Leão XIV enviou uma mensagem de vídeo aos participantes da
VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama) que se realiza
em Bogotá. O Papa encoraja pastores e fiéis "a continuarem juntos no
fortalecimento da identidade de discípulos missionários na Amazônia".
Mariangela Jaguraba – Vatican News
Foi divulgada, nesta terça-feira (17/03), a mensagem de
vídeo do Papa Leão XIV aos participantes da VI Assembleia Geral da Conferência
Eclesial da Amazônia (Ceama), que se realiza, em Bogotá, na Colômbia, de 16 a
20 de março.
De acordo com o Pontífice, os participantes estão
"vivendo um momento privilegiado de escuta do Espírito Santo para
discernir o caminho das comunidades arraigadas nessa região".
Os membros da Ceama partilharam com o Pontífice alguns
passos dados, "bem como os desafios que estão enfrentando".
"Vocês me fizeram partícipe dos sofrimentos e das esperanças dos
habitantes da região, bem como da crescente deterioração de seu ambiente
natural", disse Leão XIV, expressando sua "proximidade a todas as
pessoas que vivem essa situação".
O Santo Padre expressa satisfação pelo fato de a assembleia
ter "entre seus objetivos a elaboração dos Horizontes Pastorais
Sinodais", que, segundo ele, "podem ser um instrumento útil para
orientar o anúncio de um Deus que ama infinitamente cada ser humano, que
manifestou plenamente esse amor em Cristo".
A seguir, Leão XIV recordou a eleição da presidência
2026-2030 que será feita durante a assembleia, "cuja tarefa será continuar
incentivando a implementação do Sínodo para a Amazônia e, ao mesmo tempo,
preparar as contribuições de sua experiência para a Assembleia Eclesial em
Roma, prevista para o ano de 2028".
"Com o desejo de abrir novos caminhos na missão da
Igreja nesta terra amada", a Ceama escolheu um texto bíblico que inspira
suas reflexões: "Estou fazendo uma coisa nova: ela está brotando agora, e
vocês não percebem?"
Ser um sinal de unidade na diversidade e um refúgio
seguro
De acordo com o Papa, "algo novo está nascendo, ainda é
frágil, mas já está em andamento, talvez imperceptível, mas como a semente da
árvore shihuahuaco, o 'gigante da selva', que cresce muito
lentamente, mas é capaz de viver mais de mil anos, um colosso de dezenas de
metros de altura, com uma copa densa, que se torna um refúgio seguro para
águias, tucanos, gaviões, micos, sakis e esquilos, transformando-se num
ecossistema à parte".
“Isso pode ajudar a
compreender, queridos irmãos, o que a Igreja deseja: ser um sinal de unidade na
diversidade e um refúgio seguro, que gera e protege a vida.”
O Papa os convida "a trabalhar com a confiança de uma
fé enraizada em Cristo, que nos repete: 'Eu te amei', pois é precisamente este
amor divino-humano de Jesus que nos transforma em homens e mulheres novos. Este
amor, contemplado na oração, nos envia a responder com generosidade e coragem
na missão".
O contexto atual exige uma resposta adequada
"Nesse sentido", diz ainda Leão XIV "se
quisermos pertencer a Cristo – o autêntico 'gigante da floresta' e 'o
primogênito de toda a criação', somos chamados a ser a Igreja das
Bem-aventuranças, uma Igreja que acolhe os pequenos e caminha na pobreza com os
pobres".
“Certamente, o contexto atual
exige uma resposta adequada diante dos numerosos desafios sociais, ambientais,
culturais e eclesiais que persistem na Amazônia, ameaçada por situações de
abuso e exploração.”
De acordo com o Papa, "o papel profético da Igreja e de
todos os seus membros, cada um segundo a sua missão", é o de
"proclamar o kerygma e a vida nova em Cristo, acompanhar
os que sofrem, cuidar da criação e respeitar a vida em todas as suas formas,
especialmente a vida humana".
Vídeo em espanhol
Moldar uma Igreja com 'rosto amazônico'
Segundo Leão XIV, outro objetivo da Conferência Eclesial da
Amazônia "é moldar uma Igreja com 'rosto amazônico', desejo do Sínodo
dos Bispos na Assembleia Especial para a Região Pan-Amazônica".
De acordo com ele, "esta tarefa deve ser feita com a
convicção de que, pela inculturação da fé, a Igreja se enriquece com novas
expressões e valores, manifestando e celebrando o mistério de Cristo de maneira
cada vez mais eficaz, unindo a fé mais intimamente à vida e contribuindo assim
para uma catolicidade mais plena, não só geograficamente, mas também
culturalmente".
Identidade de discípulos missionários na Amazônia
"A inculturação é um caminho difícil, mas necessário",
diz ainda o Papa, recordando que "é preciso acolher com coragem a novidade
do Espírito, capaz de sempre criar algo novo com o tesouro inexaurível de Jesus
Cristo".
Leão XIV encoraja pastores e fiéis, "a continuarem
juntos no fortalecimento da identidade de discípulos missionários na Amazônia".
“Continuem semeando no sulco
que também foi regado pelo sangue de tantos homens e mulheres que os precederam
e que, unidos à paixão de Cristo, se tornaram a raiz de uma 'árvore gigante'
que cresce na Amazônia.”

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