O vídeo revisita os momentos mais significativos do Ano
Santo de 2025. O Papa Francisco abre a Porta Santa da Basílica de São Pedro na
noite de Natal de 2024, dando início ao Jubileu. Em seguida, a doença do
Pontífice, sua morte e o carinho das milhares de fiéis que participam de suas
exéquias. O início do Conclave e a eleição do Papa Leão XIV como 267º sucessor
de Pedro. Até a primeira viagem apostólica do Pontífice à Turquia e ao Líbano e
às celebrações natalinas.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Retrospectiva 2025: um ano de fé, encontro e esperança
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
A Igreja no Brasil em 2025
Por Nathália Queiroz*
30 de dez de 2025 às 13:57
Em 2025, a Igreja no Brasil e no mundo viveu mudanças
institucionais, perdas, celebrações e debates públicos, envolvendo decisões
governamentais, a morte do papa Francisco, a eleição de Leão XIV, novos dados
sobre religião no país, canonizações, consagrações nacionais e polêmicas
envolvendo líderes religiosos.
1- Autorização de aborto em meninas de até 14 anos
Em 8 de janeiro entrou em vigor a resolução do Conanda,
órgão do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, que autoriza aborto em
qualquer mês de gestação em meninas de até 14 anos vítimas de estupro. No
ordenamento jurídico brasileiro, todo ato sexual com menor de 14 é um estupro
presumido. A norma havia sido aprovada em 23 de dezembro de 2024 por 15 votos a
13.
2- Igreja no Brasil reza pela saúde do papa Francisco
Bispos e dioceses brasileiras rezaram pelo papa Francisco,
internado por 38 dias em Roma por pneumonia bilateral, recebendo alta em 23 de
março.
3- Frei Gilson lidera audiência digital e reúne multidões
em eventos presenciais
Em março, frei Gilson Azevedo, padre dos Carmelitas
Mensageiros do Espírito Santo, da diocese de Santo Amaro (SP), reuniu
cerca de 1 milhão de pessoas para rezar online ao vivo às 4h no
rosário da madrugada na Quaresma, gerando críticas e ataques de pessoas da
esquerda.
Ele liderou
a audiência digital no país com 153,8 milhões de horas assistidas
em suas transmissões ao vivo e realizou eventos presenciais no Brasil e no
exterior, incluindo encontro com 500 mil pessoas em João Pessoa em 27 de
dezembro. Seus shows intercalam momentos de música, pregação baseada na Palavra
de Deus e oração.
4- Morte do papa Francisco
O papa Francisco morreu em 21 de abril, aos 88 anos, de um
acidente vascular cerebral. O Brasil decretou luto de sete dias no país e cerca
de 200 mil pessoas participaram do funeral na praça de São Pedro, no Vaticano,
no dia 26 de abril, incluindo o presidente Lula e uma comitiva, bispos e
cardeais do país e brasileiros que
estavam em Roma para a canonização de Carlo Acutis que seria no dia 27 de
abril, mas foi adiada por causa da morte do papa.
4- Morre a irmã Inah Canabarro Lucas, a pessoa mais velha do mundo, aos 116 anos
A pessoa mais velha do mundo, a freira gaúcha, irmã
Inah Canabarro Lucas, morreu no dia 30 de abril, aos 116 anos.
Nascida em 27 de maio de 1908, Inah morava em Porto Alegre (RS), na Casa de
Acolhida Santo Enrique de Ossó que fica junto à Casa Provincial das Irmãs
Teresianas do Brasil, comunidade em que foi aceita aos 19 anos, em 1927.
5- Conclave e eleição do papa Leão XIV
O conclave para a eleição do novo papa começou no dia 7 de
maio e teve a participação de seis cardeais eleitores do Brasil: cardeal Odilo
Scherer, arcebispo de São Paulo (SP); cardeal Orani Tempesta, arcebispo do Rio
de Janeiro (RJ); cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de Salvador (BA); cardeal
Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília (DF); cardeal Leonardo Steiner,
arcebispo de Manaus (AM); e cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre
(RS). O cardeal Robert Prevost, prefeito dom Dicastério para os Bispos, foi
eleito no dia 8 de maio e tomou o nome Leão XIV. É o primeiro papa nascido nos
EUA na história.
6- Censo 2022 mostra queda no número de católicos e
aumento dos evangélicos e pessoas sem religião no Brasil
O mês de junho começou com a divulgação dos números do Censo
Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Censo
2022 mostrou que o número de católicos no Brasil é de 56,7%, uma
queda de 8,4 pontos percentuais em relação a 2010. Os evangélicos aumentaram
5,2 pontos percentuais, chegando a 26,9% da população. Também houve aumento de
1,4 pontos percentuais dos que se declaram sem religião, chegando a 9,28%, e
dos seguidores da umbanda e do candomblé, que são 1,05% da população.
7- Divino Pai Eterno é proclamado patrono de Goiás
Lei sancionada em Goiás reconheceu o Divino Pai Eterno como
patrono do Estado. A devoção, que começou no século XIX, se tornou a maior
manifestação religiosa do Centro-Oeste brasileiro e reúne milhões de pessoas
todos os anos em Trindade (GO). A Romaria do Divino Pai Eterno é celebrada
todos os anos, compreende dez dias e termina no primeiro domingo de julho.
8- Brasil é consagrado a São Miguel Arcanjo
Em12 de agosto, o Brasil
foi consagrado a são Miguel Arcanjo no plenário do Congresso
Nacional, com uma imagem peregrina oficial do arcanjo, vinda do Monte Gargano,
na Itália. A imagem percorreu diversas regiões do país, levando a consagração
de cidades e dioceses à proteção de são Miguel Arcanjo. A iniciativa foi
promovida pelo Instituto Hesed em parceria com o bispo de Piracicaba (SP), dom
Devair Araújo Fonseca.
9 – Canonização de Carlo Acutis e Pier
Giorgio Frassatti
A canonização ocorreu em 7 de setembro, no Vaticano. No
Brasil, a cerimônia foi acompanhada ao vivo na Paróquia São Carlo Acutis, na
diocese de Santo Amaro (SP), que fica no campus do Centro Universitário Ítalo
Brasileiro e na capela Nossa Senhora Aparecida e São Carlo Acutis, em Campo
Grande (MS), onde ocorreu o milagre que permitiu a beatificação de Carlo
Acutis. Na
capital sul-mato-grossense, 4,5 mil pessoas participaram das
celebrações.
O Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (RJ), projetou uma
imagem de Carlo Acutis para homenagear o novo santo.
10- Brasil ganha primeiro santuário do mundo dedicado a
são Carlo Acutis
Em 12 de outubro, a capela Nossa Senhora Aparecida e São
Carlo Acutis, em Campo Grande, foi elevada a santuário, o primeiro do mundo
dedicado ao santo.
11- Igreja na COP 30
A COP
30, Conferência das Partes signatárias do tratado da Organização
das Nações Unidas (ONU) para combate às mudanças climáticas que aconteceu em
Belém (PA) de 10 a 21 de novembro e reuniu representantes de
194 países e da União Europeia. O secretário de Estado da Santa Sé,
cardeal Pietro Parolin, participou com uma comitiva vaticana.
Cardeais apresentaram na COP o documento “Um chamado por justiça climática e a casa comum: conversão
ecológica, transformação e resistência às falsas soluções” no qual
condenaram o capitalismo ‘capitalismo verde’, a mineração e o
‘monocultivo energético’. Eles também exigiram uma transformação econômica
radical.
A Igreja também organizou atividades paralelas à COP para
conscientizar sobre o cuidado com a casa comum e discutir sobre a ecologia
integral e a justiça climática.
12- Padre Júlio Lancellotti é proibido de transmitir
missas e usar redes sociais
Outro episódio de repercussão no país foi a determinação do
arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, proibindo o padre Júlio
Lancellotti, pároco de São Miguel Arcanjo, na Mooca, de transmitir missas e de
se manifestar nas redes sociais. O anúncio foi feito pelo padre Júlio em 14
de dezembro. O padre disse aceitar a decisão com “espírito de
obediência”.
A primeira missa do padre depois da proibição do arcebispo
teve protesto dos participantes contra dom Odilo.
*Escrevo para a ACI Digital há nove anos e desde 2023 sou
correspondente no Brasil para o telejornal EWTN Notícias. Sou certificada em
espanhol pelo Instituto Cervantes. Tenho experiência em redação de conteúdo
religioso para mídias católicas em português e espanhol e em tradução de sites
religiosos. Sou casada, tenho quatro filhos e sou catequista há cerca de 20 anos.
Escrevo de Petrópolis (RJ).
“Te Deum” não é só para o dia 31 de dezembro!
Reportagem local - publicado
em 03/01/18 - atualizado em 30/12/25
Hino de ação de graças mais célebre da Igreja é para
rezarmos todos os dias.
“Te Deum laudamus“, em latim, quer dizer “Nós
Vos louvamos [como] Deus“. Trata-se da primeira afirmação de um hino
católico do Ofício de Leituras da Liturgia das Horas e entoado em eventos
solenes de ação de graças. O hino ficou conhecido pelas duas primeiras palavras
do primeiro verso: “Te Deum“, mantido como título inclusive na maioria
das traduções para os diversos idiomas.
A autoria do hino é atribuída tradicionalmente a Santo
Ambrósio e a Santo Agostinho, por ocasião do batismo deste
último pelo primeiro, em 387, na catedral de Milão. Algumas correntes, no
entanto, o atribuem a Santo Hilário ou, mais recentemente, ao
bispo Nicetas de Remesiana.
É tradicional cantá-lo ou rezá-lo no último dia do ano, em
agradecimento por todas as bênçãos recebidas de Deus.
No entanto, o “Te Deum” pode ser rezado todos
os dias – e é muito aconselhável que o seja, pois
a ação de graças é uma das formas de oração que
mais nos fazem progredir espiritualmente, fazendo-nos reconhecer a Bondade, a
Beleza e a Verdade do Criador que se manifestam em nossa vida, apesar de
quaisquer adversidades.
Eis o texto do cântico, em seu original latino e numa das
traduções mais usadas em português.
Em latim: “Te Deum laudamus”
Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.
Te æternum Patrem omnis terra veneratur.
Tibi omnes Angeli; tibi cæli et universæ Potestates;
Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant:
Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt cæli et terra maiestatis gloriæ tuæ
Te gloriosus Apostolorum chorus,
Te Prophetarum laudabilis numerus,
Te Martyrum candidatus laudat exercitus.
Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia,
Patrem immensæ maiestatis:
Venerandum tuum verum et unicum Filium;
Sanctum quoque Paraclitum Spiritum.
Tu Rex gloriae, Christe.
Tu Patris sempiternus es Filius.
Tu ad liberandum suscepturus hominem,
non horruisti Virginis uterum.
Tu, devicto mortis aculeo,
aperuisti credentibus regna caelorum.
Tu ad dexteram Dei sedes, in gloria Patris.
Iudex crederis esse venturus.
Te ergo quaesumus, tuis famulis subveni:
quos pretioso sanguine redemisti.
Aeterna fac cum sanctis tuis in gloria numerari.
(Adicionado posteriormente, contendo trechos do Salmos:)
Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuae.
Et rege eos, et extolle illos usque in aeternum.
Per singulos dies benedicimus te;
Et laudamus Nomen tuum in saeculum, et in saeculum saeculi.
Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire.
Miserere nostri Domine,
miserere nostri.
Fiat misericordia tua, Domine, super nos,
quemadmodum speravimus in te.
In te, Domine, speravi: non confundar in aeternum.
Em português: “A Vós, ó Deus, louvamos”
A Vós, ó Deus, louvamos e por Senhor nosso Vos confessamos.
A Vós, ó Eterno Pai, reverencia e adora toda a Terra.
A Vós, todos os Anjos, a Vós, os Céus e todas as Potestades;
A Vós, os Querubins e Serafins com incessantes vozes proclamam:
Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos!
Os Céus e a Terra estão cheios da vossa glória e majestade.
A Vós, o glorioso coro dos Apóstolos,
A Vós, a respeitável assembleia dos Profetas,
A Vós, o brilhante exército dos mártires engrandece com louvores!
A Vós, Eterno Pai, Deus de imensa majestade,
Ao Vosso verdadeiro e único Filho, digno objecto das nossa a
adorações,
Do mesmo modo ao Espírito Santo, nosso consolador e advogado.
Vós sois o Rei da Glória, ó meu Senhor Jesus Cristo!
Vós sois Filho sempiterno do vosso Pai Omnipotente!
Vós, para vos unirdes ao homem e o resgatardes
não Vos recusastes a entrar no casto seio duma Virgem!
Vós, vencedor do estímulo da morte,
abristes aos fiéis o Reino dos Céus,
Vós estais sentado à direita de Deus,
no glorioso trono do vosso Pai!
Nós cremos e confessamos firmemente
que de lá haveis de vir a julgar no fim do mundo.
A Vós portanto rogamos que socorrais os vossos servos
a quem remistes com o Vosso preciosíssimo Sangue.
Fazei que sejamos contados na eterna glória,
entre o número dos Vossos Santos.
Salvai, Senhor, o vosso povo e abençoai a vossa herança,
E regei-os e exaltai-os eternamente para maior glória vossa.
Todos os dias Vos bendizemos
E esperamos glorificar o vosso nome agora e por todos os séculos.
Dignai-Vos, Senhor, conservar-nos neste dia e sempre sem pecado.
Tende compaixão de nós, Senhor,
compadecei-Vos de nós, miseráveis.
Derramai sobre nós, Senhor, a vossa misericórdia,
pois em Vós colocamos toda a nossa esperança.
Em Vós, Senhor, esperei, não serei confundido.
Entoado como canto gregoriano
Ouça em oração esta interpretação do “Te Deum” como
canto gregoriano:
Vaticano: mais de três milhões de participantes nas audiências e celebrações em 2025
Dados divulgados pela Prefeitura da Casa Pontifícia indicam
mais de 250 mil participantes até abril, levando em consideração a
hospitalização do Papa Francisco a partir de 14 de fevereiro e a subsequente
distribuição dos textos do Angelus e das Audiências Gerais pela Sala de
Imprensa da Santa Sé, mesmo após seu retorno a Santa Marta. Desde maio, após a
eleição de Leão XIV, a participação foi de quase três milhões de fiéis.
Vatican News
Em 2025, 3.176.620 fiéis participaram de audiências e
celebrações litúrgicas no Vaticano. Os dados, divulgados pela Prefeitura da
Casa Pontifícia, incluem Audiências Gerais e jubilares, audiências especiais,
celebrações litúrgicas e orações do Angelus.
Presença durante o pontificado do Papa Francisco
De janeiro a abril, durante o pontificado do Papa Francisco,
um total de 262.820 pessoas compareceram: 60.500 nas oito audiências gerais e
jubilares, 10.320 nas audiências especiais, 62.000 nas celebrações litúrgicas e
130.000 nas orações do Angelus. Na leitura desses números devem ser levados em
consideração a hospitalização do Papa Francisco no Hospital Gemelli, que
começou em 14 de fevereiro, e seu retorno a Santa Marta. Durante esse período,
os textos das audiências gerais e do Angelus foram divulgados exclusivamente
pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
Presença desde a eleição do Papa Leão XIV
Desde a eleição do Papa Leão XIV para a Cátedra de Pedro, em
8 de maio, até o final do ano, a presença total foi de 2.913.800 pessoas.
Especificamente, 1.069.000 pessoas participaram das 36 audiências gerais e
jubilares, 148.300 nas audiências especiais, 796.500 nas celebrações litúrgicas
e 900.000 nas orações do Angelus. Dezembro registrou o maior número de presença
na oração mariana, com aproximadamente 250.000 participantes, enquanto outubro
teve o pico de presença tanto nas celebrações litúrgicas (aproximadamente
200.000) quanto nas audiências gerais e jubilares (aproximadamente 295.000).
Tudo seria melhor se o Natal não fosse um dia…
TUDO SERIA MELHOR SE O NATAL NÃO FOSSE UM DIA…
29/12/2025
Dom Itacir Brassiani
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)
Muitos sabem de cor essa simples e
bela canção do Padre Zezinho, lançada há meio século atrás. Os
versos continuam assim: “…Se as mães fossem Maria, e os pais fossem
José; e a gente parecesse com Jesus de Nazaré”. Na verdade, celebramos no dia
de Natal um acontecimento perene e grávido de consequências: a
encarnação do Filho de Deus.
Por isso, o Natal de Jesus está longe de
ser apenas um fervilhante evento comercial, uma colheita sazonal e
abundante do turismo ou um espetáculo cultural repleto de luzes
coloridas, anjos barrocos e sons harmoniosos. Também não se resume à recordação
piedosa de um fato circunscrito a um casal hebreu e a uma aldeia do império
romano.
O que as celebrações natalinas, oferecidas anualmente pelas
Igrejas cristãs, querem lembrar é que Deus e a criatura humana não se
opõem; que o céu e a terra não são realidades paralelas; que a história é o
lugar onde germinam as sementes da eternidade; que a justiça dá as mãos à
compaixão; que a vida humana e terrena é a morada de Deus.
Assim, o nascimento de Jesus, ocorrido no ano zero
da era cristã, também não se esgota na piedade individual, celebrada na
intimidade dos lares ou no interior dos templos. O Natal é muito mais
que a celebração do “aniversário de Jesus”. A memória desse fato divide em
dois e fecunda o tempo histórico e repercute nas relações humanas e
sociais.
Não é por acaso que a narração de Lucas
insere este acontecimento na moldura política do império
Romano no Oriente Médio (quando o imperador César Augusto ordenou um
recenseamento e Quirino era governador da Síria; cf. Lucas 2,1-2), e Mateus o
situa no tempo em que o rei Herodes governava a Judéia (cf. Mateus
2,1-3). O que isso tem a ver?
Numa região e num tempo marcados pelo medo, aumentado pela
presença do exército romano, aquele discreto nascimento ocorrido na
periférica Belém significou coragem e alegria para os pastores
e todo o povo, paz para os amados e amadas de Deus, esperançosa
peregrinação para os pagãos. E, também, grande inquietação para
Herodes.
Nós acolhemos o filho de José e de Maria como
Filho e Enviado de Deus para “anunciar o Evangelho aos pobres, proclamar a
liberdade aos presos e aos cegos a visão, para pôr em liberdade os oprimidos e
proclamar um ano do agrado do Senhor” (Lucas 4,18-19). E o
reconhecemos como salvação e luz para todos os povos. Mas também, desde
sempre, como pedra de tropeço para muitos (cf. Lucas 2,29-35).
Leão XIV: os cristãos que vivem em meio às guerras sejam sementes de paz
Na mensagem de vídeo com a intenção de oração para o mês de
dezembro, divulgada nas vésperas da viagem do Papa Leão à Turquia e ao Líbano,
o Santo Padre convida a rezar pelas comunidades cristãs que vivem em regiões de
guerra ou de conflito. O Pontífice as convida a não sentirem-se abandonadas e a
serem “sementes de paz, de reconciliação e de esperança”.
Vatican News
Nas vésperas de sua primeira viagem apostólica à Turquia e
ao Líbano, o Papa Leão XIV convida a rezar pelas minorias cristãs que vivem em
contextos de guerra, na intenção de oração deste mês de dezembro.
O Santo Padre inicia, assim, a última intenção de oração do
ano, divulgada nesta quarta-feira (26/11):
“Rezemos para que os cristãos
que vivem em contextos de guerra ou de conflito, especialmente no Oriente
Médio, possam ser sementes de paz, reconciliação e esperança.”
Ele mesmo o faz por primeiro, rezando uma oração ao “Deus da
paz”, no vídeo produzido e divulgado pela Rede Mundial de Oração do Papa, com a
colaboração do Vatican Media.
Os cristãos “que vivem em meio a guerras e violência” não se
sintam nunca abandonados: “Mesmo cercados pela dor”, disse o Papa, “nunca
deixem de sentir a gentil bondade” da presença de Deus “e as orações de seus
irmãos e irmãs na fé”.
“Pois somente por Ti, e
fortalecidos pelos laços fraternos, podem tornar-se sementes de reconciliação,
construtores de esperança em pequenos e grandes gestos, capazes de perdoar e
seguir adiante, de superar divisões e de buscar a justiça com misericórdia.”
Mesmo naquelas partes do mundo onde a guerra parece ser
única lei, “onde a harmonia parece impossível”, os cristãos são chamados a ser
“instrumentos de paz”. E não somente os que vivem naqueles lugares, mas todos
nós, porque Jesus “chamou bem-aventurados os que promovem a paz”, disse ainda o
Papa, acrescentando:
“Espírito Santo, fonte de
esperança nas horas mais sombrias, sustentai a fé dos que sofrem e fortalecei a
sua esperança. Não permitas que caiamos na indiferença, e fazei de nós
construtores da unidade, como Jesus. Amém.”
A fé em meio aos escombros
A intenção de oração deste mês e a primeira viagem
apostólica do Papa Leão XIV se concentram numa das áreas mais instáveis do
mundo do ponto de vista político, econômico e da segurança. Segundo o Relatório
2025 sobre a liberdade religiosa da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, o número
dos conflitos nas regiões médio-orientais e as condições socioeconômicas expõem
as minorias religiosas, particularmente os cristãos, a uma condição de extrema
vulnerabilidade. Na Palestina, a população está exaurida após dois anos de
guerra e muitas igrejas se tornaram refúgios para as famílias sem casa. No
Líbano, a grave crise econômica obrigou uma enorme quantidade de pessoas a
fugir, esvaziando paróquias e escolas. No Iraque e na Síria, a reconstrução se
realiza em meio ao cansaço entre instabilidade política, insegurança e falta de
perspectiva para os jovens. Mas, apesar de tudo isso, as pequenas comunidades
continuam a resistir, guardando a fé, servindo aos pobres e construindo pontes
de convivência com seus vizinhos de outras religiões.
As imagens que acompanham a oração feita pelo Papa nos
apresentam exatamente isso, mostrando exemplos de uma fé firme e inquebrantável
em meio aos escombros e destroços. São celebrações nos vilarejos iraquianos que
voltaram a reunir-se depois da guerra, a força extraordinária da comunidade
paroquial de Gaza mesmo nos dias de bombardeios, o trabalho indispensável da
Caritas do Líbano entre os pobres e os refugiados dos Países vizinhos, o oásis
de espiritualidade oferecido pelos mosteiros sírios: todos sinais da presença
daquele Espírito Santo que – como diz a oração feita pelo Papa – é “fonte de
esperança nas horas mais sombrias”.
De Francisco a Leão
“As condições dos cristãos nos contextos de conflito é uma
preocupação constante no coração do sucessor de Pedro”, afirma pe. Cristóbal
Fones, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa. “Nos últimos
anos, o Papa Francisco tinha confiado muitas vezes à oração da Igreja universal
o sofrimento e o testemunho dos cristãos que vivem em situações e contextos
difíceis. Pediu para rezar, por exemplo, pelos cristãos perseguidos, pelo
diálogo e a reconciliação no Oriente Médio, pelas comunidades religiosas
discriminadas e perseguidas, pelos novos mártires, testemunhas de Cristo.
O Papa Leão XIV retoma esta herança, coincidindo com sua
primeira viagem apostólica à Turquia e ao Líbano. O seu convite de oração é um
gesto de proximidade e de esperança: um modo para dizer aos cristãos da
Palestina, Líbano, Síria, Iraque e de tantos outros Países que não estão
esquecidos, que a Igreja universal caminha com eles; mas também para recordar a
todos nós que a fé cresce mesmo em meio às provações e dificuldades, e que das
comunidades feridas podem nascer sementes de reconciliação e de paz.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
A igreja mais antiga do mundo foi encontrada: onde fica, como é e como você pode visitá-la?
A igreja mais antiga do mundo foi encontrada: onde fica,
como é e como você pode visitá-la?
Para a Igreja Católica na Nigéria, o incidente reabre
questões dolorosas sobre a segurança das instituições religiosas e o cuidado
pastoral com as comunidades traumatizadas. Bispos e clérigos têm alertado
repetidamente que escolas e paróquias estão cada vez mais vulneráveis, mesmo
continuando a servir populações com poucas alternativas.
23 DE DEZEMBRO DE 2025, 17H45 - SALA DE IMPRENSA ZENIT
(ZENIT News / Aqaba, 23 de dezembro de 2025) – Às margens do
Mar Vermelho, em uma cidade hoje mais conhecida por seu comércio e turismo, um
capítulo inesperado da história cristã ressurgiu. Em Aqaba, no sul da Jordânia,
um sítio arqueológico estudado há muito tempo por especialistas foi
oficialmente aberto ao público: as ruínas de uma igreja que data do final do
século III, amplamente considerada o mais antigo local de culto cristão
construído especificamente para fins religiosos.
A cerimônia de inauguração, realizada em 15 de dezembro,
teve repercussões que se estenderam muito além do âmbito arqueológico. Pela
primeira vez desde o devastador terremoto que atingiu a região em 363, orações
e cânticos litúrgicos ecoaram novamente dentro de muros que antecedem a
legalização do cristianismo no Império Romano. Representantes da monarquia
jordaniana, patriarcados cristãos e líderes religiosos reuniram-se no mesmo
local onde os fiéis se encontravam em uma época em que o culto público cristão
ainda era legalmente precário.
O Ministro do Turismo da Jordânia, Emad Hijazin, inaugurou o
local em nome do Rei Abdullah II, enfatizando a dupla importância do evento.
Segundo ele, o sítio arqueológico reflete não apenas a herança cultural da
Jordânia, mas também o compromisso contínuo do país em salvaguardar seu
diversificado legado religioso. Aqaba, conhecida na antiguidade como Aila, vem
sendo cada vez mais apresentada não apenas como um destino litorâneo, mas como
um lugar onde a história espiritual permanece palpável.
A liturgia celebrada durante a cerimônia foi presidida pelo
Arcebispo Christoforos de Kyriakoupolis, representante do Patriarcado Ortodoxo
Grego de Jerusalém, marcando um momento de continuidade simbólica. Os líderes
religiosos presentes enfatizaram a importância de restaurar o culto a um espaço
que outrora serviu a uma comunidade cristã décadas antes do Édito de Milão, que
concedeu a liberdade religiosa em 313.
Descoberta em 1998 por uma equipe liderada pelo arqueólogo
americano Thomas Parker, a igreja foi construída entre aproximadamente 293 e
303 d.C., durante o reinado do imperador Diocleciano. Ao contrário dos locais
de encontro cristãos anteriores — muitas vezes residências particulares
adaptadas, conhecidas como domus ecclesiae — a estrutura de Aqaba foi
construída desde os alicerces como uma igreja. Seu formato de basílica, com uma
nave central, naves laterais e uma abside voltada para o leste, indica uma comunidade
que já era litúrgica e organizacionalmente madura.
Descobertas arqueológicas no local, incluindo lâmpadas de
vidro, cerâmica, moedas romanas e cemitérios próximos ligados à mesma
comunidade, ajudaram a confirmar sua datação. Pequenos fragmentos de metal,
interpretados como partes de uma cruz de bronze, reforçam ainda mais sua
identidade cristã. Notavelmente, o edifício sobreviveu a períodos de
perseguição e continuou em uso durante a era de um império cristianizado, até
que um desastre natural pôs fim abruptamente à sua função.
A igreja de Aqaba é anterior a monumentos cristãos icônicos
como a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém e a Basílica da Natividade em
Belém. Sua importância lhe rendeu o reconhecimento no Guinness Book of World
Records como a igreja mais antiga do mundo construída especificamente para o
culto cristão, oferecendo uma perspectiva única sobre as décadas formativas da
vida da igreja no mundo romano oriental.
Nos últimos anos, as autoridades jordanianas, em colaboração
com parceiros internacionais, realizaram um trabalho de conservação meticuloso.
As paredes de tijolos de barro foram estabilizadas e um telhado protetor foi
instalado para salvaguardar as ruínas dos danos causados pelo clima. O sítio restaurado foi agora incorporado às rotas
de peregrinação e turismo cultural da Jordânia, conectando a geografia bíblica com
as evidências arqueológicas.
Para o bispo Iyad Twal, vigário do Patriarcado Latino de
Jerusalém, na Jordânia, a reabertura da igreja é uma lembrança do papel
histórico do país como encruzilhada de religiões. A Jordânia, afirmou ele,
continua a representar um modelo de coexistência, onde as comunidades cristã e
muçulmana compartilham uma herança comum enraizada no respeito e na
continuidade.
Fonte: https://es.zenit.org/
Silêncio de maravilha e adoração
“O Natal nos lembra que Jesus veio para nos revelar o
verdadeiro rosto de Deus como Pai, para que todos pudéssemos nos tornar seus
filhos e, portanto, irmãos e irmãs entre nós”. No espírito dessas palavras de
Leão XIV, continua a colaboração entre a Biblioteca Apostólica Vaticana e a
Vatican News: vivemos as festas na companhia das obras-primas das coleções
pontifícias e dos ensinamentos dos Papas.
Paolo Ondarza - Vatican News
Parece uma cena retratada da vida real, quase um esboço. A
imediatismo e a alta intensidade poética, favorecidas pelo brilho de uma
lâmpada acesa, caracterizam “A Adoração dos Pastores” de Rembrandt. A gravura
realizada em água-forte e buril por volta de 1654 está conservada na Biblioteca
Apostólica Vaticana. Em primeiro plano está a Sagrada Família, enquanto à
esquerda um grupo de pastores venera o Menino Jesus. O uso do claro-escuro
confere relevo e volume às figuras, definidas por meio de traços rápidos que
criam um equilíbrio habilidoso entre o branco e o preto.
De Leida a Amsterdã
Pintor e gravador holandês consagrado, Rembrandt Harmenszoon
van Rijn formou-se primeiro em Leyda, sua cidade natal, e depois em Amsterdã,
onde foi acolhido durante seis meses na oficina de Pieter Lastman. Este
permitiu-lhe entrar em contato com a pintura italiana e europeia e com as
sugestões caravaggistas, pelas quais ele próprio tinha sido influenciado graças
a Adam Elsheimer. Posteriormente, decidiu estabelecer o seu estúdio em
Amsterdã, onde se rodeou de um grande número de alunos para se dedicar à produção
de retratos, temas históricos e religiosos.
Mestre da luz
Tanto na pintura quanto na gravura – são conhecidas quase
mil folhas de sua autoria – ele se impôs no cenário artístico estabelecendo uma
nova linguagem expressiva e superando os seus predecessores. O foco de suas
experimentações é a luz, que se torna audaciosa a ponto de atingir uma
intensidade e um drama nunca antes alcançados.
“Diante de cada presépio, até daqueles feitos nas nossas
casas, revivemos aquele Acontecimento e redescobrimos a necessidade de procurar
momentos de silêncio e oração na nossa vida, para nos reencontrarmos e
entrarmos em comunhão com Deus. A Virgem Maria é o modelo do silêncio adorador!
Contrariamente aos pastores que, voltando de Belém, glorificam Deus e contam o
que viram e ouviram, a Mãe de Jesus conserva tudo no coração (cf. Lc 2,19). O
seu silêncio não se limita a calar-se: é maravilha e adoração!”
(Leão XIV, Aos doadores do presépio e da árvore de Natal, 15 de
dezembro de 2025)
Cardeal Paulo Cezar Costa encerra o Ano Jubilar com mensagem de fé, liberdade e esperança cristã
A Arquidiocese de Brasília viveu, neste domingo (28/12), um momento marcante de fé e comunhão com o Encerramento do Ano Jubilar da Esperança, celebrado com Santa Missa solene na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, ao meio-dia.
28/12/2025
A Celebração Eucarística foi presidida pelo Cardeal Paulo
Cezar Costa, Arcebispo Metropolitano de Brasília, e concelebrada pelos Bispos
auxiliares: Dom Antonio de Marcos e Dom Denilson Geraldo, além de numerosos
sacerdotes do clero arquidiocesano, com a assistência de diáconos.
A Catedral, completamente cheia, tornou-se sinal visível do
que, segundo o Cardeal, foi um verdadeiro ano de graça para o povo de Deus.
Logo no início da homilia, Dom Paulo Cezar agradeceu a presença dos fiéis e
destacou a força espiritual vivida ao longo do Ano Jubilar.
“Essa Catedral cheia manifesta aquilo que nós sentimos: este foi
verdadeiramente um ano de graça. As graças do Ano Jubilar tocaram a vida de
cada um de nós, de nossas famílias, de nossas comunidades e da nossa
sociedade”, disse.
Inspirado pelo tema do Ano Jubilar, o Arcebispo recordou que
os cristãos foram chamados a viver como peregrinos da esperança, especialmente
em um mundo marcado por crises, violência, ameaças à liberdade, descuido com a
vida e com a casa comum. Em sua reflexão, alertou para o risco de uma sociedade
que caminha sem esperança, dominada pela cultura do efêmero e do passageiro.
A imagem do peregrino, segundo Dom Paulo, revela a própria
condição humana de seres em constante busca. O Cardeal recordou as grandes
peregrinações narradas pela Sagrada Escritura, citando Abraão, Moisés, o povo
de Israel, Jesus e os primeiros discípulos , e afirmou que a fé cristã é,
essencialmente, um caminho. “Quem tem fé, caminha. A fé nos coloca na condição
de peregrinos, como Igreja que peregrina rumo ao infinito de Deus”, afirmou o
Arcebispo.
Ao meditar o Evangelho do dia, o Dom Paulo destacou a
proteção de Deus à Sagrada Família, forçada a fugir para o Egito diante da
tirania de Herodes. O Cardeal explicou que a narrativa bíblica revela uma
profunda dimensão profética de que a tirania sempre ameaça a vida, a liberdade
e a dignidade humana, mas não tem a palavra final.
“Os tiranos se acham donos da lei, da vida e da morte, mas a
tirania é sempre ofensa a Deus e ao ser humano. Deus não se vence pela tirania,
Ele vence os tiranos”, afirmou. Dom Paulo ressaltou ainda a figura de São José
como homem justo, sempre disponível à vontade de Deus, por meio de quem o
Senhor conduziu e protegeu o Seu Filho.
“Mesmo em meio às maldades e às vicissitudes da história,
Deus realiza o Seu plano. A história da Sagrada Família revela que Deus age
concretamente na vida do Seu povo e continua caminhando com a humanidade”,
destacou.
Ao longo da homilia, o Cardeal salientou ainda que a
esperança cristã não é vazia, mas nasce da certeza de que Deus caminha com o
Seu povo, recordando testemunhos de cristãos perseguidos, como no Iraque, onde,
mesmo sob ameaças e violência, as igrejas permaneciam cheias, sustentadas pela
fé no Cristo vivo.
“O Senhor está presente na vida das nossas famílias. A
família é igreja doméstica, comunidade de fé, de amor e de vida. Recordando o
ensinamento de São Paulo VI. Segundo ele, é no cotidiano, na Eucaristia, na
Palavra, na oração e no cuidado com os mais pobres que Deus continua fazendo
história com o Seu povo”, frisou.
Ao encerrar o Ano Jubilar da Esperança, Dom Paulo convidou
os fiéis a saírem da Catedral com o coração agradecido e pulsando de esperança.
“Que essa grande esperança da fé sustente a nossa vida no dia a dia, diante dos
problemas e desafios. A nossa esperança está no Senhor, que morreu e
ressuscitou. Ele é a nossa grande esperança”, finalizou o Cardeal.
A Santa Missa de encerramento do Ano Jubilar na Arquidiocese
de Brasília pode ser assistida no vídeo abaixo:
O Papa: que as miragens do mundo não sufoquem a chama do amor nas famílias
No Angelus deste domingo da Sagrada Família, Leão XIV
convidou a contemplar o mistério do Natal "com admiração e gratidão",
a pensar "nas nossas famílias e na luz que elas também podem trazer à
sociedade em que vivemos". "Infelizmente, o mundo sempre tem os seus
“Herodes”, seus mitos de sucesso a qualquer custo, de poder sem escrúpulos, de
bem-estar vazio e superficial, e muitas vezes paga as consequências com
solidão, desespero, divisões e conflitos", disse o Papa.
Mariangela Jaguraba – Vatican News
O Papa Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus deste
domingo, 28 de dezembro, Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José com os
fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.
Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice recordou que
a Liturgia deste domingo nos apresenta a passagem da “fuga para o Egito”.
“É um momento de provação para
Jesus, Maria e José. Realmente, no contexto luminoso do Natal, projeta-se,
quase de repente, a sombra inquietante de uma ameaça mortal, que tem a sua
origem na vida atormentada de Herodes, um homem cruel e sanguinário, temido
pela sua brutalidade e, precisamente por isso, profundamente só e obcecado pelo
medo de ser destronado.”
Deus está realizando o maior milagre da história
"Quando, através dos Magos", Herodes "toma
conhecimento que nasceu o “rei dos Judeus”, sentindo-se ameaçado no seu poder,
decreta a morte de todas as crianças com a idade correspondente à de
Jesus. No seu reino, Deus está realizando o maior milagre da história,
no qual se cumprem todas as antigas promessas de salvação; porém, ele não
consegue vê-lo, cego pelo medo de perder o trono, as suas riquezas e os seus
privilégios", disse o Papa, acrescentando:
“Em Belém, há luz e alegria:
alguns pastores receberam o anúncio celestial e, diante do presépio,
glorificaram a Deus, mas nada disso consegue penetrar além das defesas
reforçadas do palácio real, a não ser como um eco distorcido de uma ameaça, a
ser sufocada com uma violência cega.”
O valor da presença e da missão da Sagrada Família
"Não obstante, justamente essa dureza de coração
evidencia ainda mais o valor da presença e da missão da Sagrada Família que, no
mundo despótico e ganancioso que o tirano representa, é o ninho e o berço da
única resposta de salvação possível: a de Deus que, em total
gratuidade, se doa aos homens sem reservas e pretensões. E o gesto de
José que, obediente à voz do Senhor, leva em segurança a Esposa e o Menino,
manifesta-se aqui em todo o seu significado redentor. Com efeito, no Egito, a
chama do amor doméstico a que o Senhor confiou a sua presença no mundo cresce e
ganha vigor para levar luz ao mundo inteiro", disse ainda o Papa.
O mundo sempre tem os seus “Herodes”
“Enquanto contemplamos este
mistério com admiração e gratidão, pensamos nas nossas famílias e na luz que
elas também podem trazer à sociedade em que vivemos. Infelizmente, o mundo
sempre tem os seus “Herodes”, seus mitos de sucesso a qualquer custo, de poder
sem escrúpulos, de bem-estar vazio e superficial, e muitas vezes paga as
consequências com solidão, desespero, divisões e conflitos. Não deixemos que
essas miragens sufoquem a chama do amor nas famílias cristãs.”
"Pelo contrário, conservemos nelas os valores do
Evangelho: a oração, a frequência aos sacramentos – especialmente a Confissão e
a Comunhão –, os afetos saudáveis, o diálogo sincero, a fidelidade, a
concretude simples e bela das palavras e dos bons gestos de cada dia. Isso
torná-las-á luz de esperança para os ambientes em que vivemos, escola de amor e
instrumento de salvação nas mãos de Deus", sublinhou Leão XIV.
Sinal eficaz da sua presença
“Então, peçamos ao Pai do Céu,
por intercessão de Maria e de São José, que abençoe as nossas famílias e as do
mundo inteiro, para que, crescendo segundo o modelo da família do seu Filho
feito homem, elas sejam para todos um sinal eficaz da sua presença e da sua
caridade sem fim.”
Continuemos a rezar pela paz
Após a oração mariana do Angelus, o Papa saudou os fiéis e
peregrinos provenientes da Itália e outros países. A seguir, disse:
“À luz do Natal do Senhor,
continuemos a rezar pela paz. Hoje, em particular, rezemos pelas famílias que
sofrem por causa da guerra, pelas crianças, pelos idosos e pelos mais frágeis.
Confiemos juntos à intercessão da Sagrada Família de Nazaré.”
Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF















