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quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Papa Francisco apresenta as bem-aventuranças do bispo

Papa Francisco e imagem do Bom Pastor no folheto entregue
aos bispos / Crédito: Daniel Ibáñez (ACI Prensa)

Vaticano, 23 nov. 21 / 08:55 am (ACI).- Nesta segunda-feira, 22 de novembro, o papa Francisco distribuiu aos bispos italianos um folheto com a imagem de Jesus Bom Pastor e as "Bem-aventuranças do Bispo".

O diário Avvenire, da Conferência Episcopal Italiana (CEI), informou que o texto foi retirado de uma homilia do arcebispo de Nápoles, dom Domenico Battaglia.

O texto foi entregue pelo papa no início do diálogo com os bispos no Ergife Palace Hotel, em Roma, onde, até 25 de novembro, se realiza a 75ª assembleia geral extraordinária da CEI com o tema "Caminho sinodal da Igreja na Itália".

Ao chegar ao local, o papa foi recebido pelo cardeal Gualtiero Bassetti, presidente da CEI, e por outros membros da direção da entidade.

Vatican News em italiano falou brevemente com dom Stefano Russo, secretário-geral da CEI, que comentou que o encontro foi "muito belo e familiar".

“O folheto que ele nos deu é uma exortação para que o bispo seja sempre uma testemunha de misericórdia. O tema desta assembleia é o caminho sinodal das Igrejas na Itália”, disse o bispo.

“Vivemos o tempo da escuta e como sempre o papa, antes de mais ninguém, dá o testemunho. Hoje ele está entre nós, bispos, e se pôs a escutar”.

As "Bem-aventuranças do bispo", escritas em italiano e que o papa Francisco deu aos bispos presentes, são as seguintes:

Bem-aventurado o bispo que faz da pobreza e da partilha o seu estilo de vida, porque com o seu testemunho está construindo o Reino dos céus.

Bem-aventurado o bispo que não tem medo de molhar o rosto com lágrimas, para que nelas possam se refletir as dores do povo, o cansaço dos presbíteros, encontrando no abraço com quem sofre a consolação de Deus.

Bem-aventurado o bispo que considera o seu ministério um serviço e não um poder, fazendo da mansidão a sua força, dando a cada um o direito de cidadania no seu próprio coração, de habitar na terra prometida aos mansos.

Bem-aventurado o bispo que não se fecha nos palácios do governo, que não se torna um burocrata atento mais às estatísticas do que aos rostos, aos procedimentos do que às histórias, procurando lutar ao lado do homem pelo sonho de justiça de Deus, porque o Senhor, encontrado no silêncio da oração cotidiana, será seu alimento.

Bem-aventurado o bispo que tem coração para a miséria do mundo, que não tem medo de sujar as mãos com o esterco da alma humana para encontrar o ouro de Deus, que não se escandaliza com o pecado e a fragilidade, porque é ciente da própria miséria, porque o olhar do Crucifixo Ressuscitado será para ele um selo de perdão infinito.

Bem-aventurado o bispo que afasta o coração duplo, que evita toda dinâmica ambígua, que sonha com o bem também em meio ao mal, porque poderá alegrar-se com o rosto de Deus em cada pântano da cidade dos homens.

Bem-aventurado o bispo que trabalha para a paz, que acompanha os caminhos da reconciliação, que semeia no seio do presbitério a semente da comunhão, que acompanha uma sociedade dividida pelo caminho da reconciliação, que segura a mão de cada homem e de cada mulher de boa vontade para construir fraternidade. Deus o reconhecerá como seu filho.

Bem-aventurado o bispo que pelo Evangelho não tem medo de ir contra a corrente, endurecendo o seu rosto como o de Cristo a caminho de Jerusalém, sem se deixar deter por incompreensões e obstáculos, porque sabe que o Reino de Deus avança na contradição do mundo.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Simplesmente José

"Simplesmente José" do Irmão paulino brasileiro Darlei Zanon-
Vatican News

Já tentou imaginar o que São José nos contaria se um dia rompesse o silêncio que o caracteriza nas Escrituras e na Tradição? Foi exatamente esse exercício de criatividade e imaginação que fez o frei Darlei Zanon na obra “Simplesmente José”, publicada por ocasião do Ano de São José que estamos celebrando.

Nesta narrativa em forma de romance histórico, José é o protagonista que nos conduz pela sua vida e missão. O carpinteiro de Nazaré abre o seu coração e descreve cada uma das suas experiências, o que viu e sentiu em cada momento da sua vida: sua infância, o primeiro encontro com Maria, o florescer de uma paixão, os questionamentos ao descobrir que ela estava grávida, a alegria de acompanhar o parto do menino Jesus, as incertezas e descobertas ao receber a visita de pastores, magos e anjos, a dor e sofrimento ao longo do caminho para o Egito e durante os anos que ali passou, as surpresas e encantos do menino que crescia sob o seu olhar e proteção... Enfim, uma vida de escuta mais do que silêncio, plena de ação e doação, de revelações e delicadezas.

No período em que o Papa Francisco iniciou um novo ciclo de catequeses, exatamente dedicadas a São José, conversamos com o frei Darlei para conhecer as suas motivações e também um pouco mais sobre este livro editado em Portugal e no Brasil pela PAULUS Editora.

Como nasceu a ideia de escrever este romance?

Este livro é na verdade um projeto que iniciei há muito tempo, mas quando o Papa Francisco convocou o Ano de São José vi como um sinal de que ele deveria ser concluído. Comecei a pesquisar porque queria conhecer mais essa figura que o nosso Fundador nos propôs como “modelo” (São José é o patrono dos irmãos Paulinos). Neste sentido, posso dizer que o livro nasceu da minha ânsia por respostas. Todas as leituras que fiz traziam basicamente os mesmos elementos sobre São José, deixando muitas lacunas, muitas perguntas sem respostas sobre a sua vida e missão. A certo momento tentei buscar novas faces de José, lendo sobretudo os evangelhos apócrifos e diversos livros menos conhecidos de josefologia. Passei a identificar elementos que me iluminaram e descobri um José extremamente ativo, decidido, confiante, forte, dedicado, afetuoso, capaz de qualquer sacrifício... E assim nasceu a ideia de escrever sobre São José, para mostrar essas suas dimensões menos conhecidas ou menos valorizadas.

É pura ficção ou tem elementos de pesquisa histórica e teológica? Em que se baseou nessas partes?

Inicialmente pensei em escrever uma obra de hagiografia, mas vi que já existem muitos livros semelhantes no mercado. Daí nasceu a ideia de escrever um romance, ao estilo do livro do escritor polaco Jan Dobraczyńsk citado pelo próprio Papa no documento Patris corde, sobre o Ano de São José. Pensei que essa seria a forma mais leve e envolvente de apresentar o José que descobri depois de tantas leituras e reflexões. A novidade é a narrativa em primeira pessoa, espécie de autobiografia, a forma que imaginei ser a melhor para transportar o leitor no tempo e no espaço, fazer o leitor ver pelos olhos de José, acompanhando o pai adotivo de Jesus em diversos momentos da sua vida. Simplesmente José é uma ficção, um romance histórico, mas que respeita todos os textos bíblicos referentes a José e à infância de Jesus, assim como respeita a tradição da Igreja. A fantasia ou ficção surge para preencher as imensas lacunas existentes na tradição Josefina, como por exemplo a questão dos irmãos de José, a sua idade, porque a sua família se mudou de Belém para Nazaré, como e quando ele conheceu Maria, o que fez no tempo que passaram no Egito, o que ele ensinou a Jesus, o que sentiu ao acompanhar o nascimento do menino, ao ouvir a sua primeira palavra, acompanhar os seus primeiros passos e assim por diante. A inspiração vem sempre da própria Bíblia e de estudos bíblicos, dos livros apócrifos e de estudos clássico sobre São José, como a teoria da “sombra do Pai” que foi proposta já em 1680 pelo teólogo francês Louis-François d’Argentan. Também pesquisei livros de arqueologia, de história de Israel e de cultura hebraica de onde extraio muitos elementos que me pareceram fundamentais para compor um romance histórico.

Não apresenta apenas José nas fases da sua vida que aparecem nos Evangelhos relativas ao noivado com Maria e nascimento de Jesus. Por que decidiu ir à sua infância?

O objetivo dos Evangelhos é apresentar o Messias, o Filho de Deus, e por isso José aparece apenas brevemente na sua relação com Jesus. No meu livro quis ir além e apresentar um panorama completo que ajudasse o leitor a se aproximar mais do pai adotivo de Jesus, a se encantar com essa figura especial que foi escolhida para ser a imagem humana e visível de pai para o Filho de Deus. O ponto de partida do livro (capítulo 1) é um momento crucial na relação entre José e Jesus, um evento específico que faz José reler e reinterpretar toda a sua vida, desde a sua infância, passando sobretudo pela relação com a sua família e com Maria, por isso era importante apresentar todos esses momentos. Minha intenção foi escrever um livro não apenas sobre a biografia de José, mas um livro sobre as suas experiências, os seus sonhos de infância, os seus valores familiares, a sua fé hebraica, as suas dores, dúvidas, questionamentos. Queria que fosse um livro em que cada leitor pudesse se identificar e aprender com esta busca constante de José em compreender a própria vocação e o seu papel no projeto divino.

O que se pode descobrir neste livro? É um livro teológico sobre São José? Que olhar apresenta sobre São José?

Como romance, tentei construir uma narrativa muito leve e dinâmica, com uma trama envolvente. José abre o seu coração e descreve cada uma das suas experiências, o que viu e sentiu em cada momento da sua vida. Penso que seja para o leitor um belo caminho de descoberta, de imersão no tempo e no espaço de José, com toda a poesia de uma vida marcada pelo Mistério. Uma proposta para se emocionar, rir e chorar, questionar e acompanhar o nosso protagonista em cada viagem, cada experiência, cada inquietação que marcou a sua história: uma história caracterizada pela escuta, a entrega, a dedicação, mas sobretudo pelo amor. Ao mesmo tempo em cada capítulo procuro desenvolver algum elemento de espiritualidade e teologia, como por exemplo o valor da oração e da fé, a centralidade da família e da Escritura, a importância da acolhida e da comunhão, o sentido da revelação, da encarnação do Verbo, da salvação etc. Uma leitura que espero provoque e surpreenda com os seus imensos detalhes, descrições, diálogos, personagens paralelos. Simplesmente José propõe-se a responder algumas questões sobre a vida do santo carpinteiro de Nazaré, mas sobretudo provoca muitas outras interrogações que normalmente nos passam despercebidas na vida de um santo que é extremamente humano. Um homem que sente medo, angústias, dúvidas, mas que também se alegra, ama, encontra a realização como ser humano, como esposo e como pai. José rompe o silêncio e nos convida a acompanhá-lo nesse itinerário de descobertas.

A escrita deste livro e todo o processo mudaram a sua perspectiva e relação com São José? Gostaria que isso acontecesse com os leitores?

Escrever este livro me fez admirar ainda mais São José e é esta estima ao pai adotivo de Jesus que gostaria de semear em cada leitor. Simplesmente José nasceu com o objetivo de mostrar o rosto extremamente humano de José, próximo de cada um de nós, de cada pai de família, de cada esposo, de cada filho. Um santo com o qual podemos nos identificar e que pode nos inspirar. Um José que se diverte quando criança, se apaixona na adolescência, se preocupa e se emociona na vida adulta... Um José que se alegra e sofre. Que sente medo, mas confia. Que não entende, mas escuta e obedece. Um José humilde e simples, ao mesmo tempo profundo, corajoso, atento aos sinais divinos e humanos. Um José que ama e porque ama alimenta relações profundas: com os avós, pais, irmãos, amigos, com Maria e Jesus, com Deus. Talvez este seja o centro de toda a narrativa: as diversas formas de amar de José, a sua entrega total. E é isso que pode nos inspirar a viver melhor a nossa fé e as nossas relações.

Fonte: https://www.vaticannews.va/

Santos André Dung-Lac e Companheiros (mártires do Vietnã)

SS. André Dung-Lac e Companheiros | arquisp
24 de novembro

Santo André Dung-Lac e companheiros

A evangelização do Vietnã começou no século XVI, através de missionários europeus de diversas ordens e congregações religiosas. São quatro séculos de perseguições sangrentas que levaram ao martírio milhares de cristãos massacrados nas montanhas, florestas e em regiões insalubres. Enfim, em todos os lugares onde buscaram refúgio. Foram bispos, sacerdotes e leigos de diversas idades e condições sociais, na maioria pais e mães de família e alguns deles catequistas, seminaristas ou militares.

Hoje, homenageamos um grupo de cento e dezessete mártires vietnamitas, beatificados no ano jubilar de 1900 pelo papa Leão XIII. A maioria viveu e pregou entre os anos 1830 e 1870. Dentre eles muito se destacou o padre dominicano André Dung-Lac, tomado como exemplo maior dessas sementes da Igreja Católica vietnamita.

Filho de pais muito pobres, que o confiaram desde pequeno à guarda de um catequista, ordenou-se sacerdote em 1823. Durante seu apostolado, foi cura e missionário em diversas partes do país. Também foi salvo da prisão diversas vezes, graças a resgates pagos pelos fiéis, mas nunca concordou com esse patrocínio.

Uma citação sua mostra claramente o que pensava destes resgates: "Aqueles que morrem pela fé sobem ao céu. Ao contrário, nós que nos escondemos continuamente gastamos dinheiro para fugir dos perseguidores. Seria melhor deixar-nos prender e morrer". Finalmente, foi decapitado em 24 de novembro de 1839, em Hanói, Vietnã.

Passada essa fase tenebrosa, veio um período de calma, que durou cerca de setenta anos. Os anos de paz permitiram à Igreja que se reorganizasse em numerosas dioceses que reuniam centenas de milhares de fiéis. Mas os martírios recomeçaram com a chegada do comunismo à região.

A partir de 1955, os chineses e os russos aniquilaram todas as instituições religiosas, dispersando os cristãos, prendendo, condenando e matando bispos, padres e fiéis, de maneira arrasadora. A única fuga possível era através de embarcações precárias, que sucumbiam nas águas que poderiam significar a liberdade, mas que levavam, invariavelmente, à morte.

Entretanto o evangelho de Cristo permaneceu no coração do povo vietnamita, pois quanto mais perseguido maior se tornou seu fervor cristão, sabendo que o resultado seria um elevadíssimo número de mártires. O papa João Paulo II, em 1988, inscreveu esses heróis de Cristo no livro dos santos da Igreja, para serem comemorados juntos e como companheiros de santo André Dung-Lac no dia de sua morte.

*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br

https://arquisp.org.br/

terça-feira, 23 de novembro de 2021

COMODISMO E MEDIOCRIDADE

Foto: CONTI outra |

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

O comodista é a pessoa que deseja ficar na mediocridade, sempre no meio do caminho e na espera de que outro realize o que deveria ser sua tarefa. É aquele que coloca peso nas costas dos outros e não luta para vencer os obstáculos da vida. É pessoa sem esperança e mergulhada no desânimo. Para quem age dessa forma, não existe remédio e fica desencantado com o progresso pessoal.

Na chegada do fim de mais um ano litúrgico e o início de um novo, as forças precisam ser recuperadas e renovadas para construir o bem e o otimismo sem comodismo. Um caminho para isto, no dizer do Papa Francisco, está no seguimento de Jesus Cristo, onde cada indivíduo vai encontrar forças e vigor para construir um mundo mais saudável, superando todo tipo de mediocridade infrutífera.

Celebrar o Advento é despertar a consciência para o sentido do existir e do comprometimento, que envolve a causa do bem. Jesus nasce historicamente no Natal como luz para iluminar o caminho das pessoas e motivá-las para que coloquem em ação os dons naturais e cristãos, na espera de uma vida melhor. Essa prática e motivação têm sustentação na escuta e reflexão da Palavra de Deus.

Mudar de ano mais uma vez significa transformar as antigas realidades do dia a dia e ceder lugar aos novos tempos com atitudes de dinamismo e confiança, principalmente com abertura do coração para Deus e seus ensinamentos. Não ficar refém dos pensamentos derrotistas, porque é a chegada de novos tempos, de vida nova, de cura das feridas para proporcionar paz e segurança.

O propósito primeiro do nascimento de Jesus Cristo foi a restauração da justiça na terra. As injustiças, que não importa por quem são praticadas, causam muito desânimo e contribuem para as atitudes do comodismo e da mediocridade, porque desmotivam as pessoas para a vivência da esperança. Nesta situação, aproximar-se de Cristo é a via mais indicada para superar a baixa autoestima.

A liturgia de fim do ano litúrgico fala de catástrofes no sol, na lua e nos astros. Na terra não está sendo diferente com o aquecimento global, quando vemos queimadas, enchentes, tornados, vento de areia e poeira, que podemos interpretar como naturais, mas frutos de desgaste da criação. São sinais de que alguma coisa precisa ser restaurada com urgência, com ânimo e determinação.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

ESPIRITUALIDADE: Amor sem limites (Parte 1/19)

Capa: Fragmento de um ícone de meados
de século XVII atribuída a Emanuel lombardos
Ecclesia

Um Monge da Igreja do Oriente

AMOR SEM LIMITES

Tradução para o português:
Pe. André Sperandio

Ecclesia
1. Apresentação

Como uma figura lendária antiga passou entre nós. Não quis revelar seu nome e, embora muitos soubessem quem era e conhecessem a sua história cheia de mistério e de Espírito, deixou em seus escritos tão somente esta assinatura: Um monge da Igreja do Oriente. Assim se auto definia e, ao mesmo tempo, do melhor modo, nos sugeria o que é e como é a Igreja do Oriente.

A Igreja Oriental é um mistério peculiar que, como todo mistério, não tem limites precisos ou fronteiras claras. Por isso, é universal, isto é, Católica. A origem deste "Monge da Igreja do Oriente" é, evidentemente, monacal. Dentro do monacato, isto é, daqueles que caracterizam suas vidas pela contemplação viva do culto, da adoração. Este culto que, cumprido como obra de Deus, nos conduz às nossas origens, ao deserto convertido em Paraíso Primevo, à contemplação do Mistério. O culto é ir às origens, e ir às origens é, de uma ou de outra forma, entrar em comunhão com Céu já aqui na terra, o que a Igreja Oriental, a Igreja Ortodoxa, torna presente no deserto de sua pobreza, de seus sofrimentos, de sua perseguição, porém, sobretudo, na riqueza, no esplendor e triunfo de sua Liturgia e de sua contemplação trinitária. Ali, onde mística é teologia e teologia é mística, um monge encontrou um abrigo áspero e doce, seco e florescente do que outro contemplativo tinha vivido. “Por aqui já não há caminho, porque, para o justo não há lei”.

Este lendário monge que foi alguém real, deixou-nos um legado: sua vida e suas contemplações.

Passada a vida e tendo alcançado a transfiguração, suas experiências contemplativas são ícones que iluminam e convertem. E, da pequenez e modéstia de quem se deixa comover diante de um ícone, quer prosseguir, como um copista aprendiz, as contemplações que são diálogo com os que encontraram nesse incógnito monge a ocasião para o despertar ao Amor Sem-limites.

As páginas que seguem esta breve apresentação [1] pretendem ser a expressão da vivência que produziu a um “outro monge” da Igreja Oriental o ato de contemplar o ícone que lhe chegou através de alguns escritos.

Carlos Castro

[1] Carlos Castro: Desierto y destierro. Col. Icono. Narcea. Madrid, 1987 (en preparación).

2. A ti, quem quer que sejas...

Quem quer que sejas, como quer que sejas, o Senhor-amor te diz: Minha mão descansa em tuas mãos.

Este gesto significa que eu te amo e que eu te chamo. Eu nunca deixei de te amar, de te falar e de te chamar. Às vezes, fazia no silêncio e na solidão. Às vezes, alí onde os outros se encontravam reunidos em meu nome. Este chamado, frequentemente não percebeste porque não estavas escutando. Outras vezes, percebias, mas de uma maneira vaga e confusa. Em certas ocasiões, estivestes muito próximo de me dar uma resposta aceitável. Em outras, sim, me respondeste, mas sem constância duradoura. Tu te apegavas à emoção de me ouvir. Porém, recuavas ante a decisão. Contudo, nunca te empenhaste definitivamente, de uma maneira total e exclusiva na escuta do amor.

Mais uma vez eu venho a ti. Eu quero falar novamente contigo. Eu te quero todo, inteiro. Repito: o amor te quer de maneira total e exclusiva. Vou te falar em segredo, em confidência, intimamente.

Minha boca está junto do teu ouvido. Ouça o que os meus lábios vão te dizer bem baixinho, ouça este susurro que é dirigido somente para ti. Eu sou o Amor, o teu Senhor. Queres entrar na vida do amor? Não se trata de uma atmosfera de um ternura apática, fria. Trata-se de entrar na incandescência do amor. Aqui está a verdadeira conversão, a conversão do amor incandescente. Queres te tornar um outro diferente do que tens sido? Queres te tornar um outro em relação ao que tens sido até agora? Queres ser o que é para os outros e, sobretudo, para este Outro e com este Outro no que cada ser tem a sua existência? Queres ser o irmão universal, o irmão do universo? Então escuta o que o meu amor quer te dizer.

® NARCEA, S.A. EDIÇÕES
Dr. Federico Rubio e Galí, 9. 28039 - Madrid
® EDITIONS ET LIBRAIRIE DE CHEVETOGNE Bélgica
Título original: Amour sans limite
Tradução (para o espanhol): CARLOS CASTRO CUBELLS
Tradução para o português: Pe. André Sperandio
Capa: Fragmento de um ícone de meados de século XVII atribuída a Emanuel lombardos
ISBN: 84-277-0758-4
Depósito Legal: M-26455-1987
Impressão: Notigraf, S. A. San Dalmácio, 8. 28021 - Madrid

Fonte: https://www.ecclesia.org.br/

Os efeitos do sacramento da Unção dos Enfermos

Calamity Jane | Shutterstock
Por Prof. Felipe Aquino

É bom recordar que a Igreja diz que a Unção dos Enfermos não é um Sacramento só daqueles que se encontram às portas da morte.

O Catecismo da Igreja, no número 1532, explica os efeitos importantes da Unção dos Enfermos para o enfermo que a recebe. Este sacramento traz uma graça especial.

1. União com a Paixão de Cristo

A união do doente com a paixão de Cristo, para o seu bem e o bem de toda a Igreja. O Sacramento dá ao doente a oportunidade de “sofrer na fé” e com méritos diante de Deus, unindo o seu sofrimento com o de Cristo que padeceu pela humanidade. Pela graça deste Sacramento, o enfermo recebe a força e o dom de unir-se mais intimamente à paixão de Cristo: de certa forma ele é consagrado para produzir fruto pela configuração à paixão redentora do Salvador. O sofrimento, sequela do pecado original, recebe um sentido novo: torna-se participação na obra salvífica de Jesus.

A Unção dos Enfermos é também uma graça para a Igreja, porque os enfermos que recebem este Sacramento, “associando-se livremente à paixão e à morte de Cristo”, “contribuem para o bem do povo de Deus” (LG 11). Ao celebrar este sacramento, a Igreja, na Comunhão dos Santos, intercede pelo bem do enfermo. E o enfermo, por sua vez, pela graça deste sacramento, contribui para a santificação da Igreja e para o bem de todos os homens pelos quais a Igreja sofre e se oferece, por Cristo, a Deus Pai.

2. Conforto, paz e coragem

O reconforto, a paz e a coragem para suportar de forma cristã os sofrimentos da doença ou da velhice; desta forma o doente, pela graça do Sacramento, sofre sem revolta e com esperança e paz. Isto é um dom particular do Espírito Santo ligado ao Sacramento, para ajudar o enfermo a vencer as dificuldades próprias ao estado de enfermidade grave ou à fragilidade da velhice.

Esta graça renova a confiança e a fé do enfermo em Deus e o fortalece contra as tentações do maligno, tentação de desânimo e de medo da morte (cf. Hb 2,15). Esta assistência do Senhor pela força de seu Espírito leva o enfermo à cura da alma, mas também à do corpo, se for esta a vontade de Deus, como ensinou o Concilio de Florença (DS 1325). Além disso, “se ele cometeu pecados, eles lhe serão perdoados” (Tg 5, 15; Conc. Trento, DS 1717).

3. Perdão dos pecados

O perdão dos pecados, se o doente não pode obtê-lo pelo Sacramento da Penitência. Portanto, é preciso que se ofereça ao doente grave, a Confissão, antes da Unção dos Enfermos.

4. Cura e salvação espiritual

O restabelecimento da saúde se isto convier à salvação espiritual do doente. O Sacramento visa acima de tudo a cura do doente se isto for o melhor para ele.

5. Preparação para a vida eterna

Preparação para a passagem para a vida eterna. Se for o desígnio de Deus que a pessoa morra, então o Sacramento o preparará para morrer em paz e na confiança em Deus. Se o sacramento dos Enfermos é concedido a todos que sofrem de doenças e enfermidades graves, com mais razão ainda cabe aos que estão às portas da morte (Conc. Trento, DS 1698).

Última das unções

A Unção dos Enfermos conforma nossa vontade com a Morte e Ressurreição de Cristo. É a última das unções e graças que acompanham toda vida cristã: a do Batismo, que nos deu a nova vida; a da Confirmação, que nos fortificou para o combate desta vida. Esta última Unção fortalece o fim de nossa vida terrestre para enfrentar as últimas lutas antes da entrada na casa do Pai.

A Igreja enfatiza que a Unção dos Enfermos “não é um Sacramento só daqueles que se encontram às portas da morte. Portanto, tempo oportuno para receber a Unção dos Enfermos é certamente o momento em que o fiel começa a correr perigo de morte por motivo de doença, debilitação física ou velhice” (SC 73; cf. CDC, cân. 1004; 1005;1007).

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Dia de Santa Dulce dos Pobres pode se tornar feriado nacional

Santa Dulce dos Pobres | Guadium Press
Projeto já foi aprovado pelo Senado e agora segue para a Câmara dos Deputados, onde, caso seja aprovado, necessitará apenas da sanção presidencial para entrar em vigor.

Redação (22/11/2021 14:52, Gaudium Press) A Comissão de Educação do Senado aprovou na última quinta-feira, 18, uma proposta para a criação de um novo feriado nacional. A data recordaria a primeira santa brasileira reconhecida pela Igreja Católica: Santa Dulce dos Pobres.

Após essa aprovação do projeto, de autoria do senador Angelo Coronel (PSD-BA), o mesmo seguirá para a Câmara dos Deputados onde, caso seja aprovado, necessitará apenas da sanção presidencial para entrar em vigor.

O dia escolhido é 13 de março, data da morte da santa religiosa, que entregou sua alma à Deus no ano de 1992 em Salvador, Bahia. Inicialmente chegou a ser cogitado o dia 13 de outubro, data na qual a Santa foi canonizada, porém, o relator do projeto, senador Flávio Arns (Podemos-PR), preferiu manter o dia 13 de março, pois “as tradições religiosas da Bahia já dedicam esse dia à lembrança de Irmã Dulce”.

Santa Dulce, o anjo bom da Bahia | Guadium Press

Quem foi Santa Dulce dos Pobres?

Nascida no dia 26 de maio de 1914, na cidade de Salvador (BA) Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

Desejando consagrar sua vida a Deus servindo aos mais necessitados, tornou-se religiosa, passando a ser chamada de Irmã Dulce, em homenagem a sua mãe. Mais tarde, ficou popularmente conhecida como o “Anjo bom da Bahia”.

Em 1949, improvisou, no galinheiro do convento, um abrigo para acolher os doentes que eram resgatados por ela nas ruas de Salvador. Dez anos depois, um terreno foi doado para a construção do Albergue Santo Antônio. Anos mais tarde, ao lado do albergue, foi fundado o Hospital Santo Antônio, coração das Obras Sociais de Irmã Dulce.

Irmã Dulce faleceu no dia 13 de março de 1992, em sua casa, no Convento Santo Antônio. Ela foi beatificada no dia 22 de maio de 2011 e canonizada pelo Papa Francisco no dia 13 de outubro de 2019, tornando-se a primeira santa brasileira. (EPC)

Fonte: https://gaudiumpress.org/

Saiba quando montar a sua árvore de Natal

Árvore de Natal. Foto: Pixabay (domínio público)

REDAÇÃO CENTRAL, 23 nov. 21 / 06:00 am (ACI).- Faltando poucos dias para o Natal, muitas lojas, shoppings, casas já estão decoradas para esta data; mas, quando exatamente se deve montar a árvore de Natal?

Segundo o coordenador da Comissão de Liturgia da Arquidiocese de Vitória (ES), padre Rodrigo Chagas, o dia para preparar a árvore é o primeiro domingo do Adento, que neste ano será no próximo dia 28 de novembro.

Em declarações ao site da Arquidiocese capixaba em 2020, o sacerdote explicou que muitas pessoas se deixam levar pela moda, principalmente do comércio, o qual antecipa tudo, uma vez que precisam de um tempo maior para realizar suas vendas.

Entretanto, “como a nossa meta é o Cristo, não precisamos ter tanta pressa para montar a árvore de Natal e enfeitar a casa”.

“O diferencial de nós, cristãos católicos, é que também não devemos decorar tudo no mesmo dia. É preciso começar no primeiro dia do Advento e conforme vai se aproximando o dia do Natal, decoramos cada vez mais a nossa casa até chegar a grande noite  em que Cristo, o Senhor, nasce no meio de nós”, acrescentou.

O Advento é o tempo de preparação para o Natal e, segundo padre Rodrigo, “devemos estar recolhidos em nossas orações”.

“E em relação aos enfeites, esse momento da decoração da casa, deve ser vivido a cada domingo. Assim como vamos acendendo em nossas comunidades a coroa do Advento, para iluminar cada vez mais a nossa igreja, também nós devemos acender a esperança da chegada de Jesus em nosso coração, nossa casa, nossa vida e nossa família”, afirmou.

O sacerdote também falou sobre a data para desmontar a árvore e retirar os enfeites natalinos de casa. Segundom ele, deve ser no dia 6 de janeiro, solenidade da Epifania do Senhor aos Reis Magos, quando se comemora a manifestação de Deus no meio de nós, pela vinda do seu próprio filho.

“Então, se Cristo está conosco, Ele habita entre nós e armou sua tenda entre nós. Por isso, não precisamos mais dessas manifestações externas do nascimento do Senhor, porque Ele se manifesta e está presente dentro de nós que somos batizados”, afirmou.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Ano Jubilar Missionário: Igreja do Brasil celebra o ano de 2022

Ano Jubilar Missionário: Igreja do Brasil celebra o ano de 2022 

O Ano Jubilar Missionário terá como lema “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8) escolhido pelo Papa Francisco como mensagem do Dia Mundial da Missões de 2022. Apresentada a logo que vai marcar as atividades durante o ano.

Vatican News

No sábado, 20 de novembro, data em que as Pontifícias Obras Missionárias celebraram 43 anos no Brasil, foi realizado o lançamento do Ano Jubilar Missionário. Com a temática “A Igreja em estado permanente de missão”, o Ano Jubilar Missionário terá como lema “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8) escolhido pelo Papa Francisco como mensagem do Dia Mundial da Missões de 2022.

https://youtu.be/Q98AimtzJRU

Identidade visual do Ano Jubilar Missionário

Durante a live de lançamento foi apresentada a logo que vai marcar as atividades durante o ano. A identidade visual do Ano Jubilar Missionário compõe alguns elementos que expressam a intencionalidade dos jubileus celebrativos: o globo, o mapa do Brasil, a cruz missionária, o ano 2022, as cores dos cinco continentes e a cor dourada que remete ao jubileu.

O conjunto da arte está em movimento, expressando o dinamismo missionário que brota da Trindade, ou seja, a missão é uma só, ela é de Deus (Missio Dei) e nasce do “amor fontal do Pai” (AG 2), que se expande, se comunica, sai de si e transborda sem fronteiras. O amor de Deus é um impulso gratuito, de dentro para fora, e de um jeito de ser que tem como origem e fim a vida divina (Cf. DAp 348).

O logo expressa uma grande explosão missionária que, em 1972, marcou um novo impulso para a missão da Igreja do Brasil e que, em 2022, abre-se em medida maior para missão sem fronteiras para alcançar a todas as pessoas, em todas as nações. Dois grandes projetos do Programa Missionário Nacional vão nessa mesma direção, de expandir a consciência missionária orientada a universalidade. Será um tempo oportuno para dar continuidade e fortalecer o projeto Ad Gentes e projeto Igrejas Irmãs da CNBB.

A temática “A Igreja em estado permanente de missão” segue as intuições do documento de Aparecida, que compreende a missão com identidade da Igreja, ou seja, não é algo optativo, uma atividade da Igreja entre outras, mas a sua própria natureza. A Igreja é missão!

https://youtu.be/c5VBhYfDa2A

O que celebramos em 2022

No âmbito nacional, os motivos jubilares são:

  • 50 anos de criação do Conselho Missionário Nacional (COMINA);
  • 50 anos das Campanhas Missionárias;
  • 50 anos dos Projetos Igrejas Irmãs;
  • 50 anos do Conselho Missionário Indigenista (CIMI);
  • 50 anos do Documento de Santarém;
  • 60 anos do Centro Cultural Missionário (CCM);
  • 70 anos da criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

No âmbito internacional vamos celebrar:

  • 400 anos de criação da Congregação para Evangelização dos Povos;
  • 200 anos do nascimento da Pontifícia Obra da Propagação da Fé (POPF), fundada em 1822 pela venerável Paulina Jaricot;
  • 150 anos do nascimento do beato Paolo Manna, PIME, fundador da Pontifícia União Missionária;
  • 100 anos do motu próprio Romanorum Pontificum do Papa Pio XI, com o qual, em 1922, designou as Obras Missionárias como Pontifícias.

Presidentes da CNBB e CRB falam sobre o Ano Jubilar Missionário

Durante a live de lançamento do Ano Jubilar Missionário, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lembrou sobre a importância da vida missionária na Igreja. “Ser missionário e missionária é compromisso de cada cristão batizado, daqueles que são verdadeiramente discípulos e discípulas de Jesus Cristo. Quem segue Jesus experimenta uma força interior que conduz à missão. Sabe que não pode egoisticamente guardar somente para si o dom da fé, mas deve partilhá-lo para que outras pessoas também possam seguir a Jesus e viver essa experiência do maior e mais importante encontro da nossa vida. Assim, cada missionário e missionária ajuda a mudar o mundo, pois os discípulos de Cristo são convocados a viver no horizonte do amor de Deus. A fé autenticamente vivida muda relações, quebra indiferença em relação aos que sofrem, inquieta consciências diante de situações de abandono ou de injustiça”.

Ir. Maria Inês Ribeiro, presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), destacou as comemorações dos 50 anos do COMINA. “Enfatizamos o jubileu de ouro do Conselho Missionário Nacional, que é vinculado à Comissão Episcopal Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB. Trata-se de um tempo oportuno, um kairós, para elevarmos o nosso coração ao Deus da vida e da misericórdia pela trajetória missionária e profética, percorrida por esses organismos e projetos ao longo da nossa história no Brasil”.

Fonte: POM

https://www.vaticannews.va/

Santa Felicidade e sete irmãos

Santa Felicidade e sete irmãos | diocesedeblumenau
23 de novembro
SANTA FELICIDADE E SETE IRMÃOS

“Nos tempos do imperador Antonino, foi presa e encarcerada a nobre senhora Felicidade com seus sete cristianíssimos filhos”. Assim começam as Atas do martírio de santa Felicidade e dos seus sete filhos que certos estudiosos acham que não podem ser autênticas, embora muito antigas. É bastante evidente neste documento a inspiração em dois outros clamorosos casos de martírio coletivo, de uma mãe juntamente com sete filhos: o caso dos irmãos Macabeus, de que fala a Sagrada Escritura no capítulo 7 do segundo livro dos Macabeus e aquele de santa Sinforosa.

Parece até que não se possa falar de sete verdadeiros irmãos, embora isso venha afirmado por são Gregório Magno. Este, de fato, acolhendo o pedido de santa Teodolinda, enviou-lhe algumas gotas de óleo da lâmpada que ardia próximo ao sepulcro da mártir. Ora, como estivesse ali ao lado também uma gravura mural que representava santa Felicidade, juntamente com outras sete figuras, foi o suficiente para o grande papa declarar que se tratava dos protagonistas das Atas de santa Felicidade e identificar as outras figuras como sendo os sete filhos da mártir. E por ocasião de uma celebração litúrgica na basílica edificada sobre o túmulo de santa Felicidade pelo papa Bonifácio I, o próprio são Gregório Magno aproveitou muita coisa da Paixão para a sua homilia.

De qualquer modo, está fora de dúvida, que existiram efetivamente, além de santa Felicidade, sete mártires, cujos nomes são lembrados no Martirológio Romano, juntamente com a forma do martírio: “Em Roma (festeja-se) a paixão dos santos sete irmãos mártires, isto é, Januário, Félix, Filipe, Silvano, Alexandre, Vidal e Marcial no tempo do imperador Antonino, quando era prefeito da cidade Públio. Entre esses, Januário, após ter sido açoitado com varas e padecido no cárcere, foi morto com flagelos chumbados; Félix e Filipe foram mortos a cacete; Silvano foi jogado num precipício; Alexandre, Vidal e Marcial foram punidos com sentença capital”.

As Atas do martírio concluem com este grito de triunfo: “Assim, mortos por diversos suplícios foram todos vencedores e mártires de Cristo e, triunfando com a mãe, voaram ao céu para receber os prêmios que tinham merecido. Eles que, por amor a Deus desprezaram as ameaças dos homens, as penas e os tormentos, tornaram-se no reino dos céus amigos de Cristo, que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina por todos os séculos. Amém”.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

Fonte: https://www.diocesedeblumenau.org.br/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF