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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Os Batismos na Capela Sistina, o rito onde o "sermão" é das crianças

Na Festa do Batismo do Senhor, Papa Francisco batiza na Capela Sistina 
algumas crianças 

No domingo 9 de janeiro, por ocasião da Festa do Batismo do Senhor, o Papa preside à celebração da Missa com o Batismo de 16 recém-nascidos.

Amedeo Lomonaco – Vatican News

Na Capela Sistina, as pinturas, como imagens de um livro, tornam as verdades expressas nas Sagradas Escrituras mais compreensíveis. Neste local, inaugurado pelo Papa Júlio II em 1512, realiza-se o Conclave e o Papa é eleito. Neste extraordinário cenário renascentista, mais de cinco milhões de pessoas admiram todos os anos - com exceção deste período pandêmico - obras-primas artísticas que se baseiam na Bíblia. Em particular, os nove painéis centrais retratam histórias do livro do Gênesis, incluindo o Dilúvio e o subsequente renascimento da humanidade com a família de Noé. Esta cena está provavelmente interligada com a primeira carta de Pedro, onde a água do Batismo é vista como um sinal profético da água do Batismo, da qual emerge uma nova humanidade.

Neste cenário extraordinário, sob a abóboda da Capela Sistina, onde o olhar é capturado pelo afresco do Juízo Final de Michelangelo, neste ano serão batizadas 16 crianças, filhos de funcionários do Vaticano ou da Santa Sé. No ano passado, o Pontífice não batizou nenhuma criança por causa da pandemia. O costume de batizar filhos de funcionários da Santa Sé foi instituído por S. João Paulo II em 11 de janeiro de 1981 com uma missa presidida na Capela Paulina do Palácio Apostólico. Em 1983, o Papa Wojtyła presidiu pela primeira vez à Missa com o rito do batismo a algumas crianças dentro da Capela Sistina.

Batismo Capela Sistina | Vatican News

Desenvolvimento da celebração

A Santa Missa com o rito do batismo tem início no domingo, 9 de janeiro, com a procissão em direção ao altar. Após a saudação inicial, começa o diálogo com os pais, padrinhos e madrinhas. Depois tem início o rito do "Sinal da Cruz na testa das crianças" e, após a introdução do Santo Padre, a música com o órgão. Os pais com os seus filhos aproximam-se do Papa que, de pé com a sua mitra, marca cada criança com o Sinal da Cruz. O gesto do Papa é seguido, com o mesmo gesto, por parte dos dois pais, primeiro a mãe e depois o pai. As leituras são então proclamadas por alguns dos fiéis e uma vez terminada a homilia, a Capela Sistina é o cenário para a oração dos fiéis.

O rito do Batismo

Após a invocação dos Santos, começa a "oração de exorcismo e unção pré-batismal". Soa o órgão até o Papa chegar perto da pia batismal. Entretanto, os dois bispos concelebrantes aproximam-se das crianças para as ungir com óleo. Após a "Renúncia a Satanás" e a "Profissão de Fé", o Pontífice remove o báculo, enquanto os pais, juntamente com as crianças, se aproximam da fonte para o Batismo. O som do órgão acompanha o rito do Batismo com o qual são colocados os fundamentos de novas vidas cristãs.

Batismo Capela Sistina | Vatican News

Ungir com o Crisma

Depois do Batismo, os dois bispos concelebrantes, juntamente com os dois diáconos, ungem as crianças com o Crisma. O Santo Padre introduz então o rito de "Entrega da veste branca e da vela acesa". Os pais das crianças batizadas são então acompanhados até o círio Pascal para acender a vela. O órgão soa até que a última vela seja acesa. Após o "Rito da Éfeta", a Santa Missa continua "como habitual". Durante a "Agnus Dei", os sacerdotes que distribuem a Sagrada Comunhão tiram as patenas do altar e são acompanhados pelo mestre de cerimônias para os lugares indicados.

Deixem as crianças chorar

Na Capela Sistina, por ocasião dos Batismos, as obras excepcionais aí conservadas envolvem o extraordinário dom da vida. Em 12 de janeiro de 2020, na Festa do Batismo do Senhor, o Papa Francisco disse aos pais para "deixarem as crianças chorar e gritar".

Não se assustem, deixem os bebês chorar e gritar. Mas, se o seu bebê chorar e gritar, talvez seja porque está muito quente: tire alguma coisa; ou porque tem fome: alimente-o, aqui, sim, sempre em paz. Uma coisa que também disse no ano passado: elas têm uma dimensão "coral": basta que uma dê o "Lá" e todas começam, e o concerto tem lugar. Não se assustem. É um belo sermão quando uma criança chora na igreja. Faça que se sinta bem e siga em frente.

Este choro provavelmente será repetido neste domingo. Como os primeiros vagidos, acompanhará os primeiros momentos de uma nova vida e ecoará entre os tesouros da Capela Sistina.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF