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domingo, 12 de abril de 2026

Como tomar decisões na vida profissional?

Shutterstock I William Potter

Pierre D’Elbée - publicado em 10/04/26

Num mundo que busca controlar tudo, mas onde o futuro é cada vez mais incerto, o conhecimento bruto não oferece as chaves para uma boa decisão. Na incerteza, explica o consultor de empresas Pierre d’Elbée, um bom tomador de decisões compromete-se com todos os recursos de sua pessoa.

Para qual futuro da vida profissional estamos caminhando? Não é fácil responder a essa pergunta, tamanha foi a transformação da paisagem nos últimos anos. A irrupção da Inteligência Artificial (IA) desperta o medo da substituição de muitas competências a curto ou médio prazo. Se os efeitos econômicos dos conflitos globais já são visíveis, qual será sua duração e impacto real? O clima social, cada vez mais tenso, como irá evoluir? Como desenvolver um pensamento sólido diante do fluxo de informações que nos inunda diariamente?

A consequência desta incerteza crescente não é apenas prática, mas existencial. A IA parece questionar nossa contribuição ao mundo, agindo de forma mais rápida e melhor do que nós em atividades intelectuais e criativas antes reservadas aos seres humanos. Daí surge uma sensação de desestabilização profunda: que contribuição ainda podemos trazer ao nosso planeta? Estaremos condenados a nos tornar espectadores de um mundo que já não precisa de nossas habilidades? Eis-nos diante de uma incerteza global, persistente e difícil de analisar.

Renunciar ao conhecimento total

Diz-se que Leibniz foi o último "espírito universal" capaz de dominar todo o conhecimento de seu tempo. Depois dele, o sonho de um saber enciclopédico nunca mais esteve acessível... até a chegada da IA, que hoje coloca ao alcance das mãos um reservatório imenso de conhecimento em todos os registros.

Montaigne já defendia uma "cabeça bem feita" em vez de uma "cabeça bem cheia": integrar a sabedoria ao conhecimento, o sentido à erudição. Para ele, um julgamento iluminado prevalece sobre o conhecimento acumulado; isso pressupõe pensamento crítico e discernimento para separar o essencial do acessório. A última palavra do saber não seria, portanto, o conhecimento bruto, mas a precisão com a qual entendemos o mundo e agimos sobre ele.

Simplificar a vida profissional

Segundo Paul Valéry: "Tudo o que é simples é falso; mas tudo o que não o é, é inutilizável". É necessário, então, encontrar o equilíbrio certo entre a simplicidade que trai a realidade e a complexidade que paralisa a ação. Em um mundo incerto, o perigo não está em simplificar, mas em esquecer que simplificamos: devemos ter em mente que a realidade é muito mais complexa do que percebemos.

Associar a nuance à simplificação é dar prova de sabedoria. O "bom senso" não é uma simplificação ingênua de uma situação complexa, mas uma forma de discernimento encarnado.

Sentir

Em uma situação de incerteza, deve-se apelar a todos os recursos do seu íntimo para avançar apesar da imprecisão. Para aqueles que eram chamados a tomar decisões difíceis em tempo real, o General Colin Powell dava este conselho:

"Use a fórmula P = 40 a 70. P é a probabilidade de sucesso. Quando a porcentagem de informações obtidas atingir entre 40% e 70%, vá em frente com coragem!"

Se essa fórmula visa mobilizar energia e paixão, podemos aplicá-la também à intuição — ao nosso conhecimento difuso e às "pequenas percepções" que captam sinais fracos em situações complexas. Na incerteza, a decisão torna-se melhor quando associa o julgamento objetivo a um sentimento subjetivo. O compromisso que alguém assume ao sustentar uma decisão aumenta as chances de sucesso, mesmo que ela não seja "objetivamente" a melhor opção inicial.

Aristóteles nos dizia...

...que a prudência diz respeito ao que "pode ser de outra forma", ou seja, às situações mutáveis, pouco previsíveis e novas. Neste contexto, o phronimos — o homem prudente — é capaz de deliberar e decidir sem a garantia de um modelo pronto. Na ausência de certeza, ele busca a precisão.

O homem prudente hoje é aquele que visa um equilíbrio praticável, discernindo o que importa aqui e agora, ajustando sua ação à realidade em tempo real. Ele não substitui seu julgamento por um algoritmo. Sua habilidade decisiva não é buscar um saber exaustivo, mas sim a qualidade do julgar. Num mundo incerto, esta é uma virtude a ser redescoberta.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF