O DESERTO E A TENTAÇÃO DO JOGO
24/02/2026
Dom Lindomar Rocha Mota
Bispo de São Luís de Montes Belos (GO)
A vida cristã é dom e responsabilidade. Deus nos criou para
a liberdade na luz da verdade. É por isso
que que as jogatinas modernas, que tem entrado
em nossos lares com aparência de brincadeira e linguagem
sedutora, causam tanto estupor.
Os jogos têm sido difundidos de modo intenso pelas
redes digitais e promovidos por vozes influentes e falsamente
amigas que não assumem o peso das dores humanas que
provocam.
O jogo não se apresenta como vício, mas o é,
e; como todo vício, é uma mistura de ilusão delirante e
autodestruição.
Ele se disfarça de
entretenimento e se mostra como oportunidade. Ele promete
ganhos rápidos, emoções fortes, sensação de controle. O primeiro contato
costuma ser curioso, inocente e vitorioso. Um clique, uma aposta pequena, uma
expectativa breve. O coração acelera. A respiração muda. O tempo parece
suspenso enquanto se aguarda o resultado. É a vertigem da
possibilidade.
Ali começa o perigo. O jogador não busca apenas
dinheiro; busca intensidade. Busca aquele segundo antes do resultado e
é nesse segundo que se instala a ilusão de poder, como se o destino
estivesse nas próprias mãos.
A vitória produz euforia, a perda, porém, não encerra o
ciclo; ela o alimenta.
Surge o impulso de recuperar, de tentar novamente, de provar
que é possível vencer o acaso.
Cada rodada carrega a promessa da redenção!
Essa dinâmica não é neutra. Ela envolve mecanismos
psicológicos.
O ganho inesperado libera entusiasmo; a perda
gera ansiedade que pede compensação. Forma-se um circuito emocional
que prende a mente e o espírito. O mundo vai se estreitando até caber
dentro de uma aposta. As preocupações familiares, o trabalho, a oração, os
compromissos passam a girar em torno da aposta.
A Igreja olha para essa realidade com compaixão e lucidez.
Não se trata de condenar pessoas, mas de compreender processos.
Muitos homens e mulheres bons, responsáveis, trabalhadores, acabam envolvidos
nesse ciclo sem perceber a velocidade com que ele se instala. O
entusiasmo inicial transformar-se em transtorno e
a breve alegria dá lugar ao vazio e à vergonha.
A esperança cristã, sólida e paciente, corre o risco de ser
substituída por uma expectativa febril e instável.
A intensidade que o jogo promete é passageira; a alegria que
nasce de uma vida orientada por Deus é profunda e duradoura.
Aos que já se sentem presos nesse ciclo, a Igreja
caminha próxima. Há saída, pois a graça restaura. A comunidade
acolhe. Procure ajuda, fale com alguém, busque acompanhamento
espiritual e, se necessário, apoio profissional. A vergonha não deve ser
obstáculo para a libertação. Não entregues o teu Coração ao acaso!

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