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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Quando a resiliência profissional passa pela amizade

Voltar ao trabalho após uma doença grave não é "agir como se nada tivesse acontecido". Significa reconstruir uma identidade profissional e pessoal, encontrar um equilíbrio que permita contribuir, existir no coletivo, respeitando seus novos limites (Shutterstock)

Pierre D’Elbée - publicado em 27/02/26

A adversidade não leva diretamente ao sucesso, observa o consultor empresarial Pierre d'Elbée, mas sim à amizade que tornará o sucesso possível.

O mundo profissional não é conhecido por criar relações de amizade fortes ou por ver empreendedores saírem de um fracasso através de uma amizade inabalável. É mais comum citar o caso de Steve Jobs e John Sculley, inicialmente aliados e depois inimigos até a expulsão de Jobs da Apple em 1985 — empresa que ele mesmo havia cofundado. Outros exemplos, talvez menos emblemáticos, existem aos milhares. No entanto, um artigo recente do jornal Les Échos destaca uma experiência inversa: a de empreendedores que chegaram ao "fundo do poço" e viveram juntos uma resiliência que os levou ao sucesso de seus negócios.

Histórias de resiliência

Younes Qassimi e Nicolas Marette, mencionados no artigo, sofreram primeiro um "fracasso retumbante": a plataforma de apostas esportivas que criaram juntos teve que fechar abruptamente. Tal provação deveria, logicamente, destruir a colaboração entre eles. O ressentimento, a busca por um bode expiatório e as acusações mútuas poderiam ter prevalecido. Mas ocorreu o oposto: "Tínhamos a certeza de que poderíamos atravessar esses momentos difíceis juntos".

Existem histórias famosas de amizade entre empreendedores, como Bill Hewlett e David Packard ou os irmãos Michelin. Mas o que nos interessa aqui não é tanto a capacidade de ter sucesso juntos, mas sim ver uma amizade tornar-se sólida por ocasião de uma provação e levá-los ao êxito. Há aqui um evento em três tempos: provação-amizade-sucesso, que merece análise. Pois, neste caso, a provação não leva diretamente ao sucesso, mas à amizade — e é ela que tornará o sucesso possível.

A provação como oportunidade

A provação funciona como um batismo de fogo. Quando tudo vai bem, é fácil permanecer unido. O fracasso, a perda de dinheiro, um ego desestabilizado (às vezes até destruído), o medo ou mesmo a angústia diante de um amanhã incerto representam uma verdadeira prova profissional. É difícil manter um espírito minimamente positivo nesses momentos. No entanto, eles também podem se tornar a oportunidade de refundar uma aliança. Na adversidade, descobrimos com quem podemos contar.

O que a amizade profissional traz

A amizade aqui pressupõe sentir, primeiramente, uma confiança mútua forte. Não se trata mais de uma amizade fácil, "útil" ou "agradável", como diria Aristóteles, ou "estética", como diria Kant: a crise enfrentada atinge frontalmente os interesses de cada um e, obviamente, não gera prazer. Uma relação de amizade deve buscar em outro lugar os motivos para continuar. Aristóteles fala da amizade honesta; Kant, da amizade moral: um ápice da relação interpessoal feita de respeito, fidelidade, confiança e uma esperança compartilhada. E, se existem divergências, é possível falar a verdade e encontrar um caminho de aproximação, porque se mantém em todas as ocasiões a convicção de que é juntos que sairão daquela situação: "Tínhamos a certeza de que poderíamos atravessar os momentos difíceis juntos".

A propósito, é notável observar que os testemunhos convergem: a provação é "um verdadeiro crash-test relacional: ela nos [prova] que nossa complementaridade [resiste] à adversidade". A complementaridade é o fundamento de uma estima mútua, quando a excelência própria de cada um é valorizada e reconhecida pelo parceiro.

A resiliência profissional pela amizade

A resiliência profissional dos amigos é contagiosa. Não apenas quando o sucesso chega, mas porque cria uma dinâmica de alegria. Empreendedores que dão a volta por cima e estão alcançando o sucesso despertam admiração. Eles exercem um efeito de exemplaridade. Há algo de surpreendente e até admirável em um sucesso quando ele é tão inesperado quanto o fracasso anterior era evidente.

Na verdade, a cooperação em situação de crise é surpreendente porque é muito difícil; exige qualidades que vão muito além da técnica e do desempenho: qualidades puramente humanas, das quais esquecemos com frequência que, sem elas, nada é possível. A resiliência profissional pela amizade é uma vitória humana abundante; ela ultrapassa os limites objetivos de um fracasso através de uma dinâmica cheia de esperança e competência. O que desperta admiração não é apenas o sucesso, mas a maneira como ele foi tornado possível. Diante da qualidade relacional de uma dupla de amigos, percebe-se um "algo a mais", como um convite inspirador. Em um mundo profissional obcecado pelo desempenho, vale a pena lembrar que nada duradouro se constrói sem uma vitória que seja, antes de tudo, humana.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF