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domingo, 7 de dezembro de 2025

7 conselhos de Santo Ambrósio para educar os filhos

Maria Sbytova | Shutterstock

Corrado Paolucci - publicado em 07/12/20

Sábias dicas de um santo, em palavras que eram válidas no seu tempo e permanecem mais atuais do que nunca.

7 conselhos de Santo Ambrósio para educar os filhos: é disso, em resumo, que trata o seguinte artigo de Corrado Paolucci publicado em 2014 e ainda vigente, porque os próprios conselhos do tutor de Santo Agostinho eram válidos há mais de mil anos e continuarão válidos enquanto durar a humanidade.

7 conselhos de Santo Ambrósio para educar os filhos

Um dia meu pai colocou na porta da geladeira de casa uma folha com a seguinte citação:

“O amor e a estima entre pais e filhos ajudarão a estes mais do que mil recomendações; eles serão ajudados pelos gestos que virem em casa: as mostras de afeto simples, corretas e expressas com pudor; a valorização recíproca; o senso de proporção; o domínio das paixões; o gosto pelas coisas belas e pela arte; a força de sorrir” (Santo Ambrósio).

Cada vez que eu abria a geladeira, meus olhos liam algumas daquelas palavras. Era impossível não concordar com o que estava escrito naquele pedaço de papel amarelado pelos anos, mas que permaneceu ali. Era como se Santo Ambrósio continuasse a me dizer: “Olha estas palavras que eu preparei para você: elas valiam quando eu escrevi, valem agora e valerão para sempre”.

Hoje vou me tornar pai e, pela primeira vez, releio estas linhas como adulto e não mais somente como destinatário. Uma sensação de impotência, misturada com temor, impregna o meu coração. Vou ser um bom pai? Vou saber acompanhar o meu filho na estrada que foi preparada para ele? E, depois, o que será dele? O desafio está começando e estar em companhia da Igreja, com um grande aliado como Santo Ambrósio, torna mais saboroso e atraente o início deste caminho.

Quero compartilhar com todos o texto que completa a citação. É um trecho dos “Sete diálogos com Ambrósio, bispo de Milão” (Centro Ambrosiano, 1996):

1 – A educação dos filhos é para adultos dispostos a uma dedicação em que se esquecem de si mesmos: serão capazes o marido e a mulher que se amam o suficiente para não mendigarem afeto.

2 – O bem dos filhos será o que eles próprios escolherem: não sonhem por eles. Bastará que saibam amar o bem e se guardarem do mal e que tenham horror à mentira.

3 – Não pretendam, portanto, definir o futuro deles: tenham confiança neles, mesmo que os surpreendam e pareçam esquecer-se de vocês.

4 – Não encorajem ingênuos sonhos de grandeza, mas, se Deus os chama para algo belo e grandioso, não sejam vocês a pedra que os impeça de voar.

5 – Não tenham a arrogância de tomar decisões no lugar deles; antes, ajudem-nos a entender que é preciso decidir, e não se assustem se o que amam traz desafios e às vezes faz sofrer: é insuportável uma vida vivida por nada.

6 – Mais do que seus conselhos, o que irá ajudá-los é a estima que eles têm por vocês e a estima que vocês têm por eles; mais do que mil recomendações sufocantes, o que irá ajudá-los são os gestos que eles virem em casa: as mostras de afeto simples, corretas e expressas com pudor; a valorização recíproca; o senso de proporção; o domínio das paixões; o gosto pelas coisas belas e pela arte; a força de sorrir. E todos os discursos sobre caridade não me ensinaram mais do que os gestos da minha mãe, que dava espaço em casa para um mendigo faminto. Não encontro gesto melhor para dizer do orgulho de ser homem do que quando meu pai tomou a vez para defender um homem acusado injustamente.

7 – Que os filhos habitem a sua casa com aquele saudável bem-estar que traz felicidade e os encoraja justamente a saírem de casa, porque se trata de um ambiente de confiança em Deus e de gosto pelo bem viver.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Qual o significado da palavra “Paz”?

São José com o Menino Jesus, Guido Reni | 30Giorni.

NATAL 2000

Arquivo 30Dias nº 12 - 2000

Carta ao editor do jornal La Repubblica, publicada em 24 de dezembro.

Qual o significado da palavra “Paz”?

Uma carta de Luigi Giussani ao diretor de la Repubblica.

Prezado Editor, a bomba colocada há alguns dias na Catedral de Milão sugere um ataque à fonte da "paz e reconciliação para todos", como disse o Cardeal Martini em seu comentário sobre o incidente. Todos clamam por paz, crentes e não crentes, esquerda e direita, uma paz que se torna ainda mais evidente quanto mais a violência parece ser o único fator realmente eficaz para uma ou outra das partes em conflito. Assim, qualquer pessoa movida pelo desejo de paz não consegue evitar a desconfiança que mina todos os aspectos da segurança.

Vivemos numa época aparentemente descrita pela frase bíblica: "Sou pela paz, mas quando falo, eles procuram a guerra" (Salmo 119). Mas a consciência humana pode se abrir para a possibilidade da paz, ao menos em um aspecto: a afirmação clara e certa de um sentido para a vida humana. Este é o poder exortativo da palavra paz: ela pode destacar o sentimento humano em relação à própria vida; aqueles que a proclamam sentem que ela é a razão fundamental para os fatores que determinam suas vidas sociais, familiares e pessoais. O significado da palavra paz sempre abrange a totalidade dos sentimentos da vida; envolve-os segundo uma justiça que se apresenta diante do destino, seja ele escrito com inicial maiúscula ou minúscula.

Se existe uma palavra adequada para delinear esse "poço" que o sentimento humano de paz possui, é religiosidade, religiosidade como uma dimensão da vida. Ela engloba todas as fórmulas, implicando um propósito último pelo qual o homem aceita a existência e age. O que sentimos ser necessário para viver relacionamentos de todos os tipos, na verdade, é o pressentimento de uma positividade última. O julgamento que esse pressentimento lança sobre a vida cotidiana — que, como tal, é sentido por quase todos — pode também ser fruto do cinismo que abunda em nossa sociedade.

Assim, colocar a divindade — ou, em outras palavras, o propósito supremo da ação — no poder político pode iludir até mesmo as pessoas mais comprometidas e ponderadas, levando-as a crer que é possível alcançar o que os antigos chamavam de "Pax Romana" — uma tolerância genérica para com todos, exceto pela palavra final reservada ao poder político, pela qual a devoção a qualquer Deus era permitida, desde que não comprometesse a divindade do imperador — e que em nossos tempos poderia ser chamada de "Pax Americana" ou paz social.

Digo isso porque é mais difícil encontrar um verdadeiro uso da palavra "paz" nas grandes intrigas políticas e econômicas do que na relação familiar entre homem e mulher ou no emaranhado de tendências que anseiam por realização ou satisfação pessoal, ou seja, no coração humano.

Tudo isso direciona a atenção e a devoção para o Natal cristão. A única razão para este feriado reside no fato de que o destino misterioso se comunicou à humanidade identificando-se com um homem nascido de uma virgem, destinado a morrer para ressuscitar, cumprindo assim as expectativas de todos.

A paz, então, só pode ser sentida, experimentada e pensada sob duas condições: vocação, isto é, dependência de um Outro como o plano e o julgamento da própria vida — como surgiu inicialmente na história do povo judeu — e educação no conhecimento do bem e do mal.

Para nós, o Natal simboliza como a vocação de Cristo, sua vida, foi a vontade proclamada de obedecer à grande fonte do Mistério, numa educação vivida como uma paixão incansável pelo conhecimento do bem e do mal, tal como se manifesta na história do seu povo. Portanto, a paz depende de o homem admitir a impossibilidade de alcançar a perfeição por si mesmo, reconhecendo, ao mesmo tempo, indomável, a sua dívida para com o Ser.

O Natal é tudo isso, constantemente reafirmado para toda a humanidade, como a fonte perene de uma proposta de que a vida é, seja qual for a nossa condição. 

Na ternura diante da imagem de uma criança recém-nascida, a distância infinita entre a ação do homem e o seu destino é transposta como paz no perdão. Assim, para o homem reflexivo, o Natal não pode aparecer nem como doçura frustrada nem como desespero. A incansável humanidade do Papa convida-nos a esta síntese última, na qual a dignidade e a plenitude do homem são tudo, isto é, misericórdia.

Fonte: https://www.30giorni.it/

Nasce uma flor

O nascimento de Jesus (Vecteezy)

NASCE UMA FLOR

05/12/2025

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo (RS)

Todos nós construímos, em nosso sentimento e pensamento, uma imagem ideal de Jesus Cristo. Quando a partilhamos com outras pessoas percebemos que há semelhanças e diferenças. O mais importante é confrontar a imagem pessoal com a fisionomia que a Palavra de Deus revela de Jesus Cristo. Isto evita distorções. A liturgia da Palavra do segundo domingo do Advento oferece alguns dados para reconstruir a autêntica imagem do Messias (Isaías 11,1-10; Salmo 71, Romanos 15,4-9 e Mateus 3,1-12). 

O profeta Isaías parte da metáfora de um tronco seco que é sinal de queda, morte e de esterilidade. Outrora foi uma árvore frondosa, abençoada e com a missão de fazer o bem e produzir frutos de justiça. Mas com o tempo as infidelidades foram matando a árvore. Agora, existe somente um tronco seco do qual não se pode se esperar mais nada. O profeta está se referindo a casa de Davi e seus sucessores. Humanamente não tem mais nada a fazer. Mais, eis o milagre: “nascerá uma haste do tronco de Jessé (pai de Davi) e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor”. Algo tão prodigioso somente pode vir de Deus. 

Sobre esta “haste” e o “rebento de uma flor” “repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de ciência e temor de Deus; no temor do Senhor encontrará ele seu prazer”. Deus cria uma nova espera e tudo inicia de novo. As esperanças humanas faliram, mas as promessas de Deus criam uma nova situação fundada no Espírito do Senhor. Este personagem terá seis atributos (que depois serão identificados com os sete dons do Espírito Santo na tradução grega da Bíblia, na Vulgata e na tradição da Igreja) que iniciará a concretização de um novo tempo.  

Quando Jesus inicia sua missão em Nazaré, se apresenta como a concretização desta promessa. Lê a profecia de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim…”. Depois afirma: “Hoje se cumpriu esta palavra da Escritura que acabais de ouvir”. O Messias tem grande efusão do Espírito, princípio divino transformador da realidade humana. Em toda a vida de Jesus os atributos anunciados se concretizaram. Ensinava com sabedoria e autoridade; não julgava pelas aparências ou por ouvir dizer; tinha profunda intimidade com o Pai e revelou o que se passa na profundeza da alma. 

A ação do Messias “trará justiça para os humildes e uma ordem justa para os homens pacíficos”. Jesus constantemente esteve presente junto aos humildes e todos os rejeitados manifestando misericórdia. Reacendeu na vida deles a esperança. Se foram abandonados pelos homens, não foram rejeitados por Deus.  

O ensinamento do Evangelho aparentemente contradiz a imagem de Messias apresentada na profecia de Isaías. Na verdade, esclarece como o Messias realiza a esperança. A presença dele não cria uma situação fantasiosa, irreal. A esperança se concretiza em ações exigindo empenho e responsabilidade. Arrepender-se, confessar os pecados e mudar de vida é o único caminho para produzir uma nova realidade. João Batista afirma que o Messias batizará com o “Espírito Santo e com fogo” purificando as consciências e queimando o que é sem valor, os males e os pecados. 

Na carta aos Romanos São Paulo revela outra face do Messias. Ele é servidor que acolhe a todos e cria fraternidade entre eles. Por isso, convida a ficar “firme na esperança. O Deus que dá constância e conforto vos dê a graça da harmonia e concórdia, uns com os outros, como ensina Cristo Jesus”. 

Para nós, tudo isto parece um ideal utópico e difícil de ser traduzido em fatos. A realidade dos fatos parece desmentir diariamente este ideal. Sem dúvida isto se constitui um desafio. Porém, somente quem tem a Grande Esperança – que é Deus – é mais forte que os fatos. Quem crê é chamado a propagar e realizar diariamente o que o Messias fez e deseja continuar fazendo através de nós. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

O Papa: Deus não julga com base nas aparências, mas nas obras e intenções do coração

Angelus, 07/12/2025 - Papa Leão XIV (Vatican News)

Nada é impossível para Deus. Preparemo-nos para o seu Reino, acolhamo-lo. O menino, Jesus de Nazaré, guiar-nos-á! Ele, que se colocou nas nossas mãos, desde a noite do seu nascimento até à hora sombria da morte na cruz, brilha sobre a nossa história como o Sol nascente. Um novo dia começou: despertemos e caminhemos na sua luz! Foi a exortação do Santo Padre no Angelus deste domingo (07/12), II Domingo do Advento, em preparação para a celebração do nascimento de nosso Salvador.

https://youtu.be/ZYf3tSXKoRw

Raimundo de Lima – Vatican News

O Santo Padre rezou o Angelus ao meio-dia deste domingo, 7 de dezembro, II Domingo do Advento, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração mariana, o Pontífice ateve-se inicialmente à página do Evangelho do dia, que nos anuncia a vida do Reino de Deus (Mt 3, 1-12). Antes de Jesus, surge em cena o seu Precursor, João Batista. Ele pregava no deserto da Judeia, dizendo: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu!”.

Na oração do Pai-Nosso, prosseguiu o Papa, pedimos todos os dias: “Venha a nós o vosso reino”. O próprio Jesus no-lo ensinou. E com esta invocação, orientamo-nos para o Novo que Deus tem reservado para nós, reconhecendo que o curso da história não é algo já determinado pelos poderosos deste mundo. Colocamos os nossos pensamentos e energias ao serviço de um Deus que vem reinar não para nos dominar, mas para nos libertar. É um “evangelho”: uma verdadeira boa notícia, que nos motiva e nos envolve.

Deus se manifesta na mansidão e na misericórdia

Certo, o tom do Batista é severo, mas o povo ouve-o porque nas suas palavras ouve ressoar o apelo de Deus para não brincar com a vida, para aproveitar o momento presente para se preparar para o encontro com Aquele que não julga com base nas aparências, mas nas obras e nas intenções do coração.

O próprio João ficará surpreso com a forma como o Reino de Deus se manifestará em Jesus Cristo: na mansidão e na misericórdia. O profeta Isaías compara-o a um rebento: uma imagem não de poder ou destruição, mas de nascimento e novidade. Sobre o rebento, que brota de um tronco aparentemente morto, começa a soprar o Espírito Santo com os seus dons (cf. Is 11, 1-10). Cada um de nós pode pensar numa surpresa semelhante que lhe aconteceu na vida.

Concílio Vaticano II terminava exatamente 60 anos atrás

Leão XIV ressaltou ser essa a experiência que a Igreja viveu no Concílio Vaticano II, que terminou há exatamente sessenta anos: uma experiência que se renova quando caminhamos juntos em direção ao Reino de Deus, todos ansiosos por acolhê-lo e servi-lo.

Então, observou, não só brotam realidades que pareciam fracas ou marginais, mas realiza-se o que humanamente se diria impossível. Com as imagens do profeta: “o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o novilho e o leão comerão juntos, e um menino os conduzirá”.

Cada um de nós pode ser uma pequena luz, se acolher Jesus

Irmãs e irmãos, como o mundo precisa desta esperança! Nada é impossível para Deus. Preparemo-nos para o seu Reino, acolhamo-lo. O menino, Jesus de Nazaré, guiar-nos-á! Ele, que se colocou nas nossas mãos, desde a noite do seu nascimento até à hora sombria da morte na cruz, brilha sobre a nossa história como o Sol nascente. Um novo dia começou: despertemos e caminhemos na sua luz!

Eis a espiritualidade do Advento, tão luminosa e concreta, prosseguiu o Santo Padre, ressaltando que as luzes ao longo das ruas lembram-nos que cada um de nós pode ser uma pequena luz, se acolher Jesus, rebento de um mundo novo. “Aprendamos a fazê-lo com Maria, nossa Mãe, mulher da espera confiante e da esperança”, concluiu o Pontífice.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sábado, 6 de dezembro de 2025

Catequista diz como retomar o verdadeiro sentido do calendário do Advento

Calendário do Advento | Shutterstock

Catequista diz como retomar o verdadeiro sentido do calendário do Advento, que tem se tornado cada vez mais comercial

Por Natalia Zimbrão*

5 de dez de 2025 às 16:13

Com a chegada de dezembro, a preparação para o Natal se intensifica e uma tradição cristã nessa época é o calendário do Advento. Mas, uma versão comercial deste calendário virou tendência no Brasil desde o ano passado entre diversas marcas de produtos de beleza e doces, com alguns produtos chegando a custar milhares de reais.

Diante dessa realidade, orientou o catequista Thiago Moraes, “nós devemos agir não só em relação a este elemento específico, mas em todos os elementos que nos foram ‘roubados’: com tranquilidade retomar os elementos originais religiosos e promovê-los”.

A origem do calendário do Advento

“O calendário do Advento, assim como outros costumes populares natalinos, teve origem entre luteranos alemães, no século XIX” e, “como a Igreja sempre fez em sua história, numa sadia inculturação, ela assumiu a prática entre os católicos reconhecendo que era um bom elemento para a evangelização”, disse Thiago, que é professor de Filosofia, Teologia e Ensino Religioso e há mais de 20 anos se dedica à catequese no Rio de Janeiro (RJ), onde foi instituído ministro da catequese.

Em sua origem, o calendário do Advento constava de uma forma para contar os dias em preparação para o Natal com alguma atividade religiosa por dia, como acender velas, fazer alguma oração. Depois, foi acrescentado o costume de pôr alguma guloseima junto à atividade religiosa. O primeiro calendário do Advento impresso é atribuído ao editor alemão Gerhard Lang, em 1908.

“O calendário do Advento, o presépio, a coroa do Advento, a árvore de Natal e os demais enfeites nos lembram a proximidade da solenidade da encarnação do Senhor e, com isso, nos recordam a necessidade de preparar os corações para esse célebre momento”, disse o catequista Thiago Moraes. “Seus símbolos nos transmitem o verdadeiro sentido da festa, se bem utilizados, e são maravilhosa oportunidade para a catequese”.

O calendário do Advento como produto comercial

Com o tempo, começou-se a dar contornos comerciais à tradição do calendário do Advento. Segundo Thiago Moraes, “desde muito cedo o comércio se aproveitou do calendário do Advento, assim como o faz na Páscoa com os ovos, por exemplo”. “Na Europa, o difícil é você achar um calendário do Advento cristão de fato”, disse, citando o que o próprio Jesus disse: “Os filhos do mundo são mais espertos que os filhos da luz”.

No calendário do Advento comercial, a cada dia, a pessoa abre uma caixinha para adquirir um produto surpresa. Há calendários de 12 ou 24 itens. É possível encontrar calendários de Advento de diferentes marcas, como produtos de beleza, cosméticos, chocolates, cafés, brinquedos, desde marcas simples até as de luxo, com preços variando entre dezenas e milhares de reais.

O calendário do Advento comercial ganhou força no Brasil no ano passado e cresceu este ano. A prática é difundida nas redes sociais sobretudo por influencers através dos conteúdos de unboxing, em que aparecem revelando qual produto ganharam naquele dia.

Retomar o verdadeiro sentido do calendário do Advento

Thiago Moraes sugeriu que se fuja “do calendário do Advento pronto”. “Faça você mesmo o seu em casa, com brindes e doces sim, mas que possam conduzir a uma, pequenina que seja, lembrança do Natal que vem”, disse o catequista, casado e pai de três filhas. Ele citou alguns exemplos que já fez em sua família: “um que eram uma caixinha de origami cada dia. Dentro havia um doce e um versículo bíblico. Um outro que fizemos era com uma música diferente por dia para nós cantarmos em família”, contou.

Moraes disse também que, “havendo marcas que façam calendário com o sentido verdadeiro”, pode-se “adquirir, para fomentar esse tipo de iniciativa”.

Ele também sugeriu “presentear amigos e familiares com esses bons calendários” e “associar o calendário do Advento com outras práticas”, como “um momento de oração, a arrumação de um enfeito, a leitura bíblica”.

“Com essas pequenas coisas já faremos grande diferença, sabendo que a transformação do mundo começa em nós”, concluiu.

*Natalia Zimbrão é formada em Jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É jornalista da ACI Digital desde 2015. Tem experiência anterior em revista, rádio e jornalismo on-line.

Fonte: https://www.acidigital.com/

“Todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.” (Is 52,10)

Palavra de Vida de Dezembro (Revista Cidade Nova)

“Todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.” (Is 52,10) | Palavra de Vida Dezembro 2025

por Organizado por Letizia Magri com a comissão da Palavra de Vida   publicado às 00:00 de 24/11/2025, modificado às 08:38 de 01/12/2025

Ao ser levado para o exílio na Babilônia, o povo de Israel perdeu tudo: sua terra, seu rei, o templo e, portanto, a possibilidade de prestar culto ao seu Deus, Aquele que em tempos passados o fizera sair do Egito. 

Mas eis que a voz de um profeta faz um           anúncio surpreendente, fascinante: é hora de voltar para casa. Mais uma vez, Deus vai intervir com poder para conduzir os israelitas de volta, para além do deserto, até Jerusalém. E todos os povos da terra vão testemunhar este evento prodigioso: 

“Todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.”

Atualmente, os noticiários são inundados por notícias alarmantes: pessoas perdendo emprego, saúde, segurança e dignidade; jovens, sobretudo, cujo futuro está em risco por causa da guerra ou da pobreza provocada pelas mudanças climáticas em seus países; povos que não têm mais terra, nem paz, nem liberdade.

Um cenário trágico, de dimensões planetárias, de tirar o fôlego e escurecer o horizonte. Quem nos salvará da destruição de tudo aquilo que acreditávamos possuir? Aparentemente a esperança não tem razão de ser.  No entanto, o anúncio do profeta vale também para nós:

“Todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.”

A sua mensagem revela a ação de Deus na história pessoal e coletiva e convida a abrir os olhos aos sinais deste projeto de salvação. De fato, a salvação já se manifesta na paixão educativa de uma professora, na honestidade de um empresário, na integridade de uma administradora, na fidelidade de um casal, no abraço de uma criança, na ternura de um enfermeiro, na paciência de uma avó, na coragem de homens e mulheres que se opõem pacificamente à criminalidade, no espírito acolhedor de uma comunidade.

“Todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.”

O Natal se aproxima. Na inocência desarmada do Menino, podemos reconhecer mais uma vez a presença paciente e misericordiosa de Deus na história humana e testemunhá-la com nossas escolhas, contrárias às do mundo: 

“[…] Num mundo como o nosso, onde se teoriza a luta, a lei do mais forte, do mais astuto, do mais inescrupuloso, e onde às vezes tudo parece paralisado pelo materialismo e pelo egoísmo, a resposta que devemos dar é o amor ao próximo. Este é o remédio que pode curar o mundo. […] É como uma onda de calor divino, que se irradia e se propaga, facilitando as relações entre as pessoas, entre os grupos, transformando aos poucos a sociedade.1” 

Do mesmo modo como foi para o povo de Israel, também para nós este é o momento de começar a caminhada, é a ocasião favorável para dar decididamente um passo à frente em direção a todos aqueles – sejam jovens ou idosos, pobres ou migrantes, desempregados ou sem-teto, doentes ou presos – que esperam um gesto de dedicação e de proximidade, um testemunho da presença suave, mas eficaz, do amor de Deus em nosso meio.

Hoje, as fronteiras para além das quais esta mensagem de esperança deve ser levada são certamente as divisas geográficas, que, com muita frequência, se tornam muros ou dolorosas linhas de guerra; mas são também as divisas culturais e existenciais. Além disso, as comunidades digitais, geralmente mais usadas por jovens, podem dar uma contribuição eficaz para superar a agressividade, a solidão e a marginalização.

Como escreveu o poeta congolês Henri Boukoulou: “[…] Oh, divina esperança! Eis que no soluço desesperado do vento se traçam as primeiras frases do mais belo poema de amor. E amanhã, é a esperança!2”

1) LUBICH, Chiara. Da morte à vida! Palavra de Vida, maio de 1985. 

2) Cf. AA.VV. Poeti Africani Anti-Apartheid, I vol., Edizioni Milano, 2003.

Fonte: https://www.cidadenova.org.br/

A beleza como forma de encontro no "Concerto com os Pobres" deste sábado

A coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (05/12) | Vatican Media. 

No sábado, 6 de dezembro, a Sala Paulo VI vai sediar o evento com a presença do Papa Leão XIV. O protagonista deste ano é Michael Bublé, que na coletiva de imprensa disse: “quando ouço música, ouço a voz de Deus”. O artista canadense também revelou um pedido feito pelo Pontífice na parte da manhã, quando foi recebido em audiência: interpretar a "Ave Maria" de Schubert.

Gianmarco Murroni – Vatican News

“É fundamental encontrar e ouvir os pobres, tesouro da Igreja e da humanidade, portadores de pontos de vista descartados, mas indispensáveis para ver o mundo com os olhos de Deus. Recomendo que deem a palavra aos pobres”. Assim se expressou o Papa Leão XIV em 17 de maio, por ocasião da audiência aos membros da Fundação ‘Centesimus Annus Pro Pontifice’. E com o mesmo espírito, o Pontífice irá participar neste sábado, 7 de dezembro, na Sala Paulo VI, do Concerto com os Pobres, evento anual que une música, fraternidade e solidariedade, diante de 8 mil pessoas, das quais 3 mil menos afortunadas.

O concerto foi apresentado nesta sexta-feira, 6 de dezembro, na Sala de Imprensa do Vaticano. A dimensão do evento vai além da apresentação musical: ele é pensado como um gesto concreto de proximidade com os pobres e os excluídos. Também este ano, os protagonistas serão os “convidados de honra”: pessoas em situação de fragilidade – sem-teto, migrantes, famílias, pessoas sozinhas ou em dificuldade – convidadas pelo Dicastério para o Serviço da Caridade – Esmolaria Apostólica e numerosas associações de voluntariado. No final do concerto, será oferecido uma refeição quente para mais de 3 mil pessoas, um gesto que expressa o significado mais autêntico da iniciativa: compartilhar a beleza como forma de proximidade.

Bublé: quando ouço a música, ouço a voz de Deus

O protagonista deste ano é o cantor canadense Michael Bublé, que se apresentará com parte de sua banda, juntamente com o maestro monsenhor Marco Frisina, a Nova Opera Orchestra e o Coro da Diocese de Roma. “Tive a oportunidade de encontrar o Santo Padre: foi um dos momentos mais bonitos da minha vida”, contou o artista, “levei comigo minha mãe, meu pai, minha esposa e alguns amigos. Estou muito grato por estar aqui no Vaticano, é extraordinário. O Santo Padre me pediu para cantar algumas canções, entre elas a Ave Maria. Eu cantei essa música apenas uma vez, quando ele me pediu fiquei um pouco nervoso, mas depois percebi que estaria acompanhado por uma importante orquestra: todo o medo se transformou em alegria. O repertório prevê várias músicas solicitadas pelo Santo Padre, acho que ele tem bom gosto musical”. Em seguida, uma passagem sobre a importância da fé: “a música é um dom de Deus, quando ouço música, ouço a voz de Deus. A fé me ajuda em todos os momentos. Minha música é baseada no amor e na esperança. Vivemos em um mundo cínico, há muitas dificuldades para muitas pessoas e há muita escuridão ao nosso redor, mas se você tem fé e tem a luz dentro de você, pode encontrar o seu caminho”. 

Monsenhor Marco Frisina também esteve presente na coletiva de imprensa: “o encontro dos mundos musicais é algo bonito, é possível dialogar com todos os gêneros e descobrir que Deus está sempre presente. Encontrar-se é o sentido deste concerto: a Igreja se compromete e acredito que a música pode servir à Igreja como instrumento de encontro, que supera todas as barreiras e todas as línguas. A música ultrapassa tudo porque toca diretamente o coração”.

O cantor Michael Bublé durante a coletiva de imprensa | Vatican Media.

O programa do concerto

O programa musical do concerto será uma verdadeira narrativa do Natal, que entrelaça a tradição litúrgica com o grande repertório contemporâneo. Na chegada do Papa, o Coro da Diocese de Roma e a Nova Opera Orchestra irão recebê-lo com “Tu sei Pietro”, introduzindo um clima de solenidade que prepara para a primeira parte da noite. Monsenhor Frisina regerá então uma sequência de peças que abrem a contemplação do Ministério da Encarnação: “Puer natus est nobis”, uma das mais antigas antífonas natalinas, seguida de “Quando nascette Ninno”, famosa pastoral de Santo Afonso de Ligório interpretada por Serena Autieri, e por uma animada execução de “Joy to the World”. O programa continuará com “Gloria in cielo”, composição tirada do Laudario di Cortona inspirada no anúncio dos anjos, e com “The First Nowell”, em uma versão intensa e luminosa que acompanha a passagem para a segunda parte da noite. 

A entrada de Michael Bublé marcará uma mudança de atmosfera que, no entanto, permanecerá profundamente coerente com o caráter espiritual e natalino do evento. Acompanhado pela Nova Opera Orchestra, dirigida pelo maestro Nicholas Jacobson-Larson, o artista proporá um itinerário musical construído especialmente para o Concerto com os Pobres, alternando músicas icônicas de seu repertório com as grandes melodias do Natal.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Como o bondoso São Nicolau passou a ser associado à figura do Papai Noel

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Reportagem local - publicado em 06/12/18 - atualizado em 05/12/25

Conheça a história deste defensor da justiça, que impediu a execução de três jovens e virou padroeiro das crianças.

“Seria um pecado não repartir muito, sendo que Deus nos dá tanto”, costumava dizer São Nicolau, padroeiro das crianças, das moças solteiras, dos marinheiros, dos viajantes e da Rússia, Grécia e Turquia. Um azeite milagroso brota de seus restos, que serviu para a cura dos doentes. Sua festa se celebra em 6 de dezembro.

Por se tratar de um santo dos primeiros séculos, pouco se sabe com exatidão a respeito dele, salvo que nasceu na Licia (atual a Turquia), em uma família muito rica. Tinha um tio Bispo que o ordenou sacerdote.

Seus pais morreram ajudando os doentes de uma epidemia e deixaram uma fortuna para Nicolau. Entretanto, o jovem decidiu reparti-la entre os pobres e tornar-se monge. Mais tarde, peregrinou ao Egito e à Palestina, onde conheceu a Terra Santa.

Ao retornar, chegou à cidade de Mira, na Turquia, onde os bispos e sacerdotes discutiam no templo sobre quem devia ser eleito novo Bispo da cidade. Ao final, decidiram que seria o próximo sacerdote que ingressasse no recinto. Nesse momento, São Nicolau entrou e foi eleito Prelado por aclamação de todos.

Mas, teve início uma perseguição promovida pelo imperador Diocleciano contra os cristãos e ele foi preso, sendo libertado apenas quando o imperador Constantino subiu ao trono.

“Graças aos ensinamentos de Nicolau, a metrópole de Mira foi a única que não se contaminou com a heresia ariana, a qual rechaçou firmemente, como se fosse um veneno mortal”, dizia São Metódio. O arianismo negava a divindade de Jesus Cristo. Dessa forma, São Nicolau combateu incansavelmente o paganismo.

Defensor da justiça, salvou três jovens de ser executados, vítimas de um suborno do governador Eustácio, que logo se arrependeu ao ser repreendido por São Nicolau.

Três oficiais foram testemunhas destes fatos e, posteriormente, quando estavam em perigo de morte, rezaram a São Nicolau. O santo apareceu em sonhos a Constantino e lhe ordenou que os libertasse porque eram inocentes.

Após os soldados dizerem ao imperador que tinham invocado São Nicolau, ele os libertou, com uma carta ao Bispo, em que lhe pedia que rezasse pela paz no mundo.

O santo é patrono dos marinheiros porque, em meio a uma tempestade, alguns marinheiros começaram a clamar: “Oh Deus, pelas orações de nosso bom Bispo Nicolau, nos salve”. Nesse momento, conta-se, apareceu São Nicolau sobre o navio, abençoou o mar e este se acalmou. Em seguida, o Bispo desapareceu.

Segundo o costume do Oriente, os marinheiros do mar Egeu e do Jônico têm uma “estrela de São Nicolau” e desejam boa viagem dizendo: “Que São Nicolau leve seu leme”.

Narra-se também que três meninos foram assassinados e jogados em um barril de sal. Mas, pela oração de São Nicolau, os infantes voltaram para a vida. Por isso, é padroeiro das crianças e costuma ser representado com três pequenos ao seu lado.

Outra lenda narra que na Diocese de Mira havia um vizinho em extrema pobreza que decidiu expor suas três filhas virgens à prostituição para que todos eles pudessem sobreviver.

São Nicolau, procurando evitar que isto acontecesse e na escuridão da noite, jogou pela chaminé da casa daquele homem uma bolsa com moedas de ouro. Com o dinheiro, a filha mais velha se casou.

Quis o santo fazer o mesmo em benefício das outras duas, mas na segunda ocasião, depois de atirar a bolsa sobre a parede do pátio da casa, acabou sendo descoberto pelo pai das jovens, que lhe agradeceu por sua caridade.

São Nicolau partiu para a Casa do Pai em 6 de dezembro, mas não sabe com exatidão se foi no ano 345 ou 352. Mais tarde, sua devoção aumentou e foram reportados inúmeros milagres.

No século VI, o imperador Justiniano construiu uma Igreja em Constantinopla (hoje Istambul) em sua honra e o santo se tornou popular em todo o mundo.

São Nicolau é patrono da Rússia, Grécia e Turquia. Além disso, é honrado em cidades da Itália, Holanda, Suíça, Alemanha, Áustria e Bélgica.

Em 1087 seus ossos foram resgatados de Mira, que já estava sob domínio dos muçulmanos, e levados para Bari, na costa da Itália. Por isso, é chamado São Nicolau de Mira ou São Nicolau de Bari. Suas relíquias repousam na Igreja de “San Nicola de Bari”, na Itália.

De seus restos mortais brota um azeite conhecido como o “Manna di S. Nicola”. Em Mira, dizia-se que “o venerável corpo do bispo, embalsamado no azeite da virtude, suava uma suave mirra que lhe preservava da corrupção e curava os doentes, para glória daquele que tinha glorificado Jesus Cristo, nosso verdadeiro Deus”.

Sua figura bondosa e caridosa passou a ser associada em muitos lugares a figura do Papai Noel nos países latinos, que traz presentes para as crianças na Noite de Natal. Na Alemanha, é Nikolaus, e nos países anglo-saxões, Santa Claus. Neste período, este simbolismo deve remeter a São Nicolau e, assim, recordar a todos do amor e caridade para com as crianças e os mais pobres, além da alegria de servir a Deus.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

O Papa: "Peregrinos de Esperança" é um programa de vida, esperar é participar juntos

Audiência Jubilar na Praça de São Pedro - Papa Leão XIV (Vatican Media)

Na Audiência Jubilar na Praça de São Pedro, na manhã deste sábado, 6 de dezembro, o Papa recorda que "nos problemas e belezas do mundo, Jesus nos espera e nos envolve, pedindo-nos que trabalhemos com Ele". Traz então o exemplo de Alberto Marvelli, um jovem membro da Ação Católica, beatificado por João Paulo II em 2004.

Vatican News

O Advento ensina a espera, que "não é passiva". Ajuda a cultivar a esperança, prepara-nos para estar com Jesus e ensina-nos a discernir os sinais dos tempos. É um tempo fecundo que conduz ao Natal, no qual Deus envolve cada um de nós em sua história. O Papa Leão XIII explicou isso em sua catequese na Audiência Jubilar deste sábado, 6 de dezembro, na Praça de São Pedro, precedida pela passagem, como faz habitualmente, no papamóvel entre os trinta mil peregrinos presentes, detendo-se brevemente para saudar e abençoar muitas crianças.

O Pontífice, recordando Maria, José, os pastores, Simão e Ana, e muitos outros, enfatiza que todos são chamados a participar.

É uma grande honra, e que vertigem! Deus nos envolve em sua história, em seus sonhos. Esperar, então, é participar. O lema do Jubileu, "Peregrinos de Esperança", não é um slogan que ficará ultrapassado em um mês! É um programa de vida: "Peregrinos de Esperança" significa pessoas que caminham e esperam, não ociosamente, mas participando.

Inteligência, coração e mangas arregaçadas

Participar esperando e lendo os sinais dos tempos, que o Concílio Vaticano II nos ensinou a interpretar juntos, nunca sozinhos. "São sinais de Deus", afirma o Pontífice, "de Deus que vem com o seu Reino, através de circunstâncias históricas. Deus não está fora do mundo, fora desta vida." Ele é Deus-conosco em meio às mais diversas realidades em que a humanidade é chamada a buscá-lo, explica o Papa, "com inteligência, coração e mangas arregaçadas!" Uma missão que o Concílio confiou principalmente aos leigos.

Nos problemas e nas belezas do mundo, Jesus nos espera e nos envolve, pedindo-nos que trabalhemos com Ele. É por isso que esperar é participar!

Marvelli: um mundo melhor se escolhermos o bem

A esperança como participação tem um rosto para o Papa Leão XIV, e é o do beato Alberto Marvelli, um jovem da Ação Católica que viveu na primeira metade do século passado e cujo modelo foi Pier Giorgio Frassati. Criado em sua família na escola do Evangelho, não deixou de condenar a Segunda Guerra Mundial em diversas ocasiões; era um jovem altruísta.

“Em Rimini e arredores”, conta o Papa, “dedicou-se com todas as suas forças a ajudar os feridos, os doentes e os deslocados. Muitos o admiravam por sua dedicação altruísta e, após a guerra, foi eleito conselheiro e encarregado da comissão de habitação e reconstrução. Assim, ingressou na vida política ativa.” Enquanto se dirigia de bicicleta para um comício na noite de 5 de outubro de 1946, um caminhão militar o atropelou. Ele tinha apenas 28 anos.

Alberto nos mostra que ter esperança é participar, que servir ao Reino de Deus traz alegria mesmo em meio a grandes riscos. O mundo se torna melhor se abrirmos mão de um pouco de segurança e tranquilidade para escolher o bem. Isso é participar.

Um sorriso nos lábios

O exemplo de Alberto suscita questões. "Perguntemo-nos", questiona Leão XIV, "estou participando de alguma boa iniciativa que mobilize meus talentos? Tenho a perspectiva e o fôlego do Reino de Deus quando realizo algum serviço? Ou o faço resmungando, reclamando que tudo está indo mal?" A resposta também está no próprio rosto.

Um sorriso nos lábios é o sinal da graça dentro de nós. Ter esperança é participar: este é um dom que Deus nos dá. Ninguém salva o mundo sozinho. E nem mesmo Deus quer salvá-lo sozinho: Ele poderia, mas não quer, porque juntos é melhor. Participar nos permite expressar e internalizar mais profundamente aquilo que, em última análise, contemplaremos para sempre, quando Jesus finalmente retornar.

Dar nos torna mais felizes

Em sua saudação aos poloneses, o Papa recorda São Nicolau, "um bispo conhecido por sua sensibilidade aos necessitados". "Aprendamos", afirma ele, "que dar nos torna mais felizes do que receber". O Pontífice expressa então a esperança de que a participação de crianças e jovens nas Missas, celebradas durante o Advento, ajude a "desenvolver a virtude da esperança na expectativa do Santo Natal".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Papa alerta para mudança rápida causada pela IA e pede atenção às crianças e jovens

Papa Leão XIV durante a Audiência desta manhã. 5 de dezembro 2025 (Vatican Media)

Em discurso a pesquisadores reunidos no Vaticano, o Santo Padre destacou que a humanidade atravessa uma transformação decisiva e pediu uma ação conjunta para garantir que a inteligência artificial sirva ao bem comum.

Thulio Fonseca - Vatican News

“O advento da inteligência artificial vem acompanhado por uma mudança rápida e profunda da sociedade”, afirmou o Papa Leão XIV ao receber, nesta sexta-feira, 5 de dezembro, os participantes da Conferência “Inteligência Artificial e o Cuidado da Nossa Casa Comum”, promovida pela Fondazione Centesimus Annus Pro Pontifice e pela Strategic Alliance of Catholic Research Universities.

Logo no início, o Santo Padre recordou que a IA toca “aspectos essenciais da pessoa humana, como o pensamento crítico, a capacidade de discernimento, o aprendizado e a esfera das relações interpessoais”. Diante desse impacto estruturante, o Papa lançou a pergunta central que permeou todo o discurso: 

“Como podemos garantir que o desenvolvimento da inteligência artificial realmente sirva ao bem comum e não seja usado apenas para acumular riqueza e poder nas mãos de poucos? Como vocês certamente sabem, o produto mais valioso atualmente nos mercados é justamente o da área de inteligência artificial.”

O desafio da IA e a pergunta radical: o que significa ser humano?

Ao retomar o núcleo da Doutrina Social da Igreja, Leão XIV frisou que enfrentar o desafio tecnológico exige “colocar uma pergunta ainda mais radical: o que significa ser humano nesta época?” Para o Santo Padre, o ser humano não pode ser reduzido a “consumidor passivo de conteúdos produzidos por uma tecnologia artificial”, pois sua dignidade está ligada à capacidade de “refletir, escolher livremente, amar gratuitamente e entrar em relação autêntica com o outro”.

O Papa Leão reconheceu as novas possibilidades criativas abertas pela IA, mas não deixou de sublinhar suas sombras: a tecnologia suscita “questões preocupantes… sobre nossa capacidade de nos maravilhar e de contemplar”. Por isso, o Pontífice insistiu na importância de respeitar aquilo que “caracteriza a pessoa humana e garante seu crescimento harmonioso”, base imprescindível para qualquer estrutura de regulação tecnológica.

Leão XIV durante o encontro com os participantes da Conferência “Inteligência Artificial e o Cuidado da Nossa Casa Comum”   (@VATICAN MEDIA)

Jovens no centro: liberdade, espiritualidade e maturidade ameaçadas

Um dos pontos mais enfáticos do discurso foi a preocupação de Leão XIV com as novas gerações. O Santo Padre afirmou que a liberdade interior das crianças e dos jovens deve “tocar o nosso coração”, alertando para “as possíveis consequências da tecnologia sobre o seu desenvolvimento intelectual e neurológico”.

“As novas gerações precisam ser ajudadas, e não obstaculizadas, em seu caminho rumo à maturidade e à responsabilidade”, destacou o Leão XIV, observando que a abundância de dados disponível hoje não se confunde com a capacidade de “extrair significado e valor”. Esta, acrescentou o Santo Padre, exige abertura ao mistério e coragem para enfrentar “as perguntas últimas da nossa existência”, frequentemente ridicularizadas por modelos culturais atuais.

Por isso, o Papa sublinhou que será “fundamental permitir que os jovens aprendam a usar esses instrumentos com sua própria inteligência pessoal… ampliando seus sonhos e o horizonte de suas decisões maduras”. Leão XIV também encorajou os jovens a recuperar a confiança na capacidade humana de orientar o rumo tecnológico, uma confiança “cada vez mais erodida pela ideia paralisante de que seu desenvolvimento segue um caminho inevitável”.

Um apelo à ação conjunta e à escuta das vozes mais humildes

Diante dos riscos presentes e futuros, o Pontífice pediu uma “ação coordenada e coral” que envolva política, instituições, empresas, finanças, educação, comunicação, cidadãos e comunidades religiosas. Todos, enfatizou o Papa, devem assumir “essa responsabilidade compartilhada — um compromisso que venha antes de qualquer lucro e de qualquer interesse particular”.

Leão XIV advertiu que somente uma participação ampla, “dando a possibilidade de que todas as vozes, inclusive as mais humildes, sejam ouvidas com respeito”, permitirá alcançar os objetivos propostos. Nesse percurso, o Santo Padre destacou a contribuição “realmente preciosa” da pesquisa conduzida pela parceria Centesimus–SACRU. Ao concluir, o Papa agradeceu aos pesquisadores presentes, convidando-os a prosseguir “com criatividade na direção traçada pelas Sagradas Escrituras e pelo Magistério”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF