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domingo, 28 de dezembro de 2025

Quando o ano termina: um tempo de olharmos para dentro

PeopleImages | Shutterstock

Talita Rodrigues - publicado em 26/12/25

O fim de ano costuma chegar carregando um brilho que, para muitos, ilumina; para outros, quase cega. As ruas enfeitadas, as músicas repetidas, as expectativas de celebração… tudo isso cria a sensação de que deveríamos estar vivendo alguma espécie de alegria coletiva. Mas, por dentro, nem sempre é assim.

CAMPANHA DE NATAL ALETEIA 2025 - QUERO DOAR EM 3 CLIQUES

Psicologicamente, essa época funciona como um espelho bem nítido. Diante dela, somos convidados — às vezes sem querer — a encarar o que fizemos, o que adiamos, o que não conseguimos sustentar. É como se uma contagem regressiva acendesse também as nossas próprias urgências internas. Por isso surgem perguntas que não fazem barulho, mas fazem presença: “O que eu vivi?”, “O que ficou faltando?”, “Quem sou eu agora?”, “Será que estou onde gostaria de estar?”.

Essas perguntas não são sinais de fraqueza. São sinais de humanidade.

O fim de ano também costuma tocar em lugares sensíveis: a ausência de alguém, uma cadeira vazia à mesa, uma conversa interrompida, um sonho antigo que ainda não chegou

Há quem se sinta deslocado nas festas, como se estivesse presente apenas no corpo, mas distante em alma. Há quem sinta que está tudo rápido demais, ou lento demais. Há quem apenas deseje que esse período passe.

E tudo isso merece ser acolhido com delicadeza.

O que fazer?

Quando permitimos que as emoções apareçam sem julgá-las, elas nos mostram algo importante. A tristeza costuma revelar o que valorizamos. A saudade lembra que existe amor. A frustração aponta para nossos desejos não ditos. O vazio, por mais incômodo que seja, muitas vezes é um pedido silencioso de reconexão — com a própria história, com o próprio ritmo, com a própria verdade.

Nessa travessia, vale a pena criar pequenos espaços de pausa. Para respirar, sentir o corpo, deixar a mente descansar das cobranças externas. Há algo profundamente terapêutico em escutar a si mesmo com o mesmo cuidado que se escuta alguém querido. Talvez o fim de ano não seja um tempo de grandes festas, mas pode ser um tempo de pequenas honestidades: escrever uma carta para o próprio eu, revisitar memórias com mansidão, agradecer o que foi possível, nomear o que ainda dói, permitir-se planejar passos curtos para o que vem.

E, dentro de tudo isso, é importante lembrar da esperança — não aquela esperança romântica, que promete que tudo dará certo de repente, mas a esperança como virtude: aquela que brota devagar, que pede esforço, que se alimenta de gestos simples e de uma confiança discreta no futuro. A esperança que não nega a dor, mas a atravessa; que não garante respostas, mas oferece caminhos.

O fim de ano pode ser, então, menos sobre contabilizar o que faltou e mais sobre reconhecer o que se sustentou. Menos sobre metas grandiosas e mais sobre recomeços humildes. Menos sobre a pressão de estar bem e mais sobre a coragem de estar inteiro — mesmo que isso signifique estar frágil.

Se há algo que esse tempo nos convida a aprender, talvez seja isto: não precisamos terminar o ano prontos. Basta terminarmos verdadeiros. E, nesse espaço de verdade, a esperança encontra sempre uma forma de acender — às vezes como uma chama pequena, mas firme o suficiente para iluminar o caminho que começa de novo.

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Fonte: https://pt.aleteia.org/

Santos Inocentes

Santos Inocentes (Canção Nova)

SANTOS INOCENTES

28/12/2025

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

A Igreja celebra, no dia 28 de dezembro, a festa litúrgica dos Santos Inocentes. Como esse dia cai no domingo neste ano, no lugar dessa celebração iremos celebrar a Festa da Sagrada Família. Porém, é bom recordar um pouco dessa festa dos Santos Inocentes que ocorre três dias após o Natal e dentro do período da Oitava do Natal. Outras festas de santos importantes acontecem ao longo da Oitava do Natal, que é o período entre o Natal e a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, em 1º de janeiro. A Oitava do Natal são oito dias em que celebramos a alegria do Natal; é como se a cada dia dessa semana fosse Natal, e podemos desejar Feliz Natal uns aos outros. Isso porque o mistério do Natal é tão grande que não pode ser resumido em apenas uma celebração. 

Conforme falamos, além dos Santos Inocentes, ao longo da Oitava do Natal acontecem outras festas de santos importantes da Igreja, que dão um sentido ainda maior à Oitava do Natal. No dia 26 de dezembro, a Igreja celebra Santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, que teve Saulo como testemunha, que depois se tornaria Paulo. No dia 27, celebramos São João Apóstolo e Evangelista, que esteve aos pés da cruz de Jesus e cuidou de Nossa Senhora. No dia 28 de dezembro, celebramos os Santos Inocentes, que são meninos de zero a dois anos que Herodes mandou matar pensando encontrar, em algum deles, Jesus. Além disso, temos a festa da Sagrada Família, normalmente no domingo seguinte ao Natal, neste ano, 28 de dezembro, e a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, em 1º de janeiro, fechando a Oitava do Natal. Em seguida, segue o Tempo do Natal até a festa do Batismo do Senhor. 

Em especial, neste ano, a festa da Sagrada Família será celebrada no domingo, dia 28, que é o domingo seguinte ao Natal. Com isso, a festa dos Santos Inocentes é suprimida. É claro que não deixaremos de lembrar dos Santos Inocentes, mas a liturgia desse domingo será da Sagrada Família. 

Meus irmãos, neste domingo em especial acontecerá o encerramento do Ano Jubilar da Esperança, que vivemos ao longo deste 2025. Convido a todos a participarem da missa em nossa Catedral, onde acontecerá uma Missa de Ação de Graças especial pela clausura do Ano Jubilar da Esperança. Viver um Ano Jubilar é uma grande graça de Deus para todos nós, e muitas graças são derramadas sobre todos. Por isso, celebremos a festa da Sagrada Família, encerremos o Ano Jubilar e lembremos dos Santos Inocentes. Como podemos observar, temos muitos motivos para celebrar e agradecer a Deus neste domingo. Nesse dia também iremos assinar a nossa carta pastoral com as conclusões do II Sínodo Arquidiocesano e comemoraremos a 13ª Festa da Unidade transferida, neste ano, para essa ocasião. 

Herodes ao ouvir falar que tinha nascido o rei dos judeus achava que Jesus veio para ocupar o seu lugar, e ele acreditava que somente ele seria o rei de Israel. Diante disso, Herodes manda matar todos os meninos de zero a dois anos, achando que um deles seria Jesus. Depois que os magos foram embora, o anjo aparece em sonho a José e pede que ele pegue Maria e o Menino e vá para o Egito, a fim de que Herodes não os encontre. O anjo pede que José permaneça lá com Maria e o Menino até nova ordem. Então, durante a noite, José pegou Maria e o Menino e retirou-se para o Egito. 

Por isso, a Igreja celebra nessa data os “Santos Inocentes”, pois são crianças indefesas, sem culpa alguma, que Herodes, por inveja e ciúmes, mandou matar. Os Santos Inocentes são padroeiros de todas as crianças abandonadas. Essa festa foi instituída por São Pio V e nos ajuda a viver com profundidade esse tempo da Oitava do Natal. 

A Sagrada Família permanece no Egito até a morte de Herodes, para se cumprir aquilo que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”. Depois, eles retornam e conseguem continuar a vida. Por isso, Jesus sempre defendeu e acolheu todas as crianças. 

Não temos como calcular o número de crianças que foram arrancadas dos braços de suas mães e depois assassinadas, sem poderem se defender ou ter a oportunidade de expressar a sua fé. Como todos os mártires, elas tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, porém sem a possibilidade de defesa. O relato evangélico desse dia encontra-se no Evangelho de Mateus. 

A celebração da festa dos Santos Inocentes nos chama a refletir sobre a situação de muitas crianças nos dias de hoje, que também podem ser consideradas “santos inocentes”. Crianças que não têm o direito de nascer, ou seja, são abortadas; crianças que são exploradas sexualmente, obrigadas a trabalhar desde cedo ou que vivem em situação de extrema vulnerabilidade. Enfim, rezemos por todas as crianças, para que sejam respeitadas em sua dignidade e possam crescer em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens. 

Podemos dizer que os Santos Inocentes são os primeiros mártires da Igreja, pois são celebrados apenas três dias após o Natal. Todo ser humano tem o direito de nascer, amadurecer, envelhecer e depois morrer; não podemos interromper nenhuma vida, seja qual for a idade. Vale ressaltar também que essa festa nos leva a refletir que não devemos fazer justiça com as próprias mãos, nem alimentar inveja ou ciúmes de ninguém, como fez Herodes. A inveja e o ciúme não são sentimentos cristãos. Não podemos achar que o outro vai ocupar o nosso lugar; em qualquer ambiente em que estivermos, devemos seguir em frente, dar o nosso melhor e continuar o nosso trabalho. 

Por esses inocentes e por nós, como cristãos, que possamos construir um mundo mais justo, solidário e fraterno, e criar aqui na terra um lugar bom para se viver, para crianças, idosos e adultos, para que todos vivam em harmonia. Com certeza, toda criança que morre, seja por qualquer motivo, está no céu, ao lado de Jesus. Jesus tinha um carinho especial pelas crianças e deixava que se aproximassem d’Ele. Com certeza, temos no céu grandes intercessores. As crianças são puras e inocentes e não têm culpa das brigas e confusões dos adultos. Precisamos cuidar e amar todas as crianças, educá-las com fé e amor, e tomar o cuidado de nunca as machucar, seja fisicamente ou interiormente. 

Apesar de ser domingo e festa da Sagrada Família, recordemos com esperança renovada este dia, fazendo memória dos Santos Inocentes, pedindo, sobretudo, que as crianças de hoje tenham paz, proteção e uma vida digna aos olhos de Deus e dos homens. Que todas as crianças tenham, em primeiro lugar, o direito à vida; depois, à saúde e à educação. Peçamos melhores condições de vida para todas as crianças e que nenhuma morra precocemente.  

Oração aos Santos Inocentes 

“Meu Senhor, pelos Santos Inocentes, quero Vos rogar hoje por todos aqueles que são injustiçados, sofrem ameaças, são marginalizados e incompreendidos. Olhai pelos pequeninos, abandonados e assassinados pelas estruturas de morte de nossa sociedade. Que, convosco, eles alcancem dignidade e paz. Amém.” 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

A encarnação do Verbo

O Mistério da Encarnação do Verbo (Arca de Maria | You Tube)

Santo Agostinho "convidava os seus fiéis a observar a realidade do Verbo de Deus feito carne, na maior humildade, para não envergonhar-se de ser um jumento do Senhor, porque foi esse animal que conduziu Jesus para a entrada de Jerusalém. É bom fazer lembrança do jumento conduzido ao Senhor , ninguém se envergonhe disso, porque somos nós que devemos carregar o Senhor, encontrar-se com Ele. Nós somos convidados a viver a graça da encarnação do Verbo de Deus, feito carne para a nossa salvação".

Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá  (PA)

Nós estamos festejando o grande acontecimento divino e humano, que é o santo Natal, mistério tão próximo e infinito, o nascimento de Jesus em nossa realidade humana e pecadora, na qual o Senhor se fez carne e veio habitar no meio de nós (cf. Jo 1,14). Ele foi anunciado pelos patriarcas, os profetas no sentido do Messias que devia vir a o mundo, o Salvador da humanidade. Veremos a seguir este mistério a partir dos santos padres, os primeiros escritores do cristianismo.

O sentido da encarnação do Verbo

 Santo Ireneu de Lião, bispo do século III afirmou diante dos gnósticos, negadores da encarnação, que o Senhor assumiu a carne humana, isto é a realidade humana em tudo menos o pecado cfr. Hb 2,17). O Verbo de Deus recebeu de Maria a geração da recapitulação de Adão. Se os primeiros seres humanos foram tirados da terra e modelados pelo Verbo de Deus, mas que caíram no pecado e na morte, era necessário que este mesmo Verbo, efetuando em si a recapitulação de Adão e de todos os seus descendentes, tivesse geração semelhante à dele. Desta forma não houve uma segunda obra modelada porque foi salva a primeira pelo Verbo encarnado que modelou a primeira obra humana[1].

Ele se fez carne (cf. Jo 1,14)

Diante do argumento que Jesus não tomou nada de Maria, nada da carne humana, Santo Ireneu levantou a pergunta no sentido de que ‘Como isso seria possível não viver a realidade humana, o Verbo que veio do Pai’? O Bispo de Lião colocou a contrariedade do argumento gnóstico que se Ele não recebeu de nenhum ser humano a substância da sua carne, Ele não se fez pessoa humana, nem Filho do Homem. Portanto, se Ele não se fez o que nós éramos, não tinha importância nem o valor do sofrimento e do padecimento pela qual Ele teve que passar na sua paixão, morte de cruz para chegar à glória da ressurreição. Mas nós acreditamos que Ele se fez carne (cf. Jo 1,14) porque Jesus tomou carne de Maria, assumindo toda a realidade humana, com as suas alegrias, dificuldades, problemas, esperanças, espalhando o amor de Deus entre o povo e os seus discípulos. Ele recapitulou em si toda a vida humana, salvando a obra de suas mãos[2].

 A encarnação e a eucaristia

Tertuliano, Padre da Igreja, Norte Africano, dos séculos II e III deu importância à encarnação do Verbo de Deus diante também dos gnósticos que negavam a presença do Senhor na eucaristia, na cruz do sofrimento e da dor de Jesus. O fato era que Jesus desejou ardentemente comer a Páscoa, porque de fato era a sua Páscoa e seria indigno se Deus tivesse desejado alguma coisa que não fosse a sua carne. Por isso, ao tomar o pão disse Jesus que era o seu corpo, figura do seu próprio corpo(Lc 22,19). Como era o seu corpo, não foi uma coisa vazia a sua morte de cruz, de modo que no pão tomado por Ele, estava o seu corpo dado para nós e para a nossa salvação[3].

A encarnação, a cruz e a eucaristia

Tertuliano afirmou também que Jesus Cristo iluminou todas as figuras antigas e realizou todas as promessas feitas a seu respeito. Ele chamou o pão o seu corpo e explicou o significado do pão, verdadeiro alimento para a vida eterna. Da mesma forma falou do cálice (cfr. Lc 22,20) e estabeleceu o pacto selado com o seu sangue derramado ao longo de sua paixão e morte confirmando a sua substância corpórea. Desta forma o sangue não podia ser de nenhum corpo que não fosse de carne. Jesus derramou o seu sangue em vista da redenção humana[4].

 Jesus Cristo encheu o mundo

Santo Agostinho, Bispo de Hipona, Norte da África, séculos IV E V afirmou que Jesus Cristo encheu o mundo, pois Ele era o seu Criador junto com o Pai e o Espírito Santo. Desta forma, ao se encarnar Ele não encontrou lugar na hospedaria, mas Ele foi colocado numa manjedoura (cf. Lc 2,7) e Ele se fez nossa alimento. Dois animais se acostaram no presépio: o boi que conheceu o seu patrão e o burro a manjedoura, o coxo de seu Senhor (cfr. Is 1,3). O bispo convidava os seus fiéis a observar a realidade do Verbo de Deus feito carne, na maior humildade, para não envergonhar-se de ser um jumento do Senhor, porque foi esse animal que conduziu Jesus para a entrada de Jerusalém. É bom fazer lembrança do jumento conduzido ao Senhor (cf. Lc 19,34-35) ninguém se envergonhe disso, porque somos nós que devemos carregar o Senhor, encontrar-se com Ele. Nós somos convidados a viver a graça da encarnação do Verbo de Deus, feito carne para a nossa salvação[5].

Nós desejamos um Feliz Natal com o Senhor Jesus que se fez pessoa humana para nos elevar até à divindade. Somos irmãos e irmãs uns aos outros para viver a alegria do Natal, do amor a Deus, ao próximo como a si mesmo, do encontro com o Senhor Jesus na eucaristia, na sua palavra de salvação e em todas as pessoas de nossas famílias, comunidades, sobretudo aquelas mias necessitadas. O Natal possibilite vida nova para todos nós aqui e agora e um dia na eternidade.

_______________

[1] Cfr. Ireneu de Lião, III,21,10. São Paulo; Paulus, 1995, pg. 349.
[2] Cfr. Idem, III,22,2. In: Idem, pgs. 350-351.
[3] Cfr. Tertulliano. Contro Marcione, IV, cap. 40,1-5. In; Gerardo di Nola. Monumenta Eucharistica. La Testimonianza dei Padri della Chiesa. Roma: Edizioni Dehoniane. 1994, pg. 128.
[4] Cfr. Idem, pgs 128-129.
[5] Cfr. Agostino d`Ippona. Sermone 189,4. In: Ogni giorno con i Padri della Chiesa. Milano: Paoline, pg 396.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Sagrada Família de Nazaré (A)

Sagrada Família (Vatican News)
Ano A

Seguindo o exemplo da Família de Nazaré, as nossas famílias, como as famílias humanas, podem aprender a deixar-se guiar pela poderosa mão de Deus.

Vatican News

Celebra-se a festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José no domingo após o Natal. Esta festa desenvolveu-se a partir do século XIX, no Canadá e, depois, em toda a Igreja, a partir de 1920. No início, era celebrada no domingo após a Epifania. Esta festa tem o intuito de apresentar a Sagrada Família de Nazaré como "verdadeiro modelo de vida" (Coleta), no qual as nossas famílias possam se inspirar e encontrar ajuda e conforto.

Texto:  (Mt 2,13-15,19-23)

“Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: do Egito chamei o meu filho". Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino”. José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Ao receber o aviso divino em sonhos, retirou-se para a região da Galileia, onde foi morar na cidade de Nazaré, para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: “Será chamado Nazareno” (Mt 2,13-15,19-23).

Família “em movimento”

O que mais chama a atenção na leitura do texto do Evangelho são os muitos verbos de "movimento": partir, levantar-se, fugir, refugiar-se, morar... O mapa geográfico também não fica muito atrás: Belém, Egito e, depois, Nazaré. Podemos encontrar, com certeza, a chave destes "movimentos" na citação do profeta Oséias: "Do Egito chamei meu filho": lugar de refúgio para os perseguidos e ponto de partida do Êxodo de Israel. Desta forma, a Família de Nazaré retoma o caminho de tantos perseguidos e refugiados, ao longo da história, mas, ao mesmo tempo, confia na mão poderosa de Deus, que sabe libertar seu povo.

A experiência da Sagrada Família leva-nos a pensar nas tantas famílias que, hoje, estão "em movimento". Essas famílias, certamente, são obrigadas a deixar suas casas e suas terras em busca de paz, serenidade e trabalho; faz-nos pensar também naquela apreensão, que nossas famílias cultivam, pela preocupação de não chegar ao final do mês, por causa dos problemas econômicos, da instabilidade emocional dos cônjuges, do medo das doenças...

Seguindo o exemplo da Família de Nazaré, as nossas famílias, como as famílias humanas, podem aprender a deixar-se guiar pela poderosa mão de Deus. Por um lado, em muitas situações, sentimo-nos "refugiados", estrangeiros na nossa própria terra ou no coração de quem amamos; por outro, todos os obstáculos e dificuldades podem transformar-se em uma oportunidade de "êxodo" e de "conversão", que nos conduzem à serenidade, à paz, à estabilidade.

O Espírito Santo fala às famílias de hoje

O Espírito Santo continua, ainda hoje, a guiar "todos os povos", "todos os casais", "todos os pais". Porém, temos que ouvir o que o Espírito nos fala. Se o Filho de Deus vem ao nosso encontro, através de um Menino, e se o nosso olhar de fé pode captar esta presença, então temos que lembrar que as coisas do dia a dia tem sua importância; os encontros cotidianos nunca são inúteis ou puras coincidências. Por isso, é preciso manter nosso olhar de fé, dentro e ao nosso redor, pois podemos encontrar ou rejeitar a presença de Deus em todos os lugares, porque tudo é um sinal, para quem acredita.

Evangelho da família

Viver o Evangelho da família, sobretudo hoje, não é fácil: somos criticados ou atacados porque defendemos a vida, desde o seio materno. No entanto, o Evangelho nos mostra o caminho, talvez exigente, para vivermos uma vida digna, em nível pessoal e familiar, mas fascinante e totalizante: um caminho que, ainda hoje, merece confiança e crédito, sob o exemplo e intercessão da Família de Nazaré. Em toda família há momentos de felicidade e tristeza, de tranquilidade e dificuldades. Esta é a vida. Viver o "Evangelho da família" não nos dispensa de passar por dificuldades e tensões, momentos de alegre fortaleza e de triste fragilidade. As famílias feridas e marcadas pela fragilidade, fracassos, dificuldades... podem reviver, se souberem haurir da fonte do Evangelho; assim, poderão encontrar novas possibilidades para recomeçar.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sábado, 27 de dezembro de 2025

Leão XIV diz que o cristão não tem inimigos, mas irmãos e irmãs

Papa Leão XIV na varanda do Palácio Apostólico, no Vaticano. | Captura de tela - Vatican Media

Por Victoria Cardiel*

26 de dez de 2025 às 12:09

O papa Leão XIV exortou hoje (26) à unidade e à fraternidade, dizendo que os cristãos “não têm inimigos, mas irmãos e irmãs", mesmo diante de desentendimentos.

“O cristão, porém, não tem inimigos, mas irmãos e irmãs, que continuam a sê-lo mesmo quando não estão de acordo”, disse ele da varanda do Palácio Apostólico, no Vaticano.

Na oração do Ângelus na festa de santo Estêvão, o primeiro mártir cristão, o papa disse que o Mistério do Natal consiste em reconhecer em cada pessoa, mesmo nos “adversários”, “a dignidade indelével das filhas e dos filhos de Deus”.

Em sua reflexão, Leão XIV disse que aqueles que hoje acreditam na paz e escolhem “o caminho desarmado de Jesus e dos mártires” são frequentemente “ridicularizados” e “excluídos do debate público”, ou até mesmo “acusados ​​de favorecer adversários e inimigos”.

O papa disse que o cristão não tem inimigos, uma convicção que, segundo ele, é fonte de alegria "motivada pela tenacidade de quem já vive a fraternidade".

Leão XIV centrou sua mensagem na figura de santo Estêvão, diácono da Igreja primitiva em Jerusalém e a primeira testemunha a derramar seu sangue por Cristo. Apedrejado depois de ser acusado de blasfêmia, ele morreu perdoando seus algozes, entre eles Saulo de Tarso, o futuro são Paulo Apóstolo. A Igreja celebra sua festa em 26 de dezembro, logo depois do Natal, como sinal da união entre o nascimento do Salvador e o testemunho até o fim.

O martírio é um “nascimento para o Céu”.

“Hoje é o natal de santo Estêvão, como costumavam dizer as primeiras gerações cristãs, certas de que não se nasce só uma vez”, disse o papa. Inspirando-se no relato dos Atos dos Apóstolos, ele disse que aqueles que testemunharam seu martírio “ficaram surpreendidos com a luz do seu rosto”.

“Está assim escrito: Todos os membros do Sinédrio tinham os olhos fixos nele e viram que o seu rosto era como o rosto de um Anjo» (cf At6, 15)”, disse ele. “É o rosto de quem não passa indiferente pela história, mas a enfrenta com amor”.

Leão XIV disse que o martírio é “um nascimento para o Céu” e que, numa perspectiva de fé, mesmo a morte “já não significa só trevas”.

“Viemos ao mundo sem decidir, mas passamos depois por muitas experiências nas quais nos é pedido, cada vez mais conscientemente, que venhamos à luz, que escolhamos a luz”, disse o papa.

O nascimento do Filho de Deus “convida-nos a viver como filhos de Deus, tornando-o possível”, com um “movimento de atração” como o vivido por “pessoas humildes” como Nossa Senhora, são José e os pastores em Belém.

Ele disse que a beleza de Jesus e daqueles que vivem como Ele “é uma beleza rejeitada”, porque sua “força magnética” provocou, desde o princípio, “a reação de quem teme pela sobrevivência do seu poder, de quem é desmascarado na sua injustiça por uma bondade que revela os pensamentos dos corações (cf. Lc 2, 35)”.

Nenhum poder pode prevalecer sobre a obra de Deus

“Até hoje, poder algum prevalece sobre a obra de Deus”, disse o papa. Assim, ele disse que em todo o mundo existem pessoas que escolhem a justiça “mesmo que isso tenha um custo” e “anteponha a paz aos próprios medos”.

“Então, apesar de tudo, brota a esperança e faz sentido estar em festa”, disse Leão XIV.

“Nas condições de incerteza e sofrimento do mundo atual, a alegria pareceria impossível”, disse ele.

Santo Estêvão morreu perdoando, como Jesus Cristo, por uma força “mais verdadeira do que a das armas”, disse o papa.

“Sim, isto é renascer, isto é vir novamente à luz, isto é o nosso Natal”, disse ele, antes de confiar os fiéis a Nossa Senhora, “bendita entre todas as mulheres que servem a vida”, para que ela conduza a Igreja a uma alegria que “dissolve todo o medo e toda a ameaça”.

Ao fim da oração do Ângelus, o papa fez uma saudação aos peregrinos reunidos na praça de São Pedro, renovando "sinceramente" seus votos de paz e serenidade "na luz do Natal do Senhor".

“Saúdo todos os fiéis de Roma e os peregrinos vindos de tantos países”, disse Leão XIV, antes de invocar a intercessão de santo Estêvão. Assim, ele confiou à sua intercessão as comunidades de cristãos perseguidos e pediu que o seu testemunho “fortaleça a nossa fé e sustente as comunidades que mais sofrem por causa do seu testemunho cristão”.

Leão XIV falou sobre o valor do exemplo do protomártir, destacando sua mansidão, coragem e perdão. "Que o seu exemplo de mansidão, coragem e perdão acompanhe todos aqueles que estão envolvidos em situações de conflito para promover o diálogo, a reconciliação e a paz", exortou ele.

*Victoria Cardiel é jornalista especializada em temas de informação social e religiosa. Desde 2013, ela cobre o Vaticano para vários veículos, como a agência de noticias espanhola Europa Press, e o semanário Alfa y Omega, da arquidiocese de Madri (Espanha).

Fonte: https://www.acidigital.com/

O Papa aos jovens de Taizé: sejam construtores da paz e portadores da esperança

Taizé em Paris 2025-2026 | Vatican News.

Numa mensagem assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, aos participantes do 48º Encontro Europeu de Fim de Ano, organizado em Paris pela Comunidade Monástica Francesa, Leão XIV faz votos de que os momentos de oração e partilha possam ajudar a aprofundar a sua fé e a discernir "como viver o Evangelho na realidade concreta".

Vatican News

Um convite para ser "peregrinos da confiança, construtores da paz e da reconciliação, capazes de levar uma esperança humilde e alegre aos que os rodeiam". Este é o convite de Leão XIV aos jovens reunidos de domingo, 28 de dezembro, a 1° de janeiro, em Paris, e na região da Île-de-France, para o 48.º Encontro Europeu, organizado anualmente pela Comunidade de Taizé. O Pontífice enviou uma mensagem assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, aos cerca de 15 mil participantes, de 18 aos 35 anos, que, a convite das Igrejas na Europa de várias confissões, se reunirão em oração e partilha, num espírito de celebração e amizade. O Papa lhes assegura sua proximidade espiritual.

Ter certeza de ter Jesus ao seu lado

Agradecido por saber que os jovens estarão reunidos "numa cidade marcada por uma rica herança religiosa, moldada ao longo dos séculos pelo testemunho luminoso de tantas figuras de santidade que, cada uma à sua maneira, responderam corajosamente ao chamado de Cristo", o Papa observa que "o tema da Carta escrita este ano pelo frei Mateus, prior de Taizé, 'O que procuram?', aborda uma questão essencial que reside no coração de cada ser humano" e nos convida a não a temê-la, "mas a carregá-la em oração e silêncio", na certeza de ter Cristo ao nosso lado e na convicção de que Ele "se deixa encontrar por aqueles que o procuram com um coração sincero".

Viver o Evangelho na realidade concreta

Para Leão XIV, neste ano "marcado por tantas provações" para a humanidade, a generosa hospitalidade que os jovens estão recebendo em Paris "de fiéis de todas as origens e de pessoas de boa vontade é uma mensagem poderosa para o mundo". "Que os momentos de oração e partilha que vocês viverão nestes dias os ajudem a aprofundar a sua fé, discernindo cada vez mais claramente como viver o Evangelho na realidade concreta de suas vidas", ressalta o Papa.

Comunhão e fraternidade

A mensagem, que destaca o "momento eclesial particular, marcado pelo encerramento de um Ano Jubilar e pelas comemorações dos 1.700 anos do Concílio de Niceia", recorda também que, durante o encontro ecumênico de oração em Iznik, o Pontífice falou da reconciliação como "um apelo que vem de toda a humanidade afligida por conflitos e violência". Por fim, enfatiza que "o desejo de plena comunhão entre todos os fiéis em Jesus Cristo é sempre acompanhado pela busca da fraternidade entre todos os seres humanos".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

A obra-prima de São João Evangelista

CC | Aleteia

Reportagem local - publicado em 27/12/17

O prólogo do seu Evangelho é uma declaração de fé e de maravilhamento espiritual a ser rezada todos os dias.

O prólogo do Evangelho de São João (1, 1-14) fascina todas as gerações de cristãos. Sua beleza e profundidade teológica são de inspiração quase tangível. Não surpreende que era lido ao final de todas as Missas no Rito Romano Antigo. É uma declaração de fé e de maravilhamento espiritual a ser rezada todos os dias:

Em português:

No princípio era o Verbo,
e o Verbo estava junto de Deus
e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio junto de Deus.
Tudo foi feito por ele,
e sem ele nada foi feito.
Nele havia a vida,
e a vida era a luz dos homens.
A luz resplandece nas trevas,
e as trevas não a compreenderam.

Houve um homem, enviado por Deus,
que se chamava João.
Este veio como testemunha,
para dar testemunho da luz,
a fim de que todos cressem por meio dele.
Não era ele a luz,
mas veio para dar testemunho da luz.

[O Verbo] era a verdadeira luz,
que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.
Estava no mundo
e o mundo foi feito por ele,
e o mundo não o reconheceu.
Veio para o que era seu,
mas os seus não o receberam.

Mas a todos aqueles que o receberam,
aos que creem no seu nome,
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,
os quais não nasceram do sangue,
nem da vontade da carne,
nem da vontade do homem,
mas sim de Deus.

E o Verbo se fez carne
e habitou entre nós,
e vimos a sua glória,
a glória que o Filho único recebe do seu Pai,
cheio de graça e de verdade.

Em latim:

In principio erat Verbum,
et Verbum erat apud Deum,
et Deus erat Verbum.
Hoc erat in principio apud Deum.
Omnia per ipsum facta sunt,
et sine ipso factum est nihil quod factum est;
in ipso vita erat,
et vita erat lux hominum,
et lux in tenebris lucet,
et tenebrae eam non conprehenderunt.

Fuit homo missus a Deo,
cui nomen erat Iohannes;
hic venit in testimonium
ut testimonium perhiberet de lumine,
ut omnes crederent per illum.
Non erat ille lux,
sed ut testimonium perhiberet de lumine.

Erat lux vera,
quae illuminat omnem hominem,
venientem in mundum.
In mundo erat,
et mundus per ipsum factus est,
et mundus eum non cognovit.
In propria venit,
et sui eum non receperunt.

Quotquot autem receperunt eum,
dedit eis potestatem filios Dei fieri,
his, qui credunt in nomine eius,
qui non ex sanguinibus
neque ex voluntate carnis
neque ex voluntate viri,
sed ex Deo nati sunt.

Et Verbum caro factum est
et habitavit in nobis;
et vidimus gloriam eius,
gloriam quasi unigeniti a Patre,
plenum gratiae et veritatis.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Um dia de descanso para os nervos à flor da pele

Pearl PhotoPix | Shutterstock

Aleteia Polônia - publicado em 25/12/25

Como dominar a arte de se acalmar? Na verdade, é mais fácil do que parece, mas precisamos levar isso a sério.

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Todos nós "perdemos a cabeça" às vezes. Estresse, exaustão, um sentimento de injustiça — em uma fração de segundo, podem nos transformar em alguém que mal reconhecemos. De uma perspectiva neurobiológica, estamos falando de um "desligamento do córtex pré-frontal" — a parte do cérebro responsável pelo raciocínio e autocontrole. Em seu lugar, o sistema límbico, o centro emocional, assume o controle, reagindo automaticamente e acionando o modo de sobrevivência: lutar, fugir ou congelar.

Quando gritamos, batemos portas ou ferimos com palavras, é o nosso "cérebro reptiliano" que assume o controle. Estar ciente desse processo não tem o objetivo de nos envergonhar, mas sim de nos ajudar a entender que a calma não é uma característica imutável, mas sim uma habilidade que pode ser praticada.

Respiração, ritmo, previsibilidade

O remédio mais simples? Ritmo. Respiração profunda e lenta, caminhada, rezar o terço — qualquer coisa que coloque o corpo em um estado de ritmo regular e envie o sinal de "está tudo bem". Um exercício simples de 4-7-8 ajuda com isso: inspire por quatro segundos, prenda a respiração por sete segundos, expire por oito. Algumas repetições e o coração começa a bater mais calmamente. Somente quando o corpo se acalma é que a capacidade de pensar logicamente, comunicar e ter empatia retorna.

Um ritual previamente praticado também pode ajudar. Por exemplo, conheço alguém que, quando se sente estressado, vai à cozinha preparar um chá de erva-cidreira. Por um lado, a própria erva-cidreira tem um efeito calmante, mas, por outro, os movimentos repetitivos e a sequência de ações a acalmam gradualmente. A chave para o sucesso? Fazer isso devagar, concentrando-se no aqui e agora, sem se deter no problema. E para que isso funcione, deve ser uma sequência de ações que praticamos "com calma", para que se torne mais fácil em momentos difíceis.

De onde vêm essas reações violentas?

Muitas vezes, não se trata da situação em si. Chegamos até a nos perguntar por que algo tão pequeno desencadeou uma reação emocional tão violenta. Afinal, não é nada de especial, não é? Uma palavra, um tom de voz, um gesto — tudo isso pode evocar memórias antigas de dor, rejeição ou medo. Reagimos, então, não apenas ao "aqui e agora", mas também a ecos do passado. Ou talvez seja simplesmente um sinal de exaustão ou de um resfriado começando? Como escreve o Dr. Daniel Siegel, a meta-perspectiva — a capacidade de observar as próprias emoções à distância, sem se identificar com elas — ajuda.

Esse estado parece difícil de alcançar, mas muitas vezes tudo o que é preciso é se perguntar: como ele se parece visto de lado? O que está acontecendo dentro do corpo? É como se nosso corpo estivesse em um aquário e nós o observássemos através de um vidro.

Só o fato de saber que esse sistema límbico automático está funcionando já ajuda a acalmar nossos nervos. Mas, para isso, precisamos nos concentrar em nos observar de fora, e não no que nos perturba. Trata-se de mudar o foco.

Com amor por si mesmo e pelos outros

O que precisamos em momentos como este é de uma pausa, uma mudança de ares e um afastamento da situação estressante. Vamos encarar isso não como uma fuga do problema, mas como um ato de compaixão por nós mesmos e pelos outros. Ao nos permitirmos fazer uma pausa, paramos de reagir impulsivamente, no nível mais primitivo. Assim, nosso cérebro recupera o equilíbrio, os relacionamentos se tornam mais saudáveis ​​e as pessoas que amamos nos veem como alguém capaz de se recuperar de fracassos.

Após se acalmar, um pedido de desculpas pode ser necessário se a perda de controle resultou em danos a outras pessoas. Esta é uma lição de humildade. Em tais momentos, uma das mais belas passagens das Escrituras, na minha opinião, pode nos ajudar:

“Vinde a mim, todos vós que estais cansados ​​e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

(Mt 11,28-30)

Fonte: https://pt.aleteia.org/

'Convidamos um homem para passar o Natal em nossa casa

Ronnie Lockwood usando um chapéu de papel de Natal e Ronnie segurando Lloyd, filho de Rob e Dianne Parson, à mesa de Natal (Crédito: Rob Parsons)

'Convidamos um homem para passar o Natal em nossa casa. Ele ficou conosco por 45 anos'

Autor: Charlie Buckland

De BBC País de Gales

25 dezembro 2025

O Natal é frequentemente considerado uma época de boa vontade, mas o ato de bondade de um jovem casal britânico há 50 anos mudou suas vidas para sempre.

Em 23 de dezembro de 1975, Rob Parsons e sua esposa Dianne estavam se preparando para o Natal em sua casa em Cardiff, País de Gales, quando ouviram alguém bater à porta.

À porta da sua casa estava um homem com um saco do lixo contendo os seus pertences na mão direita e um frango congelado na esquerda.

Rob estudou o rosto do homem e lembrou-se vagamente dele como Ronnie Lockwood, alguém que ele via ocasionalmente na escola dominical quando era menino e com quem lhe diziam para ser gentil, pois ele era "um pouco diferente".

"Eu disse: 'Ronnie, o que é essa galinha?' Ele respondeu: 'Alguém me deu de presente de Natal'. Então eu disse uma palavra que mudou a vida de todos nós. E não sei bem por que as disse. Eu disse: 'Entre'."

Com apenas 27 e 26 anos na época, o casal sentiu-se compelido a acolher Ronnie, que era autista.

Eles prepararam frango para ele, deixaram-no tomar banho e concordaram em deixá-lo ficar para o Natal.

O que começou como um ato de compaixão transformou-se em uma amizade única, marcada pelo amor e pelo compromisso, que durou 45 anos, até o dia em que Ronnie faleceu.

Rob, agora com 77 anos, e Dianne, agora com 76, estavam casados havia apenas quatro anos quando receberam Ronnie em sua casa.

Ronnie tinha então quase 30 anos e estava sem casa desde os 15, vivendo em Cardiff e arredores e mudando constantemente de emprego — Rob às vezes o via em um clube juvenil que ele administrava.

Para que ele se sentisse o mais bem-vindo possível, pediram à família que lhe trouxesse um presente de Natal, qualquer coisa, desde um par de meias a perfumes.

"Agora consigo lembrar-me dele. Ele estava sentado à mesa de Natal, tinha aqueles presentes e chorava porque nunca tinha conhecido aquele tipo de sentimento de amor, sabe?", disse Dianne.

"Foi realmente incrível de se ver."

Ronnie, fotografado com Lloyd, filho de Rob e Dianne, no Natal, era muito prestativo ao ajudar com as crianças e costumava dizer: "Sou bom com crianças, sim" (Crédito: Rob Parsons)

O casal planejava deixá-lo ficar até o dia seguinte ao Natal, mas quando o dia chegou, eles não conseguiram expulsar Ronnie e procuraram orientação das autoridades.

O centro para sem-teto disse a eles que Ronnie precisava de um endereço para conseguir um emprego, disse Rob, mas "para conseguir um endereço, você precisa de um emprego".

"É esse o dilema em que se encontram muitos sem-teto."

Ronnie Lockwood tinha autismo e ficou sem teto depois de ser expulso de um centro de acolhimento aos 15 anos de idade (Crédito: Rob Parsons)

Colocado em um lar adotivo quando tinha apenas oito anos, Ronnie desapareceu de Cardiff aos 11 anos, disse Rob, e foi somente quando ele estava pesquisando para seu livro, A Knock on the Door, que descobriu o que aconteceu com ele.

Ele foi enviado para uma escola a 320 km de distância, referida num relatório como uma "escola para meninos com deficiência mental", e viveu lá durante cinco anos.

Ele não tinha amigos lá. Não tinha nenhum assistente social que o conhecesse. Não tinha professores que o conhecessem.

Rob disse que Ronnie costumava perguntar "eu fiz algo errado?", algo que eles acreditam que ele aprendeu durante o tempo que passou na escola.

"Ele sempre se preocupava em ter ofendido você ou feito algo errado."

Aos 15 anos, Ronnie foi mandado de volta para Cardiff "para nada", segundo eles.

Dianne diz que Ronnie "se revelou" ajudando com as crianças quando ela sofria de síndrome de fadiga crônica (Crédito: Rob e Dianne Parsons)

O casal disse que Ronnie era um pouco estranho no início, pois tinha dificuldade em fazer contato visual e mantinha a conversa ao mínimo.

"Mas então passamos a conhecê-lo e, na verdade, passamos a amá-lo", disseram eles.

Eles ajudaram Ronnie a conseguir um emprego como coletor de lixo e o levaram para comprar roupas novas depois de descobrirem que ele usava as mesmas roupas que ganhou quando era adolescente na escola.

"Não tínhamos filhos, era como vestir os nossos filhos para a escola, éramos pais orgulhosos", disse Rob.

"Quando saímos da loja, ela [Dianne] me disse: 'Ele trabalha como lixeiro, mas nós o vestimos como se trabalhasse no Hotel Dorchester (um hotel de luxo em Londres)", disse Rob, rindo.

Rob, que era advogado, acordava uma hora mais cedo para levar Ronnie ao trabalho antes de ir para o seu próprio emprego.

Quando chegava em casa, Rob disse que Ronnie costumava estar sentado ali, apenas sorrindo, e uma noite ele perguntou: "Ronnie, o que está te divertindo tanto?"

Ronnie respondeu: "Rob, quando você me leva para o trabalho pela manhã, os outros homens perguntam: 'Quem é aquele que te leva para o trabalho naquele carro?' E eu respondo: 'Ah, é meu advogado'".

"Não achamos que ele estivesse orgulhoso por ter sido levado ao trabalho por um advogado, mas achamos que talvez ele nunca tivesse tido alguém para levá-lo no seu primeiro dia de aula", disse Rob.

"E agora ele está quase com 30 anos... finalmente alguém está no portão."

Rob e Dianne fotografados com Ronnie (à direita) e seus dois filhos, Lloyd e Katie, em 1988 (Crédito: Rob Parsons)

Ronnie tinha muitos rituais aos quais eles se acostumaram, incluindo esvaziar a máquina de lavar louça todas as manhãs, ao que Rob fingia surpresa para evitar a decepção de Ronnie.

"É difícil parecer surpreso quando você recebe na terça-feira a mesma pergunta que recebeu na segunda-feira, mas esse era o Ronnie."

"Fizemos isso durante 45 anos", disse ele, rindo.

"Ele obviamente tinha dificuldade para ler e escrever, mas comprava o South Wales Echo (um jornal local) todos os dias", acrescentou Dianne.

Ronnie comprava para eles os mesmos cartões-presente da Marks and Spencer (uma loja de departamento) todo Natal, mas a cada ano ele ficava igualmente animado com a reação deles.

Rob e Dianne, com cerca de 20 anos, tiveram dois filhos e cinco netos (Crédito: Rob Parsons)

Ronnie passava grande parte do seu tempo livre na igreja local, recolhendo doações para os sem-teto e preparando os serviços religiosos, alinhando "meticulosamente" as cadeiras.

Dianne lembrou-se de um dia em que ele chegou a casa com um par de sapatos diferente e ela perguntou: "Ronnie, onde estão os seus sapatos?"

Ele disse a ela que um morador de rua precisava deles.

"Ele era assim mesmo. Era incrível", disseram.

Um dos momentos mais difíceis foi quando Dianne adoeceu com a síndrome da fadiga crônica, pois ela se lembra de dias em que não conseguia sair da cama.

"Eu tinha uma filha pequena de três anos, Rob estava fora a trabalho", disse Dianne.

Mas ela disse que Ronnie era "notável" e se destacava, preparando mamadeiras para o filho Lloyd, ajudando nas tarefas domésticas e brincando com a filha Katie.

"[Ronnie] estava lá antes de eles chegarem e estava lá quando eles partiram com seus próprios filhos", diz Rob (Crédito: Rob e Dianne Parsons)

Embora admitissem que a dinâmica tinha suas dificuldades, incluindo a luta contra o vício em jogos de azar de Ronnie por 20 anos, eles não conseguiam imaginar suas vidas sem ele.

"Não é algo que eu recomendaria como estratégia", disse Rob, "mas Ronnie enriqueceu nossas vidas de muitas maneiras".

"Ele tinha um grande coração, Ronnie. Era gentil, era frustrante", disse Dianne.

"Às vezes eu era sua mãe, às vezes eu era sua assistente social e às vezes eu era sua cuidadora."

"Um dia, alguém perguntou a eles [seus filhos]: 'Como vocês lidavam com o Ronnie quando seus amigos vinham à sua casa?' E eles responderam: 'Bem, nós realmente não pensamos nisso, ele é apenas o Ronnie'."

Rob acrescentou: "Nossos filhos nunca conheceram a vida sem Ronnie. Ele estava lá antes deles nascerem e continuou lá depois que eles partiram, com seus próprios filhos."

Ronnie era voluntário regular no banco de alimentos da igreja local e ajudava a organizar uma partida de futebol no dia seguinte ao Natal por 25 anos (Crédito: Rob Parsons)

Uma vez o casal considerou apoiar Ronnie para que ele vivesse de forma independente, alguns anos depois de ele se mudar para lá.

À medida que seus dois filhos cresciam e o espaço parecia limitado em sua casa com apenas um banheiro, eles abordaram Ronnie para sugerir que ele alugasse um apartamento na mesma rua.

Mas, ao entrarem, ele repetiu aquela pergunta familiar: "Eu fiz algo errado?"

Rob disse que Dianne o mandou sair da sala, começou a chorar e disse: "Não consigo fazer isso".

Algumas noites depois, Ronnie entrou no quarto deles e perguntou: "Nós três somos amigos íntimos, não somos?"

"Eu disse 'sim, Ronnie, nós três somos amigos íntimos'", disse Rob.

"E ficaremos juntos para sempre, não é?", perguntou ele.

E houve uma pausa, provavelmente muito longa. Olhei para a Di e disse: "Sim, Ronnie, ficaremos juntos para sempre".

"E nós ficamos"

Ronnie faleceu em 2020, aos 75 anos, após sofrer um derrame, e o casal diz sentir muita saudade dele.

Ronnie deixou £ 40.000 (R$ 298 mil) para instituições de caridade em seu testamento, que era exatamente a quantia necessária para consertar o telhado do centro Lockwood (Crédito: Rob Parsons)

Apenas 50 pessoas puderam comparecer ao seu funeral devido à pandemia de covid, mas "os ingressos estavam mais disputados do que um show do Coldplay", brincou Rob.

Eles receberam pelo menos 100 cartões de condolências, desde "professores da Universidade de Oxford até políticos e desempregados".

Após sua morte, um novo centro de bem-estar no valor de £ 1,6 milhão (R$ 11,9 milhões), anexo à Igreja Glenwood em Cardiff, recebeu o nome de Lockwood House, em homenagem a Ronnie.

Mas o prédio antigo e o novo não combinavam muito bem, e eles precisavam de financiamento extra para concluir a reforma.

"Mas eles não precisavam se preocupar", disse Rob.

"Quase ao centavo, era a quantia exata que Ronnie havia deixado para o centro em seu testamento. No final, o sem-teto colocou um teto sobre as nossas cabeças."

"Não é incrível? Acho que tudo isso estava destinado a acontecer", disse Dianne.

"As pessoas nos perguntam como isso aconteceu em 45 anos, mas a verdade é que, de certa forma, aconteceu um dia de cada vez."

"Ronnie trouxe riqueza para nossas vidas", conclui ela.

Reportagem adicional de Greg Davies

Fonte: https://www.bbc.com/

Muito além do Natal: como é a Lapônia, a terra gelada do Papai Noel

Papai Noel em trenó de renas, Ruka (Kuusamo), região norte da Ostrobótnia, Lapônia, Finlândia (Foto: Roberto Moiola/Sysaworld/Getty Images)

Região no extremo norte da Europa mistura lendas natalinas, povos ancestrais, renas, aurora boreal e invernos de congelar.

Por: Redação Terra

25 dez 2025 - 04h59

O Natal toma conta das vitrines, decorações e do imaginário coletivo.  A época transporta a nossa imaginação para um lugar com neve branquinha, casas iluminadas e trenós com renas — algo que parece um conto de fadas. No entanto, esse cenário é realidade na Lapônia, uma região real, habitada, diversa e cheia de curiosidades. Na prática, a terra do Papai Noel vai além do imaginário, e é um dos locais mais fascinantes (e gelados) do planeta.

A Lapônia não é um país, mas uma grande região histórica e cultural localizada no extremo norte da Europa. Seu território se espalha por quatro países: Finlândia, Suécia, Noruega e uma pequena parte da Rússia. Grande parte da área fica acima do Círculo Polar Ártico, o que explica tanto o frio intenso quanto um de seus fenômenos mais famosos, a aurora boreal, visível em várias épocas do ano, especialmente no inverno.

Vista aérea noturna do parque de diversões Vila do Papai Noel e dos mercados de Natal em Rovaniemi, Lapônia, Finlândia (Foto: Roberto Moiola/Sysaworld/Getty Images)

A paisagem é marcada por florestas de coníferas, montanhas cobertas de neve, lagos congelados e longos períodos de luz ou escuridão extrema. No verão, o sol praticamente não se põe; é o chamado “sol da meia-noite”. Já no inverno, há semanas em que o dia mal clareia. As temperaturas podem variar bastante, no verão, os termômetros chegam a 20°C, e no inverno, não é raro registrar -30°C ou até -40°C em algumas áreas.

Quem vive na Lapônia?

Vista aérea dos telhados nevados de casas vermelhas e da torre sineira sob um céu flamejante ao amanhecer, cidade da igreja de Gammelstad, Luleå, Suécia (Foto: Roberto Moiola/Sysaworld/Getty Images)

Entre os habitantes da Lapônia estão os Sámi, povo indígena que vive na região há milhares de anos e mantém tradições ligadas à criação de renas, à pesca e ao artesanato. Além deles, há populações urbanas que vivem em cidades como Rovaniemi (Finlândia), Kiruna (Suécia) e Narvik (Noruega), combinando modos de vida modernos com uma forte relação com a natureza. No dia a dia, o inverno rigoroso exige roupas térmicas, casas bem isoladas e atividades ao ar livre adaptadas ao frio.

Renas em frente a casas típicas de madeira pintadas de vermelho, Fazenda de Renas Torassieppi, Torassieppi, Lapônia, Norte da Finlândia (Foto: James Strachan/Getty Images)

A fauna local parece saída de um livro infantil --ou de um filme de Natal. Renas estão por toda parte e são um símbolo regional, mas não estão sozinhas. A Lapônia também abriga alces, ursos, lobos, linces, raposas-do-ártico e diversas espécies de aves. Em áreas de preservação, como parques nacionais e centros de conservação, esses animais vivem soltos em ambientes naturais.

Papai Noel

Papai Noel admirando escultura de gelo na região da Lapônia, com a aurora boreal ao fundo (Foto: Roberto Moiola/Sysaworld/Getty Images)

E o Papai Noel? A associação da Lapônia com o bom velhinho começou a ganhar força no século 20, especialmente na Finlândia. Em 1927, um radialista finlandês afirmou em um programa de rádio que o Papai Noel morava na Lapônia, mais precisamente em uma montanha chamada Korvatunturi. A ideia pegou. Décadas depois, a cidade de Rovaniemi se consolidou como a “capital oficial” do Papai Noel, com direito a vila temática, escritório, correio e até uma linha imaginária marcando o Círculo Polar Ártico.

Hoje, a lenda virou também um motor do turismo, mas sem apagar a identidade local. A Lapônia segue sendo um lugar de contrastes: ancestral e moderna, silenciosa e cheia de histórias, congelante e acolhedora.

Fonte: https://www.terra.com.br/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF