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terça-feira, 14 de maio de 2024

Papa: diante do descarte e solidão na velhice, coragem em não abandonar os idosos

"A solidão e o descarte tornaram-se elementos freguentes no contexto em que estamos imersos" (VATICAN MEDIA - Divisione Foto)

O Papa divulgou nesta terça-feira (14/05) a mensagem para o IV Dia Mundial dos Avós e dos Idosos que será celebrado em 28 de julho. "Na velhice, não me abandones" (Sal 71, 9) é o tema de reflexão proposto pelo Pontífice: "à atitude egoísta que leva ao descarte e à solidão, contraponhamos o coração aberto e o rosto radioso de quem tem a coragem de dizer «não te abandonarei!»".

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Francisco divulgou nesta terça-feira (14) a mensagem para o IV Dia Mundial dos Avós e dos Idosos celebrado todo quarto domingo de julho, próximo à memória litúrgica dos Santos Joaquim e Ana, avós de Jesus. Neste ano, será comemorado em 28 de julho e o Pontífice oferece uma reflexão proposta do Salmo 71, "Na velhice, não me abandones" (Sal 71, 9), voltando a tratar da rejeição na melhor idade, quando as pessoas enfrentam contextos de solidão e sentimentos de descarte.

A mensagem começa encorajadora, ao recordar que "Deus nunca abandona os seus filhos; nem sequer quando a idade vai avançando e as forças já declinam, quando os cabelos ficam brancos e a função social diminui, quando a vida se torna menos produtiva e corre o risco de parecer inútil. O Senhor não olha para as aparências (cf. 1 Sam 16, 7)," destaca o Papa no texto. Esse "amor fiel do Senhor", do "modo como Deus cuida de nós", continua ele, é revelado em toda Sagrada Escritura e, sobretudo, nos salmos: "aliás, segundo a Bíblia, é sinal de bênção poder envelhecer".

A solidão na velhice

Mas, nos próprios salmos, também encontramos "esta sentida invocação ao Senhor: «Não me rejeites no tempo da velhice» (Sal 71, 9). Uma frase forte, crua. Faz pensar no sofrimento extremo de Jesus, quando gritou na cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?» (Mt 27, 46)". Assim, encontramos na Bíblia tanto "a certeza da proximidade de Deus" como "o temor do abandono, especialmente na velhice e nos períodos de sofrimento". Isso porque é um reflexo da realidade, já que os idosos "com frequência", encontram a solidão.

"Muitas vezes me sucedeu, como bispo de Buenos Aires, ir visitar lares de terceira idade, dando-me conta de como raramente recebiam visitas aquelas pessoas: algumas, há muitos meses, não viam os seus familiares."

O Papa Francisco, então, traz algumas causas dessa solidão, provenientes, por exemplo, de situações de pobreza e conflitos, migrações e hostilidades dos jovens em relação aos idosos - essa uma mentalidade que deve ser "combatida e erradicada", escreve o Pontífice, para não alimentar "uma certa conflitualidade geracional": "se pensarmos bem, está hoje muito presente por todo o lado esta acusação, lançada contra os velhos, de «roubar o futuro aos jovens»":

"O contraste entre as gerações é um equívoco, um fruto envenenado da cultura do conflito. Opor os jovens aos idosos é uma manipulação inaceitável: 'O que está em jogo é a unidade das idades da vida'."

O descarte dos idosos

"A solidão e o descarte dos idosos não são casuais nem inevitáveis, mas fruto de opções – políticas, econômicas, sociais e pessoais – que não reconhecem a dignidade infinita de cada pessoa", continua Francisco na mensagem ao acrescentar nesse pacote triste da terceira idade, o descarte. O Papa afirma o quanto os idosos e as próprias famílias acabam sendo vítimas da "cultura individualista" porque, quando se envelhece, as pessoas ficam sem ajuda de ninguém: "cada vez mais «perdemos o gosto da fraternidade» (FRANCISCO, Carta enc. Fratelli tutti, 33)".

“Isto acontece quando se perde vista o valor de cada pessoa, tornando-se ela apenas uma despesa que, em alguns casos, aparece demasiado elevada para pagar. O pior é que, muitas vezes, acabam dominados por esta mentalidade os próprios idosos que chegam a considerar-se como um fardo, sendo os primeiros a quererem desaparecer.”

"A solidão e o descarte tornaram-se elementos frequentes no contexto em que estamos imersos". Mas, a Sagrada Escritura apresenta opções diferentes face à velhice, porque "viver sozinhos não pode ser a única alternativa". Diante de um «não me abandones», é possível responder «não te abandonarei!», cuidando "de um idoso ou simplesmente demonstrando diariamente solidariedade a parentes ou conhecidos que não têm mais ninguém". Manter-se junto aos idosos, comenta ainda Francisco, reconhecer "o papel insubstituível que eles têm na família, na sociedade e na Igreja, também nós receberemos muitos dons, tantas graças, inúmeras bênçãos!".

“Neste IV Dia Mundial a eles dedicado, não deixemos de mostrar a nossa ternura aos avós e aos idosos das nossas famílias, visitemos aqueles que estão desanimados e já não esperam que seja possível um futuro diferente. À atitude egoísta que leva ao descarte e à solidão, contraponhamos o coração aberto e o rosto radioso de quem tem a coragem de dizer «não te abandonarei!» e de seguir um caminho diferente.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

"Uma Igreja Sinodal: ser missionário no ambiente digital"

Ser missionário no ambiente digital (missaosalesiana)

“UMA IGREJA SINODAL: SER MISSIONÁRIO NO AMBIENTE DIGITAL”

Dom Arnaldo Carvalheiro Neto
Bispo de Jundiaí (SP)

1. A Igreja Católica Apostólica Romana inserida no contexto histórico da primeira metade deste século XXI, sob o Pontificado do Papa Francisco, coloca-se em movimento “Igreja em Saída”. A Igreja “é chamada a ser um hospital de campanha”.  À luz da fé o movimento é ação do Espírito Santo. O Espírito Santo foi prometido por Jesus (João 14, 16-17), está presente na tradição apostólica (Atos 2, 1ss), os padres da Igreja reconhecem a ação do Espírito Santo (Basílio de Cesareia Sec. IV), os santos ao longo da história da Igreja moveram-se pela ação do Espírito Santo. Nós cremos que o Espírito Santo move a Igreja hoje. O Sínodo para a sinodalidade (2021-2024), convocado pelo Papa Francisco traz em seu relatório de síntese o título “Uma Igreja Sinodal em Missão”. O Papa Francisco, movido pelo Espírito Santo, à luz da tradição da Igreja e seguindo os passos do Concílio Vaticano II nos orienta a sempre voltarmos às origens da fé. Esse caminho foi percorrido por São João Paulo II e por Bento XVI. “Caras irmãs, caros irmãos, «todos nós fomos batizados num só Espírito para sermos um só Corpo» (1Cor 12,13)”. Essa convocação sinodal nos remete à unidade-comunhão, tal como exortava o Apóstolo Paulo. A Igreja nos convida a vivermos a essência da fé: Jesus Cristo. À luz da fé, não há dúvida de que o Espírito Santo nos coloca em ação para voltarmos às origens. No início do cristianismo estão o próprio Cristo e os apóstolos cultivando um modelo de Igreja: 1. Sinodal e 2. Missionária. Não nos fechemos a ação do Espírito Santo que conclama a Igreja a ser, no Século XXI, sinodal e missionária em sua essência.

2. A Igreja sinodal e missionária que peregrina no contexto histórico do século XXI tem diante de si a realidade do mundo que hoje é tecida em ambiente digital. O Espírito Santo não abandonou a Igreja e a tem movido a dialogar com a contemporaneidade e sua razão. Assim faz o Decreto Inter Mirifica (1963), o Papa Paulo VI instituiu o 1º Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 1967, a ser celebrado, anualmente, na Festa da Ascensão do Senhor. Já na Instrução Pastoral Communio et Progressio, 1971, o então Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais reconheceu a positividade dos meios de comunicação e incentivou a Igreja a valorizar a Pastoral da Comunicação em todas as Igrejas Particulares. Já na carta Encíclica Redemptoris Missio, a Igreja assim se expressa profeticamente:

O primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo das comunicações, que está a unificar a humanidade, transformando-a — como se costuma dizer — na «aldeia global». Os meios de comunicação social alcançaram tamanha importância que são para muitos o principal instrumento de informação e formação, de guia e inspiração dos comportamentos individuais, familiares e sociais. Principalmente as novas gerações crescem num mundo condicionado pelos mass-média” (RM, 37c).

A Igreja sinodal e missionaria do século XXI, iluminada pelo Espírito Santo, reflete sobre o “ambiente digital” reconhecendo:

A cultura digital representa uma mudança fundamental no modo como concebemos a realidade e nos relacionamos conosco mesmos, entre nós, com o ambiente que nos rodeia e também com Deus. O ambiente digital modifica os nossos processos de aprendizagem, a percepção do tempo, do espaço, do corpo, das relações interpessoais e todo a nosso modo de pensar. O dualismo entre real e virtual não descreve adequadamente as realidades e a experiência de todos nós, sobretudo dos mais jovens, os chamados “nativos digitais”. (Uma Igreja Sinodal em Missão. Relatório do sínodo, parte III, 17, a)

À luz do Magistério, compreendemos que, nesse atual contexto histórico, o Espírito Santo nos inspira a sermos missionários no ambiente digital.

3. Ser missionário católico no ambiente digital

Precisamos discernir os fenômenos recentes do cristianismo, à luz da tradição da Igreja. É o caso dos denominados “influenciadores digitais católicos”. Jesus nos constituiu para sermos missionários: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 16-20). É do Cristo que vem o mandato para a missão. É própria da Igreja a sua natureza missionária! É do Espírito Santo que vem a força para o missionário agir! O missionário vive da fé. Jesus nos dá autoridade para a missão. Exige que nos sustentemos só pelo Espirito Santo e nos convida a não levar nada: “Não leveis para a viagem, nem bastão, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; tampouco tenhais duas túnicas” (Lucas 9, 3). A ação do missionário produz frutos. Isso implica fazer com que seja anunciado o Cristo (Kerigma em Atos 2, 14-26) e que se traduza no seguimento de Jesus: “vem e segue-me” (Lucas 18,22). O missionário fala em nome de Jesus, o missionário coloca-se à serviço do Espírito Santo, o missionário promove a comunhão na comunidade, o missionário comunga do corpo místico da Igreja. Tudo o que o missionário anuncia não é dele, é do Espírito Santo, portanto, ele humildemente aponta o caminho.

A Igreja, quando permeada pelo “ambiente digital”, vê-se diante do recente fenômeno dos influenciadores digitais católicos. Primeiramente devemos saber que o termo influenciador nasce com o advento da internet e a utilização desta pela estrutura do capital e do mercado. Esse fenômeno promove determinadas pessoas que, ao adotarem certos produtos e suas marcas, tornar-se-ão representantes destas, “influenciando” outras pessoas. Os jovens iniciados na cultura digital são os mais influenciáveis a consumirem seus produtos e ideias e, por isso, foram os primeiros a validar e potencializar essa prática. Este modelo de influenciador é insuflado pela velocidade da propagação tecnológica das redes e pela dinâmica fluída da internet. Todavia, seus discursos e conteúdos são profissionalmente plastificados para servir à lógica algorítmica das redes. Hoje, o ambiente digital está povoado de influenciadores que vendem moda, perfumes, estilos de vida, consultoria sentimental, consultoria espiritual etc. Seus objetivos e pretensões se misturam desmesuradamente aos interesses mercadológicos, numa confusão nem sempre proposital, mas sempre refém das inúmeras consequências do multiverso virtual e do capital.

Numa mescla de interesses nem sempre condizentes com a verdade do Evangelho e alheios a qualquer verificação normativa, magisterial ou teológica, os conteúdos dos influenciadores digitais católicos parecem trilhar caminhos solitários que, não raramente, desembocam em individualismo e promoção pessoal. O Espírito Santo nos conclama à sabedoria de uma purificação. Não se trata de silenciá-los, mas examinar as obras e os frutos promovidos por essa prática. Constatamos o impacto de alguns influenciadores dividindo a comunidade cristã, confrontando as autoridades da Igreja, abertamente atacando o Santo Padre Papa Francisco, os bispos constituídos, conteúdos da doutrina, a liturgia, o Concílio Vaticano II. Isso faz emergir em nossas comunidades, um magistério, uma liturgia, uma catequese que apontam para uma vida cristã paralela quando não, concorrente ao corpo da Igreja (I Cor 12, 12-30).  Podemos nos perguntar: Com qual autoridade isso é feito? Quais os frutos desta ação? Que Igreja persistirá na era vindoura, pós-influenciadores? Quais modelos de igreja estão aí promovidos? O mandato de Jesus não é para influenciar é para evangelizar. O mandado é para ser missionário no mundo digital. O critério posto é o Evangelho ou a lógica do mercado que opera por trás com a produção e atendimento dos algoritmos que potencializam visualizações, seguidores virtuais e vendas de cursos? Milhares de compartilhamentos e visualizações são os critérios para a penetração do evangelho na cultura digital? A monetização que sustenta o trabalho dos influenciadores possui destino evangélico? Essa prática favorece o entendimento e a vivência da sinodalidade, à luz do Espírito, ou a confusão de uma Babel em plena construção entre nós?

A Igreja que, pelo Espírito Santo, anuncia o Evangelho no ambiente digital, também é chamada a estabelecer o critério da evangelização a luz do Cristo.  Não nos esqueçamos que Jesus tocou os corpos, olhou face a face, seu corpo foi erguido na cruz e perfurado. A salvação e a remissão acontecem na história. Um cristianismo excessivamente midiatizado, virtualizado, tecido na lógica da emoção e dos algoritmos, podem, de fato, nos inserir no século XXI, marcado por uma profunda uma crise de fé.

Pentecostes se aproxima. O Espírito Santo de Deus há de nos iluminar diante desse desafio, como sempre fez na história da humanidade. Não nos recusemos a empreender esforços na reflexão e compreensão desses fatos. Há um longo caminho a percorrer. Sejamos missionários nessa grande seara das redes sociais, sigamos os passos daquele que nos conduz pelas trilhas da verdade, mesmo que em tempos sinuosos. Anunciar é muito mais que influenciar! Sejamos discípulos que escutam o Mestre! Ouçamos o clamor e os rumos que o Espírito quer dar à Igreja. E, sobretudos, ofereçamos o nosso sim ao chamado que a missão exige.

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BÍBLIA DE JERUSALÉM: nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Edições CNBB, 2024.

Cesareia, Basilio. Tratado sobre o Espírito Santo. São Paulo: Paulus, 1999.

JOÃO PAULO II, Papa. Carta Encíclica Redemptoris Missio. Disponível em www.vatican.va

Uma Igreja Sinodal em Missão. XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos:

Relatório de Síntese. www.synod.va

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Se não vos tornardes como as crianças... (Jesus e os pequeninos, os dez leprosos) - Cap. 41

Nazareno (Vatican News)

Cap. 41 - Se não vos tornardes como as crianças... (Jesus e os pequeninos, os dez leprosos)

Felipe e Bartolomeu chegam com Jesus a Cafarnaum. Para dar as boas-vindas, há uma multidão de crianças barulhentas. Outras são levadas ao Mestre porque seus pais queriam que ele lhes impusesse as mãos e fizesse uma oração. Jesus se senta para descansar um pouco e, em pouco tempo, é cercado por elas. Um dos pequeninos se chama Benjamim. A criança pula nos ombros de Jesus e o abraça. Começam a conversar. Mas os discípulos presentes as repreendiam. Jesus, todavia, disse: “Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, pois delas é o Reino dos Céus”.

Enquanto se afastavam, o Nazareno explica a seus amigos o significado daquelas palavras. As crianças têm um coração simples e puro; as crianças dependem em tudo de seus pais, precisam do olhar deles para se sentirem seguras, precisam deles para serem livres. Assim também nós dependemos de Deus.

Jesus sabe que aqueles dias na Galileia são os últimos. Certa manhã, nas proximidades de Efraim, quando Jesus e seus discípulos estavam prestes a entrar na cidade, dez leprosos vieram ao encontro deles. Pararam à distância e clamaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”. Sabiam quem era, tinham ouvido falar dele. Vendo-os ele lhes disse: “Ide mostrar-vos aos sacerdotes”. Partiram imediatamente. E enquanto iam, ficaram purificadosUm dentre eles, vendo-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e lançou-se aos pés de Jesus com o rosto por terra, agradecendo-lhe. Pois bem, era um samaritano. Tomando a palavra, Jesus lhe disse: “Os dez não ficaram purificados? Onde estão os outros nove? Não houve, acaso, quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?”. Em seguida disse-lhe: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”.

Mais uma vez, o testemunho de fé não veio de perto, mas de longe, não daqueles que compartilhavam a mesma fé, mas de "estrangeiros".

https://media.vaticannews.va/media/audio/s1/2024/05/09/16/137939670_F137939670.mp3

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

São Matias

São Matias (A12)
14 de maio
São Matias

São Matias ocupou o lugar deixado por Judas Iscariotes no grupo dos 12 Apóstolos escolhidos por Cristo. Este número representa as 12 tribos de Israel, portanto todo o povo judeu e, por extensão, o povo restaurado de Deus, os que viverão no paraíso Celeste – daí a sua importância.

Em At 1,21-26, fica evidente que Matias já acompanhava o Senhor desde o anúncio de João Batista, perseverando entre Seus discípulos até depois da Ressurreição e de Pentecostes, e tendo sido testemunha ocular de Cristo já glorioso. Certamente foi um dos 72 enviados por Jesus para evangelizar (Lc 10,1-24). A “sorte” que definiu a sua escolha evidentemente é obra do Espírito Santo.

Segundo uma tradição Matias evangelizou na Judéia, Capadócia e depois na Etiópia, tendo morrido crucificado. Em outra versão, ele foi apedrejado em Jerusalém pelos judeus, e então decapitado. As informações não são precisas, tendo origem nos evangelhos apócrifos (isto é, em escritos não aceitos como confiáveis para fazerem parte do conjunto de escritos da Bíblia, seguramente inspirados pelo Espírito Santo).

É normalmente representado com um machado ou uma alabarda, símbolos da força do cristianismo e do martírio; o machado também está ligado, por causa do martírio, ao seu patronato dos açougueiros e carpinteiros.

Registros indicam que Santa Helena, mãe do imperador Constantino e a santa que recuperou as relíquias da Cruz de Cristo, mandou transladar as relíquias de São Matias para Roma. Uma parte delas ali ficou, na igreja de Santa Maria Maior, e o restante está na Alemanha, na igreja de São Matias em Treves, cuja cidade foi por ele evangelizada segundo uma tradição, e motivo pelo qual é seu padroeiro.

 A festa de São Matias era celebrada em 24 de fevereiro, de modo a evitar a Quaresma, mas no novo calendário ficou em 14 de maio, uma data certamente próxima do dia da sua eleição.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

“Matias” deriva do Grego Matthias ou Mahthias, do Hebreu Mattathias ou Mattithiah, que significa “presente (ou dom) de Deus”. Sem dúvida que este Apóstolo é tanto presente como dom de Deus para a Sua Igreja, e a sua altíssima missão, confiada a este mínimo grupo de pessoas, indica uma singular preferência e confiança do Senhor. Os critérios para ser Apóstolo incluíam ter visto diretamente o Cristo Ressuscitado, ter acompanhado Jesus desde a manifestação de João Batista até a Ascensão e permanecido até Pentecostes, ter sido chamado e enviado por Cristo para evangelizar… apenas 12 foram santos Apóstolos, mas até que ponto podemos nos aproximar da sua obra? Vemos o Cristo, vivo, na Eucaristia, recebemos o Espírito Santo na Crisma, somos chamados por Jesus, através da Igreja e do Batismo, para com Ele levarmos a Boa Nova aos irmãos. Não temos o carisma particular dos Apóstolos, mas somos sim herdeiros da sua missão, e unidos a eles na Comunhão com Cristo. Neste sentido, Deus também demonstra a Sua escolha e confiança em cada um de nós. Resta escolhermos a via de Judas Iscariotes ou a de Matias.

Oração:

Deus Todo Poderoso, que do nada nos chamastes à existência e nos chamastes à salvação, concedei-nos por intercessão de São Matias também sermos fiéis no “apostolado tardio”, e tendo tido a honra inefável de sermos por Vós escolhidos desde sempre para receber o Paraíso, aceitarmos com amor e alegria os dons que nos destes para vencer as provações, estando sempre presentes diante de Vós para repassá-los em proveito dos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.


Fonte: https://www.a12.com/

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Influência da Virgem Maria na vida da Igreja

Virgem Maria e o Menino Jesus (Cléofas)

Influência da Virgem Maria na vida da Igreja

 POR PROF. FELIPE AQUINO

1. Desejamos, antes de mais, deter-nos a considerar brevemente alguns aspectos significativos da personalidade de Maria, que oferecem a cada fiel indicações preciosas para acolher e realizar plenamente a própria vocação.

Maria precedeu-nos na via da fé: crendo na mensagem do anjo, ela é a primeira a acolher, e de modo perfeito, o mistério da Encarnação (cf. Redemptoris Mater, 13). O seu itinerário de crente inicia ainda antes do princípio da maternidade divina e desenvolve-se e aprofunda-se durante toda a sua experiência terrena. É audaz a sua fé, que na Anunciação crê no humanamente impossível e em Caná impele Jesus a realizar o primeiro milagre, provocando a manifestação dos seus poderes messiânicos (cf. Jo. 2,1-5).

Maria educa os cristãos a viverem a fé como caminho empenhativo e envolvente, que, em todas as épocas e situações da vida, requer audácia e perseverança constante.

2. A fé de Maria está ligada à sua docilidade à vontade divina. Crendo na Palavra de Deus, pôde acolhê-la plenamente na sua existência e, mostrando-se disponível ao soberano desígnio divino, aceitou tudo o que lhe era requerido do Alto.

A presença da Virgem na Igreja encoraja assim os cristãos a porem-se cada dia à escuta da Palavra do Senhor, para compreenderem o seu plano de amor nas diversas vicissitudes quotidianas, cooperando com fidelidade para a sua realização.

3. Desse modo, Maria educa a comunidade dos crentes para olhar rumo ao futuro, com pleno abandono em Deus. Na experiência pessoal da Virgem, a esperança enriquece-se de motivações sempre novas. Desde a Anunciação, Maria concentra no Filho de Deus, encarnado no seu seio virginal, as expectativas do antigo Israel. A sua esperança revigora-se nas fases sucessivas da vida de Nazaré e do ministério público de Jesus. A sua grande fé na palavra de Cristo que tinha anunciado a sua ressurreição ao terceiro dia, não a fez vacilar nem sequer diante do drama da Cruz: ela conservou a esperança no cumprimento da obra messiânica, esperando sem hesitações, depois das trevas da Sexta-Feira Santa, a manhã da ressurreição.

No seu difícil peregrinar na história, entre o “já” da salvação recebida e o “não ainda” da sua plena realização, a comunidade dos crentes sabe que pode contar com o auxílio da “Mãe da Esperança” que, tendo experimentado a vitória de Cristo sobre as potências da morte, lhe comunica uma capacidade sempre nova de espera do futuro de Deus e de abandono às promessas do Senhor.

4. O exemplo de Maria faz com que a Igreja aprecie melhor o valor do silêncio. O silêncio de Maria não é só sobriedade no falar, mas sobretudo capacidade sapiencial de fazer memória e de acolher, num olhar de fé, o mistério do Verbo feito homem e os eventos da sua existência terrena.

É este silêncio acolhimento da Palavra, esta capacidade de meditar no mistério de Cristo, que Maria transmite ao povo crente. Em um mundo cheio de confusão e de mensagens de todo o gênero, o seu testemunho faz apreciar um silêncio espiritualmente rico e promove o espírito contemplativo.

Maria testemunha o valor de uma existência humilde e escondida. Normalmente todos exigem, e por vezes pretendem, poder valorizar inteiramente a própria pessoa e as próprias qualidades. Todos são sensíveis à estima e à honra. Os Evangelhos referem em várias ocasiões que os Apóstolos ambicionavam os primeiros lugares no reino, discutiam entre si quem era o maior e que Jesus lhes teve de dar, quanto a isto, lições sobre a necessidade da humildade e do serviço (cf. Mt. 18,1-5; 20, 20-28; Mc. 9,33-37; 10,35-45; Lc. 9,46-48; 22,24-27). Maria, ao contrário, jamais desejou as honras e vantagens de uma posição privilegiada; procurou sempre cumprir a vontade divina, levando uma existência segundo o plano salvífico do Pai.

A quantos não raro sentem o peso duma existência aparentemente insignificante, Maria manifesta quanto pode ser preciosa a vida, se é vivida por amor de Cristo e dos irmãos.

5. Maria, além disso, testemunha o valor duma vida pura e repleta de ternura por todos os homens. A beleza da sua alma, totalmente doada ao Senhor, é objeto de admiração para o povo cristão. Em Maria a comunidade viu sempre um ideal de mulher, cheia de amor e de ternura, porque viveu na pureza do coração e da carne.

Perante o cinismo duma certa cultura contemporânea que, muitas vezes, parece não reconhecer o valor da castidade e banaliza a sexualidade, separando-a da dignidade da pessoa e do projeto de Deus, a Virgem Maria propõe o testemunho duma pureza que ilumina a consciência e conduz a um amor maior pelas criaturas e pelo Senhor.

6. E ainda: aos cristãos de todos os tempos, Maria mostra-se como aquela que prova uma viva compaixão pelos sofrimentos da humanidade. Essa compaixão não consiste somente numa participação afetiva, mas traduz-se numa ajuda eficaz e concreta diante das misérias materiais e morais da humanidade.

A Igreja, seguindo Maria, é chamada a assumir uma atitude idêntica para com os pobres e todos os sofredores da terra. A atenção materna da Mãe do Senhor às lágrimas, às dores e às dificuldades dos homens e das mulheres de todos os tempos, deve estimular os cristãos, de modo particular ao aproximar-se do terceiro milênio, a multiplicar os sinais concretos e visíveis dum amor que faça os humildes e os sofredores de hoje participarem nas promessas e esperanças do mundo novo, que nasce da Páscoa.

7. O afeto e a devoção dos homens para com a Mãe de Jesus ultrapassam os confins visíveis da Igreja e impelem os ânimos a sentimentos de reconciliação. Como uma Mãe, Maria quer a união de todos os seus filhos. A sua presença na Igreja constitui um convite a conservar a unanimidade de coração, que reinava na primeira comunidade (cf. At 1,14) e, por conseguinte, a procurar também as vias da unidade e da paz entre todos os homens e todas as mulheres de boa vontade.

Na sua intercessão junto do Filho, Maria pede a graça da unidade do gênero humano, em vista da construção da civilização do amor, superando as tendências à divisão, às tentações da vingança e do ódio, e à fascinação perversa da violência.

8. O sorriso materno da Virgem, reproduzido em boa parte na iconografia mariana, manifesta uma plenitude de graça e de paz que quer comunicar-se. Essa manifestação de serenidade do espírito contribui de modo eficaz para conferir um rosto jubiloso à Igreja.

Acolhendo na Anunciação o convite do anjo a alegrar-se (Káire= alegra-te; Lc. 1,28), Maria é a primeira a participar na alegria messiânica, já predita pelos profetas para a “filha de Sião” (cf. Is 12,6; Sof 3,14-15; Zac 9,8), e transmite-a à humanidade de todos os tempos.

O povo cristão, invocando-a como “causa nostrae laetitiae”, descobre nela a capacidade de comunicar a alegria que nasce da esperança mesmo no meio das provas da vida e de guiar quem a ela se confia para a alegria que não terá fim.

* L’Osservatore Romano, Ed. Port. n.47, 25/11/95, p. 12 (576)

Retirado do livro: “A Virgem Maria”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.

Fonte: https://cleofas.com.br/

“Marias” do nosso tempo: mães do amor, do cuidado e da solidariedade

Maria Eduarda, a mãe Maria Aparecida e Maria Clara Machado trabalham na seleção das doações em Caxias do Sul (RS) | Diocese de Caxias do Sul

Nossa reportagem especial para o Dia das Mães é produzida diretamente por Felipe Padilha, assessor de comunicação da Diocese de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. O Estado "se vê imerso em sua maior tragédia ambiental" e o questionamento que se faz é: "como celebrar a data neste tempo da história, com tantas dores e lágrimas? Maria, Mãe que o Cristo nos deu, é sinal".

Felipe Padilha

“Maria, a mãe que cuidou de Jesus, agora cuida com carinho e preocupação materna deste mundo ferido”. Assim se refere o Papa Francisco à Mãe de Deus no número 141 da Encíclica Laudato si’, sobre o cuidado com a casa comum. O Rio Grande do Sul se vê imerso em sua maior tragédia ambiental e há quem diga que essa situação é inédita no Brasil.

Chuvas intensas, enchentes, deslizamentos de terra, pessoas soterradas e famílias que perderam tudo: um cenário desolador que se abateu sobre o estado a partir dos últimos dias de abril e nos primeiros dias de maio de 2024. O calendário segue e chegamos ao Dia das Mães. Como celebrá-lo neste tempo da história, com tantas dores e lágrimas?

Maria, Mãe que o Cristo nos deu, é sinal. Já dizia o Padre Zezinho na canção Maria de Nazaré: “em cada mulher que a terra criou, um traço de Deus Maria deixou. Um sonho de mãe Maria plantou, pro mundo encontrar a paz”. Pensemos em quantas vezes Ela socorreu o Filho, sendo que muitas delas não estão na Bíblia. Imaginemos que, como uma criança, Jesus deve ter caído no chão, esfolado o joelho, esmagado o dedo, tido febre. Com José ao seu lado, Maria amou e cuidou. E na cruz não foi diferente: ela amou, cuidou, chorou e confiou.

Estamos num momento em que, como Paulo escreveu aos Romanos, a criação geme em dores de parto (cf. Rm 8,22). O Planeta Terra, lugar que Deus nos deu para viver, que é uma mãe que acolhe seus filhos, os ama e os cuida, agora está precisando de cuidados. E Maria é sinal. Não esqueçamos do seu cuidado com Isabel, narrado no Evangelho de Lucas.

Maria é sinal de cuidado de Deus com todas as mães e, ao mesmo tempo, cuidado de Deus para seus filhos e famílias. Na Serra Gaúcha, o Vale do Rio Buratti, no município de Bento Gonçalves, foi atingido por muitos deslizamentos de terra durante as enchentes o que deixou a comunidade ilhada e sem comunicação. E do amor de mãe brota a força para não desmoronar quando tudo vai ao chão. A mensagem que a agricultora Elizane Riboldi deixou foi categórica: 

“A única coisa que eu queria era salvar os filhos, mais do que a gente mesmo.”

Sobre celebrar o Dia das Mães depois de ficar ilhada por alguns dias e ser resgatada de quadriciclo, Elizane diz que é tempo de agradecer: “mesmo estando longe de nossas casas, estaremos juntos. Será diferente, mas estaremos juntos. A família é o mais importante, porque nós estamos aqui salvos e o resto ficou lá, para depois”.

https://media.vaticannews.va/media/audio/s1/2024/05/12/13/137942834_F137942834.mp3

Eliziane Riboldi aos poucos recomeça um nova vida | Diocese de Caxias do Sul

Maria é sinal de solidariedade, porque lembremos que Ela também fazia parte da comunidade de fé da Igreja Primitiva e foi solidária com os irmãos que eram perseguidos. Maria nunca ficou longe, mas sempre esteve perto. Assim são diversas mães, com seus esposos e filhos que estão nos diversos alojamentos, centros de triagem, igrejas, espaços de saúde para ser sinal de solidariedade a tantas outras mães, esposos, filhos, avós e até animais de estimação.

Em Caxias do Sul, no Seminário Nossa Senhora Aparecida, a diocese e a sociedade civil junto com o Poder Público, mantém um centro de operações e triagem de doações que são enviadas para todo o Rio Grande do Sul. A Márcia Fontes Machado levou o marido e as duas filhas para serem sinais de solidariedade. Ao deixar uma mensagem para mães que estão desabrigadas neste momento, ela se emocionou: “continuem fortes, porque fortes vocês são. Com fé em Deus, a gente vai passar por isso”.

Tantas são as “Marias” do nosso tempo, não é? Aquelas que cuidam, que amam, que se doam e que se tornam como que muros fortes para proteger seus filhos e a família. Luci Monteiro de Souza e a jovem Isadora Monteiro Ribeiro, também se voluntariaram para a triagem e organização das doações. E foi Isadora que explicou o porquê de estarem ali:

“Para mim, a mãe é a minha inspiração de vida. Mas, nesse momento difícil, eu me inspiro na coragem dela, na solidariedade e na empatia dela com as pessoas. Desde pequena, ela me criou com o senso de doação. O meu pouco vai fazer diferença para alguém e para mim, isso é muito marcante.”

Como celebrar o Dia das Mães no Rio Grande do Sul? As “Marias” deste tempo da história nos ajudam a compreender que Maria é sinal, portanto olhemos para a Mãe que Ele nos deu.

Luci e Isadora Monteiro também trabalham no centro de triagem em Caxias do Sul | Diocese de Caxias do Sul

* assessor de comunicação da Diocese de Caxias do Sul-RS

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Quais são os trâmites de um Processo de Canonização?

São João Paulo II (FotoJeffrey Bruno)
Vanderlei de Lima - publicado em 17/12/21
A Beatificação dá o direito de culto público nas regiões ligadas ao beatificado. No caso de um mártir se dispensa o milagre.

Ante a dúvida de alguns fiéis sobre os trâmites de um Processo de Canonização na Igreja Católica, elaboramos este artigo para ser lido atentamente.

Quando alguém morre em fama de santidade, qualquer fiel pode, transcorrido cinco anos dessa morte (embora o Papa tenha permissão para dispensar do prazo), pedir ao Bispo da Diocese na qual a pessoa faleceu, por meio de um postulador – perito em História, Espiritualidade e Direito Canônico –, a abertura do Processo de Canonização (= inscrição no cânon ou catálogo dos Santos).

Testemunhas

Junto com o pedido (“libelo”), é apresentada ao Bispo uma boa biografia ou ao menos um relatório cronológico do falecido em odor de santidade, seus escritos – caso os tenha –, além de uma lista com os nomes de testemunhas que possam depor no Processo, em nível diocesano, na ocasião oportuna.

De posse desse material e nada havendo contra a pessoa a ser estudada, o Bispo pede – enviando os dados que tem em mãos à Congregação para as Causas dos Santos, em Roma –, um documento que, em latim, se chama Nihil Obstat (Nada em contrário). O mesmo Prelado recorre também à Conferência Nacional dos Bispos ou ao menos ao Regional do qual ele faz parte e solicita o parecer dos irmãos no episcopado sobre a plausibilidade de ser ou não ser aberto o referido processo.

Tribunal

Se for aberto, o mesmo Bispo monta um Tribunal (composto pelo delegado episcopal, o promotor de justiça, o notário etc.), normalmente com sede na própria Cúria diocesana, e passa a estudar o caso por meio de todo o material possível de ser recolhido, bem como da audição das testemunhas de visu (sobre o que viram) e de auditu (sobre o que ouviram). Nessa fase, ocorre também a exumação do corpo do indivíduo em questão, chamado, então, pela Igreja de Servo de Deus, a fim de que se comprove a sua existência, bem como se obtenham relíquias. Tal fase é a diocesana.

Fase romana

Terminada essa etapa, passa-se à fase romana, por se dar, necessariamente, em Roma. Lá, a Congregação para as Causas dos Santos recebe o material enviado com segurança, estuda-o e dá-lhe o Decreto de validade, se preencher os requisitos. Também lá, é nomeado um relator da própria Congregação para, a partir dos dados já validados e de outros novos requeridos, elaborar um documento chamado de Positio a comprovar que o Servo de Deus praticou as virtudes teologais (fé, esperança e caridade) e cardeais (prudência, justiça, temperança e fortaleza), a humildade e os conselhos evangélicos (pobreza, castidade e obediência) em grau heroico. Se teve fama de santidade na vida, na morte e depois da morte ou se é mártir (foi assassinado por ódio à fé).

Votos

Pronta a Positio, ela fica aguardando a vez de ser avaliada pelos teólogos da Congregação para as Causas dos Santos que podem lhe dar três tipos de votos: positivo (está aprovada), suspensivo (requer algumas explicações mais detalhadas sobre um ou outro ponto) ou negativo (precisa ser reestudada ou refeita). Se tiver os votos positivos, passa aos Cardeais e Bispos da mesma Congregação que a estudam com atenção e procedem com a mesma forma de votação. Sendo positivos os pareceres, a Causa vai à análise do Papa que, aprovando-a, dá ao Servo de Deus um novo título, o de Venerável.

Santo Padre

Passados esses trâmites, e havendo uma cura cientificamente inexplicável diante da análise médica, a Igreja age, na Congregação para as Causas dos Santos, da mesma forma que fez na Positio sobre as virtudes e fama de santidade. Se os votos forem positivos, o caso vai para o Santo Padre que pode, então, declarar ter havido um milagre de Deus pela intercessão do Venerável, marcando, ato contínuo, a data para a sua Beatificação. Esta é a cerimônia presidida pelo próprio Papa ou por um legado seu – via de regra, o Cardeal prefeito da Congregação para as Causas dos Santos – em Roma ou onde viveu e/ou atuou o Beato. A Beatificação dá o direito de culto público nas regiões ligadas ao beatificado. No caso de um mártir se dispensa o milagre.

Com outro milagre – exigido, agora, também para um mártir, após a data da Beatificação –, o Beato se torna Santo. É venerado na Igreja inteira.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF