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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Exercícios Espirituais da Quaresma, 2ª meditação: Bernardo, o Idealista

Papa durante os exercícios espirituais   (@Vatican Media)

O bispo Erik Varden faz sua segunda reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: “Bernardo, o Idealista.” Publicamos um resumo de sua reflexão.

Dom Erik Varden, OCSO*

Que tipo de homem era São Bernardo? De onde vinha? Ele se destaca no movimento cisterciense do século XII: grande foi o seu carisma, grande a sua capacidade de trabalho.

Muitos, inclusive alguns que deveriam saber mais a respeito, acreditam que ele tenha sido o iniciador da Ordem. Não é assim, certamente, ainda que de fato tenha causado um grande impacto quando chegou, em 1113, aos 23 anos de idade, com um grupo de trinta companheiros.

A iniciativa de Cîteaux, fundada em 1098, foi tanto uma inovação quanto uma reforma. Os fundadores chamaram sua casa de novum monasterium. O projeto não foi, em primeiro lugar, uma reação contra algo ou alguém — e ainda bem, visto que os projetos reacionários, cedo ou tarde, acabam em nada.

À primeira vista, o projeto cisterciense era conservador; no entanto, seus protagonistas introduziram novidades. A dialética foi frutífera.

A confiança em seu próprio juízo tornava Bernardo, às vezes, flexível na observância de certos procedimentos que, no restante, afirmava defender. Sua visão das exigências da Igreja o levava por vezes a adotar posições rígidas, manifestando um espírito combativo e partidário.

Não era, porém, um hipócrita.

Era genuinamente humilde, dedicado a Deus, capaz de uma ternura delicada, um amigo fiel — capaz de tornar-se amigo de antigos inimigos — e uma testemunha convincente do amor de Deus. Era, e continua sendo, uma figura fascinante.

Dom James Fox, o abade empreendedor da abadia de Gethsêmani de 1948 a 1967, certa vez escreveu, exasperado, sobre o confrade Thomas Merton: “Ele tem uma mente tão elétrica!” Merton irritava Fox com suas ideias, intuições e insistências. Mas Fox sabia que Merton era sincero. Respeitava-o, apreciava sua companhia (quando não estavam no meio de alguma discussão épica) e, durante a maior parte de seu governo na abadia, confessava-se com Merton.

Seria tolice comparar Thomas Merton a Bernardo de Claraval ; contudo, há uma certa semelhança de caráter. Bernardo não conheceu a eletricidade, mas a sua também era uma natureza mercurial, que tinha e precisava equilibrar tensões enormes.

O ensinamento de Bernardo sobre a conversão nasce de uma cultura bíblica sem igual e de noções teológicas bem ponderadas. Nasce também — e com o passar do tempo cada vez mais — da luta pessoal, ao aprender a não dar por certo que o seu caminho seja sempre o correto, instruído pela experiência, pelas feridas e pelas provocações a colocar em questão a própria presunção e a maravilhar-se diante da justiça misericordiosa de Deus.

Bernardo é um excelente companheiro para todo aquele que empreende um êxodo quaresmal do egocentrismo e do orgulho, no desejo de buscar a verdade de si mesmo mantendo os olhos fixos no amor de Deus que tudo ilumina.

Com a presença do Papa Leão XIV, dos cardeais residentes em Roma e dos chefes dos Dicastérios, teve início, na tarde de domingo, 22 de fevereiro, na Capela Paulina, o tradicional ...

* Tradução não oficial da síntese publicada neste endereço: coramfratribus.com/life-illumined/bernard-the-idealist/ 

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF