Localizada na costa ocidental da África, Angola conta com
uma rica e diversificada história que remonta aos tempos antigos. Sua história
é marcada por períodos de colonização, em que fez parte do Império Colonial
Português, conflitos internos e lutas pela independência, seguidos por anos de
instabilidade política e guerra civil.
Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico
Redentorista
Desde o texto da semana passada, onde fizemos uma introdução
geral, começamos a estudar a África Portuguesa, formada pelos países marcados
pela língua, por elementos culturais e religiosos advindos dessa metrópole europeia
que, apesar de sua pequena dimensão conseguiu consolidar um vasto império
colonial a partir dos séculos XV e XVI.
Como bem sabemos, o atual território africano foi retalhado
numa série de colônias propriedade de várias nações europeias, e o país
lusitano foi aquele que consolidou um dos maiores impérios.
O nome Angola deriva da palavra banto n’gola, título
utilizado pelos reis do antigo Reino de Ndongo, no século XVI, localizado na
atual região do país. Os portugueses adaptaram o título do monarca, como o
"Angola Kiluange", para "Angola" ao se referirem às terras
de Ndongo. Ngola era um termo banto que significa
"força" ou "rei/poderoso" na língua quimbundo.
Da ocupação à colonização portuguesa
Localizada na costa ocidental da África, Angola conta com
uma rica e diversificada história que remonta aos tempos antigos. Sua história
é marcada por períodos de colonização, em que fez parte do Império Colonial
Português, conflitos internos e lutas pela independência, seguidos por anos de
instabilidade política e guerra civil.
Os primeiros habitantes conhecidos da região eram os San,
grupo de caçadores-coletores que deixaram evidências de sua presença na forma
de pinturas rupestres em várias partes do país. Esses grupos foram
posteriormente deslocados pelos povos bantos, que chegaram à região por volta
do século III a.C. formando diversos reinos ao longo da costa e no interior.
Durante a Idade Média europeia, o Reino do Congo se tornou
uma importante potência na região, formando um dos grandes reinos africanos,
estendendo-se seu domínio numa grande parte do que é hoje Angola, bem como em
partes da atual República Democrática do Congo e Gabão. O comércio de
marfim e escravos era importante para a economia do reino e a religião cristã
foi introduzida pelos missionários portugueses no final do século XV.
Em 1482, o navegador português Diogo Cão chegou à foz do rio
Congo, marcando o início do contato português com os povos da região. Em 1575,
os portugueses fundaram a cidade de Luanda, que se tornou a capital da colônia
de Angola. Durante o período colonial, os portugueses estabeleceram plantações
de café, algodão e sisal, bem como exploraram minas de diamantes e cobre.
Durante o século XIX, Angola tristemente se tornou um
importante centro de comércio de escravos, com milhares de pessoas sendo
capturadas e levadas para trabalhar nas plantações das Américas. A abolição da
escravatura em 1865, teve um impacto significativo na economia de Angola,
levando à mudança para o comércio de matérias-primas.
Na década de 1950, surgiram os primeiros movimentos
nacionalistas em Angola, com o objetivo de conquistar a independência em
relação a Portugal. O Movimento Popular de Libertação de Angola (conhecido pela
sigla MPLA) foi fundado em 1956, seguido pelo Exército de Libertação Nacional
de Angola (ELNA) em 1961 e pela União Nacional para a Independência Total de
Angola (UNITA) em 1966.
A luta pela independência se intensificou durante a década
de 1960, com os movimentos nacionalistas lutando contra as forças portuguesas.
A guerra se estendeu até a década de 1970, quando a Revolução dos Cravos em
Portugal levou à retirada das forças portuguesas de Angola. Em novembro de
1975, o MPLA, que contava com o apoio da União Soviética e Cuba declarou a
independência de Angola.
A independência não trouxe a desejada paz para Angola. A
luta pelo poder entre o MPLA e a UNITA provocou uma guerra civil que durou
quase 30 anos. Ainda hoje existem milhões de minas terrestres plantadas em
diversas regiões do pais e essa continuam fazendo suas vítimas.
Angola hoje
O português é a língua oficial de Angola e 60% dos moradores
declararam ser sua língua materna, embora estimativas indiquem que 70% da
população fale uma das línguas nativas como primeira ou segunda língua. Além do
português, Angola abriga cerca de onze grupos linguísticos principais, que
podem ser subdivididos em cerca de noventa dialetos.
Alguns dos mais importantes escritores em língua portuguesa
da atualidade são angolanos. Sua literatura costuma representar com realismo a
dor e o preconceito sofridos pelo povo do país. Entre os principais nomes da
literatura angolana estão José Luandino Vieira, José Eduardo Agualusa e
Pepetela.
O cenário de Angola hoje é marcada por um contexto
socioeconómico desafiador, caracterizado por elevada pobreza, desigualdade e
insegurança alimentar, afetando grande parte da população. Apesar de ser um
país rico em recursos como petróleo e diamantes, os desafios incluem a
necessidade de muitas melhorias na saúde, educação e infraestrutura, além do
combate à corrupção. Apesar dos esforços de reconstrução, a infraestrutura
ainda enfrenta dificuldades em todo o país.

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