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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Cadernos do Concílio – Volume 3

Cadernos do Concílio (CNBB)

CADERNOS DO CONCÍLIO – VOLUME 3

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

Cadernos do Concílio – Volume 3 

A Tradição  

O terceiro volume do compêndio Cadernos do Concílio Vaticano II trata sobre a Tradição, ou seja, a tradição é tudo aquilo que a Igreja guarda como verdade de fé, perpassando pelos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos e a Igreja guarda até aos dias de hoje. Toda a doutrina da Igreja é com base na tradição, seja o Catecismo da Igreja, o Código de Direito Canônico, a doutrina social e moral, e outros documentos da Igreja. A Tradição é considerada o “depósito da fé”. 

Esse depósito da fé também chamado de Revelação, ou seja, revelação de tudo aquilo que Deus falou por meio dos patriarcas e profetas, Jesus e os apóstolos. Tudo isso foi guardado com carinho pela Igreja e ensinados nos primeiros séculos quando deu início a Igreja primitiva. Dessa forma a Tradição tem muito mais de dois mil anos, vem desde o Antigo Testamento, a Igreja guardou tudo isso, e até hoje é passado para todos os fiéis.  

Como acompanhamos nos evangelhos Jesus ensinava como quem tem autoridade, ou seja, vivia aquilo que Ele pregava. Por isso, nos dias de hoje somos chamados a seguir os ensinamentos de Jesus que depois foi passado aos apóstolos e hoje fazem parte da Tradição da Igreja. Inclusive os textos bíblicos sobretudo os evangelhos e demais livros do Novo Testamento foram aprovados pela Tradição e Magistério da Igreja.  

Quando acontece o Sínodo dos Bispos ou até mesmo quando acontece concílios, é o Magistério da Igreja que aprova os documentos estudados ao longo do Concílio ou do Sínodo. Ao longo da história da Igreja aconteceram alguns concílios e alguns marcantes como por exemplo: Nicéia e Constantinopla. Desses dois Concílios, a Tradição e o Magistério da Igreja aprovaram o “Credo Niceno-Constantinopolitano”. Outros concílios com decisões importantes do Magistério da Igreja foram o de Jerusalém e o de Trento. Nesse último aconteceu, por meio da Tradição e Magistério da Igreja, a reforma litúrgica e ministerial. Por fim, outros dois concílios marcantes para a história da Igreja foram o Concílio Vaticano I e o Concílio Vaticano II. Esse último objeto de nosso estudo, completando ano que vem sessenta anos de seu término, tiveram vários documentos aprovados pela Tradição e Magistério da Igreja, além da grande reforma litúrgica e ministerial, também aprovadas pelo Magistério e Tradição da Igreja.  

Mesmo passados quase sessenta anos do Concílio Vaticano II ele ainda precisa ser estudado e colocado em prática. Por isso, a mesma Tradição e o Magistério da Igreja por meio do Papa e dos Bispos resolveram lançar esses livros denominados como Cadernos do Concílio, para que todos os fiéis possam entender um pouco melhor o Concílio e compreender os seus documentos. Por isso, o Papa Francisco declarou esse ano de 2024 como o ano da Oração, em preparação do Jubileu da Esperança no próximo ano.  

A nossa fé católica não deve se resumir somente na Palavra de Deus escrita, ou seja, temos que colocar a nossa fé em prática vivendo aquilo que ali está escrito. Já dizia São Tiago “A fé sem obras é morta” (Tg 2,17). Jesus, o verbo encarnado do Pai, ao longo de sua vida pública viveu aquilo que pregava e nos ensinou a fazer o mesmo. Não podemos pegar a Palavra de Deus como um livro qualquer, mas como a Palavra que se fez carne e habitou entre nós. Nós católicos temos que viver na prática aquilo que está escrito na Palavra. Tornando a nossa fé viva e colocando em prática o que está na Sagrada Escritura, por isso tornaremos presente o Magistério e a Tradição da Igreja. Esses dois têm a missão de incentivar os fiéis a manterem cada vez mais viva a fé.  

A própria Sagrada Escritura tem seu berço na Tradição, pois a Sagrada Escritura foi escrita com base naquilo que Jesus e posteriormente os apóstolos pregaram. Levando em conta que, enquanto Jesus ou os apóstolos pregavam, não havia ninguém com caneta e papel anotando, até porque naquela época ainda nem existiam papel e caneta. No início da Igreja primitiva a única via de fé era a pregação dos apóstolos. Inclusive Jesus deu essa recomendação aos apóstolos: “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Eles pregavam sem ter livros nas mãos. Depois, posteriormente, foi escrito pela Tradição e pelo Magistério da Igreja tudo aquilo que eles pregaram conforme conhecemos hoje. 

Os livros da Sagrada Escritura começaram a ser escritos a partir aproximadamente do ano 50 d.C. com o seu término por volta do ano 100, e chegou até aos fiéis somente no início do primeiro século. A própria Bíblia dá testemunho da Tradição quando diz: “Conservai-vos firmes na fé e guardai as tradições que aprendestes, quer pela nossa pregação, quer pela nossa carta” (2Ts 2, 14); “O que ouviste da minha boca e de muitas testemunhas, confia-o a outros homens fiéis, capazes de instruir os outros” (2Tm 2,2). A Sagrada Escritura é a nossa fonte de fé atualmente, mas não quer dizer que não havia uma fonte de fé quando começou a pregação dos apóstolos no primeiro século. A fonte de fé no início da Igreja primitiva era justamente a pregação dos apóstolos e crer na ressurreição de Jesus.

A Tradição da Igreja continua viva até aos dias de hoje por meio da Sagrada Escritura, e daquilo que anunciamos a partir dela e colocamos em prática. A Tradição também continua viva por meio da pregação e ensinamento do Santo Padre, o Papa Francisco e dos bispos. O Papa é o Vigário de Cristo aqui na terra e os bispos são sucessores dos apóstolos. Cada um de nós pode manter viva a Tradição da Igreja por meio do anúncio da Palavra de Deus e colocando aquilo que anunciamos em prática, e ainda, toda vez que estudamos como estamos fazendo os documentos do Concílio Vaticano II.


Fonte: https://www.cnbb.org.br/

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF