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sábado, 15 de novembro de 2025

Papa Leão ao mundo do cinema: a beleza não é apenas evasão, mas acima de tudo invocação

Encontro com o mundo do cinema, 15/11/2025 - Papa Leão XIV (Vatican Media)

“A beleza não é apenas evasão, mas acima de tudo invocação. O cinema, quando é autêntico, não apenas consola: interpela. Chama pelo nome as perguntas que habitam em nós e, às vezes, até as lágrimas que não sabíamos que precisávamos expressar”. Palavras do Papa Leão XIV aos representantes do mundo do cinema na manhã deste sábado (15) no Vaticano.

Jane Nogara  - Cidade do Vaticano

Em audiência dedicada ao mundo do cinema, o Papa Leão XIV recebeu no Palácio Apostólico, um grupo de representantes da arte cinematográfica neste sábado, 15 de novembro. Apesar dos seus 130 anos, disse o Papa em seu discurso, “o cinema é uma arte jovem, sonhadora e um pouco inquieta”, que inicialmente parecia um jogo de luzes e sombras, para divertir e impressionar. “Mas logo esses efeitos visuais souberam manifestar realidades muito mais profundas, até se tornarem expressão da vontade de contemplar e compreender a vida, de contar sua grandeza e fragilidade, de interpretar sua nostalgia do infinito”, completou Leão.

Colocar a esperança em movimento

Uma das contribuições mais valiosas do cinema”, continuou o Pontífice, “é precisamente ajudar o espectador a voltar a si mesmo, a olhar com novos olhos para a complexidade da sua própria experiência, a rever o mundo como se fosse a primeira vez e a redescobrir, nesse exercício, uma parte daquela esperança sem a qual a nossa existência não é plena”. Me conforta, disse ainda, “pensar que o cinema não é apenas imagens em movimento: é colocar a esperança em movimento!”.

Até a dor pode encontrar um sentido

Entrar em uma sala de cinema, continuou, é como atravessar um limiar. “Na escuridão e no silêncio”, disse o Papa, “os olhos voltam a ficar atentos, o coração se abre, a mente se abre para o que ainda não havia imaginado”. Confirmando que embora o fluxo de informações que hoje recebemos seja constante com telas sempre acesas, o cinema é muito mais do que uma simples tela: “É um cruzamento de desejos, memórias e questionamentos. É uma busca sensível onde a luz perfura a escuridão e a palavra encontra o silêncio. Na trama que se desenrola, o olhar se educa, a imaginação se expande e até mesmo a dor pode encontrar um sentido”.

Nem tudo precisa ser imediato ou previsível

Continuando sobre o tema das salas de cinema e a preocupante erosão que as está afastando das cidades e bairros, Leão XIV convidou os presentes a uma reflexão: “A lógica do algoritmo tende a repetir o que ‘funciona’, mas a arte abre caminho para o que é possível. Nem tudo precisa ser imediato ou previsível: defendam a lentidão quando necessário, o silêncio quando fala, a diferença quando provoca. A beleza não é apenas evasão, mas acima de tudo invocação. O cinema, quando é autêntico, não apenas consola: interpela. Chama pelo nome as perguntas que habitam em nós e, às vezes, até as lágrimas que não sabíamos que precisávamos expressar”.

O encontro de Leão XIV com representantes do Mundo do Cinema:

https://youtu.be/NvJNjvf4A1w

Reconhecer a esperança nas tragédias

No ano do Jubileu, disse o Papa aos presentes. “vocês estão a caminho como peregrinos da imaginação, buscadores de sentido, narradores de esperança, mensageiros da humanidade”. Reconhecendo ainda que “é uma peregrinação no mistério da experiência humana que vocês atravessam com um olhar penetrante, capaz de reconhecer a beleza mesmo nas pregas da dor, a esperança nas tragédias da violência e das guerras”.

Igreja e o cinema

Recordando o diálogo nunca interrompido da Igreja com o mundo do cinema, Leão disse: “A Igreja olha com estima para vocês que trabalham com a luz e com o tempo, com o rosto e com a paisagem, com a palavra e com o silêncio”. Acrescentando em seguida, “desejo renovar essa amizade, porque o cinema é um laboratório de esperança, um lugar onde o homem pode voltar a olhar para si mesmo e para o seu destino”.

Testemunhas de esperança, beleza e verdade

Reiterando a importância do mundo do cinema na sociedade de hoje o Papa Leão disse: “Nossa época precisa de testemunhas de esperança, beleza e verdade: vocês, com seu trabalho artístico, podem ser essas testemunhas. Recuperar a autenticidade da imagem para salvaguardar e promover a dignidade humana está ao alcance do bom cinema e de quem o faz e o protagoniza. Não tenham medo do confronto com as feridas do mundo”. Concluindo seu pensamento acrescentou: “Dar voz aos sentimentos complexos, contraditórios e, por vezes, obscuros que habitam o coração do ser humano é um ato de amor. A arte não deve fugir do mistério da fragilidade: deve ouvi-lo, deve saber parar diante dele. O cinema, sem ser didático, tem em si, nas suas formas autenticamente artísticas, a possibilidade de educar o olhar”.

Que o cinema nunca perca a capacidade de surpreender

Ao concluir o encontro o Papa Leão recordou a dedicação silenciosa de centenas de outros profissionais do cinema, sem os quais uma obra seria impossível, afirmando, “cada voz, cada gesto, cada competência contribui para uma obra que só pode existir como um todo”. Concluindo: “Que o cinema continue sempre sendo um lugar de encontro, um lar para quem busca sentido, uma linguagem de paz. Que nunca perca a capacidade de surpreender, continuando a nos mostrar, mesmo que seja apenas um fragmento, do mistério de Deus”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Por mim e por todos os meus companheiros, até o céu…

Dmitry Naumov | Shutterstock

Mar Dorrio - publicado em 13/11/25

O jogo de esconde-esconde pode ser mais do que apenas uma brincadeira entre amigos; ele nos lembra do nosso objetivo de alcançar o céu na companhia daqueles que amamos.

Houve uma geração que sabia que o dia não terminava até que uma partida de esconde-esconde fosse jogada. O sol se punha, os pais anunciavam que era a última partida, e ainda assim alguém gritava "a contagem regressiva começa!" enquanto todos os outros corriam para encontrar seu esconderijo perfeito.

Naquele jogo, havia um papel que ninguém queria, mas que todos acabavam desempenhando: contar e depois encontrar os outros. Aquele que dizia: "Prontos ou não, lá vou eu."

E para fazer direito, você tinha que anunciar, em voz alta, o nome da pessoa que tinha avistado e o local exato onde ela tinha sido pega. Não bastava apenas vê-la: você tinha que correr até a parede ou árvore combinada e gritar a descoberta. Era assim que você ganhava pontos, era assim que você mostrava que tinha um bom olho.

A palavra mágica

Mas a brincadeira de esconde-esconde tinha uma cláusula secreta, uma reviravolta inesperada que mudava tudo. O último jogador, aquele que durasse mais tempo sem ser encontrado, podia salvar todos os outros se conseguisse tocar na parede e gritar: “Por mim e por todos os meus amigos!”. Com essa frase mágica, ele libertava todos os outros que haviam sido pegos.

O que exigira esforço, estratégia e preparação foi desfeito em um segundo. O buscador ficou com uma expressão amarga no rosto; os outros, rindo, recomeçaram tudo de novo.

A comunhão dos santos

Quando crianças, víamos isso como uma brincadeira. Como adultos, descobrimos que esse jogo tinha mais teologia do que imaginávamos. Porque aquele "por mim e por todos os meus companheiros" é, em sua essência, a melhor imagem do que significa a Comunhão dos Santos.

Toda vez que vamos para Missa, quer rezemos o terço ou ofereçamos um pequeno sacrifício, podemos repetir essas mesmas palavras com significado eterno: por mim e por todos os meus companheiros.

A fé nos ensina que nossas ações não terminam em nós; que o que fazemos, o que sofremos ou o que oferecemos pode ajudar os outros. Não apenas aqueles que vemos todos os dias, mas também aqueles que já partiram.

Aqueles que morreram já passaram pelo seu teste; agora são almas no purgatório. Não podem acrescentar mais nada à sua história, mas nós podemos escrevê-la por eles. Podemos acelerar o seu encontro com o Amor, ajudá-los a alcançar a nota necessária para ascenderem ao céu.

É a mais profunda solidariedade que existe: a dos vivos que rezam pelos mortos, a dos santos que intercedem pelos vivos, a daqueles que ainda jogam este jogo sabendo que, no fim, ninguém vence sozinho.

Ofertas significativas

Às vezes, parece um mistério difícil de explicar às crianças, mas basta lembrá-las daquela brincadeira de esconde-esconde. Ajude-as a entender que a Igreja é exatamente isso: uma grande rede invisível onde alguns podem salvar outros. Que existem pequenas ações — uma missa celebrada, uma oração antes de dormir, uma renúncia feita com amor — que libertam outras pessoas.

E se, quando crianças, agradecíamos ao amigo que nos salvou com um "toca aqui", tenha certeza de que aqueles que receberem seu "por mim e por todos os meus amigos" hoje também lhe retribuirão com um "toca aqui", mesmo que seja do céu. Lá, aqueles salvos por seus atos de fé serão seus maiores aliados.

A brincadeira de esconde-esconde sempre terminava em risos, com a promessa de brincar de novo amanhã. Assim deveria terminar todo dia também: sabendo que alguém, talvez sem saber, está correndo em direção à parede para proferir aquelas palavras que nos libertam.

Fonte: https://pt.aleteia.org/2025/11/13/por-mim-e-por-todos-os-meus-companheiros-ate-o-ceu/
 

Escatologia

Escatologia (Crédito: Fique Firme)

ESCATOLOGIA

13/11/2025

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo (RN)

No final do Ano Litúrgico, a liturgia oferece textos bíblicos com ensinamentos apocalípticos e escatológicos (Malaquias 3,19-20, Salmo 97, 2 Tessalonicenses 3,7-12 e Lucas 21,5-19). Falar de escatologia sempre é um risco, porque todo discurso, com frequência, é identificado e compreendido com catástrofes que anunciam o fim do mundo, a recompensa dos justos e punição eterna dos maus. Na verdade, os textos bíblicos, principalmente o Evangelho, têm uma perspectiva bem diferente. Se trata de assumir a responsabilidade de viver e de agir bem no tempo presente. Pois, o tempo presente é o crucial e a hora é agora, não amanhã. 

A palavra apocalipse, na Escritura, não significa “desastre”, mas “revelação” de uma coisa desconhecida: “Revelação de Jesus Cristo” (Ap 1,1). “Essas palavras de Jesus revelam não algo de estranho e oculto, mas o sentido profundo da nossa realidade presente: elas tiram o véu que nossos medos e nossos erros nos colocaram diante dos olhos, e nos permitem ver aquela verdade que é a Palavra definitiva de Deus sobre o mundo (escatológico = que diz a palavra última e definitiva)” (Silvano Fausti – Uma comunidade lê o Evangelho de Lucas). 

O ensinamento escatológico de Jesus no Evangelho é desencadeado pelo anúncio da destruição do esplêndido Templo de Jerusalém, construído por Herodes durante 10 anos, iniciado no ano 20 a.C., mas as decorações se estenderam até o ano 64 d.C. e, sua destruição aconteceu no ano 70 d.C. Depois, Jesus fala de guerras entre povos, terremotos, fome, pestes, perseguições e outros tantos sofrimentos. O foco da pregação de Jesus não está em prever estes acontecimentos, pois todos nós os podemos constatar e ver diariamente na história da humanidade, passada e presente. 

A questão que Jesus coloca aos cristãos e para todas pessoas de boa vontade é como viver em tempos de crise e de destruição? Como comportar-se quando as forças vitais parecem desaparecer num contexto onde, por toda parte, despontam destruição e decadência. Onde se apoiar quando as estruturas, exemplificado no Templo, são destruídas? As perguntas colocadas a Jesus indicam a dificuldade de as pessoas entender o que estava ensinando. Certamente, nós perguntaríamos do mesmo modo. “Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” Jesus aponta dois caminhos para nós vivermos bem o tempo presente. 

Diante da pergunta do “quando” e de “quais sinais”, Jesus aponta o primeiro caminho: “cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome dizendo: “Sou eu”! e ainda: O tempo está próximo”. Os textos bíblicos citam falsos profetas induzindo o povo ao erro e verdadeiros profetas apontando para o caminho certo. Na ânsia de salvar a própria pele, ensinamentos mirabolantes entusiasmam. Falsos profetas usam o nome de Deus, têm aparência de fidelidade, mas na verdade oferecem caminhos que distanciam de Deus. O enganador atrai a atenção sobre si mesmo, quer fazer dos ouvintes seus seguidores e não está interessado no bem dos outros. 

O segundo caminho indicado por Jesus “é permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” Tribulações, tragédias, problemas e perseguições fazem parte da condição humana. Quando as dificuldades aparecem é muito forte a tentação de abandonar ou se acomodar no caminho da vida cristã. A solução de abandonar o caminho é falsa. Somente quem persevera consegue alcançar a meta. Por isso, faz-se necessário uma dupla fidelidade: a Deus que é a origem e a meta do peregrinar no mundo e ao próximo com quem se caminha.  

Portanto, todos os ensinamentos escatológicos e apocalíticos não têm por objetivo mostrar que o mundo está chegando ao seu final, mas em direção ao objetivo.  O importante é a relação que a meta final tem com o nosso caminho atual. “Quando” e quais “sinais” sobre o fim do mundo? Jesus “se recusou e se recusará sempre a responder. Veio nos ensinar que o mundo tem no Pai o seu início e o seu fim, e nos chama a viver o presente nessa ótica, a única que dá sentido à vida” (Silvano Fausti). 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Papa Leão XIV: não podemos mais tolerar injustiças estruturais

Papa Leão XIV (Vatican Media)

Texto inédito do Pontífice em seu novo livro publicado pela Livraria Editora Vaticana intitulado “A força do Evangelho. A fé cristã em 10 palavras”, uma antologia de intervenções e discursos de Leão XIV organizados em torno de palavras-chave do cristianismo. “O desejo de comunhão, o reconhecer-nos como irmãos, é o antídoto para todo extremismo”, escreve o Papa na obra com lançamento marcado para 20 de novembro em várias cidades italianas.

Vatican News

“Não podemos mais tolerar injustiças estruturais pelas quais quem tem mais, tem sempre mais, e vice-versa, quem tem menos, empobrece cada vez mais”. É o que escreve o Papa Leão XIV na introdução inédita do seu novo livro A força do Evangelho. A fé cristã em 10 palavras, que será publicado em 20 de novembro, em língua italiana, pela Livraria Editora Vaticana (LEV).

Reconhecer-se como irmãos

O livro, editado por Lorenzo Fazzini, responsável editorial da LEV, é uma antologia de intervenções e discursos de Leão XIV organizados em torno de 10 palavras-chave do cristianismo, apresentadas nesta ordem: Cristo, coração, Igreja, missão, comunhão, paz, pobres, fragilidade, justiça, esperança. Na introdução, Leão XIV, olhando para a situação do mundo contemporâneo, afirma: “o ódio e a violência correm o risco, como um plano inclinado, de transbordar até que a miséria se espalhe entre os povos”. Diante disso, o Papa Prevost identifica um remédio possível: “justamente o desejo de comunhão, o reconhecer-nos irmãos, é o antídoto para todo extremismo”.

As apresentações do livro na Itália

O livro A força do Evangelho será tema de alguns encontros públicos nos próximos dias em várias cidades italianas, por iniciativa da LEV e de algumas entidades eclesiais e culturais. Estas são as datas: 21 de novembro em Vicenza e Cremona; 25 de novembro em Trento; 1º de dezembro em Verona; 5 de dezembro em Gênova; 15 de dezembro em Cagliari. Além da apresentação do livro, nessas ocasiões serão exibidos os documentários León de Perú e o recente Leo from Chicago, produzidos pelo Dicastério para a Comunicação, dedicados à temporada missionária de Prevost no Peru e às suas raízes americanas.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

O Fado em Santo Tomás de Aquino

A Providência Divina (Canção Nova)

O FADO EM SANTO TOMÁS DE AQUINO

12/11/2025

Dom João Santos Cardoso
Arcebispo de Natal (RN)

A palavra fado costuma evocar, em nossa cultura, a ideia de destino inevitável, algo já escrito e do qual ninguém poderia escapar. Muitos imaginam que tudo o que acontece — as alegrias e as dores, as vitórias e os fracassos — está previamente determinado, como se a vida fosse movida por forças cegas ou pela simples sorte. Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica (I, q.116), aborda precisamente essa questão, buscando esclarecer o verdadeiro sentido do fado à luz da fé e da razão, e mostrar que a história humana se desenrola sob a Providência divina, sem anular a liberdade do homem. 

Para o Doutor Angélico, o fado não é um poder independente nem uma necessidade absoluta. Ele o define, com Boécio, como “uma disposição inerente às coisas móveis, pela qual a Providência sujeita tudo às suas ordens”. Ou seja, o fado é o modo como a Providência divina atua no mundo criado. Enquanto a Providência é o plano eterno de Deus, a sabedoria com que Ele concebe e orienta todas as coisas ao seu fim último, o fado é a execução desse plano no tempo, realizada por meio das causas segundas: a natureza, os acontecimentos e as decisões humanas. Assim, Deus governa o universo não apenas de forma direta, mas também indiretamente, por meio das criaturas, servindo-se delas como causas segundas, livres e ordenadas, para a realização de seus desígnios. 

Assim, o fado não é o “destino cego” dos pagãos ou dos astrólogos. Para Santo Tomás, a vida humana e as ações do homem não estão submetidas à influência determinante dos astros, nem dependem dos acasos da sorte, mas se encontram ordenadas pela vontade sábia e amorosa de Deus. Tudo o que existe e acontece possui um lugar na ordem da Providência divina, mesmo aquilo que, aos nossos olhos, parece fortuito ou imprevisto. Há acontecimentos que, do ponto de vista humano, parecem obra do acaso; porém, na perspectiva de Deus, integram-se harmoniosamente em seu desígnio de amor, dentro de um plano maior, onde liberdade e Providência se unem sem contradição. 

O fado, entendido de modo cristão, pode ser comparado ao “destino” apenas se este for compreendido como o caminho ordenado por Deus para o bem das suas criaturas, um caminho que envolve tanto a ação das causas naturais quanto a liberdade das causas racionais. Porém, se o “destino” for concebido como uma força cega ou uma necessidade inevitável, que elimina a liberdade e a graça, então ele se opõe totalmente à visão de Santo Tomás. O Aquinate rejeita precisamente essa noção de fatalidade absoluta, que reduziria o ser humano a um mero instrumento passivo diante das forças do cosmos, negando-lhe a dignidade de cooperador livre nos desígnios da Providência divina. 

A liberdade humana, para Santo Tomás, tem um lugar essencial dentro da Providência. Deus é o autor de tudo, mas não elimina a autonomia das criaturas. Ele age nas causas segundas — inclusive na vontade humana — sem violentá-las. Em outras palavras, a Providência divina é tão perfeita que inclui a liberdade do homem dentro do seu plano. O ser humano é realmente livre para escolher o bem ou o mal, e suas decisões fazem parte da história que Deus, em sua sabedoria, já conhece e ordena para o bem maior. 

Por isso, falar em fado, para o cristão, não é negar a liberdade, mas reconhecê-la dentro de uma ordem maior. Tudo o que nos acontece pode ter sentido, porque está sob o olhar de Deus. Não vivemos à mercê do acaso nem presos a uma fatalidade impessoal, mas conduzidos pela Providência que transforma até os erros humanos em oportunidades de graça. O “fado” de Santo Tomás é, afinal, o nome filosófico da confiança, ou seja, viver sabendo que o universo não é um caos, mas uma história guiada pelo amor e pela sabedoria de Deus. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

HISTÓRIAS DE ESPERANÇA - Do Brasil à Capela Sistina: uma voz que carrega a força do testemunho da adoção

Alessio D'Aniello com o Papa Leão XIV (Vatican Media)

No Ano Santo da Esperança, a história de Alessio D’Aniello, nascido no Brasil e hoje cantor no coral Pontifício da Capela Sistina, ilumina o projeto Hands for Adoptions, inaugurado em Roma para apoiar famílias e filhos adotivos na busca pelas próprias origens.

Thulio Fonseca – Vatican News

Há histórias que nascem pequenas e silenciosas, mas que, com o passar do tempo, se transformam em pontes sólidas entre culturas, gerações e corações. Histórias assim são sementes de esperança. É nesse horizonte que se insere o Espaço de Escuta e Palavra “Hands for Adoptions”, recém-inaugurado no Instituto Casa Helena, em Roma, em colaboração com o CAF Internacional.

O novo ambiente oferece acolhida a famílias adotivas, jovens e adultos que buscam suas origens, abrindo um caminho de escuta, orientação e serenidade. Ali, cada pessoa é recebida não apenas em suas necessidades práticas, mas na integralidade de sua história, com suas fragilidades, perguntas e possibilidades de renascimento.

De Araxá ao serviço na Capela Sistina

Entre as histórias que dão vida ao projeto, destaca-se a de Alessio D’Aniello, cantor da Capela Musical Pontifícia Sistina há mais de doze anos. Nascido em Araxá, no Brasil, e adotado ainda bebê por uma família da província de Nápoles através das Irmãs Discípulas de Jesus Eucarístico, Alessio cresceu respirando valores que moldaram sua identidade: família, fé, respeito, disciplina e sensibilidade humana.

Foi na Itália que sua vocação musical floresceu. Formado pelo Conservatório “San Pietro a Majella”, em Nápoles, e após diversas experiências artísticas, o cantor encontrou sua missão maior na liturgia. “Cantar para mim é servir com amor. É doar aquilo que recebi”, afirma. Sua voz, que acompanha as celebrações do Santo Padre, tornou-se para ele não apenas expressão artística, mas oração e gratidão.

Alessio D’Aniello com o Papa Francisco | Vatican Media

A busca pelas origens e o encontro que cura

Apesar do amor recebido em casa, a adolescência de Alessio trouxe perguntas que marcam a vida de muitos filhos adotivos: quem sou? De onde vim? Qual é o rosto do meu primeiro capítulo? Essas questões, inicialmente silenciosas, tornaram-se mais profundas com o tempo, até que, já adulto, ele decidiu retornar ao Brasil para buscar sua mãe biológica. O reencontro tornou-se um marco decisivo. “Ela curou a dor de ter me deixado partir; eu preenchi o vazio de não conhecer meu início”, recorda. Para ele, buscar as origens não é um ato de ruptura, mas um gesto de reconciliação com a própria história:

“Não significa amar menos os pais que me criaram. É acolher toda a verdade que me pertence.”

Três histórias que se encontram e dão origem a um projeto

O Hands for Adoptions nasceu da união de três trajetórias adotivas: a de Paolo La Francesca, policial do Estado, nascido no Brasil e criado na Sicília, que reencontrou a mãe após longa procura; a de Livio Donato, romeno e ex-jogador profissional, adotado por uma família italiana; e a de Alessio D’Aniello, cuja caminhada espiritual e humana o conduziu a olhar para suas raízes com profundidade:

“Na adolescência, meus pais sempre me contaram sobre a viagem que fizeram ao Brasil; sempre soube que tinha sido adotado, mas, à medida que crescia, precisei enfrentar perguntas, feridas, silêncios e o desejo, cada vez maior, de buscar minhas origens. Ao chegar à maioridade, esse desejo transformou-se em uma motivação mais profunda: agradecer à mulher que me trouxe ao mundo e que, com sua escolha, me deu a possibilidade de uma vida melhor. A mão de Deus, depois de alguns anos e por meio de sinais inequívocos, conduziu-me ao Brasil, aos seus braços. Naquele encontro, e nos seguintes, pude conhecer sua história: uma história triste, mas corajosa; a adoção era a única forma que ela tinha para me oferecer um futuro. Deixar-me partir foi, para ela, o maior ato de amor. A fé foi sua âncora de salvação durante os sofrimentos, a força que lhe permitiu seguir adiante. O encontro com minha mãe biológica certamente fechou um ciclo importante em minha vida; hoje consigo enfrentar os desafios com uma perspectiva diferente. O reencontro com ela curou duas feridas: a dela, por ter me deixado partir, e a minha, ao preencher um grande vazio.”

A partir de suas experiências pessoais, os três fundadores entenderam que muitas famílias passam por desafios intensos após o processo jurídico da adoção: dúvidas, silêncios, conflitos, buscas identitárias. Perceberam que também os jovens e adultos adotados necessitam de acompanhamento para enfrentar questões que nem sempre encontram espaço na rotina familiar. Assim nasceu um projeto que deseja caminhar junto com aqueles que vivem a beleza e, por vezes, a delicadeza do universo adotivo.

Membros do projeto Hands for Adoptions e da Casa Helena, em Roma | Vatican Media

Uma rede de apoio intercultural e solidária

O espaço conta com uma rede que une competência técnica e sensibilidade humana. O CAF Internacional, dirigido pelos brasileiros Fabiana Santos e Antonio Libanio, tornou-se referência para migrantes em Roma, oferecendo orientação burocrática e apoio humano para estrangeiros em fase de integração. Já o Instituto Casa Helena, dirigido pela psicóloga Lilia Azevedo, especializada em abordagens interculturais e plurilíngues, oferece acolhimento psicológico e educativo a famílias e filhos em diferentes fases da adoção. Essa colaboração cria um ambiente seguro, onde cada história pode ser acolhida sem pressa, e onde a palavra, tantas vezes ausente, encontra novamente o seu espaço.

Logo do projeto Hands for Adoptions | Vatican Media

Uma casa afetiva para quem busca sua verdade

Hands for Adoptions se diferencia por colocar no centro não apenas a adoção como ato jurídico, mas como caminho humano, relacional e espiritual. O espaço busca ser “uma casa afetiva”, onde famílias e filhos adotivos possam partilhar suas vivências sem temor, encontrando escuta, apoio e orientação. A proposta é criar pontes entre culturas e gerações, trabalhar a reconstrução das histórias pessoais e ajudar cada pessoa a trilhar seu próprio percurso com serenidade. Para Alessio, esse processo é fundamental:

“Dar um rosto ao início da própria história não é uma afronta aos pais adotivos. É um ato de amor consigo mesmo e com quem nos deu a vida.”

Alessio D’Aniello durante uma celebração Pontifícia na Praça São Pedro | Vatican Media

Convite à esperança 

Neste Ano Santo da Esperança, o projeto deseja ser um sinal concreto de acolhimento e acompanhamento. Para famílias que aguardam a adoção, Alessio deixa uma palavra de encorajamento: “Não se deixem desanimar pelas longas esperas. Há muitas crianças que sonham com uma família.” Para quem já vive a realidade adotiva, ele recorda que a verdade é um gesto de amor que fortalece o vínculo e ajuda o filho a crescer de modo mais sereno e seguro. E aos jovens e adultos adotados, deixa um convite à coragem: “Buscar as origens é direito e também caminho de libertação interior.”

A vida de Alessio D’Aniello se transformou em testemunho de fé e esperança. Hoje, sua voz ressoa nas celebrações do Santo Padre; e, ao mesmo tempo, ecoa na experiência de tantas famílias e jovens que procuram compreender sua própria história. Uma voz que une Brasil, Itália e Vaticano. Uma voz que se faz ponte de esperança.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Quando o amor termina, mas Deus continua

fizkes | Shutterstock

Talita Rodrigues - publicado em 11/11/25

Há amores que chegam como primavera — iluminam, florescem, perfumam a alma. Mas há também os que, um dia, chegam ao fim. E o término de um relacionamento, ainda que seja necessário, costuma trazer um vazio difícil de nomear.

mente tenta entender, o coração resiste em aceitar, e o corpo sente — porque o amor não vai embora de repente, ele vai se despedindo aos poucos.

A psicologia nos ensina que o fim de uma relação é também um processo de luto. Mesmo que ninguém tenha partido fisicamente, há uma perda simbólica: de sonhos, de planos, de uma versão de nós que existia junto do outro. Vivemos a negação, a raiva, a tristeza, até começarmos a aceitar o que aconteceu. E nesse caminho, é natural sentir dor, medo e até culpa.

Mas o amor — o verdadeiro — nunca é em vão. Mesmo quando uma relação termina, o amor deixa aprendizados, desperta amadurecimentos e convida à reconstrução interior. Ele nos mostra onde precisamos crescer, o que precisamos curar e o que não devemos mais aceitar.

É nesse ponto que entra a fé.

Porque, quando tudo parece desabar, Deus não se ausenta — Ele recolhe os pedaços.

Quando o amor humano se desfaz, o amor divino se revela. Ele não impede as perdas, mas as transforma. E mesmo que a dor pareça um silêncio sem sentido, Deus trabalha nesse silêncio, preparando o novo — um novo tempo, um novo coração, uma nova compreensão do amor.

Recomeçar é um ato de coragem, mas também de confiança. Confiar que o que terminou não foi castigo, mas cuidado. Que aquilo que parecia perda talvez seja, no tempo certo, proteção.

A psicologia fala de resiliência emocional — a capacidade de se refazer depois das quedas. A fé fala de esperança — a confiança de que o amor verdadeiro não se perde, apenas muda de forma. E quando as duas se encontram, nasce uma força bonita: a de seguir em frente sem amargura, de abrir espaço para o novo sem pressa, de cuidar de si sem perder a doçura.

No fim, o amor nunca é o fim. O amor é sempre um recomeço.

E quando a gente entrega o coração a Deus, Ele o devolve restaurado — mais inteiro, mais sábio e mais pronto para amar de novo.

Gostou do artigo? Então clique aqui e siga a psicóloga católica Talita rodrigues no Instagram. 

Fonte: https://pt.aleteia.org/2025/11/11/quando-o-amor-termina-mas-deus-continua/

Glossário da COP30

Glossário da COP30 (Portal Terra)

Glossário da COP30: veja o significado dos termos mais usados

Com a proximidade da Conferência das Partes, que será realizada de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA), muitas siglas e termos não tão tradicionais passarão a integrar mais o noticiário.

Você sabe o que significa Kilimanjaro? E Protocolo de Kyoto, Racismo Ambiental, ODS ou OTCA?

Para quem vai acompanhar os desdobramentos da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, também chamada de COP30, que será realizada de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA), esses são alguns dos termos que vão ser cada vez mais falados no noticiário.

Veja abaixo o significado de quase 150 palavras --muitas delas não tão comuns--, que vão te ajudar a entender melhor a COP30: 

Acordo de Paris

Tratado internacional que entrou em vigor em 2016 e foi assinado por 196 países durante a COP21, em Paris, na França; o objetivo principal é limitar o aumento da temperatura global a 2ºC em relação aos níveis pré-industriais

Adaptação

Ações para lidar com os efeitos das mudanças climáticas e minimizar danos (como construção de barreiras contra enchentes)

Agroecologia

Agricultura baseada em práticas sustentáveis que respeitam o meio ambiente e a cultura local

Agricultura Inteligente para o Clima

Agricultura que aumenta a produtividade, reduz emissões e ajuda o campo a se adaptar as mudanças climáticas

Agenda de Ação

Plano com metas e ações para enfrentar a crise climática em diferentes níveis (global, nacional, local)

Aquecimento Global

Aumento da temperatura média da Terra devido à emissão de gases do efeito estufa

Antropoceno

Era geológica marcada pela forte influência humana no clima e nos ecossistemas da Terra

Acidificação dos Oceanos

Aumento da acidez dos oceanos causado pela absorção de CO2 da atmosfera, prejudicando a vida marinha

Balanço Global (Global Stocktake)

Processo de avaliação periódica feita a cada cinco anos para verificar o progresso coletivo dos países na consecução dos objetivos do Acordo de Paris

Biodiversidade

Variedade de vida na Terra, incluindo plantas, animais e microrganismos, essencial para o equilíbrio dos ecossistemas

Biocombustível

Combustível feito de matérias orgânicas renováveis, como cana-de-açúcar ou soja (exemplo: etanol, biodiesel)

Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS)

Tecnologia que gera energia a partir de biomassa e captura o CO2 emitido, armazenando-o de forma segura

Biomassa

Material orgânico (como madeira, resíduos agrícolas) usado para produzir energia renovável

Camada de Ozônio

Camada na atmosfera que protege a Terra dos raios ultravioleta

Captura Corporativa e Cumplicidade Governamental

Quando empresas influenciam decisões públicas para proteger seus lucros, mesmo que isso prejudique o meio ambiente

Crise Climática

Situação urgente causada pelas mudanças no clima, com impactos graves para pessoas e ecossistemas

Clima

Condições médias do tempo em uma região ao longo do tempo

Ciclo Hidrológico

Movimento da água na Terra que é afetado pelas mudanças climáticas

Comunidades Locais

Grupos de pessoas que vivem em áreas específicas e que muitas vezes são diretamente afetadas pelas mudanças no clima e nos ecossistemas

Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC)

Acordo internacional que orienta a cooperação global contra as mudanças climáticas e tem como objetivo principal estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera

Contribuições Determinadas Nacionalmente (NDCs)

Compromissos feitos por cada país para reduzir emissões e se adaptar às mudanças climáticas, conforme o Acordo de Paris

Conferência das Partes (COP)

Reunião anual da ONU onde líderes mundiais discutem e negociam ações climáticas, também chamada de  Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas; em 2025, será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém, no Pará

Combustíveis Fósseis

Fontes de energia como petróleo, carvão e gás natural, que liberam gases de efeito estufa ao serem queimadas

Desmatamento Zero

Meta de eliminar totalmente a destruição da vegetação nativa, tanto em áreas florestais como em outros biomas, como Cerrado e a Caatinga

Diretoria-executiva da COP30

A diretoria-executivo da COP30 pertence à economista e doutora em Ciência Política, Ana Toni, responsável por coordenar a organização e execução da conferência climática

Dívida Ecológica

Diferença entre o que um país consome da natureza e o que ela é capaz de regenerar; também refere-se à responsabilidade histórica dos países ricos pela crise climática

Descarbonização

Redução das emissões de carbono, principalmente trocando combustíveis fósseis por fontes limpas

Decrescimento

Ideia de reduzir a produção e o consumo excessivo para preservar o meio ambiente e promover bem-estar social

Deixar os Combustíveis Fósseis no Subsolo

Conceito elaborado para não explorar novas fontes de petróleo, carvão e gás para evitar mais aquecimento global

Direitos Humanos

Princípios que garantem dignidade, liberdade e justiça para todas as pessoas, e que devem ser respeitados nas ações climáticas

Desperdício Zero

Movimento para evitar ao máximo a geração de lixo, promovendo reutilização, reciclagem e compostagem

Desenvolvimento Compatível com o Clima (DCC)

Crescimento econômico que leva em conta a necessidade de reduzir emissões e se adaptar as mudanças climáticas

Desenvolvimento Sustentável

Conceito que visa atender as necessidades da urbanização do presente sem comprometer o futuro de outras gerações

Desigualdade

Diferenças no acesso a recursos, oportunidades e direitos, muitas vezes agravadas pelos efeitos da crise climática

Economia Verde

Economia que busca gerar empregos e crescimento com baixo impacto ambiental e inclusão social

Efeito Estufa

Fenômeno natural que aquece a Terra; é intensificado por gases poluentes, causando o aquecimento global

Economia de Baixo Carbono

Economia que emite pouco CO2, usando energias limpas e tecnologias sustentáveis

Economia Circular

Sistema que reduz o desperdício, reutiliza recursos e valoriza o reaproveitamento de materiais

Estratégias Corporativas e Estatais

Ações planejadas por empresas e governos para lidar com questões climáticas e ambientais

Emissões Net Zero

Quando um país, empresa ou pessoa reduz ao máximo suas emissões e compensa o restante, zerando o impacto líquido de CO2

Eventos Climáticos Extremos

Fenômenos como enchentes, secas e furacões, cada vez mais frequentes e intensos por causa da mudança do clima

Emissão de Carbono

Liberação de gás carbônico (CO2) na atmosfera, principalmente pela queima de combustíveis fósseis

Ecossistema

Conjunto de seres vivos e elementos naturais que interagem em um ambiente como florestas, rios e mangues

El Niño

Fenômeno climático que aquece parte do Oceano Pacífico e altera o clima global, causando secas ou chuvas fortes

Equidade

Justiça social que considera as diferenças entre grupos e garante tratamento justo para todos

Enchente

Inundação causada pelo excesso de chuva ou transbordamento de rios, agravada pelas mudanças climáticas

Erradicação da Pobreza

Eliminação da pobreza extrema, meta ligada à justiça climática e ao desenvolvimento sustentável

Financiamento Climático

Recursos financeiros destinados a ajudar países e projetos a enfrentarem a mudança do clima

Fundo de Perdas e Danos

Mecanismo para apoiar financeiramente países vulneráveis que já sofrem com os impactos climáticos

Floresta

Ecossistema com grande diversidade de vida, essencial para o clima, a água e a captura de carbono

Falsas Soluções

Ações que parecem sustentáveis, mas que na prática não resolvem o problema climático ou até pioram a situação, como o greenwashing, por exemplo 

Geoengenharia

Técnicas para modificar o clima artificialmente e conter o aquecimento global 

Gestão Comunitária dos Territórios

Manejo do meio ambiente feito pelas próprias comunidades locais e tradicionais

Governança Climática

Conjunto de regras, políticas e instituições que organizam a ação climática

Gases de Efeito Estufa

Gases que retêm calor na atmosfera, como CO2, metano e óxidos de nitrogênio

Geleira

Grande massa de gelo em áreas montanhosas ou polares que está derretendo com o aquecimento global

High-Level Climate Champion (Campeão de Alto Nível da COP3O)

Dan Ioschpe foi escolhido pelo presidente de Lula como o defensor climático de alto nível para a COP30; ele apoiará o presidente da COP, André Corrêa do Lago, liderando esforços para expandir e aprimorar a ação climática

Halocarbono

Gás usado em sprays e refrigeradores, que pode destruir a camada de ozônio e contribuir para o efeito estufa

Hidrogênio Verde

Combustível produzido com energia renovável e sem emissão de carbono, usado em atividades da indústria e do transporte

Habitat Natural

Ambiente natural onde espécies vegetais e animais vivem e se desenvolvem

Hotspots de Biodiversidade

Regiões com alta biodiversidade e ameaçadas de extinção como, por exemplo, a Amazônia e a Mata Atlântica 

Hidrosfera

Conjunto de todas as águas da Terra (mares, rios, lagos), afetadas pelas mudanças climáticas

Humanidade Planetária

Conceito que valoriza o senso coletivo e global para resolver crises como o aquecimento global

Inteligência Artificial no Clima

Tecnologia que simula a inteligência humana, usada para prever, monitorar e ajudar no combate à crise climática

Infraestrutura Verde

Soluções baseadas na natureza para enfrentar problemas urbanos (ex: telhados verdes, parques, bacias naturais)

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

Indicador que mede qualidade de vida da população de um determinado país, levando em conta saúde, educação e renda; é calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)

Internet das coisas (IoT)

Conexão entre objetos e sensores que ajudam a monitorar recursos naturais e reduzir desperdícios

Justiça Climática

Princípio que busca combater a crise climática respeitando os direitos humanos, sociais e ambientais

Justiça Socioambiental

Combate às desigualdades sociais e ambientais ao mesmo tempo, promovendo equidade e sustentabilidade

Jornada de Descarbonização

Caminho que empresas ou países seguem para reduzir suas emissões de carbono

KPI Ambiental (Indicadores de Desempenho Ambiental)

Métricas usadas para medir ações sustentáveis de empresas e governos

Kilimanjaro

Montanha localizada no norte da Tanzânia, que se tornou um dos símbolos da crise climática, com geleiras desaparecendo por causa do aquecimento global

Litígio sobre Mudanças Climáticas

Processos judiciais contra governos ou empresas por não agirem ou causarem danos ao clima

La Niña

Fenômeno climático que resfria parte do Oceano Pacífico, afetando o clima global (oposto ao El Niño)

Licenciamento Ambiental

Processo que autoriza atividades com base em estudos de impacto ambiental (Voltar)

Logística Reversa

Sistema de recolhimento e reaproveitamento de resíduos pós-consumo, como embalagens e eletrônicos

Low-Carbon Technology (Tecnologia de Baixo Carbono)

Tecnologias que emitem pouco ou nenhum CO2, como energia solar e eólica

Maquiagem Verde (Greenwashing)

Quando empresas fingem ser sustentáveis para melhorar sua imagem, sem ações práticas e reais

Mitigação

Medidas para reduzir ou evitar emissões de gases do efeito estufa

Mercado de Carbono

Sistema que permite negociar créditos de carbono para compensar emissões de CO2 na atmosfera

Meta Global em Adaptação

Objetivo coletivo de aumentar a capacidade dos países de se adaptar às mudanças climáticas

Mudança Sistêmica

Transformação profunda nas estruturas econômicas, sociais e políticas para enfrentar a crise climática

Mecanismos de Compensação

Ações que equilibram emissões como, por exemplo, reflorestamento para compensar a poluição 

Mudanças Climáticas

Alterações duradouras nos padrões do clima, causadas principalmente pela atividade humana

Neutralização de Carbono

Compensação total das emissões de CO2 por meio de tecnologias ou ações ambientais

Norte Global

Países ricos e industrializados, que historicamente emitiram mais gases e têm mais responsabilidade na crise climática

Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA)

Aliança entre países da Amazônia para promover o desenvolvimento sustentável da região

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Conjunto de 17 metas globais da ONU - e 169 metas de ação global - para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir paz e prosperidade entre as populações até 2030

Orçamento de Carbono

Quantidade máxima de CO2 que os países podem emitir com o passar dos anos, levando em consideração a meta de aquecimento global

Onda de Calor

Período prolongado de temperaturas muito altas, agravado pelas mudanças climáticas

Perdas e Danos

Impactos irreversíveis causados pelas mudanças climáticas na economia, na saúde, e na vida da população como um todo

Planos Nacionais de Adaptação (NAPs)

Estratégias que os países elaboram para se proteger dos impactos do clima

Presidente da COP30

Cargo ocupado pelo embaixador André Corrêa do Lago, pessoa responsável por liderar a conferência climática e mediar negociações

Pacto de Leticia

Assinado em 6 de setembro de 2019, em Leticia, na Colômbia, cidade na fronteira do Brasil e Peru, em uma reunião que contou com a participação de todos os países amazônicos, com exceção da Venezuela; as nações se comprometeram a combater o desmatamento e a colaborar com iniciativas climáticas

Povos Indígenas

Habitantes nativos do território brasileiro, presentes no país antes da chegada dos europeus no final do século XV

Protocolo de Kyoto

Primeiro tratado internacional com metas obrigatórias para reduzir emissões (antes do Acordo de Paris); assinado em 1997, o Protocolo de Kyoto tinha objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa

Propostas e Soluções dos Povos

Ideias criadas por comunidades locais e tradicionais para enfrentar a crise climática com Justiça

Pessoas Deslocadas Internas

Pessoas obrigadas a sair de suas casas por desastres climáticos, mas que permanecem no país de origem

Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC)

Grupo de cientistas da ONU que analisa dados climáticos e orienta políticas públicas

Poluição do Ar

Presença de substâncias nocivas na atmosfera, com impacto na saúde e no clima

Produto Interno Bruto (PIB)

Medida da economia de um país, que representa o valor total de todos os bens e serviços finanis produzidos em um país durante um determinado período

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)

Agência da ONU que apoia países em políticas de desenvolvimento sustentável

Países Menos Desenvolvidos (PMD)

Países identificados pelas Nações Unidas com os menores indicadores de desenvolvimento socioeconômico. com menor renda e mais vulneráveis aos impactos da mudança do clima 

Qualidade Ambiental

Condições do meio ambiente em relação à saúde humana e dos ecossistemas

Quilombolas

Discussão sobre os impactos da crise climática nas comunidades quilombolas e seus saberes tradicionais

Química Verde

Produção de substâncias com menor impacto ambiental e energético

Resiliência Climática

Capacidade de se adaptar e se recuperar dos efeitos da mudança climática

Redução por Emissões de Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+)

O REDD+ oferece apoio financeiro e de mercado para países em desenvolvimentos que criem políticas e projetos para reduzir o desmatamento, a degradação florestal e outras atividades

Relatórios Bienais de Transparência (BTRs)

Documentos que os países devem entregar à ONU com dados sobre suas ações climáticas

Racismo Ambiental

Quando comunidades étnicas ou vulneráveis sofrem mais com a degradação ambiental, como poluição e desmatamento; também usado para definir injustiças sociais e ambientais no que se refere ao meio ambiente

Responsabilidade dos Grandes Poluidores

Ideia de que empresas e países que provocam emissões e degradações ambientais devem arcar com os custos da prevenção, do controle e da reparação dos danos causados ao ambiente 

Refugiados Climáticos

Pessoas forçadas a deixar suas comunidades e terras por causa de eventos climáticos extremos

Resíduos para Energia

Tecnologia que transforma resíduos em energia renovável por meio de diferentes tecnologias, como biogás e calor

Responsabilidade Comum, mas Diferenciada (CBDR)

Princípio de que todos os países devem agir pelo clima, mas os mais desenvolvidos devem arcar com responsabilidades primárias, pois contribuíram em maior proporção com emissões históricas

Reflorestamento

Plantio de árvores em áreas desmatadas, ajudando a capturar carbono e restaurar ecossistemas

Side Events

Eventos que ocorrem paralelamente à COP30 e são organizados por ONGs, empresas, governos e movimentos sociais

Sul Global

Países em desenvolvimento, geralmente com menos responsabilidade histórica, mas mais afetados pela crise climática

Soluções Baseadas na Natureza (SbN)

Uso de ecossistemas para enfrentar desafios ambientais como, por exemplo, a restauração de mangues para evitar enchentes 

Segurança Jurídica

Estabilidade nas regras que atrai investimentos sustentáveis

Soberania Alimentar

Direito dos povos de decidir o que produzem, como produzem e o que consomem, com base na cultura e sustentabilidade

Soberania Energética

Capacidade de um país ou povo de controlar suas próprias fontes de energia

Sequestro de Carbono

Captura e armazenamento de CO2 da atmosfera, por meios naturais (florestas) ou tecnológicos

Sustentabilidade

Uso consciente dos recursos naturais para garantir o bem-estar das atuais e futuras gerações

Seca

Falta prolongada de chuvas, agravada pela mudança do clima

Segurança Alimentar

Acesso garantido a alimentos suficientes, saudáveis e acessíveis para todas as pessoas

Transição Energética

Mudança do uso de combustíveis fósseis para fontes de energia renovável

Taxonomia Sustentável

Sistema de classificação que define critérios para identificar atividades econômicas e projetos que contribuem com os objetivos do clima

Transição Justa

Mudança para uma economia verde que respeite os trabalhadores e populações vulneráveis

Tecnologia Persuasiva Ambiental

Tecnologias que incentivam comportamentos sustentáveis (ex: apps que mostram economia de energia)

Temperatura Média Global

Média das temperaturas da Terra, usada como principal indicador do aquecimento global

Urbanismo Biofílico

Planejamento urbano que integra a natureza à cidade, melhorando saúde e bem-estar

Uso Sustentável da Terra

Manejo dos recursos naturais de forma equilibrada para conservar o solo, a água e a biodiversidade

Urbanização Sustentável

Planejamento das cidades com foco em mobilidade verde, energia limpa e áreas verdes

UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente)

Órgão da ONU que coordena ações globais ambientais

Vulnerabilidade

Grau em que pessoas ou sistemas estão expostos aos riscos climáticos e têm pouca capacidade de se adaptar

Veículos elétricos

Automóveis que usam eletricidade em vez de combustíveis fósseis, ajudando a reduzir emissões

Xenobióticos

Substâncias químicas estranhas à natureza, como pesticidas ou poluentes industriais

XR (Extinction Rebellion)

Movimento ambiental global que usa ações diretas para chamar atenção à crise climática

Water Cycle (Ciclo da Água)

Movimento contínuo da água na Terra e que está sendo alterado pelas mudanças climáticas

Wetlands (Áreas Úmidas)

Zonas alagadas, como manguezais e pântanos, que armazenam carbono e protegem contra enchentes

Waste Management (Gestão de Resíduos)

Conjunto de práticas para reduzir, reutilizar, reciclar e descartar corretamente o lixo

Water Stress (Estresse Hídrico)

Situação em que a demanda por água é maior do que a oferta disponível

Youth Climate Champion (Jovem Campeã do Clima)

Marcele Oliveira foi nomeada como Youth Climate Champion para a COP30, onde irá representar a juventude nas negociações climáticas e defender ações climáticas urgentes

Youth Empowerment (Empoderamento da Juventude)

Apoio à participação ativa dos jovens na construção de soluções climáticas e ambientais

Youth-Led Climate Action

Iniciativas lideradas por jovens que pressionam governos e empresas por ações sustentáveis

Zona Azul

Espaço oficial da COP30 onde ocorrem as negociações entre países, lideranças e a ONU

Zona Verde

Espaço aberto ao público na COP30, com debates, exposições e eventos paralelos

Fonte: Redação Terra

Fonte: https://www.terra.com.br/ao-vivo/planeta/cop30/glossario-da-cop30-veja-o-significado-dos-termos-mais-usados,b4cfdea117744249b4ea8db0f3dcb5987152p2or.html

O serviço e o sofrimento dos pastores pelo seguimento ao Senhor Jesus segundo Santo Agostinho

(©AFP/Tiziana Fabi)  (AFP or licensors)

"Se Deus quis que o seu Filho assumisse os sofrimentos da humanidade para dar-lhes a remissão dos seus pecados e de sua morte, quanto mais as pessoas seguidoras, pastores, pecadores, assumirão os sofrimentos para viverem em unidade com o Senhor. Através de limitações, cruzes cotidianas, alegrias da vida neste mundo e um dia na eternidade, os pastores são convidados a participar na eternidade".

Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá (PA)

O serviço é próprio de quem segue a Jesus Cristo, porque Ele veio para servir e não para ser servido (cfr. Mt 20,28). Como ser humano e como Servo sofredor, Jesus Cristo assumiu os sofrimentos das pessoas em vista da redenção humana. Os pastores são chamados a servir os outros e a Cristo, passando também pelo sofrimento a causa da Boa-Nova do Reino de Deus.

Nós estamos meditando e atuando neste período eclesial no Brasil da graça da sinodalidade, na firmeza das normas para serem implementadas nas Dioceses, paróquias e comunidades. Nós suplicamos as luzes do Espírito Santo para servir bem ao povo de Deus que nos foi confiado. Sozinhos não temos condições de sermos bons pastores, mas com Jesus nós podemos como Ele o fez, dar a vida pelas  ovelhas (cfr. Jo 10, 11). Nós queremos bem servir ao Senhor Jesus nas pessoas. É sempre Deus quem chama as pessoas para dar um serviço digno, humilde, à comunidade eclesial e para quem espera de nós um bom testemunho de vida. Deus dá as graças necessárias para o serviço, livremente nós respondemos com alegria e com amor ao serviço de Deus. Nós veremos a seguir como Santo Agostinho colocou esta missão para os servidores do Senhor neste mundo e um dia no Reino de Deus.

Servir a Deus: a preparação para a provação

Seguindo a palavra de Deus em Sirácida, ou Eclesiástico que diz a pessoa que quer servir a Deus é chamada não só a permanecer na justiça, no temor; mas ela prepare sua alma para a provação (Sr 2,1)[1], Santo Agostinho tinha presente a debilidade do ministro para torná-lo robusto, forte, o qual era chamado a aderir à fé, ao temor de Deus, ao amor superando às comodidades materiais, porque as tentações, as provações poderiam apresentar-se em vista da fidelidade à missão. A provação possibilitaria ao pastor uma maior firmeza para servir ao Senhor e as pessoas a ele confiadas.

Educação que leva a pessoa ao alto

 Santo Agostinho ressaltou a necessidade de educar as pessoas para construir a casa sobre a rocha que é Cristo (cfr. 1 Cor 10,4) e não sobre a arreia (cf. Mt 7,24,26)[2]. Os  pastores devem ter presentes a vida do Senhor que passou pelos sofrimentos e dores para chegar à glória da ressurreição. Eles são chamados a seguir os sofrimentos de Cristo e não andar em busca dos prazeres[3]. Quem segue a Jesus Cristo, seja quem for, ministro ordenado ou não é chamado à uma educação que o leve para o alto.

 As tribulações

Como a palavra de Deus é clara para quem serve o Senhor, aos pastores são esperados tribulações, perseguições, mas de todas o Senhor os libertará, segundo Santo Agostinho por causa do bem, pelo amor aos mais necessitados feitos na pessoa do Senhor. O coração humano é chamado a unir-se com Ele, e nunca voltar-se para trás[4]. Vindo do Pai e em comunhão com o Espírito Santo, o Senhor garantiu a sua presença no meio da humanidade para infundir coragem ao coração das pessoas, dos ministros. Ele veio para assumir a realidade humana acompanhada pelo sofrimento, pela morte em vista da redenção humana de modo que foi coberto de cuspidas e coroado de espinhos, ouviu ultrajes e foi crucificado na cruz, para assim chegar à glória da ressurreição. Tudo isso o Senhor Jesus fez por nós[5].

Participantes à cruz de Cristo

Santo Agostinho também afirmou como seria possível julgar pastores que por medo de desagradar os fiéis, às pessoas que os ouvem teriam anunciando promessas de uma felicidade temporal que Deus em nenhum modo prometeu aos seres humanos, neste mundo?!. Portanto eles não deveriam ser seguidos. Para quem segue o Senhor Ele exigiu a cruz (cfr. Mt 16,24), orações, trabalhos sobre trabalhos até o fim e estes pastores não podem pretender que os seguidores do Senhor estejam isentos?![6] Sendo pessoa cristã, o pastor, seguidor do Senhor Jesus e de sua Igreja terá que sofrer neste mundo mais que os outros para ser fiel à missão dada pelo Senhor para chegar à glória da ressurreição. Tendo presente também o Apóstolo São Paulo que disse: “Todos os que quiserem viver piedosamente no Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3,12). Desta forma a pessoa seguidora do Senhor não poderá construir a sua casa sobre a areia, porque grande será a sua ruína, mas a casa seja construída sobre a rocha que é Cristo Jesus na qual a pessoa busca segui-lo (cf. Mt 7,24-27)[7].

A Escritura fala dos sofrimentos

Em outras passagens fala a Escritura de sofrimentos para quem segue o Senhor, faz o bem e pratica a caridade. “O Senhor corrige a toda pessoa que Ele o ama” (cfr. Hb, 12, 5-6). Os pastores que não são verdadeiros falam para as suas comunidades que as pessoas ficarão isentas dos sofrimentos. Se de fato as pessoas ficarão poupadas de seus flagelos não serão incluídas no número de filhos[8]. O fato é que segundo Santo Agostinho não foi poupado nem o Unigênito, o Filho de Deus dos flagelos dos sofrimentos e da cruz. O Filho era da mesma substância do Pai (cfr. Fl 2,6,), era o Verbo na qual foram feitas todas as coisas (cfr. Jo 1,3). Ele não ficou fora dos sofrimentos pela causa humana a ser salva de modo que Ele humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz (Fl 2, 8).

Se Deus quis que o seu Filho assumisse os sofrimentos da humanidade para dar-lhes a remissão dos seus pecados e de sua morte, quanto mais as pessoas seguidoras, pastores, pecadores, assumirão os sofrimentos para viverem em unidade com o Senhor. Através de limitações, cruzes cotidianas, alegrias da vida neste mundo e um dia na eternidade, os pastores são convidados a participar na eternidade. Para Santo Agostinho nos sofrimentos do Unigênito de Deus traçou Ele um modelo para nós[9] para corresponder ao amor infinito dele para conosco. O serviço e o sofrimento das pessoas, dos pastores que servem ao Senhor na vida da comunidade andam juntos para levá-las à glória do Deus Uno e Trino.

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[1] Cfr. Discorso 46, 10. In: Sant´Agostino. Sul Sacerdozio. Città Nuova Editrice: Roma, 1985, pg. 132.
[2] Cfr. Idem, pág. 132.
[3] Cfr. Ibidem.
[4] Cfr. Ibidem.
[5] Cfr. Ibidem, pgs. 132-133.
[6] Cfr. Ibidem, n. 11, pg. 133.
[7] Cfr. Ibidem.
[8] Cfr. Ibidem, pg. 134.
[9] Cfr. Ibidem.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF