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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A igreja mais antiga do mundo foi encontrada: onde fica, como é e como você pode visitá-la?

Um Sítio Arqueológico Estudado Há Muito Tempo Por Acadêmicos Foi Aberto Ao Público. Foto: Visit Jordan

A igreja mais antiga do mundo foi encontrada: onde fica, como é e como você pode visitá-la?

Para a Igreja Católica na Nigéria, o incidente reabre questões dolorosas sobre a segurança das instituições religiosas e o cuidado pastoral com as comunidades traumatizadas. Bispos e clérigos têm alertado repetidamente que escolas e paróquias estão cada vez mais vulneráveis, mesmo continuando a servir populações com poucas alternativas.

23 DE DEZEMBRO DE 2025, 17H45 - SALA DE IMPRENSA ZENIT

(ZENIT News / Aqaba, 23 de dezembro de 2025) – Às margens do Mar Vermelho, em uma cidade hoje mais conhecida por seu comércio e turismo, um capítulo inesperado da história cristã ressurgiu. Em Aqaba, no sul da Jordânia, um sítio arqueológico estudado há muito tempo por especialistas foi oficialmente aberto ao público: as ruínas de uma igreja que data do final do século III, amplamente considerada o mais antigo local de culto cristão construído especificamente para fins religiosos.

A cerimônia de inauguração, realizada em 15 de dezembro, teve repercussões que se estenderam muito além do âmbito arqueológico. Pela primeira vez desde o devastador terremoto que atingiu a região em 363, orações e cânticos litúrgicos ecoaram novamente dentro de muros que antecedem a legalização do cristianismo no Império Romano. Representantes da monarquia jordaniana, patriarcados cristãos e líderes religiosos reuniram-se no mesmo local onde os fiéis se encontravam em uma época em que o culto público cristão ainda era legalmente precário.

Um Sítio Arqueológico Estudado Há Muito Tempo Por Acadêmicos Foi Aberto Ao Público. Foto: Visit Jordan

O Ministro do Turismo da Jordânia, Emad Hijazin, inaugurou o local em nome do Rei Abdullah II, enfatizando a dupla importância do evento. Segundo ele, o sítio arqueológico reflete não apenas a herança cultural da Jordânia, mas também o compromisso contínuo do país em salvaguardar seu diversificado legado religioso. Aqaba, conhecida na antiguidade como Aila, vem sendo cada vez mais apresentada não apenas como um destino litorâneo, mas como um lugar onde a história espiritual permanece palpável.

A liturgia celebrada durante a cerimônia foi presidida pelo Arcebispo Christoforos de Kyriakoupolis, representante do Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém, marcando um momento de continuidade simbólica. Os líderes religiosos presentes enfatizaram a importância de restaurar o culto a um espaço que outrora serviu a uma comunidade cristã décadas antes do Édito de Milão, que concedeu a liberdade religiosa em 313.

Descoberta em 1998 por uma equipe liderada pelo arqueólogo americano Thomas Parker, a igreja foi construída entre aproximadamente 293 e 303 d.C., durante o reinado do imperador Diocleciano. Ao contrário dos locais de encontro cristãos anteriores — muitas vezes residências particulares adaptadas, conhecidas como domus ecclesiae — a estrutura de Aqaba foi construída desde os alicerces como uma igreja. Seu formato de basílica, com uma nave central, naves laterais e uma abside voltada para o leste, indica uma comunidade que já era litúrgica e organizacionalmente madura.

Descobertas arqueológicas no local, incluindo lâmpadas de vidro, cerâmica, moedas romanas e cemitérios próximos ligados à mesma comunidade, ajudaram a confirmar sua datação. Pequenos fragmentos de metal, interpretados como partes de uma cruz de bronze, reforçam ainda mais sua identidade cristã. Notavelmente, o edifício sobreviveu a períodos de perseguição e continuou em uso durante a era de um império cristianizado, até que um desastre natural pôs fim abruptamente à sua função.

A igreja de Aqaba é anterior a monumentos cristãos icônicos como a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém e a Basílica da Natividade em Belém. Sua importância lhe rendeu o reconhecimento no Guinness Book of World Records como a igreja mais antiga do mundo construída especificamente para o culto cristão, oferecendo uma perspectiva única sobre as décadas formativas da vida da igreja no mundo romano oriental.

Um Sítio Arqueológico Estudado Há Muito Tempo Por Acadêmicos Foi Aberto Ao Público. Foto: Visit Jordan

Nos últimos anos, as autoridades jordanianas, em colaboração com parceiros internacionais, realizaram um trabalho de conservação meticuloso. As paredes de tijolos de barro foram estabilizadas e um telhado protetor foi instalado para salvaguardar as ruínas dos danos causados ​​pelo clima. O sítio restaurado foi agora incorporado às rotas de peregrinação e turismo cultural da Jordânia, conectando a geografia bíblica com as evidências arqueológicas.

Para o bispo Iyad Twal, vigário do Patriarcado Latino de Jerusalém, na Jordânia, a reabertura da igreja é uma lembrança do papel histórico do país como encruzilhada de religiões. A Jordânia, afirmou ele, continua a representar um modelo de coexistência, onde as comunidades cristã e muçulmana compartilham uma herança comum enraizada no respeito e na continuidade.

Além de seu valor histórico, a igreja de Aqaba dialoga silenciosamente com o presente. Ela evoca uma época em que a identidade cristã se forjou sem proteção legal, sustentada por pequenas comunidades cuja fé sobreviveu tanto a impérios quanto a terremotos. O local oferece mais do que um vislumbre do passado: é um testemunho de uma fé que tomou forma arquitetônica antes de obter o favor imperial e que continua a encontrar um lar nessas terras séculos depois.

Fonte: https://es.zenit.org/

Silêncio de maravilha e adoração

Rembrandt, Adoração dos pastores com lanterna, 1º estado, gravura em água-forte e buril (BAV, detalhe)

“O Natal nos lembra que Jesus veio para nos revelar o verdadeiro rosto de Deus como Pai, para que todos pudéssemos nos tornar seus filhos e, portanto, irmãos e irmãs entre nós”. No espírito dessas palavras de Leão XIV, continua a colaboração entre a Biblioteca Apostólica Vaticana e a Vatican News: vivemos as festas na companhia das obras-primas das coleções pontifícias e dos ensinamentos dos Papas.

Paolo Ondarza - Vatican News

Parece uma cena retratada da vida real, quase um esboço. A imediatismo e a alta intensidade poética, favorecidas pelo brilho de uma lâmpada acesa, caracterizam “A Adoração dos Pastores” de Rembrandt. A gravura realizada em água-forte e buril por volta de 1654 está conservada na Biblioteca Apostólica Vaticana. Em primeiro plano está a Sagrada Família, enquanto à esquerda um grupo de pastores venera o Menino Jesus. O uso do claro-escuro confere relevo e volume às figuras, definidas por meio de traços rápidos que criam um equilíbrio habilidoso entre o branco e o preto.

Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Leida 1606 – Amsterdã 1669), [Adoração dos pastores com lanterna], 1º estado, gravura em água-forte e buril, cerca de 1654. BAV, Estampas V.98, prancha 3

De Leida a Amsterdã

Pintor e gravador holandês consagrado, Rembrandt Harmenszoon van Rijn formou-se primeiro em Leyda, sua cidade natal, e depois em Amsterdã, onde foi acolhido durante seis meses na oficina de Pieter Lastman. Este permitiu-lhe entrar em contato com a pintura italiana e europeia e com as sugestões caravaggistas, pelas quais ele próprio tinha sido influenciado graças a Adam Elsheimer. Posteriormente, decidiu estabelecer o seu estúdio em Amsterdã, onde se rodeou de um grande número de alunos para se dedicar à produção de retratos, temas históricos e religiosos.

© Biblioteca Apostólica Vaticana

Mestre da luz

Tanto na pintura quanto na gravura – são conhecidas quase mil folhas de sua autoria – ele se impôs no cenário artístico estabelecendo uma nova linguagem expressiva e superando os seus predecessores. O foco de suas experimentações é a luz, que se torna audaciosa a ponto de atingir uma intensidade e um drama nunca antes alcançados.

“Diante de cada presépio, até daqueles feitos nas nossas casas, revivemos aquele Acontecimento e redescobrimos a necessidade de procurar momentos de silêncio e oração na nossa vida, para nos reencontrarmos e entrarmos em comunhão com Deus. A Virgem Maria é o modelo do silêncio adorador! Contrariamente aos pastores que, voltando de Belém, glorificam Deus e contam o que viram e ouviram, a Mãe de Jesus conserva tudo no coração (cf. Lc 2,19). O seu silêncio não se limita a calar-se: é maravilha e adoração!”

© Biblioteca Apostólica Vaticana
© Biblioteca Apostólica Vaticana

(Leão XIV, Aos doadores do presépio e da árvore de Natal, 15 de dezembro de 2025)

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Cardeal Paulo Cezar Costa encerra o Ano Jubilar com mensagem de fé, liberdade e esperança cristã

Catedral de Brasília - Santa Missa de Encerramento do Ano Jubilar da Esperança (arqbrasilia)

A Arquidiocese de Brasília viveu, neste domingo (28/12), um momento marcante de fé e comunhão com o Encerramento do Ano Jubilar da Esperança, celebrado com Santa Missa solene na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, ao meio-dia.

28/12/2025

A Celebração Eucarística foi presidida pelo Cardeal Paulo Cezar Costa, Arcebispo Metropolitano de Brasília, e concelebrada pelos Bispos auxiliares: Dom Antonio de Marcos e Dom Denilson Geraldo, além de numerosos sacerdotes do clero arquidiocesano, com a assistência de diáconos.

A Catedral, completamente cheia, tornou-se sinal visível do que, segundo o Cardeal, foi um verdadeiro ano de graça para o povo de Deus. Logo no início da homilia, Dom Paulo Cezar agradeceu a presença dos fiéis e destacou a força espiritual vivida ao longo do Ano Jubilar.

“Essa Catedral cheia manifesta aquilo que nós sentimos: este foi verdadeiramente um ano de graça. As graças do Ano Jubilar tocaram a vida de cada um de nós, de nossas famílias, de nossas comunidades e da nossa sociedade”, disse.

Inspirado pelo tema do Ano Jubilar, o Arcebispo recordou que os cristãos foram chamados a viver como peregrinos da esperança, especialmente em um mundo marcado por crises, violência, ameaças à liberdade, descuido com a vida e com a casa comum. Em sua reflexão, alertou para o risco de uma sociedade que caminha sem esperança, dominada pela cultura do efêmero e do passageiro.

A imagem do peregrino, segundo Dom Paulo, revela a própria condição humana de seres em constante busca. O Cardeal recordou as grandes peregrinações narradas pela Sagrada Escritura, citando Abraão, Moisés, o povo de Israel, Jesus e os primeiros discípulos , e afirmou que a fé cristã é, essencialmente, um caminho. “Quem tem fé, caminha. A fé nos coloca na condição de peregrinos, como Igreja que peregrina rumo ao infinito de Deus”, afirmou o Arcebispo.

Ao meditar o Evangelho do dia, o Dom Paulo destacou a proteção de Deus à Sagrada Família, forçada a fugir para o Egito diante da tirania de Herodes. O Cardeal explicou que a narrativa bíblica revela uma profunda dimensão profética de que a tirania sempre ameaça a vida, a liberdade e a dignidade humana, mas não tem a palavra final.

“Os tiranos se acham donos da lei, da vida e da morte, mas a tirania é sempre ofensa a Deus e ao ser humano. Deus não se vence pela tirania, Ele vence os tiranos”, afirmou. Dom Paulo ressaltou ainda a figura de São José como homem justo, sempre disponível à vontade de Deus, por meio de quem o Senhor conduziu e protegeu o Seu Filho.

“Mesmo em meio às maldades e às vicissitudes da história, Deus realiza o Seu plano. A história da Sagrada Família revela que Deus age concretamente na vida do Seu povo e continua caminhando com a humanidade”, destacou.

Ao longo da homilia, o Cardeal salientou ainda que a esperança cristã não é vazia, mas nasce da certeza de que Deus caminha com o Seu povo, recordando testemunhos de cristãos perseguidos, como no Iraque, onde, mesmo sob ameaças e violência, as igrejas permaneciam cheias, sustentadas pela fé no Cristo vivo.

“O Senhor está presente na vida das nossas famílias. A família é igreja doméstica, comunidade de fé, de amor e de vida. Recordando o ensinamento de São Paulo VI. Segundo ele, é no cotidiano, na Eucaristia, na Palavra, na oração e no cuidado com os mais pobres que Deus continua fazendo história com o Seu povo”, frisou.

Ao encerrar o Ano Jubilar da Esperança, Dom Paulo convidou os fiéis a saírem da Catedral com o coração agradecido e pulsando de esperança. “Que essa grande esperança da fé sustente a nossa vida no dia a dia, diante dos problemas e desafios. A nossa esperança está no Senhor, que morreu e ressuscitou. Ele é a nossa grande esperança”, finalizou o Cardeal.

A Santa Missa de encerramento do Ano Jubilar na Arquidiocese de Brasília pode ser assistida no vídeo abaixo:

https://youtu.be/qTKx_xQA1xw

Fonte: https://arqbrasilia.com.br/

O Papa: que as miragens do mundo não sufoquem a chama do amor nas famílias

Angelus, 28/12/2025 - Papa Leão XIV (Vatican News)

No Angelus deste domingo da Sagrada Família, Leão XIV convidou a contemplar o mistério do Natal "com admiração e gratidão", a pensar "nas nossas famílias e na luz que elas também podem trazer à sociedade em que vivemos". "Infelizmente, o mundo sempre tem os seus “Herodes”, seus mitos de sucesso a qualquer custo, de poder sem escrúpulos, de bem-estar vazio e superficial, e muitas vezes paga as consequências com solidão, desespero, divisões e conflitos", disse o Papa.

https://youtu.be/nf7ZMs9qs8M

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus deste domingo, 28 de dezembro, Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice recordou que a Liturgia deste domingo nos apresenta a passagem da “fuga para o Egito”.

“É um momento de provação para Jesus, Maria e José. Realmente, no contexto luminoso do Natal, projeta-se, quase de repente, a sombra inquietante de uma ameaça mortal, que tem a sua origem na vida atormentada de Herodes, um homem cruel e sanguinário, temido pela sua brutalidade e, precisamente por isso, profundamente só e obcecado pelo medo de ser destronado.”

Deus está realizando o maior milagre da história

"Quando, através dos Magos", Herodes "toma conhecimento que nasceu o “rei dos Judeus”, sentindo-se ameaçado no seu poder, decreta a morte de todas as crianças com a idade correspondente à de Jesus. No seu reino, Deus está realizando o maior milagre da história, no qual se cumprem todas as antigas promessas de salvação; porém, ele não consegue vê-lo, cego pelo medo de perder o trono, as suas riquezas e os seus privilégios", disse o Papa, acrescentando:

“Em Belém, há luz e alegria: alguns pastores receberam o anúncio celestial e, diante do presépio, glorificaram a Deus, mas nada disso consegue penetrar além das defesas reforçadas do palácio real, a não ser como um eco distorcido de uma ameaça, a ser sufocada com uma violência cega.”

O valor da presença e da missão da Sagrada Família

"Não obstante, justamente essa dureza de coração evidencia ainda mais o valor da presença e da missão da Sagrada Família que, no mundo despótico e ganancioso que o tirano representa, é o ninho e o berço da única resposta de salvação possível: a de Deus que, em total gratuidade, se doa aos homens sem reservas e pretensões. E o gesto de José que, obediente à voz do Senhor, leva em segurança a Esposa e o Menino, manifesta-se aqui em todo o seu significado redentor. Com efeito, no Egito, a chama do amor doméstico a que o Senhor confiou a sua presença no mundo cresce e ganha vigor para levar luz ao mundo inteiro", disse ainda o Papa.

O mundo sempre tem os seus “Herodes”

“Enquanto contemplamos este mistério com admiração e gratidão, pensamos nas nossas famílias e na luz que elas também podem trazer à sociedade em que vivemos. Infelizmente, o mundo sempre tem os seus “Herodes”, seus mitos de sucesso a qualquer custo, de poder sem escrúpulos, de bem-estar vazio e superficial, e muitas vezes paga as consequências com solidão, desespero, divisões e conflitos. Não deixemos que essas miragens sufoquem a chama do amor nas famílias cristãs.”

"Pelo contrário, conservemos nelas os valores do Evangelho: a oração, a frequência aos sacramentos – especialmente a Confissão e a Comunhão –, os afetos saudáveis, o diálogo sincero, a fidelidade, a concretude simples e bela das palavras e dos bons gestos de cada dia. Isso torná-las-á luz de esperança para os ambientes em que vivemos, escola de amor e instrumento de salvação nas mãos de Deus", sublinhou Leão XIV.

Sinal eficaz da sua presença

“Então, peçamos ao Pai do Céu, por intercessão de Maria e de São José, que abençoe as nossas famílias e as do mundo inteiro, para que, crescendo segundo o modelo da família do seu Filho feito homem, elas sejam para todos um sinal eficaz da sua presença e da sua caridade sem fim.”

Continuemos a rezar pela paz

Após a oração mariana do Angelus, o Papa saudou os fiéis e peregrinos provenientes da Itália e outros países. A seguir, disse:

“À luz do Natal do Senhor, continuemos a rezar pela paz. Hoje, em particular, rezemos pelas famílias que sofrem por causa da guerra, pelas crianças, pelos idosos e pelos mais frágeis. Confiemos juntos à intercessão da Sagrada Família de Nazaré.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

domingo, 28 de dezembro de 2025

Quando o ano termina: um tempo de olharmos para dentro

PeopleImages | Shutterstock

Talita Rodrigues - publicado em 26/12/25

O fim de ano costuma chegar carregando um brilho que, para muitos, ilumina; para outros, quase cega. As ruas enfeitadas, as músicas repetidas, as expectativas de celebração… tudo isso cria a sensação de que deveríamos estar vivendo alguma espécie de alegria coletiva. Mas, por dentro, nem sempre é assim.

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Psicologicamente, essa época funciona como um espelho bem nítido. Diante dela, somos convidados — às vezes sem querer — a encarar o que fizemos, o que adiamos, o que não conseguimos sustentar. É como se uma contagem regressiva acendesse também as nossas próprias urgências internas. Por isso surgem perguntas que não fazem barulho, mas fazem presença: “O que eu vivi?”, “O que ficou faltando?”, “Quem sou eu agora?”, “Será que estou onde gostaria de estar?”.

Essas perguntas não são sinais de fraqueza. São sinais de humanidade.

O fim de ano também costuma tocar em lugares sensíveis: a ausência de alguém, uma cadeira vazia à mesa, uma conversa interrompida, um sonho antigo que ainda não chegou

Há quem se sinta deslocado nas festas, como se estivesse presente apenas no corpo, mas distante em alma. Há quem sinta que está tudo rápido demais, ou lento demais. Há quem apenas deseje que esse período passe.

E tudo isso merece ser acolhido com delicadeza.

O que fazer?

Quando permitimos que as emoções apareçam sem julgá-las, elas nos mostram algo importante. A tristeza costuma revelar o que valorizamos. A saudade lembra que existe amor. A frustração aponta para nossos desejos não ditos. O vazio, por mais incômodo que seja, muitas vezes é um pedido silencioso de reconexão — com a própria história, com o próprio ritmo, com a própria verdade.

Nessa travessia, vale a pena criar pequenos espaços de pausa. Para respirar, sentir o corpo, deixar a mente descansar das cobranças externas. Há algo profundamente terapêutico em escutar a si mesmo com o mesmo cuidado que se escuta alguém querido. Talvez o fim de ano não seja um tempo de grandes festas, mas pode ser um tempo de pequenas honestidades: escrever uma carta para o próprio eu, revisitar memórias com mansidão, agradecer o que foi possível, nomear o que ainda dói, permitir-se planejar passos curtos para o que vem.

E, dentro de tudo isso, é importante lembrar da esperança — não aquela esperança romântica, que promete que tudo dará certo de repente, mas a esperança como virtude: aquela que brota devagar, que pede esforço, que se alimenta de gestos simples e de uma confiança discreta no futuro. A esperança que não nega a dor, mas a atravessa; que não garante respostas, mas oferece caminhos.

O fim de ano pode ser, então, menos sobre contabilizar o que faltou e mais sobre reconhecer o que se sustentou. Menos sobre metas grandiosas e mais sobre recomeços humildes. Menos sobre a pressão de estar bem e mais sobre a coragem de estar inteiro — mesmo que isso signifique estar frágil.

Se há algo que esse tempo nos convida a aprender, talvez seja isto: não precisamos terminar o ano prontos. Basta terminarmos verdadeiros. E, nesse espaço de verdade, a esperança encontra sempre uma forma de acender — às vezes como uma chama pequena, mas firme o suficiente para iluminar o caminho que começa de novo.

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Fonte: https://pt.aleteia.org/

Santos Inocentes

Santos Inocentes (Canção Nova)

SANTOS INOCENTES

28/12/2025

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

A Igreja celebra, no dia 28 de dezembro, a festa litúrgica dos Santos Inocentes. Como esse dia cai no domingo neste ano, no lugar dessa celebração iremos celebrar a Festa da Sagrada Família. Porém, é bom recordar um pouco dessa festa dos Santos Inocentes que ocorre três dias após o Natal e dentro do período da Oitava do Natal. Outras festas de santos importantes acontecem ao longo da Oitava do Natal, que é o período entre o Natal e a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, em 1º de janeiro. A Oitava do Natal são oito dias em que celebramos a alegria do Natal; é como se a cada dia dessa semana fosse Natal, e podemos desejar Feliz Natal uns aos outros. Isso porque o mistério do Natal é tão grande que não pode ser resumido em apenas uma celebração. 

Conforme falamos, além dos Santos Inocentes, ao longo da Oitava do Natal acontecem outras festas de santos importantes da Igreja, que dão um sentido ainda maior à Oitava do Natal. No dia 26 de dezembro, a Igreja celebra Santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, que teve Saulo como testemunha, que depois se tornaria Paulo. No dia 27, celebramos São João Apóstolo e Evangelista, que esteve aos pés da cruz de Jesus e cuidou de Nossa Senhora. No dia 28 de dezembro, celebramos os Santos Inocentes, que são meninos de zero a dois anos que Herodes mandou matar pensando encontrar, em algum deles, Jesus. Além disso, temos a festa da Sagrada Família, normalmente no domingo seguinte ao Natal, neste ano, 28 de dezembro, e a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, em 1º de janeiro, fechando a Oitava do Natal. Em seguida, segue o Tempo do Natal até a festa do Batismo do Senhor. 

Em especial, neste ano, a festa da Sagrada Família será celebrada no domingo, dia 28, que é o domingo seguinte ao Natal. Com isso, a festa dos Santos Inocentes é suprimida. É claro que não deixaremos de lembrar dos Santos Inocentes, mas a liturgia desse domingo será da Sagrada Família. 

Meus irmãos, neste domingo em especial acontecerá o encerramento do Ano Jubilar da Esperança, que vivemos ao longo deste 2025. Convido a todos a participarem da missa em nossa Catedral, onde acontecerá uma Missa de Ação de Graças especial pela clausura do Ano Jubilar da Esperança. Viver um Ano Jubilar é uma grande graça de Deus para todos nós, e muitas graças são derramadas sobre todos. Por isso, celebremos a festa da Sagrada Família, encerremos o Ano Jubilar e lembremos dos Santos Inocentes. Como podemos observar, temos muitos motivos para celebrar e agradecer a Deus neste domingo. Nesse dia também iremos assinar a nossa carta pastoral com as conclusões do II Sínodo Arquidiocesano e comemoraremos a 13ª Festa da Unidade transferida, neste ano, para essa ocasião. 

Herodes ao ouvir falar que tinha nascido o rei dos judeus achava que Jesus veio para ocupar o seu lugar, e ele acreditava que somente ele seria o rei de Israel. Diante disso, Herodes manda matar todos os meninos de zero a dois anos, achando que um deles seria Jesus. Depois que os magos foram embora, o anjo aparece em sonho a José e pede que ele pegue Maria e o Menino e vá para o Egito, a fim de que Herodes não os encontre. O anjo pede que José permaneça lá com Maria e o Menino até nova ordem. Então, durante a noite, José pegou Maria e o Menino e retirou-se para o Egito. 

Por isso, a Igreja celebra nessa data os “Santos Inocentes”, pois são crianças indefesas, sem culpa alguma, que Herodes, por inveja e ciúmes, mandou matar. Os Santos Inocentes são padroeiros de todas as crianças abandonadas. Essa festa foi instituída por São Pio V e nos ajuda a viver com profundidade esse tempo da Oitava do Natal. 

A Sagrada Família permanece no Egito até a morte de Herodes, para se cumprir aquilo que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”. Depois, eles retornam e conseguem continuar a vida. Por isso, Jesus sempre defendeu e acolheu todas as crianças. 

Não temos como calcular o número de crianças que foram arrancadas dos braços de suas mães e depois assassinadas, sem poderem se defender ou ter a oportunidade de expressar a sua fé. Como todos os mártires, elas tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, porém sem a possibilidade de defesa. O relato evangélico desse dia encontra-se no Evangelho de Mateus. 

A celebração da festa dos Santos Inocentes nos chama a refletir sobre a situação de muitas crianças nos dias de hoje, que também podem ser consideradas “santos inocentes”. Crianças que não têm o direito de nascer, ou seja, são abortadas; crianças que são exploradas sexualmente, obrigadas a trabalhar desde cedo ou que vivem em situação de extrema vulnerabilidade. Enfim, rezemos por todas as crianças, para que sejam respeitadas em sua dignidade e possam crescer em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens. 

Podemos dizer que os Santos Inocentes são os primeiros mártires da Igreja, pois são celebrados apenas três dias após o Natal. Todo ser humano tem o direito de nascer, amadurecer, envelhecer e depois morrer; não podemos interromper nenhuma vida, seja qual for a idade. Vale ressaltar também que essa festa nos leva a refletir que não devemos fazer justiça com as próprias mãos, nem alimentar inveja ou ciúmes de ninguém, como fez Herodes. A inveja e o ciúme não são sentimentos cristãos. Não podemos achar que o outro vai ocupar o nosso lugar; em qualquer ambiente em que estivermos, devemos seguir em frente, dar o nosso melhor e continuar o nosso trabalho. 

Por esses inocentes e por nós, como cristãos, que possamos construir um mundo mais justo, solidário e fraterno, e criar aqui na terra um lugar bom para se viver, para crianças, idosos e adultos, para que todos vivam em harmonia. Com certeza, toda criança que morre, seja por qualquer motivo, está no céu, ao lado de Jesus. Jesus tinha um carinho especial pelas crianças e deixava que se aproximassem d’Ele. Com certeza, temos no céu grandes intercessores. As crianças são puras e inocentes e não têm culpa das brigas e confusões dos adultos. Precisamos cuidar e amar todas as crianças, educá-las com fé e amor, e tomar o cuidado de nunca as machucar, seja fisicamente ou interiormente. 

Apesar de ser domingo e festa da Sagrada Família, recordemos com esperança renovada este dia, fazendo memória dos Santos Inocentes, pedindo, sobretudo, que as crianças de hoje tenham paz, proteção e uma vida digna aos olhos de Deus e dos homens. Que todas as crianças tenham, em primeiro lugar, o direito à vida; depois, à saúde e à educação. Peçamos melhores condições de vida para todas as crianças e que nenhuma morra precocemente.  

Oração aos Santos Inocentes 

“Meu Senhor, pelos Santos Inocentes, quero Vos rogar hoje por todos aqueles que são injustiçados, sofrem ameaças, são marginalizados e incompreendidos. Olhai pelos pequeninos, abandonados e assassinados pelas estruturas de morte de nossa sociedade. Que, convosco, eles alcancem dignidade e paz. Amém.” 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

A encarnação do Verbo

O Mistério da Encarnação do Verbo (Arca de Maria | You Tube)

Santo Agostinho "convidava os seus fiéis a observar a realidade do Verbo de Deus feito carne, na maior humildade, para não envergonhar-se de ser um jumento do Senhor, porque foi esse animal que conduziu Jesus para a entrada de Jerusalém. É bom fazer lembrança do jumento conduzido ao Senhor , ninguém se envergonhe disso, porque somos nós que devemos carregar o Senhor, encontrar-se com Ele. Nós somos convidados a viver a graça da encarnação do Verbo de Deus, feito carne para a nossa salvação".

Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá  (PA)

Nós estamos festejando o grande acontecimento divino e humano, que é o santo Natal, mistério tão próximo e infinito, o nascimento de Jesus em nossa realidade humana e pecadora, na qual o Senhor se fez carne e veio habitar no meio de nós (cf. Jo 1,14). Ele foi anunciado pelos patriarcas, os profetas no sentido do Messias que devia vir a o mundo, o Salvador da humanidade. Veremos a seguir este mistério a partir dos santos padres, os primeiros escritores do cristianismo.

O sentido da encarnação do Verbo

 Santo Ireneu de Lião, bispo do século III afirmou diante dos gnósticos, negadores da encarnação, que o Senhor assumiu a carne humana, isto é a realidade humana em tudo menos o pecado cfr. Hb 2,17). O Verbo de Deus recebeu de Maria a geração da recapitulação de Adão. Se os primeiros seres humanos foram tirados da terra e modelados pelo Verbo de Deus, mas que caíram no pecado e na morte, era necessário que este mesmo Verbo, efetuando em si a recapitulação de Adão e de todos os seus descendentes, tivesse geração semelhante à dele. Desta forma não houve uma segunda obra modelada porque foi salva a primeira pelo Verbo encarnado que modelou a primeira obra humana[1].

Ele se fez carne (cf. Jo 1,14)

Diante do argumento que Jesus não tomou nada de Maria, nada da carne humana, Santo Ireneu levantou a pergunta no sentido de que ‘Como isso seria possível não viver a realidade humana, o Verbo que veio do Pai’? O Bispo de Lião colocou a contrariedade do argumento gnóstico que se Ele não recebeu de nenhum ser humano a substância da sua carne, Ele não se fez pessoa humana, nem Filho do Homem. Portanto, se Ele não se fez o que nós éramos, não tinha importância nem o valor do sofrimento e do padecimento pela qual Ele teve que passar na sua paixão, morte de cruz para chegar à glória da ressurreição. Mas nós acreditamos que Ele se fez carne (cf. Jo 1,14) porque Jesus tomou carne de Maria, assumindo toda a realidade humana, com as suas alegrias, dificuldades, problemas, esperanças, espalhando o amor de Deus entre o povo e os seus discípulos. Ele recapitulou em si toda a vida humana, salvando a obra de suas mãos[2].

 A encarnação e a eucaristia

Tertuliano, Padre da Igreja, Norte Africano, dos séculos II e III deu importância à encarnação do Verbo de Deus diante também dos gnósticos que negavam a presença do Senhor na eucaristia, na cruz do sofrimento e da dor de Jesus. O fato era que Jesus desejou ardentemente comer a Páscoa, porque de fato era a sua Páscoa e seria indigno se Deus tivesse desejado alguma coisa que não fosse a sua carne. Por isso, ao tomar o pão disse Jesus que era o seu corpo, figura do seu próprio corpo(Lc 22,19). Como era o seu corpo, não foi uma coisa vazia a sua morte de cruz, de modo que no pão tomado por Ele, estava o seu corpo dado para nós e para a nossa salvação[3].

A encarnação, a cruz e a eucaristia

Tertuliano afirmou também que Jesus Cristo iluminou todas as figuras antigas e realizou todas as promessas feitas a seu respeito. Ele chamou o pão o seu corpo e explicou o significado do pão, verdadeiro alimento para a vida eterna. Da mesma forma falou do cálice (cfr. Lc 22,20) e estabeleceu o pacto selado com o seu sangue derramado ao longo de sua paixão e morte confirmando a sua substância corpórea. Desta forma o sangue não podia ser de nenhum corpo que não fosse de carne. Jesus derramou o seu sangue em vista da redenção humana[4].

 Jesus Cristo encheu o mundo

Santo Agostinho, Bispo de Hipona, Norte da África, séculos IV E V afirmou que Jesus Cristo encheu o mundo, pois Ele era o seu Criador junto com o Pai e o Espírito Santo. Desta forma, ao se encarnar Ele não encontrou lugar na hospedaria, mas Ele foi colocado numa manjedoura (cf. Lc 2,7) e Ele se fez nossa alimento. Dois animais se acostaram no presépio: o boi que conheceu o seu patrão e o burro a manjedoura, o coxo de seu Senhor (cfr. Is 1,3). O bispo convidava os seus fiéis a observar a realidade do Verbo de Deus feito carne, na maior humildade, para não envergonhar-se de ser um jumento do Senhor, porque foi esse animal que conduziu Jesus para a entrada de Jerusalém. É bom fazer lembrança do jumento conduzido ao Senhor (cf. Lc 19,34-35) ninguém se envergonhe disso, porque somos nós que devemos carregar o Senhor, encontrar-se com Ele. Nós somos convidados a viver a graça da encarnação do Verbo de Deus, feito carne para a nossa salvação[5].

Nós desejamos um Feliz Natal com o Senhor Jesus que se fez pessoa humana para nos elevar até à divindade. Somos irmãos e irmãs uns aos outros para viver a alegria do Natal, do amor a Deus, ao próximo como a si mesmo, do encontro com o Senhor Jesus na eucaristia, na sua palavra de salvação e em todas as pessoas de nossas famílias, comunidades, sobretudo aquelas mias necessitadas. O Natal possibilite vida nova para todos nós aqui e agora e um dia na eternidade.

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[1] Cfr. Ireneu de Lião, III,21,10. São Paulo; Paulus, 1995, pg. 349.
[2] Cfr. Idem, III,22,2. In: Idem, pgs. 350-351.
[3] Cfr. Tertulliano. Contro Marcione, IV, cap. 40,1-5. In; Gerardo di Nola. Monumenta Eucharistica. La Testimonianza dei Padri della Chiesa. Roma: Edizioni Dehoniane. 1994, pg. 128.
[4] Cfr. Idem, pgs 128-129.
[5] Cfr. Agostino d`Ippona. Sermone 189,4. In: Ogni giorno con i Padri della Chiesa. Milano: Paoline, pg 396.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Sagrada Família de Nazaré (A)

Sagrada Família (Vatican News)
Ano A

Seguindo o exemplo da Família de Nazaré, as nossas famílias, como as famílias humanas, podem aprender a deixar-se guiar pela poderosa mão de Deus.

Vatican News

Celebra-se a festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José no domingo após o Natal. Esta festa desenvolveu-se a partir do século XIX, no Canadá e, depois, em toda a Igreja, a partir de 1920. No início, era celebrada no domingo após a Epifania. Esta festa tem o intuito de apresentar a Sagrada Família de Nazaré como "verdadeiro modelo de vida" (Coleta), no qual as nossas famílias possam se inspirar e encontrar ajuda e conforto.

Texto:  (Mt 2,13-15,19-23)

“Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: do Egito chamei o meu filho". Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino”. José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Ao receber o aviso divino em sonhos, retirou-se para a região da Galileia, onde foi morar na cidade de Nazaré, para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: “Será chamado Nazareno” (Mt 2,13-15,19-23).

Família “em movimento”

O que mais chama a atenção na leitura do texto do Evangelho são os muitos verbos de "movimento": partir, levantar-se, fugir, refugiar-se, morar... O mapa geográfico também não fica muito atrás: Belém, Egito e, depois, Nazaré. Podemos encontrar, com certeza, a chave destes "movimentos" na citação do profeta Oséias: "Do Egito chamei meu filho": lugar de refúgio para os perseguidos e ponto de partida do Êxodo de Israel. Desta forma, a Família de Nazaré retoma o caminho de tantos perseguidos e refugiados, ao longo da história, mas, ao mesmo tempo, confia na mão poderosa de Deus, que sabe libertar seu povo.

A experiência da Sagrada Família leva-nos a pensar nas tantas famílias que, hoje, estão "em movimento". Essas famílias, certamente, são obrigadas a deixar suas casas e suas terras em busca de paz, serenidade e trabalho; faz-nos pensar também naquela apreensão, que nossas famílias cultivam, pela preocupação de não chegar ao final do mês, por causa dos problemas econômicos, da instabilidade emocional dos cônjuges, do medo das doenças...

Seguindo o exemplo da Família de Nazaré, as nossas famílias, como as famílias humanas, podem aprender a deixar-se guiar pela poderosa mão de Deus. Por um lado, em muitas situações, sentimo-nos "refugiados", estrangeiros na nossa própria terra ou no coração de quem amamos; por outro, todos os obstáculos e dificuldades podem transformar-se em uma oportunidade de "êxodo" e de "conversão", que nos conduzem à serenidade, à paz, à estabilidade.

O Espírito Santo fala às famílias de hoje

O Espírito Santo continua, ainda hoje, a guiar "todos os povos", "todos os casais", "todos os pais". Porém, temos que ouvir o que o Espírito nos fala. Se o Filho de Deus vem ao nosso encontro, através de um Menino, e se o nosso olhar de fé pode captar esta presença, então temos que lembrar que as coisas do dia a dia tem sua importância; os encontros cotidianos nunca são inúteis ou puras coincidências. Por isso, é preciso manter nosso olhar de fé, dentro e ao nosso redor, pois podemos encontrar ou rejeitar a presença de Deus em todos os lugares, porque tudo é um sinal, para quem acredita.

Evangelho da família

Viver o Evangelho da família, sobretudo hoje, não é fácil: somos criticados ou atacados porque defendemos a vida, desde o seio materno. No entanto, o Evangelho nos mostra o caminho, talvez exigente, para vivermos uma vida digna, em nível pessoal e familiar, mas fascinante e totalizante: um caminho que, ainda hoje, merece confiança e crédito, sob o exemplo e intercessão da Família de Nazaré. Em toda família há momentos de felicidade e tristeza, de tranquilidade e dificuldades. Esta é a vida. Viver o "Evangelho da família" não nos dispensa de passar por dificuldades e tensões, momentos de alegre fortaleza e de triste fragilidade. As famílias feridas e marcadas pela fragilidade, fracassos, dificuldades... podem reviver, se souberem haurir da fonte do Evangelho; assim, poderão encontrar novas possibilidades para recomeçar.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sábado, 27 de dezembro de 2025

Leão XIV diz que o cristão não tem inimigos, mas irmãos e irmãs

Papa Leão XIV na varanda do Palácio Apostólico, no Vaticano. | Captura de tela - Vatican Media

Por Victoria Cardiel*

26 de dez de 2025 às 12:09

O papa Leão XIV exortou hoje (26) à unidade e à fraternidade, dizendo que os cristãos “não têm inimigos, mas irmãos e irmãs", mesmo diante de desentendimentos.

“O cristão, porém, não tem inimigos, mas irmãos e irmãs, que continuam a sê-lo mesmo quando não estão de acordo”, disse ele da varanda do Palácio Apostólico, no Vaticano.

Na oração do Ângelus na festa de santo Estêvão, o primeiro mártir cristão, o papa disse que o Mistério do Natal consiste em reconhecer em cada pessoa, mesmo nos “adversários”, “a dignidade indelével das filhas e dos filhos de Deus”.

Em sua reflexão, Leão XIV disse que aqueles que hoje acreditam na paz e escolhem “o caminho desarmado de Jesus e dos mártires” são frequentemente “ridicularizados” e “excluídos do debate público”, ou até mesmo “acusados ​​de favorecer adversários e inimigos”.

O papa disse que o cristão não tem inimigos, uma convicção que, segundo ele, é fonte de alegria "motivada pela tenacidade de quem já vive a fraternidade".

Leão XIV centrou sua mensagem na figura de santo Estêvão, diácono da Igreja primitiva em Jerusalém e a primeira testemunha a derramar seu sangue por Cristo. Apedrejado depois de ser acusado de blasfêmia, ele morreu perdoando seus algozes, entre eles Saulo de Tarso, o futuro são Paulo Apóstolo. A Igreja celebra sua festa em 26 de dezembro, logo depois do Natal, como sinal da união entre o nascimento do Salvador e o testemunho até o fim.

O martírio é um “nascimento para o Céu”.

“Hoje é o natal de santo Estêvão, como costumavam dizer as primeiras gerações cristãs, certas de que não se nasce só uma vez”, disse o papa. Inspirando-se no relato dos Atos dos Apóstolos, ele disse que aqueles que testemunharam seu martírio “ficaram surpreendidos com a luz do seu rosto”.

“Está assim escrito: Todos os membros do Sinédrio tinham os olhos fixos nele e viram que o seu rosto era como o rosto de um Anjo» (cf At6, 15)”, disse ele. “É o rosto de quem não passa indiferente pela história, mas a enfrenta com amor”.

Leão XIV disse que o martírio é “um nascimento para o Céu” e que, numa perspectiva de fé, mesmo a morte “já não significa só trevas”.

“Viemos ao mundo sem decidir, mas passamos depois por muitas experiências nas quais nos é pedido, cada vez mais conscientemente, que venhamos à luz, que escolhamos a luz”, disse o papa.

O nascimento do Filho de Deus “convida-nos a viver como filhos de Deus, tornando-o possível”, com um “movimento de atração” como o vivido por “pessoas humildes” como Nossa Senhora, são José e os pastores em Belém.

Ele disse que a beleza de Jesus e daqueles que vivem como Ele “é uma beleza rejeitada”, porque sua “força magnética” provocou, desde o princípio, “a reação de quem teme pela sobrevivência do seu poder, de quem é desmascarado na sua injustiça por uma bondade que revela os pensamentos dos corações (cf. Lc 2, 35)”.

Nenhum poder pode prevalecer sobre a obra de Deus

“Até hoje, poder algum prevalece sobre a obra de Deus”, disse o papa. Assim, ele disse que em todo o mundo existem pessoas que escolhem a justiça “mesmo que isso tenha um custo” e “anteponha a paz aos próprios medos”.

“Então, apesar de tudo, brota a esperança e faz sentido estar em festa”, disse Leão XIV.

“Nas condições de incerteza e sofrimento do mundo atual, a alegria pareceria impossível”, disse ele.

Santo Estêvão morreu perdoando, como Jesus Cristo, por uma força “mais verdadeira do que a das armas”, disse o papa.

“Sim, isto é renascer, isto é vir novamente à luz, isto é o nosso Natal”, disse ele, antes de confiar os fiéis a Nossa Senhora, “bendita entre todas as mulheres que servem a vida”, para que ela conduza a Igreja a uma alegria que “dissolve todo o medo e toda a ameaça”.

Ao fim da oração do Ângelus, o papa fez uma saudação aos peregrinos reunidos na praça de São Pedro, renovando "sinceramente" seus votos de paz e serenidade "na luz do Natal do Senhor".

“Saúdo todos os fiéis de Roma e os peregrinos vindos de tantos países”, disse Leão XIV, antes de invocar a intercessão de santo Estêvão. Assim, ele confiou à sua intercessão as comunidades de cristãos perseguidos e pediu que o seu testemunho “fortaleça a nossa fé e sustente as comunidades que mais sofrem por causa do seu testemunho cristão”.

Leão XIV falou sobre o valor do exemplo do protomártir, destacando sua mansidão, coragem e perdão. "Que o seu exemplo de mansidão, coragem e perdão acompanhe todos aqueles que estão envolvidos em situações de conflito para promover o diálogo, a reconciliação e a paz", exortou ele.

*Victoria Cardiel é jornalista especializada em temas de informação social e religiosa. Desde 2013, ela cobre o Vaticano para vários veículos, como a agência de noticias espanhola Europa Press, e o semanário Alfa y Omega, da arquidiocese de Madri (Espanha).

Fonte: https://www.acidigital.com/

O Papa aos jovens de Taizé: sejam construtores da paz e portadores da esperança

Taizé em Paris 2025-2026 | Vatican News.

Numa mensagem assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, aos participantes do 48º Encontro Europeu de Fim de Ano, organizado em Paris pela Comunidade Monástica Francesa, Leão XIV faz votos de que os momentos de oração e partilha possam ajudar a aprofundar a sua fé e a discernir "como viver o Evangelho na realidade concreta".

Vatican News

Um convite para ser "peregrinos da confiança, construtores da paz e da reconciliação, capazes de levar uma esperança humilde e alegre aos que os rodeiam". Este é o convite de Leão XIV aos jovens reunidos de domingo, 28 de dezembro, a 1° de janeiro, em Paris, e na região da Île-de-France, para o 48.º Encontro Europeu, organizado anualmente pela Comunidade de Taizé. O Pontífice enviou uma mensagem assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, aos cerca de 15 mil participantes, de 18 aos 35 anos, que, a convite das Igrejas na Europa de várias confissões, se reunirão em oração e partilha, num espírito de celebração e amizade. O Papa lhes assegura sua proximidade espiritual.

Ter certeza de ter Jesus ao seu lado

Agradecido por saber que os jovens estarão reunidos "numa cidade marcada por uma rica herança religiosa, moldada ao longo dos séculos pelo testemunho luminoso de tantas figuras de santidade que, cada uma à sua maneira, responderam corajosamente ao chamado de Cristo", o Papa observa que "o tema da Carta escrita este ano pelo frei Mateus, prior de Taizé, 'O que procuram?', aborda uma questão essencial que reside no coração de cada ser humano" e nos convida a não a temê-la, "mas a carregá-la em oração e silêncio", na certeza de ter Cristo ao nosso lado e na convicção de que Ele "se deixa encontrar por aqueles que o procuram com um coração sincero".

Viver o Evangelho na realidade concreta

Para Leão XIV, neste ano "marcado por tantas provações" para a humanidade, a generosa hospitalidade que os jovens estão recebendo em Paris "de fiéis de todas as origens e de pessoas de boa vontade é uma mensagem poderosa para o mundo". "Que os momentos de oração e partilha que vocês viverão nestes dias os ajudem a aprofundar a sua fé, discernindo cada vez mais claramente como viver o Evangelho na realidade concreta de suas vidas", ressalta o Papa.

Comunhão e fraternidade

A mensagem, que destaca o "momento eclesial particular, marcado pelo encerramento de um Ano Jubilar e pelas comemorações dos 1.700 anos do Concílio de Niceia", recorda também que, durante o encontro ecumênico de oração em Iznik, o Pontífice falou da reconciliação como "um apelo que vem de toda a humanidade afligida por conflitos e violência". Por fim, enfatiza que "o desejo de plena comunhão entre todos os fiéis em Jesus Cristo é sempre acompanhado pela busca da fraternidade entre todos os seres humanos".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF