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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Veja como estão os primeiros sétuplos do mundo a sobreviver

Bobbi McCaughey deu à luz em 1997 — Foto: Ambassador/Sygma/Corbis/VCG via Getty Images

Primeiros sétuplos do mundo a sobreviver estão prestes a comemorar 28 anos; veja como estão

Os irmãos McCaughey fizeram história ao nascerem em 19 de novembro de 1997.

Por Crescer

16/11/2025 12h49


A história dos irmãos McCaughey repercutiu muito no final dos anos 90! Afinal, eles eram os primeiros sétuplos do mundo a sobreviver, informou o Daily Mail. Bobbi e Kenny McCaughey deram as boas-vindas a Nathan, Kelsey, Brandon, Joel, Natalie, Alexis e Kenny Jr em 19 de novembro de 1997 em Iowa (EUA). Agora, adultos, eles estão prestes a completar 28 anos.

Desde que nasceram, cada um dos irmãos tomou um rumo diferente na vida. No entanto, eles sempre serão lembrados por seu nascimento que se tornou histórico. No entanto, chegar até esse momento não foi fácil. Por muito tempo, Bobbi enfrentou problemas para conceber devido a um problema em sua glândula pituitária — que estimula a ovulação.

A norte-americana e o marido conseguiram ter a primeira filha chamada Mikayla, mas acabaram tendo dificuldade para tentar uma segunda gravidez. Bobbi iniciou um tratamento de fertilidade e, logo soube, que estava grávida de sétuplos. Na época, os médicos orientaram o casal a fazer a redução seletiva, mas os pais não aceitaram e decidiram seguir com a gestação mesmo com os riscos.

Irmãos aparecem com seus cônjuges e seus próprios filhos em uma foto de família de 2024 — Foto: Reprodução Daily Mail/Facebook

Ao longo do processo, a família contou com o apoio de amigos e familiares. Mas a raridade da gravidez também chamou a atenção da mídia e rendeu certos benefícios para os irmãos, como férias na Disney e entrada gratuita na Universidade Hannibal-LaGrange, no Missouri. Na época, o então presidente Bill Clinton chegou a ligar para parabenizar a família e George W. Bush conheceu os pequenos pouco tempo depois.

Família no casamento de Kelsey em 2020 — Foto: Reprodução Daily Mail/Facebook

Como estão os sétuplos hoje?

Cada um dos irmãos trilhou seus próprios caminhos.

Kenny Jr: trabalha como carpinteiro, mora em Dallas Center, Iowa, com sua esposa Synthia. Em 2022, os dois deram as boas-vindas ao primeiro filho.

Alexis: trabalha como professora em uma creche e mora com os pais em Runnells, Iowa. Ela teve paralisia cerebral.

Natalie: é casada e teve um bebê com seu marido Shawn no ano passado. Ela concluiu o mestrado em treinamento atlético no Culver-Stockton College e agora trabalha em sua antiga universidade, Hannibal-LaGrange, como chefe de treinamento atlético.

A família retratada em 2017 — Foto: Reprodução Daily Mail/Facebook

Kelsey: é casada com Kevin Morrison com quem adotou um filho. Ela também se formou na Universidade de Hannibal-LaGrange no curso de Relações Públicas e, hoje, trabalha como recepcionista em um consultório médico no Missouri.

Nathan: também se formou na Universidade de Hannibal-LaGrange em 2021. Atualmente, ele, que também teve paralisia cerebral, trabalha como suporte técnico.

Brandon: serve no exército dos Estados Unidos, o que era seu sonho desde criança. Ele se casou com a namorada do ensino médio, Alana. Hoje, o casal mora na Carolina do Sul com os filhos.

Joel: mora ainda com os pais em Iowa e trabalha como suporte técnico. Seu sonho é se tornar analista de cibersegurança.

Embora muitos dos irmãos estejam morando em outras cidades, eles garantem que buscam sempre passar um tempo juntos. “Esses momentos são ainda mais sagrados. Eles são incrivelmente doces com todos os nossos parceiros e filhos”, contou Kelsey ao Des Moines Register.

Fonte: https://revistacrescer.globo.com/fique-por-dentro/noticia/2025/11/primeiros-setuplos-do-mundo-a-sobreviver-estao-prestes-a-comemorar-28-anos-veja-como-estao.ghtml

Papa: não há paz sem justiça; é preciso romper o muro da solidão

Santa Missa, 16/11/2025 - Papa Leão XIV (Vatican Media)

No Jubileu dos Pobres, Leão XIV identificou na solidão o elemento comum a todas as formas de pobreza, sejam elas materiais ou espirituais. Para combater este fenômeno, pediu que os fiéis desenvolvam uma "cultura da atenção" e exortou os líderes das nações a ouvirem o clamor dos vulneráveis.

https://youtu.be/YhDZYtcKgPw

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

O Papa presidiu à Santa Missa na Basílica Vaticana por ocasião do Jubileu dos Pobres, com a participação de cerca de seis mil fiéis, muitos dos quais assistidos pela Igreja Católica.

Antes da cerimônia, o Santo Padre saudou os 12 mil peregrinos na Praça São Pedro, afirmando que todos queremos estar entre os pobres do Senhor, "porque a nossa vida é um dom de Deus e o recebemos com muita gratidão". O Pontífice agradeceu a todos pela presença, pedindo que participassem da missa, através dos telões, "com muito amor, muita fé, sabendo que estamos todos unidos em Cristo", e marcando encontro com os fiéis mais tarde para o Angelus.

Papa saúda os fiéis na Praça São Pedro antes da missa   (@VATICAN MEDIA)

Já em sua homilia, Leão XIV comentou as leituras do Evangelho do dia, que convidam a olhar para a história nos seus desfechos finais. Na primeira leitura, o profeta Malaquias vislumbra a chegada do “dia do Senhor”, com um amanhecer que faz surgir um "sol de justiça". Trata-se do próprio Jesus. No Evangelho, Cristo anuncia e inaugura esse Reino. Ele é o senhorio de Deus que se torna presente em meio aos acontecimentos dramáticos da história. Por isso, os discípulos não devem se assustar, já que a promessa de Jesus é sempre viva e fiel: "não se perderá um só cabelo da vossa cabeça".

A Igreja, "mãe dos pobres"

"Irmãos e irmãs, esta é a esperança à qual nos agarramos, mesmo diante das vicissitudes nem sempre felizes da vida", afirmou o Pontífice. "Deus não nos deixa sozinhos nas perseguições, nos sofrimentos, nas dificuldades e nas opressões da vida e da sociedade. Ele manifesta-se como Aquele que toma partido por nós." A proximidade de Deus atinge o ápice do amor em seu filho Jesus: por isso, a presença e a palavra de Cristo tornam-se júbilo e jubileu para os mais necessitados.

Dirigindo-se diretamente aos pobres, Leão XIV transmitiu as palavras de Jesus: "Dilexi te - Eu te amei": "Sim, diante da nossa pobreza e pequenez, Deus nos olha como ninguém mais e nos ama com amor eterno. E a sua Igreja, ainda hoje, talvez especialmente neste nosso tempo tão ferido por velhas e novas pobrezas, quer ser 'mãe dos pobres, lugar de acolhimento e justiça'."

O Papa abençoa a assembleia com o Evangelho   (@Vatican Media)

A "cultura da atenção" como antídoto à "globalização da impotência"

"Quantas pobrezas oprimem o nosso mundo!", constatou o Santo Padre. Trata-se, primordialmente, de pobrezas materiais, mas também morais e espirituais, que afetam sobretudo os mais jovens. Para Leão, todas têm um elemento em comum, que é a solidão, que pode ser superada se os fiéis forem capazes de desenvolver uma "cultura da atenção", isto é, a capacidade de olhar para o lado e se tornar testemunha da ternura de Deus na família, nos locais de trabalho e de estudo, nas comunidades e, inclusive, no mundo digital.

O Papa aponta a "cultura da atenção" como um antídoto à globalização da impotência que ele vem denunciando desde o início do seu pontificado, ou seja, a crença de que a história sempre foi assim e não pode mudar. O Evangelho, de modo diverso, diz que é precisamente nas grandes perturbações da história que o Senhor vem nos salvar. E a tarefa da comunidade cristã é ser sinal vivo dessa salvação no meio dos pobres.

Leão XIV pronuncia a homilia   (@Vatican Media)

"Não poderá haver paz sem justiça"

Leão XIV chamou em causa também os chefes de Estado e os responsáveis das Nações para que ouçam o clamor dos mais pobres. "Não poderá haver paz sem justiça", lembrou, e os pobres nos recordam disso de muitas maneiras, "com a sua migração, bem como com o seu grito muitas vezes abafado pelo mito do bem-estar e do progresso".

Aos operadores da caridade e aos voluntários, o Pontífice manifestou a sua gratidão. E aos fiéis renovou seu convite ao comprometimento, já que a "questão dos pobres remete ao essencial da nossa fé". Para nós, "eles são a própria carne de Cristo e não apenas uma categoria sociológica", afirmo, citando a sua Exortação Dilexi te: "A Igreja, como mãe, caminha com os que caminham. Onde o mundo vê ameaça, ela vê filhos; onde se erguem muros, ela constrói pontes".

“Enquanto aguardamos o glorioso regresso do Senhor, não devemos viver uma vida voltada para nós mesmos e num intimismo religioso que se traduz no descompromisso para com os outros e a história. Pelo contrário, buscar o Reino de Deus implica o desejo de transformar a convivência humana num espaço de fraternidade e dignidade para todos, sem excluir ninguém.”

O Santo Padre advertiu para o perigo de viver como "viajantes distraídos", indiferentes ao próximo, e exortou a nos inspirar no testemunho dos Santos que serviram Cristo nos mais necessitados e o seguiram no caminho da pequenez e do despojamento. A propósito, citou a figura de São Bento José Labre, que com a sua vida de “vagabundo de Deus” tem as características para ser o padroeiro de todos os pobres sem-abrigo.

"Que a Virgem Maria nos ajude a entrar na nova lógica do Reino, para que na nossa vida de cristãos esteja sempre presente o amor de Deus que acolhe, perdoa, cuida das feridas, consola e cura", concluiu Leão XIV.

Momento do ofertório   (@VATICAN MEDIA)

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Santa Isabel da Hungria

Santa Isabel da Hungria (A12)
17 de novembro
Santa Isabel da Hungria

Isabel era princesa na Hungria, foi rainha na Alemanha, e se fez santa na Terra e para o Céu.

Nasceu no ano de 1207, e desde então já foi prometida em casamento para o duque Ludwig da Turíngia, na Alemanha. Cresceu e foi educada junto com o futuro marido. Ele a amava sinceramente, e a apoiava nas suas iniciativas de espiritualidade. Porém a sogra e demais parentes do esposo tinham ciúmes e procuraram prejudicá-la por quase toda a sua curta vida.

Embora em nada descuidando do seu papel de esposa e mãe, o que mais caracterizou Isabel foi a sua vida de espiritualidade e particular caridade aos pobres. Como a eles dedicava não só o próprio serviço, pessoalmente lavando-os, alimentando-os e vestindo-os, mas também utilizava dinheiro para as suas necessidades, a sogra tentou indispor Ludwig, alegando que Isabel esbanjava as riquezas da coroa. Numa ocasião, saindo ela com alimentos para distribuir aos necessitados, ele a questionou e ela disse que só levava rosas – esquecendo ser inverno – e, ao abrir a sacola, de fato apareceram rosas.

De outra vez, a sogra o avisou de que Isabel estava a cuidando de um leproso no seu próprio quarto, mas ao entrar Ludwig encontrou sobre o leito Cristo crucificado, em quem o leproso se transformara.

Apesar das dificuldades, o casamento foi muito feliz. Ludwig porém faleceu de peste, na Itália, quando ia para as cruzadas na Terra Santa. Então a sogra e parentes do marido a expulsaram da corte com os filhos, pretextando de que ela esbanjava os bens da família, quando Isabel, por causa de um período de carência de víveres na região, sustentou pelos cofres públicos a centenas de pobres.

Acolhida finalmente, sem nada mais ter, no Convento Cisterciense de Ktizingen, onde uma sua tia era abadessa, Isabel decidiu confiar a seus parentes a educação dos filhos, Hermano, Sofia e Gertrudes, e tomou o hábito da Ordem Terceira de São Francisco.

Confrontados por companheiros de Ludwig nas cruzadas, os seus irmãos, os príncipes, arrependeram-se, pedindo perdão a Isabel e restituindo-lhe os bens. Ela porém preferiu viver na pobreza, numa modesta residência em Marburg, onde, com o valor da sua herança, mandou construir um hospital. Morreu em 1231, aos 24 anos: foi noiva aos 14, mãe aos 15 e viúva aos 20. Por causa dos milagres ocorridos no seu túmulo, foi canonizada já em 1235, e declarada padroeira da Ordem Terceira Franciscana.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR
Revisão e acréscimos: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Santa Isabel foi tão especial quanto singular foi a sua vida, curta e responsável. Desde nova demonstrou extraordinária espiritualidade, que a levou a ser a única soberana recusando-se a usar a coroa na cerimônia de casamento, dentro da igreja, alegando que não poderia usar objeto tão precioso e símbolo da realeza diante de Cristo, nosso Rei coroado de espinhos. De origem real, sua maior nobreza foi a santidade, que partilhava com outras pessoas da família (Santa Edwiges, Santa Inês da Boêmia, etc.), manifesta especialmente na caridade com os pobres. Dela disse o Papa Bento XVI: “E como tinha descoberto realmente a Deus, e Cristo não era para ela uma figura distante, mas o Senhor e o Irmão da sua vida, encontrou a partir de Deus o ser humano, imagem de Deus. Essa é também a razão porque quis e pôde levar aos homens a justiça e o amor divinos. Só quem encontra a Deus pode também ser autenticamente humano”. (Da homilia na igreja de Santa Isabel da Hungria de Munique, 2 de dezembro de 1981).

Oração:

Deus, nosso Pai, Santa Isabel foi um conforto para os pobres e defensora dos desesperados. A ninguém negava sua caridade e o apoio nas horas difíceis. Colocou a serviço dos necessitados todas as suas riquezas. Transformai também o nosso interior, para que sejamos luz para o mundo de hoje, como Santa Isabel o foi para o seu tempo. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Fonte: https://www.a12.com/

domingo, 16 de novembro de 2025

TEOLOGIA: O desconhecido além da palavra (Parte 1/3)

Imagens do Lecionário de St. Trond, Bélgica, meados do século XII. M.883, f.62v., preservado na Biblioteca Pierpont Morgan, Nova Iorque. Pentecostes | 30Giorni.

TEOLOGIA

Arquivo 30Dias nº 01 - 2003

O desconhecido além da palavra

Considerações sobre o Espírito Santo.

Por Rino Fisichella

"O Desconhecido que vem além da Palavra." Esta é a expressão mais concisa com que um teólogo de Hans Urs von Balthasar poderia falar do Espírito Santo. Que o Espírito Santo seja um "Desconhecido" pode ser verdade por pelo menos duas razões: a primeira, teológica, é determinada pelo fato de que nunca antes fomos colocados diante do mistério. Ele é o Espírito do Amor e inevitavelmente nos conduz de volta à sublimidade da própria essência de Deus, revelada por Jesus Cristo. A linguagem humana é severamente limitada por suas palavras, sempre aprisionada dentro dessa "gaiola" — para usar a expressão de Ludwig Wittgenstein — que nos impede de expressar o que constitui a essência do mistério. Com razão, portanto, nossos irmãos orientais sugerem que é melhor invocar o Espírito do que falar dele; ele, na verdade, é uma graça concedida pelo amor do Pai. Dessa perspectiva, portanto, é importante enfatizar que, para ter uma compreensão coerente desse mistério, é crucial adquirir uma atitude de admiração e recepção silenciosa.

A segunda razão é mais histórica e decorre do fato de que, durante muito tempo, a teologia negligenciou a inteligência do Espírito Santo. Isso resultou em uma teologia fraca, carente da centralidade do mistério trinitário e, portanto, fragmentada em sua exposição dos diversos mistérios que compõem a fé. A marginalização do tema do Espírito à esfera exclusiva da espiritualidade, por exemplo, impediu a obtenção de uma teologia coerente dos ministérios e dos leigos. A recuperação do lugar central que os estudos sobre o Espírito Santo merecem permitiu-nos verificar, nas últimas décadas, o quanto o traçado da teologia foi atrasado, tanto em sua correspondência com a missão eclesial quanto em dar voz ao poder da profecia.

Quem é, então, o Espírito Santo? “Se queres saber qual deve ser o teu pensamento sobre o Espírito Santo, precisas voltar aos apóstolos e aos Evangelhos, com os quais e nos quais tens certeza de que Deus falou” ( O Espírito Santo , I, 9). Este texto de Fausto, bispo de Riez em meados do século V (452/460?), permite ao teólogo redescobrir o método correto para balbuciar algo sobre o mistério do Espírito de Cristo. "Retorne aos apóstolos e aos Evangelhos." Eis a fonte original da fé cristã: Tradição e Escritura em sua unidade inseparável e na plena reciprocidade que nos permite apreender a única Palavra que Deus dirigiu à humanidade (cf. Dei Verbum 9).

«Examinemos agora as noções atuais que temos sobre o Espírito Santo, tanto as que foram extraídas das Escrituras quanto as que nos foram transmitidas pela tradição oral dos Padres... O Espírito Santo é chamado de Espírito de Deus, Espírito da verdade que procede do Pai, Espírito reto, Espírito que guia.

Seu nome mais apropriado é Espírito Santo, porque este nome indica o ser mais incorpóreo, mais imaterial e mais isento de composição. Pois o Senhor ensinou à mulher samaritana, que estava convencida de que Deus deveria ser adorado em um lugar, que o incorpóreo não pode ser contido por limites, e disse-lhe: “Deus é espírito”. Portanto, quem ouve a palavra “Espírito” não pode imaginar uma natureza limitada, sujeita a mudanças e variações, ou semelhante em todos os aspectos a uma coisa criada». Estas são as palavras de São Basílio, monge e bispo de Cesareia, que em 375 escreveu seu tratado Sobre o Espírito Santo .»

Sabemos que a Escritura fala preferencialmente do Espírito como "ruah": "sopro", "ar", "espírito", "vento", "sopro"... todas realidades cujo som, para usar as palavras de Jesus, "ouvis, mas não sabes de onde vem nem para onde vai" ( Jo 3,8); percebemos, portanto, a sua presença e o seu poder, mas não podemos dizer mais, porque ele está envolto no mistério da vida de Deus. O Concílio de Constantinopla, ao professar: "Ele é o Senhor e o Doador da Vida", procura dar substância ao ensinamento da Sagrada Escritura, que sempre coloca o Espírito em relação com a vida. O salmista explicita o texto do Gênesis quando atesta: "Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o seu exército pelo sopro da sua boca" ( Sl 33,6). O Espírito, em suma, é o sopro que sai da boca de Deus e cria todas as coisas, dando vida.

O gênio de Michelangelo, no afresco da Capela Sistina, dará forma artística a este ensinamento. O "digitus paternae dexterae" do Veni Creator é o que dá vida ao homem e sustenta todas as coisas (cf. Sl 8,5). É tão verdade que, "se Deus retirasse o seu espírito e lhe tirasse o fôlego, toda a carne morreria juntamente, e o homem voltaria ao pó" (  34,14). Em suma, o Espírito é o poder e a força de Deus; por meio dele tudo vem à luz e tudo se completa.

O Espírito Santo, portanto, é o protagonista de toda a história da salvação. Sempre que Deus intervém entre o seu povo para libertá-lo e mostrar-lhe o cumprimento das suas promessas, é sempre o Espírito que o acompanha. É pelo seu poder que as batalhas são vencidas; da mesma forma, é pela sua força que se vencem as batalhas. É ele quem transforma os homens, capacitando-os a cumprir a missão que receberam. É, novamente, o Espírito que "vence Gideão" ou que "penetra em Sansão", dando a cada um a força necessária para a vitória. É sempre o mesmo Espírito que desce sobre o rei, o coroa e o protege para que ele possa reinar em nome de Deus sobre o seu povo: "o Espírito do Senhor repousou sobre Davi daquele dia em diante" ( 1 Samuel 16:13).

Fonte: https://www.30giorni.it/

O que é melhor, tomar banho de manhã ou à noite? O que diz a ciência

O que é melhor, tomar banho de manhã ou à noite? (Olhar Digital)

O que é melhor, tomar banho de manhã ou à noite? O que diz a ciência

Autor: Jasmin Fox-Skelly

De BBC Future

27 setembro 2025

Neste mundo cada vez mais polarizado em que vivemos, existe uma questão que talvez nos divida mais do que qualquer outra: você toma banho assim que acorda, de manhã, ou antes de ir dormir à noite?

Ou talvez você faça como 34% da população dos Estados Unidos, que não tomam banho todos os dias.

Seja qual for o seu grupo, talvez você se pergunte qual seriam as consequências da sua escolha para a saúde.

Para muitos de nós, uma das primeiras coisas a fazer de manhã, ainda com os olhos cansados, é pular no chuveiro.

Os defensores do banho matinal costumam afirmar que ficar de pé por 10 minutos sob um fluxo de água quente os ajuda a acordar e se sentir renovados e prontos para começar o dia.

Mas as pessoas que tomam banho à noite argumentam que o banho antes de dormir os ajuda a retirar a sujeira do dia antes de entrar debaixo das cobertas e se render ao sono restaurador.

O que diz a ciência a respeito? O que realmente é mais benéfico para nós?

O banho ajuda a retirar a poeira, o suor e a gordura da nossa pele.

Estas impurezas podem se acumular ao longo do dia, ao lado dos poluentes, poeira e pólen do ambiente. E, se você não tomar banho antes de dormir, tudo isso irá se depositar nos seus lençóis e fronhas.

Isso não é tudo. A nossa pele está repleta de vida microbiana. Se você examinar qualquer centímetro quadrado de pele do corpo, irá encontrar entre 10 mil e um milhão de bactérias vivendo ali.

Elas se alimentam do óleo expelido pelas suas glândulas sudoríparas. O suor em si não tem odor, mas sim os compostos sulfurosos produzidos por bactérias como Staphylococcus.

Por isso, tomar banho antes de dormir pode parecer a opção mais higiênica. Mas, como sempre acontece, a verdade é mais complicada do que isso.

"Se você tomar banho à noite, irá para a cama limpo, mas ainda irá suar enquanto dorme", afirma a microbióloga Primrose Freestone, da Universidade de Leicester, no Reino Unido.

Segundo ela, mesmo no tempo frio, as pessoas liberam até cerca de 285 ml de suor na cama, além de pelo menos 50 mil células da pele — um verdadeiro bufê livre para os ácaros.

"Você ainda irá criar uma espécie de microambiente repleto de suor, do qual as bactérias da sua pele irão se alimentar e produzir odor corporal em menor nível", explica Freestone. "Por isso, quando você acordar de manhã, mesmo depois de tomar banho à noite, ainda estará com algum cheiro."

Os benefícios do banho noturno também se aplicam apenas se você lavar sua roupa de cama regularmente.

As bactérias podem sobreviver por semanas nos cobertores, lençóis e travesseiros. Os ácaros e fungos também podem se acumular ao longo do tempo, especialmente em áreas úmidas, como o travesseiro.

Pessoas com sistema imunológico em pleno funcionamento podem enfrentar este ataque de micróbios, mas até 76% das pessoas com asma em alta gravidade são alérgicas a pelo menos uma espécie de fungo.

A exposição a A. fumigatus pode causar doença pulmonar crônica em pessoas que sofrem de tuberculose ou doenças pulmonares relativas ao cigarro.

"Provavelmente, é mais importante limpar a roupa de cama do que tomar banho à noite", afirma a professora de cura de feridas e microbioma Holly Wilkinson, da Universidade de Hull, no Reino Unido.

"Porque, se você for para a cama depois de tomar banho, mas deixar as mesmas roupas de cama por um mês, elas irão acumular bactérias, poeira e ácaros."

Este é um problema, pois a exposição às excreções dos ácaros a longo prazo aumenta seu risco de sofrer alergias.

Se você já for sensível a alérgenos como o pólen, não lavar suas roupas de cama provavelmente também irá agravar os seus sintomas.

Também é possível que ir regularmente para a cama com os lençóis sujos aumente o risco de infecções da pele, mas as evidências são inconclusivas a este respeito.

Benefícios do sono

Alguns proponentes do banho noturno defendem que ele ajuda as pessoas a dormir melhor. E existem evidências que apoiam esta afirmação.

Uma meta-análise comparando os resultados de 13 estudos concluiu, por exemplo, que um banho quente de 10 minutos, de chuveiro ou banheira, uma ou duas horas antes de dormir reduziu significativamente o tempo que as pessoas levaram para adormecer.

É possível que elevar a temperatura corporal e resfriar o corpo em seguida atue como sinal circadiano, dizendo para o nosso corpo que se prepare para dormir. Mas é preciso ter mais pesquisas para confirmar esta hipótese.

Mas no que isso nos ajuda a responder à questão do banho de manhã ou à noite?

Freestone prefere o banho de manhã, que retira grande parte do suor e dos micróbios adquiridos na cama durante a noite, permitindo que as pessoas comecem o dia mais limpas e renovadas.

Mas é provável que sua decisão faça muito pouca diferença em relação à saúde. É mais uma questão de se você prefere ficar limpo e renovado durante o dia ou à noite.

"Se você tomar banho uma vez por dia, o horário provavelmente não faz diferença", afirma Wilkinson.

Na verdade, se você lavar diariamente as regiões principais do corpo, o banho duas vezes por semana provavelmente é suficiente para manter a saúde e a higiene.

"Realmente depende do tipo de trabalho que você faz", explica Wilkinson.

"Se você for agricultor, por exemplo, você provavelmente irá querer se lavar quando chegar em casa no final do dia. Mas acho que manter a cama limpa, provavelmente, é mais importante."

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Innovation.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c740jm4kdlwo

XXXIII Domingo do Tempo Comum (C)

Evangelho do domingo (Vatican News)

Estamos no final do Ano Litúrgico. No próximo domingo celebraremos Cristo Rei do Universo. Tivemos mais um ano para crescer no conhecimento do amor de Deus, no aumento da fé, da esperança e da caridade.

Vatican News

“Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol de justiça, trazendo salvação em suas asas.”

Esta frase de Malaquias nos garante a vitória final em que, apesar de vermos o triunfo do mal, o bem será o triunfador.

Mas para que a justiça triunfe ainda neste mundo, será necessário que trabalhemos com fé, esperando uma sociedade nascida do trabalho daqueles que atuam em seu favor e da liberdade. Cada gesto, por menor que seja, mas que demonstre resistência ao mal e adesão ao bem das pessoas, é uma pequena vitória dos justos.

No Evangelho, temos uma página de estilo apocalíptico, isto é, uma linguagem aparentemente incompreensível, mas que fortifica a esperança na ação de Deus.

É-nos proposta uma resistência inteligente que desmonta os sistemas que geram opressão e morte. Jesus fala da destruição do Templo de Jerusalém.

O Templo representa a antiga aliança e como tudo que é antigo, também ele sofrerá destruição, não ficará pedra sobre pedra, mas os amados de Deus ficarão incólumes e nem um fio de cabelo de sua cabeça se perderá. O antigo será destruído, se perderá porque o novo será o eterno, mesmo que se desenvolva de modo discreto, simples, ele permanecerá.

Também nós enfrentamos dificuldades em nossa vida, em nosso dia a dia e ficamos muito tristes e preocupados porque perdemos coisas que foram duramente conquistadas e parecem desaparecer para sempre.

Nesse momento surge Jesus, a fé na vida, e nos diz que é necessário permanecer firmes, que será desse modo que ganharemos a vida.

Estamos no final do Ano Litúrgico. No próximo domingo celebraremos Cristo Rei do Universo. Tivemos mais um ano para crescer no conhecimento do amor de Deus, no aumento da fé, da esperança e da caridade.

Neste momento poderemos fazer uma avaliação de como nos portamos face à Misericórdia de Deus, que nos deu mais um ano para crescermos na fé.

Deixamo-nos impressionar pelos eventos apocalípticos de em nossa vida? Ficamos assustados com as atitudes desconcertantes de algumas pessoas? Somos dependentes da aprovação das pessoas?

O Senhor nos manda permanecermos firmes, isto é, firmes na fé em suas palavras de esperança e de fé na vida!

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Um missionário entre dois mundos

web | Um missionário entre dois mundos (Aleteia)

pteixera - publicado em 10/08/25

Padre Mario Lanciotti soube compreender a visão dos povos da Amazônia.

Nascido em 1901, em Ascoli na Itália, Padre Mario Lanciotti se tornou missionário Xaveriano. A missão animava sua juventude e passou 17 anos na China, atravessando estepes com sua bicicleta e anunciando o Evangelho para os novos filhos da Igreja. Depois retornou à sua terra natal para colaborar na formação de novos missionários. 

O destino seguinte foi o Japão. Mas lá não conseguiu se integrar com a cultura e a língua, mesmo depois de quatro anos de insistência. Assim, a vida missionária o lançou em um distante, improvável e imenso desafio. Aos 56 anos chegou na Amazônia. Em seus cadernos, deixou esta preciosa anotação: 

“Deixei a China chorando, escolhi o Japão com entusiasmo, aceitei o homem da Amazônia com o coração que transbordava de alegria, porque pude sempre viver a minha vocação missionária. Procurei sempre ver a mão de Deus que dirigia a minha vida e a minha atividade. Também procurei entender sempre melhor o povo que Deus me confiou, amando-o e aceitando-o, segundo a sua natureza... Agora estou velho e desejo somente poder continuar a viver a minha vida missionária, como vivi até hoje, para ser ainda um instrumento nas mãos de Deus, em benefício do próximo”. 

Escuta do missionário

Padre Mario já escrevia crônicas relatando sua ação missionária na China. Mais do que histórias, seus textos se tornaram uma referência para conhecer os métodos missionários e a espiritualidade que animava o serviço. 

Tem destaque ao que hoje se chama de escuta ativa e estava muito presente na missão de Padre Mario. Ele ouvia as histórias dos nativos e dos ribeirinhos com o intuito de compreender o pensamento deles. Procurava descobrir as referências que as pessoas tinham e saber como elas pensavam para, assim, poder anunciar o Evangelho de uma forma compreensível. Mais do que contar a história de Jesus, Padre Mario buscava evangelizar as histórias que ouvia e apresentar o pensamento de Jesus para as pessoas.  

Missionário idoso

Depois de percorrer longas distâncias no Pará e no Amazonas, organizando comunidades e pregando, Padre Mario se dirigiu para um último desafio. Aos 72 anos foi para o sul do Pará, na região do Xingu, porque não havia padres no local. Mesmo idoso, ofereceu sua contribuição.

“Minha saúde declina. Sinto uma fraqueza nunca experimentada. A vista diminui sempre mais. Quanto tempo poderei ainda resistir? Seja feita a vontade de Deus! Sinto-me feliz e agradecido por estar perto dos meus 52 anos de Sacerdócio missionário. Deus foi muito bom comigo, especialmente nestes últimos sete anos que passei no Xingu. Quero sempre corresponder à graça de Deus...” 

Faleceu em 23 de janeiro de 1983. Os últimos dias de sua vida se deram em Belém, em um asilo com idosos pobres, vivendo realizado pela plenitude que abrangeu os dias de sua vida missionária.  

Fonte: https://pt.aleteia.org/2025/08/10/um-missionario-entre-dois-mundos/

"Quanto mais a hora é escura, mais a fé brilha": o Angelus de Leão XIV

Angelus, 16/11/2025 - Papa Leão XIV (Vatican Media)

Com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Papa comentou o Evangelho dominical e denunciou a perseguição aos cristãos, que "não acontece apenas com armas e maus-tratos, mas também com as palavras, ou seja, através da mentira e da manipulação ideológica". Quando oprimidos, afirmou, "somos chamados a dar testemunho da verdade que salva o mundo".

https://youtu.be/zRkDH24UerA

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Após celebrar a Missa por ocasião do Jubileu dos Pobres, o Papa Leão rezou o Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em sua alocução, comentou o Evangelho deste 33º Domingo do Tempo Comum (Lc 21, 5-19), que nos  faz refletir sobre as tribulações da história e o fim das coisas. Antes de mais nada, Jesus convida a não nos deixarmos vencer pelo medo com estas palavras: "Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis".

"O seu apelo é muito atual", comentou o Pontífice. Infelizmente, recebemos diariamente notícias de conflitos, calamidades e perseguições que atormentam milhões de homens e mulheres. Tanto diante dessas aflições quanto diante da indiferença que quer ignorá-las, as palavras de Jesus anunciam que a agressão do mal não pode destruir a esperança daqueles que confiam Nele. 

“Quanto mais a hora é escura como a noite, mais a fé brilha como o sol.”

A perseguição aos cristãos também é ideológica

Cristo afirma duas vezes que "por causa do seu nome" muitos sofrerão violência e traição, mas precisamente nesse momento terão a ocasião de dar testemunho. Com efeito, acrescentou o Papa, a perseguição aos cristãos não acontece apenas com armas e maus-tratos, mas também com as palavras, através da mentira e da manipulação ideológica. Oprimidos por esses males físicos e morais, "somos chamados a dar testemunho da verdade que salva o mundo, da justiça que liberta os povos da opressão, da esperança que indica a todos o caminho da paz".

As palavras de Jesus atestam que os desastres e as dores da história têm um fim, que devemos ter força para resistir a todas as ofensas, enquanto a alegria daqueles que reconhecem Nele o Salvador está destinada a durar para sempre. 

Leão XIV concluiu que são principalmente os mártires que nos lembram que a graça de Deus é capaz de transfigurar até mesmo a violência em sinal de redenção. "Por isso, unindo-nos aos nossos irmãos e irmãs que sofrem pelo nome de Jesus, procuremos com confiança a intercessão de Maria, auxílio dos cristãos. Em todas as provações e dificuldades, que a Virgem Santa nos console e sustente", foi a oração final do Papa.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sábado, 15 de novembro de 2025

COP30: Representantes da Igreja Católica mostram unidade em torno do cuidado com a Casa Comum

Fotos: Letícia Florêncio – Movimento Laudato Si’

COP30: Representantes da Igreja Católica de quatro continentes mostram unidade em torno do cuidado com a Casa Comum

12/11/2025

A Igreja promoveu na tarde do dia 12 de novembro, o “Simpósio Internacional – Igreja Católica na COP30” com o objetivo de refletir e dialogar sobre os caminhos da ecologia integral, a justiça climática e a conversão ecológica. O evento foi  realizado durante a Conferência das Partes sobre as Mudanças Climáticas sediada na Amazônia Brasileira, a COP30. O assessor de comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues, coordenou as falas.

O objetivo da Articulação Brasileira para a COP30, ao realizar o Simpósio, foi apresentar as perspectivas da Igreja Católica e de seus interlocutores destacando seu compromisso com a justiça climática e a ecologia integral.

Um vídeo, no início do Seminário, recuperou o processo de preparação da Igreja Católica para a sua participação na COP30, entre elas as pré0-cops realizadas em todas as cinco macrorregiões brasileiras e a o documento entregue ao Papa Leão XIV com as propostas da Igreja do Sul Global (Ásia, América Latina e Oceania) para o clima.

Fotos: Letícia Florêncio – Movimento Laudato Si’

“Crise climática é também uma crise espiritual e moral. Cuidar da criação é parte indissociável do seguimento a Jesus Cristo. No coração do mundo, permanece o Senhor da vida”, reforça um trecho do vídeo.

Bênção de Nossa Senhora de Nazaré

Dom Júlio Akamini | Vatican News

O seminário iniciou com a bênção de Nossa Senhora de Nazaré, introduzida pelo arcebispo de Belém (PA), dom Júlio Akamini. Que também foi o primeiro a saudar os participantes como anfitrião do encontro na mesa de abertura do evento.

Dom Júlio acolheu os participantes no bioma amazônico e na arquidiocese de Belém, casa do Círio de Nazaré. “Nós os acolhemos com muita alegria”, disse.

O Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro, faz sua acolhida lembrando do “saudoso do Papa Francisco e seu providencial magistério”. Francisco nos lembrou insistentemente que a mudança climática não pode ser entendida apenas como uma questão técnica ou econômica, mas como uma abordagem ecológica e social que deve integrar a justiça para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres.

“Toda injustiça contra a terra é também uma injustiça cometida contra o ser humano. Toda ferida infringida à terá torna-se uma ferida do coração humano”, afirmou.

Dom Giambatistta reforçou o apelo da Exortação Apostólica Laudate Deum que faz um severo aviso: “o mundo em que vivemos está se desmoronando e talvez esteja em se aproximando de um ponto de ruptura”.

Humanidade reconciliada com Deus

 

Fotos: Letícia Florêncio – Movimento Laudato Si’

“A conversão ecológica, segundo nos ensinou o Papa,  não consiste em simplesmente mudar os comportamentos externos, mas renovar o olhar interior e reencontrar em Deus, princípio e sentido da existência. O ser humano não é chamado a explorar a terra, mas para  preservá-la como um administrador sábio dos dons recebidos”, afirmou.

Em referência à Querida Amazônia, o núncio expressou a síntese da Doutrina Social da Igreja: “A justiça em relação à terra e ao ser humano é uma única obra de amor. Quando a Igreja vive essa vocação de cuidado do terra, dos pobres e das gerações futuras torna-se sinal de uma humanidade reconciliada com Deus e com a criação”, reforçou

O arcebispo de Porto Alegre (RS), presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), dom Jaime Spengler, afirmou que as soluções para a crise ambiental não pode ser reduzida à ajustes técnicos e financeiros. “Se faz necessário integrar as cosmovisões e práticas dos povos indígenas e ribeirinhos”, disse.

“Habitamos o planeta e precisamos de uma conversão sobre o nosso modo de relação com a terra com cuidado e promoção do meio ambiente e da vida. Precisamos colocar o cuidado da vida no centro de nossas decisões. Não podemos fazer média com a cultura da morte, somos chamados a ser sementes de Esperança num mundo novo baseados na ética e fé”, disse.

Transição energética e cuidado dos pobres

O presidente das conferências episcopais da Ásia, o arcebispo de Goa e Damão, cardeal Felipi Neri, falou do documento apresentado ao Papa Leão XIV: “Documento que estabelece um marco ético e espiritual para a crise climática. As conferências episcopais da Ásia denunciam esse modelo de extrativismo do Norte Global, o capitalismo verde e a lógica de mercado de carbono que deixa a todos vulneráveis”, afirmou.

O bispo chamou a atenção para o fato de a Ásia ser uma das regiões mais afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas, como as inundações que afetaram países como Bangladesh provocando migrações em massa. “A Ásia é uma das maiores emissoras de carbono e precisa de um processo de transição energética que leve em conta as comunidades locais e os pobres”, afirmou.

O ser humano no centro de uma nova economia

O presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (Secam), o cardeal Fridolin Ambongo, de Quinxassa, da República Democrática do Congo, falou sobre o processo de empobrecimento, exploração, roubo e saque pelo qual passou o continente Africano.

As nações mais ricas que precisam de minerais e petróleos, segundo ele, agem com urubus nas riquezas da África. “Por causa dos minerais, tem mais de 50 conflitos em nosso continente”, disse. 

Segundo ele, o  processo de espoliação do continente vem resultando em desertificação no continente e também em inundações. O cardeal também falou do documento entregue ao Papa que afirma que o ser humano deve ser o centro de uma nova economia. O documento, com dez propostas para um novo desenvolvimento baseado na Ecologia Integral, foi entregue ao Papa Leão XIV está sendo apresentado na COP30.

Ilhas submergidas no Pacífico

O representante das conferências episcopais da região do pacífico, Ryan Rimenes, presidente da Conferência Episcopal do Pacífico, reforçou que várias catástrofes estão afetando as populações da Oceania.

“As ilhas, em nossa região, correm o risco de serem submergidas ainda em nosso tempo. Ele disse que a mineração no fundo do mar também está adicionando outra camada de destruição. Nossas comunidades já sentem os impactos das mudanças climáticas. Tufões e aquecimento do mar são duas ameaças reais também”, afirmou.

O cardeal disse que a Igreja na região na região do Pacífico trabalha para encontrar soluções concretas para os problemas tendo a encíclica Laudato Si’ como referência. Ele fez referência ao documento elaborado pelas conferências do Sul Global. “Nós bispos da região do pacífico nos comprometemos a cuidar da nossa de nossa Casa Comum e das Ilhas que são o nosso lar”, disse.

Igreja na Europa e a conversão ecológica

O  cardeal sérvio Ladislav Nemet, vice-presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), afirmou que estão trabalhando para a transformação e conversão ecológica na Europa, continente onde se situam 39 conferências episcopais. “Estamos com uma guerra na Europa (Rússia-Ucrânia) que vem provocando aumento do custo de energia na Europa. Temos muitos problemas também e é necessário encontrar soluções junto ao Sul Global”, disse.

Diálogos pela Ecologia Integral

Fotos: Letícia Florêncio – Movimento Laudato Si’

Na sequência à mesa de abertura, foi realizado o painel “Diálogos pela Ecologia Integral”, mediado pelo presidente da Comissão Especial para a Mineração e a Ecologia Integral, dom Vicente de Paula Ferreira.

Participaram da mesa, a bispa da Igreja Anglicana do Brasil, Marinez Rosa dos Santos Bassotto, que abordou o tema da “Ecoespiritualidade e missão profética da Igreja na Amazônia”, o arcebispo de Manaus (AM), o cardeal Leonardo Steiner, que aprofundou o tema “Caminhos da Ecologia Integral para a Conversão Ecológica”, o representante da APIB, Kleber Karipuna, que falou sobre “a presença dos povos originários da Amazônia brasileira com suas lutas e perspectivas” , a professora e ecóloga, Ima Vieira, apresentou o diagnóstico científico (evidências e soluções práticas) sobre as mudanças climáticas.

Veja a íntegra das falas no Simpósio Internacional - Igreja Católica na COP30

https://youtu.be/xUPIBADrQgg

Exposições temáticas e caminhada do Mártires

Além disso, durante todo o período da manhã, o Colégio Santa Catarina de Sena foi aberto à comunidade com exposições temáticas, sendo um espaço dedicado à partilha dos frutos do caminho percorrido pela Articulação Igreja Rumo à COP 30 e pelas iniciativas locais da arquidiocese de Belém.

Após o simpósio, às 19h, foi realizada a Caminhada pelos Mártires da Casa Comum, com concentração na Praça Santuário de Nazaré. O percurso se encerrou na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, com a celebração eucarística presidida pelo arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

IGREJA: Um Decálogo para a Paz

João Paulo II | 30Giorni.

IGREJA

Arquivo 30Dias nº 02 - 2002

Um Decálogo para a Paz

Um mês após o Dia Mundial da Paz em Assis, João Paulo II publicou uma carta aos chefes de Estado e de governo, divulgando o compromisso de dez pontos assumido por todos os participantes do Dia de Oração em 24 de janeiro.

por João Paulo II

A Suas Excelências,
os Chefes de Estado ou de Governo.

Há um mês, realizou-se em Assis o Dia de Oração pela Paz Mundial. Hoje, meus pensamentos voltam-se espontaneamente para os líderes da vida social e política dos países ali representados pelos líderes religiosos de numerosas nações.

As intervenções inspiradas desses homens e mulheres, representantes das diversas confissões religiosas, bem como seu sincero desejo de trabalhar pela harmonia, pela busca comum do verdadeiro progresso e pela paz em toda a família humana, encontraram sua expressão elevada, porém concreta, em um "Decálogo" proclamado ao final deste dia excepcional.

Tenho a honra de apresentar o texto deste compromisso comum a Vossa Excelência, convicto de que estas dez propostas inspirarão a ação política e social de seu governo.

Pude constatar que os participantes do encontro de Assis estavam, mais do que nunca, movidos por uma convicção comum: a humanidade deve escolher entre o amor e o ódio. E todos, sentindo-se membros da mesma família humana, puderam traduzir essa aspiração por meio deste Decálogo, convictos de que, se o ódio destrói, o amor, ao contrário, constrói.

Espero que o espírito e o compromisso de Assis levem todas as pessoas de boa vontade a buscar a verdade, a justiça, a liberdade e o amor, para que todo ser humano possa desfrutar de seus direitos inalienáveis ​​e todo povo possa desfrutar da paz. Por sua vez, a Igreja Católica, que deposita sua confiança e esperança no "Deus de amor e paz" (2 Cor 13,11), continuará a trabalhar para que o diálogo honesto, o perdão mútuo e a harmonia mútua marquem o caminho da humanidade neste terceiro milênio.

Grato a Vossa Excelência pelo interesse em minha mensagem, aproveito esta oportunidade para assegurar-lhe minha mais alta consideração.

Do Vaticano, 24 de fevereiro de 2002.

JOÃO PAULO II

1 Prometemos proclamar nossa firme convicção de que a violência e o terrorismo se opõem ao verdadeiro espírito religioso e, condenando qualquer recurso à violência e à guerra em nome de Deus ou da religião, prometemos fazer todo o possível para erradicar as causas do terrorismo.

2. Comprometemo-nos a educar as pessoas no respeito e na estima mútuos, para que a coexistência pacífica e a solidariedade possam ser alcançadas entre membros de diferentes grupos étnicos, culturas e religiões.

3. Comprometemo-nos a promover a cultura do diálogo, para que a compreensão e a confiança mútuas se desenvolvam entre indivíduos e povos, pois essas são as condições para uma paz autêntica.

4. Comprometemo-nos a defender o direito de cada pessoa humana a uma vida digna, de acordo com a sua identidade cultural, e a constituir livremente a sua própria família.

5. Comprometemo-nos a dialogar com sinceridade e paciência, não considerando o que nos separa como um muro intransponível, mas, pelo contrário, reconhecendo que o confronto com a diversidade do outro pode tornar-se uma oportunidade para uma maior compreensão mútua.
6. Comprometemo-nos a perdoar-nos mutuamente os erros e preconceitos do passado e do presente, e a apoiarmo-nos uns aos outros no esforço comum para superar o egoísmo e o abuso, o ódio e a violência, e a aprender com o passado que a paz sem justiça não é a verdadeira paz.

7. Comprometemo-nos a estar ao lado daqueles que sofrem com a pobreza e o abandono, a dar voz aos que não a têm e a trabalhar concretamente para superar tais situações, convictos de que ninguém pode ser feliz sozinho.

8. Comprometemo-nos a fazer nosso o clamor daqueles que se recusam a resignar-se à violência e ao mal, e desejamos contribuir com todas as nossas forças para dar à humanidade, no nosso tempo, uma esperança real de justiça e paz.

9. Comprometemo-nos a incentivar qualquer iniciativa que promova a amizade entre os povos, convictos de que, sem uma sólida compreensão entre eles, o progresso tecnológico expõe o mundo a riscos crescentes de destruição e morte.

10. Comprometemo-nos a solicitar aos líderes nacionais que envidem todos os esforços possíveis para construir e consolidar, a nível nacional e internacional, um mundo de solidariedade e paz fundado na justiça.

Fonte: https://www.30giorni.it/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF