Paulo
Teixeira - publicado em 24/02/26
O pensamento e a trajetória do Padre Luís Miguel Modino,
missionário espanhol que, após 19 anos no Brasil (especialmente na Amazônia),
retorna à sua diocese de origem na Espanha.
Após quase duas décadas de uma entrega profunda ao solo
brasileiro, o Padre Luís Miguel Modino prepara-se para um novo capítulo.
Missionário fidei donum, Modino tornou-se uma voz respeitada na
Igreja e entre os povos da Amazônia. Para ele, o ato de comunicar não é um
apêndice da evangelização, mas a própria essência da missão. Em um
mundo saturado de ruídos, ele defende uma comunicação que nasce da escuta e do
"cheiro das ovelhas", transformando o jornalista em um porta-voz de
realidades muitas vezes silenciadas pela grande mídia.
A missão de escutar
Para Modino, a comunicação eclesial eficaz começa muito
antes da primeira linha escrita ou do primeiro clique na câmera. “Ela nasce no
silêncio e na convivência”, disse em entrevista ao Vatican News. Durante seus
anos na Amazônia, acompanhando comunidades indígenas e ribeirinhas, ele
aprendeu que o verdadeiro comunicador deve primeiro ser um aprendiz da
realidade local. Esta é a primeira etapa de qualquer missão que
se pretenda autêntica: a capacidade de se deixar afetar pela vida do outro.
Em suas reflexões sobre o período em que serviu na Diocese
de São Gabriel da Cachoeira e na Arquidiocese de Manaus, o sacerdote é
enfático: "Somente ouvindo, somos capazes de valorizar e descobrir
as riquezas que ali existem, o esplendor da Amazônia que nos chama a
comunicá-la". Para ele, o comunicador missionário tem o dever de
superar preconceitos e oferecer ao mundo uma "nova história" da
região, que vá além das tragédias e foque na resistência e na beleza dos povos
originários.
Missão digital
Com o avanço das tecnologias e a consolidação das redes
sociais, Modino não se esquivou do desafio de habitar o ambiente virtual. Para
ele, a internet não é apenas uma ferramenta, mas um "continente" que
precisa ser evangelizado com a mesma dedicação que uma paróquia física. "A
missão digital precisa ser purificada, mas nunca abandonada. Não percamos a
oportunidade de oferecer a Boa Nova às centenas de milhões de pessoas que hoje
habitam o continente digital", afirma o sacerdote. Para ele, o
missionário digital é um novo carisma necessário para acompanhar aqueles que
estão distantes das estruturas paroquiais tradicionais.
Missão e pontes
Ao se despedir do Brasil em dezembro de 2025, Padre Luís
Miguel Modino deixa um legado de pontes construídas. Sua atuação na REPAM (Rede
Eclesial Pan-Amazônica) e no CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano)
exemplifica como a comunicação pode unir as dores das periferias ao coração do
Vaticano. A missão de comunicar, portanto, é um serviço à
unidade e à denúncia profética.
O retorno à Espanha não significa o fim de sua tarefa, mas
uma mudança de geografia. A bagagem que leva do Brasil, carregada de nomes,
rostos e lutas, continuará a alimentar sua vocação. "Onde quer que
haja ódio, os missionários levam o amor; onde há desespero, eles levam a
esperança", recorda Modino, citando a premissa que guiou seus 19 anos
em terras brasileiras.
Padre Miguel Modino
Fonte: https://pt.aleteia.org/
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