Pierre
D’Elbée - publicado em 27/02/26
A adversidade não leva diretamente ao sucesso, observa o
consultor empresarial Pierre d'Elbée, mas sim à amizade que tornará o sucesso
possível.
O mundo profissional não é conhecido por criar relações de
amizade fortes ou por ver empreendedores saírem de um fracasso através de uma
amizade inabalável. É mais comum citar o caso de Steve Jobs e John Sculley,
inicialmente aliados e depois inimigos até a expulsão de Jobs da Apple em 1985
— empresa que ele mesmo havia cofundado. Outros exemplos, talvez menos
emblemáticos, existem aos milhares. No entanto, um artigo recente do
jornal Les Échos destaca uma experiência inversa: a de
empreendedores que chegaram ao "fundo do poço" e viveram juntos uma
resiliência que os levou ao sucesso de seus negócios.
Histórias de resiliência
Younes Qassimi e Nicolas Marette, mencionados no artigo,
sofreram primeiro um "fracasso retumbante": a plataforma de apostas
esportivas que criaram juntos teve que fechar abruptamente. Tal provação
deveria, logicamente, destruir a colaboração entre eles. O ressentimento, a
busca por um bode expiatório e as acusações mútuas poderiam ter prevalecido.
Mas ocorreu o oposto: "Tínhamos a certeza de que poderíamos atravessar
esses momentos difíceis juntos".
Existem histórias famosas de amizade entre empreendedores,
como Bill Hewlett e David Packard ou os irmãos Michelin. Mas o que nos
interessa aqui não é tanto a capacidade de ter sucesso juntos, mas sim ver uma
amizade tornar-se sólida por ocasião de uma provação e levá-los ao êxito. Há
aqui um evento em três tempos: provação-amizade-sucesso, que merece
análise. Pois, neste caso, a provação não leva diretamente ao sucesso, mas à
amizade — e é ela que tornará o sucesso possível.
A provação como oportunidade
A provação funciona como um batismo de fogo. Quando tudo vai
bem, é fácil permanecer unido. O fracasso, a perda de dinheiro, um ego
desestabilizado (às vezes até destruído), o medo ou mesmo a angústia diante de
um amanhã incerto representam uma verdadeira prova profissional. É difícil
manter um espírito minimamente positivo nesses momentos. No entanto, eles
também podem se tornar a oportunidade de refundar uma aliança. Na adversidade,
descobrimos com quem podemos contar.
O que a amizade profissional traz
A amizade aqui pressupõe sentir, primeiramente, uma
confiança mútua forte. Não se trata mais de uma amizade fácil, "útil"
ou "agradável", como diria Aristóteles, ou "estética", como
diria Kant: a crise enfrentada atinge frontalmente os interesses de cada um e,
obviamente, não gera prazer. Uma relação de amizade deve buscar em outro lugar
os motivos para continuar. Aristóteles fala da amizade honesta; Kant, da
amizade moral: um ápice da relação interpessoal feita de respeito, fidelidade,
confiança e uma esperança compartilhada. E, se existem divergências, é possível
falar a verdade e encontrar um caminho de aproximação, porque se mantém em
todas as ocasiões a convicção de que é juntos que sairão daquela situação:
"Tínhamos a certeza de que poderíamos atravessar os momentos difíceis
juntos".
A propósito, é notável observar que os testemunhos
convergem: a provação é "um verdadeiro crash-test relacional:
ela nos [prova] que nossa complementaridade [resiste] à adversidade". A
complementaridade é o fundamento de uma estima mútua, quando a excelência
própria de cada um é valorizada e reconhecida pelo parceiro.
A resiliência profissional pela amizade
A resiliência profissional dos amigos é contagiosa. Não
apenas quando o sucesso chega, mas porque cria uma dinâmica de alegria.
Empreendedores que dão a volta por cima e estão alcançando o sucesso despertam
admiração. Eles exercem um efeito de exemplaridade. Há algo de surpreendente e
até admirável em um sucesso quando ele é tão inesperado quanto o fracasso
anterior era evidente.
Na verdade, a cooperação em situação de crise é
surpreendente porque é muito difícil; exige qualidades que vão muito além da
técnica e do desempenho: qualidades puramente humanas, das quais esquecemos com
frequência que, sem elas, nada é possível. A resiliência profissional pela
amizade é uma vitória humana abundante; ela ultrapassa os limites objetivos de
um fracasso através de uma dinâmica cheia de esperança e competência. O que
desperta admiração não é apenas o sucesso, mas a maneira como ele foi tornado
possível. Diante da qualidade relacional de uma dupla de amigos, percebe-se um
"algo a mais", como um convite inspirador. Em um mundo profissional
obcecado pelo desempenho, vale a pena lembrar que nada duradouro se constrói
sem uma vitória que seja, antes de tudo, humana.

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