Translate

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

A incrível história do garoto que inventou o sistema Braille

Louis Braille perdeu a visão aos 5 anos — e, aos 15, já havia desenvolvido um sistema tátil para leitura e escrita (BBC News Brasil)

A incrível história do garoto que inventou o sistema Braille

19 novembro 2025

Atualizado Há 5 horas

Num dia de 1812, na comuna de Coupvray, perto de Paris, na França, Louis Braille estava brincando na oficina do pai, que fabricava arreios para cavalos.

Aos 3 anos, não era raro que se sentisse atraído por ferramentas de marcenaria e, imitando o que havia visto, pegou uma das mais pontiagudas para "brincar de papai".

Talvez não tenha sido a primeira vez que ele fez isso, e provavelmente haviam dito a ele para não fazer — mas, nesta idade, não se medem as consequências.

E, nesta ocasião, aconteceu um acidente que mudaria para sempre sua vida e, alguns anos mais tarde, a de muitas outras pessoas.

Enquanto tentava fazer um buraco no couro, a sovela escorregou das mãos dele e perfurou seu olho.

A ferramenta com a qual Braille não deveria ter brincado (Crédito: Getty Images)

O olho ficou infeccionado, e a infecção não apenas evoluiu, como também passou para o outro olho.

Aos 5 anos, Louis Braille estava completamente cego.

Embora a escola local não oferecesse nenhum programa especial para pessoas com deficiência visual, seus pais tinham clareza que não deviam negar a ele a oportunidade de estudar. Eles o matricularam então e, aos 7 anos, Braille começou a ir para a escola.

Apesar das dificuldades, Louis Braille se saiu bem na escola (Crédito: Getty Images)

Como a maior parte do ensino era feita de forma oral, ele acabou sendo um aluno apto. Mas, sem saber ler ou escrever, estava sempre em desvantagem.

Finalmente, aconteceu a melhor coisa que poderia acontecer: ele ganhou uma bolsa para estudar no Instituto Nacional para Jovens Cegos (Inja, na sigla em francês), em Paris.

Rumo a Paris

De letras a pontos (Crédito: Getty Images)

Braille chegou à capital francesa e ao Inja quando tinha 10 anos.

Naquela época, o sistema de leitura usado até mesmo no instituto era muito básico: os poucos livros que haviam eram impressos com letras em relevo, sistema inventado pelo fundador da escola, Valentin Haüy.

Isso significava que os alunos tinham que passar os dedos sobre cada letra lentamente, do começo ao fim, para formar palavras e, depois de muito esforço, frases.

Em 1821, Charles Barbier, capitão do exército francês, foi ao instituto compartilhar um sistema de leitura tátil desenvolvido para que os soldados pudessem ler mensagens no campo de batalha na escuridão, sem alertar o inimigo com lanternas.

Ele se deu conta de que sua "escrita noturna", como a chamava, poderia beneficiar os cegos.

Pontos e linhas, em vez de letras

Menos pontos, mais clareza (BBC News Brasil)

Em vez de usar letras impressas em relevo, a escrita noturna utilizava pontos e traços em relevo.

Os alunos experimentaram, mas logo perderam o interesse, uma vez que o sistema não apenas não incluía letras maiúsculas ou pontuação, como as palavras eram escritas como eram pronunciadas, e não na ortografia francesa padrão.

Louis Braille, no entanto, persistiu.

Pegou o código como base e foi aperfeiçoando.

Três anos depois, quando tinha 15 anos, havia completado seu novo sistema.

As mudanças

A primeira versão de seu novo sistema de escrita foi publicada em 1829.

O que ele fez foi simplificar o sistema de Barbier, reduzindo os pontos em relevo.

A ideia era que ficassem do tamanho certo para senti-los com a ponta do dedo com um único toque.

Para criar os pontos em relevo na folha de papel, ele usou uma sovela, a mesma ferramenta pontiaguda que havia causado sua cegueira.

E, para garantir que as linhas ficassem retas e legíveis, usou uma grade plana.

Como Braille adorava música, também inventou um sistema para escrever notas.

Hoje, os restos mortais de Braille estão enterrados em Paris, exceto suas mãos, que estão em Coupvray (Crédito: Getty Images)

O tempo passou...

O mundo da medicina era muito conservador e demorou a adotar a inovação de Braille.

Tanto que ele morreu 2 anos antes de finalmente começarem a ensinar seu sistema no instituto em que havia estudado.

Faleceu de tuberculose aos 43 anos.

Com o passar do tempo, o sistema começou a ser usado em todo o mundo francófono. Em 1882, já estava em uso na Europa. Em 1916, chegou à América do Norte e depois ao resto do mundo.

Um sistema adaptável

O sistema braille mudou a vida de muitas pessoas cegas ao redor do mundo.

Lê-se da esquerda para a direita como outras escritas europeias, e não é uma língua: é um sistema de escrita, o que significa que pode ser adaptado para diferentes línguas.

Foram desenvolvidos ainda códigos braille para fórmulas matemáticas e científicas.

No entanto, com o advento de novas tecnologias, incluindo leitores de tela para computador, as taxas de alfabetização neste sistema estão diminuindo.

Homenagem póstuma

Em 1952, em homenagem ao seu legado, os restos mortais de Louis Braille foram desenterrados e transferidos para o Panteão de Paris, onde estão localizados os túmulos de alguns dos mais célebres líderes intelectuais da França.

No entanto, Coupvray, sua terra natal, insistiu em ficar com as mãos dele, que estão sepultadas em uma urna simples no cemitério da igreja.

A Nasa, agência espacial americana, deu, por sua vez, o nome de "9969 Braille" a um tipo raro de asteroide, um eterno tributo a um grande ser humano.

*Este artigo é baseado no vídeo The incredible story of the boy who invented Braille ("A incrível história do menino que inventou o Braille"), da BBC Ideas. Você pode assistir aqui ao vídeo (em inglês).

**Este texto foi publicado originalmente em abril de 2022 e republicado em 19 de novembro de 2025

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr5e52g40vpo

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

O 20 de Novembro e a força que transforma o Brasil

Antes da assinatura da lei Áurea, em 3 de maio de 1888, cerca de seis leis abolicionistas foram sancionadas - (crédito: Caio Gomez)

O 20 de Novembro e a força que transforma o Brasil

Mais que uma data, o Dia da Consciência Negra é um convite a reconhecer o valor, a resiliência e as conquistas da população negra no país.

Por Opinião

postado em 20/11/2025 06:04

JUVENAL ARAÚJO, subsecretário de Políticas de Direitos Humanos e Igualdade Racial da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal

O 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, vai muito além de uma homenagem a Zumbi dos Palmares. É uma data para celebrar o protagonismo da população negra e refletir sobre os caminhos que o Brasil ainda precisa percorrer para garantir igualdade de oportunidades. A luta contra o racismo e a exclusão não é um tema restrito a grupos ou ideologias — é um compromisso de toda a sociedade com a justiça, o mérito e o desenvolvimento humano.

Mais da metade dos brasileiros se declara preta ou parda, segundo o IBGE. Essa maioria, porém, ainda enfrenta grandes obstáculos para acessar posições de destaque no mercado de trabalho e nas estruturas de poder. As barreiras vão desde a desigualdade educacional até a falta de representatividade em cargos de liderança. Não se trata de falta de talento, mas de oportunidades desiguais, muitas vezes determinadas por fatores históricos e sociais que o país ainda não superou.

Apesar disso, o que mais se destaca é a força dessa população, que tem transformado adversidades em caminhos de ascensão. O 20 de Novembro não deve ser lembrado com um olhar de vitimismo, e, sim, como símbolo de superação, capacidade e competência. A cada conquista, a população negra reafirma que não há limite quando o talento encontra espaço.

Um exemplo inspirador é Rachel Maia, que iniciou a carreira como estagiária e se tornou a primeira mulher negra CEO de uma grande multinacional no Brasil, a Pandora. Sua trajetória é símbolo de excelência e liderança. Outra referência é Adriana Barbosa, criadora da Feira Preta, o maior evento de cultura e empreendedorismo negro da América Latina, responsável por fortalecer milhares de pequenos negócios. No campo da ciência, Jaqueline Goes de Jesus, biomédica que coordenou o sequenciamento do genoma do coronavírus no país, demonstrou ao mundo a competência e a contribuição dos cientistas negros brasileiros.

Essas histórias provam que o mérito floresce quando encontra oportunidade. Porém, os números revelam o quanto ainda há a avançar. O Instituto Ethos mostra que menos de 5% dos executivos nas 500 maiores empresas do país são negros. Na média salarial, a diferença entre brancos e negros ultrapassa 40%. Mesmo com diplomas iguais e desempenhos semelhantes, o peso do preconceito ainda limita o reconhecimento profissional.

O que o Brasil precisa compreender é que promover diversidade não é apenas um ato de justiça social — é uma estratégia inteligente de crescimento. Um estudo da McKinsey & Company demonstra que empresas com maior diversidade racial têm desempenho até 36% superior às demais. A pluralidade de ideias e experiências amplia a inovação, fortalece as equipes e aproxima as organizações da realidade do país.

A presença negra também cresce no setor público, na política e na educação. Jovens negros e negras, muitas vezes os primeiros de suas famílias a ingressar na universidade, transformam o conhecimento em ferramenta de mobilidade social. Professores, gestores e empreendedores têm criado  referências e exemplos para futuras gerações.

O 20 de Novembro é, portanto, um chamado à consciência coletiva. Um lembrete de que o racismo não se combate apenas com leis, mas com atitudes concretas: valorizando competências, apoiando o empreendedorismo, ampliando o acesso à educação e combatendo estereótipos que limitam sonhos.

A população negra brasileira é feita de força, inteligência e criatividade. É a base da cultura, da economia e da inovação nacional. Do samba ao hip-hop, das periferias às universidades, dos pequenos comércios aos altos cargos, essa força constrói o país todos os dias, mesmo quando o reconhecimento ainda não vem na mesma medida.

O desafio é fazer com que o mérito e o esforço se sobreponham aos preconceitos. Que empresas e instituições públicas enxerguem o potencial, e não o estigma. Que os talentos negros deixem de ser exceção e passem a ser regra em um Brasil mais justo, competitivo e plural.

Celebrar o 20 de Novembro é celebrar o Brasil que dá certo quando aposta na própria diversidade. É reconhecer que o povo negro não busca privilégios, mas o direito de competir de forma igual e ser valorizado por sua competência. É compreender que o país só alcançará sua verdadeira potência quando todos tiverem as mesmas condições de crescer.

Mais do que uma data, o 20 de Novembro é um espelho. Ele reflete as conquistas, denuncia as desigualdades e projeta um futuro em que o sucesso não tenha cor. O Brasil tem no povo negro uma das suas maiores riquezas — humana, cultural e econômica. E é reconhecendo essa força que poderemos, enfim, construir um país onde a igualdade não seja um ideal distante, mas uma realidade possível. 

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/

Conheça a história desses santos e beatos negros

Conheça a história desses santos e beatos negros (ACI Digital)

Por Redação central*

20 de nov de 2025 às 00:01

Hoje (20) é o Dia Nacional da Consciência Negra. Na Igreja, destacam-se algumas pessoas de origem afrodescendente que, na luta para alcançar a vocação à santidade, chegaram aos altares.

Abaixo, a história de alguns santos e beatos que mostram que a santidade não tem cor de pele nem nacionalidade.

1. São Martinho de Lima

São Martinho de Lima (ou são Martinho de Porres) nasceu em Lima, Peru, em 1579, era filho de um nobre espanhol de origem burguesa, Juan de Porres, e de uma negra livre, Ana Velázquez, natural do Panamá. Desde criança se preocupava com o sofrimento das pessoas, principalmente dos doentes e dos pobres.

Aprendeu o ofício de barbeiro e algo sobre medicina. Aos quinze anos, pediu para ser admitido como terciário no convento dos dominicanos da cidade de Lima.

Já no convento, trabalhava como enfermeiro, onde cuidava de quem chegasse à enfermaria e intercedia diante de Deus para que inúmeros milagres fossem realizados, principalmente curas.

São Martinho morreu em 1639, foi canonizado por são João XXIII em 1962 e sempre foi representado com uma vassoura na mão, símbolo do seu humilde serviço. Ele foi nomeado "Padroeiro da Justiça Social" e "Padroeiro Universal da Paz". A festa dele é celebrada no dia 3 de novembro.

2. Santa Josefina Bakhita

Santa Josefina Bakhita nasceu no Sudão, África. Quando muito jovem, foi capturada na floresta e vendida como escrava. Passou pela propriedade de cinco senhores, sendo o quarto com quem mais sofreu humilhações e torturas.

Josefina entrou no noviciado do Instituto das Irmãs da Caridade de Veneza, junto com Minnina, sua amiga e filha de seu novo amo, Augusto Michieli. Ali, ela conheceu Deus, que sempre "permaneceu em seu coração" e lhe havia dado forças para suportar a escravidão, "mas só naquele momento ela soube quem Ele era".

Em 9 de janeiro de 1890, recebeu o batismo, a primeira comunhão e a crisma. A partir desse momento, assumiu o nome de batismo de Josefina Margarita Afortunada. Em 7 de dezembro de 1893, aos 38 anos, tornou-se uma das irmãs da ordem.

Bakhita morreu em 1947 ,em Schio, Itália. São João Paulo II a beatificou em 1992 e declarou seu dia de culto em 8 de fevereiro. Finalmente, o mesmo papa a canonizou no ano 2000.

"Se eu encontrasse de novo aqueles negreiros que me sequestraram e também aqueles que me torturaram, me ajoelharia para beijar as suas mãos, porque, se não tivesse acontecido isto, eu não seria agora cristã e religiosa”, foram as palavras da santa que se tornou um ícone da história da África.

3. São Benedito, o Negro

São Benedito Manassari nasceu em San Fratello em Messina, Itália, em 1526. Era filho de descendentes de escravos africanos e por causa de sua cor de pele é conhecido como o Mouro.

Aos 21 anos entrou para uma comunidade de eremitas e viveu no Monte Pellegrino, em Palermo. Porém, quando o papa Pio IV dissolveu a comunidade, ela passou a fazer parte dos frades menores.

Durante 24 anos sua casa foi o convento de Santa Maria di Gesù, onde trabalhou como cozinheiro, superior e mestre de noviços. Era conhecido por sua humildade e por viver cheio de fé na providência divina.

Morreu em 1589, foi beatificado pelo papa Bento XIV, em 1743, e canonizado pelo papa Pio VII, em 24 de maio de 1807.

Embora são Benedito seja celebrado em todo o mundo no dia 4 de abril, data de sua morte, sua festa no Brasil ocorre em 5 de outubro por uma especial deferência canônica concedida à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 1983. Assim, este santo franciscano passou a ser recordado imediatamente após o dia de são Francisco de Assis.

4. São Carlos Lwanga e companheiros mártires de Uganda

Carlos Lwanga e José Mkasa, junto com 20 companheiros, foram martirizados entre 1885 e 1887, em Uganda, por ter formado a sociedade dos Missionários da África, conhecida como os Padres Brancos, que se encarregou da evangelização daquele continente durante o século XIX.

O líder da comunidade católica, que já contava com cerca de 200 membros, era um jovem de 25 anos chamado José Mkasa (Mukasa) que trabalhava como mordomo da corte do rei Muanga.

José foi queimado em 15 de novembro de 1885 por confrontar uma decisão do soberano. Antes de morrer, disse a seus carrascos: “um cristão que dá a vida por Deus não tem medo de morrer”.

Em maio do ano seguinte, os cristãos, agora a cargo de Carlos Lwanga, foram capturados e apresentados ao rei, que lhes perguntou se pretendiam continuar a professar a sua fé, ao que responderam "Até à morte!"

Em 3 de junho de 1886, doze deles foram queimados vivos e outros 10 cristãos foram esquartejados. Os 22 mártires foram beatificados em 6 de junho de 1920 pelo papa Bento XV. Depois, foram canonizados por Paulo VI, em 18 de outubro de 1964.

5. Beato Cyprian Michael Iwene Tansi

Cyprian Michael Iwene Tansi nasceu em 1903 em Igboezunu no sul da Nigéria. Apesar da desaprovação de seus pais, entrou no seminário de Igbarian em 1925 e foi consagrado padre em 1956.

Tansi era uma pessoa próxima do povo, preocupava-se principalmente com a pastoral da família, onde trabalhava para que os casais chegassem bem preparados para o matrimônio e promovia a castidade.

O padre também lutou pelo acesso à educação para as jovens, incentivou as pessoas a receber o sacramento da reconciliação e alimentar suas vidas com a Palavra de Deus e a sagrada comunhão.

Foi enviado à abadia cisterciense do Monte São Bernardo, Inglaterra, para seguir a vocação monástica e assim regressar à África à vida contemplativa. Em 1964, prestes a retornar a Camarões para formar a nova comunidade, morreu de aneurisma da aorta.

Foi beatificado por são João Paulo II em 22 de março de 1998 e é o primeiro beato na Nigéria.

6. Beato Tshimangadzo Samuel Benedict Daswa

Tshimangadzo Samuel Daswa nasceu em 16 de junho de 1946 na tribo Lemba, na diocese de Tzaneen, foi batizado em 21 de abril de 1963, aos 16 anos, com o nome de Benedict.

Daswa foi diretor da escola de ensino fundamental da aldeia Nweli, catequista, promotor de obras de caridade e reconhecido pela sua vida de oração, generosidade e bondade; características que ele também demonstrou com sua esposa, Shadi Eveline Monyai, uma luterana que se converteu ao catolicismo, e seus oito filhos.

Em 2 de fevereiro de 1990, caiu numa emboscada enquanto viajava em seu carro, em retaliação por se recusar a pagar dinheiro ao conselho de anciãos que planejava ir a um bruxo por causa de uma série de fortes tempestades na aldeia.

Daswa conseguiu fugir. Mas, diante da ameaça de matar a mulher que o escondia, ele se entregou aos seus assassinos dizendo: "Pai, recebe meu espírito". Ele foi cruelmente assassinado, momento em que orou de joelhos.

Daswa foi beatificado pelo papa Francisco em 13 de setembro de 2015 e é o primeiro beato da África do Sul.

7. Bem-aventurada Nhá Chica

Francisca de Paula de Jesus nasceu em 1808 em São João del-Rei (MG), filha de escravos. Mudou-se com a mãe e o irmão para Baependi, no mesmo estado. Ficou órfã aos dez anos, seu irmão tinha 12 anos. Os dois ficaram sob os cuidados de Nossa Senhora, a quem Francisca logo passou a chamar de “Minha Sinhá”.

Foi de sua mãe que ela recebeu uma grande devoção a Nossa Senhora da Conceição, que carregou ao longo de toda a sua vida. Soube administrar bem tal herança espiritual e ficou conhecida como “mãe dos pobres”.

Nunca se casou, porque decidiu dedicar-se totalmente ao Senhor. Sendo analfabeta, gostava quando alguém lia para ela as Sagradas Escrituras. Não pertenceu a uma organização religiosa e era respeitada por todos que a conheciam, desde o mais humilde dos homens aos mais poderosos de seu tempo.

Uma das coisas que se destaca em sua vida é a novena que compôs à Nossa Senhora da Conceição. Do mesmo modo, em honra à Virgem, construiu ao lado de sua casa uma pequena igreja, onde rezava piedosamente por todas as pessoas que se recomendavam a ela.

Nhá Chica morreu em 14 de junho de 1895 e foi beatificada em maio de 2013.

8. Beato Francisco de Paula Victor

Francisco de Paula Victor nasceu em Campanha (MG), filho da escrava Lourença de Jesus, no dia 12 de abril de 1827. Oito dias depois, foi batizado e sua madrinha foi a dona da fazenda onde nasceu, Marianna Bárbara Ferreira, que teve papel fundamental para sua educação.

Exercia a profissão de alfaiate, mas, em seu coração, Deus o chamava ao sacerdócio. Esse sonho era praticamente impossível na época da escravidão. Mas, ele teve apoio em sua madrinha, que procurou o padre da cidade para saber se seria possível realizar o sonho de Victor.

A oportunidade apareceu em 1848, quando o bispo de Mariana (MG), dom Antônio Ferreira Viçoso, visitou Campanha. Victor logo o procurou e manifestou o desejo de ser padre, pedido que foi aceito. Ele ingressou no seminário em 5 de junho de 1849. Foi ordenado sacerdote em 14 de junho de 1851 e permaneceu em Campanha como coadjutor até o ano seguinte, quando foi transferido para Três Pontas (MG) como vigário e mais tarde pároco. Só saiu de lá 53 anos depois ao morrer, no dia 23 de setembro de 1905.

Seu ministério foi marcado pela catequese e instrução do povo, edificando a Escola Sagrada Família para crianças e jovens. Padre Victor pregou não só com as palavras, mas pelo seu testemunho de amor a Deus.

Padre Francisco de Paula Victor foi beatificado em 14 de novembro de 2015, na cidade de Três Pontas.

*A Agência Católica de Informação - ACI Digital, faz parte das agências de notícias do Grupo ACI, um dos maiores geradores de conteúdo noticioso católico em cinco idiomas e que, desde junho de 2014, pertence à família EWTN Global Catholic Network, a maior rede de televisão católica do mundo, fundada em 1981 por Madre Angélica em Irondale, Alabama (EUA), e que atinge mais de 85 milhões de lares em 110 países e 16 territórios.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticia/53777/conheca-a-historia-desses-santos-e-beatos-negros

Jubileu dos Coros terá maratona de concertos no fim de semana em Roma

Jubileu dos Coros 2025 (Vatican News)

No final da tarde de sábado (22/11), primeiro dia de jubileu, 40 coros da Itália e também de outros países, como de Portugal e Equador, irão animar as missas vespertinas com breve concerto ao final. O site do Jubileu da Esperança traz o elenco de horários, paróquias e grupos que irão cantar. O encontro com o Papa Leão XIV acontece durante audiência jubilar no sábado (22/11) e na missa no domingo (23/11), ambas na Praça São Pedro e com transmissão ao vivo em português nos canais do Vatican News.

Andressa Collet - Vatican News

Jubileu dos Coros, marcado para o próximo final de semana, será o terceiro e último temático do mês de novembro, além de ser o penúltimo grande evento do Ano da Esperança já que o calendário oficial ainda prevê o Jubileu dos Detentos em 14 de dezembro. Na expectativa dos próximos dias 22 e 23 de novembro, a cidade de Roma será envolvida por concertos oficiais do Vaticano e apresentações artísticas, começando por aquele beneficente nesta quinta-feira (20/11) na Sala Paulo VI: por ocasião do Dia Internacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a banda musical da Aeronáutica Militar da Itália vai promover um concerto beneficente em apoio ao Hospital Pediátrico Bambino Gesù, o Hospital do Papa. No dia seguinte está previsto outro evento institucional, desta vez organizado pelo Dicastério para a Evangelização, quando o Coro Feminino de Gori, da Geórgia, premiado internacionalmente pela excelência artística na versatilidade de gêneros - da música clássica ao jazz e à eletrônica e também tradições urbanas e folclóricas - irá se apresentar no Pantheon, às 17h30 do horário local. Já no domingo (23/11), na Basílica de Santa Maria Maior às 20h, o concerto ficará a cargo daquele que é considerado o principal coro da Igreja na Geórgia, o Coro Patriarcal da Catedral de Santa Trindade da Geórgia que em 2022 recebeu o estatuto de Coro da Câmara de Estado. O repertório inclui cantos polifónicos únicos daquele país e música contemporânea.

O Jubileu dos Coros encontra o Papa

Já as atividades jubilares dos peregrinos ficarão concentradas no final de semana. No sábado (22/11), a partir das 10h do horário italiano, 6h do horário de Brasília, o Papa vai acolhê-los na Praça São Pedro com transmissão ao vivo em português dos canais do Vatican News. Após a audiência, está prevista a peregrinação e passagem pela Porta Santa da Basílica de São Pedro. À tarde, os peregrinos poderão dar sequência às Portas Santas de São João de Latrão, São Paulo Fora dos Muros e Santa Maria Maior, com possibilidade de receber o Sacramento da Reconciliação nas basílicas jubilares.

Segundo a Feniarco, a Federação Nacional Italiana de Associações Regionais de Corais, os membros foram convidados a participar de dois diferentes momentos: o primeiro, no início da tarde, intitulada Cerimônia da Paz, reservada aos coros de crianças, adolescentes e jovens; e o segundo, à noite, na Igreja de São João Bosco, quando os coros aderentes à proposta se unirão num único grande coral para executar 4 músicas selecionadas e extraídas do Messiah de Händel com o acompanhamento de uma orquestra de Roma.

Para o final da tarde de sábado (22/11), 40 coros da Itália e também de outros países, como Portugal e Equador, irão animar as missas vespertinas. O site oficial do Jubileu da Esperança traz o elenco de horários, paróquias e grupos que irão inclusive fazer um breve concerto ao final de cada celebração eucarística. Para o domingo (23/11), Solenidade de Cristo Rei do Universo, mais um encontro com o Papa, desta vez para a celebração eucarística na Praça São Pedro: a missa começa às 10h30 na Itália, 6h30 no horário de Brasília, sempre com transmissão ao vivo com comentários em português nos canais do Vatican News.

“Este é o tempo da esperança!”

O Jubileu dos Coros está sendo organizado pelo Dicastério para a Evangelização para celebrar o poder da música sacra na vida da Igreja e valorizar o papel dos coros litúrgicos como instrumentos de evangelização e comunhão. As atividades do final de semana prometem reunir, assim, peregrinos ativos em coros de todo o mundo no coração da Igreja católica para o penúltimo jubileu temático do Ano da Esperança.

De fato, todo o período jubilar acaba sendo caracterizado por um rico calendário de eventos religiosos, culturais e sociais: além das celebrações e audiências dirigidas aos fiéis, o Ano Santo é marcado por vários “jubileus” dedicados a diferentes pessoas, identificadas com base em profissões específicas ou em seu papel dentro da família, da Igreja e da sociedade. Cada um deles prevê momentos de reflexão e espiritualidade, normalmente com uma missa conclusiva celebrada pelo Pontífice. Iniciado oficialmente pelo Papa Francisco com a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro em 24 de dezembro de 2024, o Jubileu de 2025 é o 28º Jubileu da história da Igreja Católica: “irmãos e irmãs, este é o Jubileu, este é o tempo da esperança!”, disse o Pontífice argentino depois que abriu a Porta Santa, a porta da esperança escancarada para o mundo e quando Deus diz a cada um: “há esperança também para você!”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

ORTODOXO: A raiz do cisma: o pensamento mundano na Igreja (Parte 3/3)

Bartolomeu I durante o encontro com os enviados de 30Giorni

ORTODOXO

Arquivo 30Dias nº 01 - 2004

Entrevista com Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla

A raiz do cisma: o pensamento mundano na Igreja

"De todas as divergências entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente, a que se pode compreender mais facilmente é por que e como a Igreja do Ocidente fundamentou sua esperança em sua força mundana."

Por Gianni Valente

Desde a reforma gregoriana, o desenvolvimento histórico do poder papal, aos olhos dos ortodoxos, distanciou-se do mandato confiado pelo próprio Cristo a Pedro e aos outros apóstolos. Quais são, em sua opinião, os elementos mais visíveis e substanciais desse processo?
BARTOLOMEU I: Pelo que dissemos, é evidente, acreditamos, que o espírito de Cristo, manifestado em suas palavras "Não vim para ser servido, mas para servir" e, sobretudo, em "dar a minha alma em resgate por muitos", que também deve inspirar seus apóstolos, não se expressa, segundo a percepção ortodoxa, por um poder eclesiástico centralizado.

Segundo a percepção ortodoxa, a teoria do poder de Pedro sobre os apóstolos é equivocada, pois Pedro, por um lado, era um líder, mas, por outro, era um dos apóstolos, igualmente um apóstolo, como todos os outros. A superioridade de Pedro sobre os demais apóstolos é enfatizada para justificar uma primazia de poder.

Além disso, os ortodoxos, com razão, desconfiam de todas as outras alegações papais, como a infalibilidade e os novos dogmas papais, porque, nessas alegações, veem um desvio da fé primitiva, da eclesiologia da Igreja primitiva.

Mas os efeitos negativos do cisma não se limitaram à Igreja Ocidental. Os estudiosos católicos enfatizam que, após a separação, a fragilidade das Igrejas Orientais e sua submissão estrutural aos poderes civis aumentaram. Há algo que o senhor compartilhe dessa opinião?
BARTOLOMEU I: Não, não compartilhamos dessa opinião. As Igrejas Ortodoxas Orientais nunca buscaram o poder mundano e nunca basearam sua existência e vida nele. Eles sempre se lembram do que Deus disse a Paulo: "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" ( 2 Coríntios 12:9). Lembram-se também do que Cristo disse a Pilatos: Ele não pediu que doze exércitos de anjos fossem arrebatados das mãos de Pilatos.

Além disso, apesar dos esforços que por vezes são feitos para incorporar as Igrejas ao organismo estatal, bem como da tendência, por vezes emergente, para concepções nacionalistas, as Igrejas Ortodoxas denunciaram o etnofiletismo [a justificação teológica das ideologias nacionalistas, ed. como heresia e mantiveram um senso de unidade espiritual, apesar da autocefalia administrativa que existe em muitas delas.

Após séculos de afastamento mútuo, Paulo VI e Atenágoras, ao final do Concílio Vaticano II, com a declaração conjunta de dezembro de 1965, quiseram "apagar da memória da Igreja" as excomunhões de 1054. Como o senhor se lembra desse gesto e desses momentos?
BARTOLOMEU I: Foi um momento excepcionalmente comovente, que reacendeu as esperanças de progresso rumo à unidade. Infelizmente, essas esperanças não se concretizaram até hoje, embora houvesse a possibilidade de realizá-las, mas não deixamos de ter esperança, mesmo sabendo das dificuldades, como dissemos acima. Em uma carta que dirigimos recentemente a Sua Santidade o Papa João Paulo II, saudamos o aniversário do encontro em Jerusalém de nossos predecessores, o Patriarca Atenágoras e o Papa Paulo VI, como um grande evento histórico.

Atenágoras chamou esse ato de "garantia de eventos futuros". Naquele momento, muitos tiveram a impressão de que as Igrejas Católica e Ortodoxa estavam se reconhecendo novamente como uma só Igreja, inclusive na comunhão sacramental. Comparando com essa fase, como o senhor vê as últimas décadas de diálogo ecumênico?
BARTOLOMEU I: Muito pobres em resultados significativos, mas frutíferas no profundo trabalho interno das consciências. Estamos distantes da era de Atenágoras, porque estamos distantes de seu espírito visionário e fulminante. Infelizmente, os fatos testemunham que, em muitas coisas, o passado determina o futuro, assim como uma bala que sai do cano de uma arma inevitavelmente segue seu caminho predeterminado. Precisamos de grande empenho e conversão mais profunda para reverter o curso do mundo e, em particular, o caminho do cisma.

Gostaria de concluir com algumas perguntas sobre o mundo atual. Diante das guerras, ataques e da dor constante que envolve o mundo, como a fé ortodoxa vê tudo isso? Por quais critérios ela julga os acontecimentos?
BARTOLOMEU I: A Igreja Ortodoxa vê o mal de nossos tempos como uma manifestação do mal geral. Naturalmente, repudia atos terroristas, independentemente de sua origem, e ora pela paz mundial. Mas a eliminação definitiva dessas terríveis feridas da humanidade só acontecerá se amarmos o verdadeiro Deus e fizermos a Sua vontade.

Alguns continuam a falar de um choque de civilizações e a demonizar o Islã. O que a sua coexistência milenar com os muçulmanos lhe ensina?
BARTOLOMEU I: A demonização pode afetar qualquer pessoa, independentemente de sua religião. O próprio Evangelho diz que chegará a hora em que aqueles que matam os fiéis acreditarão que estão prestando culto a Deus. Temos exemplos bem conhecidos na história de cristãos demonizados que cometeram crimes terríveis em nome de Cristo. Consequentemente, não é o Islã em si que deve ser demonizado, mas suas interpretações fanáticas, como é precisamente o que acontece com muitas opiniões fanáticas defendidas por alguns cristãos ou seguidores de outras religiões.

Quanto às civilizações, em sociedades abertas, como as do mundo moderno, elas estão em constante diálogo umas com as outras e exercem pressões de equilíbrio. Os conflitos não são inevitáveis ​​quando as pessoas estão abertas ao diálogo cultural. Somente aqueles que rejeitam o diálogo ou o temem usam o conflito para impor visões religiosas ou culturais. O próprio Alcorão, invocado por fanáticos, proclama que a religião não pode ser imposta.

A Turquia, governada por um partido islâmico moderado, também foi atingida pelo terrorismo, depois que muitos na Europa, incluindo clérigos, se opuseram à sua admissão na União Europeia. Como o senhor vê esses eventos?
BARTOLOMEU I: Acreditamos que a perspectiva europeia da Turquia é benéfica tanto para a Turquia quanto para a Europa, como já afirmamos repetidamente. A Turquia certamente precisa compartilhar os padrões estabelecidos na Europa em relação aos direitos humanos, à liberdade religiosa e a outras liberdades, às leis da UE sobre meio ambiente, comércio e assim por diante, e é reconfortante que passos importantes tenham sido dados nessa direção. Naturalmente, muitas reformas legislativas, administrativas e sociais devem ser implementadas, algumas das quais já começaram, enquanto outras virão.

Esta é também a resposta para aqueles que se opõem à adesão da Turquia. Como sua adesão não é automática, mas controlada, ela só ocorrerá quando as condições estabelecidas pela União Europeia forem atendidas. Se essas condições forem atendidas, a diversidade religiosa da Turquia em relação à maioria dos estados europeus de base cristã não pode ser uma razão suficiente para justificar a oposição à sua adesão por parte da Europa tolerante e laica, que já abriga milhões de muçulmanos.

 O senhor virá a Roma nos próximos meses. O senhor se encontrará com o Papa? E o que o senhor dirá a ele?
BARTOLOMEU I: Nossos sinceros votos de saúde, expressando nosso amor e orações para que as condições para a união das Igrejas de Deus se concretizem em tempo oportuno.

Fim.

Fonte: https://www.30giorni.it/

Cristo Rei, homilia de São Josemaria (Parte 2/3)

Cristo Rei | Opus Dei.

Cristo Rei, homilia de São Josemaria

Disponibilizamos, em áudio e texto, a homilia Cristo Rei que São Josemaria Escrivá pronunciou no dia 22 de novembro de 1970, festa de Cristo Rei, e posteriormente publicada em “É Cristo que passa”.

https://odnmedia.s3.amazonaws.com/image/sjm/mp3/cristo_-rei.mp3

14/11/2022

Disponibilizamos, em áudio, a homilia Cristo Rei que São Josemaria Escrivá pronunciou no dia 22 de novembro de 1970, festa de Cristo Rei, e posteriormente publicada em “É Cristo que passa”.

Homilia completa:

Cristo deve reinar, acima de tudo, na nossa alma. Mas que resposta lhe daríamos se nos perguntasse: como me deixas reinar em ti? Eu lhe responderia que, para que Ele reine em mim, necessito da sua graça abundantemente: só assim é que o último latejo do coração, o último alento, o olhar menos intenso, a palavra mais intranscendente, a sensação mais elementar se traduzirão num hosana ao meu Cristo Rei.

Se pretendemos que Cristo reine, temos que ser coerentes, começando por entregar-lhe o nosso coração. Se não o fizermos, falar do reinado de Cristo será palavreado sem substância cristã, manifestação externa de uma fé inexistente, manejo fraudulento do nome de Deus para barganhas humanas.

Se a condição para que Jesus reine em minha alma, na tua alma, fosse contar previamente com um lugar perfeito dentro de nós, teríamos motivos para desesperar. Mas não temas, filha de Sião: eis que o teu Rei vem montado sobre um jumentinho. Vemos? Jesus contenta-se com um pobre animal por trono. Não sei o que se passa convosco; quanto a mim, não me humilha reconhecer-me aos olhos do Senhor como um jumento: Sou como um burrinho diante de Ti; mas estarei sempre a teu lado, porque me tomaste pela tua mão direita , Tu me conduzes pelo cabresto.
Pensemos nas características do jumento, agora que vão ficando tão poucos. Não no burro velho e teimoso, rancoroso, que se vinga com um coice traiçoeiro, mas no burrinho jovem, de orelhas esticadas como antenas, austero na comida, duro no trabalho, de trote decidido e alegre.

Há centenas de animais mais belos, mais hábeis e mais cruéis. Mas Cristo escolheu esse para se apresentar como rei diante do povo que o aclamava. Porque Jesus não sabe o que fazer com a astúcia calculista, com a crueldade dos corações frios, com a formosura vistosa mas oca. Nosso Senhor ama a alegria de um coração jovem, o passo simples, a voz sem falsete, os olhos limpos, o ouvido atento à sua palavra de carinho. É assim que reina na alma.

Se deixarmos que Cristo reine na nossa alma, não nos converteremos em dominadores; seremos servidores de todos os homens.

Serviço. Como gosto dessa palavra! Servir ao meu Rei e, por Ele, a todos os que foram redimidos pelo seu sangue. Se nós, cristãos, soubéssemos servir! Confiemos ao Senhor a nossa decisão de aprender a realizar essa tarefa de serviço, porque só sentindo poderemos conhecer e amar Cristo, dá-lo a conhecer e conseguir que outros mais o amem.

Como havemos de mostrá-lo às almas? Com o exemplo: que sejamos suas testemunhas em todas as nossas atividades, mediante a nossa voluntária servidão a Jesus Cristo, porque Ele é o Senhor de todas as realidades da nossa vida, porque é a única e a última razão da nossa existência. Depois, quando tivermos prestado esse testemunho do exemplo, seremos capazes de instruir com a palavra, com a doutrina. Cristo agiu assim: Coepit facere et docere , primeiro ensinou com obras, e depois com a sua pregação divina.

Servir os outros, por Cristo, exige que sejamos muito humanos. Se a nossa vida for desumana, Deus nada edificará sobre ela, pois normalmente não constrói sobre a desordem, sobre o egoísmo, sobre a prepotência. Temos que compreender a todos, temos que conviver com todos, temos que desculpar a todos, temos que perdoar a todos. Não diremos que o injusto é justo, que a ofensa a Deus não é ofensa a Deus, que o mau é bom. No entanto, perante o mal, não responderemos com outro mal, mas com a doutrina clara e com a ação boa: afogando o mal em abundância de bem. Assim Cristo reinará na nossa alma e nas almas dos que nos rodeiam.

Alguns tentam construir a paz no mundo sem semear amor de Deus em seus corações, sem servir por amor de Deus as criaturas. Assim, como será possível realizar uma missão de paz? A paz de Cristo é a paz do reino de Cristo; e o reino de Nosso Senhor deve cimentar-se no desejo de santidade, na disposição humilde de receber a graça, numa esforçada ação de justiça, num derramamento divino de amor.

Não é um sonho irrealizável ou inútil. Se nós, os homens, nos decidíssemos a albergar o amor de Deus em nossos corações! Cristo, Senhor Nosso, foi crucificado e, do alto da Cruz, redimiu o mundo, restabelecendo a paz entre Deus e os homens. Jesus Cristo recorda a todos: Et ego, si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad meipsum , se vós me colocardes no cume de todas as atividades da terra, cumprindo o dever de cada instante, dando testemunho de mim no que parece grande e no que parece pequeno, omnia traham ad meipsum, tudo atrairei a mim. Meu reino entre vós será uma realidade.

Cristo, Nosso Senhor, continua empenhado nesta semeadura de salvação dos homens e de toda a criação, deste nosso mundo, que é bom porque saiu bom das mãos de Deus. Foi a ofensa de Adão, o pecado da soberba humana, que rompeu a divina harmonia da Criação.

Mas Deus Pai, quando chegou a plenitude dos tempos, enviou seu Filho Unigênito, que, por obra do Espírito Santo, tomou carne em Maria sempre Virgem para restabelecer a paz, para que, redimindo o homem do pecado, adoptionem filiorum reciperemus , fôssemos constituídos filhos de Deus, capazes de participar da intimidade divina; para que assim fosse concedido a este homem novo, a esta nova estirpe dos filhos de Deus , o poder de libertar todo o universo da desordem, restaurando em Cristo todas as coisas , que por Ele foram reconciliadas com Deus.

Foi para isso que nós, os cristãos, fomos chamados, essa é a nossa tarefa apostólica e a preocupação que deve consumir a nossa alma: conseguir que o reino de Cristo se torne realidade, que não haja mais ódios nem crueldades, que estendamos pela terra o bálsamo forte e pacífico do amor. Peçamos hoje ao nosso Rei que nos faça colaborar humilde e fervorosamente com o propósito divino de unir o que se quebrou, de salvar o que está perdido, de ordenar o que o homem desordenou, de levar a seu termo o que se extraviou, de reconstruir a concórdia entre todas as coisas criadas.

Abraçar a fé cristã é comprometer-se a continuar entre as criaturas a missão de Jesus. Cada um de nós tem que ser alter Christus, ipse Christus, outro Cristo, o próprio Cristo. Só assim poderemos empreender essa tarefa grande, imensa, interminável: santificar por dentro todas as estruturas temporais, levando até elas o fermento da Redenção.

Nunca falo de política. Não encaro a tarefa dos cristãos na terra como se tivesse por fim fazer brotar uma corrente político-religiosa - seria uma loucura -, nem mesmo com o bom propósito de infundir o espírito de Cristo em todas as atividades dos homens. O que é preciso situar em Deus é o coração de cada um, seja ele quem for. Procuremos falar a cada cristão, para que lá onde estiver - nas circunstâncias que não dependem apenas da sua posição na Igreja ou na vida civil, mas também do resultado das mutáveis situações históricas -, saiba dar testemunho da fé que professa, com o exemplo e com a palavra.

Por ser homem, o cristão vive no mundo com pleno direito. Se aceitar que Cristo habite em seu coração, que Cristo reine, a eficácia salvadora do Senhor estará intensamente presente em todas as suas ocupações humanas. E não interessa que sejam ocupações altas ou baixas, como se costuma dizer, pois um ápice humano pode ser aos olhos de Deus uma baixeza; e o que chamamos baixo ou modesto pode ser um ápice cristão, de santidade e de serviço.

Quando trabalha, como é de sua obrigação, o cristão não deve iludir nem esquivar-se às exigências próprias da natureza das coisas. Se pela expressão abençoar as atividades humanas, se entendesse anular ou escamotear a sua dinâmica própria, negar-me-ia a usar essas palavras. Pessoalmente, nunca me convenci de que as ocupações habituais dos homens devessem ostentar um qualificativo confessional, à moda de um letreiro postiço. Embora respeite a opinião contrária, parece-me que se correria o perigo de usar em vão o santo nome da nossa fé, e de utilizar, além disso, a etiqueta católica - como já se tem visto em certas ocasiões - para justificar atitudes e operações que, às vezes, nem sequer são honradamente humanas.

Se, à exceção do pecado, o mundo e tudo o que nele se contém é bom, por ser obra de Deus Nosso Senhor, o cristão, lutando continuamente por evitar as ofensas a Deus - uma luta positiva de amor -, deve dedicar-se a todas as realidades terrenas, ombro a ombro com os outros cidadãos; e defender todos os bens derivados da dignidade da pessoa.

E existe um bem que, de forma especial, deverá promover sempre: o da liberdade pessoal. Só se defender a liberdade individual dos outros, com a correspondente responsabilidade pessoal, poderá defender igualmente a sua própria, com honradez humana e cristã. Repito e repetirei sem cessar que o Senhor nos concedeu gratuitamente um grande dom sobrenatural, que é a graça divina; e outra maravilhosa dádiva humana, a liberdade pessoal, que - para não se corromper, convertendo-se em libertinagem - exige de nós integridade, empenho eficaz em desenvolver a conduta dentro da lei divina, pois onde se encontra o Espírito de Deus, lá se encontra a liberdade.

Continua...

Fonte: https://opusdei.org/pt-br/article/cristo-rei-homilia-de-s-josemaria-em-audio/

Beleza oculta

Jesus nunca disse que seria fácil...(Facebook)

BELEZA OCULTA 

17/11/2025

Dom Lindomar Rocha Mota
Bispo de São Luís de montes Belos (GO) 

Há uma beleza que se guarda e não chama atenção, nem se ostenta, apenas existe. Uma beleza que mora no brilho de olhos distraídos, na paz que visita o coração no meio do dia, na pequena alegria que resiste ao castigo do tempo. Uma beleza que prefere o que está esquecido e encostado nas coisas gastas. 

Essa beleza conhece as feridas. Sabe que toda cicatriz é desenho de retorno, linhas que mostram por onde a vida passou antes de voltar do abismo.  

O Evangelho de Lucas mostra uma cena em que essa beleza parece ausente. Alguns apontavam, admirados, a grandeza do templo, as pedras imensas, os adornos, o esplendor visível. Jesus ouve e responde com uma frase que parece contrariar a admiração: “não ficará pedra sobre pedra”. É como se dissesse que aquilo que os olhos chamam de definitivo não suporta o peso do tempo. E Ele continua, enumerando guerras, revoluções, abalos, fome, perseguições, traições. Coisas não estranhas à história, pois reaparecem, século após século, com novos nomes e as mesmas feridas. 

É fácil imaginar que num mundo assim a beleza seja apenas luxo. Mas é justamente aí que ela mostra sua força. As pedras caem, as estruturas se movem, o chão treme, e no entanto há um olhar que aprende a não se assustar. 

A beleza é esse olhar! Sem negar a gravidade dos acontecimentos, ela se recusa a deixar que eles sejam a conclusão. Sem se opor ao real, ela apenas o aprofunda, abrindo uma fissura na dureza da vida. 

Jesus não promete um caminho fácil, nem uma caminhada plaina. Fala de prisões, incompreensões, ódio, famílias divididas. Mas, dentro desse cenário, oferece um dom que não se compra. 

Palavras e sabedoria que ninguém consegue silenciar, cuidado minucioso que conta até os fios de cabelo, uma promessa de que a vida não será perdida. É como se dissesse que, enquanto as estruturas visíveis desabam, outra construção silenciosa se ergue por dentro.  

A beleza que vem de Cristo é resistência luzente. Ele não se apresenta como um ornamento do templo, e sim como o próprio Templo que permanece quando todas as paredes caem. 

Um dia, essa mesma beleza subiu um monte. Não levava nenhum adorno, mas o peso manso de uma autoridade que ninguém podia contestar. A multidão se aproximou, carregando seus medos, suas faltas, suas perguntas. Então Ele se sentou, e o mundo teve a sensação de que, por um instante, respirava com mais profundidade. A voz que anunciou a queda das pedras também revelou o que permanece quando tudo cai. 

Ele começou a falar de felicidade, mas não daquela que se mede pelo sucesso ou pela ausência de problemas. 

Falou dos pobres de espírito, daqueles que não se bastam e deixam lugar para Deus, e ali revelou que o Reino escolhe essa casa humilde para morar. 

Falou dos que choram, e não prometeu que nunca mais haveria lágrimas, mas disse que deles é o consolo, como se cada pranto pudesse ser colhido pela mão de alguém que conhece o peso da dor. Falou dos mansos e mostrou que a terra, tantas vezes violenta, reconhece e confia na leveza. 

Falou dos que têm fome e sede de justiça, não como idealistas, mas como gente que traz no peito a impaciência de Deus diante da injustiça; a esses prometeu saciedade, como quem garante que o mundo não ficará alquebrado para sempre 

Falou dos misericordiosos, que se arriscam a perdoar quando tudo pede vingança, e revelou que o coração que se abre dessa maneira acaba encontrando uma medida nova de misericórdia. Falou dos puros de coração, não como perfeitos sem manchas, mas como aqueles que permanecem inteiros, sem duplicidade, e disse que esses verão a Deus, como se a própria beleza divina estivesse escondida na simplicidade do olhar limpo. 

Falou dos que promovem a paz, não como diplomatas nacionalistas, mas como artesãos que costuram tecidos rasgados; chamou-os filhos de Deus, como se a paz fosse a assinatura do Pai em suas vidas. E, por fim, falou dos perseguidos por causa da justiça, daqueles em quem o mundo descarrega sua fúria, e afirmou que deles é o Reino dos céus. 

Nele, a beleza escondida no mundo ganhou rosto, voz e forma. Tudo o que estava disperso, tudo o que aparecia como sussurro em meio ao barulho das catástrofes, tudo o que se insinuava como esperança em meio ao medo, reuniu-se naquela fala sobre o monte. A beleza não era mais uma presença tímida em cantos discretos da vida. Ela estava ali, sentada, falando, revelando que o verdadeiro esplendor é a vida transformada em bem-aventurança. 

Desde então, a beleza mais resplandecente é o próprio Cristo, que atravessa o tempo como uma promessa viva. Nele, o mundo ferido encontra o seu contorno e a vida descobre que não é forjada para terminar em ruínas. Nele, toda catástrofe perde o direito de decidir. E, quando a sua voz ecoa no coração, é como se a nascente escondida sob a pedra e colunas viesse à tona, e das ruínas do templo devastado emerge uma beleza como nunca se havia visto. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Padre Mario Pezzi, doutor honoris causa em Teologia pela UCAM

Padre Mario Pezzi na Solene Eucaristia presidida pelo Exmo. e Revmo. Mons. José Manuel Lorca ©UCAM.

Padre Mario Pezzi, doutor honoris causa em Teologia pela UCAM

13 novembro 2025

CncMadrid

No Caminho Neocatecumenal, suas catequeses sobre o Magistério da Igreja, a serviço da evangelização, formaram gerações de pessoas em todo o mundo.

Na quinta-feira, 13 de novembro, o Padre Mario Pezzi, presbítero da Equipe Internacional do Caminho Neocatecumenal, recebeu o título de doutor honoris causa em Teologia pela Universidade Católica de San Antonio de Murcia (UCAM): um reconhecimento por seus méritos extraordinários, especialmente na atividade de pesquisa e formação no Magistério da Igreja, por meio das catequeses que, durante décadas, tem dado às comunidades Neocatecumenais.

Padre Mario Pezzi, Doutor Honoris Causa, @UCAM.

O título foi concedido durante a cerimônia de abertura do Ano Acadêmico 2025–2026, no Mosteiro dos Jerônimos (um complexo monástico do início do século XVIII, conhecido como o Escorial de Múrcia e declarado monumento nacional), onde está sediada a UCAM. A cerimônia contou com a presença de Mons. D. José Manuel Lorca Planes, Bispo da Diocese de Cartagena-Múrcia, da Presidente da UCAM, María Dolores García Mascarell, da Magnífica Reitora, Doutora Josefina García Lozano, de diversas autoridades civis e religiosas e de numerosos irmãos do Caminho Neocatecumenal da Itália e da Espanha.

A sabedoria — da qual a primeira leitura da liturgia do dia fazia um elogio — foi a pauta de todo o evento, que se iniciou com uma solene Celebração Eucarística presidida pelo bispo da diocese. Seguiu-se o Ato Acadêmico com o discurso da Magnífica Reitora (que falou de um “evento histórico, de enorme significado e de grande profundidade”), e a Laudatio, pronunciada por Dom José Alberto Cánovas Sánchez, vice-reitor da Universidade, e por Mons. Segundo Tejado Muñoz, presbítero itinerante.

Kiko Argüello, Padre Mario Pezzi e a Serva de Deus Carmen Hernández. Os Alpes, ano do Senhor de 1971 | neocatechumenaleiter.

Dom José Alberto Cánovas destacou o extraordinário trabalho de pesquisa e de formação realizado pelo Padre Mario em uma ampla gama de temas: a fundamentação racional da antropologia teológica, a doutrina social, a moral, a eclesiologia, os sacramentos e a escatologia. Tudo isso representa uma profunda contribuição a serviço da evangelização, “com o objetivo de oferecer às comunidades os elementos que as ajudem a dar razão da fé professada e vivida e, também, tornar acessível o Magistério da Igreja”. “Dar razão da esperança significa entrar em contato com os afastados e suas formas de pensamento”, explicou o Vice-reitor. Desde os primórdios do Caminho Neocatecumenal, o Padre Mario reconheceu o carisma de seus iniciadores, Kiko e Carmen, que, junto a ele, “tornaram possível a fé em gerações destinadas à apatia existencial e à ausência absoluta do próprio Ser”. Com suas catequeses sobre o Magistério, ano após ano nas convivências de início de curso, tem instruído na fé gerações de cristãos dos cinco continentes. São centrais em suas reflexões: o matrimônio e a família, o amor e a sexualidade; temas cruciais para a formação de milhares de casais do Caminho Neocatecumenal. Pessoas de diferentes idades, origens e culturas foram introduzidas aos documentos do Concílio Vaticano II e ao descobrimento da Teologia do Corpo; catequeses que fizeram crescer nelas o amor pelo Santo Padre e pela Igreja. “Em todas as suas pesquisas há um rigor extraordinário, uma clareza de pensamento e uma profunda assimilação do Magistério da Igreja, colocados a serviço da Evangelização”.

 neocatechumenaleiter.
 neocatechumenaleiter.
Chegada do Padre Mario Pezzi e início do ato de investidura ©UCAM

A concessão do doutorado honoris causa seguiu o cerimonial tradicional da investidura: a Magnífica Reitora entregou ao Padre Mario o Título e a Medalha de Doutorado, atestando “a alta dignidade da distinção”. Em seguida, o sacerdote recebeu o Livro da Sabedoria e a Lei de Deus, com o convite a conservá-los como símbolo de tudo o que deve aprender e ensinar. Outras insígnias que lhe foram confiadas incluíram: o “birrete de laureado”, “antigo e venerado emblema da profissão docente”, que usará “como coroa” de seus estudos e méritos; o “anel da antiguidade”, emblema do privilégio de assinar e selar as opiniões, pareceres e censuras de sua ciência e profissão; e, por fim, as luvas brancas, “símbolo da pureza e da fortaleza que as mãos devem preservar”, sinais de seu grau e alta dignidade.

Em seguida, o Padre Mario Pezzi pronunciou sua Lectio Magistralis, na qual, em primeiro lugar, destacou a obra do Senhor em sua vida. Sua primeira lembrança foi dedicada a José Luis Mendoza Pérez, fundador da UCAM, por quem pediu ao Senhor a recompensa pelos esforços na construção dessa obra eclesial. O recém-doutorado agradeceu à Universidade pela concessão da distinção e pelo trabalho de formação espiritual e integral dos jovens.

Investidura como Doutor Honoris Causa do Padre Mario Pezzi ©UCAM
Investidura como Doutor Honoris Causa do Padre Mario Pezzi ©UCAM
Investidura como Doutor Honoris Causa do Padre Mario Pezzi ©UCAM
Investidura como Doutor Honoris Causa do Padre Mario Pezzi ©UCAM

Entre as datas lembradas em seu discurso, o Padre Mario destacou o ano de 1984, quando foi convidado por Kiko e Carmen “a preparar uma catequese sobre a Encíclica Humanae Vitae do Papa São Paulo VI”. “Desde então, até agora – observou – pude prestar esse serviço aos irmãos”. Outro pilar de sua formação tem sido o Concílio Vaticano II. Os iniciadores do Caminho Neocatecumenal – sublinhou – tiveram a inspiração de fundá-lo “sobre os três pilares do Concílio Vaticano II”: as constituições apostólicas Lumen gentiumSacrosanctum concilium e Dei Verbum”. Esse é o tripé sobre o qual se baseia esta Iniciação Cristã: Comunidade, Liturgia e Palavra.

«Vivi este caminho da minha vida — concluiu o Pe. Mario — com a consciência de que não foi obra minha, mas que a Graça que vem do alto guiou a minha existência de maneira misteriosa, oculta e maravilhosa, como é a vida de todo cristão. Em seguida, o seu desejo: “Apaixonemo-nos pela Sabedoria de Deus! É esse espírito ágil, que penetra nas almas e forma amigos de Deus”.

Após a Lectio Magistralis, a Presidente da UCAM convidou o novo Doutor a prestar juramento diante da Cruz e sobre o Santo Evangelho. O abraço fraterno dado ao Padre Mario pelos membros da comunidade acadêmica, honrados e alegres por serem seus irmãos e colegas, foi o último momento da solene cerimônia. Um gesto de comunhão que marcou sua admissão ao Colégio de Doutores da UCAM, coroando uma manhã repleta de significado, mas não apenas isso.

Juramento ©UCAM
Juramento ©UCAM

Como destacou o Padre Segundo Tejado em sua intervenção, a concessão do doutorado honoris causa coroa uma vida dedicada, desde a juventude, à sua vocação: a evangelização. A inquietação do jovem presbítero encontrou resposta no encontro com o carisma do Caminho Neocatecumenal. “E o Padre Mario o está servindo como um fiel guardião, a exemplo de São José, com uma presença profunda que educa e sustenta tantos irmãos no caminho da fé em todo o mundo”.

 ©UCAM.
Padre Mario Pezzi e Padre Segundo Tejado durante o ato ©UCAM.
Kiko Argüello, Padre Mario Pezzi e María Ascensión, Paris, ano do Senhor de 2019 | neocatechumenaleiter

S.S. o Papa Leão XIV e o Padre Mario Pezzi. Audiência de 5 de junho de 2025 | neocatechumenaleiter

Fonte: https://neocatechumenaleiter.org/pt-br

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF