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terça-feira, 19 de março de 2024

EXEGESE: «A fé exige o realismo dos acontecimentos» (II)

José Ratzinger (30Giorni)

Revista 30Dias – 06/2003

O discurso do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé por ocasião do centenário da constituição da Pontifícia Comissão Bíblica

«A fé exige o realismo dos acontecimentos»

“A opinião de que a fé como tal não sabe absolutamente nada sobre os fatos históricos e deve deixar tudo isso para os historiadores é gnosticismo”. A intervenção do Cardeal Joseph Ratzinger. prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. por ocasião do centenário da criação da Pontifícia Comissão Bíblica.

por Joseph Ratzinger

A constituição conciliar Dei Verbum de 1965 sobre a Revelação divina abriu efetivamente um novo capítulo na relação entre o Magistério e a exegese científica. Não há necessidade de sublinhar aqui a importância deste texto fundamental. Em primeiro lugar, define o conceito de Revelação, que em nada se identifica com o seu testemunho escrito que é a Bíblia, e abre assim o vasto horizonte, tanto histórico como teológico, no qual se move a interpretação da Bíblia, uma interpretação que vê nas Escrituras não apenas livros humanos, mas o testemunho do falar divino.

O que poderia perceber um olhar histórico lançado por Nebo sobre a terra da exegese dos últimos cinquenta anos? Em primeiro lugar, muitas coisas que teriam servido de consolo para Maier, a realização do seu sonho, por assim dizer. Já a encíclica Divino afflante Spiritu de 1943 introduziu uma nova forma de compreender a relação entre o Magistério e as necessidades científicas da leitura histórica da Bíblia. Posteriormente, a década de 1960 representou a entrada na Terra Prometida da liberdade de exegese, para preservar esta imagem metafórica. Encontramos primeiro a instrução da Comissão Bíblica de 21 de Abril de 1964 sobre a verdade histórica dos Evangelhos, mas depois, sobretudo, a constituição conciliar Dei Verbum de 1965 sobre a Revelação divina, com a qual abriu efetivamente um novo capítulo na relação entre os Magistério e exegese científica. Não há necessidade de sublinhar aqui a importância deste texto fundamental. Em primeiro lugar, define o conceito de Revelação, que em nada se identifica com o seu testemunho escrito que é a Bíblia, e abre assim o vasto horizonte, tanto histórico como teológico, no qual se move a interpretação da Bíblia, uma interpretação que vê nas Escrituras não apenas livros humanos, mas o testemunho do falar divino. Torna-se assim possível determinar o conceito de Tradição, que também vai além da Escritura, apesar de nela ter o seu centro, uma vez que a Escritura é antes de tudo por natureza “tradição”. Isto leva ao terceiro capítulo da Constituição, dedicado à interpretação das Escrituras; nele surge convincentemente a necessidade absoluta do método histórico como parte indispensável do esforço exegético, mas depois aparece também a dimensão propriamente teológica da interpretação, que - como já foi dito - é essencial se aquele livro é mais do que palavras humanas.

Continuamos a nossa investigação desde o Monte Nebo: Maier, do seu posto de observação, poderia ter-se alegrado especialmente com o que aconteceu em junho de 1971. Com o motu proprio Sedula cura, Paulo VI reestruturou completamente a Comissão Bíblica para que ela não fosse mais um órgão do Magistério, mas um lugar de encontro entre o Magistério e os exegetas, um lugar de diálogo no qual os representantes do Magistério e os exegetas qualificados pudessem se encontrar para encontrarem juntos, para por assim dizer, os critérios intrínsecos da liberdade que a impedem de se autodestruir, elevando-a assim ao nível da verdadeira liberdade. Maier também poderia ter se regozijado com o fato de um de seus melhores alunos, Rudolf Schnackenburg, ter se juntado não apenas à Comissão Bíblica, mas à não menos importante Comissão Teológica Internacional, de modo que agora, ele próprio, por assim dizer, se encontrava quase em aquela Comissão que lhe tinha causado tantas preocupações. Lembremos outra data importante que, do nosso Nebo imaginário, poderia ter surgido ao longe: o documento da Comissão Bíblica A Interpretação da Bíblia na Igreja de 1993, em que não é mais o Magistério quem impõe normas ao exegetas de cima, mas são eles próprios que tentam determinar os critérios que devem indicar o caminho para uma interpretação adequada deste livro especial, que, visto apenas de fora, constitui, em última análise, nada mais do que uma coleção literária de escritos cuja composição se estende durante um milênio inteiro. Só o sujeito do qual nasceu esta literatura – o povo peregrino de Deus – faz desta coleção literária, com toda a sua variedade e os seus aparentes contrastes, um único livro. Este povo, porém, sabe que não fala nem age por si mesmo, mas está em dívida com Aquele que faz dele um povo: o mesmo Deus vivo que lhes fala através dos autores de cada livro.

Então o sonho se tornou realidade? Será que os segundos cinquenta anos da Comissão Bíblica apagaram e deixaram de lado como ilegítimo o que os primeiros cinquenta anos produziram? À primeira pergunta eu responderia que o sonho foi traduzido em realidade e que simultaneamente também foi corrigido. A mera objetividade do método histórico não existe. É simplesmente impossível excluir completamente a filosofia, ou seja, a pré-compreensão hermenêutica. Isto já era evidente, enquanto Maier ainda estava vivo, por exemplo, no Comentário sobre João de Bultmann, onde a filosofia heideggeriana serviu não apenas para tornar presente o que estava historicamente distante, agindo, por assim dizer, como um meio de transporte que transfere o passado para o nosso hoje, mas também como um cais que traz o leitor para dentro do texto. Ora, esta tentativa falhou, mas tornou-se claro que o método histórico puro – como no caso da literatura profana – não existe. É certamente compreensível que os teólogos católicos, numa época em que as decisões da Comissão Bíblica da época impediam uma aplicação pura do método histórico-crítico, olhassem com inveja para os teólogos evangélicos, que, entretanto, com o seriedade de suas pesquisas, puderam apresentar novos resultados e aquisições sobre como essa literatura, que chamamos de Bíblia, nasceu e cresceu ao longo do caminho do povo de Deus. No entanto, isso levou muito pouco em consideração o fato de que na língua protestante teologia existe, era o problema oposto. Isto é claramente visto, por exemplo, na conferência realizada em 1936 pelo grande aluno de Bultmann, que mais tarde se converteu ao catolicismo, Heinrich Schlier, sobre a responsabilidade eclesial do estudante de teologia. Naqueles tempos, o cristianismo evangélico na Alemanha travava uma batalha pela sobrevivência: o confronto entre os chamados cristãos alemães ("deutsche Christen"), que, ao submeterem o cristianismo à ideologia do nacional-socialismo, falsificaram as suas raízes, e a Igreja Confessante (“bekennende Kirche”). Neste contexto, Schlier dirigiu estas palavras aos estudantes de teologia: «... Reflitam por um momento sobre o que é melhor: que a Igreja, legitimamente e após cuidadosa reflexão, remova o ensino de um teólogo por uma doutrina heterodoxa, ou que o indivíduo silencia gratuitamente um ou outro professor de heterodoxia e alerta contra ele? Não se deve pensar que o julgamento termina quando todos podem julgar ad libitum . Aqui a visão liberal é consistente ao afirmar que não pode haver decisão sobre a verdade de um ensinamento, que, portanto, todo ensinamento tem alguma verdade e que, portanto, todos os ensinamentos devem ser admitidos na Igreja. Mas não partilhamos desta visão. Na verdade, nega que Deus tenha verdadeiramente tomado uma decisão entre nós...". Quem se lembra que na época grande parte das faculdades protestantes de teologia estava quase exclusivamente nas mãos de cristãos alemães e que Schlier teve que abandonar o ensino académico devido a declarações como a que acabamos de citar, pode também perceber o outro lado desta problema.

Chegamos assim à segunda e última questão: como devemos avaliar, hoje, os primeiros cinquenta anos da Comissão Bíblica? Seria tudo apenas, por assim dizer, um trágico condicionamento da liberdade da teologia, um conjunto de erros dos quais tivemos que nos libertar nos segundos cinquenta anos da Comissão, ou deveríamos considerar este difícil processo de uma forma mais articulada ? Que as coisas não são tão simples como pareciam no primeiro entusiasmo no início do Conselho talvez já fique claro pelo que acabámos de dizer. É verdade que o Magistério, com as decisões citadas, alargou demasiado o âmbito das certezas que a fé pode garantir; por isso continua a ser verdade que a credibilidade do Magistério foi assim diminuída e o espaço necessário para a investigação e as questões exegéticas foi excessivamente restringido. Mas também é verdade que, no que diz respeito à interpretação das Escrituras, a fé tem uma palavra a dizer e que, portanto, até os pastores são chamados a corrigir quando se perde de vista a natureza particular deste livro e a sua objetividade, que só é puro na aparência, é faz desaparecer o que há de específico e específico da Sagrada Escritura. Foram, portanto, indispensáveis ​​pesquisas laboriosas, para que a Bíblia tivesse a sua hermenêutica correta e a exegese histórico-crítica o seu devido lugar.

O discurso do Cardeal Ratzinger
foi proferido no Augustinianum em 29 de abril de 2003.

Fonte: https://www.30giorni.it/

Na família está o futuro da agricultura, afirma o Papa ao Fórum Rural Mundial

Papa em evento paralelo na JMJ de Lisboa (Vatican Media)

Francisco enviou uma mensagem aos participantes do Fórum, inaugurado neste 19 de março na Espanha. Não obstante a valiosa contribuição das famílias na agricultura, elas seguem sendo atingidas pela pobreza e pela escassez de oportunidades.

Vatican News

Erradicação da fome, redução das desigualdades e proteção do planeta: estes são os pedidos do Papa Francisco aos participantes da VIII Conferência Global do Fórum Rural Mundial, que se realiza de 19 a 21 de março em Vitoria-Gasteiz, na Espanha. O evento tem por tema “Agricultura Familiar: sustentabilidade do nosso planeta” e reúne mais de 150 personalidades de 60 países, entre eles o Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil, Luiz Paulo Teixeira Ferreira

Francisco define como “louváveis” as famílias que se dedicam à agricultura pela forma solidária do seu trabalho, assim como pelo estilo respeitoso e delicado com o qual cultivam a terra, favorecendo sistemas agroalimentares mais inclusivos, resilientes e eficientes. Não obstante esta valiosa contribuição, seguem sendo atingidas pela pobreza e pela escassez de oportunidades.

Por isso, consciente dos complexos desafios que enfrentam, o Papa dirige  às famílias dos pequenos agricultores uma palavra de alento, manifestando a proximidade da Igreja.

Igualmente, o Pontífice ressalta o papel “insubstituível” do gênio feminino neste contexto. “As mulheres rurais representam uma bússola segura para suas famílias, um ponto de apoio firme para o progresso da economia, especialmente nos países em desenvolvimento.”

O Papa também não deixa de mencionar o papel dos jovens na agricultura. “A verdadeira revolução para un futuro alimentar começa com a formação e potencialização das novas gerações”, escreve, acrescentando que a contribuição da juventude consiste em proporcionar soluções inovadoras na abordagem de problemas antigos e na coragem para mudar.

Francisco conclui com os votos de que Deus abençoe as deliberações do encontro, para que, reconhecido o papel da família rural, se avance na erradicação da fome, na redução das desigualdades, assim como no cuidado e proteção do nosso planeta.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

NOMEAÇÃO: Bispo Auxiliar de Brasília-DF

Mons. Vicente de Paula Tavares (CNBB)

PAPA FRANCISCO NOMEIA NOVO BISPO AUXILIAR PARA A ARQUIDIOCESE DE BRASÍLIA-DF

O Papa Francisco nomeou nesta terça-feira, 19 de março, o padre Vicente de Paula Tavares, pertencente ao clero da arquidiocese de Brasília, como bispo titular de “Gergi” e auxiliar na arquidiocese da Brasília (DF). A nomeação atende à solicitação do cardeal Paulo Cezar Costa, de poder contar com a colaboração de mais um auxiliar.

Padre Vicente é, atualmente, pároco na paróquia Imaculado Coração de Maria, no Park Way, em Brasília, e integra o Colégio de Consultores da Arquidiocese. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou saudação desejando boas-vindas ao novo membro eleito para o ministério episcopal. Segue a íntegra do documento abaixo:

Saudação da CNBB ao Monsenhor Vicente de Paula Tavares

Estimado Monsenhor Vicente de Paula Tavares,

Recebemos com alegria a notícia de sua nomeação como novo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília (DF) neste dia da solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada virgem  Maria, padroeiro da Igreja Universal. Unimo-nos em comunhão ao nosso irmão, o cardeal Paulo Cezar Costa, que poderá contar com seu apoio na tarefa de oportunizar, sempre mais e melhor, a experiência de encontro pessoal com o Filho de Deus e sua Palavra.

Possa a reflexão do Santo Padre, o Papa Francisco, na Carta Apostólica Patris Cordis, sobre aquele que foi o guardião das primícias da Igreja, iluminar seu ministério:

“Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade. São José lembra-nos que todos aqueles que estão, aparentemente, escondidos ou em segundo plano, têm um protagonismo sem paralelo na história da salvação”. (…) O que Deus disse ao nosso Santo – «José, Filho de David, não temas…» (Mt 1, 20) –, parece repeti-lo a nós também: «Não tenhais medo!»”

Nos despedimos, com um trecho da oração dedicada ao Padroeiro da Igreja: “Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós e guiai-nos no caminho da vida. Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem, e defendei-nos de todo o mal”. 

Sob a intercessão de São José, enviamos nossos votos de um profícuo episcopado.

Em Cristo,

Dom Jaime Spengler 
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva 
Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO
1º Vice- Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa 
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers 
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB

Biografia e trajetória eclesial

Padre Vicente nasceu na cidade de João Pinheiro (MG), no dia 21 de janeiro de 1972, filho de Nicácio Tavares da Silva e Júnia Alves da Silva. Quando criança se mudou para a fazenda Bom Sucesso, no município de Vazante (MG). Sua família consta de 6 irmãs e um irmão mais novo, ao todo, oito filhos. Durante a juventude começou a interessar-se pelas coisas Sagradas; foi coordenador do grupo de Jovem “MUSAC” na comunidade São José Operário, pertencente à paróquia Matriz, hoje, paróquia Santuário Nossa Senhora da Lapa, na mesma cidade de Vazante (MG). Também participou de curso sobre as Sagradas Escrituras, na Boa Semente; fez encontros para músicos e frequentou retiros para jovens da Renovação Carismática Católica (RCC).

No ano de 1992, padre Vicente fez seu primeiro encontro vocacional no seminário menor de Paracatu (MG), de homônima diocese; sentiu que tinha inclinações vocacionais; todavia, na ocasião, tendo sido aprovado em concurso para Polícia Florestal em Patos de Minas (MG), declinou ingressar no seminário. Não prosseguindo na carreira policial, ávido pelo sonho de cultivar a terra, mudou-se para Brasília (DF) com intuito de estudar Agronomia.

Em Brasília, ao fazer o curso da Nova Evangelização 2000, reaproximou-se da Igreja e sentiu o ardor vocacional reavivar-se em coração. Após três anos, sob a orientação do seu pároco, padre Ulysses Reis (falecido em agosto de 2020), fez encontros vocacionais no seminário maior arquidiocesano de Brasília,  Nossa Senhora de Fátima, ingressando em fevereiro do ano 2000.

Iniciou seus estudos de Filosofia no mesmo ano de ingresso do processo formativo, concluindo o ciclo filosófico em 2002; cursou Teologia no mesmo seminário, encerrando o ciclo teológico em 2006; sua primeira responsabilidade no apostolado foi o encargo de acompanhar os trabalhos da Pastoral Vocacional arquidiocesana; após apostolado pastoral em diversas paróquias, foi ordenado sacerdote no dia 9 de dezembro de 2006, por imposição das mãos e oração da Igreja, do hoje cardeal bispo emérito de Brasília, João Braz de Aviz, à época arcebispo metropolitano.

Após ordenação sacerdotal, foi nomeado vigário da paróquia Nossa Senhora Aparecida, em São Sebastião (DF), de 2007-2008; sucedeu o padre Godwin (falecido em 2021) no ofício de pároco na mesma paróquia, de 2009-2010. Foi nomeado ecônomo e formador no seminário maior interdiocesano São João Maria Vianney, de 2011-2014, na cidade de Goiânia (GO). Durante sua estada na capital goiana, também realizou os ofícios de administrador da paróquia Santo Hilário (2011-2012); colaborador paroquial na Santo Antônio, em Senador Canedo (GO), em 2013, colaborador na paróquia Santa Cruz, e em Aparecida de Goiânia (GO), em 2014.

No ano de 2015, regressou a Brasília e foi nomeado vigário da paróquia Nossa Senhora do Rosário, no Lago Sul; nesta mesma data, também foi nomeado responsável pela Obra das Vocações sacerdotais, também na Capital do país. Em 2016, padre Vicente foi transferido pelo cardeal Sergio da Rocha para assumir nova missão na erigida na paróquia dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, no Jardim Botânico, com ofício de 1º pároco, tendo lá permanecido até janeiro de 2022.

Durante este tempo, foi professor de Ecumenismo no seminário maior arquidiocesano de Brasília e formador/diretor espiritual das Pias Operárias de São José, até 2023. Foi diretor espiritual do Movimento Eureka (2016 – 2021) e assumiu, a pedido do cardeal Paulo Cezar Costa, de 2022 até a presente data, o ofício de pároco na paróquia Imaculado Coração de Maria, no Park Way (DF); nesta mesma ocasião, passou a fazer parte do Colégio de Consultores da Arquidiocese até a presente data.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Exéquias do cardeal Cordes: uma vida dedicada aos jovens, aos leigos e à caridade

O Papa durante as exéquias do cardeal Paul Josef Cordes na Basílica São Pedro (Vatican Media)

O decano do Colégio Cardinalício, cardeal Giovanni Battista Re, presidiu às exéquias do cardeal alemão, presidente emérito do Pontifício Conselho "Cor Unum", falecido em 15 de março aos 89 anos: "Sua alma agora está nas mãos de Deus". O Papa presidiu o rito da "Ultima Comendatio et Valedictio".

Salvatore Cernuzio - Cidade do Vaticano

A missa de exéquias do cardeal Paul Josef Cordes, alemão e presidente emérito do Pontifício Conselho "Cor Unum", falecido em 15 de março aos 89 anos, após vários problemas de saúde, foi celebrada na tarde desta segunda-feira, 18 de março, na Basílica de São Pedro. Vinte e sete cardeais se fizeram presentes na celebração, incluindo o vice-decano Leonardo Sandri e o secretário de Estado Pietro Parolin, além de alguns bispos, como dom Udo Markus Bentz, arcebispo de Paderborn, diocese de origem do cardeal Cordes, e também alguns padres alemães, incluindo o pároco de Kirchhundem, onde será realizado o sepultamento. No final da missa, o Papa presidiu o rito da "Ultima Comendatio et Valedictio".  

Embaixadores e parentes presentes no funeral

Foi o cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício, quem presidiu o funeral, que contou com a presença dos membros do Corpo Diplomático credenciado junto à Santa Sé, acompanhados pelo arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados, vários familiares (incluindo o sobrinho Reinhard Baumgardt) e as quatro Memores Domini que assistiram o cardeal até o fim de seus dias.

Exéquias do cardeal Cordes (Vatican Media)

Respeitado por muitos

Uma figura amada e respeitada especialmente pelos jovens aos quais Cordes dedicou atenção desde os tempos em que fundou o Centro São Lourenço, de onde surgiu a iniciativa de organizar um encontro internacional da juventude em Roma na solenidade do Domingo de Ramos de 1984, pequeno embrião do que viriam a ser posteriormente, por vontade de João Paulo II e impulsionado pelo cardeal Eduardo Pironio, as JMJ (Jornadas Mundiais da Juventude). Respeitado e amado também pelos membros do Caminho Neocatecumenal e da Renovação Carismática, aos quais Wojtyla sempre lhe pediu para acompanhar o apostolado "ad personam". Amado e respeitado, por fim, pelos colaboradores do Pontifício Conselho para os Leigos, do qual foi vice-presidente, e depois do Cor Unum, e pela atenção que sempre teve às necessidades dos mais frágeis, aos quais - escreveu o Papa no telegrama de condolências do último sábado - "comunicou o amor e a ternura de Cristo". O cardeal Cordes, enfatizou Francisco, "não poupou esforços para testemunhar a paterna solicitude do Papa pelos mais pobres".

Acolheu a morte com serenidade

Um serviço à Santa Sé e à Igreja relembrado, passo a passo, pelo cardeal Re em sua homilia, que começou recordando os últimos dias de vida de Cordes: "Enquanto suas energias diminuíam, ele acolheu a morte com grande serenidade, dando prova de uma espiritualidade genuína". "A alma do cardeal Cordes está agora nas mãos de Deus", acrescentou Re, destacando como "para o cristão, a realidade da morte é a passagem deste mundo para a casa do Pai, para desfrutar da imensidão de seu amor". É esse amor que levou o jovem Paul Josef a interromper seus estudos de medicina para entrar no Seminário Maior de Paderborn. Uma mudança de perspectiva pela qual ele mesmo dizia dever a uma freira franciscana conhecida por sua família, Irmã Candida de Olpe, que por anos rezou para que ele se tornasse padre, sem que ele soubesse.

O Papa preside o rito da Última Commendatio e Valedictio (Vatican Media)

Fiel a Deus, à Igreja e ao Papa

Cordes foi ordenado sacerdote na diocese de Paderborn em 1961; dez anos depois se formou em Teologia Dogmática na Universidade de Mainz e, alguns meses depois, foi nomeado secretário da Comissão Pastoral da Conferência Episcopal Alemã. Com este cargo, começou a colaborar com associações, movimentos espirituais e várias instituições eclesiásticas na Alemanha. "Essa experiência permitiu que ele desse uma boa contribuição ao Sínodo das dioceses da República Federal da Alemanha realizado em 1972", lembrou Re. Quando, em 1975, Paulo VI o nomeou bispo auxiliar de Paderborn, Cordes escolheu "Deus Fiel" como lema episcopal porque, dizia, "Deus é sempre fiel e a fidelidade de Deus nos obriga a ser também nós fiéis". "Nos vários cargos que lhe foram confiados, foi sempre animado por um espírito de fidelidade a Deus, à Igreja e ao Papa", destacou o decano do Colégio Cardinalício.

O serviço aos mais frágeis

Re então lembrou o trabalho na Cúria Romana, o compromisso com o mundo jovem, em contato com várias Associações Juvenis e Movimentos Espirituais, a ideia de criar um centro "para ajudar espiritualmente os jovens que passavam por Roma". Depois, o papel de liderança no "Cor Unum", durante o qual "com grande zelo se ocupou da coordenação das organizações humanitárias da Igreja. Foram numerosas as missões no mundo que lhe foram confiadas para levar a caridade e a solidariedade do Papa", lembrou o decano em sua homilia. Foi Bento XVI, em 2007, quem o criou cardeal. E Cordes, em seu testamento espiritual, escreveu: "Um olhar retrospectivo de fé sobre minha história me convence de que ela não foi determinada por acaso ou por minha intervenção... Pude experimentar as palavras do cardeal Dopfner: 'Deus está aqui para mim, está aqui para nós'. Na hora da despedida, gostaria de deixar esta certeza aos meus companheiros de viagem. Resta-me pedir-lhes perdão pelas ofensas e pedir-lhes suas orações para que eu possa alcançar a bem-aventurança eterna na vida trinitária de Deus"..

Funeral do cardeal Cordes, na Basílica de São Pedro (Vatican Media)

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

São José, esposo de Maria

São José, esposo de Maria (cruzterrasanta)
19 de março
São José, esposo de Maria

São José é descendente da casa real de Davi. É o esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus Cristo. Nos Evangelhos ele aparece na infância de Jesus. Pode-se ver as citações nos livros de Mateus Capítulos 1 e 2, e em Lucas 1 e2. Na Bíblia, São José é apresentado como um justo. Mateus, em seu Evangelho, descreve a história sob o ponto de vista de José. Já Lucas narra o tempo de infância do menino Jesus contando com a presença de José.

São José na História da Salvação

São José estava noivo de Maria e, ao saber que ela estava grávida, decidiu abandoná-la, pois o filho não era dele. Ele pensa em abandoná-la para que ela não fosse punida com a morte por apedrejamento

Mas ele teve um sonho com um anjo que lhe disse que Maria ficou grávida pela ação do Espírito Santo, e que o menino que iria nascer era Filho de Deus, então, ele aceitou Maria como esposa. Perto do tempo previsto do nascimento de Jesus, por um decreto romano ele foi para Belém partir do recenseamento, lá Maria deu à luz ao Menino Jesus e José estava presente no nascimento.

O anjo, porém, deu novo aviso a José, em sonho. Com efeito, o anjo avisou a José que Herodes queria matar o menino Jesus e mandou-o pegar o menino e sua mãe e fugir para o Egito com eles. José obedeceu. Assim, A sagrada família foi para o Egito e viveram lá durante quatro anos. Após este tempo, o anjo avisou novamente a José em sonhos, dizendo que eles poderiam voltar para Nazaré porque Herodes tinha morrido. José obedeceu e levou a Sagrada Família novamente para Israel.

Vida Simples

São José devotou sua vida aos cuidados de Jesus e Maria. Vivendo do trabalho de suas mãos, como carpinteiro, sustentou sua família com dignidade e exemplo. A profissão de carpinteiro propiciava dignidade à família. José era um judeu religioso e praticante. Ele consagrou o menino Jesus no Templo, logo depois que o menino nasceu. Este ato só era praticado na época por judeus piedosos. São José levava sua família regularmente às peregrinações de seu povo em Jerusalém, como, por exemplo, na Páscoa. Foi numa dessas peregrinações em que, na volta para Nazaré, o menino Jesus ficou em Jerusalém conversando com os doutores da lei. O menino tinha, então, doze anos. José e Maria, aflitos, voltam ao templo e encontram o menino Jesus debatendo com os doutores da lei. Nesta ocasião, Jesus afirma que 'Tinha que cuidar das coisas de seu Pai'. Esta é a última vez que José é mencionado nas Sagradas Escrituras. Todos os indícios levam a crer que José faleceu antes de Jesus começar sua vida pública. Caso contrário, ele certamente teria sido mencionado pelos evangelistas, como o foi Maria.

Influência de José na formação da personalidade de Jesus

São José teve papel importantíssimo na formação da personalidade de Jesus enquanto pessoa humana. Claro, Jesus é o Filho de Deus. Porém, se analisarmos o comportamento de Jesus do ponto de vista humano, veremos que ele (Jesus) foi um menino e um homem que teve um pai presente, piedoso e influente. Um pai que ensinou ao filho o caminho da justiça, da verdade, do amor e do conhecimento da Palavra de Deus. Não é à toa que São José é chamado de 'Justo' desde os Evangelhos. Por isso, São José é um dos maiores santos de todos os tempos.

Devoção a São José

São José foi inserido no calendário litúrgico Romano em 1479. Sua festa é celebrada no dia 19 de março. São Francisco de Assis e, mais tarde, Santa Teresa d'Ávila, foram grandes santos que  ajudaram a divulgar a devoção a São José. No ano de 1870, São José foi declarado oficialmente como o Patrono Universal da Igreja. O autor desta declaração foi o Papa Pio IX. No ano de 1889, o Papa Leão XIII, num de seus grandes documentos, exaltou as virtudes de São José. O Papa Bento XV declarou São José como o patrono da justiça social. Para ressaltar a grande qualidade e poder de intercessão de São José como 'trabalhador', O Papa Pio XII instituiu uma segunda festa em homenagem a ele, a festa de 'São José operário'. Esta, acontece no dia primeiro de maio.

São José é invocado também como o padroeiro dos carpinteiros. Na arte cristã ele é representado tendo um lírio na mão, representando a vitória dos santos. Algumas vezes ele aparece também com o menino Jesus ou nos braços, ou ensinando a Ele a profissão de carpinteiro.

Revelações sobreo poder de intercessão de São José

São José é, sem dúvida, uma dos santos mais importantes da Igreja. Ele é invocado como o santo que intercede a Deus por todas as nossas necessidades. São José tem, diante de Deus, privilégios únicos. Esta é uma das revelações que foram dadas à Serva de Deus chamada Santa Águeda: 'Por sua intercessão alcançamos a virtude da castidade e a vitória sobre as tentações contra pureza; alcançamos o poderoso auxílio da graça para sair do pecado e voltar à amizade com Deus; alcançamos a benevolência da Santíssima Virgem Maria e a verdadeira devoção a ela; alcançamos a graça de uma boa morte e a especial proteção contra o demônio nesta hora.' A Igreja afirma que os espíritos do mal estremecem quando ouvem o nome de São José ser invocado. Pela intercessão de São José, podemos alcançar a saúde e a ajuda nas dificuldades. Através dele, as famílias podem alcançar a bênção de uma vida digna.

Nossa Senhora também revelou a Santa Águeda: 'Os homens ignoram os privilégios que o Senhor concedeu a São José, e quanto pode sua intercessão junto de Deus. Somente no dia do Juízo os homens conhecerão sua excelsa santidade e chorarão amargamente por não haverem se aproveitado desse meio tão poderoso e eficaz para sua salvação e alcançar as graças de que necessitavam'. SJMJ

Oração a São José

A vós, S. José, recorremos em nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio de Vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos também o Vosso patrocínio. Por este laço sagrado de caridade que Vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente Vos suplicamos que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo conquistou com seu Sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o Vosso auxílio e poder. Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas; e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas de seus inimigos e contra toda adversidade. Amparai a cada um de nós com o Vosso constante patrocínio a fim de que, a Vosso exemplo e sustentados por Vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança. Amém.

Fonte: https://cruzterrasanta.com.br/

segunda-feira, 18 de março de 2024

Estresse: pare de viver como se tudo dependesse de você!

PeopleImages.com - Yuri A | Obturador
Javier Fiz Pérez publicado em 18/12/17 atualizado em 17/03/24
O estresse pode estar associado à felicidade? Compartilhamos a resposta abaixo. Existem dois tipos de estresse e mesmo que você não acredite, nem sempre é ruim.

Como está o seu dia? Quantos eventos você planejou? Suas listas de tarefas são infinitas? Quantas você tem? A do trabalho, a das tarefas, a da casa, a dos filhos e um longo etc.

É muito comum passarmos por momentos em que a ansiedade nos condiciona e deixamos de ser tão eficazes como normalmente somos. Isso acontece quando sentimos mais estresse do que o normal.

Felizmente, existem dois elementos que funcionam totalmente a nosso favor.Por um lado, nem todo o stress que sentimos é negativo; e por outro lado, qualquer situação estressante pode ser gerenciada e superada.

fizques | Obturador

Tipos de estresse

Nesse sentido, pode ser útil lembrar a classificação que a psicologia faz dos tipos de estresse que distingue entre estresse positivo e sofrimento. E, como já mencionamos, nem todo estresse que sentimos é negativo.

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ESTRESSE POSITIVO

Ao contrário do que se acredita, o estresse nem sempre prejudica quem o sofre. Esse estresse deixa a pessoa afetada motivada e com muito mais energia.Um bom exemplo seria uma competição esportiva onde os participantes devem ter um ponto de vitalidade para poderem sair vitoriosos. Esse estresse está associado a emoções positivas, como a felicidade.

2
ANGÚSTIA OU ESTRESSE NEGATIVO

Quando sofremos de angústia, antecipamos uma situação negativa acreditando que algo vai dar errado, o que gera uma ansiedade que nos paralisa completamente.O estresse negativo nos desequilibra e neutraliza os recursos que em situações normais teríamos à nossa disposição, o que acaba gerando tristeza, raiva, nervosismo, etc.

Vale lembrar que o estresse é uma reação que pode causar sérios problemas de saúde.Foi demonstrado que várias condições crónicas, perturbações psicossomáticas e de saúde mental (problemas cardíacos, ansiedade, depressão, etc.) estão intimamente relacionadas com o stress.

Embora o termo estresse pareça muito moderno, a origem etimológica da palavra é muito antiga, assim como a própria presença do estresse no comportamento humano.

Técnicas de relaxamento

Ljupco Smokovski | Obturador

Diante de uma presença constante e aguda de sentimentos de estresse, temos a possibilidade de aplicar diversas estratégias para enfrentá-lo de forma eficaz, principalmente se as praticarmos e conseguirmos o domínio da técnica.

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ORGANIZAÇÃO DE TEMPO E AGENDA COM BASE EM PRIORIDADES

Nem tudo na vida tem a mesma importância, principalmente quando temos listas intermináveis ​​de coisas para fazer. A vida e a organização social nos concentram no uso do tempo, muitas vezes esquecendo que os dias duram 24 horas. Cabe a nós determinar o uso do nosso tempo.

2
ATENÇÃO PLENA

Tomar consciência de nós mesmos, do momento que vivemos e do nosso presente como circunstância no contexto da nossa vida. Trata-se de desativar o estresse com maior controle do pensamento através de breves minutos de reflexão sobre o momento que vivemos e sobre nós mesmos.

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RESPIRAÇÃO DIAFRAGMÁTICA

É uma das técnicas clássicas de desativação que geralmente funciona melhor. Respire com calma, respirações profundas e lentas para acalmar os batimentos cardíacos e tomar consciência de nós mesmos.

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PSICOLOGIA POSITIVA

Possui ferramentas poderosas que comprovadamente são eficazes no gerenciamento do estresse. O importante é escolher aquele que for mais confortável e fácil de aplicar até aprendermos a utilizá-lo quando necessário.

O bom senso é o nosso grande aliado, aliado à firme vontade de pensar as coisas antes de fazê-las, mantendo uma distância saudável de tudo o que acontece ao nosso redor. Se estivermos dentro do problema, somos parte dele e será difícil conseguirmos a visibilidade necessária para dar a cada circunstância o peso que necessita.

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Fonte: https://es.aleteia.org/

EXEGESE: «A fé exige o realismo dos acontecimentos» (I)

José Ratzinger (30Giorni)

Revista 30Dias – 06/2003

O discurso do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé por ocasião do centenário da constituição da Pontifícia Comissão Bíblica

«A fé exige o realismo dos acontecimentos»

“A opinião de que a fé como tal não sabe absolutamente nada sobre os fatos históricos e deve deixar tudo isso para os historiadores é gnosticismo”. A intervenção do Cardeal Joseph Ratzinger. prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. por ocasião do centenário da criação da Pontifícia Comissão Bíblica.

por Joseph Ratzinger

Não escolhi o tema do meu artigo apenas porque faz parte das questões que por direito pertencem a uma retrospectiva dos cem anos da Pontifícia Comissão Bíblica, mas porque também se enquadra, por assim dizer, nos problemas da minha biografia: há mais de meio século o Meu caminho teológico pessoal move-se no âmbito determinado por este tema.

No decreto da Congregação Consistorial de 29 de junho de 1912 De quibusdam commentariis non admittendis encontram-se dois nomes que cruzaram a minha vida. Na verdade, a Introdução ao Antigo Testamento do professor de Freising, Karl Holzhey, é ali condenada; ele já estava morto quando comecei meus estudos de teologia na colina da Catedral de Freising, em janeiro de 1946, mas anedotas eloquentes sobre ele ainda circulavam. Ele deve ter sido um homem bastante cheio de si e sombrio. O segundo nome mencionado é-me mais familiar, o de Fritz Tillmann, editor de um Comentário do Novo Testamento definido como inaceitável. Nesta obra, o autor do comentário aos sinópticos foi Friedrich Wilhelm Maier, amigo de Tillmann, então professor livre em Estrasburgo. O decreto da Congregação Consistorial estabeleceu que estes comentários expungenda omnino esse ab Institutione Clericorum. Comentário , do qual encontrei uma cópia esquecida quando era estudante no seminário menor de Traunstein, teve de ser banido e retirado do mercado porque Maier apoiava, para a questão sinóptica, a chamada teoria das duas fontes , que hoje é aceito por quase todos. Isso, na época, também determinou o fim das carreiras científicas de Tillmann e Maier. No entanto, ambos foram autorizados a mudar de disciplina teológica. Tillmann aproveitou esta oportunidade e mais tarde tornou-se um importante teólogo moral alemão. Juntamente com Theodor Steinbüchel e Theodor Müncker editou um manual de teologia moral de vanguarda, que tratou esta importante disciplina de uma nova forma e a apresentou de acordo com a ideia básica da imitação de Cristo. Maier não quis aproveitar a possibilidade de mudar de disciplina; ele estava de fato dedicado de corpo e alma para trabalhar no Novo Testamento. Tornou-se assim capelão militar e como tal participou na Primeira Guerra Mundial; mais tarde trabalhou como capelão em prisões até 1924, quando, com a autorização do arcebispo de Breslau (hoje Wroclaw), cardeal Bertram, num clima agora mais descontraído, foi chamado para a cátedra de Novo Testamento na faculdade teológica de o lugar . Em 1945, quando aquela faculdade foi extinta, junto com outros colegas, chegou a Munique, onde o tive como professor.

A ferida de 1912 nunca cicatrizou completamente nele, embora agora pudesse ensinar sua matéria praticamente sem problemas e fosse apoiado pelo entusiasmo de seus alunos, aos quais conseguiu transmitir sua paixão pelo Novo Testamento e sua correta interpretação. De vez em quando, lembranças do passado apareciam em suas aulas. Acima de tudo, ficou na minha memória uma expressão que ele pronunciou em 1948 ou 1949. Dizia que agora podia seguir livremente a sua consciência de historiador, mas que a liberdade total de exegese com que sonhava ainda não tinha sido alcançada. Disse também que provavelmente não conseguiria ver isto, mas que pelo menos queria, como Moisés do Monte Nebo, poder lançar o olhar sobre a Terra Prometida de uma exegese liberta de qualquer controlo e condicionamento do Magistério. Sentimos que a alma deste homem culto, que levou uma vida sacerdotal exemplar, fundada na fé da Igreja, foi pesada não só por aquele decreto da Congregação Consistorial, mas também pelos vários decretos da Comissão Bíblica - sobre o Autenticidade mosaica do Pentateuco (1906), sobre o caráter histórico dos três primeiros capítulos do Gênesis (1909), sobre os autores e a época de composição dos Salmos (1910), sobre Marcos e Lucas (1912), sobre o sinóptico questão (1912), e assim por diante – dificultou seu trabalho como exegeta com restrições que considerava indevidas. Ainda persistia a impressão de que os exegetas católicos, devido a tais decisões magisteriais, eram impedidos de realizar trabalhos científicos sem restrições, e que assim a exegese católica, comparada à exegese protestante, nunca poderia estar inteiramente à altura dos padrões dos tempos e a sua seriedade científica era, em alguns aspectos, com razão, duvidado pelos protestantes. Naturalmente, houve também uma influência na crença de que uma obra estritamente histórica seria capaz de apurar com segurança os dados factuais objetivos da história, na verdade, que esta era a única maneira possível de compreender os livros bíblicos no seu sentido próprio, o que, precisamente, são livros históricos. Para ele, a confiabilidade e a inequívocaidade do método histórico eram tidas como certas; a ideia de que pressupostos filosóficos também entravam em jogo neste método e de que uma reflexão sobre as implicações filosóficas do método histórico poderia tornar-se necessária nem sequer lhe ocorreu. Para ele, como para muitos de seus colegas, a filosofia parecia um elemento perturbador, algo que só poderia poluir a pura objetividade do trabalho histórico. Não lhe foi apresentada a questão hermenêutica, ou seja, não se questionou até que ponto o horizonte do questionador determina o acesso ao texto, sendo necessário esclarecer, antes de mais nada, qual é a forma correta de perguntar e como. é possível purificar o próprio pedido. Precisamente por isso, o Monte Nebo certamente lhe teria reservado algumas surpresas totalmente fora do seu horizonte.

Agora gostaria de tentar subir, por assim dizer, junto com ele ao Monte Nebo para observar, a partir da perspectiva daquela época, a terra que atravessamos nos últimos cinquenta anos. A este respeito, talvez seja útil recordar a experiência de Moisés. O capítulo 34 do Deuteronômio descreve como no Monte Nebo é concedido a Moisés um vislumbre da Terra Prometida, que ele vê em toda a sua extensão. É, por assim dizer, um olhar puramente geográfico e não histórico que lhe é concedido, mas pode-se dizer que o capítulo 28 do mesmo livro apresenta um olhar não sobre a geografia, mas sobre a história futura na e com a terra, e que aquele capítulo oferece uma perspectiva muito diferente e muito menos consoladora: «O Senhor vos espalhará por todos os povos, de uma ponta à outra [...]. Entre essas nações não encontrareis alívio e não haverá lugar de descanso para as plantas dos pés” ( Dt 28, 64ss). O que Moisés viu nesta visão interior poderia ser resumido da seguinte forma: a liberdade pode destruir-se a si mesma; quando perde o seu critério intrínseco, autossuprime-se.

O discurso do Cardeal Ratzinger
foi proferido no Augustinianum em 29 de abril de 2003.

Fonte: https://www.30giorni.it/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF