O bispo Erik Varden faz sua terceira reflexão nos Exercícios
Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e
os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: "A ajuda de
Deus". Publicamos um resumo de sua reflexão.
Dom Erik Varden, OCSO*
A ideia de que Deus pode e quer nos ajudar em nossas dificuldades é um axioma da fé bíblica. Ela distingue o Deus de Abraão, Isaac e Jacó — o Deus que, em Cristo Jesus, se fez compaixão encarnada — do Motor Imóvel da filosofia.
O Salmo 90 começa com o versículo: “Qui habitat in adiutorio
Altissimi”, isto é, “Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo”.
O auxílio de Deus, diz Bernardo, pode ser definido como uma
morada, pois constitui uma realidade que nos sustenta, dentro da qual podemos
viver, mover-nos e existir. O auxílio de Deus não é ocasional; não é um serviço
de emergência ao qual recorremos quando uma casa pega fogo ou alguém é
atropelado, como se ligássemos para o 192.
Mas o que dizer dos casos em que pessoas tementes a Deus
caem e parecem ser abandonadas? O que dizer quando clamam ao céu sem obter
nenhuma resposta, ouvindo apenas o eco desolado da própria voz?
A figura bíblica dessa condição é Jó, cujo livro grandioso
pode ser percebido como uma sinfonia em três movimentos: passando do Lamento
visceral a uma exposição da Ameaça, até a experiência inesperada da Graça.
Jó não aceita as racionalizações de seus amigos. Recusa-se a
pensar que Deus esteja fazendo contas com sua vida como se fosse um balanço
contábil. Está determinado a encontrar Deus presente na aflição, clamando
heroicamente: “quem, senão Ele, pode fazer isto?”
Como fiéis, podemos considerar a religião como uma apólice
de seguro: certos de poder contar com a ajuda de Deus, julgamos estar a salvo
do perigo. O mundo parece desmoronar se, e quando, o mal nos atinge. Como
enfrento as provações que parecem sem sentido, que destroem minhas barreiras
protetoras? Meu relacionamento com Deus é uma forma de negociação, de modo que,
quando as coisas se tornam difíceis, sou levado a seguir o conselho da mulher
de Jó de “amaldiçoar Deus e morrer”?
Deus pode tornar possível um mundo novo e abençoado depois
de derrubar os muros que pensávamos ser o mundo — muros dentro dos quais, na
verdade, estávamos sufocando.
Habitar no auxílio de Deus, como nos ensina São Bernardo,
não significa negociar seguranças. Significa atravessar o Lamento e a Ameaça
para aprender a viver com Graça nesse novo nível de profundidade. E, assim,
permitir que outros o encontrem.
Com a presença do Papa Leão XIV, dos cardeais residentes em
Roma e dos chefes dos Dicastérios, teve início, na tarde de domingo, 22 de
fevereiro, na Capela Paulina, o tradicional ...
* Tradução não oficial da síntese publicada neste
endereço: coramfratribus.com/archive/gods-help/

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