvatunturi. A ideia pegou. Décadas depois, a cidade de Rovaniemi se consolidou como a “capital oficial” do Papai Noel, com direito a vila temática, escritório, correio e até uma linha imaginária marcando o Círculo Polar Ártico.

Hoje, a lenda virou também um motor do turismo, mas sem apagar a identidade local. A Lapônia segue sendo um lugar de contrastes: ancestral e moderna, silenciosa e cheia de histórias, congelante e acolhedora.

Fonte: https://www.terra.com.br/

NATAL 2000: O Legado de Abraão: Um Presente de Natal

A Apresentação no Templo, Batistério de Parma | 30Giorni.

NATAL 2000

Arquivo 30Dias nº 12 - 2000

O Legado de Abraão: Um Presente de Natal

A intervenção do Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, publicada no Osservatore Romano em 29 de dezembro.

Um texto do Cardeal Joseph Ratzinger publicado no Osservatore Romano.

No Natal, trocamos presentes para alegrar uns aos outros e, assim, compartilhar da alegria que o coro de anjos anunciou aos pastores, recordando o dom por excelência que Deus concedeu à humanidade ao nos dar seu Filho, Jesus Cristo. Mas esse dom foi preparado por Deus ao longo de um extenso período, no qual — como diz Santo Irineu — Deus se acostuma a estar com o homem e o homem se acostuma à comunhão com Deus. 

Essa história começa com a fé de Abraão, o pai dos crentes, também o pai da fé dos cristãos e nosso pai pela fé. Essa história continua nas bênçãos concedidas aos patriarcas, na revelação a Moisés e no êxodo de Israel para a terra prometida. Uma nova etapa se inicia com a promessa a Davi e seus descendentes de um reino eterno. Os profetas, por sua vez, interpretam a história, chamando ao arrependimento e à conversão, e assim preparando os corações dos homens para receber o dom supremo. Abraão, pai do povo de Israel, pai da fé, é, portanto, a raiz da bênção; Nele, “todas as famílias da terra serão benditas” ( Gn 12,3). 

A tarefa do povo escolhido é, portanto, dar o seu Deus, o único e verdadeiro Deus, a todos os outros povos, e, na realidade, nós, cristãos, somos herdeiros da sua fé no único Deus. A nossa gratidão dirige-se, portanto, aos nossos irmãos judeus que, apesar das dificuldades da sua história, preservaram, até aos dias de hoje, a fé neste Deus e testemunham-no perante outros povos que, privados do conhecimento do único Deus, “viviam nas trevas e na sombra da morte” ( Lc 1,79).

O Deus da Bíblia Hebraica, que também é a Bíblia dos cristãos, juntamente com o Novo Testamento, por vezes infinitamente terno, por vezes severamente inspirador de temor, é também o Deus de Jesus Cristo e dos apóstolos. A Igreja do segundo século teve de resistir à rejeição deste Deus pelos gnósticos, especialmente por Marcião, que contrastava o Deus do Novo Testamento com o Deus demiurgo-criador de quem provinha o Antigo Testamento. 

A Igreja, contudo, sempre manteve a fé em um só Deus, criador do mundo e autor de ambos os Testamentos. A consciência de Deus presente no Novo Testamento, que culmina na definição joanina "Deus é amor" ( 1 João 4:16), não contradiz o passado, mas antes abrange toda a história da salvação, que teve Israel como protagonista inicial. Portanto, as vozes de Moisés e dos profetas ressoaram na liturgia da Igreja desde o princípio até os dias de hoje; o Saltério de Israel é também o grande livro de orações da Igreja. Consequentemente, a Igreja primitiva não se opôs a Israel, mas simplesmente se considerou sua legítima continuação. 

A esplêndida imagem de Apocalipse 12, uma mulher vestida de sol e coroada com doze estrelas, grávida e sofrendo as dores do parto, representa Israel dando à luz aquele "que governaria todas as nações com vara de ferro" ( Sl 2,9); e, no entanto, essa mulher se transforma no novo Israel, mãe de novos povos, e é personificada em Maria, a Mãe de Jesus. Essa unificação de três significados — Israel, Maria, Igreja — mostra como, para a fé cristã, Israel e a Igreja eram e são inseparáveis.

Sabemos que todo nascimento é difícil. Certamente, desde o início, a relação entre a Igreja nascente e Israel foi frequentemente conflituosa. A Igreja era considerada por sua mãe uma filha degenerada, enquanto os cristãos consideravam sua mãe cega e obstinada. Na história do cristianismo, as relações já difíceis degeneraram ainda mais, muitas vezes dando origem ao antijudaísmo, que levou a atos deploráveis ​​de violência ao longo da história. Mesmo após a experiência final e execrável do Holocausto. Foi perpetrado em nome de uma ideologia anticristã, que buscava atingir a fé cristã em suas raízes abraâmicas, no povo de Israel. 

Não se pode negar que uma certa resistência insuficiente por parte dos cristãos a essas atrocidades se explica pelo legado antijudaico presente na alma de muitos cristãos. Talvez precisamente por causa do drama dessa última tragédia, tenha nascido uma nova visão da relação entre a Igreja e Israel, um desejo sincero de superar todo tipo de antijudaísmo e iniciar um diálogo construtivo de entendimento mútuo e reconciliação. 

Para que tal diálogo seja frutífero, deve começar com uma oração ao nosso Deus para que nos conceda, a nós cristãos, antes de tudo, maior estima e amor por este povo, os israelitas, que "pertencem à adoção, à glória, às alianças, à promulgação da lei, ao culto, às promessas, aos patriarcas; dos quais, segundo a carne, vem o Cristo, que é sobre todos, Deus bendito para sempre. Amém" ( Rm 9,4-5), e isso não apenas no passado, mas também no presente, "porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" ( Rm 11,29). 

Oremos também para que Ele conceda aos filhos de Israel um maior conhecimento de Jesus de Nazaré, seu filho e o dom que nos legaram. Visto que ambos aguardamos a redenção final, oramos para que nossa jornada se dê em direções convergentes.

É evidente que nosso diálogo como cristãos com os judeus se dá em um nível diferente daquele que mantemos com outras religiões. A fé testemunhada na Bíblia dos judeus, o Antigo Testamento dos cristãos, não é para nós outra religião, mas o fundamento da nossa fé. Portanto, os cristãos – e hoje, cada vez mais, em colaboração com seus irmãos judeus – leem e estudam esses livros das Sagradas Escrituras com tanta atenção, como parte de sua própria herança. É verdade que o Islã também se considera filho de Abraão e herdou o mesmo Deus de Israel e dos cristãos, mas segue um caminho diferente, que exige outros parâmetros de diálogo.

Retomando a troca de presentes de Natal com a qual iniciei esta meditação, devemos primeiro reconhecer que tudo o que temos e fazemos é um dom de Deus, obtido através da oração humilde e sincera. É um dom que deve ser partilhado entre diferentes grupos étnicos, entre religiões que buscam uma maior compreensão do mistério divino, entre nações que buscam a paz e povos que procuram construir uma sociedade onde reinem a justiça e o amor. Este é o programa delineado pelo Concílio Vaticano II para a Igreja do futuro, e nós, católicos, pedimos ao Senhor que nos ajude a perseverar neste caminho.

Fonte: https://www.30giorni.it/

O primeiro “Natal da paz” de Leão XIV

Mosaico realizado pelo artista italiano Alberto Salietti para o apartamento papal em 1955 (Vatican News)

Sete meses após o início de seu Pontificado, o Papa se prepara para celebrar pela primeira vez os ritos do Natal. Hoje à noite, 24 de dezembro, a missa na Basílica do Vaticano.

Vatican News

“O Natal do Senhor é o Natal da Paz”. O Papa Leão recorda mais uma vez um dos temas fortes de seu magistério no cartão, elaborado pela Prefeitura da Casa Pontifícia, com o qual ele apresenta seus primeiros votos na Natividade do Senhor e no Jubileu da Esperança. A frase escolhida é tirada do Sermão 26 do primeiro Papa a levar seu nome, São Leão Magno. A imagem da capa retoma um mosaico realizado pelo artista italiano Alberto Salietti (1892-1961) para o apartamento pontifício em 1955.

O cartão de felicitações do Papa (Vatican News)

Ontem à noite, 23 de dezembro, o Papa Leão, ao responder às perguntas dos jornalistas do lado de fora da Villa Barberini, em Castel Gandolfo, pediu às pessoas de boa vontade “pelo menos na festa do nascimento do Salvador, um dia de paz”. Aquela paz “desarmada e desarmante” que ele invocou ao aparecer no Balcão das Bênçãos, logo após ser eleito Sucessor de Pedro.

Os ritos do Natal

O Pontífice se prepara, portanto, para celebrar os ritos do Natal a partir desta noite, 24 de dezembro, quando às 22h (hora local – 18h de Brasília) presidirá na Basílica do Vaticano a Missa da Noite pela Solenidade do Natal do Senhor. Serão dez crianças com flores nas mãos que acompanharão o Papa na procissão até o presépio da Basílica, vindas da Coreia do Sul, Índia, Moçambique, Paraguai, Polônia e Ucrânia. No dia seguinte, 25 de dezembro, será celebrada a missa do dia em São Pedro, às 10h, (6 da manhã no Brasil) seguida da bênção “Urbi et Orbi” às 12h, no Balcão Central da Basílica.

No dia 26 de dezembro, Santo Estêvão, primeiro mártir da Igreja, o Papa recitará a oração do Angelus na Praça São Pedro, assim como no domingo, 28 de dezembro. No final de 2025, quarta-feira, 31 de dezembro, o Papa realizará a audiência geral e, à tarde, às 17h, as Primeiras Vésperas e o Te Deum em agradecimento pelo ano que passou.

As celebrações de janeiro

No dia 1º de janeiro de 2026, Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, na Basílica de São Pedro, às 10h, será celebrada a Missa pelo 59º Dia Mundial da Paz e, em seguida, o Angelus. Para a ocasião, Leão XIV escreveu uma mensagem sobre o tema: “A paz esteja com todos vocês. Rumo a uma paz desarmada e desarmante”, na qual se encontra uma forte denúncia contra a corrida ao rearmamento em curso no mundo. De fato, os dados referem um aumento de 9,4% em 2024 nas despesas militares.

No dia 4 de janeiro de 2026, domingo, o Angelus na Praça São Pedro e no dia 6, Epifania do Senhor, às 9h30, a missa e o encerramento da Porta Santa com a conclusão do Jubileu 2025 dedicado à esperança. No domingo, 11 de janeiro, é a festa do Batismo do Senhor, o Papa celebrará a missa na Capela Sistina e administrará o sacramento a algumas crianças.

A Missa de Natal

No calendário das celebrações papais, Leão XIV reintroduziu a Missa do dia de Natal, que seus antecessores, o Papa Francisco e o Papa Bento XIV, nunca celebraram. A última vez foi com São João Paulo II, em 25 de dezembro de 1994.

A mídia do Vaticano para as celebrações papais oferecerá um serviço de tradução em língua de sinais (LIS) e legendas para pessoas com deficiência auditiva e comunicativa. No canal do YouTube da Vatican News, em colaboração com a irmã Veronica Donatello da Conferência Episcopal Italiana, a tradução em LIS e na língua de sinais espanhola será transmitida ao vivo da missa de 24 de dezembro. O serviço, ao qual se junta também o francês para a ocasião, está previsto também para a Mensagem de Natal e a Bênção “Urbi et Orbi” do dia de Natal.

No canal do YouTube e nos canais de áudio da Vatican News e, para algumas línguas, também no Facebook, estão previstas crônicas em português do Brasil, francês, italiano, inglês, espanhol, alemão, árabe, chinês, polonês, vietnamita e português.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O Natal não se resume a um dia!

Ludovic Farine - Shutterstock

Prof. Felipe Aquino - publicado em 20/12/17 - atualizado em 25/12/25

Fique por dentro de todas as festas católicas de dezembro e janeiro!

O Natal não se resume a um dia nem celebra simplesmente o Nascimento de Jesus.

Na verdade, o Natal é um tempo litúrgico, formado por cinco festas que celebram no rito da Santa Liturgia o mistério da Manifestação do Filho de Deus em nossa natureza humana. Assim: Natal é o Tempo no qual a Igreja, na sua Celebração eucarística, ao celebrar os santos Mistérios, entre em comunhão real e verdadeira com o Mistério da Manifestação, da Vinda, do nosso Salvador e Deus bendito na nossa natureza humana!

O Filho eterno do Pai manifestou-Se na nossa pobre humanidade para enriquecê-la com a Sua divindade; Ele veio para nos dar a graça da comunhão, da amizade com Ele – é isso a salvação!

Cinco festas; ei-las:

1 - A Solenidade do Natal do Senhor

No dia 25 de dezembro. Na pobreza da gruta de Belém contemplaremos como frágil criança Aquele que é o Forte e eterno Deus: “Porque um Menino nos nasceu, um filho nos foi dado, Ele recebeu o poder sobre os Seus ombros e Lhe foi dado este Nome: Conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-eterno, Príncipe-da-Paz” (Is 9,5). Neste Dia santíssimo (que é celebrado durante oito dias) a Igreja dobra os joelhos diante do Salvador, juntamente com Maria, José e os pastores; a Igreja canta o “Glória a Deus nas alturas” juntamente com os anjos, a Igreja ilumina-se de alegria como o céu da noite santa de Belém.

2 - No Domingo entre os dias 25 e 1º de janeiro a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família

O Filho de Deus assumiu em tudo a nossa condição humana: entrou numa família, na vida miudinha de cada dia; Ele veio verdadeiramente viver a nossa aventura. Assim, santificou as famílias de modo especial: “Desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso” (Lc 2,51).

3 - Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus

No dia 1º de janeiro, Oitava do Natal. “(Os pastores) foram, então, às pressas, e encontraram Maria, José e o Recém-nascido deitado na manjedoura” (Lc 2,16). A Igreja contempla o Menino que nasceu em Belém e Nele reconhece o Deus eterno e perfeito, reclinado no colo de Maria. Por isso chama-a Mãe de Deus, quer dizer, Mãe do Filho de Deus feito homem! Dando este título à Virgem a Igreja, desde suas origens, professa sua fé na divindade de Jesus. Primeiro de Janeiro é uma das grandes festas marianas.

4 - Solenidade da Epifania do Senhor

No Domingo entre 2 e 8 de janeiro. É a festa chamada Festa de Reis. Mas, é bem mais que isso: a palavra “epifania” significa “manifestação”. Os magos, vindos dos povos pagãos, representam toda a humanidade que vem adorar o Salvador e reconhecê-Lo como a luz para iluminar as nações. Deus manifesta a Sua salvação a todos os povos: “O Senhor fez conhecer Sua salvação, revelou Sua justiça aos olhos das nações. Os confins da terra contemplaram a Salvação do nosso Deus” (Sl 97,2.3).

5 - A Festa do Batismo do Senhor

No Domingo após a Epifania. Com ela termina o tempo do Natal. O Pai apresenta o Seu Filho: “Este é o Meu Filho amado, em Quem Eu Me comprazo!” (Mt 3,17). Com esta festa encerra-se o ciclo de festas da Manifestação do Senhor. A Igreja, mais uma vez, renova sua certeza e vive essa graça, experimenta-a e anuncia ao mundo: “O Verbo Se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a Sua glória!” (Jo 1,14).

Que vivamos bem este tempo do Natal, tão rico e santo!

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Mensagem de Natal | 2025

Mensagem de Natal (arqbrasilia)

24/12/2025

Queridos irmãos e irmãs,

neste santo Natal, somos convidados a contemplar o mistério do Deus que Se faz criança e vem habitar no meio de nós para nos colocar, pela fé, na beleza da vida nova. Dele aprendemos a ser uma Igreja mistagógica, que vive profundamente a liturgia e conduz todos ao encontro transformador com Cristo; Igreja sinodal, que caminha unida, escutando o Espírito Santo na diversidade dos dons; Igreja missionária, que se coloca permanentemente a caminho para anunciar, com alegria e coragem, a Boa Nova do Reino.

Que o Menino de Belém, manso e humilde, fortaleça nossas famílias, nossas comunidades e nossas pastorais; e faça da Arquidiocese de Brasília um sinal luminoso de esperança, justiça e paz para nossa cidade e para todo o mundo.

Com afeto e bênção, desejamos a todos um Feliz e Santo Natal!

Dom Paulo Cezar Costa 
Arcebispo de Brasília

Dom Antonio de Marcos, Dom Denilson Geraldo, Dom Ricardo Hoepers, Dom Vicente Tavares
Bispos Auxiliares de Brasília

Fonte: https://arqbrasilia.com.br/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF