SÃO JOSÉ: ARTESÃO DA PAZ E FORMADOR DE UMA NOVA
HUMANIDADE
17/03/2026
Dom Roberto Francisco Ferrería Paz
Bispo de Campos (RJ)
Ir ao encontro de São José sempre será uma experiência de
profunda alegria, serenidade e confiança. Especialmente nestes tempos de
incerteza, conflitos dilacerantes e ódio inuscitado.
Com ele aprendemos o verdadeiro sentido da paz, não a paz de
acordos, normas e declarações tantas vezes repetidas, certamente uteis, mas
insuficientes.
Sua pessoa sábia, prudente e silenciosa nos permite
descobrir a paz como dádiva divina que mostrou seu esplendor na Noite de Natal,
na gruta de Belém. Ela é sempre um anuncio que
nos transcende mas que nos envolve e convida sempre a uma
resposta.
O Cardeal Renato Raffaele Martino no seu livro Paz
e Guerra, que acompanha a evolução teológica dos conceitos de paz, passando de
uma paz delimitada pelo direito da guerra justa como era considerada no Tratado
De Iustitia et Iure (Da justiça e do direito) a concepção
mais ampla da ordinata concórdia da paz, uma paz social nascida da
concordância dos corações. Seguindo a Santo Agostinho, Santo Tomás
afirmava que a “paz dos Santos é serenidade da mente, tranquilidade de ânimo,
simplicidade de coração, vínculo de amor e consórcio de caridade,
(Summa Theologiae III, d 27, q 2, 1.) Paz inspirada em Deus pois Ele
é o dador da paz, aquele que ama, o seu autor e quem a habita.
São José nos apresenta no seu filho adotivo, a paz
messiânica, enraizada na ação pacificadora do Reino na história humana. Paz que
proposta pela Igreja, nos leva a uma opção profética e um compromisso ético com
todas as pessoas, povos e nações da terra.
No entanto nunca deveríamos esquecer que ela brota dos
pequenos e humildes, dos mansos e dos pobres, que como o justo José,
se tornam artesãos cotidianos da paz, com sua entrega, simplicidade de vida,
solidariedade fraterna e sua justiça equitativa e generosa que cura e restaura
relacionamentos, formas de convivência e congraçamento humano.
Pois nunca teremos estruturas de paz, sem homens e mulheres
de paz, sem pessoas pacíficas. José nos ensina o caminho de uma paz desarmada
e desarmante, centrada na vontade de Deus, construída a partir do paciente
empenho de servir sempre na escuta, diálogo e entendimento, superando a
armadilha da tese do choque das civilizações, para como
falava entusiasmado Dom Helder Câmara promover a sinfonia de todos os
povos e culturas.
Na humilde oficina de Nazaré onde o menino Jesus acostumou
suas mãos ao trabalho, sua mente e coração humano a compreender o sentido e
valor da nossa vida, iniciou-se a forja de uma nova humanidade, começou a
transformação mais profunda da nossa história, abriram-se definitivamente
nossos horizontes a uma shalom integra e integral, de reconciliação
plena com Deus, e fraternidade para com todas as pessoas e criaturas, com todo
o universo. São José homem, justo, pacífico e pai de ternura, rogai por
nós!

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