As primeiras palavras de Leão XIV na Argélia: o perdão mútuo
como chave para construir o futuro.
Andrea Tornielli
Pedro volta à África. Três anos após a visita realizada no
início de 2023 por Francisco à República Democrática do Congo e ao Sudão do
Sul, o Papa inicia uma longa peregrinação pelo continente africano que o leva
nesta segunda-feira (13/04) à Argélia e, nos próximos dias, a Camarões, Angola
e Guiné Equatorial. É uma viagem de 11 dias, eminentemente missionária, marcada
por uma agenda repleta de encontros com os povos de um continente caracterizado
por problemas e contradições, mas que é fonte de alegria e esperança.
Não se pode esquecer “o momento dramático da história” em
que esta visita se realiza, com a crescente preocupação pelo que está
acontecendo no Oriente Médio e as ameaças de uma nova recrudescência do
conflito após o fracasso das negociações paquistanesas entre os Estados Unidos
e o Irã. E é significativo que justamente a paz surja como tema principal no
primeiro discurso de Leão XIV na Argélia, durante a visita ao monumento dos
mártires da independência, Maquam Echahid: “neste lugar, recordamos que Deus
deseja a paz para todas as nações: uma paz que não é apenas ausência de
conflito, mas expressão de justiça e dignidade. E esta paz, que permite
enfrentar o futuro com o coração reconciliado, só é possível através do perdão.
A verdadeira luta pela libertação só será definitivamente vencida quando se
tiver finalmente conquistado a paz dos corações”.
O apelo ao perdão e à paz dos corações está impregnado de um
profundo realismo. Não só faz parte do cerne do anúncio cristão, mas
representa, ao mesmo tempo, o único caminho viável para construir um futuro.
“Sei como é difícil perdoar – disse o Papa –, todavia, enquanto os conflitos
continuam a multiplicar-se em todo o mundo, não se pode acrescentar
ressentimento ao ressentimento, de geração em geração”. Como não se questionar
sobre o ressentimento gerado nas gerações mais jovens pelos massacres de civis
cometidos em Gaza e hoje no Líbano? Como não fazer a mesma pergunta em relação
à guerra na Ucrânia e nas tantas outras regiões devastadas pelo ódio e pela
violência?
Mesmo que muitos governantes considerem que o caminho a
seguir diante desses cenários seja o do rearmamento, que engorda os mercadores
da morte, Leão, de Algeri, nos lembra que “o futuro pertence aos homens e às
mulheres de paz”, que “por fim, a justiça triunfará sempre sobre a injustiça, e
a violência, apesar das aparências, nunca terá a última palavra”.
A voz de paz do Sucessor de Pedro, Vigário do Filho de Deus
indefeso que fez a escolha não violenta de se sacrificar na cruz, tem um eco
ainda mais forte desta terra, onde a Igreja é absolutamente minoritária e o
testemunho dos poucos cristãos é ainda mais essencial, fundado no serviço e na
partilha das alegrias e dos sofrimentos de todos.

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