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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Sei que te alegrou muito, Jesus. As coisas pequenas (Parte 2/2)

Cuidar das coisas pequenas (Opus Dei)

Sei que te alegrou muito, Jesus. As coisas pequenas

São Josemaria nos ensinou a cuidar das coisas pequenas porque compreendia a capacidade do homem de agradar a Deus com pequenos e quase minúsculos detalhes realizados por amor.

Os “detalhes caseiros do herói”

Olhar para a imensidão do amor de Deus, que nos ama com loucura, pode ajudar-nos a compreender o valor que as pequenas coisas têm para Deus, precisamente porque são nossas. Temos consciência de que nunca pagaremos a dívida, mas entusiasma-nos sonhar em contribuir para sustentar as despesas familiares. É o seu amor que transforma as nossas quinquilharias em joias preciosas. Tudo serve para tornar feliz a Deus: bastam, como nos diz o Evangelho, duas moedas que formam a quarta parte do ás, mas que Deus considera aptas para a sua infinita capacidade de amar e ser amado. Estas coisas pequenas libertam a alma porque a ajudam a deixar-se amar a troco de nada. Vividas assim, não sufocam. Pelo contrário, não é possível estar atento a com perseverança se forem fruto do anseio de controlar, de pagar a dívida. Trata-se, na verdade, de detalhes espontâneos e simples de quem se sabe olhado com carinho por um Deus todo-poderoso e eterno, mas, ao mesmo tempo, um Deus muito caseiro.

Muitos de nós não teremos a categoria dos grandes santos ou dos mártires, teremos, porém, a sorte de que nossos atos cativem a Deus. Nunca pensaremos que fazemos algo que mereça o seu carinho e é precisamente isso que abre plenamente o nosso coração à sua graça. Ele se deleita com a nossa luta gratuita, livre e alegre. Como não percebemos a altura, não temos vertigem e atuamos com uma naturalidade e uma fé encantadoras para ele: “Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito; vem regozijar-te com teu senhor” (Mt 25, 23).

Penetrar, com esta perspectiva, no universo das coisas pequenas permite-nos evitar duas caricaturas que não são dignas do humor e do amor com que Deus nos olha. Aparentemente distantes um do outro, os dois desvios têm algo decisivo em comum: colocam o foco em nós, no que fazemos. Por um lado, podemos descobrir depois de anos de luta que o cuidado das coisas pequenas nos proporciona certa segurança e corremos o risco de buscar nelas a tranquilidade de quem se limita a cumprir. Sem perceber, talvez, transformaram-se em atos rígidos que servem de analgésico para a nossa insegurança. Nós as vivemos externamente, mas não desfrutamos delas. Por outro lado, pode acontecer também que representem para nós um peso insuportável, uma carga que oprime e desfoca o rosto amável de Cristo porque tornam a luta aflitiva para nós.

OLHAR PARA A IMENSIDÃO DO AMOR DE DEUS, QUE NOS AMA COM LOUCURA, PODE AJUDAR-NOS A COMPREENDER O VALOR QUE AS PEQUENAS COISAS TÊM PARA DEUS

De qualquer forma, a solução não está em não lhes dar atenção. Trata-se antes de observar como é a nossa luta diante de Deus, e não os resultados que tenhamos obtido. É questão de voltar a ater-nos a ele. Essa luta pode ser muitas vezes escondida, ínfima e sem fruto, mas é parte do “eterno diálogo entre a criança inocente e o pai, doido por seu filho: – Quanto me queres?... Fala! – E o garotinho diz, marcando as sílabas: – Mui-tos mi-lhões!”[10].

São Josemaria escreve sobre isso em uma carta: “Que tolices te conto! É verdade: mas tudo em que intervimos os pobrezinhos dos homens – até a santidade – é um tecido de pequenas miudezas que, corretamente retificadas, podem formar uma tapeçaria esplêndida de heroísmo ou de baixeza, de virtudes ou de pecados. As gestas – o nosso Mio Cid – relatam sempre aventuras gigantescas, mas misturadas com detalhes caseiros do herói. – Oxalá dês sempre muita importância – é a linha reta! – às coisas pequenas. E eu também; e eu também [...]”[11].

A graça nos torna ágeis

Enlouquecer a Deus é possível em Cristo. Os nossos pequenos esforços – as nossas moedinhas – unidos a Cristo, transformados em sua própria oferenda, convertem-se em um “sacrifício puro, imaculado e santo” (Oração Eucarística I); constituem um dom agradável a Deus Pai, como diz o sacerdote em voz baixa uma vez apresentadas as oferendas na Santa Missa. A expressão latina é muito significativa: “Ut placeat tibi” para que te compraza. Produzem esse efeito porque a Eucaristia “nos faz penetrar no ato oblativo de Jesus”[12].

Os santos encontraram um trampolim para estar à altura; descobriram que inclusive os nossos defeitos ajudam-nos a amar mais a nosso Senhor se, arrependidos, os colocarmos em suas mãos: “Repito-lhe que o amo, e depois encho-me de vergonha, porque, como posso assegurar que lhe quero bem, se tantas vezes eu o ofendi? A reação então não é pensar que minto, porque não é verdade. Continuo a minha oração: Senhor, quero desagravar-te pelo que te ofendi e pelo que te ofenderam todas as almas. Repararei com a única coisa que posso oferecer-te: os méritos infinitos do teu Nascimento, da tua Vida, da tua Paixão, da tua Morte e da tua Ressurreição gloriosa; os da tua Mãe e os de São José; as virtudes dos Santos e as fraquezas de meus filhos e as minhas, que reverberam de luz celestial – como joias – quando detestamos com todas as forças de nossa alma o pecado mortal e o pecado venial deliberado[13]. A alma que se deixa amar, apropria-se dos méritos de Cristo e se sente capaz de alcançar cumes, que, para as suas forças, seriam inatingíveis. Tanta audácia – impulsionada pela graça de Deus – pode ser inclusive paradoxal, divertida, faz-nos rir. E este bom humor estimula a nossa melhor resposta a esse amor que nos é presenteado.

“SENHOR, QUERO DESAGRAVAR-TE PELO QUE TE OFENDI E PELO QUE TE OFENDERAM TODAS AS ALMAS” (SÃO JOSEMARIA)

Neste sentido, Bento XVI confiava numa entrevista uma intuição muito pessoal sobre como é Deus: “Pessoalmente creio que Ele tem um grande senso de humor. Às vezes dá a uma pessoa um empurrão e diz: ‘Não te dês tanta importância!’. Na realidade, o humor é um componente da alegria da criação. Em muitas questões de nossa vida nota-se que Deus também nos quer impulsionar a ser um pouco mais leves; a perceber a alegria; a descer de nosso pedestal e a não esquecer o gosto pelo que é divertido”[14].

Deus quer que entremos em sua alegria (Mt 25, 23), que participemos da sua alegria íntima, do seu gozo infinito que nada pode destruir. Para isso nos criou[15].

Possivelmente, a boa mulher do evangelho não perdeu muito tempo pensando se sua oferenda é maior ou menor do que a dos outros que iam ao gazofilácio. Teve a intuição de que Deus não se importava muito com a quantidade. Não foram necessários muitos cálculos e nem fez comparações. Pareceu-lhe simplesmente lógico dar tudo. Não fez drama da sua pobreza, embora talvez a sua condição não fosse das melhores. É assim que vivem e entendem os santos. São audazes e espirituosos, divertidos e engraçados: “Estou muito contente de ir logo ao céu. Mas quando penso naquelas palavras do Senhor: ‘Trago comigo meu salário, para pagar a cada um segundo suas obras’, digo a mim mesma que no meu caso Deus vai se ver em apuros: Eu não tenho obras! De modo que não poderá pagar-me ‘segundo minhas obras’ ...Pois bem, pagar-me-á ‘segundo as d’Ele’...”[16].

O profeta Sofonias narra o que Deus pensa e sente por seus filhos: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti como herói Salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e ele te renova seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito como em um dia de festa” (So 3, 16-18). O Papa contou que essas palavras o impactaram sempre: “Enche-me de vida reler este texto”[17]. São palavras que a Igreja aplica também à Mãe de Deus. A Virgem pode explicar-nos como chegar a esta convicção, já que ela nunca duvidou de que Gabriel dizia-lhe a verdade: “Achaste graça diante de Deus” (Lc 1,30); tornaste o teu Criador louco.

Diego Zalbidea


[10] São Josemaria, Caminho, n. 897.

[11] Carta de Josemaria Escrivá a Juan Jiménez Vargas, Burgos 27-III-1938. Citado em Pedro Rodríguez, Caminho. Edição Comentada, Quadrante, São Paulo, 2014, p. 826.

[12] Bento XVI, Encíclica Deus caritas est, n. 13.

[13] São Josemaria, En diálogo con el Señor, “La alegria de servir a Dios”, 25/12/1973, n. 4a.

[14] Bento XVI, Dios y el mundo , Círculo de Lectores, Barcelona, 2005, p. 13.

[15] Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n.1.

[16] Santa Terezinha do Menino Jesus, Carta 226.

[17] Francisco, Ex. ap. Evangelii Gaudium, n. 4.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br/article/sei-que-te-alegrou-jesus/

Catequese do Papa: viver a fraternidade não é impossível, atenção ao narcisismo

Audiência Geral, 12/11/2025 - Papa Leão XIV (Vatican News)

Na Audiência Geral desta quarta-feira (12/11), Leão XIV convidou os fiéis a redescobrir a fraternidade como vocação humana e dom divino: “um chamado a vencer o egoísmo e a reconstruir os laços que unem a humanidade”.

https://youtu.be/-6xjonp9_D0

Thulio Fonseca - Vatican News

Cultivar a fraternidade foi o cerne da reflexão do Papa Leão XIV durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 12 de novembro, realizada na Praça São Pedro, com a presença de milhares de fiéis e peregrinos. Logo no início da catequese, o Pontífice recordou que a fé pascal ilumina a vida cotidiana: “Acreditar na morte e ressurreição de Cristo e viver a espiritualidade da Páscoa incute esperança na vida e encoraja-nos a investir na bondade.”

Segundo Leão XIV, essa atitude torna possível viver de modo autêntico o amor, “um dos grandes desafios da humanidade contemporânea”. Em sua reflexão, o Santo Padre também recordou as palavras do Papa Francisco sobre a urgência de reconstruir os laços de fraternidade no mundo atual presentes na Encíclica Fratelli tutti.

Fraternidade: um dom profundamente humano

O Papa explicou que a fraternidade nasce da própria condição humana: “Somos capazes de nos relacionar e, se quisermos, sabemos construir laços autênticos entre nós.” Essas relações, observou o Pontífice, sustentam e enriquecem a vida desde o início. Mas advertiu contra o risco de viver fechados em si mesmos:

“Se nos isolarmos, corremos o risco de adoecer de solidão e até de desenvolver um narcisismo que nos leva a preocupar-nos com os outros apenas por interesse próprio.”

Um desafio em tempos de divisão

Leão XIV reconheceu que a fraternidade não é algo imediato nem garantido: “Muitos conflitos, guerras e tensões sociais parecem demonstrar o contrário”, afirmou. Contudo, “a fraternidade não é um sonho belo e impossível”, para vencer as sombras que a ameaçam, é preciso voltar às fontes e buscar “a luz e a força n’Aquele que é o único que nos liberta do veneno da inimizade”.

O Papa retomou o exemplo de São Francisco de Assis, que se dirigia a todos com a saudação omnes fratres, expressão de uma fraternidade sem fronteiras. “Era a forma inclusiva com a qual o Santo colocava todos os seres humanos no mesmo patamar, reconhecendo o seu destino comum de dignidade, diálogo, acolhimento e salvação.” Leão XIV recordou que esse “todos” expressa um traço essencial do cristianismo: a Boa Nova é universal, nunca exclusiva.

Papa Leão XIV durante a Audiência Geral   (@Vatican Media)

Cristo, fonte da verdadeira fraternidade

A fraternidade cristã, explicou o Papa, tem a sua raiz no mandamento novo de Jesus: “Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei (Jo 15,12).” Cristo, morto e ressuscitado, mostrou que o amor é capaz de transformar as relações humanas:

“A fraternidade concedida por Cristo liberta-nos da lógica negativa do egoísmo, da divisão e da prepotência, e reconduz-nos à nossa vocação original, em nome de um amor e de uma esperança que se renovam todos os dias.”

Papa Leão XIV durante a Audiência Geral   (@Vatican Media)

“Todos irmãos” no caminho da esperança

No final da catequese, o Papa Leão XIV convidou os fiéis a viver a fraternidade como testemunho da fé no Ressuscitado:

“Os irmãos e as irmãs apoiam-se mutuamente nas provações, não viram as costas aos necessitados, choram e alegram-se juntos. O Ressuscitado mostrou-nos o caminho a percorrer com Ele, para nos sentirmos e sermos todos irmãos”, concluiu o Pontífice.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

ARQUEOLOGIA: Carta das Areias

Escavações em Oxirrinco – Egito (Foto/Crédito: nationalgeographic)

ARQUEOLOGIA

Arquivo 30Dias nº 01 – 2002

DESCOBERTAS

Carta das Areias

Um papiro encontrado há anos no deserto egípcio pode vir a ser o documento cristão mais antigo fora do Novo Testamento. Trata-se de uma troca de cartas entre duas comunidades do primeiro século. Entrevista com Ilaria Ramelli.

por Giovanni Ricciardi

Em 1974, o estudioso Peter J. Parsons publicou pela primeira vez um papiro recuperado das areias do Egito, especificamente das escavações em Oxirrinco. Trata-se de uma carta, escrita em grego e datada entre o final do século I e o início do século II d.C. Este breve texto, do qual publicamos uma tradução, pode constituir um dos mais antigos testemunhos do cristianismo fora do Novo Testamento. Essa hipótese controversa e debatida está ressurgindo com renovado interesse entre os estudiosos de antiguidades cristãs. Discutimos o assunto com Ilaria Ramelli, especialista em cristianismo primitivo da Universidade Católica de Milão, que, em um artigo a ser publicado em breve na revista Aegyptus, baseado em uma hipótese muito recente da papirologista Orsolina Montevecchi, reitera a interpretação "cristã" do papiro.

O que a leva a crer que a carta possa ter sido escrita por um cristão?

ILARIA RAMELLI: Naturalmente, não podemos ter certeza matemática disso, pois não há declarações explícitas nesse sentido no texto. No entanto, a natureza cristã do texto é altamente provável.

Em que elementos se baseia esta hipótese?

RAMELLI: Em primeiro lugar, o que Montevecchi aponta parece-me fundamental: no início da carta, na saudação, a letra X do verbo chaírein está sublinhada, de acordo com o costume de nomina sacra que se difundia na época em que a carta foi composta. Significaria, portanto, o nome de Cristo ( Christós , com a inicial X). Sob esta perspectiva, um detalhe que os comentadores até agora não conseguiram explicar de forma convincente ficaria bem esclarecido: Amônio, no início, declara que está respondendo a uma carta recebida de Apolônio e marcada com a letra grega X. A forma usada em grego é o particípio do verbo chiázein , que significa propriamente “desenhar um sinal da cruz em forma de X”. Este verbo era normalmente usado na linguagem da medicina e da filologia. Como termo médico, indicava a prática da gravura; como termo filológico, o sinal que era desenhado na margem de um texto para chamar a atenção para uma passagem específica, um pouco como o nosso asterisco. Seu particípio, kechiasménos , é frequentemente encontrado em papiros para indicar um contrato ou um recibo, cancelado com um ou mais sinais X. A aplicação deste termo a uma carta ( epistolè kechiasméne ) é, por sua vez, um caso único, tanto mais importante em vista da presença do X inicial sublinhado. Em suma, tanto a presente carta quanto aquela à qual Amônio se refere foram marcadas com o X, isto é, o sinal de Cristo, seu nomen sacrum.

Outros argumentos linguísticos surgem: algumas expressões usadas por Amônio têm paralelos apenas em textos cristãos. Além disso, é possível que por trás dos dois correspondentes existam dois grupos de convertidos, duas "comunidades" cristãs. De fato, é provável que o escritor esteja se dirigindo a uma comunidade, alternando frequentemente entre "você" e "você" ao longo da carta. Portanto, parece que ele se dirige a Apolônio como representante, ou pelo menos um membro importante, de uma comunidade.

Poderia ser, então, uma troca de cartas entre duas comunidades cristãs egípcias no final do primeiro século? 

RAMELLI: É possível. Parece significativo, por exemplo, que Amônio exorte seus destinatários a manterem a harmonia e o amor mútuo. Naturalmente, o fato de essa preocupação com a harmonia da comunidade cristã também aparecer nas cartas do Novo Testamento não é suficiente para concluir que nossos dois correspondentes eram cristãos. Em todo caso, o interessante aqui não é apenas a preocupação de Amônio com a harmonia, mas também as razões que ele apresenta para isso. Dirigindo-se diretamente à comunidade, Amônio os exorta a permanecerem unidos "para que não sejam alvo de fofocas maliciosas, e o mesmo não aconteça a vocês conosco.

A experiência me leva, de fato, a instar vocês a permanecerem em paz e a não darem a outros a oportunidade de atacá-los". Há, portanto, um clima hostil em torno da comunidade de Apolônio, exatamente como havia em torno da de Amônio, e quaisquer desentendimentos dentro da comunidade incentivariam essa hostilidade externa. Essa poderia muito bem ter sido a situação de duas comunidades cristãs entre os séculos I e II. 

Seria isso uma referência às perseguições? 

RAMELLI: Nesse período, o cristianismo era oficialmente superstitio illicita . Os cristãos eram sobrecarregados por terríveis e infundadas acusações de crimes ( flagitia ), como atesta o historiador romano Tácito em seus Anais . No final do primeiro século, houve a perseguição de Domiciano, seguida pela Paz de Nerva e, imediatamente depois, o rescrito de Trajano, que ditava as regras de conduta dos magistrados romanos em relação aos cristãos. 

Quais eram as instruções de Trajano?

RAMELLI: Trajano recomendou que os cristãos não fossem perseguidos ativamente, mas, se denunciados, deveriam ser julgados e, caso persistissem em professar sua fé, condenados à morte. Ora, essas denúncias partiam de indivíduos hostis: daí a necessidade de os cristãos passarem o mais despercebidos possível, para evitar gerar hostilidade e malevolência: exatamente o que Amônio recomendava com tanta ansiedade. E ele o fazia porque já havia vivenciado esses eventos desagradáveis ​​em sua própria comunidade ("e que isso não aconteça com vocês como aconteceu conosco... a experiência me leva a instar vocês a permanecerem em paz e não darem a outros a oportunidade de atacá-los").

Então, a carta também poderia ser uma evidência das perseguições anticristãs no Egito nos primeiros séculos?

RAMELLI: Amônio retorna insistentemente a essa situação de perigo e hostilidade, que evidentemente lhe causa grande sofrimento, no final da carta: "Minha alma, porém, se acalma", escreve ele, "quando seu nome está presente, embora eu não esteja acostumado a permanecer calmo, por causa do que está acontecendo." Esta é uma situação grave e contínua, que muito bem pode ser explicada pelos perigos que uma comunidade cristã enfrentava no final do primeiro século ou início do segundo.

A carta também oferece um vislumbre da vida cotidiana.

RAMELLI: Certamente. Além das observações já citadas, encontramos referências à vida comum e cotidiana dos dois interlocutores. Fala-se de chaves, capas de viagem, lã, "coisas sem importância", para usar uma expressão do próprio Amônio. Além disso, as cartas de Paulo também contêm indícios desse tipo. Por exemplo, a segunda carta a Timóteo: "Quando vieres, traze-me a capa que deixei em Trôade com Carpo, e também os livros, principalmente os pergaminhos" ( 2 Tm 4:13). Isso é óbvio, visto que se tratam de trocas de cartas não literárias, mas pode ser visto no contexto de uma rede comum de relacionamentos. Por outro lado, a humildade que transparece nas palavras de Amônio é notável. Isso também se encaixa bem em uma leitura cristã da carta.

Se tudo isso for verdade, estamos diante de um dos documentos epistolares cristãos mais antigos fora do Novo Testamento, talvez o mais antigo que conhecemos, juntamente com as cartas de Clemente de Roma.

Isso confirmaria uma significativa disseminação do cristianismo no Egito já no final do primeiro século.

RAMELLI: Este é um fato comprovado. Além disso, sabe-se que foi no Egito, nas primeiras décadas do século II, que o papiro Rylands 457 foi escrito, contendo o Evangelho de João, cujos fragmentos, publicados em 1935, determinaram a data do Evangelho para algumas décadas antes de 125. As datas e os locais coincidem com os da nossa carta.

Fonte: https://www.30giorni.it/

São Diogo de Alcalá

São Diogo de Alcalá (A12)
13 de novembro

São Diogo de Alcalá

Diogo nasceu em Alcalá do Porto, em Sevilha, por volta do ano de 1400. Filho de pais muito pobres e simples, viveu como monge eremita, em penitência e oração. Alimentava-se somente com os produtos da pequena horta que cultivava e se vestia remendando os panos que o povo lhe dava em troca de pequenos trabalhos artesanais. Por ser muito considerado, atraiu muitos doadores, e, para manter melhor o recolhimento optou por fazer-se franciscano.

Frei Diogo trabalhava como porteiro e cozinheiro no convento. Privava-se do seu próprio pão para dá-lo aos mendigos, e aconteceu de encontrar a cesta dos pães cheia de rosas; este milagroso carinho de Deus para com ele foi diversas vezes retratado em pinturas, incluindo várias de Murillo.

Em 1441, Diogo foi enviado como missionário às Ilhas Canárias. Seu trabalho dedicado valeu-lhe o cargo de superior da ordem, embora fosse apenas irmão leigo. Mas sua atuação em prol dos indígenas não era bem vista pelos colonizadores, que os mantinham como escravos, e tornaram sua atuação difícil a ponto de ter que voltar para a Espanha, em 1449.

No ano seguinte ficou retido em Roma por causa de uma grave epidemia, e neste período dedicou-se a cuidar dos doentes, com grande caridade e utilizando os dons carismáticos de cura que possuía. De volta à Espanha, recomeçou o trabalho de porteiro e cozinheiro em vários mosteiros, sendo o último deles o de Alcalá de Henares, onde faleceu em 12 de novembro de 1463.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR
Revisão e acréscimos: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

São Diogo é um dos santos mais populares da Espanha e das Américas. De fato, seu nome em Espanhol, Diego, deu origem à famosa cidade norte americana, San Diego. Nele encontramos a humildade, simplicidade, caridade, desejo de estar com Deus e de servir ao próximo, que formam a essência da vida cristã, virtudes estas exercidas em quaisquer circunstâncias e local, desde superior a porteiro, em grandes cidades civilizadas ou ilhas incultas com população idólatra. Santos são os exemplos que a Igreja nos propõe: em casa, em viagem, no trabalho, no lazer, na escola, pais, filhos, vizinhos, colegas, amigos, desconhecidos, necessitados… somos chamados a viver as mesmas virtudes de San Diego.

Oração:

Ó Deus, concedei-nos, pelas preces de São Diogo de Alcalá, a quem destes perseverar na imitação de Cristo pobre e humilde, seguir a nossa vocação com fidelidade e chegar àquela perfeição que nos propusestes em Vosso Filho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fonte: https://www.a12.com/

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Sei que te alegrou muito, Jesus. As coisas pequenas (Parte 1/2)

Cuidar das coisas pequenas (Opus Dei)

Sei que te alegrou muito, Jesus. As coisas pequenas

São Josemaria nos ensinou a cuidar das coisas pequenas porque compreendia a capacidade do homem de agradar a Deus com pequenos e quase minúsculos detalhes realizados por amor.

28/04/2020

No dia 29 de dezembro de 1933, São Josemaria estava concluindo a instalação da Academia DYA. Quatro estudantes o estavam ajudando naquele dia: Manolo, Isidoro, Pepe e Ricardo. Um dos trabalhos que fizeram foi instalar um quadro negro de 1,10 por dois metros em uma sala de aula. No dia seguinte, ele anota por escrito a emoção que o embargou: “Mal acabaram de colocar o quadro-negro numa sala de aula, a primeira coisa que os quatro artistas escreveram foi: Deo omnis gloria! – toda a glória para Deus – Sei que te alegrou muito, Jesus”[1].

Nessas poucas palavras, pode-se vislumbrar a sua alegria diante daquela feliz ideia. Mas talvez haja algo mais naquela anotação e é o modo como o fundador do Opus Dei compreendia a nossa capacidade de agradar a Deus com detalhes pequenos e quase minúsculos. Não é fácil entender como uma ação tão insignificante das criaturas possa chegar assim ao seu Criador.

Deus disse que as suas “delícias são estar com os filhos dos homens” (Pr 8, 31), que gosta muito de nós. Se essa expressão de São Josemaria parece atrevida, é ainda mais audaz quando descreve uma convicção muito íntima: “Com a Fé e o Amor somos capazes de enlouquecer a Deus, que se torna outra vez louco – já foi louco na Cruz, e é louco cada dia na Hóstia – mimando-nos como um Pai faz com seu filho primogênito”[2]. Tal consciência era algo habitual em sua pregação: “Falei-lhes de Jesus endoidecido, louco por nós”[3]. Tínhamos alguma vez chegado a imaginar uma reação divina deste calibre?

A felicidade de Deus

No fim da sua primeira carta pastoral, o prelado do Opus Dei pedia a Deus: “Fazei, Senhor, que a partir da fé no vosso Amor vivamos cada dia com um amor sempre novo, numa alegre esperança”[4]. O que pode unir a alegria – algo de que todos tivemos experiência – às virtudes que nos aproximam de Deus e são outorgadas por ele? São Tomás de Aquino afirma que a felicidade “corresponde a Deus em grau sumo” (S.Th. I-I, q. 26); ninguém é tão feliz como Ele, e deseja desfrutar essa alegria conosco e também compartilhá-la conosco. Por isso, vivemos à espera da felicidade eterna e, ao mesmo tempo, estamos já alegres porque Deus nos concede já aqui a participação na sua felicidade.

“COM A FÉ E O AMOR SOMOS CAPAZES DE ENLOUQUECER A DEUS, QUE SE TORNA OUTRA VEZ LOUCO MIMANDO-NOS COMO UM PAI FAZ COM SEU FILHO PRIMOGÊNITO”

Para penetrarmos no mistério da felicidade divina, pode ajudar-nos contemplar uma reação de Jesus narrada por São Marcos: “Jesus estava sentado em frente do cofre das ofertas e observava como a multidão punha dinheiro no cofre. Muitos ricos depositavam muito. Chegou então uma pobre viúva e deu duas moedinhas” (Mc 12, 41-42). Este detalhe insignificante emocionou a Nosso Senhor.

As moedas de cobre ressoavam ao cair no gazofilácio, que era uma espécie de trombeta com a boca para cima e que ficava no átrio do templo. Era lá que se entregavam as oferendas, esmolas e rendas. O ruído normal que o metal rijo fazia ao cair era bem diferente do suave tilintar das duas moedas quase sem valor que aquela pobre mulher tinha oferecido. Correspondiam um quarto de um ás e, na época era a menor moeda em circulação.

No entanto, aquela mulher conquistou o coração de Cristo. Ele na verdade não necessita das nossas oferendas, mendiga algo muito maior: o nosso coração. “Não viste os fulgores do olhar de Jesus quando a pobre viúva deixou no templo a sua pequena esmola? Dá-lhe tudo o que puderes dar; não está o mérito no pouco nem no muito, mas na vontade com que o deres”[5]. Jesus não interpreta os gestos do modo como nós o fazemos. A oferenda da viúva é minúscula, mas a Jesus agrada muito mais que as outras porque é livre, humilde e gratuita. Significa muito para Ele e não resiste a explicar: “Em verdade vos digo: esta pobre viúva deitou mais do que todos os que lançaram no cofre porque todos deitaram do que tinham em abundância; esta, porém, pôs da sua indigência, tudo o que tinha para o seu sustento” (Mc 12, 43). Cristo nos desafia a avaliar as coisas – e sobretudo a nossa vida – de uma forma diferente, alternativa e paradoxal.

Amar com a mesma moeda

É inútil tentar medir o amor do Senhor por nós. “Deus chega de graça. O seu amor não é negociável: não fizemos nada para merecê-lo e nunca poderemos recompensá-lo”[6]. Jesus Cristo quer ser nosso amigo. Assim confiou aos seus apóstolos no Cenáculo (cfr. Jo 15, 15) “E ao dizer a eles, disse-o a todos nós. Deus não nos ama apenas como criaturas, mas como filhos a quem, em Cristo, oferece uma verdadeira amizade”[7]. Quando apalpamos a nossa fragilidade, no entanto, tendemos a pensar que Deus reage como nós o faríamos, Quando as coisas não nos saem bem ou quando pensamos que não estamos à altura de seu amor, nós o imaginamos desapontado, decepcionado ou triste. Não cabe em nossa cabeça que a nossa vida, marcada por misérias e tropeços, possa agradar ou alegrar e, menos ainda, deixar doido a Deus.

“DEUS CHEGA DE GRAÇA. O SEU AMOR NÃO É NEGOCIÁVEL: NÃO FIZEMOS NADA PARA MERECÊ-LO E NUNCA PODEREMOS RECOMPENSÁ-LO”

Os Padres da Igreja procuraram prevenir-nos deste erro tão comum: “Homem, por que te consideras tão vil, tu que tanto vales aos olhos de Deus?”[8]. São Boaventura ensina o caminho para não errarmos: “Se queres saber como se realizam estas coisas, pergunta à graça, não ao saber humano; pergunta ao desejo, não ao entendimento; pergunta ao gemido expressado na oração”[9].

Como Deus pode se entusiasmar desse modo com os nossos minúsculos detalhes de carinho ou até com as nossas limitações? Como é possível que a distância infinita entre o amor de Deus e a nossa pobre correspondência seja cancelada? É claro que não temos dinheiro suficiente para comprar o seu amor. Ama-nos porque tem vontade, que é a mais divina. Por isso, não nos obriga a corresponder de um modo preciso. Entusiasma-se, ao mesmo tempo, se pagamos com a sua moeda, com um amor gratuito de quem se deixa amar, de quem permite ao outro que fique louco. Isso acontece quando compreendemos que o carinho divino não está à venda e, por isso, confiamos apenas na loteria da sua bondade incondicional. A alma então responde com o pouco que guarda, mas com uma grande diferença: ela o faz porque quer, como Deus. E desfruta disso como ele.

Diego Zalbidea


[1] São Josemaria, Forja, n. 611.

[2] São Josemaria, Instrucción acerca del espíritu sobrenatural de la Obra, n. 39.

[3] São Josemaria, Apontamentos íntimos de 23-XI-1931. Citado em Pedro Rodríguez, Caminho. Edição Comentada, Quadrante, São Paulo, 2014, p. 916.

[4] F. Ocáriz, Carta pastoral, 14/02/2017, n. 33.

[5] São Josemaria, Caminho, n. 829.

[6] Francisco, Homilia na Noite de Natal, 24/12/2019.

[7] F. Ocáriz, Carta Pastoral, 1/11/2019, n. 2.

[8] São Pedro Crisólogo, Sermão 148.

[9] São Boaventura, Itinerarium mentis in Deum, cap. 7, n. 6, em Opera omnia, V, Ad Claras Aquas (Quaracchi) 1891, p. 313.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br/article/sei-que-te-alegrou-jesus/

Um estudo explica por que a amamentação reduz o risco de câncer de mama

Angelo Giampiccolo/ Shutterstock

Mathilde de Robien - publicado em 10/11/25 - atualizado em 10/11/25

Pesquisadores do Peter MacCallum Cancer Centre, o maior centro de pesquisa de câncer da Austrália, em Melbourne, publicaram um estudo no final de outubro mostrando que a amamentação aumenta significativamente as defesas do sistema imunológico contra o câncer de mama.

A ligação era conhecida, mas ainda não explicada pela medicina. A descoberta, feita por pesquisadores australianos, do papel protetor dos linfócitos T CD8 no tecido mamário ajuda a entender por que a amamentação reduz o risco de câncer de mama.

Certamente, a ligação já havia sido estabelecida. Em um relatório publicado em junho de 2024, o Alto Conselho de Saúde Pública afirmou que "há fortes evidências de que a amamentação reduz o risco de câncer de mama em mães". "Embora essa redução seja pequena em relação à duração média da amamentação por filho e ao número de filhos amamentados durante a vida de uma mulher em países de alta renda, ela tem um impacto significativo em nível populacional no número de casos de câncer de mama prevenidos."

O papel dos linfócitos

Mas até agora, os motivos eram desconhecidos. Em um estudo publicado em 20 de outubro na revista Nature, pesquisadores australianos destacaram a ligação entre a amamentação e o acúmulo de linfócitos T CD8 na glândula mamária. Essas células são essenciais para a imunidade e protegem o organismo contra o desenvolvimento de tumores. Ao comparar as células imunológicas de 260 mulheres, eles demonstraram que o número de células protetoras era maior em mulheres que já haviam tido pelo menos um filho do que naquelas que não haviam tido. Essa diferença foi observada mesmo em mulheres que haviam dado à luz há mais de 30 anos. Os pesquisadores concluíram que ter filhos e amamentar reduz o risco de câncer de mama, particularmente o câncer de mama triplo-negativo.

"Esses resultados lançam nova luz sobre como o histórico reprodutivo molda a imunidade da mama, posicionando as células T CD8 como mediadoras-chave da proteção associada à gravidez e fornecendo novas estratégias para a prevenção e o tratamento do câncer de mama", comemoram os autores do estudo.

Além de reduzir o risco de câncer de mama, a amamentação também está associada a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2 mais tarde na vida, particularmente em mulheres com diabetes gestacional. "O efeito protetor parece aumentar com a duração da lactação", enfatiza o relatório do Conselho Superior de Saúde Pública.

Fonte: https://pt.aleteia.org/2025/11/10/um-estudo-explica-por-que-a-amamentacao-reduz-o-risco-de-cancer-de-mama/

Leão XIV alerta sobre tecnologia e medicina a serviço de ‘ideologias anti-humanas’

Papa Leão XIV. Imagem referencial. | Vatican Media

Por Almudena Martínez-Bordiú

11 de nov de 2025 às 09:13

O papa Leão XIV falou sobre o “potencial destrutivo” da tecnologia e da pesquisa médica “quando colocadas a serviço de ideologias anti-humanas”, apontando para avanços científicos que minam a dignidade humana, como a eugenia, a seleção de embriões, a manipulação genética, e outras práticas.

O papa fez isso numa mensagem dirigida aos participantes do Congresso Internacional da Pontifícia Academia para a Vida, realizado sob o tema Inteligência Artificial e Medicina: o desafio da dignidade humana.

Leão XIV iniciou sua mensagem falando sobre o presente, marcado pelos avanços tecnológicos que influenciam até mesmo a maneira de pensar das pessoas e alteram a compreensão e percepção da realidade. Nesse contexto, ele alertou sobre o risco de “perdermos de vista os rostos das pessoas ao nosso redor” e de esquecer como reconhecer e valorizar “tudo o que é verdadeiramente humano”.

Para além desses riscos, o papa falou sobre os benefícios do desenvolvimento tecnológico, especialmente na medicina e na saúde. No entanto, ele enfatizou que, para garantir um progresso genuíno, é essencial que a dignidade humana e o bem comum “permaneçam como prioridades firmes”.

Leão XIV disse que essas tendências podem ter um efeito devastador na vida das pessoas, embora tenha dito que, se forem aproveitadas "e verdadeiramente colocadas a serviço da pessoa humana", também podem ser "transformadoras e benéficas".

Consequentemente, o papa sublinhou a urgência de explorar o potencial da inteligência artificial (IA) na medicina: “A fragilidade da condição humana manifesta-se frequentemente no campo da medicina”, mas nunca deve-se esquecer a “dignidade ontológica que pertence à pessoa”.

Citando a nota Antiqua et nova, nota da Santa Sé sobre Inteligência Artificial e Inteligência Humana, Leão XIV disse: “Os profissionais de saúde têm a vocação e a responsabilidade de serem guardiões e servidores da vida humana”, especialmente nas fases mais vulneráveis dela.

“O mesmo se pode dizer dos responsáveis ​​pelo uso da IA ​​nessa área”, disse o papa. “De fato, quanto maior a fragilidade da vida humana, maior a nobreza daqueles a quem é confiada a sua preservação”.

Leão XIV disse que os dispositivos tecnológicos “nunca devem prejudicar a relação pessoal entre pacientes e profissionais de saúde”. O papa disse: “Se a IA pretende servir à dignidade humana e à eficácia dos cuidados de saúde, devemos garantir que ela realmente melhore tanto as relações interpessoais quanto a qualidade do atendimento prestado”.

Por fim, ele disse ser essencial “promover uma ampla colaboração entre todos os que trabalham nas áreas da saúde e da política”, para além das fronteiras nacionais.

*Almudena Martínez-Bordiú é uma jornalista espanhola correspondente da ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI, em Roma e no Vaticano, com quatro anos de experiência em informação religiosa.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticia/65415/leao-xiv-alerta-sobre-tecnologia-e-medicina-a-servico-de-ideologias-anti-humanas

Acompanhe a CNBB e fique por dentro das ações da Igreja Católica durante a COP30 em Belém

Igreja Católica na COP30 em Belém (CNBB)

ACOMPANHE A CNBB E FIQUE POR DENTRO DAS AÇÕES DA IGREJA CATÓLICA DURANTE A COP30 EM BELÉM

07/11/2025

As delegações de todo o mundo já chegam a Belém para a Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, a COP30, e as articulações políticas começam a tomar forma, antes mesmo da abertura oficial. Da parte da Igreja, as próximas semanas serão o ápice de uma caminhada de mais de dois anos de preparação, articulação, escuta e construção para levar aos líderes mundiais o pedido por uma ecologia integral com justiça, e convocação para a conversão ecológica profunda.

Delegação

A Igreja Católica marcará presença nesta conferência por meio da articulação “Igreja Católica na COP30”, apresentando sua visão sobre desenvolvimento sustentável, justiça climática e ecologia integral e o cuidado com a Casa Comum. Estará presente em Belém uma delegação de 10 pessoas da Santa Sé, incluindo o representante do Papa Leão XIV, o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, além de 8 cardeais, 47 bispos e outras 97 pessoas ligadas a diferentes organismos eclesiais.

Toda a Presidência da CNBB estará presente na COP30: cardeal Jaime Spengler (presidente), dom João Justino (primeiro vice-presidente), dom Paulo Jackson (segundo vice-presidente) e dom Ricardo Hoepers (secretário-geral). Também subsecretários e assessores participarão.

Fazem parte da articulação Igreja Católica na COP30: a CNBB, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Cáritas Brasileira e o Movimento Laudato Si’.

Eventos da Igreja

A Igreja Católica apresentará as suas propostas durante um Simpósio no dia 12 de novembro, no Colégio Santa Catarina de Sena, evento que contará com uma entrevista coletiva à imprensa às 14h. Painéis, visitas, celebrações e atividades de mobilização completam o itinerário da Igreja nesses dias de COP30.

Simpósio da Igreja na COP30

Tema: A Igreja Católica na COP 30 nos caminhos da Ecologia Integral: refletindo sobre justiça climática e conversão ecológica

Objetivo Geral: Apresentar as perspectivas da Igreja Católica e de seus interlocutores ecumênicos, científicos, indígenas e governamentais sobre a temática socioambiental, destacando seu compromisso com a justiça climática e a ecologia integral.
Data: 12 de novembro de 2025
Local: Colégio Santa Catarina de Sena/Belém
Confira mais informações aqui
Transmissão ao vivo pelo canal da CNBB no Youtube e pelos canais da Arquidiocese de Belém.

Coletiva de Imprensa às 14h:

Componentes da mesa:

  • Dom Jaime Spengler: Arcebispo de Porto Alegre, Presidente da CNBB e Presidente do CELAM
  • Dom Filipe Neri do Rosário Ferrão: Arcebispo de Goa e Damão, Presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC)
  • Dom Fridolin Ambongo Besungu: Arcebispo de Kinshasa, Presidente Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM)

Inscrições para a Coletiva: imprensa@cnbb.org.br

Para ficar por dentro:

Acompanhe todas as atividades da Igreja na COP30 com a cobertura da CNBB, de Vatican News, de ADN Celam e no site oficial da articulaçãoigrejarumoacop30.org.

Um Plano de Comunicação Integrada será partilhado com os responsáveis pelas emissoras de rádio e TV de inspiração católica e jornalistas credenciados na CNBB para auxiliá-los na cobertura.

Nos portais e redes sociais, especialmente na conta específica criada no Instagram (instagram.com/igrejacatolicanacop30), serão divulgadas todas as atualizações sobre a incidência da Igreja no evento.

Também foi criado um canal no WhatsApp para fornecer atualizações a respeito da presença da Igreja no evento. Acesse aqui.

O atendimento à imprensa será feito pelos responsáveis de cada instituição. Na CNBB, padre Arnaldo Rodrigues: E-mail: imprensa.cnbb@cnbb.org.br e WhatsApp

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Leão XIV: Basílica de Santo Anselmo, consagrada para ser um lugar de encontro

Basílica de Santo Anselmo (Vatican News)

"O mosteiro, o Ateneu, o Instituto Litúrgico, as atividades pastorais ligadas à basílica, de acordo com os ensinamentos de São Bento, devem crescer cada vez mais em sinergia como uma autêntica 'escola do serviço do Senhor'", disse o Papa na homilia da missa celebrada na Basílica de Santo Anselmo, no Aventino, em Roma, no aniversário de 125 anos da Dedicação dessa basílica.

https://youtu.be/ndctGiGVG9Y

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV presidiu a missa na Basílica de Santo Anselmo no Aventino, em Roma, na tarde desta terça-feira (11/11), por ocasião do aniversário de 125 anos da Dedicação dessa basílica.

«Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja». Com esta passagem do Evangelho de São Mateus, Leão XIV iniciou sua homilia, recordando que a Basílica de Santo Anselmo no Aventino foi "fortemente desejada pelo Papa Leão XIII, que promoveu a sua construção".

"Em suas intenções, essa construção, junto com a do Colégio Internacional anexo, deveria contribuir para o fortalecimento da presença beneditina na Igreja e no mundo, por meio de uma unidade cada vez maior dentro da Confederação Beneditina, objetivo para o qual foi introduzido também o cargo de Abade Primaz. E isso porque ele estava convencido de que a sua antiga Ordem pudesse ser de grande ajuda para o bem de todo o Povo de Deus num momento rico de desafios, como foi a passagem do século XIX para o século XX", sublinhou Leão XIV.

Santa Missa presidida pelo Papa Leão XIV, 11/11/2025 (Vatican News)

De fato, desde suas origens, o monaquismo foi uma realidade 'de fronteira', que levou homens e mulheres corajosos a implantar focos de oração, trabalho e caridade nos lugares mais remotos e inacessíveis, muitas vezes transformando áreas desoladas em terras férteis e ricas, do ponto de vista agrícola e econômico, mas sobretudo espiritual. O mosteiro, assim, caracterizou-se cada vez mais como um lugar de crescimento, paz, hospitalidade e unidade, mesmo nos períodos mais sombrios da história.

O Papa recordou que "também em nosso tempo não faltam desafios a enfrentar. As mudanças repentinas das quais somos testemunhas nos provocam e nos questionam, suscitando problemas até então inéditos".

Esta celebração nos lembra que, como o apóstolo Pedro, e junto com ele Bento e muitos outros, também nós poderemos responder às exigências da vocação recebida apenas colocando Cristo no centro de nossa existência e de nossa missão, partindo daquele ato de fé que nos faz reconhecer Nele o Salvador e traduzindo-o na oração, no estudo, no compromisso de uma vida santa.

"Aqui, tudo isso se realiza de várias maneiras: na liturgia, em primeiro lugar, e depois na Lectio divina, na pesquisa, na pastoral, com o envolvimento de monges vindos de todas as partes do mundo e com a abertura a clérigos, religiosos e leigos das mais diversas proveniências e condições. O mosteiro, o Ateneu, o Instituto Litúrgico, as atividades pastorais ligadas à basílica, de acordo com os ensinamentos de São Bento, devem crescer cada vez mais em sinergia como uma autêntica 'escola do serviço do Senhor'", disse ainda o Papa, destacando que pensa neste complexo "como uma realidade que deve aspirar a se tornar um coração pulsante no grande corpo do mundo beneditino, tendo no centro, segundo os ensinamentos de São Bento, a igreja".

Santa Missa presidida pelo Papa Leão XIV, 11/11/2025 (Vatican News)

A seguir, recordou as palavras proferidas por São João Paulo II, em 1° de junho 1986, em sua visita ao Ateneu Pontifício por ocasião do seu Centenário de fundação: “Sant'Anselmo lembra a todos [...] que o conhecimento dos mistérios divinos não é tanto uma conquista do gênio humano, mas sim um dom que Deus faz aos humildes e aos que creem”. "Nós desejamos que essa seja também a mensagem profética que esta Instituição transmite à Igreja e ao mundo, como cumprimento da missão que todos nós recebemos, de ser o povo que Deus adquiriu para proclamar as obras admiráveis dele, que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz".

A Dedicação é o momento solene da história de um edifício sagrado, no qual ele é consagrado para ser um lugar de encontro entre o espaço e o tempo, entre o finito e o infinito, entre o homem e Deus: porta aberta para o eterno, onde a alma encontra resposta.

Que este templo se torne "cada vez mais um lugar de alegria, onde se experimenta a beleza de compartilhar com os outros o que se recebeu gratuitamente", concluiu o Papa Leão.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Fitoplâncton oceânico produz metade do oxigênio da Terra.

Tons de azul e verde no Mar de Barents foram resultados da ocorrência da alta das populações de fitoplâncton na região — Foto: Wikimedia Commons.

Fitoplâncton oceânico produz metade do oxigênio da Terra. Um novo estudo sugere que ele pode estar diminuindo

Pesquisa observou diminuição na quantidade de clorofila ao longo de 20 anos, a qual pode ser associada à queda na população de fitoplâncton. Associação, no entanto, não é consenso entre cientistas.

Por Victor Bianchin

10/11/2025 12h25

Um novo estudo, publicado na revista Science Advances, aponta para um dado alarmante: a quantidade de fitoplâncton nos oceanos pode estar diminuindo. Esses microrganismos aquáticos, que estão na base da cadeia alimentar marítima, são responsáveis por boa parte da atividade fotossintética do planeta, capturando dióxido de carbono (CO2) e devolvendo oxigênio à atmosfera.

O estudo, desenvolvido por pesquisadores das Universidades de Tsinghua (China), Bangor (Reino Unido) e Pensilvânia (EUA), se baseou em imagens de satélite e também dados de bóias flutuadoras, além de algoritmos de deep learning que foram úteis para preencher lacunas de dados (como áreas obscurecidas por nuvens). Ele observou que, entre 2001 e 2023, a concentração de clorofila A (ou “Chl-a”, o pigmento fotossintético, um indicador de abundância) diminuiu cerca de 1,78% por ano em águas costeiras. O nome "fitoplâncton", vale dizer, serve de guarda-chuva para um grande grupo de microrganismos, que inclui algas microscópicas e bactérias.

Segundo os cientistas que assinam o levantamento, essa diminuição pode estar sendo causada pelo aquecimento global. Existe um fenômeno natural chamado de estratificação do oceano em que as águas mais superficiais são mais quentes (por causa da radiação solar) e menos densas, ao passo que as águas mais profundas são mais frias e menos densas. Normalmente, essas águas frias, que são também ricas em nutrientes, sobem à superfície, principalmente em costas e regiões equatoriais, por meio de um fenômeno chamado upwelling, ou “afloramento”. Outros fatores, como tempestades, também ajudam a movimentar a água e trazer para cima os nutrientes do fundo.

Em um cenário de aquecimento global, porém, a história fica mais complexa. As águas superficiais ficam ainda mais quentes e têm dificuldade de se misturar com as mais frias. Isso gera uma carência de nutrientes na superfície, o que afeta os organismos que dependem deles para sobreviver, como o fitoplâncton. Por consequência, toda a cadeia alimentar acaba sendo comprometida.

Por que o fitoplâncton é importante

Os oceanos cobrem 71% da superfície terrestre e são responsáveis por cerca de metade da produção de oxigênio do planeta, a maior parte fotossintetizada pelo fitoplâncton. Além de produzir oxigênio, ele serve de alimento para o zooplâncton (organismos aquáticos sem capacidade fotossintética). Esses, por sua vez, são consumidos por pequenos peixes e animais, dando continuidade à cadeia alimentar até chegar aos grandes predadores.

“Num ambiente terrestre, os principais autótrofos são as árvores. Nelas, as raízes absorvem nutrientes e água, as folhas fazem fotossíntese e produzem glicose, e o tronco transfere tudo pro resto do organismo. No oceano, uma única célula faz tudo que uma árvore inteira faz. São microalgas que formam um gramado tridimensional planetário, chamado fitoplâncton”, afirma Frederico Brandini, professor do Instituto Oceanográfico da USP. Ele lembra que, 3,5 bilhões de anos atrás, a Terra era um planeta anóxico, ou seja, sem oxigênio livre — as primeiras moléculas começaram a ser produzidas pelo fitoplâncton.

De acordo com o novo estudo, as reduções na quantidade de fitoplâncton são mais graves nas regiões costeiras: 40% das áreas analisadas apresentaram declínio, enquanto apenas 12,5% demonstraram crescimento significativo. Essas regiões com aumento, que incluem o norte da costa brasileira, têm o crescimento creditado a “provavelmente a intensificação das atividades humanas”, o que traria mais nutrientes à água.

Onde há declínio, o aquecimento global é provavelmente o culpado. Segundo destaca o artigo, “nas últimas décadas, observou-se uma intensificação da estratificação oceânica, impulsionada por um aquecimento mais rápido da camada superior do oceano em comparação com as camadas mais profundas, devido às mudanças climáticas globais. Essa maior estratificação provavelmente está enfraquecendo o transporte vertical de nutrientes, limitando assim a disponibilidade de nutrientes para o crescimento do fitoplâncton na camada superior do oceano”.

O que a nova pesquisa não leva em conta

O professor Frederico Brandini afirma que há alguns pontos sobre a nova pesquisa que precisam ser tratados com cuidado. Ele lembra, por exemplo, que o uso da clorofila A como ferramenta de medição tem seus poréns. “Existe uma razão carbono-clorofila no fitoplâncton que vai de 20 a 200. Então 1 de clorofila pode ser 20 ou 200 de carbono. E o carbono é o que interessa”, diz ele. “O estudo usa a clorofila porque ela é um indicador de abundância, mas clorofila não é biomassa, a biomassa é o carbono. E 1,78% [de redução de clorofila A] é uma 'merreca'. Se você for olhar isso em miligramas por metro cúbico, dá 0,00035 miligrama de clorofila por metro cúbico. O oceano tem 361 milhões de km²”, argumenta.

Outro ponto levantado por Brandini é que o aumento de temperatura, embora cause acréscimo na estratificação da água, também implica em uma maior atividade metabólica por parte do zooplâncton (ele se alimenta mais). Esse fator, porém, não foi computado no estudo. “Isso significa que, talvez, esse decréscimo da clorofila não seja apenas pelo aumento da estratificação física, mas também pela herbivoria do zooplâncton. Eu, se fosse revisor desse artigo, teria falado ‘opa, mas e o zooplâncton, ele não tá comendo o fitoplâncton?’”.

Esse aspecto é importante porque ele muda o impacto dessa diminuição na quantidade de clorofila A: se de fato a biomassa de fitoplâncton está diminuindo, então há menos absorção de CO2 atmosférico, o que é um grande problema. “Por outro lado, se a herbivoria do zooplâncton está sendo importante, então esse CO2 continua sendo absorvido e está indo pro zooplâncton. Então, não há grandes mudanças”. Esse aumento na quantidade de zooplâncton poderia até mesmo gerar crescimento na população de peixes, favorecendo a atividade pesqueira.

O cientista também acredita que, na lista de problemas ambientais que podem impactar o ser humano, a queda de biomassa fitoplantônica não é a mais urgente. “Antes de ser afetado por esse tipo de problema, o ser humano vai ser afetado por coisas muito mais relevantes, como a contaminação oceânica com poluição, a sobrepesca, a ocupação das zonas costeiras, a destruição de manguezais, a perda de biodiversidade, o descarte de metais pesados nos oceanos. Pensando apenas no ser humano, essas coisas são problemas muito piores”, argumenta.

O estudo também contrasta com pesquisas anteriores, como esta de 2023 publicada na Nature, que indicam um possível aumento na quantidade de fitoplâncton nos oceanos, não uma redução. Michael Mann, diretor do Centro Penn para Ciência, Sustentabilidade e Mídia da Universidade da Pensilvânia e coautor do novo estudo, afirmou ao site Inside Climate News que esses estudos anteriores provavelmente têm dados incorretos, porque se baseiam apenas em imagens de satélite.

"Estou confiante de que nosso resultado está correto", disse ele, "porque é o que suspeitávamos que estivesse acontecendo, dados os substanciais aumentos na estratificação dos oceanos globais documentados anteriormente nas últimas décadas".

Fonte: https://revistagalileu.globo.com/cop30/noticia/2025/11/fitoplancton-oceanico-produz-metade-do-oxigenio-da-terra-um-novo-estudo-sugere-que-ele-pode-estar-diminuindo.ghtml

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF