"Terra, vocês são uma tripulação", diz
astronauta da Artemis II
Os quatro tripulantes da missão Artemis II falam pela
primeira vez sobre a jornada, depois de nove dias no espaço. Primeira mulher a
participar de uma viagem ao satélite natural, Cristina Koch interrompeu o
discurso para segurar o choro.
Por Rodrigo
Craveiro
postado em 12/04/2026 05:50
Às 15h48 deste sábado (11/4) pelo horário local (17h48 em
Brasília) e menos de 24 horas após o retorno à Terra, os quatro tripulantes da
missão Artemis II foram recebidos com aplausos, e de pé, pela plateia — formada
por familiares, políticos e executivos da indústria aeroespacial — reunida no
Centro Espacial Jonhnson da Nasa (agência espacial dos EUA), em Houston
(Texas). Vestidos com macacão azul e usando boné, o comandante Reid Wiseman; a
especialista de missão Christina Koch; o astronauta canadense e especialista de
missão Jeremy Hansen; e o piloto Victor Glover estavam emocionados. Ainda
tentavam processar a façanha nos últimos 9 dias, 1 hora e 32 minutos, quando
fizeram um sobrevoo na Lua. Foi a primeira viagem ao satélite natural da Terra
desde 1972. Os quatro astronautas quebraram o recorde de maior distância
percorrida no espaço: 406.773km.
"Victor, Christina e Jeremy, nós estamos ligados para
todo o sempre. Ninguém aqui embaixo vai saber o que passamos. Foi a coisa mais
especial de toda a minha vida", declarou Wiseman. "Antes do
lançamento, parece que é o maior sonho do mundo. E quando você está lá fora,
tudo o que você quer é voltar para sua família e seus amigos. Ser humano é algo
especial, e estar no planeta Terra é algo especial", acrescentou o
astronauta. Na sexta-feira, a cápsula Órion pousou no Oceano Pacífico,
perto da costa de San Diego (Califórnia), depois de enfrentar temperaturas de
quase 3.800 graus Celsius, a uma velocidade de 39.693km/h, durante a entrada na
atmosfera.
Victor Glover disse não ter processado o que ele e os três
colegas tinham acabado de fazer. "Quando isso começou, em 3 de abril, eu
quis agradecer a Deus em público, e quero agradecer a Deus novamente. A
gratidão de ver o que vimos, fazer o que fizemos e estar com quem eu estava, é
grande demais para caber em um só corpo", reconheceu. Christina Koch
precisou interromper sua fala por cerca de 10 segundos para segurar o choro.
Foi abraçada pelos outros três tripulantes da sonda Orion. "Quando vimos a
Terra, minúscula, (...) o que me arrebatou foi toda a escuridão em torno dela.
A Terra é um bote salva-vidas pendurado inabalavelmente no Universo",
descreveu, ao parar o discurso momentaneamente. "Tudo nessa jornada
tem a me ensinar. Mas, há uma coisa que eu sei. Planeta Terra, vocês são
uma tripulação", concluiu Cristina, de forma pausada, como se quisesse
destacar cada palavra.
Jeremy Hansen parecia emocionado com o discurso da colega.
"Quando você vê um grupo que se ama e dá uma contribuição significativa, e
extrai alegria disso, isso é algo especial a testemunhar", declarou.
"Nós ouvimos muito falarem sobre a ciência e sobre as coisas que
aprendemos. Mas, a experiência humana é extraordinária para nós", lembrou,
ao ressaltar a "coragem" e a "bravura" da tripulação.
Ex-astronauta da Nasa, Clayton C. Anderson esteve em duas
expedições à Estação Espacial Internacional — em 2007, permaneceu 152 dias a
bordo. "A missão Artemis II foi um imenso sucesso para toda a humanidade!
Os testes bem-sucedidos de todos os sistemas da espaçonave nos prepararam para
a Artemis 3 e a Artemis 4 nos próximos anos. Provamos que temos conhecimento e
tecnologia para retornar em segurança à Lua. Agora, estamos nos preparando para
construir uma base lunar", afirmou ao Correio, por e-mail.
Segundo Anderson, a Lua é um "trampolim". "É
um lugar próximo da Terra (três dias de viagem), onde podemos testar as
tecnologias e construir a infraestrutura necessária para extrair água e gelo
das crateras lunares. Todo esse conhecimento adquirido nos ajudará a planejar o
envio seguro de humanos a Marte para atingir objetivos semelhantes",
explicou.

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