Na Audiência Geral desta quarta-feira (08/04), Leão XIV
abordou o tema da vocação dos fiéis à santidade, proposto no quinto capítulo da
Constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II. Ela não é um privilégio de
poucos, disse o Papa, mas um dom que compromete os batizados ao seguir o modelo
de Cristo através da caridade, do amor a Deus e ao próximo: "até o
sofrimento, vivido em união com a paixão do Senhor, se torna um caminho para a
santidade".
Andressa Collet - Vatican News
O Papa Leão XIV, em continuidade à reflexão
da Constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II,
dedicou a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (08/04) ao quinto
capítulo do documento sobre a vocação de todos à santidade, da qual o
modelo é Cristo. Cada um de nós é chamado a viver na graça de Deus, disse o Pontífice,
"praticando as virtudes e conformando-se com Cristo. A santidade, segundo
a Constituição Conciliar, não é um privilégio para poucos, mas um dom que
compromete cada batizado a procurar a perfeição da caridade, isto é, a
plenitude do amor a Deus e ao próximo. A caridade é, com efeito, o cerne da
santidade a que todos os fiéis são chamados".
Essa disponibilidade de testemunho, continuou Leão, se
concretiza através "de sinais de fé e de amor na sociedade,
comprometendo-se com a justiça", até estar pronto a confessar Cristo com o
martírio. Mas todos os sacramentos, sobretudo a Eucaristia, "são
alimento que promove uma vida santa", tomando Cristo como modelo que torna
a Igreja santa, mas não necessariamente "plena e perfeitamente
santa": "a triste realidade do pecado, isto é, em todos nós",
exige-lhe a conversão, que faz parte da essência da vida cristã e não se reduz
a um mero empenho ético. O convite é para que cada um possa
"empreender uma séria mudança de vida, confiando-se ao Senhor, que nos
renova na caridade".
As virtudes dos consagrados para a santidade
Nesta perspectiva, continuou a refletir Leão XIV, a Vida
Consagrada desempenha um papel decisivo. O tema é abordado no sexto capítulo da
Constituição Conciliar, ao explorar a união com Jesus realizada de modo radical
através da pobreza, da castidade e da obediência:
"Estas três virtudes não são prescrições que
aprisionam a liberdade, mas dons libertadores do Espírito Santo, pelos quais
alguns fiéis se consagram totalmente a Deus. A pobreza exprime a plena
confiança na Providência, libertando do cálculo e do interesse próprio; a
obediência toma como modelo o dom de si que Cristo fez ao Pai, libertando da
suspeita e da dominação; a castidade é a doação de um coração íntegro e puro de
amor, ao serviço de Deus e da Igreja."
O caminho de santidade da Vida Consagrada
Ao acolher esses conselhos evangélicos como estilo de vida,
disse o Papa, os consagrados "testemunham a vocação universal à santidade
de toda a Igreja", manifestando plena participação na vida de Cristo até a
cruz, sendo sinal profético de um mundo novo:
"É precisamente pelo sacrifício do Crucificado que
todos somos redimidos e santificados! Contemplando este acontecimento, sabemos
que não há experiência humana que Deus não redima: até o sofrimento, vivido em
união com a paixão do Senhor, se torna um caminho para a santidade. A graça que
converte e transforma a vida fortalece-nos, assim, em cada provação,
apontando-nos não para um ideal longínquo como meta, mas para o encontro com
Deus, que se fez homem por amor."

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