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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

A vocação dos leigos

Editora Cléofas
Por Prof. Felipe Aquino

A vocação dos leigos

Os leigos são todos os cristãos, exceto os membros das Sagradas Ordens ou do estado religioso reconhecido na Igreja, isto é, os que foram incorporados a Cristo pelo Batismo, que formam o Povo de Deus, e que participam da função sacerdotal, profética e régia de Cristo.

Os cristãos leigos estão na linha mais avançada da vida da Igreja; e devem ter uma consciência clara, não somente de pertencerem à Igreja, mas de “serem” Igreja, isto é, a comunidade dos fiéis na terra sob a direção do chefe comum, o Papa, e dos Bispos em comunhão com eles. Eles são a Igreja.

O leigo tem como vocação própria, procurar o Reino de Deus exercendo funções no mundo, no trabalho, mas ordenando-as segundo o Plano e a vontade de Deus. Cristo os chama a ser “sal da terra e luz do mundo”. O leigo chega aonde o sacerdote não chega. Ele deve levar a luz de Cristo aos ambientes de trevas, de pecado, de injustiça, de violência, etc. Assim, no mundo do trabalho, levando tudo a Deus, o leigo contribui para o louvor do Criador. Ele constrói o mundo pelo trabalho, e assim coloca na obra de Deus a sua assinatura. Torna-se co-criador com Deus.

O Concílio Vaticano II resgatou a atividade do leigo na Igreja: “Os leigos que forem capazes e que se formarem para isto podem também dar sua colaboração na formação catequética, no ensino das ciências sagradas e atuar nos meios de comunicação social” (CIC §906).

Sendo assim, todos os leigos são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, “eles têm a obrigação e gozam do direito, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente por meio deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que sem ela o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito” (CIC §900).

“Os leigos podem também sentir-se chamados ou vir a ser chamados para colaborar com os próprios pastores no serviço da comunidade eclesial, para o crescimento e a vida da mesma, exercendo ministérios bem diversificados, segundo a graça e os carismas que o Senhor quiser depositar neles” (CIC §910).

Os leigos podem cooperar juridicamente no exercício do poder de governo da Igreja, participando nos concílios particulares, nos sínodos diocesanos nos conselhos pastorais; do exercício do encargo pastoral de uma paróquia; da colaboração nos conselhos de assuntos econômicos; da participação nos tribunais eclesiásticos etc. (cf. CIC §911)

O Código de Direito Canônico dá ao leigo o direito e o dever de dar a sua opinião aos pastores: “De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, têm o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, deem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis” (CIC §907; Cânon 212,3). Assim, os leigos devem se manifestar aos outros e aos pastores, quando observa que algo errado se passa na Igreja: ensinamentos errados discordantes com o Magistério da Igreja, conduta incorreta de pessoas do clero, etc.

Os leigos devem impregnar as realidades sociais, políticas, econômicas, com as exigências da doutrina e da vida cristãs. Os papas têm chamado os leigos a atuar especialmente na política, que é boa, a arte do bem comum. O que não presta é a politicagem e o politiqueiro.

O Papa Francisco disse que a política anda suja porque os cristãos se afastaram dela. E pede para que dela participem. Vimos o povo nas ruas do Brasil, reclamando de tanta sujeira na vida pública, tanta corrupção, imoralidade e malversação do dinheiro público. Isso ocorre porque os cristãos leigos pecam por omissão política. Quantos cristãos dão seu voto a pessoas que não são idôneas, que não comungam com os valores cristãos! Muitos leigos ainda “vendem” o seu voto e a sua consciência, por um favor recebido.

João Paulo II, na “Christifidelis laici”, disse que “os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na «política», ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum… a opinião muito difusa de que a política é um lugar de necessário perigo moral, não justificam minimamente nem o cepticismo nem o absenteísmo dos cristãos pela coisa pública” (n.42).

O Papa Bento XVI pediu: “Reitero a necessidade e urgência de formação evangélica e acompanhamento pastoral de uma nova geração de católicos envolvidos na política, que sejam coerentes com a fé professada, que tenham firmeza moral, capacidade de julgar, competência profissional e paixão pelo serviço ao bem comum” (Discurso ao CPL, Vaticano, 15 de novembro de 2008).

Mas, para que o leigo realize esta missão tão importante na Igreja, ele tem de ser bem formado em sua fé, conhecendo bem a doutrina ensinada pelo Magistério da Igreja, especialmente o Catecismo, e viva uma vida espiritual sadia, com participação nos sacramentos, meditação da Palavra de Deus, vida de oração, meditação, participação na pastoral, penitência e caridade. Enfim, uma vida de santidade.

Prof. Felipe Aquino

Fonte: https://cleofas.com.br/

Afeganistão: o que está acontecendo e como vivem os cristãos?

O Governo Afegão Declarou A Primazia Do Islã Sobre Outras Religiões. 
Foto: Arquivo | ZENIT
O país é um conglomerado de diferentes grupos étnicos que se enfrentam há décadas.

Por ZENIT

(Ajuda à Igreja que Sofre - ZENIT News Agency / 23.08.2021) .- O Afeganistão é uma república islâmica que faz fronteira com o Turcomenistão, Uzbequistão e Tadjiquistão ao norte, China ao nordeste, Paquistão ao leste e sul e Irã ao norte, oeste. O país é um conglomerado de diferentes grupos étnicos em conflito entre si por décadas antes de finalmente se unir em um único país com a queda do regime do Taleban em 2001.

Os grupos étnicos mais importantes são os pashtuns (42%), os tadjiques (27%), os hazaras (9%), os uzbeques (9%) e os turquemenos (3%) 2. Aproximadamente 99% da população é muçulmana, principalmente sunita (80%), nos quais os xiitas representam 19% e pertencem principalmente aos grupos étnicos hazara e tadjique.

A Constituição de 2004 foi promulgada após a queda do regime do Taleban (1997-2001) e declara o país uma república presidencial islâmica.

O caráter religioso do Estado é um dos elementos-chave da nova Constituição, embora seja mitigado por um conjunto de medidas, fruto de intenso debate, destinadas a evitar a possibilidade de o país cair em uma interpretação fundamentalista da sharia. A sharia continua sendo uma das principais fontes de direito na sociedade, especialmente nas áreas rurais.

O artigo 2º da Constituição afirma que “o Islã é a religião oficial do Estado”, porém, o segundo parágrafo do mesmo artigo proclama a liberdade religiosa. O Artigo 3 estipula “a conformidade das leis” com os princípios e normas da religião islâmica; portanto, torna a sharia, embora sem nomeá-la, a primeira fonte da lei.

Assim, na prática, em nome do respeito à lei islâmica no país, é impossível converter-se a outra religião, professar livremente outra fé, exibir símbolos religiosos ou dedicar-se à tarefa da missão.

Situação dos Cristãos 

Além das restrições impostas pelo Estado e por esta sociedade tradicionalmente fortemente muçulmana, existe um clima de desconfiança em relação aos cristãos.

A principal razão para isso são os 10 anos de controle militar pelas forças internacionais. Esta década de guerra contra o Taleban forçou 2,7 milhões de pessoas a viver no exílio em países vizinhos. Eles buscaram refúgio principalmente no Paquistão e no Irã. Em 2012 - pelo 32º ano consecutivo - o Afeganistão ficou em primeiro lugar na lista anual do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Além do radicalismo do Taleban, que tem aumentado nos últimos anos com contínuos ataques e atrocidades, especialmente contra civis, um fator que em certos casos tem fomentado o ódio aos cristãos e outras religiões consideradas estrangeiras tem sido a presença contínua de militares internacionais forças. Exemplo disso foi a queima de cópias do Alcorão por soldados norte-americanos na base militar norte-americana de Bagram, no norte do país, em 20 de fevereiro de 2012.

O incidente gerou protestos violentos em todo o Afeganistão, custou dezenas de vidas e gerou grandes manifestações nas quais os manifestantes queimaram cruzes e outros símbolos religiosos, bem como grandes fotografias do presidente dos EUA, Barack Obama.

O governo afegão declarou a primazia do Islã sobre outras religiões. Em um discurso proferido no Parlamento em setembro de 2013, o membro do parlamento Nazir Ahmad Hanafi emprestou sua voz aos rumores de que muçulmanos afegãos estavam se convertendo ao cristianismo na Índia. “O povo afegão”, declarou ele, “continua a se converter ao cristianismo na Índia. Isso é uma violação da lei islâmica e, de acordo com o Alcorão, eles devem ser mortos. "

O presidente do Parlamento afegão, Abdul, Rauf Ibrahimi, também condenou as supostas conversões, pedindo ao Comitê de Segurança Nacional "um estudo aprofundado do caso".

Não há dados confiáveis ​​sobre o número exato de não muçulmanos no Afeganistão. Algumas organizações protestantes estimam que haja cerca de 5.000 cristãos afegãos - em outras palavras, convertidos do islamismo - mas isso nunca foi confirmado.

A Igreja Católica está presente no Afeganistão na forma da missão sui iuris, sob a direção do padre Barnabita italiano, Pe. Giuseppe Moretti. No total, o número de padres e religiosos, homens e mulheres, trabalhando no Afeganistão chega a 15. A congregação religiosa mais bem estabelecida no país são as Pequenas Irmãs de Jesus. Essas freiras (quatro no total) são respeitadas até mesmo pelo Talibã e trabalham em Cabul há 50 anos.

A queda do regime do Taleban possibilitou que as irmãs de Madre Teresa viessem ao país em 2006 para trabalhar com os doentes e pobres. Outro grupo respeitado e reconhecido pelo povo é a instituição de caridade italiana Associação Pró Crianças de Cabul (Associazione pro-bambini di Kabul), que trabalha com orfanatos e crianças deficientes.

Estudando o problema da liberdade religiosa como um todo no país, a Constituição é baseada na sharia, o que torna quase impossível que a situação melhore.

O clima de insegurança contínuo deu ao Taleban e seus apoiadores grande poder, não apenas nas áreas rurais, mas também na capital, Cabul. A intolerância para com outras religiões e para com os costumes que não o islã foi reforçada pelas declarações de alguns parlamentares contra as conversões ao cristianismo e foi demonstrada pelos recorrentes casos de justiça sumária, por exemplo, casos de adultério puníveis com apedrejamento.

Fonte: https://es.zenit.org/

A CATEQUESE NUMA CULTURA POLIÉDRICA

Crédito: Sou Catequista

Dom Vicente Ferreira
Bispo Auxiliar de Belo Horizonte (MG)
DESComplica

A CATEQUESE NUMA CULTURA POLIÉDRICA

Papa Francisco, na Fratelli Tutti, escolheu a figura do poliedro para nomear a nossa cultura global. Imagem formada por faces diferentes que se complementam. “O poliedro representa uma sociedade onde as diferenças convivem, integrando-se, enriquecendo-se e iluminando-se reciprocamente, embora isso envolva discussões e desconfianças” (FT, n. 215). Vivemos numa globalização plural, com suas belezas e contradições. Se a pandemia da covid-19 mostrou muitos desses valores, como a solidariedade, ela também trouxe à tona chagas socioambientais. Desse modo, afirma o Diretório para a Catequese: “a face multiforme da realidade, marcada por elementos ambivalentes de pluralismo religioso e cultural é, em última análise, visível em cada pessoa, cuja fisionomia interior é hoje particularmente dinâmica, complexa e poliédrica” (DC, n. 325).

E qual a missão da Igreja diante dessa polissemia cultural? Anunciar o Reino de Deus, seguindo Jesus Cristo. Portanto, tudo o que se passa com a sociedade e com o meio ambiente diz respeito à nossa missão cristã. Assim “a catequese participa do desafio eclesial de se opor a processos centrados na injustiça, na exclusão dos pobres, na primazia do dinheiro, de modo a, antes, tornar-se sinal profético de promoção de vida plena para todos” (DC, n. 319). A iniciação cristã deve contribuir para a superação de um desafio muito perigoso que é a esquizofrenia entre fé e vida, entre culto e compromisso socioambiental. O problema não está na diversidade, mas na indiferença ou da conivência cristã com as violações à vida humana e ao meio ambiente.

Essa polissemia de sentidos torna-se, cada vez mais explicitada, no contexto de nossas cidades. São realidades sociais e ambientais diversas que se cruzam em cenários complexos, com belezas e problemas. Assim, todo cristão é chamado “a reconhecer a cidade a partir de um olhar contemplativo, isto é, um olhar de fé que descubra Deus, que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças” (DC, n. 71). Sendo, sobretudo, uma voz profética diante de suas contradições, em favor das realidades mais vulneráveis. Para isso, a Paróquia, sendo uma rede de comunidades, deve auxiliar as pessoas, através da catequese, a viver uma proximidade fraterna que as conduzirão na busca de um sentido para a vida, através da fé cristã. Apesar da predominância urbana, o contexto rural é ainda muito presente. Ambiente propício para trabalhar a simplicidade de vida, os ciclos da natureza e o cuidado para com toda a criação. “Essa é a mensagem de fé que a catequese ajuda a descobrir, mostrando sua realização no ritmo cíclico do ano litúrgico e nos elementos naturais assumidos pela liturgia” (DC, n. 330).

Em muitos casos, a cultura global agride as culturas locais e tradicionais em nome dos princípios capitalistas neoliberais. A Evangelização, atenta aos valores de cada povo, deve promover a dignidade das tradições, de cada comunidade. É necessário reconhecer as sementes do Verbo, os sinais do Reino, lembrando que nenhuma configuração cultural esgota a plenitude do Evangelho de Jesus. Em muitos locais, há presença das comunidades quilombolas e indígenas, por exemplo. “Ser catequista para os povos indígenas requer um humilde esvaziamento de atitudes de orgulho e desprezo para com aqueles que pertencem a uma cultura diferente” (DC, n. 334). A mesma postura deve acontecer em relação à piedade popular, para que haja uma verdadeira evangelização. As peregrinações aos santuários revelam como a devoção de nosso povo deve ser acompanhada com toda atenção.

Em relação às diferentes denominações cristãs e outras religiões, a catequese é chamada a reforçar uma atitude dialogal e fraterna. Fratelli Tutti reconhece, explicitamente, que um dos pontos fundamentais para a construção da paz mundial é “a liberdade religiosa para os crentes de todas as religiões” (FT, n. 279). De modo particular, deve-se combater a violência que se expressa em inúmeros preconceitos. “Como crentes, somos desafiados a retornar às nossas fontes para nos concentrarmos no essencial: a adoração de Deus e o amor ao próximo, para que alguns aspetos da nossa doutrina, fora do seu contexto, não acabem por alimentar formas de desprezo, ódio, xenofobia, negação do outro” (FT, n. 282).

A mútua colaboração entre fé e ciência é elemento importante no aprofundamento das questões mais complexas do ser humano e da natureza. O distanciamento ou a disputa entre ambas pode causar danos para o progresso da família humana e para o meio ambiente. Sabemos da relevância da tecnologia em nossos tempos. Seria impensável desconsiderar os ganhos, as evoluções, que a ciência e a técnica trouxeram para a humanidade. No entanto, reconhecemos também que muitos desses ganhos está a serviço de uma minoria. E não a serviço de tantas classes de pessoas vulneráveis e do meio ambiente. E que muitas feridas socioambientais são causadas, justamente, pelo uso impróprio da técnica e da ciência como instrumentos que favorecem quem pauta a vida pelo dinheiro.

A cultura digital deve ser tratada também com particular atenção pela catequese, devido, sobretudo, às transformações antropológicas que ela tem causado. Já convivemos com os chamados “nativos digitais”, enquanto muitos ainda não têm acesso ao mundo virtual. Ela está, aceleradamente, trazendo mudanças inimagináveis. Seus ganhos são indiscutíveis. Há maior interação entre os povos, mais acessos às informações etc. Mas, o perigo é grande quando essas plataformas são manipuladas por pessoas e grupos com interesses que ferem a dignidade humana e o planeta. Fratelli Tutti fala da ilusão da comunicação ao mencionar problemas como a agressividade despudorada e informações sem sabedoria (Cfr. FT, n. 42-50).

Este aspecto digital de nossa Era pesa sobretudo sobre o futuro das novas gerações. Elas se constroem tendo como referências conteúdos, relações, interações virtuais. Nesse ponto, a catequese deve exercer um papel fundamental no acompanhamento das crianças, dos adolescentes e dos jovens em sua inserção na comunidade dos discípulos e missionários de Jesus. De modo que, “essa jornada exige passar da solidão, nutrida pelos likes, para a realização de projetos pessoais e sociais a serem realizados em comunidade” (DC, n. 370).

Outro ponto complexo e que exige um saudável enfretamento por parte da catequese são os temas que dizem respeito a bioética. O diálogo da fé com a ciência deve ser contínuo de modo especial quando se trata de biotecnologia. A grande e rica tradição do magistério da Igreja, atenta a realidade, deve traduzir-se em compromisso ético com a vida humana e com toda a criação. Para o anúncio da fé, importa experimentar que “Deus é a referência inicial e final da vida, desde sua concepção até a morte natural; a pessoa é sempre uma unidade de espírito e corpo; a ciência está a serviço da pessoa; a vida deve ser acolhida em todas as condições, porque é redimida pelo mistério pascal de Jesus Cristo” (DC, n. 378).

Outro aspecto que mostra nossa cultura ainda mais poliédrica é a questão ecológica. Atravessamos uma aguda crise socioambiental. E isso exige de nós uma conversão ecológica que significa superar a visão que temos de que o ser humano está separado das outras criaturas. Tudo está interligado na Casa Comum. E essa mentalidade não pode estar nos processos catequéticos apenas como um ponto secundário. Por isso, a catequese ajudará “os fiéis a se conscientizarem de que o compromisso com a questão ecológica é parte integrante da vida cristã” (DC, n. 384). É impossível escutar, hoje, o grito dos pobres sem ouvir os gemidos da criação (Cfr. Rm 8, 22).

Por fim, uma boa catequese leva o fiel a um encontro maduro com o mistério de Jesus Cristo que o torna uma pessoa nova, inserida numa comunidade amorosa. Alguém que, em comunhão com o mestre, vive sua vocação cristã de forma transformadora da realidade. É falho um caminho catequético que não conduz as pessoas a um engajamento socioambiental, como nos pede a Doutrina Social da Igreja. Quanto mais maduro um cristão, mais comprometido com o Reino de Deus, que é Reino dos irmãos e irmãs, que cuidam da Casa Comum.

Fonte: CNBB

A fé de Maria

Shutterstock | ufokim
Por Mário Scandiuzzi

Maria nos deixou um grande exemplo de fé e amor, além de nos indicar o caminho da salvação.

Quando o anjo visitou Maria, ela respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor!”

Certamente essa resposta é uma demonstração de fé, é a verdadeira confiança nos planos de Deus. E não foram apenas palavras. Ela também agiu. Tanto que, ao saber que Isabel estava grávida, se apressou em partir para a casa dela, afim de servi-la.

Ser a mãe do Filho de Deus não significou uma vida livre de problemas. O nascimento de Jesus foi num estábulo, já que ela e José haviam ido à Belém e não encontraram lugar nas hospedarias.

Depois da visita dos Reis Magos, teve que fugir para o Egito levando o menino.

Maria e os momentos de angústia

De volta à terra natal, viveu momentos de angústia quando aos 12 anos Jesus se perdeu e só foi encontrado três dias depois no templo, entre os doutores da lei.

Na vida pública de Jesus, o primeiro milagre aconteceu por intercessão dela. Nas bodas de Caná, a água se transformou em vinho.

Viu de perto a paixão de seu Filho e ficou de pé, junto à cruz. Deve ter sentido uma dor imensa, mas não perdeu a fé. Os apóstolos a acolheram e ela ficou com eles quando receberam o Espírito Santo.

Foi elevada aos céus e de lá continua intercedendo por todos nós.

Para nossa vida nos deixou o grande exemplo de fé e amor, e para nossa salvação indicou o caminho: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Por isso devemos sempre recorrer à sua poderosa intercessão e ela, que é a mãe de Jesus e também a nossa mãe, está sempre atenta às nossas necessidades.

Que em todos os momentos de nossa vida tenhamos a certeza de seu olhar atento e amoroso sobre nós, pedindo sempre a seu Filho que faça o melhor para a nossa salvação.

Fonte: Aleteia

Tertuliano de Cartago: Tratado sobre a Oração (Parte 9/11)

Tertuliano de Cartago | Veritatis Splendor
Tratado sobre a Oração

XXI

O uso de um véu

1. Mas não podemos deixar de tratar de um assunto observado de modo variável nas igrejas, como se não fosse questão definida: devem ou não as virgens usar véu?

2. Aqueles que permitem às virgens andar com a cabeça descoberta, parecem basear-se no fato de que o Apóstolo, ao prescrever a obrigatoriedade do véu, designa as mulheres em geral, não as virgens nomeadamente. Paulo, dizendo mulheres, não se teria referido ao sexo feminino em geral, mas a uma categoria de pessoas, as mulheres casadas (cf. 1Cor 11,6-15).

3. Se, com efeito, nomeasse o sexo feminino em geral, suas prescrições abrangeriam toda mulher, sem exceção. Mas, como se refere só a uma categoria, a omissão exclui a outra.

4. Podia, com efeito – dizem alguns – ou referir-se às virgens, de modo especial ou, senão, falar de mulheres em geral, como um todo.

XXII

O véu é prescrito por São Paulo

1. Os que fazem tal concessão, devem repensar o sentido da própria palavra. Que significa o termo mulher, desde as primeira letras da Sagrada Escritura? É o nome genérico do sexo feminino, e não de uma categoria especial. Assim é que Deus chamou Eva de mulher, já antes que ela se unisse ao homem (cf. Gn 2,21-25; 5,2). Mulher para o gênero globalmente, e esposa para determinada categoria, de modo especial. Se, pois, ele dá o nome de mulher a Eva, mesmo ainda inupta, o termo mulher se tornou aplicável também à virgem. Não é, pois, de se admirar que o Apóstolo, movido pelo Espirito que inspira toda a Sagrada Escritura, inclusive no livro do Gênesis, tenha usado a mesma palavra, isto é, mulher, que, a exemplo de Eva, convém igualmente a uma virgem.

2. O restante, aliás, concorda com isso. Pelo fato de não nomear as virgens, ao contrário do que faz ao ensinar sobre o matrimônio (cf. 1Cor 7,34), Paulo indica suficientemente que se refere a todas as mulheres e ao sexo feminino em geral, sem fazer distinção entre mulher e virgem, que de todo não cita. Aquele que em outro lugar se lembrou de distinguir, quando a diferença o exigia (e ele usou dois vocábulos diferentes para distinguir as duas categorias), não quer que se veja diferença, quando ele não distingue nem se refere a duas categorias.

3. Que dizer do fato de que na língua grega, em que Paulo escreve suas cartas, é costume usar o termo gynaikas (mulheres) em vez de theleías, em latim feminas? Se, deste modo, aquele termo é habitualmente usado para indicar todo o sexo feminino, e pode ser traduzido em latim por femina, é claro que, dizendo gynaika (mulher), quis nomear todo o sexo feminino, no qual estão compreendidas igualmente as virgens.

4. Mas há um pronunciamento de Paulo bem evidente: “Toda mulher que estiver em oração e profetizar com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça” (1Cor 11,5). Que significa “toda mulher”, senão mulher de qualquer idade, de qualquer ordem, de qualquer condição? Dizendo “toda” , ele não exclui qualquer categoria de mulher, como não exclui qualquer homem da proibição de velar a cabeça. Por isso, com efeito, diz: “Todo homem” (1Cor 11,4). Como, pois, relativamente ao sexo masculino, com a expressão “todo homem”, Paulo proíbe até aos mais jovens usar véu, igualmente, para o sexo feminino, com o termo mulher, obriga até a virgem a cobrir-se com o véu. Em ambos os sexos, os de menor idade devem seguir a disciplina dos maiores. Do contrário, obrigaríamos os rapazes ainda virgens do sexo masculino a usar véu, se não são as mulheres virgens obrigadas a isso, visto que os rapazes não são nominalmente citados. Se há distinção entre mulher e virgem, também existe entre homem e rapaz.

5. Com certeza, diz Paulo que as mulheres devem usar véu por causa dos anjos (cf. lCor 11,10), porque os anjos se afastaram de Deus por causa das filhas dos homens (cf Gn 6,2). Quem poderá responsabilizar só as mulheres adultas, já casadas e privadas da virgindade, de excitarem a concupiscência, a não ser que se negue que as virgens são mais belas e atraem enamorados? Vejamos mesmo se os anjos não desejaram senão as virgens, já que a Escritura diz “filhas dos homens”, quando podia nomear indiferentemente as esposas dos homens ou as mulheres.

6. Igualmente, ao dizer: “E as tomaram por esposas” (Gn 6,2), a Escritura quer dizer que são recebidas como esposas as mulheres ainda não casadas. Se não fossem mulheres núbeis, usaria de expressão diferente. Uma mulher é disponível para contrair casamento se é viúva ou virgem. Assim, usando o termo “filhas” inclui nessa expressão genérica uma categoria especial.

7. Quando diz o Apóstolo que a própria natureza ensina que as mulheres devem usar véu, pois a sua cabeleira lhes serve de cobertura e ornamento, não podemos, acaso, concluir que também às virgens foi determinada semelhante cobertura e ornamento? Se é vergonhoso para uma mulher raspar a cabeça, o mesmo é para a virgem.

8. Se existe uma única condição para a cabeça da mulher, há uma única disciplina, inclusive para aquelas virgens que ainda têm a proteção da infância. Já desde pequenina, a menina é chamada de mulher. Foi assim, de resto, a observância do povo de Israel. Mas mesmo que nele não se observasse esse costume, a nossa lei, que amplia e completa a dele, exigiria para si esse acréscimo, impondo às virgens o uso do véu. Escuse-se dessa norma aquela idade que ainda ignora o sexo. Que ela goze do privilégio da simplicidade infantil. Todavia, Eva e Adão, logo que começaram a conhecer o bem e o mal, ocultaram sem demora o que descobriram (cf. Gn 3,7). Assim também, as meninas que passaram da infância, do mesmo modo que obedecem à natureza, obedeçam também à disciplina. Ao se desenvolver o corpo, começam também as funções da mulher. Nenhuma menina é mais virgem, desde que se pode casar, porque então a idade a desposou a um varão, isto é, ao tempo [da puberdade].

9. Mas pode alguém objetar: Uma jovem se consagrou a Deus. Apesar disto, à medida que cresce, ela muda de penteado e todos os seus vestidos, à maneira feminina. Fale com toda gravidade e mostre-se à altura de uma virgem. Se algo esconde por causa de Deus, proteja-o completamente. Se vivemos sob o olhar complacente de Deus, interessa-nos que só a ele nos confiemos, de modo somente dele conhecido, a fim de não recebermos do homem o que só de Deus esperamos. Por que, então, descobrir diante de Deus o que velas diante dos homens? Serás, por acaso, mais recatada na rua do que na igreja? Se é graça de Deus [a tua virgindade] e, como diz Paulo, a “recebeste, por que te glorias, como se não tivesses recebido”? (1Cor 4,7). Por que te mostras ostensivamente e julgas assim as outras? Ou, acaso, pensas que com a tua vaidade, convidas as outras para o bem? Na realidade, se te glorias, corres o risco de te perderes, e forças as outras a correrem o mesmo perigo. Facilmente se destrói o que se assume com desejo de glória. Cobre-te do véu, ó virgem, se és virgem; deves enrubescer-te. Se és virgem, não suportes o olhar de muitos. Ninguém possa olhar com admiração a tua face; ninguém perceba em ti uma farsa. Se velas a tua cabeça, finges ser casada. Mas, a bem dizer, não estás mentindo, pois és esposa de Cristo. A ele consagraste a tua carne; vive, pois, segundo a disciplina do teu esposo. Se ele ordena que usem véu as esposas alheias, quanto mais as suas!

10. Mas objetam: Ninguém deve mudar o que foi instituído por seu antecessor. Muitos aprovam com sua prudência um costume instituído por outro e reconhecem essa tradição. Mas, admita-se que as jovens não sejam obrigadas a trazer o véu; não se deve, contudo, impedir que o ponham aquelas que o quiserem. E se também as virgens não podem negar o que são, contentem-se em gozar da certeza de que Deus está ciente da sua virtude. Quanto àquelas que se desposarem, posso declarar com certeza, a meu critério, que elas devem usar o véu, desde o dia em que pela primeira vez tocaram o corpo do seu esposo e tremeram pelo beijo e pelo aperto da mão direita. Para tais mulheres, tudo já é matrimônio: a idade, porque já são maduras; a carne, porque já têm idade de casar-se; pelo espírito, porque conscientes de tudo; pelo pudor, porque experimentaram o beijo; a esperança, porque estão na expectativa das núpcias; a mente, porque querem o casamento. Baste-nos o exemplo de Rebeca: apenas indicado o seu futuro esposo, já se toma esposa à notícia de sua chegada e logo se cobre do véu (cf. Gn 24,65).

Fonte: https://www.veritatis.com.br/

O Papa: a liturgia em risco de ser marginalizada, retorno ao centro da fé

Papa Francisco durante Celebração Eucarística na Basílica de São Pedro | Vatican News

Mensagem de Francisco a dom Maniago, presidente do Centro de Ação Litúrgica, para a 71ª Semana Litúrgica Nacional, em Cremona: a suspensão das liturgias no ano passado por causa da pandemia foi uma "triste experiência".

Salvatore Cernuzio/Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Francisco enviou uma mensagem ao presidente do Centro de Ação Litúrgica, dom Claudio Maniago, por ocasião da 71ª Semana Litúrgica Nacional que tem início nesta segunda-feira (23/08), em Cremona, na Itália, e prossegue até o próximo dia 26.

O Pontífice recorda no texto a "triste experiência do 'jejum' litúrgico" durante o período de confinamento do ano passado por causa da pandemia da Covid-19 e os vários problemas que emergiram, e deseja novas "linhas de pastoral litúrgica" para as paróquias, a fim de enfrentar a "marginalidade" na qual parecem "cair inexoravelmente" o domingo, a assembleia eucarística, os ministérios e o rito. A esperança é de que recuperem "a centralidade na fé e na espiritualidade dos fiéis", escreve o Pontífice na mensagem a dom Maniago, assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin.

Celebrações colocadas à prova pela Covid

No texto, lido no início dos trabalhos, o Papa diz estar grato a Deus pelo fato de que a Semana finalmente possa se realizar depois "do triste momento do ano passado", quando foi adiada, por causa da pandemia. Um adiamento útil para encontrar novas ideias para o tema escolhido, "Onde estão dois ou três reunidos em meu nome. Comunidades, liturgias e território", e também para "aprofundar aspectos e situações da celebração, colocados à prova pela difusão da Covid-19 e pelas limitações necessárias para contê-la".

Segundo o Papa, a suspensão dos serviços religiosos no ano passado, embora tenha sido uma "triste experiência", "evidenciou a bondade do caminho percorrido desde o Concílio Vaticano II", na estrada traçada pela Sacrosanctum Concilium. De fato, o tempo de privação "mostrou a importância da liturgia divina para a vida dos cristãos".

A criatividade pastoral de sacerdotes e leigos

"O encontro semanal em 'nome do Senhor', que desde as origens foi vivido pelos cristãos como uma realidade indispensável e indissoluvelmente ligada à sua identidade, foi severamente afetado durante a fase mais aguda da propagação da pandemia", assinala Francisco. "Mas o amor pelo Senhor e a criatividade pastoral impeliram pastores e fiéis leigos a explorarem outras formas de nutrir a comunhão de fé e amor com o Senhor e com irmãos, na esperança de poder voltar à plenitude da celebração eucarística em tranquilidade e segurança". "Foi uma espera dura e dolorosa", ressalta o Papa, "iluminada pelo mistério da Cruz do Senhor e fecunda com muitas obras de cuidado, amor fraterno e serviço às pessoas que mais sofreram com as consequências da emergência sanitária".

A liturgia "suspensa" e seus problemas

A liturgia "suspensa" durante o confinamento e as dificuldades da retomada sucessiva confirmam o que já se via nas assembleias dominicais na Itália: uma "indicação alarmante da fase avançada da mudança de época". É que "na vida real das pessoas mudou a percepção do tempo e, consequentemente, do domingo, do espaço, com repercussões no modo de ser e sentir-se comunidade, povo, família e da relação com um território".

"A assembleia dominical", observa o Papa, "encontra-se assim desequilibrada em termos de presença geracional, falta de homogeneidade cultural, como também pela dificuldade de encontrar uma integração harmoniosa na vida paroquial, para ser o verdadeiro cume de todas as suas atividades e a fonte de dinamismo missionário para levar o Evangelho da misericórdia às periferias geográficas e existenciais".

Novas linhas de pastoral litúrgica

O Papa espera que a Semana Litúrgica Nacional, com suas propostas de reflexão e momentos de celebração, presencial e on-line, “possa identificar e sugerir algumas linhas de pastoral litúrgica” para propor às paróquias. Francisco abençoa os diáconos, sacerdotes, consagrados e leigos que participam da Semana Litúrgica Nacional e diz que se consola com o fato de que este evento se realize "num território que sofreu muito por causa da pandemia", mas que, ao mesmo tempo, "viu florescer o bem para aliviar um imenso sofrimento".

Fonte: Vatican News

Santa Rosa de Lima

Sta. Rosa de Lima | ALETEIA
23 de agosto

Santa Rosa de Lima

A Ásia, a Europa e a África foram regadas pelo sangue de muitos mártires e adornadas durante muitos séculos com o exemplo esplêndido de um sem-número de santos, ao passo que as vastas regiões da América ficaram desertas até que a fé de Cristo começou a iluminá-las a partir do século XVI, e esta jovem surgiu nesta terra qual rosa entre espinhos, como um dos primeiros frutos dos seus santos canonizados. Ela era de descendência espanhola, nasceu em Lima, capital do Peru, em 20 de abril de 1586. Era a décima dos treze filhos de Gaspar Flores e Maria de Oliva. À medida que crescia com o rosto rosado e belo, recebeu dos familiares o apelido de Rosa, como ficou conhecida. Seus pais eram ricos espanhóis que se haviam mudado para a próspera colônia do Peru, mas os negócios declinaram e eles ficaram na miséria.

Ainda criança, Rosa teve grande inclinação à oração e à meditação, sendo dotada de dons especiais de profecia. Já adolescente, enquanto rezava diante da imagem da Virgem Maria, decidiu entregar sua vida somente a Cristo. Apesar dos apelos da família, que contava com sua ajuda para o sustento, ela ingressou na Ordem Terceira Dominicana, tomando como exemplo de vida santa Catarina de Sena. Dedicou-se, então, ao jejum, às severas penitências e à oração contemplativa, aumentando seus dons de profecia e prodígios. E, para perder a vaidade, cortou os cabelos e engrossou as mãos, trabalhando na lavoura com os pais.

Aos vinte anos, pediu e obteve licença para emitir os votos religiosos em casa e não no convento, como terciária dominicana. Quando vestiu o hábito e se consagrou, mudou o nome para Rosa e acrescentou Santa Maria, por causa de sua grande devoção à Virgem Maria, passando a ser chamada Rosa de Santa Maria.

Construiu uma pequena cela no fundo do quintal da casa de seus pais, levando uma vida de austeridade, de mortificação e de abandono à vontade de Deus. A partir do hábito, ela imprimiu ainda mais rigor às penitências. Começou a usar, na cabeça, uma coroa de metal espinhento, disfarçada com botões de rosas. Aumentou os dias de jejum e dormia sobre uma tábua com pregos. Passou a sustentar a família com as rendas e bordados que fazia, pois seu confessor consentiu que ela não saísse mais de sua cela, exceto para receber a eucaristia. Vivendo em contínuo contato com Deus, atingiu um alto grau de vida contemplativa e experiência mística, compreendendo em profundidade o mistério da Paixão e Morte de Jesus.

Rosa cumpriu sua vocação, devotando-se à eucaristia e à Virgem Maria, cuidando para afastar o pecado do seu coração, conforme a espiritualidade da época. Aos trinta e um anos de idade, foi acometida por uma grave doença, que lhe causou sofrimentos e danos físicos. Assim, retirou-se para a casa de sua benfeitora, Maria de Uzátegui, agora Mosteiro de Santa Rosa, para cumprir a profecia de sua morte. Todo ano, ela passava o Dia de São Bartolomeu em oração, pois, dizia: “este é o dia das minhas núpcias eternas”. E assim foi, até morrer no dia 24 de agosto de 1617. O seu sepultamento parou toda a cidade de Lima.

Muitos milagres aconteceram por sua intercessão após sua morte. Rosa foi beatificada em 1667 e tornou-se a primeira santa da América Latina ao ser canonizada, em 1671, pelo papa Clemente X. Dois anos depois, foi proclamada Padroeira da América Latina, das Filipinas e das Índias Orientais, com a festa litúrgica marcada para o dia 23 de agosto. A devoção a santa Rosa de Lima propagou-se rapidamente nos países latino-americanos, sendo venerada pelos fiéis como Padroeira dos Jardineiros e dos Floristas.

Fonte: https://franciscanos.org.br/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF