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terça-feira, 3 de setembro de 2019

São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja

REDAÇÃO CENTRAL, 03 Set. 19 / 05:00 am (ACI).- “Onde existe o amor se realizam coisas grandes”. Assim costumava dizer o primeiro monge a ser Papa, São Gregório Magno, que em sua passagem pela Cátedra de Pedro deixou grandes marcas na história da Igreja, como por exemplo, a instituição da observância do celibato, a introdução do Pai-Nosso na Missa e o canto gregoriano.

Mais tarde, tornou-se Doutor da Igreja e hoje, 3 de setembro, é celebrada sua memória litúrgica.
Gregório nasceu em Roma, no ano 540, na família Anícia, de tradição na Corte romana, da qual saíram dois Papas: Félix III (483-492), seu tataravô Agapito (535-536).
Ainda jovem ingressou na carreira administrativa, sendo prefeito de Roma. Mas, logo deixou essa carreira para se dedicar à vidamonástica, ingressando no mosteiro de Santo André. Tempos depois, declarou que seus anos no mosteiro foram os melhores de sua vida.
Mais adiante, foi nomeado diácono pelo Papa Pelágio e enviado a Constantinopla como Núncio Apostólico. Algum tempo depois, foi chamado a Roma para ser secretário do Pontífice, onde viveu anos difíceis com desastres naturais, carestias e a peste que atingiu o Papa Pelágio II.
O clero, o povo e o senado o elegeram Papa e preocupou-se com a conversão dos novos povoados e da nova organização civil da Europa. Queria estabelecer relações de fraternidade com todos para anunciar a palavra da salvação.
De todo seu trabalho religioso no Ocidente, a conversão da Inglaterra e o êxito que coroou seus esforços encaminhados para esta direção foi, para ele, o maior triunfo de sua vida.
São atribuídos a este santo a compilação do Antiphonario, a revisão e reestruturação do sistema de música sacra, a fundação da famosa Schola Cantorum de Roma e a composição de vários hinos muito conhecidos.
Mas sua verdadeira obra se projeta em outras direções. É venerado como o quarto Doutor da Igreja, por ter dado uma clara expressão a certas doutrinas religiosas que ainda não tinham sido bem definidas e, possivelmente, seu maior trabalho foi o fortalecimento da Sé Romana.
Papa Bento XVI, referindo-se a São Gregório Magno em sua audiência geral de 28 de maio de 2008, observou que, embora o desejo de São Gregório tivesse sido o de “viver como um monge em permanente conversa com a Palavra de Deus, por amor seu se fez servidor de todos em um tempo cheio de tribulações e sofrimentos: servo dos servos. Por isso foi ‘Grande’ e nos ensina qual é a medida da verdadeira grandeza”.
ACI Digital

domingo, 1 de setembro de 2019

Por que celebramos em setembro o mês da Bíblia?

Imagem referencial / Foto: Eduardo Berdejo (ACI Prensa)
REDAÇÃO CENTRAL, 01 Set. 19 / 06:00 am (ACI).- Durante setembro, a Igreja no Brasil celebra o mês da Bíblia, período em que se busca de maneira especial desenvolver o conhecimento da Palavra de Deus e a aplicação desta na vida cotidiana, como exortou o Papa Francisco em diferentes momentos.
Em outubro de 2014, durante a abertura do Sínodo Extraordinário da Família, no Vaticano, Francisco ressaltou que “a Bíblia não é para ser colocada em um suporte, mas para estar à mão, para lê-la frequentemente, cada dia, seja individualmente ou juntos, marido e mulher, pais e filhos, talvez de noite, especialmente no domingo”.
Durante outras ocasiões, como nas Audiências gerais e nos Ângelus na Praça de São Pedro, o Pontífice aconselhou os fiéis a carregarem consigo um evangelho de bolso, para que possa ser lido a qualquer momento.
“Hoje se pode ler o Evangelho também com muitos instrumentos tecnológicos. Pode-se trazer consigo toda a Bíblia num telefone celular, num tablet. O importante é ler a Palavra de Deus, com todos os meios, e acolhê-la com o coração aberto. E então a boa semente dá fruto!”, afirmou durante a oração mariana, em 6 de abril de 2014.
O mês da Bíblia teve início em 1971, por ocasião do cinquentenário da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG). Foi levado adiante com a colaboração do Serviço de Animação Bíblica da Congregação das Paulinas (SAB). Posteriormente, foi assumido pela Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) e estendeu-se ao âmbito nacional.
A escolha do mês de setembro para dedicar-se à Bíblia deve-se ao fato de no dia 30 de setembro ser comemorado o dia de São Jerônimo, o qual traduziu a Bíblia dos originais (hebraico, grego e alguns trechos em aramaico) para o latim.
Este mês dedicado à Bíblia tem como objetivo: contribuir para o desenvolvimento das diversas formas de presença da Bíblia, na ação evangelizadora da Igreja, no Brasil; criar subsídios bíblicos nas diferentes formas de comunicação; facilitar o diálogo criativo e transformador entre a Palavra, a pessoa e as comunidades.
Para marcar este mês, ACI Digital compartilha um especial sobre as Sagradas Escrituras com recursos para ajudar a vivenciar melhor a experiência de contato com a Palavra de Deus: http://www.acidigital.com/Biblia/index.html.
ACI Digital

22º DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano C: QUEM SE HUMILHA, SERÁ ELEVADO!

+Dom Sérgio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília
A mensagem do Evangelho deste domingo pode ser resumida em duas palavras que devem nortear a vida dos discípulos de Cristo: humildade e gratuidade. A parábola do banquete se conclui com um convite à humildade e um alerta: “quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será exaltado” (Lc 14,11). Para entender bem esta afirmação e compreender o sentido da verdadeira humildade é preciso olhar para o próprio Cristo “manso e humilde de coração”. Dentre outras passagens, podemos destacar o gesto de Jesus que se abaixou para lavar os pés dos discípulos, comportando-se como “aquele que serve”, e a doação da sua vida na cruz. A humildade não se reduz a um bonito sentimento, mas se expressa de modo concreto em atitudes como o desapego de si mesmo, o abaixar-se para servir e doar-se pelo próximo, sem vangloriar-se ou buscar vantagens. Esta atitude torna-se cada vez mais importante no mundo de hoje, pois há muitos que querem ser mais do que os outros, menosprezando e humilhando o próximo. É preciso ser humilde para não humilhar. Quem se faz humilde, como Jesus, jamais humilhará os outros, pois a humildade cristã é acompanhada de uma justa autoestima e do respeito ao próximo.
A segunda parte do Evangelho proclamado refere-se à gratuidade. O convite para o banquete, dirigido àqueles que não têm como retribuir, é sinal da gratuidade a ser vivida, hoje, pelos cristãos numa época marcada pela lógica da recompensa imediata e pelo interesse próprio. É preciso amar e servir aqueles que não podem retribuir o bem que fazemos. A gratuidade é um traço genuíno do amor cristão, pois os discípulos de Cristo são chamados a amar de graça, a amar antes de serem amados e a amar mais do que serem amados. Quem vive assim é feliz. “Então, tu serás feliz!”, afirma Jesus (Lc 14,14), que conclui afirmando que a recompensa pelo bem que fazemos será recebida na ressurreição dos justos. Deus nos recompensará pelo bem que tivermos praticado, especialmente, por aquilo que não recebemos a recompensa neste mundo. Por isso, ao invés de cobrar dos outros o reconhecimento ou a retribuição, façamos a experiência de amar e servir de graça, como sinal de amor gratuito, como é o amor de Deus por nós. A gratuidade, assim entendida, pressupõe a humildade.
Estamos iniciando o mês especialmente dedicado à Bíblia. Por isso, procuremos refletir sobre como temos escutado, acolhido e praticado a Palavra de Deus. Qual é o tempo que dedicamos à leitura e meditação da Bíblia? Aproveite este novo mês para organizar melhor o seu tempo, de modo a fazer a leitura orante da Bíblia e pôr em prática a Palavra de Deus.
Arquidiocese de Brasília / O Povo de Deus

sábado, 31 de agosto de 2019

São Raimundo Nonato, padroeiro das grávidas e parturientes

REDAÇÃO CENTRAL, 31 Ago. 19 / 05:00 am (ACI).- Diz-se que São Raimundo nasceu em uma família nobre da Espanha por volta do ano 1200. Foi-lhe dado o apelido de “non natus” (não nascido), porque sua mãe morreu no parto, antes que ele viesse à luz. Por esse fato, é tradicionalmente considerado padroeiro das grávidas, parturientes (que vão dar à luz), parteiras e recém-nascidos.

Ingressou na ordem dos Mercedários, comunidade que São Pedro Nolasco acabara de fundar com a missão de resgatar os cristãos que os muçulmanos tomavam como prisioneiros. Depois de dois ou três anos de sua profissão perpétua, sucedeu o fundador no serviço de “resgatar os cativos”.
Foi enviado para o norte da África com uma grande soma de dinheiro e resgatou muitos escravos. Quando acabaram os recursos econômicos, São Raimundo Nonato se ofereceu como refém pela liberdade de alguns prisioneiros que estavam em uma situação difícil e prestes a perder a fé.
Este sacrifício do santo exasperou os infiéis e o trataram com extrema crueldade, mas não o mataram porque o magistrado principal procurava ganhar muito dinheiro com seu resgate.  São Raimundo aproveitou o “tratamento humano” que lhe ofereceram para poder sair à rua, confortar os cristãos e converter muçulmanos.
Ao inteirar-se disso, o governador o condenou morrer empalado, mas, pelos interesses econômicos, foi apenas flagelado. Isso não desanimou o santo, que continuou ajudando e evangelizando. Como castigo, foi açoitado nas esquinas da cidade, teve os lábios perfurados com ferro quente e colocaram um cadeado em sua boca, cuja chave somente o governador tinha.
Por cerca de oito meses, São Raimundo viveu nesta penosa situação até que São Pedro Nolasco pôde enviar alguns membros da ordem para resgatá-lo.
São Raimundo retornou à Espanha por obediência e mais tarde foi nomeado cardeal pelo Papa Gregório IX. O santo permaneceu simples e não mudou nem suas vestes, nem sua pobre “cela” do convento de Barcelona.
Posteriormente, o Papa lhe pediu que fosse a Roma e empreendeu a viagem como um religioso humilde. Ao chegar a Cardona, a cerca de dez quilômetros de Barcelona, foi surpreendido por uma febre violenta e partiu para a Casa do Pai em 31 de agosto de 1240.
Oração a São Raimundo Nonato por um parto feliz
Oh! Santo padroeiro, São Raimundo Nonato, modelo de caridade aos pobres e necessitados, aqui estou eu, deitada a vossos pés para, humildemente, implorar a sua ajuda nesta minha necessidade.
Como sua maior alegria foi ajudar aos pobres e necessitados da terra, ajude-me, peço-vos, ó glorioso São Raimundo, nesta minha aflição. A vós, oh glorioso protetor, vim para que abençoe a criança que carrego em meu ventre.
Proteja a mim e ao filho das minhas entranhas agora e na hora do nascimento que se aproxima. Em troca, prometo educar meu filho de acordo com as leis e mandamentos de Deus.
Escuta a minha oração, meu protetor amoroso, São Raimundo, e me faça a feliz mãe desta criança que, espero, possa dar à luz através da sua poderosa intercessão. Amém.
ACI Digital

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Humildade e cuidado com a casa comum

Casa comum
Casa comum
Em comunhão com o Papa Francisco celebramos, neste 1º de setembro, o Dia Mundial de Oração e Cuidado com a Criação.


Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
        
Com o tema central da humildade e da generosidade, neste primeiro dia de setembro e também o 22º domingo do tempo comum, iniciando o Mês da Bíblia, em comunhão com toda a Igreja no Brasil somos convidados a estudar e aprofundar de forma especial a Palavra de Deus e o que Deus nos ilumina na oração e no cuidado para com o planeta terra, a nossa “casa comum”. Em comunhão com o Papa Francisco celebramos, também, neste 1º de setembro, o Dia Mundial de Oração e Cuidado com a Criação. Relembro três trechos da Laudato Si: no primeiro (n.8-9) o Papa recorda que “o Patriarca Bartolomeu tem se referido particularmente à necessidade de cada um se arrepender do próprio modo de maltratar o planeta, porque «todos, na medida em que causamos pequenos danos ecológicos», somos chamados a reconhecer «a nossa contribuição – pequena ou grande – para a desfiguração e destruição do ambiente». No segundo – n. 236 – o Pontífice sublinha como na Eucaristia “a criação encontra a sua maior elevação”. No terceiro (n. 241-242), o Papa refere-se a Maria e José, colocando em evidência, em particular, como a Virgem ” Assim como chorou com o coração trespassado a morte de Jesus, assim também agora Se compadece do sofrimento dos pobres crucificados e das criaturas deste mundo exterminadas pelo poder humano”.

Nas intenções de intercessão, se reza para que os cristãos busquem em primeiro lugar o Reino de Deus, cresçam no espírito, produzam frutos abundantes, trabalhem pelo bem da Igreja e não falte nunca às novas gerações a partilha dos bens da criação.

Na liturgia dominical contemplamos que a humildade atrai sobre si o amor de Deus e o apreço dos outros, ao passo que a soberba os repele. Por isso, a primeira leitura (Cf. Eclo 3,19-21. 30-31) aconselha-nos: “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado mais do que um homem generoso. Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor” (Cf. Eclo 3,19-20). O homem humilde compreende melhor a vontade divina e sabe o que Deus lhe vai pedindo em cada circunstância. O humilde respeita os outros, as suas opiniões e as suas coisas; possui uma especial fortaleza, pois apoia-se constantemente na bondade e onipotência de Deus: “Quando sou fraco, então sou forte”, proclama São Paulo.
O que é ser humilde? Humildade deriva de humus, pó, lama, barro... Ser humilde é reconhecer-se dependente diante de Deus, é saber-se pobre, limitado diante do Senhor. Quem é assim, sabe avaliar-se na justa medida porque sabe ver-se à luz do Senhor! O humilde tem diante de si a sua própria verdade: é pobre, é indigente, mas infinitamente agraciado e amado por Deus. Por isso, o humilde é livre e, porque livre, manso. Tinha razão Santa Teresa de Jesus quando afirmava que a humildade é a verdade. O humilde vê-se na sua verdade porque vê-se como Deus o vê, vê-se com os olhos de Deus! Então, o humilde é aberto para o Senhor, dele reconhece que é dependente, e a ele se confia. Podemos, assim, compreender as palavras do Eclesiástico: “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão; na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor. O Senhor é glorificado nos humildes”. É assim, porque somente o humilde, que reconhece que depende de Deus, pode ser aberto, e acolher como uma criança o Reino que Jesus veio trazer.

No Evangelho (Cf. Lc 14, 1. 7-14) no banquete na casa do fariseu, o Senhor diz: “Quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo vem mais para cima. Então serás honrado na presença de todos os convivas. Porque todo aquele que se exalta será humilhado; e aquele que se humilha será exaltado”. A virtude da humildade não tem nada a ver com a timidez ou a mediocridade. A humildade leva-nos a ter plena consciência dos talentos que Deus nos deu, mas para fazê-los render com o coração reto. A humildade faz que tenhamos consciência clara de que os nossos talentos e virtudes, tanto naturais como na ordem da graça, pertencem a Deus, porque da sua plenitude, todos recebemos. Tudo o que é bom vem de Deus; a deficiência e o pecado, esses, sim, são nossos. Humildade é reconhecer que valemos pouco – nada -, e ao mesmo tempo sabermo-nos “portadores de essências divinas de um valor inestimável”.

A atitude que o Cristo hoje nos ensina é a gratuidade: “Quando deres uma festa (Tu dás: a festa da vida que o Senhor te concedeu e, mais ainda da vida nova em Cristo, recebida no Batismo e celebrada na Eucaristia), convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. A gratuidade é a virtude que dar sem esperar nada em troca, dar e sentir-se feliz, sentir-se realizada no próprio dar. Se prestarmos bem atenção, a gratuidade é filha da humildade. Só quem sabe de coração que em tudo depende de Deus e de Deus tudo recebeu gratuitamente (humilde), também sente-se impelido a imitar a atitude de Deus: dar gratuitamente! “De graça recebestes, de graça dai!” (Mt 10,8) ou, como dizia Santa Teresinha do Menino Jesus: “Viver de amor é dar sem medida, sem nesta terra salário reclamar; sem fazer conta eu dou, pois convencida de que quem ama já não sabe calcular!” Pois bem, quem faz crescer em si a humildade e cultiva a gratuidade, experimenta a Deus e seu Reino, pois aprende a sentir o coração do próprio Deus, que tudo nos deu gratuitamente. Quem cultiva a humildade e a gratuidade, deixa o Reino ir entrando em si e entrará, um dia, no Reino de Deus.

A humildade elimina os complexos de inferioridade – que com frequência resultam da soberba ferida -, torna-nos alegres e serviçais, sequiosos de amor de Deus: Nosso Senhor porá em nós tudo o que nos faltar. Só o humilde procura a sua felicidade e a sua fortaleza no Senhor. Um dos motivos pelos quais os soberbos andam à cata de louvores e se sentem feridos por qualquer coisa que possa rebaixá-los na sua própria estima ou na dos outros, é a falta de firmeza interior; o seu único ponto de apoio e de esperança são eles próprios.
Pratiquemos a humildade e a generosidade, prenhe de compaixão, cuidando e protegendo a nossa “casa comum”! Que a Palavra de Deus, que é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos, nos anime em comunidade a ler, refletir e rezar a Palavra de Deus, Amém!

Rádio Vaticano

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Martírio de São João Batista, decapitado por anunciar a Verdade

REDAÇÃO CENTRAL, 29 Ago. 19 / 05:00 am (ACI).- “Na verdade, vos digo, dentre os nascidos de mulher, nenhum foi maior que João Batista”. Assim se referiu Jesus Cristo ao seu primo, o qual morreu decapitado por anunciar a Verdade, fato que é recordado neste dia 29 de agosto, quando a IgrejaCatólica celebra o Martírio de São João Batista.

Em sua audiência geral de 29 de agosto de 2012, o Papa Bento XVI destacou que João Batista é o único santo na Igreja – além do próprio Jesus Cristo e da Virgem Maria – do qual se celebra tanto o nascimento (24 de junho), como a sua morte, ocorrida através do martírio.
Mas esta memória “remonta à dedicação de uma cripta de Sebaste, em Samaria onde, já em meados do século IV, se venerava a sua cabeça. Depois, o culto se estendeu a Jerusalém, às Igrejas do Oriente e a Roma, com o título de Degolação de São João Batista”, explicou.
O Papa Ratzinger acrescentou que “no Martirológio romano faz-se referência a uma segunda descoberta da preciosa relíquia, transportada naquela ocasião para a igreja de São Silvestre no Campo de Marte, em Roma. Estas breves referências históricas ajudam-nos a compreender como é antiga e profunda a veneração de São João Batista”.
Sobre São João Batista há narrações nos Evangelhos, em particular de Lucas, que fala de seu nascimento, vida no deserto, pregação, e de Marcos, que menciona sua morte.
Pelo Evangelho e pela tradição é possível reconstruir a vida do Precursor. Negou categoricamente ser o Messias esperado, afirmando a superioridade de Jesus, o qual assinalou aos seus seguidores por ocasião do batismo nas margens do Rio Jordão como o Cordeiro de Deus, aquele de quem não era digno de desatar as sandálias.
Sua figura parece ir se desfazendo à medida que vai surgindo “o mais forte”, Jesus. Todavia, “o maior dentre os profetas” não cessou de fazer ouvir a sua voz onde fosse necessária para consertar os sinuosos caminhos do mal.
João Batista reprovou publicamente o comportamento pecaminoso de Herodes Antipas e da cunhada Herodíades, com quem tinha uma relação adúltera. Mas, a suscetibilidade de ambos lhe custou a prisão em Maqueronte, na margem oriental do mar Morto.
O relato da morte de São João Batista está no Evangelho de São Marcos, capítulo 6, versículos 17 a 29, no qual narra o banquete oferecido por Herodes pelo seu aniversário, onde a filha de Herodíades dançou.
Herodes gostou tanto da dança que prometeu a jovem que cumpriria qualquer pedido que ela fizesse. Ela, então, por sugestão de sua mãe, pediu a cabeça de João Batista, que lhe foi entregue em um prato.
Para o Papa emérito, “celebrar o martírio de São João Batista recorda-nos, também a nós cristãos deste nosso tempo, que não se pode comprometer o amor a Cristo, à sua Palavra e à Verdade. A Verdade é a Verdade, não há comprometimentos”.
O Papa Francisco, ao falar sobre a vida de São João Batista em fevereiro de 2015, recordou os “mártires dos nossos dias, aqueles homens, mulheres e crianças que são perseguidos, odiados, expulsos das casas, torturados, massacrados”. O Pontífice sublinhou que esses mártires “terminam sua vida sob a autoridade corrupta de pessoas que odeiam Jesus Cristo”.
ACI Digital

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo

(Lib. 7,10.18;10,27: CSEL 33,157-163.255)                (Séc.V)

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade!
Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável. Não era como a luz terena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz. 
Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”. 
E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne(Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste. 
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.

Responsório
R. Ó luz e verdade do meu coração,
que as trevas em mim não gritem mais alto!
* Errei, mas voltei, lembrei-me de vós.
Eis que volto à fonte, cansado e sedento.
V. Não sou eu minha vida, pois por mim vivi mal;
mas em vós eu renasço. * Errei.

Santo Agostinho, Doutor da Igreja

REDAÇÃO CENTRAL, 28 Ago. 19 / 05:00 am (ACI).- A Igreja celebra neste dia 28 de agosto Santo Agostinho, Doutor da Igreja e “padroeiro dos que procuram Deus”, o qual em suas “Confissões” disse a Deus sua famosa frase: “Tarde te amei, ó Beleza sempre antiga, sempre nova. Tarde te amei”.

Santo Agostinho nasceu em 13 de novembro de 354, em Tagaste, ao norte da África. Foi filho de Patrício e Santa Mônica, que ofereceu orações pela conversão de seu marido e de seu filho.
Em sua juventude, entregou-se a uma vida dissoluta. Conviveu com uma mulher por aproximadamente 14 anos e tiveram um filho chamado Adeodato, que morreu ainda jovem.
Agostinho pertenceu à seita do maniqueísmo até que conheceu Santo Ambrósio, por quem ficou impactado e começou a ler a Bíblia.
No ano 387, foi batizado junto com seu filho. Sua mãe faleceu naquele mesmo ano. Mais tarde, em Hipona, foi ordenado sacerdote e em seguida Bispo, ficando a cargo dessa Diocese por 34 anos. Combateu as heresias de seu tempo e escreveu muitos livros, sendo o mais famoso sua autobiografia intitulada “Confissões”.
Em 28 de agosto de 430, adoeceu e faleceu. Seu corpo foi enterrado em Hipona, mas logo foi transladado a Pavia, Itália. É um dos 33 Doutores da Igreja, recordado como o Doctor Gratiae (Doutor da Graça).
Para o Papa Emérito Bento XVI, Santo Agostinho foi um “bom companheiro de viagem” em sua vida e ministério. Em janeiro de 2008, referiu-se a ele como “homem de paixão e de fé, de alta inteligência e de incansável solicitude pastoral… deixou um rastro profundo na vida cultural do Ocidente e de todo o mundo”.
Em agosto de 2013, o Papa Francisco, durante a Missa de abertura do Capítulo Geral da Ordem de Santo Agostinho, referiu-se ao santo como um homem que “comete erros, toma também caminhos equivocados, é um pecador; mas não perde a inquietação da busca espiritual. E deste modo descobre que Deus lhe esperava; mais ainda, que jamais tinha deixado de lhe buscar primeiro”.
Quem também fez grande difusão da vida e obra deste Doutor da Igreja foi São João Paulo II, que redigiu a Carta Apostólica “Augustinum Hipponensem”, em 1986, por ocasião do XVI Centenário da conversão de Santo Agostinho.
ACI Digital

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Santa Mônica, padroeira das mães cristãs

REDAÇÃO CENTRAL, 27 Ago. 19 / 05:00 am (ACI).- “Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”. Este foi o conselho dado por um Bispo a Santa Mônica, cuja memória litúrgica a Igreja celebra neste dia 27 de agosto.

A santa seguiu este conselho, não se deixou abater pelas dificuldades até ver seu filho, Santo Agostinho, convertido. Por essa razão, tornou-se a padroeira das mães cristãs.
Ao recordar a vida desta santa, em 2013, o Papa Francisco destacou o exemplo que ela deixa a tantas mulheres que atualmente choram por seus filhos. “Quantas lágrimas derramou aquela santa mulher pela conversão do filho! E quantas mães, também hoje, vertem lágrimas a fim de que os seus filhos voltem para Cristo! Não percais a esperança na graça de Deus!”, disse.
Santa Mônica nasceu em Tagaste, atual Argélia, na África, em 331. Ainda jovem e por um acordo dos seus pais, casou-se com Patrício, um homem violento e mulherengo.
Algumas mulheres lhe perguntaram por que o seu marido nunca lhe batia, então lhes disse: “É que, quando meu marido está de mau humor, eu me esforço por estar de bom humor. Quando ele grita, eu me calo. E para brigar é preciso de dois e eu não aceito a briga, pois... não brigamos”.
Suportando tudo no silêncio e mansidão, encontrava o consolo nas orações que elevava a Cristo e à Virgem Maria pela conversão do esposo, que mudou de vida, batizou-se e morreu como bom cristão.
Mas a dor dessa mulher não terminaria aí. Agostinho, seu filho mais velho, tinha atitudes egoístas, caprichosas e não se aproximava da fé. Levava uma vida dissoluta e ela sofria por ver o seu filho afastado de Deus. Por isso, durante anos continuou rezando e oferecendo sacrifícios.
Agostinho se tornou um brilhante professor de retórica em Cartago. Mais tarde, foi, às escondidas, para Roma e depois para Milão, onde conseguiu o cargo de professor em uma importante universidade. Em Milão começaria também sua busca por respostas que a vida intelectual não oferecia. Abraçou o maniqueísmo e rejeitava a proposta da fé cristã.
Mônica não desistiu e viajou atrás de seu filho. Ela sentiu que a sua missão foi realizada quando, tempos depois, Santo Agostinho foi batizado na Páscoa de 387. Mãe e filho decidiram voltar para a terra natal, mas, chegando ao porto de Óstia, perto de Roma, Mônica adoeceu e logo depois faleceu, em 27 de agosto de 387.
O Papa Alexandre III confirmou o tradicional culto à Santa Mônica, em 1153, quando a proclamou padroeira das mães cristãs.
Sobre sua mãe, Santo Agostinho, que se tornou Bispo e doutor da Igreja, escreveu: “Ela me gerou seja na sua carne para que eu viesse à luz do tempo, seja com o seu coração para que eu nascesse à luz da eternidade”.
No Ângelus de 27 de agosto de 2006, o Papa Bento XVI, recordando estes dois santos, disse: “Santa Mônica e Santo Agostinho nos convidam a dirigirmo-nos com confiança a Maria, Sede da Sabedoria. A Ela confiemos os pais cristãos para que, como Mônica, acompanhem com o exemplo e a oração o caminho dos filhos”.
ACI Digital

domingo, 25 de agosto de 2019

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM: QUEM SE SALVA?

+ Dom Sergio da RochaCardeal Arcebispo de Brasília
Continuamos a percorrer o caminho para Jerusalém, com Jesus e os apóstolos, conforme o início do Evangelho proclamado (Lc 13,22). S. Lucas continua a narrar a longa viagem de Jesus para Jerusalém, onde consumará a sua missão. A passagem de hoje apresenta a resposta de Jesus a uma curiosa pergunta: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” (Lc 13,23).
Ao invés de responder à curiosidade sobre “quantos” se salvam, Jesus mostra como viver para entrar no Reino, destacando a universalidade da salvação e as suas exigências. A resposta ocorre em dois momentos principais. No final do texto, ao afirmar que “virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa do reino de Deus”. Todos são chamados a serem salvos. Não basta pertencer a determinado povo, grupo ou instituição para assegurar-se da salvação, pois “há últimos que serão primeiros e primeiros que serão últimos” (Lc 13,30).
No contexto do Evangelho de hoje, a palavra dirigida por Jesus pode ser aplicada primeiramente aos membros do povo eleito, questionando, especialmente, os fariseus que tinham visão exclusivista da salvação, restringindo-a aos membros do seu povo. Contudo, a afirmação de Jesus interpela também os seus discípulos, ao se referir àqueles que comeram e beberam com ele, mas não praticaram a justiça do Reino.
A salvação é dom de Deus ofertado a todos; não se baseia em privilégios ou exclusivismo. Em Jesus Cristo, realiza-se plenamente a profecia de Isaías, conforme a primeira leitura: “virei para reunir todos os povos e línguas; eles virão e verão minha glória” (Is 66,18).
Ao mesmo tempo, aos quem o acompanhavam, Jesus indicou o caminho da “porta estreita” para entrar no Reino. Os que estavam ouvindo e vendo Jesus não poderiam se acomodar ou simplesmente alegar isso para serem salvos. Por isso, ele adverte: “fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita” (Lc 13,24). A porta estreita não significa que a vida cristã seja penosa ou triste.  Através dela, experimenta-se a alegria e a beleza da vida cristã, que não é vida fácil, pois exige esforço pessoal, fidelidade, vivência da justiça e santidade. Para isso, como verdadeiro Pai que ama seus filhos, Deus nos educa e corrige, conforme a Carta aos Hebreus (Hb 12,5), animando-nos a caminhar sempre sem desanimar e acertando os nossos passos.
Neste Dia Nacional do Catequista, com profunda gratidão, nós bendizemos a Deus e suplicamos as suas bênçãos para todos os que se dedicam à Catequese. Procuremos valorizar e apoiar, sempre mais, o valioso trabalho pastoral dos catequistas!
Arquidiocese de Brasília / O Povo de Deus

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF