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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

[RETROSPECTIVA] As 12 grandes datas que marcaram o ano de 2025 no Vaticano

Antoine Mekary | ALETEIA

I. Media - Cibele Battistini - publicado em 11/12/25

Neste fim de ano de 2025, apresentamos uma edição que revisita um ano excepcional sob vários aspectos: o “Jubileu” – evento que normalmente ocorre a cada quarto de século –, a morte do papa Francisco e o início de um novo pontificado. Primeiro capítulo: as 12 datas que marcaram este ano histórico no Vaticano.

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6 DE JANEIRO: O PAPA NOMEIA A PRIMEIRA MULHER PREFEITA DE UM DICASTÉRIO

O papa Francisco nomeia a religiosa italiana Simona Brambilla, ex-superiora geral das Irmãs Missionárias da Consolata, como prefeita do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Até então secretária deste organismo responsável pela vida religiosa, ela se torna a primeira mulher da história a chefiar um dicastério da Cúria Romana. Essa nomeação tornou-se possível graças à nova constituição apostólica Praedicate Evangelium (2022). Mas, por motivos jurídicos – especialmente a assinatura de certos decretos que exigem dignidade episcopal – a irmã Brambilla é acompanhada por um “pro-prefeito”, o cardeal espanhol Ángel Fernández Artime.

14 DE FEVEREIRO: O PAPA FRANCISCO É HOSPITALIZADO NO GEMELLI

O papa Francisco, sofrendo de uma afecção respiratória que limitava seus compromissos havia cerca de quinze dias, é internado no hospital Gemelli. Diagnóstico da equipe médica: infecção múltipla nos pulmões e pneumonia. Começa então para o pontífice argentino, de 88 anos, um período de tratamento em isolamento total por 38 dias. Os boletins diários da Sala de Imprensa da Santa Sé relatam várias crises respiratórias graves, e, na véspera de sua alta, em 23 de março, os médicos alertam que o papa não está “fora de perigo”. Ao retornar ao Vaticano, Francisco, usando cânulas nasais, faz apenas raras aparições para saudar os fiéis.

21 DE ABRIL: ÀS 7H35, O PAPA FRANCISCO FALECE

“Às 7h35 desta manhã, o bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai.” O cardeal camerlengo Kevin Farrell anuncia a morte do pontífice argentino em uma transmissão ao vivo desde a capela da Casa Santa Marta, por volta das 9h50. O mundo midiático é pego de surpresa. Na véspera, simbolicamente, o papa – visivelmente debilitado – havia feito sua última volta de papamóvel na Praça São Pedro, durante a bênção de Páscoa Urbi et Orbi. Esse foi seu último banho de multidão, agora visto como símbolo de sua proximidade com o povo. Durante três dias, 250 mil pessoas prestam homenagem ao seu corpo na Basílica de São Pedro. O funeral ocorre em 26 de abril, na presença de 160 delegações nacionais, e seu caixão, enterrado em Santa Maria Maior, é saudado pelos romanos ao longo do trajeto.

Youssef Absi, patriarche d’Antioche des grecs-melkites, encensant le cercueil du pape François lors de la messe des funérailles, 26 avril 2025 | Isabella BONOTTO / AFP.

8 DE MAIO: HABEMUS PAPAM, ELEIÇÃO DO 267º PAPA DA HISTÓRIA

Às 18h07, sob o olhar das câmeras do mundo inteiro, uma fumaça branca sobe da chaminé da Capela Sistina, provocando uma aclamação que faz tremer as colunas da Basílica de São Pedro. O americano Robert Francis Prevost acaba de ser eleito o 267º papa da história, aos 69 anos. Após um conclave de apenas 24 horas, os 133 cardeais eleitores chegam a um consenso em apenas quatro votações. Em sua bênção Urbi et Orbi na loggia da basílica, o novo pontífice, usando mozzetta, prega a paz ao mundo — uma paz que deseja “desarmada e desarmante”.

18 DE MAIO: LEÃO XIV INAUGURA SEU PONTIFICADO

Na presença de 156 delegações governamentais de todo o mundo, Leão XIV celebra a missa de inauguração oficial de seu ministério petrino na Praça São Pedro. Nas primeiras semanas, ele realiza uma série de encontros oficiais — cardeais, mídia, funcionários da Cúria, padres de Roma — nos quais demonstra um estilo prudente e conciliador. “Os papas passam, a Cúria permanece”, afirma em seu primeiro discurso aos funcionários. Palavras interpretadas como um sinal de reconforto após 12 anos de um pontificado difícil para a máquina administrativa vaticana, frequentemente criticada por Francisco. Em contraste com seu predecessor, Leão XIV também passa suas férias de verão em Castel Gandolfo — antiga residência de verão dos papas, abandonada por Francisco.

28 DE JULHO A 3 DE AGOSTO: A PRIMEIRA JMJ DE LEÃO XIV

Durante uma semana no auge do verão, centenas de milhares de jovens com bandeiras de todas as partes do mundo percorrem Roma para o “Jubileu dos Jovens”. É o primeiro grande encontro entre Leão XIV e a juventude. Ele os incentiva a difundir a paz. Também se reúne privadamente com 600 catecúmenos vindos da França e os exorta a combater a “cultura da morte”, em 29 de julho. O jubileu culmina em Tor Vergata, onde um milhão de jovens, segundo os organizadores, participa de uma vigília e missa com o papa, que os exorta a buscar “apaixonadamente a verdade”.

7 DE SETEMBRO: CANONIZAÇÃO DOS JOVENS PIER GIORGIO FRASSATI E CARLO ACUTIS

Leão XIV celebra a primeira canonização de seu pontificado ao declarar santos Pier Giorgio Frassati (1901–1925) e Carlo Acutis (1991–2006) numa missa na Praça São Pedro. Em sua homilia, incentiva os jovens a “não desperdiçar” a vida, mas a tornarem-se santos cultivando “o amor por Deus” e pelos pobres. A data da canonização de ambos sofreu alguns ajustes: a de Carlo Acutis estava prevista para 27 de abril — evento adiado devido à morte de Francisco — e a de Frassati para 3 de agosto.

18 DE SETEMBRO: LEÃO XIV CONCEDE SUA PRIMEIRA GRANDE ENTREVISTA

Na biografia Leão XIV: cidadão do mundo, missionário do século XXI, o papa fala abertamente sobre vários temas. Afirma que, por ora, não pretende modificar o ensinamento da Igreja sobre a família, o acesso das mulheres ao diaconato ou sobre os casais homossexuais, embora deseje incluir a todos. Sobre os abusos sexuais, declara que o tema não pode “tornar-se o centro da atenção da Igreja”, cujo foco é anunciar o Evangelho. Diz considerar “muito saudável” que as vítimas se expressem, mas defende a proteção da presunção de inocência dos acusados. Em outro tema sensível, o da liturgia, o novo papa parece querer dialogar com os fiéis que apreciam o rito tridentino, amplamente restringido por Francisco. Ele também comenta sobre Gaza e o risco de genocídio, sobre finanças do Vaticano, inteligência artificial e a relação com a China.

26 DE SETEMBRO: O PAPA ESCOLHE SEU SUCESSOR PARA O DICASTÉRIO DOS BISPOS

Dom Filippo Iannone é nomeado prefeito do Dicastério para os Bispos. Para essa função-chave da administração vaticana — que o próprio papa ocupou entre 2023 e 2025 — Leão XIV escolhe um homem da própria Cúria Romana. O italiano, de 67 anos, chefiava anteriormente o Dicastério para os Textos Legislativos. É a primeira vez que o papa nomeia um prefeito desde sua eleição.

9 DE OUTUBRO: A PRIMEIRA EXORTAÇÃO APOSTÓLICA DE LEÃO XIV SOBRE OS POBRES

Intitulada Dilexi te (“Eu te amei”), a primeira exortação apostólica de Leão XIV é um legado de Francisco e é dedicada ao “amor aos pobres”. Fazendo dessa atenção uma bússola para a Igreja, o pontífice convoca os cristãos a rejeitar ideologias que levam ao imobilismo ou perpetuam uma “economia que mata”, e a denunciar “estruturas de injustiça”. Seguindo a linha de seu antecessor, que iniciou a redação do documento, Leão XIV reafirma sua mensagem em favor dos migrantes, das mulheres maltratadas, dos prisioneiros e da educação dos pobres.

1º DE NOVEMBRO: JOHN HENRY NEWMAN É PROCLAMADO DOUTOR DA IGREJA

Na missa de Todos os Santos, concluindo o Jubileu Mundial da Educação, Leão XIV proclama o cardeal britânico São John Henry Newman (1801–1890) “doutor da Igreja” e co-padroeiro das escolas católicas. Inspirando-se na figura do antigo anglicano convertido ao catolicismo, o papa delineia as grandes missões da educação católica em um mundo ameaçado pelo niilismo e pelas desigualdades.

Antoine Mekary | ALETEIA

27 DE NOVEMBRO A 2 DE DEZEMBRO: LEÃO XIV REALIZA SUA PRIMEIRA VIAGEM À TURQUIA E AO LÍBANO

O novo papa começa a assumir plenamente seu papel de chefe da Igreja Católica e de chefe de Estado. Na Turquia, onde o protocolo de acolhida permanece reservado em um país majoritariamente muçulmano, participa das comemorações dos 1700 anos do Concílio de Niceia e apresenta sua proposta para favorecer a aproximação entre as confissões cristãs — sugerindo um encontro dos líderes das Igrejas em Jerusalém para o Jubileu de 2033. No Líbano, leva consolo a uma população duramente provada por longa crise econômica e sociopolítica, que o recebe com fervor quase profético. Exorta os libaneses a se reerguerem e reacenderem a esperança.

OZAN KOSE | AFP
Fonte: https://pt.aleteia.org/

Papa: arqueologia cristã, vocação e forma de amor pela Igreja e pela humanidade

Desenho cristão presente nas Catacumbas de São Sebastião (Vatican News)

Na Carta Apostólica sobre a importância da arqueologia e por ocasião dos 100 anos da fundação do Pontifício Instituto de Arqueologia Cristã, Leão XIV recorda que essa disciplina testemunha que Deus se fez carne e que a salvação deixou marcas: “É memória viva, ministério de esperança que conduz ao Mistério”.

Benedetta Capelli – Cidade do Vaticano

Escavar, tocar os achados, reencontrar a energia do tempo — mas no trabalho do arqueólogo cristão não há apenas matéria, há também humanidade: as mãos que forjaram os objetos encontrados, “as mentes que os conceberam, os corações que os amaram”. Essa é uma das características da arqueologia cristã destacada pelo Papa na Carta Apostólica sobre a importância da arqueologia, publicada hoje, 11 de dezembro, por ocasião do centenário do Pontifício Instituto de Arqueologia Cristã.

Tornar o Mistério visível

Matéria e mistério: são duas linhas que se cruzam na arqueologia cristã porque “o cristianismo — destaca Leão XIV — não nasceu de uma ideia, mas de uma carne”, de um ventre, um corpo, um túmulo. A fé cristã se apoia em “eventos concretos, rostos, gestos, palavras pronunciadas em uma língua, em uma época, em um ambiente. É isso que a arqueologia torna evidente, palpável”. O Papa recorda ainda que “Deus escolheu falar em uma língua humana, caminhar sobre uma terra, habitar lugares, casas, sinagogas, ruas”. Por isso, em um tempo que recorre à Inteligência Artificial e investiga galáxias, ainda faz sentido continuar a investigar. “Não se pode compreender plenamente a teologia cristã — escreve o Papa — sem a inteligência dos lugares e das marcas materiais que testemunham a fé dos primeiros séculos”.

Nada é insignificante

A arqueologia e a teologia se entrelaçam no trabalho do arqueólogo, que deve ter uma sensibilidade especial ao lidar com “materiais da fé”. “Escavando entre pedras, ruínas, objetos — explica o Pontífice — aprendemos que nada do que foi tocado pela fé é insignificante”. Cada pequena evidência merece atenção, não deve ser descartada. Assim, a arqueologia se torna “uma escola de sustentabilidade cultural e ecologia espiritual”, de “educação para o respeito pela matéria, pela memória, pela história”. Nada se joga fora, tudo se conserva e se decifra, porque por trás de cada achado há “o fôlego de uma época, o sentido de uma fé, o silêncio de uma oração. É um olhar — sublinha o Papa — que pode ensinar muito também à pastoral e à catequese de hoje”.

A arqueologia aliada da teologia

Com o suporte de instrumentos tecnológicos cada vez mais refinados, mesmo materiais considerados irrelevantes podem revelar sentidos profundos. “A arqueologia é também uma escola de esperança.” Leão XIV recorda que, segundo a Constituição Apostólica Veritatis gaudium, a arqueologia, junto com a História da Igreja e a Patrologia, deve integrar as disciplinas fundamentais da formação teológica. A arqueologia não fala apenas de coisas, mas de pessoas; ajuda a compreender “como a revelação se encarnou na história, como o Evangelho encontrou palavras e formas dentro das culturas”. Assim, uma teologia que acolhe a arqueologia “escuta o corpo da Igreja, interroga suas feridas, lê seus sinais, deixa-se tocar por sua história”. É também uma forma de caridade: “um modo de fazer falar os silêncios da história, devolver dignidade a quem foi esquecido, trazer à luz a santidade anônima de tantos fiéis que construíram a Igreja”.

A missão evangelizadora

É também tarefa da arqueologia ajudar a Igreja a guardar viva a memória dos seus inícios, narrar a história da salvação também com imagens, formas e espaços. “Em um tempo que frequentemente perde as raízes, a arqueologia — afirma o Papa — torna-se instrumento precioso de uma evangelização que parte da verdade da história para abrir à esperança cristã e à novidade do Espírito.” Ao olhar para o modo como o Evangelho foi acolhido no passado, a arqueologia impulsiona seu anúncio hoje, ajudando a alcançar os distantes e os jovens que buscam autenticidade. A arqueologia, destaca Leão XIV, é um “poderoso instrumento de diálogo; pode construir pontes entre mundos distantes, culturas diferentes, gerações; pode testemunhar que a fé cristã nunca foi uma realidade fechada, mas uma força dinâmica”.

Memória viva e reconciliada

Outra força da arqueologia é fazer perceber o vigor de uma existência que atravessa os séculos, ultrapassa a matéria e possui relevância específica na teologia da Revelação. Ela ilumina textos com testemunhos materiais, interroga fontes, completa-as e abre novas questões. Assim, uma teologia fiel à Revelação “deve — para o Papa — permanecer aberta à complexidade da história”, feita de desafios, conflitos, momentos de luz e escuridão. Cada aprofundamento do mistério da Igreja é um retorno às origens: não um culto ao passado, mas “memória viva”, “capacidade de fazer o passado falar ao presente”, discernindo o que o Espírito Santo suscitou na história. Isso gera “uma memória reconciliada”, capaz de reconhecer pluralidade e unidade na diversidade, tornando-se “lugar de escuta, espaço de diálogo, instrumento de discernimento”.

Não um saber elitista

O Papa recorda que o Pontifício Instituto de Arqueologia Cristã foi fundado em 1925 por Pio XI, no Jubileu da Paz; agora o centenário ocorre no Jubileu da Esperança — coincidência que abre horizontes para uma humanidade ferida por guerras. A fundação ocorreu em clima incerto, mas com coragem e visão. Ser fiel ao espírito fundador significa não fechar-se em um saber elitista, mas “compartilhar, divulgar, envolver”. Essencial, portanto, a comunhão com outras instituições dedicadas à arqueologia, como a Pontifícia Academia Romana de Arqueologia, a Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra e a Pontifícia Academia Cultorum Martyrum. Também com o Oriente cristão a arqueologia é terreno fecundo: catacumbas comuns, igrejas compartilhadas, práticas litúrgicas análogas, martirológios convergentes — patrimônios que devem ser valorizados conjuntamente.

Ministério de esperança

“A Igreja é chamada a educar para a memória, e a arqueologia cristã é um dos seus instrumentos mais nobres. Não para refugiar-se no passado, mas para habitar o presente com consciência, construindo o futuro com raízes.” A arqueologia, portanto, “é um ministério de esperança”, porque mostra que “a fé resistiu às perseguições, às crises, às mudanças”, renovando-se, reinventando-se, florescendo. “O Evangelho sempre teve uma força geradora”, e a esperança jamais falhou. Por fim, o Papa exorta à continuidade desse trabalho precioso, rigoroso, transmitido com paixão. “A arqueologia cristã é um serviço, uma vocação, uma forma de amor pela Igreja e pela humanidade. Sede fiéis ao sentido profundo do vosso compromisso: tornar visível o Verbo da vida, testemunhar que Deus se fez carne, que a salvação deixou marcas, que o Mistério se fez narrativa histórica.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Ainda não preparou o seu presépio?

Shutterstock AI Generator | Shutterstock

Paulo Teixeira - publicado em 10/12/25

Aqui tem uma ajuda para tornar especial esse momento.

CAMPANHA DE NATAL ALETEIA 2025: QUERO DOAR EM 3 CLIQUES

CNBB lança roteiro de celebração com apelo do Papa Francisco para resgatar a tradição do presépio no Natal de 2025, ano do Jubileu da Esperança 

A Campanha para a Evangelização de 2025, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ganhou um novo e detalhado guia litúrgico: o "Roteiro de Celebração para montar o presépio em família ou em comunidade". O documento, lançado sob o tema "Hoje, é preciso que eu fique na tua casa" (Lc 19,1) , marca a culminância das celebrações do Jubileu da Esperança e a comemoração dos 2025 anos do nascimento de Jesus Cristo. A iniciativa visa resgatar e valorizar a montagem do Presépio, um dos mais "belos e significativos sinais" que reproduzem o cenário do nascimento de Jesus. 

Montar o presépio é ecoar o desejo manifestado pelo Papa Francisco em sua Carta Apostólica Admirabile Signum (2019). Nela, o Pontífice reforça a importância da prática em diversos ambientes — igrejas, escolas, hospitais, prisões e praças — como um meio de preservar e fortalecer a fé, um "gracioso costume" transmitido de geração em geração. 

O Presépio é incentivado em múltiplos locais. Além das casas, hospitais e escolas, estabelecimentos prisionais e praças são espaços adequados.  

Simplicidade do presépio

Quanto à montagem é importante visibilidade e o destaque do Presépio, permitindo que todos meditem o mistério do Natal do Senhor em sua jornada diária. Nas igrejas, o local ideal deve ser fora do presbitério ou em suas laterais, para que não ofusque os elementos centrais do culto (altar, ambão e sedia). 

Na hora em que os personagens estão fora da caixa, é importante deixar espaço para a criatividade. Embora as imagens tradicionais da Sagrada Família sejam encorajadas , as famílias e comunidades que não dispõem dessas imagens são convidadas a criar peças artesanais a partir de materiais diversos, como recicláveis, palha de milho, madeira, metal ou papel.  

Por mais que seja um papel com desenho de criança, ou um recorte de uma revista com a representação do nascimento de Jesus, certamente a simplicidade vai remeter à grandeza da encarnação de Jesus. 

Além da Sagrada Família é importante representar os Reis Magos, pastores, anjos, o burro e o boi. O cenário deve incluir, se possível, a estrebaria ou gruta, a manjedoura e a Estrela de Belém. 

Com o cenário pronto e as peças preparadas, é hora de contemplar e elevar o pensamento em Deus. Para rezar junto do presépio é bom reunir os membros da família ou comunidade em torno do espaço, seguindo o roteiro com a entronização gradual das peças e a participação de leitores. Para quem a família não é muito participativa, o convite para um Pai-nosso e uma Ave-Maria já é um bom princípio. 

Para quem tem familiares distantes, que tal fazer uma videochamada. Cada um pode mostrar o seu presépio e todos podem rezar juntos.  

Fonte: https://pt.aleteia.org/

SÃO TIMÓTEO: Onde o discípulo de Paulo repousa (Parte 2/2)

Termoli, Molise | 30Giorni

SÃO TIMÓTEO

Arquivo 30Dias nº 04/05 - 2001

Onde o discípulo de Paulo repousa

A história das relíquias preservadas em Termoli

Nenhum lugar reivindica a posse de suas relíquias, exceto Termoli, hoje uma pequena cidade em Molise com vista para o Adriático, mas que durante a Idade Média foi um ponto estratégico de desembarque e trânsito para o Oriente. Um relicário contendo o caput sancti Timothei foi preservado em sua catedral por séculos . E em 1945, uma antiga epígrafe foi descoberta, o que levou à recuperação dos restos mortais de um corpo que poderia ser o do santo.

Por Lorenzo Bianchi

HIPÓTESES HISTÓRICAS

Que história, então, foi reconstruída a partir da análise de dados históricos e arqueológicos? É provável, embora não exista documentação até o momento (embora não se exclua a possibilidade de investigações direcionadas à tradição manuscrita bizantina revelarem algumas surpresas), que o corpo de Timóteo, tomado como espólio e troféu de guerra em Constantinopla em 1204 por um cruzado, tenha chegado posteriormente (presumivelmente pouco tempo depois) a Termoli, seja porque a pessoa que o levou era de Termoli, seja porque desembarcou na Itália naquele mesmo porto, onde a relíquia, por alguma razão que nos escapa, acabou permanecendo. O fato de o bispo tê-lo ocultado em 1239 é mais facilmente explicado pelo receio de que o corpo de Timóteo pudesse ser roubado por ciúme (assim, apenas a cabeça permaneceu em posse do bispo, deliberadamente separada do resto, facilmente escondida e transportada em casos extremos). Ou talvez precisamente em antecipação ao inevitável abandono da cidade, provocado pelo ataque das galeras venezianas aliadas ao Papa contra Frederico II, que entre 1239 e 1240 saqueou a costa sul do Adriático, incluindo a região entre Termoli e Vieste, como relatam as crônicas da época. Ou talvez até mesmo para protegê-la do risco de ataques muçulmanos, que não se furtavam a pilhar locais de culto e a roubar, de forma sacrílega, os corpos dos santos. A prática de ocultar corpos era comum, e outro exemplo encontra-se na própria catedral de Termoli, onde, sob a outra abside, o sarcófago de mármore do santo padroeiro, São Basso, também foi escondido (mas de forma que o local do sepultamento permanecesse visível), bem abaixo de outro sarcófago vazio.

A memória de Timóteo, provavelmente devido ao curto período (cerca de trinta anos) durante o qual seu corpo ficou exposto antes de ser ocultado, perdeu-se, embora a existência da relíquia de sua cabeça tenha permanecido conhecida. A presença da epígrafe atesta naturalmente a inocência do Bispo Estêvão, que não tinha dúvidas de estar diante dos restos mortais do discípulo de Paulo. E a chegada de Timóteo a Termoli foi tão significativa que provavelmente pode ser atribuída à reconstrução, desde os alicerces, de uma igreja maior, a que vemos hoje, sobre a anterior. Estudos recentes (que uma análise comparativa de todos os dados disponíveis, particularmente arqueológicos e arquitetônicos, poderia confirmar) afirmaram, com alto grau de probabilidade, que a decoração escultural da fachada da catedral, agora bastante danificada, provavelmente refletia as experiências de Timóteo como discípulo de Paulo (ver quadro na pág. 92).

Basso, porém (talvez o bispo de Nice, martirizado durante as perseguições de meados do século III), permaneceu constantemente lembrado, mesmo quando Termoli foi, por vários períodos, abandonada, seja por ter sido destruída por terremotos ou saqueada: evidentemente devido a uma tradição mais longa e sólida, que já o havia consagrado como padroeiro da cidade por vários séculos.

ANÁLISE CIENTÍFICA 

Após o reconhecimento de 1945, as relíquias (parcialmente recompostas) foram colocadas em um relicário de madeira, que por sua vez foi colocado dentro de uma estátua de um bispo com vestes litúrgicas, incluindo mitra e báculo, inserida em uma urna de vidro e madeira. A placa foi afixada na parede da abside direita da cripta, sob o altar, onde ainda hoje se encontra visível. Em maio de 1981, o então bispo de Termoli, Cosmo Francesco Ruppi, organizou, entre seus primeiros atos, uma conferência internacional sobre "Timóteo e suas Cartas". Contudo, foi somente em 28 de junho de 1994, a pedido do então bispo Domenico D'Ambrosio, em preparação para o quinquagésimo aniversário da descoberta das relíquias, que um novo exame foi realizado, conduzido pelo patologista Professor Felice D'Onofrio, da Universidade de Nápoles. As relíquias, parcialmente consolidadas e colocadas sobre uma placa de plexiglass, permaneceram expostas para veneração dos fiéis até maio de 1997, quando foram transferidas para uma nova urna de bronze.

Entretanto, a diocese decidiu iniciar uma série de investigações científicas sobre as relíquias de seu santo padroeiro, o bispo Basso. Essas investigações estão em andamento desde outubro de 2000, com a autorização do atual bispo, Tommaso Valentinetti. Aguardam-se os resultados da análise de carbono-14, que fornecerão pelo menos uma datação plausível. Ao mesmo tempo, estão sendo realizadas reformas na cripta onde as relíquias de Timóteo também são guardadas, necessárias em parte devido a problemas de umidade. Esta seria, portanto, uma excelente oportunidade para aprofundar, por meio de investigações científicas específicas e direcionadas, nosso conhecimento sobre os restos mortais tradicionalmente atribuídos ao Apóstolo dos Gentios, particularmente sua datação por análise de carbono-14 e, se os restos mortais permitirem, a provável área de proveniência por meio de análise de DNA. Embora uma longa série de indícios nos permita rastrear esses restos mortais com boa certeza até a época do saque de Constantinopla em 1204, e não haja (como já mencionado) qualquer razão para duvidar da transladação das relíquias de Timóteo de Éfeso para Constantinopla em 356, e seja também significativo que não haja outro lugar que mantenha a tradição da presença das relíquias de Timóteo, é necessária maior cautela, no entanto, devido à escassez de fontes e ao debate crítico em torno de algumas delas, por exemplo, Procópio de Cesareia, sobre cujo valor nem todos os críticos concordam (como também demonstram os estudos recentes sobre as relíquias de outro santo do Apostolado , Lucas, parcialmente ainda em andamento também pelo autor e dos quais já falamos diversas vezes recentemente nestas mesmas páginas – ver 30Giorni n. 10, outubro de 2000, pp. 78-89).

Portanto, somente dados científicos verificados podem ajudar a confirmar a confiabilidade da tradição em sua totalidade. e esses dados também poderiam fornecer informações comparativas valiosas para outras pesquisas semelhantes, principalmente, espera-se, aquelas relacionadas ao próprio Paulo.

Fonte: https://www.30giorni.it/

Papa: a morte é parte integrante da vida, passagem para a eternidade

Audiência Geral, 10/12/2025 - Papa Leão XIV (Vatican News)

Na Audiência Geral desta quarta-feira (10/12), o Papa recordou que a morte não é a última palavra, mas um limiar de esperança iluminado pela Ressurreição de Cristo.

https://youtu.be/BwjJTicEc5Q

Thulio Fonseca - Vatican News

As baixas temperaturas que já anunciam a chegada do inverno no hemisfério norte, em torno dos 5 °C na Praça São Pedro, não impediram a presença de milhares de fiéis e peregrinos que, desde as primeiras horas da manhã, se reuniram para participar da Audiência Geral com o Papa nesta quarta-feira, 10 de dezembro. Dando continuidade ao ciclo de catequeses do Jubileu 2025, Leão XIV refletiu sobre o tema “A Páscoa de Jesus Cristo: resposta última à pergunta sobre a nossa morte”, propondo um olhar cristão sobre a morte como parte do mistério da vida.

Logo no início, o Santo Padre reconheceu o impacto existencial desta realidade: “O mistério da morte sempre suscitou questões profundas nos seres humanos”. Segundo o Papa, a morte se apresenta como um paradoxo: 

“É natural porque todo o ser vivo na Terra morre. É antinatural porque o desejo de vida e de eternidade […] faz-nos ver a morte como uma condenação, como um ‘contrassenso’.”

Papa Leão XIV durante a Audiência Geral   (@Vatican Media)

Conscientes e impotentes

Ao analisar a sociedade contemporânea, o Pontífice alertou para a tendência de silenciar o tema: “Hoje […] a morte surge como uma espécie de tabu, um acontecimento a manter à distância”, o que leva muitos a evitarem até mesmo os cemitérios, onde repousam aqueles que aguardam a ressurreição.

A reflexão de Leão XIV avançou para a condição singular do ser humano, único que tem consciência da própria finitude. “Só os humanos fazem esta pergunta, porque só eles sabem que vão morrer”, observou, acrescentando que esta lucidez não liberta, mas expõe a fragilidade: “Encontramo-nos conscientes e, ao mesmo tempo, impotentes”.

Uma vida autêntica

Citando Santo Afonso Maria de Ligório, o Papa destacou o valor espiritual da meditação sobre a morte: “Saber que ela existe, e sobretudo meditar sobre ela, ensina-nos a escolher o que realmente queremos fazer com a nossa vida”. Segundo ele, essa consciência ajuda a libertar o coração do supérfluo e a orientar a vida para o essencial: “Orar para compreender o que é benéfico para o Reino dos Céus […] é o segredo para viver autenticamente”.

O Pontífice também alertou para as promessas modernas de uma falsa imortalidade: “Muitas visões antropológicas atuais prometem imortalidades imanentes”, lembrando o desafio colocado pelo transumanismo e questionando: “Poderia a própria ciência assegurar-nos que uma vida sem morte é também uma vida feliz?”

Papa Leão XIV durante a Audiência Geral   (@Vatican Media)

A força da Ressurreição

Ao retomar o centro deste ciclo de catequeses, o Papa reforçou o aspecto do anúncio pascal: “O acontecimento da Ressurreição de Cristo revela-nos que a morte não se opõe à vida, mas é parte integrante dela como passagem para a vida eterna”. Em seguida, comentando o Evangelho segundo São Lucas, recordou o sinal silencioso de esperança que antecede a manhã de Páscoa: “‘Era o dia da preparação, e estava a despontar o sábado’ (Lc 23,54)”, e sublinhou que “só este acontecimento é capaz de iluminar plenamente o mistério da morte”.

Ao final, recordou que Cristo já atravessou a morte por nós: “O Ressuscitado precedeu-nos na grande provação da morte, emergindo vitorioso graças ao poder do Amor divino”, preparando para a humanidade “o lugar do repouso eterno, o lar onde somos esperados” e a vida plena onde já não há sombras nem contradições.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Como proteger seus joelhos de problemas futuros (Parte 2/2)

Alguns exercícios simples por dia já ajudam a manter os joelhos em boas condições (Crédito: Getty Images)

Como proteger seus joelhos de problemas futuros

Autor: David Cox

De BBC Future

6 outubro 2025

Aqui estão cinco exercícios rápidos e caseiros que ajudam bastante. Como regra geral, Colvin indica começar com duas séries de 10 repetições – ou seja, realizar o exercício 10 vezes, descansar e depois repetir mais 10 vezes.

Subidas em degraus (step-ups)

Basta usar um degrau ou escada baixa. Com o pé de sua preferência, suba até ficar com os dois pés no degrau e depois desça. A cada vez, alterne o pé que inicia o movimento.

"É um exercício de baixo impacto porque utiliza apenas o peso do corpo," explica Chhabra. "Trabalha os músculos posteriores da coxa (isquiotibiais) e, sobretudo, os quadríceps, que ficam na parte da frente da coxa. Os quadríceps são fundamentais para a articulação do joelho, porque a patela se aproxima mais do fêmur quando estão enfraquecidos, aumentando o atrito e a dor."

Quadríceps mais fracos também sobrecarregam a articulação em que a patela desliza sobre o osso da coxa, o que causa dor e estalos.

Agachamentos

Chhabra recomenda que seus pacientes façam agachamentos todas as manhãs e todas as noites antes de dormir.

"Isso fortalece os quadríceps e os glúteos, que são essenciais para aliviar a sobrecarga sobre o joelho," diz.

"Também ajuda na propriocepção. Agachamentos repetidos apenas com o peso do corpo trazem muitos benefícios."

Para quem passa longos períodos sentado, séries curtas de 15 agachamentos a cada 30 minutos também estimulam a produção das proteínas necessárias para o crescimento muscular e da força.

Pesquisas indicam que o agachamento melhora a densidade mineral óssea e reduz o risco de quedas na velhice.

Embora não se saiba se previnem a osteoartrite, ajudam a estabilizar o joelho, reduzem a dor e melhoram a qualidade de vida de quem já tem a condição.

Chhabra alerta, porém, em relação ao agachamento profundo – quando os joelhos se dobram além de 90 graus.

A comunidade científica é dividida sobre o tema: alguns estudos mostram que, com a técnica certa, não há risco de maior lesão; mas se feito de forma inadequada, pode agravar problemas no joelho.

"Isso pode sobrecarregar bastante a articulação patelofemoral [entre a patela e o fêmur], aumentando a dor," afirma.

Elevação de perna esticada

Outro exercício simples para fortalecer os quadríceps. Deitado de costas, dobre o joelho de uma perna com o pé apoiado no chão, enquanto mantém a outra esticada.

Eleve a perna reta alguns centímetros do solo, segure por alguns segundos e depois abaixe lentamente.

Estudos mostram que esse exercício melhora a força dos músculos do joelho, protege a articulação e ainda reduz o risco de lesões relacionadas à prática esportiva quando usado como aquecimento.

"O segredo é contrair o quadríceps antes de levantar a perna," orienta Colvin.

"Assim, quando você estica e levanta, já está ativando os músculos que deseja trabalhar."

Agachamentos podem fortalecer não só os músculos das pernas e das costas, mas também os ossos (Crédito: Getty Images)

Elevação de panturrilhas

A panturrilha consiste em dois músculos: o gastrocnêmio e o sóleo. Fortalecê-los pode ajudar a reduzir a sobrecarga da parte do joelho abaixo da patela.

Segundo Chhabra, a elevação da panturrilha é uma das melhores formas de trabalhar esses músculos.

Basta ficar em pé, com os pés afastados na largura dos ombros e dedos voltados para a frente. Eleve os calcanhares lentamente, mantendo os joelhos estendidos, segure por um segundo na ponta dos pés e depois desça.

Esse exercício melhora o equilíbrio muscular ao redor do joelho, explica Chhabra. "Se um músculo está fraco, o desequilíbrio vai gerar mais pressão sobre o joelho."

Levantar da cadeira

Esse movimento ativa os músculos do core, que inclui abdômen, costas e quadris. Embora pareçam não ter ligação direta, Colvin explica que esse grupo muscular desempenha um papel importante na saúde dos joelhos.

"Os músculos do core vão do meio do peito até o joelho," diz.

O exercício consiste em sentar em uma cadeira e levantar-se repetidamente, sem se apoiar com as mãos.

"É mais difícil do que parece," afirma Colvin. "E você pode deixar ainda mais desafiador ao usar uma cadeira mais baixa ou ao fazer o movimento com apenas uma perna."

Cuidar dos joelhos desde cedo pode significar mais mobilidade e menor risco de lesões na vida adulta (Crédito: Getty Images)

Se você nunca fez esses exercícios, Chhabra recomenda marcar uma primeira sessão com um fisioterapeuta ou treinador de força para aprender a técnica correta, além de definir quantas séries e repetições são mais adequadas para o seu caso.

"À medida que ganha força, é possível acrescentar carga – usando coletes com peso ou segurando halteres, se tiver acesso a eles. Mas isso depende da idade e do nível de condicionamento," explica.

"Conforme envelhecemos, o peso do corpo já costuma ser suficiente. Também recomendo que os pacientes fiquem atentos a sinais de dor. Dor muscular é normal, mas dor crescente na articulação não é, pois pode indicar algum problema no joelho que precisa ser avaliado por um médico."

No fim das contas, reservar tempo para fortalecer os joelhos é um investimento valioso na sua saúde a longo prazo. Muitas vezes não damos a devida atenção a eles – até que falhem. Como aconselhou Baz Luhrmann na música Everybody's Free (To Wear Sunscreen): "Seja legal com seus joelhos. Você vai sentir falta deles quando não os tiver mais."

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Health.

Fonte: https://www.bbc.com/

A saudação do Papa a fiéis de língua portuguesa, inclusive a brasileiros na Praça São Pedro

O balão em forma de cruz levado à Praça São Pedro pelo balonista brasileiro Émerson Israeel Basso (@Vatican Media)

"Como peregrinos de esperança nesta vida, caminhemos rumo à sua plenitude na Casa do Pai!", disse Leão XIV durante a saudação aos fiéis de língua portuguesa. Entre eles, um brasileiro de Curitiba/PR, há 3 anos morando na Itália, que apresentou ao Papa uma das suas obras: um balão de papel em forma de cruz de mais de 7 metros de altura feito a convite de um baloeiro italiano da ilha de Ventotene, famosa por atividades com o balonismo, que é prática legal no país.

Andressa Collet - Vatican News

“Uma cordial saudação aos fiéis de língua portuguesa, de modo especial ao grupo de escoteiros de Montijo! Para aqueles que creem na Ressurreição de Cristo, a morte não é o fim, mas o início da eternidade. Como peregrinos de esperança nesta vida, caminhemos rumo à sua plenitude na Casa do Pai! Deus os abençoe!”

Assim o Papa Leão XIV saudou os peregrinos de língua portuguesa presentes na Audiência Geral desta quarta-feira (10/12), na catequese que refletiu sobre o mistério da morte e o amanhecer da Ressurreição de Cristo. Entre os brasileiros presentes, Emerson Israel Basso, o brasileiro de Curitiba/PR, há quase 3 anos morando em Medolago, pequena cidade de Bergamo, onde mora com a esposa e dois filhos e trabalha como mecânico. De hobby, porém, desde os 5 anos de idade, está o balonismo: "acho que eu tenho mais foto de balão, no meu celular, do que dos meus filhos", comentou ele que nesta quarta-feira (10/12) também trouxe para a Praça São Pedro uma de suas obras para apresentar ao Papa Leão XIV.

O balão de mais de 7 metros em forma de cruz

Emerson tem uma história muito longa com o balonismo, uma tradição que passou do avó para o pai e para ele. Toda família cresceu com a arte do balão de papel: 

"Aprendi não só a fazer balão, mas criar moldes, desenhos e projetos. A gente sempre se virou com tudo e com muita responsabilidade para não gerar problemas para terceiros e para nós. Uma das preocupações é usar aplicativo de vento, para fazer todos os cálculos para o balão; fazer o balão com maior segurança possível; não carregar muito no peso."

Na Itália, Emerson conheceu um grupo de baloeiros de Ventotene, uma das Ilhas Pontinas no Mar Tirreno, a 46Km da costa de Gaeta, bem na divisa entre as regiões do Lazio e da Campânia, no sul do país. Entre eles, Luigi, de quem partiu o convite para fazer um balão em formato de cruz que foi enchido em 14 de setembro na ilha para a Festa da Exaltação da Santa Cruz:

"Ele falou pra mim: 'este ano vai ter o encerramento do Jubileu, você não gostaria de fazer um balão pra levar lá pro Papa e a gente enche lá e conhece o Papa...' Perfeito, eu disse, porque pra mim será um prazer conhecer o Papa e não tem nem como recusar". 

O balão em forma de cruz foi enchido em plena Praça São Pedro   (@Vatican Media)

Assim, o mesmo balão que foi a Ventotene, de 7 metros e meio de altura, em forma de cruz, artisticamente aperfeiçoado com a própria imagem de Leão XIV e da Basílica de São Pedro, veio ao Vaticano nesta quarta-feira (10/12). O balão já tinha a imagem de Jesus, de Santa Candida e da igreja de Ventotene em sua homenagem. A pequena cidade italiana festeja a sua padroeira todo 20 de setembro com várias atividades, inclusive com uma corrida famosa de balões de carta que, na Itália, é regularmente permitido, ao contrário do que acontece no Brasil, onde confeccionar, transportar e soltar balões artesanais (com fogo) é prática ilegal considerada crime ambiental e aeronáutico desde 1998, devido a riscos de incêndios e acidentes aéreos.

A obra foi apresentada a Leão XIV

Ao final da Audiência Geral, o balão foi enchido para apreciação tanto dos milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro quanto do próprio Papa Leão XIV, para experiência inédita do brasileiro no Vaticano:

"Eu faço balão a vida inteira, desde os 5 anos. Minha vida inteira gira em torno do balão. E hoje eu tive o prazer de encher um balão em formato de cruz com os desenhos do Papa e de Ventotene, a cidade que me acolheu aqui em relação ao mundo do balão Hoje praticamente eu fiz história no Vaticano. O mundo inteiro pode ver o meu balão e as minhas pinturas."

O balão apresentado ao Papa ao final da Audiência Geral   (@Vatican Media)

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

SÃO TIMÓTEO: Onde o discípulo de Paulo repousa (Parte 1/2)

Termoli, Molise | 30Giorni.

SÃO TIMÓTEO

Arquivo 30Dias nº 04/05 - 2001

Onde o discípulo de Paulo repousa

A história das relíquias preservadas em Termoli

Nenhum lugar reivindica a posse de suas relíquias, exceto Termoli, hoje uma pequena cidade em Molise com vista para o Adriático, mas que durante a Idade Média foi um ponto estratégico de desembarque e trânsito para o Oriente. Um relicário contendo o caput sancti Timothei foi preservado em sua catedral por séculos . E em 1945, uma antiga epígrafe foi descoberta, o que levou à recuperação dos restos mortais de um corpo que poderia ser o do santo.

Por Lorenzo Bianchi

« Sob o consulado de Constâncio (o oitavo) e de Juliano César, as relíquias do apóstolo Timóteo entraram em Constantinopla no dia primeiro de junho» («Constantius VIII et Iulianus Caesare consulibus, introierunt Constantinopolim reliquiae apostoli Timothei, die kalendis iuniis»). É no ano de 356 que a crônica consular de Constantinopla ( Consularia Constantinopolitana , em MGH, Auct. antiq. IX, p. 238) registra o evento (que provavelmente ocorreu não no dia 1, mas no dia 24 de junho, conforme relatado por Teodoro, o Leitor, Historia Tripartita II, 61, e outros autores): por ordem do imperador Constâncio II, seu confidente Artemius, futuro governador do Egito, onde apoiaria os arianos perseguindo os católicos, e futuro mártir em Antioquia sob Juliano, o Apóstata, levou os restos mortais de Timóteo de Éfeso, onde estavam sepultados, para colocá-los sob o altar do Apostoleion , a igreja dos Apóstolos em Constantinopla. A eles se juntaram pouco depois os corpos de Santo André e São Lucas, trasladados no ano seguinte, como nos conta Jerônimo ( De viris illustribus III,7,6): "[Lucas] foi sepultado em Constantinopla, onde seus restos mortais foram trasladados no vigésimo ano de Constâncio, juntamente com os restos mortais do apóstolo André" ("Sepultus est Constantinopoli, ad quam urbem vigesimo Constantii anno ossa eius cum reliquiis Andreae apostoli traslata sunt"). Da perspectiva política do imperador, as trasladações tinham o propósito de conferir, em relação às sedes episcopais de tradição apostólica, um selo de preeminência à nova sede da capital do Império, a nova Roma. Assim, em meados do século IV, ela adquiriu seu tesouro de relíquias, testemunhos físicos de uma história de graça.

Timóteo, nascido na colônia romana de Listra, na Licaônia (Ásia Menor), na quarta década do primeiro século, filho de pai grego e mãe judia, Eunice (convertida pelo próprio Paulo quando este chegou a Listra em sua primeira viagem, juntamente com Barnabé, por volta de 47-49), já era cristão quando, por volta de 50, Paulo retornou a Listra e o levou consigo como seu colaborador mais próximo. Ele é mencionado inúmeras vezes nos Atos dos Apóstolos e nas Cartas de Paulo: e na primeira carta dirigida pelo próprio Paulo a Timóteo, ele aparece como o chefe da Igreja de Éfeso ( 1Tm 1, 2), onde provavelmente, segundo o Martírio de São Timóteo, primeiro patriarca da metrópole de Éfeso (uma obra que parece ser de Polícrates, bispo de Éfeso na segunda metade do século II, mas que na realidade é uma composição posterior, mesmo que confiável), ele morreu como mártir sob o império de Domiciano (81-96) ou talvez sob o de Nerva (97-98), e onde foi sepultado em um lugar chamado Pione.

A notícia da transladação das relíquias de Timóteo de Éfeso para Constantinopla, inclusive pelas razões que a determinaram, não deixa dúvidas (embora ainda existam questionamentos sobre a exatidão da data). Em Constantinopla, encontramos as relíquias novamente em 536, segundo o que afirma Procópio de Cesareia: naquele ano, Justiniano reconstruiu o Apostoleion , destruído por um incêndio que, no entanto, não danificou os três corpos (sQmata) de Timóteo, Lucas e André, cujos caixões de madeira foram vistos sob o piso da igreja ( De aedificiis Iustiniani I, 4, 21). Eles ainda são atestados ali ao longo dos séculos seguintes, mais recentemente por Nicolau Mesarites, um alto funcionário bizantino que nos deixou uma descrição detalhada do Apostoleion , escrita entre 1199 e 1203, às vésperas de seu saque pelos guerreiros da Quarta Cruzada: "O altar sagrado de Cristo, de prata pura, fina e brilhante, esconde em si, como um tesouro inestimável, os corpos dos apóstolos Lucas, André e Timóteo, que enfrentaram a morte por ele" (cap. 38). Mas em 12 de abril de 1204, Constantinopla foi ocupada, devastada e saqueada pelos cruzados latinos; e, como relata Nicetas Choniates, nem mesmo os túmulos foram respeitados. Após o saque, as relíquias de Timóteo (assim como as de André e do suposto Lucas) desapareceram de Constantinopla, e seus vestígios se perderam. Mas é plausível que tenham seguido os cruzados de volta para o Ocidente, especialmente porque um relato nos diz que, em 1205, ano seguinte ao saque, "dois santos Timóteos, discípulos do santo Paulo Apóstolo", juntamente com outras relíquias de Constantinopla, chegaram ao mosteiro de São João em Vineis, em Soissons, no norte da França.

UMA DESCOBERTA REPENTINA E FORTUITA

Nenhum lugar reivindica a posse das relíquias de Timóteo. Nenhum lugar, exceto Termoli, hoje uma pequena vila de pescadores no sul de Molise, com vista para o Adriático e seu porto com vista para as Ilhas Tremiti, mas que durante toda a Idade Média foi um ponto estratégico de desembarque e trânsito para o Oriente, com a vila situada em um pequeno promontório. Em sua catedral, um edifício românico de três naves do século XIII, um relicário contendo um crânio quase completo, o "caput sancti Timothei", foi (e ainda é) preservado por séculos. Este relicário é atestado pela primeira vez em um relatório episcopal ad limina, data de 1592, mas certamente é muito mais antiga: sua aparência e acabamento a datam do século XIII ou, no máximo, do século XIV (ver quadro na página 90). Nada mais lembrava (ou pelo menos sempre pareceu assim) a presença de Timóteo em Termoli, e nada explicava a presença da relíquia na cidade, onde São Basso sempre foi venerado como seu protetor. A tradição afirma que Basso veio da Gália e cujas relíquias existem na própria catedral, dentro de uma arca de mármore com uma inscrição em seis hexâmetros leoninos.

Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, foram realizadas obras na catedral, por iniciativa do pároco Biagio D'Agostino, para tornar o túmulo do santo padroeiro mais visível para veneração pelos fiéis. Ao tentar liberar a parte inferior das três absides para criar uma cripta sob o altar, as três absides de uma igreja mais antiga, datada do século XI, foram descobertas mais atrás e em um nível cerca de 90 cm abaixo. Eles evidentemente haviam sido removidos de propósito. Junto com eles, várias seções do piso original, um mosaico policromado, em alguns lugares áspero, com representações simbólicas incomuns de animais entrelaçados com motivos vegetais, talvez relacionados à narrativa da queda do homem e à obra redentora de Cristo. Mas a descoberta mais notável foi, em 11 de maio, uma placa de mármore bruto com 1,10 m de comprimento, 60 cm de largura e cerca de 6 cm de espessura. Esta estava apenas parcialmente encaixada horizontalmente na parede da antiga abside direita e cobria um nicho funerário quadrangular contendo uma caixa de madeira. Na superfície lisa e inferior da lápide, oculta por estar voltada para baixo, lia-se uma inscrição datada: "In nomine Christi amen. Anno Domini MCCXXXVIIII. Hic requiescit corpus beati Timothei discipuli Pauli apostoli, reconditum a venerabili Stephano episcopo Termulano una cum capitulo" ("Em nome de Cristo, amém. No ano de Nosso Senhor de 1239. Aqui jaz o corpo do Beato Timóteo, discípulo do Apóstolo Paulo, oculto pelo Venerável Estêvão, Bispo de Termoli, juntamente com o capítulo"). A construção do nicho funerário que abrigava o caixão (parte escavada na parede da antiga abside e parte no solo externo) deixava claro que fora feito em 1239, quando a igreja anterior fora destruída e a nova já havia sido construída.

A caixa de madeira, que testemunhas da descoberta afirmam ter sido quase totalmente pulverizada ao entrar em contato com o ar (mais provavelmente, dispersa), continha ossos humanos que, após exame físico, conforme consta no relatório preservado nos Arquivos Diocesanos de Termoli, apresentavam-se "frágeis e quebradiços: características que indicam sua antiguidade. Alguns desses ossos estão quase intactos, outros quebrados e erodidos". A necropsia, realizada em 14 de maio de 1945 pelo Dr. Gino Sciarretta, na presença do Bispo Oddo Bernacchia, do cabido da catedral e de diversas testemunhas, confirmou que os restos mortais pertenciam ao esqueleto quase completo de um homem idoso. Apenas uma porção da mandíbula estava presente, uma das partes que faltavam na relíquia anteriormente conhecida do "caput sancti Timothei": portanto, provavelmente se tratavam dos ossos do mesmo indivíduo.

A descoberta, anunciada e discutida cientificamente dois anos depois por Antonio Ferrua ( Antichità cristiane. Le reliquie di san Timoteo , em La Civiltà Cattolica , ano 97, vol. III, quad. 2332, 9 de agosto de 1947, pp. 328-336), foi, portanto, completamente inesperada; mas ninguém questionou a autenticidade da descoberta, mesmo que não fosse fácil explicar por que ela chegou e permaneceu em Termoli, e sobretudo porque a memória de sua presença havia se perdido. De fato, o Cardeal Alfredo Ildefonso Schuster de Milão, que já havia se interessado pela relíquia da cabeça em 1925, quando era Abade de San Paolo em Roma, fez um pedido (que não foi aceito) para transferir o corpo de Timóteo para Roma, para que pudesse ser colocado próximo ao local, sob o altar da basílica, onde a tradição e as fontes atestam o caixão contendo os restos mortais de Paulo (ver quadro na p. 89); e o próprio Papa Pio XII reconheceu sua autenticidade com uma bula papal datada de 25 de abril de 1947.

Continua...

Fonte: https://www.30giorni.it/

AVC, Alzheimer e enxaqueca: por que OMS emitiu alerta sobre essas doenças e condições neurológicas?

Ao menos uma vez por semana, 1,8 milhão de pessoas têm enxaqueca - GNews — Foto: Reprodução/GloboNews

Relatório global aponta que distúrbios que afetam o cérebro e o sistema nervoso já são a principal causa de incapacidade no mundo; especialistas brasileiros explicam os riscos e os desafios do país.

Por Talyta Vespa, g1

08/11/2025 04h02  Atualizado há 3 semanas

  • 3,4 bilhões de pessoas no mundo vivem com alguma doença neurológica.
  • AVC, Alzheimer e enxaqueca estão entre as principais causas de incapacidade no mundo
  • 80% dos casos estão concentrados em países de baixa e média renda
  • No Brasil, o AVC é a principal causa de incapacidade e de morte cardiovascular
  • Especialistas alertam: o país ainda não está preparado para o aumento das doenças neurológicas com o envelhecimento populacional

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acendeu um sinal de alerta global: os distúrbios neurológicos — que incluem AVC, Alzheimer, enxaqueca, epilepsia e autismo — já são a principal causa de incapacidade no planeta, à frente do câncer e das doenças cardiovasculares.

Segundo o novo Global Status Report on Neurology, publicado em outubro, mais de 3,4 bilhões de pessoas vivem com alguma condição que afeta o cérebro ou o sistema nervoso — o equivalente a quase metade da população mundial.

Mas afinal, por que essas doenças são tão incapacitantes?

Porque o cérebro comanda tudo: a fala, a memória, os movimentos, as emoções e o equilíbrio do corpo. Quando ele ou a medula espinhal sofrem lesões, inflamações ou degenerações, o impacto se espalha para todos os sistemas.

“É uma crise silenciosa de saúde pública global, e o Brasil reflete esse cenário de forma muito evidente”, afirma a neurologista Maramélia Miranda, presidente da Sociedade Brasileira do AVC e coordenadora do Departamento de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

O alerta da OMS

O relatório faz parte do Plano Global Intersetorial para Epilepsia e Outros Distúrbios Neurológicos (IGAP), que propõe metas até 2031 para reduzir o impacto dessas doenças e combater o estigma associado a elas.

A OMS estima que 40% da população mundial conviva com alguma condição neurológica e que 80% dos casos ocorram em países de baixa e média renda — justamente onde há menos acesso a diagnóstico e tratamento.

Entre os dez distúrbios que mais causam incapacidade estão:

  • AVC,
  • enxaqueca,
  • doença de Alzheimer e outras demências,
  • neuropatia diabética,
  • epilepsia,
  • e transtornos do espectro autista.

O cenário das doenças neurológicas no Brasil

No Brasil, o AVC é a principal causa de incapacidade e a segunda de morte. Desde 2019, voltou a superar o infarto como a principal causa de mortalidade cardiovascular — movimento oposto ao observado em países desenvolvidos.

"Aqui, o impacto é maior porque temos mais fatores de risco e menos acesso ao controle adequado da hipertensão, diabetes e colesterol”, explica Maramélia Miranda.

Nos últimos 15 anos, o país avançou na criação de unidades de AVC e na oferta de trombólise e trombectomia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda assim, o mapa da assistência é desigual:

“Há regiões inteiras sem hospitais habilitados para trombólise. No Norte, não há nenhum centro público com o serviço, e em estados populosos como Rio de Janeiro e Minas Gerais, a trombectomia ainda não está disponível 24 horas, assim como na grande São Paulo. Estamos falando da maior região metropolitana do país. É assustador", diz a neurologista.

  • trombólise é um procedimento feito com medicamentos que “dissolvem” o coágulo que bloqueia a circulação no cérebro — o que só pode ser feito nas primeiras horas após o início dos sintomas.
  • Já a trombectomia é uma técnica mais moderna e invasiva, na qual o coágulo é retirado por meio de um cateter inserido na artéria, geralmente na virilha, e guiado até o cérebro.

Ambos os métodos têm um objetivo comum: reabrir o vaso sanguíneo e restaurar o fluxo de sangue o mais rápido possível, para evitar que o tecido cerebral morra.

Ela reforça que reconhecer o AVC rapidamente é essencial. O acrônimo SAMU ajuda a identificar os sinais:

  • S de sorriso torto.
  • A de abraço fraco.
  • M de música ou fala enrolada.
  • U de urgência — ligar para o 192.

Cada hora de atraso no atendimento aumenta em 10% o risco de morte.

Alzheimer: envelhecimento acelerado e estrutura insuficiente

envelhecimento populacional rápido é o principal motor do aumento dos casos de Alzheimer, afirma a neurologista Elisa de Paula França Resende, coordenadora do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da ABN.

“O que a França levou cem anos para envelhecer, o Brasil está fazendo em dez — e não estamos preparados para lidar com isso”, diz.

A doença de Alzheimer tem como principal fator de risco a idade, mas o cenário brasileiro adiciona outros agravantes: baixa escolaridade, hipertensão, diabetes, depressão e isolamento social.

“Temos um Plano Nacional de Demências aprovado, mas ele ainda não saiu do papel. Precisamos de integração entre saúde, educação e assistência social — o idoso precisa de calçadas seguras, parques e centros de convivência, não só de remédio”, destaca Resende.

Segundo ela, há avanços promissores em biomarcadores plasmáticos, exames de sangue capazes de identificar alterações típicas do Alzheimer, e nas novas terapias anti-amiloide, recentemente aprovadas no Brasil.

“Essas drogas não são uma cura, mas abrem caminho para tratamentos mais seguros no futuro”, explica.

Ainda assim, o país está longe de estar preparado: faltam capacitação de médicos, centros de referência e equipes multidisciplinares de reabilitação cognitiva.

Enxaqueca: a segunda causa de incapacidade no mundo

Entre as doenças neurológicas, a enxaqueca se destaca por sua prevalência e invisibilidade.

De acordo com a neurologista Renata Londero, coordenadora do Departamento Científico de Cefaleia da ABN, o alerta da OMS tem relação direta com o levantamento Global Burden of Disease, que colocou a enxaqueca como a segunda causa de incapacidade global, atrás apenas da dor lombar.

“Durante muito tempo se acreditou que era só uma dor de cabeça. Mas é uma doença neurológica incapacitante, que afeta 15% da população — especialmente mulheres”, explica Londero.

A falta de acesso a tratamento é outro ponto crítico: os medicamentos modernos, como anticorpos monoclonais e triptanos, não estão disponíveis no SUS nem no rol da ANS.

“O paciente que precisa dessas terapias acaba recorrendo à Justiça. Essa desigualdade é enorme”, diz.

Ela destaca ainda a importância do manejo correto já na atenção básica:

“Quem tem mais de três dias de dor de cabeça por mês deve buscar ajuda médica. Usar analgésico em excesso piora a doença. E tratar precocemente muda completamente a qualidade de vida”.

Um desafio global e nacional

O relatório da OMS alerta que menos de um terço dos países possuem políticas públicas voltadas às doenças neurológicas. No Brasil, apesar de avanços pontuais, o abismo entre o sistema público e o privado ainda é grande.

“Precisamos tratar o cérebro com a mesma urgência com que tratamos o coração”, resume Maramélia Miranda.

“As doenças neurológicas já são o maior desafio sanitário do século, e enfrentá-las exige redes estruturadas, prevenção e acesso real ao cuidado.”

Fonte: https://g1.globo.com/

Preparai o coração

Natal não é um dia (Paulinas - COMEP)

PREPARAI O CORAÇÃO

09/12/2025

Dom Carlos José

Bispo de Apucarana (PR)

“Ficai firmes até a vinda do Senhor.” (Tg 5, 7)

É fundamental que compreendamos o sentido do Tempo do Advento para que vivê-lo com fé e esperança. Pensar o Natal sem vivenciar o Advento, será o mesmo que fazer dele um dia comum e, Natal não é e nem será, jamais, um dia qualquer. É pertinente que nos perguntemos: onde estão as luzes coloridas que víamos praticamente em todas as casas ao nosso redor, preanunciando que a Luz do Senhor estava por vir? Onde foram guardados os presépios que decoravam os jardins das residências, com fontes,  piscas-piscas e músicas natalinas, anunciando o doce encanto da espera do Menino? Onde se esconderam as estrelas reluzentes, as árvores enfeitadas das ruas anunciando a alegria da espera Daquele que nasceu para a Salvação dos Homens? Onde está a minha alegria diante da espera? É certo que o Menino já nasceu, o Salvador já veio conforme nos foi prometido! A Graça aconteceu, glória a Deus! No entanto, não podemos, não devemos nos esquecer que Ele, o Cristo de Deus virá novamente, Glorioso, embora esteja no meio de nós! Por isso, o Tempo do Advento deve despertar nosso coração, fazendo brilhar a chama da esperança e de um amor ardente que confia plenamente nos planos do Senhor!

No Advento se recorda a memória do que a Virgem Maria e São José viveram para que nós pudéssemos ser salvos. Somos exortados pela Liturgia da Santa Igreja a trilha o Advento como um caminho propício à conversão, buscando uma fé firme e atitudes vigilantes, com o coração inteiramente voltado a um novo nascimento, revendo nossa própria história. Indagar a nós mesmos: ‘meu coração está firme para que o Senhor Jesus entre e permaneça? Estou com as luzes acesas para receber o Salvador ou necessito tirar as trevas do pecado através de uma boa confissão, deixando limpa a manjedoura da minha alma?’ ‘Há espaço em mim ou estou com tantos afazeres que, nada mais cabe?’ Ainda há tempo de montarmos o presépio, a árvore de Natal, fazermos a Novena em Família, enfeitarmos a fachada de nossa casa e faxinarmos o nosso coração, fazendo dele uma linda manjedoura. Há tempo de fazermos o nosso caminho até a Belém que temos dentro de nós e ali, permitir que o Salvador tenha abrigo!

Muitos dizem que o Natal é um tempo mágico. Não meus irmãos, o Natal não é magia, pois magia é ilusão. Natal é uma realidade Divina, é um Santo Mistério! Natal é Deus que atravessa o silêncio da eternidade para nascer no coração de um mundo ferido a fim de resgatar e salvar a humanidade. E, até que Ele venha Glorioso, precisamos lembrar que num Natal, distante de nós, Ele veio e permanece entre nós, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. A Palavra nos garante, e pela fé, cremos e clamamos: “Vem Senhor Jesus” (Ap 22,20)

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF