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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Leão XIV: o papel da Igreja é ser luz, um farol de esperança para as nações

3° Congresso da Rede Católica Pan-Africana de Teologia e Pastoral se realiza em Abidjan, Costa do Marfim (Vatican News)

Na mensagem de vídeo enviada aos participantes do 3° Congresso da Rede Católica Pan-Africana de Teologia e Pastoral, na Costa do Marfim, o Papa os encoraja "a continuar construindo a família das Igrejas locais em seus diferentes países e regiões, para que haja redes de apoio disponíveis para todos os nossos irmãos e irmãs em Cristo, e também para a sociedade em geral, especialmente para aqueles que vivem nas periferias".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

Teve início, nesta terça-feira (05/08), em Abidjan, Costa do Marfim, o 3° Congresso da Rede Católica Pan-Africana de Teologia e Pastoral intitulado "Caminhar juntos na esperança como Igreja Família de Deus na África".

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem de vídeo aos participantes do evento, que prossegue até domingo, 10 de agosto, na qual agradece aos "organizadores pelo árduo trabalho desempenhado na organização deste importante encontro". "Ofereço também minhas orações aos bispos, teólogos, líderes pastorais, jovens e todos os fiéis leigos que se reuniram para refletir sobre o futuro da Igreja na África", diz o Pontífice no vídeo.

“Três anos atrás, no segundo Congresso, o Papa Francisco falou sobre a importância da fé. Agora, como parte do Jubileu deste ano, celebramos outra virtude teologal: a esperança.”

Segundo o Papa, "talvez, em certos momentos, seja dada mais ênfase às virtudes da fé e da caridade; contudo, a esperança desempenha um papel vital em nossa peregrinação terrena".

A esperança nos inspira e nos sustenta

“De fato, ela pode ser vista como a virtude que conecta as outras duas. Em certo sentido, a fé e a teologia fornecem as bases para o conhecimento de Deus, enquanto a caridade é a vida de amor que desfrutamos com Ele. No entanto, é por meio da virtude da esperança que desejamos alcançar a plenitude dessa felicidade no Céu.”

De acordo com o Papa Leão, a esperança "nos inspira e nos sustenta a nos aproximarmos cada vez mais de Deus, mesmo diante das dificuldades da vida".

A seguir, o Pontífice recorda que a África, "como qualquer outra parte do mundo, enfrenta uma série de dificuldades. Diante desses desafios e da percepção de que as coisas não mudam, é fácil desanimar".

A Igreja deve ser a luz do mundo

“No entanto, é precisamente o papel da Igreja ser a luz do mundo, uma cidade erguida sobre um monte, para ser um farol de esperança para as nações.”

A seguir, o Pontífice ressalta que o tema do congresso é particularmente pertinente. "Embora cada um de nós seja chamado a cultivar a sua própria relação pessoal com Deus, ao mesmo tempo, através do nosso batismo, somos unidos como filhos e filhas do nosso Pai Celestial", sublinha.

Responsabilidade de cuidar uns dos outros

“Temos, portanto, a responsabilidade de cuidar uns dos outros. De fato, a família é geralmente o primeiro lugar onde recebemos o amor e o apoio de que precisamos para seguir em frente e vencer as provações que a vida nos apresenta.”

O Papa os encoraja "a continuar construindo a família das Igrejas locais em seus diferentes países e regiões, para que haja redes de apoio disponíveis para todos os nossos irmãos e irmãs em Cristo, e também para a sociedade em geral, especialmente para aqueles que vivem nas periferias".

Unidade entre teologia e pastoral

O Santo Padre enfatiza "a importância de ver a unidade entre teologia e pastoral". "Devemos viver aquilo em que cremos. Cristo nos disse que veio não apenas para nos dar vida, mas para dá-la em abundância", ressalta.

O Papa diz aos participantes do 3° Congresso da Rede Católica Pan-Africana de Teologia e Pastoral que cabe a eles "trabalhar juntos para implementar programas pastorais que demonstrem como os ensinamentos da Igreja ajudam a abrir os corações e as mentes das pessoas para a verdade e o amor de Deus".

Leão XIV confia os trabalhos do encontro à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, para que guie e inspire os participantes em seus esforços.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

terça-feira, 5 de agosto de 2025

YouTuber quer convidar o Papa para uma jornada apostólica na internet

Benoît Gélébart à Rome. | CD I Aleteia

Camille Dalmas - publicado em 01/08/25

Em Roma para o Jubileu, o YouTuber Benoît Gélébart quer convidar o Papa Leão XIV para uma jornada apostólica inédita: o continente digital da Internet.

Benoît Gélébart é um dos mil participantes reunidos em Roma para o Jubileu dos Missionários do Mundo Digital e Influenciadores Católicos. Com seu amigo Thibault Pfeffer, que ficou na França, esse jovem criador de conteúdo compartilha reflexões sobre evangelização no canal do YouTube Deux Disciples, que já ultrapassa 17 mil seguidores. Convidado a integrar o grupo de criadores católicos para o evento, ele se disse encantado ao ver como católicos de diferentes nações comunicam a alegria do Evangelho pelas redes sociais.

Gélébart já teve a chance de conhecer o Papa Francisco alguns anos atrás e espera poder cumprimentar Leão XIV. Ele tem uma proposta para o novo pontífice.


Uma proposta para o século XXI

O YouTuber tem um grande sonho que espera concretizar: iniciar a primeira jornada apostólica de um Papa… na Internet.

“Assim como ele vai à Bélgica e à Tailândia para encontrar os fiéis nesses países, sentimos que há uma necessidade de o Papa estar presente também na internet”, explica.

Dessa forma, ele alcançaria especialmente os jovens, que utilizam diariamente as diferentes redes sociais existentes.

“Seria uma grande mensagem para o mundo”, diz o jovem entusiasmado, comparando o evento a uma “Jornada Mundial da Juventude na internet”.

Ele ressalta que isso não substituiria a JMJ ou qualquer outro tipo de encontro presencial, mas sim complementaria esses momentos, que são tão importantes.

“Terminaria com um grande evento ao vivo, onde poderíamos imaginar, por exemplo, uma sessão de perguntas e respostas no Twitch ou no YouTube…”


Como seria essa jornada apostólica inédita?

“Tudo ainda está por ser decidido, mas assim como o Papa encontra líderes religiosos, padres e pessoas em situação de pobreza quando visita um país, poderíamos imaginar encontros semelhantes durante três dias, mas na internet.”

O Papa encontraria missionários digitais, mas também vítimas da internet, como vítimas da pornografia, por exemplo. E concluiria com um grande evento ao vivo no qual o Papa proclamaria uma mensagem forte — e, quem sabe, interagiria com perguntas e respostas em plataformas como Twitch ou YouTube.

Gélébart espera encontrar apoio para seu projeto em Roma e vê um potencial de crescimento nessa ideia. O mais importante, segundo ele, é:

“Levar o Papa à internet para mostrar que esse continente precisa ser evangelizado hoje e que a Igreja deve estar presente para todos.”

Fonte: https://pt.aleteia.org/2025/08/01/youtuber-quer-convidar-o-papa-para-uma-jornada-apostolica-na-internet/

Dante o secular, isto é, o cristão (Parte 2/2)

Os Homens Simônicos, Inferno XIX, ilustração de Sandro Botticelli | 30Giorni

Arquivo 30Dias nº 04 - 2000

Dante o secular, isto é, o cristão

Entrevista com Alberto Asor Rosa sobre Alighieri: "Sua crença era absoluta nos fundamentos da fé, mas altamente crítica em relação a todo o resto. Além disso, ele tinha consciência de que todo homem é pecador. A consciência cristã das limitações humanas é precisamente o fundamento do pensamento secular."

Entrevista com Alberto Asor Rosa por Paolo Mattei

Ao falar de "escolha", você postula uma autoconsciência plena, uma consciência completa, na obra poética de Dante e Petrarca. Não seria mais correto imaginar dois escritores involuntariamente posicionados em lados opostos da divisão inevitável inerente a toda transição de uma era para outra, resultando, neste caso, em um Dante naturalmente popular e um Petrarca inadvertidamente aristocrático? 

ASOR ROSA: É certo que, ao avaliar fenômenos desse tipo, devemos sempre ter cuidado para não imputar subjetividade excessiva aos protagonistas. Neste caso, porém, acredito que os elementos subjetivos da autoconsciência foram muito importantes. Petrarca se apresenta como o iniciador de um novo estilo que leva em conta o passado, mas estabelece objetivos muito diferentes. Isso se aplica tanto a Petrarca, o humanista, latinista, quanto a Petrarca mais ligado à tradição vernacular — o autor do Canzoniere , para ser claro . Petrarca tinha consciência de que se dirigia a um público "superior". Para Dante, a questão é mais complexa. No entanto, se alguém ler o Convívio , parece-me que se pode apreender a presença de uma ideia de cultura que, em vez de se destinar aos salões de poucos, desce às praças públicas de muitos. A poesia de Dante, a grande poesia da Divina Comédia , vai além do círculo restrito dos literatos. Aqui, também entra em jogo o elemento religioso, que em Dante é um dos componentes essenciais de sua relação com uma massa mais conspícua de leitores. 

O Cardeal Ratzinger aludiu a Dante em sua apresentação do documento sobre o mea culpa da Igreja , Memória e Reconciliação: A Igreja e as Faltas do Passado . Ratzinger se referiu à alegoria da carruagem ( Purgatório XXIX-XXXIII), na qual o poeta descreve a presença do Anticristo na Igreja Há um profundo realismo nisso, a clara consciência de que a Igreja não é imune ao pecado...

ASOR ROSA: Dante não transmite, na verdade, a ideia de uma Igreja pura, intocada pelo pecado. E entre os muitos pecados dos quais os pontífices — hóspedes da terceira bólgia descrita no capítulo 19 do Inferno — poderiam ter sido culpados em sua existência terrena, Dante "escolhe" aquele que considerou mais grave: o tráfico de coisas sagradas, a simonia, que na carruagem alegórica do Purgatório é representada pelo gigante e pela prostituta. Ele não pensa em incontinência, nem em pecados sexuais, que ele encobre. Evidentemente, foi isso que o impressionou mais do que qualquer outra coisa. Esses elementos revelam a figura de um Dante "livre-pensador": o que ele viu, ele relatou sem medo. Portanto, ele não teve dificuldade em retratar a situação infernal dos papas simoniacais. Seu ser crente era absoluto no essencial da fé, mas altamente crítico em relação a todo o resto. Afinal, ele tinha consciência de que todo homem é pecador.

A propósito dessa consciência de Dante, em um artigo publicado no La Repubblica em janeiro de 1999, "A Igreja triunfante sem a humildade cristã ", o senhor observou como o "cristianismo" nos falava "da finitude e da precariedade do homem antes (e talvez melhor do que) do pensamento secular moderno". Nesse artigo, o senhor criticou a imagem triunfante que a Igreja dá de si mesma hoje, a qual, como uma cidadela de certezas graníticas, com sua atitude pouco humilde, bloqueia qualquer "possível ponto de convergência" com os não crentes. Uma Igreja, em suma, que não fala mais "da finitude e da precariedade do homem".

ASOR ROSA: O pensamento cristão está na origem do pensamento secular moderno: este último é uma derivação do pensamento cristão, embora também tenha fortes laços com o pensamento clássico. Em certo ponto, também produz abjurações. E isso faz parte da história e da cultura europeias. O ponto de reflexão é precisamente este: em que medida o pensamento cristão influencia e condiciona a gênese do pensamento secular? Se uma característica do pensamento secular é a consciência das limitações humanas, penso que na origem dessa visão crítica do mundo, típica do pensamento secular, reside o sentido cristão da finitude humana, dos limites da ação e do conhecimento humanos. Nesse sentido, parece-me que na origem do pensamento secular moderno, mais do que a filosofia inatingível e o legado inatingível dos clássicos, está, para dizer o mínimo, um pensador como Agostinho, que então também recupera todo o pensamento clássico, recupera Platão, recupera Sócrates, recupera essa história, digamos, "laica". Por outro lado, essa capacidade inimitável de abraçar e compreender tudo o que é humano encontra um obstáculo intransponível em todos aqueles momentos ou manifestações eclesiais em que o elemento primordial — que deveria ser a consciência da finitude do homem, do seu conhecimento e da sua ação — é substituído por uma visão triunfalista da presença dos cristãos no mundo. Eu, muito humildemente, ousei dizer que este é um momento na história da Igreja de Roma em que o elemento triunfalista prevalece sobre a humildade de reconhecer a precariedade da humanidade em todas as suas expressões.

Fonte: https://www.30giorni.it/

EDITORIAL: Do anoitecer ao amanhecer. A amizade pode mudar o mundo

Acompanhado pelos Jovens em Tor Vergatam Papa Leão XIV carrega a Cruz do Jubileu  (ANSA)

"A religião é, antes de tudo, relação. Este foi um dos temas centrais do diálogo durante a vigília do sábado à noite, uma conversa ao pôr do sol, um pouco como a da noite de Emaús, quando o dia já estava chegando ao fim".

Andrea Monda - L'Osservatore Romano

Mais de um milhão de jovens lotaram a área de Tor Vergata para estar juntos com o Papa Leão XIV durante toda a Vigília do Jubileu dos Jovens e para participar da Missa celebrada pelo Pontífice na manhã de domingo. Vem à mente a pergunta seca e direta de Jesus no Evangelho de Mateus quando, referindo-se a João Batista e seus discípulos, pergunta: "Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Que fostes ver, então?" (Mt 11,7).

Os jovens responderam de muitas maneiras, por exemplo, enchendo com sua energia festiva as ruas, praças, espaços públicos e meios transportes da Cidade Eterna, uma alegria e uma "barulho" (para usar as palavras de João Paulo II e Francisco) que permanecerão por muito tempo impressos na memória dos romanos. E eles responderam também lá, durante a vigília, fazendo perguntas, de certa forma dirigindo a pergunta de Jesus ao seu Vigário, dirigindo-se a ele com suas próprias perguntas, perguntas de significado. E o Papa respondeu, abraçando-os e acompanhando-os; ele não os abandonou. Lembrando-lhe o que Bento XVI gostava de repetir: quem crê nunca está sozinho.

A religião é, antes de tudo, relação. Este foi um dos temas centrais do diálogo durante a vigília do sábado à noite, uma conversa ao pôr do sol, um pouco como a da noite de Emaús, quando o dia já estava chegando ao fim. Nessa perspectiva, o "comentário" mais eficaz sobre este momento intenso da vida da Igreja nas periferias de Roma está contido nos versos do poema "Emaús", de David Maria Turoldo:

Enquanto o sol já se põe,
tu ainda és o viajante que explica
as Escrituras e nos dás o conforto
com o pão partido em silêncio.
Ilumina ainda os corações e as mentes
para que possam sempre ver o teu rosto
e compreender como o teu amor
nos alcança e nos impulsiona para mais longe.

Tor Vergata como Emaús. Do pôr do sol ao amanhecer, das trevas que descem para uma nova luz cheia de esperança. O Papa Leão também destacou isso em sua homilia na Missa da manhã de domingo, enfatizando a transição dos dois discípulos do medo e da desilusão para a alegria diante da surpresa de um encontro inesperado, um encontro face a face.

Aquela imensa multidão de jovens foi a Tor Vergata para ver um rosto. E assim ser tocados pelo amor. Não para "fazer" algo, mas para "ser". Não fazer. Ficar também em silêncio. Não falar. Quando muito, cantar. Estar em silêncio e cantar, juntos. Não sozinhos. Ser protagonistas nas relações, reconhecendo que tudo é um relacionamento. 

O Papa Leão disse isso claramente em resposta às perguntas que os jovens lhe fizeram: «...todos os homens e mulheres do mundo nascem filhos de alguém. A nossa vida começa com um vínculo e é através de vínculos que crescemos (...). Buscando apaixonadamente a verdade, não apenas recebemos uma cultura, mas transformamo-la através das escolhas de vida. A verdade, com efeito, é um vínculo que une as palavras às coisas, os nomes aos rostos. A mentira, pelo contrário, separa estes aspectos, gerando confusão e mal-entendidos».

A verdade também é, portanto, um vínculo, uma relação, que hoje vive uma grande crise nesta era do niilismo (de nihil, isto é, de ne-hilum: sem fio, sem vínculo). Verdade que jamais pode ser separada do amor, que é a relação por excelência. Quando uma pessoa diz que está "em um relacionamento", está dizendo que ama alguém. Mais uma vez, quando se trata de amor, não se trata de "fazer" algo, mas de "ser", estar com alguém. Não há nada mais belo, especialmente os jovens sabem disso, do que "estar com", com a pessoa amada, com amigos. Quando se está junto, o tempo desaparece, sua corrente se rompe, o krònos se torna kairòs, um tempo rico em promessas e significados, em alegria plena, e o significado recupera o terreno perdido pelo excesso de fazer e ter que fazer que ocupa a vida cotidiana.

A experiência gratuita de estar em companhia já é uma antecipação do paraíso. Eis porque que Leão, citando seu amado Agostinho, concentrou suas palavras no tema da amizade, essa dimensão que está no coração da existência dos jovens e a eles recordou que o grande santo africano «Também ele passou por uma juventude tempestuosa, porém não se conformou, não silenciou o clamor do seu coração. Agostinho procurava a verdade, a verdade que não decepciona, a beleza que não passa. E como a encontrou? Como encontrou uma amizade sincera, um amor capaz de dar esperança? Encontrando Aquele que já o procurava: Jesus Cristo. Como construiu o seu futuro? Seguindo a Ele, seu amigo desde sempre». E concluiu com estas vibrantes palavras repletas de esperança: «A amizade pode realmente mudar o mundo. A amizade é um caminho para a paz». Eis o amor que alcança e impulsiona para mais além.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Semana Nacional da Família

Semana Nacional da Família 2025 (CNBB)

SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA

05/08/2025

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
 

Semana Nacional da Família: É tempo de júbilo em nossa vida 

A Semana Nacional da Família, celebrada anualmente em agosto, representa um momento privilegiado para refletirmos sobre a importância fundamental da família como núcleo vital da sociedade e da Igreja. Em tempos marcados por tantas transformações sociais e culturais, esta celebração nos convida a reafirmar a beleza e o valor do amor familiar, fonte da vida, do crescimento humano integral e, neste ano de 2025, também como fonte das vocações. Iniciando com o segundo domingo de agosto, dia dos Pais viveremos toda uma semana essa experiência evangelizadora da Semana Nacional da Família 

Inspirados pelo tema “É tempo de Júbilo em nossa vida” com o lema “Ora a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5), ligados ao ano jubilar, a Igreja no Brasil se une, durante esta semana, a todas as famílias para recordar que é no ambiente familiar que nascem e amadurecem os primeiros chamados de Deus. Antes de qualquer vocação específica — seja ao matrimônio, à vida consagrada, ao sacerdócio ou ao laicato engajado — há o dom da vida, gerado e nutrido no calor do lar. A família é o solo fecundo onde a fé é plantada, cuidada e floresce em forma de serviço, entrega e missão. 

O Concílio Vaticano II já nos recordava que a família é a “Igreja doméstica” (Lumen Gentium, 11), lugar onde o Evangelho é vivido no cotidiano, onde os valores cristãos são transmitidos de geração em geração. É na família que experimentamos o primeiro amor, aprendemos a conviver, a perdoar, a respeitar e a servir ao próximo. Por isso, é também o primeiro lugar de escuta vocacional, que celebramos e rezamos neste mês de agosto. É ali que, muitas vezes, a voz do Senhor ressoa de maneira sutil, mas profunda, tocando corações ainda jovens para grandes missões. 

Neste contexto jubilar em que a Igreja celebra neste ano de 2025, o Jubileu Ordinário da Esperança, somos convidados a reconhecer que a família é também sinal de esperança que anuncia Cristo nossa esperança. Famílias que rezam juntas, que vivem com generosidade e que testemunham a alegria da fé, tornam-se verdadeiros semeadores de esperança e paz. Quando os filhos veem nos pais o testemunho coerente da fé, do amor e do serviço, despertam-se para uma escuta mais sincera da voz de Deus. 

O Papa Francisco, em sua exortação apostólica Amoris Laetitia, nos exorta a olhar para a família com esperança e realismo, valorizando suas riquezas e reconhecendo suas fragilidades. Ele nos lembra que toda família, mesmo marcada por limites, pode ser sinal vivo da ternura de Deus e ambiente propício para o despertar vocacional. É ali que se aprende a amar sem medida, a doar-se por inteiro e a confiar na Providência divina. 

Neste ano de 2025, a Semana Nacional da Família deve ser vivida com especial ardor e criatividade pastoral. Mais do que nunca, é tempo de valorizar as vocações que nascem no coração da vida familiar e viver com alegria e júbilo neste tempo em nossa vida cristã, unidos ao Papa Leão XIV neste ano especial do jubileu. Devemos criar espaços de escuta nas comunidades, promover momentos de oração pelas vocações e ajudar os jovens a discernirem com clareza o caminho que o Senhor lhes propõe. 

A família é dom e tarefa: dom porque é presente de Deus, e tarefa porque exige compromisso diário, diálogo, sacrifício e alegria. E dentro dessa dinâmica de dom e tarefa, a escuta do chamado de Deus encontra terreno fértil para amadurecer. Quantos sacerdotes, religiosas, missionários e leigos engajados reconhecem que sua vocação foi despertada e sustentada no testemunho de seus pais e avós! 

Não podemos esquecer também das famílias que sofrem, das que se encontram em situação de fragilidade, violência ou desestruturação. A Semana Nacional da Família deve ser também ocasião para acolher, acompanhar, discernir e integrar. A Igreja é mãe e mestra: não impõe, mas propõe; não exclui, mas acolhe; não julga, mas oferece caminho.  A Pastoral família com todas as suas seções, o grupos de encontro de casais, de famílias e outros são chamados a anunciar ao mundo a nossa convicção de fé sobre a vida de família.  

Queremos, ainda, renovar nosso compromisso com as políticas públicas que assegurem o direito à vida, à educação, à moradia, ao trabalho digno e à saúde das famílias brasileiras. A promoção da família é também tarefa social, que deve mobilizar as instituições e inspirar a atuação de todos aqueles que têm responsabilidades públicas. 

Como Igreja, renovemos o nosso empenho em ser comunidade evangelizadora de famílias e com famílias. Que esta semana inspire em nossas paróquias momentos de celebração, catequese, escuta, visita às casas, bênçãos aos lares e incentivo à oração em família.  

Peçamos à Virgem Maria, Mãe da Igreja e modelo de fé e entrega, que interceda por todas as famílias do Brasil. Que ela, que disse seu “sim” ao chamado de Deus em sua casa de Nazaré, nos inspire a sermos fiéis ao nosso chamado e a cultivarmos com amor as vocações que nascem entre nós. 

Que esta Semana Nacional da Família de 2025 seja tempo fecundo de renovação, discernimento e esperança. Que o Espírito Santo nos ajude a tornar cada lar um verdadeiro santuário da vida, da fé e da vocação. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Neocatecumenais, Kiko: não viver para si mesmos, mas para amar como Cristo

Encontro vocacional do Caminho Neocatecumenal   (@Vatican Media)

Na esplanada de Tor Vergata, em Roma, 120 mil jovens se reuniram esta segunda-feira, 4 de agosto, para um encontro vocacional com a equipe internacional do Caminho Neocatecumenal. Aproximadamente 5 mil jovens, rapazes e moças, responderam ao "chamado", expressando sua disposição de realizar um discernimento para o sacerdócio e para a vida consagrada. O cardeal Reina presidiu o encontro: "Sede jovens santos"

Debora Donnini – Tor Vergata, Roma

Maravilha e gratidão são as primeiras emoções que se sentem ao ver um "rio" de jovens, primeiro rapazes, e depois moças, caminhando a passos largos, alguns correndo em direção ao palco, atravessando o corredor central da esplanada de Tor Vergata, em Roma, para receber uma bênção dos cardeais e bispos presentes, demonstrando assim sua disposição de averiguar sua vocação ao sacerdócio ou à vida consagrada. Foi o que ocorreu esta segunda-feira, 4 de agosto, durante o chamado vocacional ao final da Liturgia da Palavra, no encontro que o Caminho Neocatecumenal costuma organizar no dia seguinte à Missa do Papa por ocasião das Jornadas Mundiais da Juventude. Os jovens do Caminho retornaram na tarde desta segunda-feira à mesma esplanada de Tor Vergata onde haviam participado no domingo da Celebração Eucarística presidida por Leão XIV, desta feita pelo Jubileu dos jovens.

Encontro vocacional do Caminho Neocatecumenal   (@Vatican Media)

Cem mil pessoas dos cinco continentes compareceram, mais uma vez enfrentando o calor e o cansaço e demonstrando, ao contrário, uma alegria contagiante. Eles vieram acompanhados por seus catequistas após uma peregrinação proclamando o Evangelho até chegarem a Roma. Os maiores grupos eram de italianos, 22.000, espanhóis, 17.000, e estadunidenses, 11.000. Foi emocionante ver o grupo da Ucrânia: cerca de 500 jovens estavam reunidos em um setor central de Tor Vergata, agitando bandeiras amarelas e azuis. Havia também jovens da Rússia, Estônia, Geórgia e Cazaquistão: cerca de 350; depois, 120 da Terra Santa e até 600 da Oceania. Da África, 630 chegaram, mas muitos jovens não puderam chegar devido a problemas de visto. Os números dão uma imagem da presença verdadeiramente internacional desses eventos, onde se vivencia uma profunda comunhão. O agitar das bandeiras de 109 países ao redor do mundo proporcionou um espetáculo impressionante, tornando visíveis as palavras do profeta Isaías, lembradas na canção tocada no palco: "Eu venho para reunir todas as nações".

Encontro vocacional do Caminho Neocatecumenal   (@Vatican Media)

No início, cem sacerdotes carregaram em procissão o ícone da Virgem Maria até o palco, onde se ergueram uma grande Cruz e uma imagem da Serva de Deus, Carmen Hernández, que, juntamente com Kiko, fundou o Caminho Neocatecumenal.

A Liturgia da Palavra

O cardeal Baldassare Reina, vigário da Diocese de Roma, presidiu a Liturgia da Palavra. Outros cinco purpurados estavam presentes: Fernando Filoni, Grzegorz Ryś, Jean-Claude Hollerich, Marc Ouellet e Andrew Yeom Soo-jung. Trinta arcebispos e bispos, incluindo o bispo auxiliar de Roma, Michele Di Tolve, também estavam presentes.

Após a proclamação do Evangelho, o cardeal Reina transmitiu a saudação e o abraço do Papa aos presentes. "Este encontro é a resposta ao convite do Papa Leão: aspirai à santidade", disse ele. Recordando que vivemos numa sociedade onde Deus parece colocado de lado, um tempo marcado pela solidão, o purpurado exortou a acolher o chamado de Deus, que não busca nada que nos tire a felicidade; pelo contrário, "engrandece os nossos projetos". "Sede jovens felizes, sede jovens santos", concluiu. "Vimos colher os frutos do vosso encontro com o Papa", disse o fundador do Caminho Neocatecumenal, Kiko Argüello, ao apresentar o evento, acompanhado de efusivos aplausos a Leão XIV. "É muito importante", recordou, "que a fé do vosso Batismo, que estais reavivando no Caminho Neocatecumenal, seja alicerçada em Pedro". Em Roma, "os pilares da Igreja foram martirizados: São Pedro, São Paulo e também tantos cristãos!"

Desde o início, Kiko quis recordar o jovem peregrino espanhol Ignazio Gonzálvez, internado no Hospital Bambino Gesù estes dias. A Sala de Imprensa da Santa Sé anunciou que o Papa Leão XIV o visitou esta segunda-feira.

A proclamação do kerygma

A catequese de Kiko parte da passagem bíblica sobre o pecado de Adão e Eva: o engano do diabo é fazer o homem acreditar que é autônomo, que pode decidir o que é bom e o que é mau, que não precisa "obedecer a ninguém". "Vivemos em uma sociedade que busca abolir a obediência, a obediência aos mestres, a obediência ao Pai", lembra ele. "Pecado significa ter aceitado esta catequese do diabo, de que você deve ser seu próprio deus. Este pecado, que habita o eu ontológico do meu ser, me obriga primeiro a oferecer tudo a mim mesmo." Desse engano, de ter cortado as raízes do próprio ser de Deus, surge uma profunda solidão, uma incapacidade de amar. Por que, afinal, tantos jovens se matam? "Porque não são para ninguém", enfatiza Kiko.

A proclamação do kerygma por Kiko ressoa fortemente na esplanada de Tor Vergata. Deus precisa da sua liberdade, porque, como nos lembra Santo Agostinho: "Deus, que vos criou sem vós, não vos pode salvar sem vós". O convite, portanto, é para nos convertermos a Cristo, que deu a sua vida por nós, morreu por nós, ressuscitou e ascendeu ao Céu para interceder por nós, para que possamos receber uma nova vida. Cristo, de fato, mostrou outra forma de amor na Cruz. E nós também somos chamados a participar deste amor, pelo qual nos reconhecerão como seus discípulos. A santidade se expressa precisamente neste amor pelos outros. Antes dos chamados vocacionais, Kiko também quis dizer algumas palavras precisamente sobre a virgindade que a escatologia enfatiza: ela abre o Céu porque não é deste mundo.

Encontro vocacional do Caminho Neocatecumenal   (@Vatican Media)

Os "chamados"

Encorajando os jovens, o padre Mario Pezzi, membro da equipe internacional do Caminho Neocatecumenal, falou sobre a vida deles de fé, ciente dos problemas dos jovens e de suas dinâmicas existenciais: "Às vezes, o diabo os tenta a não ir à comunidade", disse ele, "mas quando vocês experimentarem seu veneno mortal, tenham a coragem de retornar à comunidade, porque sempre serão acolhidos e não julgados". No mundo de hoje, quantos jovens têm dinheiro, conforto e culto do corpo, mas internamente muitos padecem enormes sofrimentos, observou ele, exortando os jovens a se converterem e a verem como é maravilhoso se o Senhor os chama a se tornarem sacerdotes e, para as jovens, à vida consagrada.

Ascensión Romero também lembrou a importância da virgindade na Igreja primitiva: "Um carisma muito importante, na clausura, na vida ativa". Em uma sociedade onde tudo está conectado, também há muita solidão; as redes sociais não criam comunidade, enfatizou, destacando como é um dom ter uma comunidade de irmãos.

O chamado vocacional e os cânticos selaram então o encontro que permanecerá no coração e na vida desses jovens, assim como ficou gravado na alma de seus pais muitos anos antes, que desde as primeiras JMJ partiram para ouvir a voz de Cristo e descobrir sua vocação.

Encontro vocacional do Caminho Neocatecumenal   (@Vatican Media)

Repercussão do evento

Ao final do encontro, o cardeal Baldassarre Reina concedeu uma breve entrevista à mídia vaticana, enfatizando, a respeito dos chamados vocacionais, que "foi um belo sinal da parte deles. Verdadeiramente, quando falamos de esperança hoje, nós a vimos em primeira mão. Agora começa um caminho porque, como sabemos, responder ao chamado não coincide com a adesão a um projeto de consagração. Começa um caminho de discernimento, que esperamos que seja bem apoiado por catequistas, pais e formadores. E lentamente, porque a vocação é uma aventura, uma grande aventura; não é uma fórmula matemática. Por isso, devemos sempre ouvir Deus e tentar entender não por que decidimos nos tornar sacerdotes ou religiosas, mas para quem. E esta é a resposta crucial, mas, verdadeiramente, hoje foi um belo presente da verdadeira providência."

Entre os cardeais presentes estava o cardeal Marc Ouellet, prefeito emérito do Dicastério para os Bispos, que, em declaração à mídia vaticana, disse estar muito impressionado. "Parece-me", disse ele, "que é também um exemplo de pastoral vocacional para o nosso tempo, para um mundo secularizado. Não basta esperar que uma vocação surja espontaneamente no coração dos jovens se eles não forem catequizados, desafiados, ajudados e encorajados por um povo, e não apenas por alguns indivíduos, mas por um povo. Por isso, estou muito impressionado e acredito que isso deve inspirar outros em seu trabalho de promoção vocacional."

Assista ao vídeo completo do encontro do Caminho Neocatecumenal em Tor Vergata:

https://youtu.be/UHuHCI_kl-g

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Dante o secular, isto é, o cristão (Parte 1/2)

Dante descreve na alegoria da carruagem a presença do Anticristo na Igreja (Purgatório XXXII), manuscrito XIII conservado na Biblioteca Nacional de Nápoles contendo toda a Divina Comédia (final do século XIV, início do século XV) | 30Giorni

Arquivo 30Dias nº 04 - 2000

Dante o secular, isto é, o cristão

Entrevista com Alberto Asor Rosa sobre Alighieri: "Sua crença era absoluta nos fundamentos da fé, mas altamente crítica em relação a todo o resto. Além disso, ele tinha consciência de que todo homem é pecador. A consciência cristã das limitações humanas é precisamente o fundamento do pensamento secular."

Entrevista com Alberto Asor Rosa por Paolo Mattei

A literatura italiana das últimas duas décadas é "uma paisagem caótica", carente de fóruns para debate literário, as editoras parecem restringir excessivamente a liberdade criativa dos escritores e não existe uma língua literária italiana contemporânea. Aqui está um resumo do que Alberto Asor Rosa, professor da Universidade La Sapienza de Roma, pensa sobre a produção literária recente em nosso país. Esses comentários foram feitos ao jornal La Repubblica , por ocasião da recente publicação do segundo volume do Dizionario delle opere (Einaudi), que representa a conclusão de um projeto que Asor Rosa (que estuda toda a história da literatura italiana, desde suas origens até os dias atuais, há anos) e seus muitos colaboradores iniciaram há dezoito anos: a Letteratura italiana de Einaudi . Além desse olhar crítico e realista sobre o estado atual da produção literária italiana, a preferência de Asor Rosa por Dante entre os autores que leu na última década desperta curiosidade. Autor cristão que viveu há sete séculos, ele o considera o fundador da literatura secular moderna. Encontramo-nos com o professor e fizemos-lhe algumas perguntas. 

Numa entrevista publicada recentemente no La Repubblica, o senhor afirmou que, há cerca de dez anos, a sua leitura preferida tem sido Dante… 

ALBERTO ASOR ROSA: Estudo Dante há muito tempo, e isso é, em parte, bem conhecido. Há alguns anos, escrevi um ensaio sobre um aspeto da obra do poeta florentino, intitulado "A Fundação da Laia" (no volume "Questioni della Letteratura italiana" , publicado pela Einaudi). Nele, expliquei como Dante está intimamente envolvido — e, de fato, lança alguns dos fundamentos essenciais — no processo a partir do qual surge e se desenvolve a consciência secular da cultura moderna. Para justificar esta abordagem a Dante, naturalmente recorri a várias obras, em particular "La vita nuova", " Il convívio" e " De vulgari eloquentia".

A tese poderia ser resumida brevemente da seguinte forma: em Dante, e portanto dentro de um quadro ideológico distintamente medieval, uma série de temas começa a emergir, especificamente relativos aos dois temas da linguagem e do amor. Dante é o fundador da grande tradição secular da literatura italiana moderna. Esses dois temas — linguagem e amor — são, a meu ver, fundamentais para a compreensão desse universo não teológico e não medieval, embora não seja difícil identificar uma origem medieval na matriz original de ambos. Nessa perspectiva, Dante poderia ser considerado o arquiteto de uma grande e memorável transição. Com base nesse interesse, continuei a estudar Dante. Estudei-o por muito tempo, embora não continuamente, fascinado pelo tipo de experiência poética que, embora enraizada em uma matriz religiosa, indicava uma visão completamente secular da realidade.

Não é Monarchia a obra em que a "visão secular" da história de Dante se expressa mais claramente? 

ASOR ROSA: Sim. Mas Monarchia , de todas as suas obras, é, em certo sentido, a mais "medieval". A análise de Dante sobre os fundamentos divinos da existência humana e as instituições que expressam esses fundamentos torna esta obra única em relação às outras, situando-a histórica e ideologicamente, radicalmente, na era medieval. 

Em um ensaio de 1984 sobre Umberto Eco ( A Idade Média no Pós-moderno , republicado em Un altro Novecento , La Nuova Italia, Florença 1999), você cita uma carta de Petrarca a Boccaccio na qual o poeta de Arezzo reclama dos abusos a que foi submetido por tintureiros e estalajadeiros, que, por outro lado, amavam Dante. Por que uma lacuna tão grande na difusão popular entre as obras de dois autores cronologicamente próximos? 

ASOR ROSA: Naturalmente, a referência de Dante a Eco naquele ensaio é intencionalmente irônica, embora eu deva dizer que a influência da educação medieval de Eco é, em minha opinião, evidente. Sua influência na Escolástica está muito presente em seu pensamento e, em minha opinião, também em sua semiótica.

Voltando a Dante, acredito que (mesmo que isso possa soar vago e impreciso) ele foi além de Petrarca. Em Petrarca, vejo, em certo sentido, um retrocesso em relação às conquistas de Dante. Esse retrocesso consiste essencialmente em abandonar a ideia de uma poesia completamente realista — que Dante havia perseguido — para, em vez disso, escolher o caminho, que dominaria a Itália por séculos, da poesia cultivada para poucos. Assim, o fato de Dante ser apreciado por operários de lã, tintureiros, estalajadeiros e lutadores — algo que Petrarca, em certo sentido, invejava, mas também desprezava — é, na minha opinião, o produto de uma escolha de Dante: a escolha "popular". Petrarca abandonou o caminho de uma poesia voltada para o "baixo" e mudou, por meios poderosos, a direção de nossa literatura para uma estrutura poética intencionalmente aristocrática.

Fonte: https://www.30giorni.it/

“Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Lc 12,34)

Palavra de Vida Agosto (Revista Cidade Nova)

“Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Lc 12,34) | Palavra de Vida Agosto 2025

por Organizado por Augusto Parody Reyes, com a comissão da Palavra de Vida.   publicado em 17/07/2025, modificado em 28/07/2025.

Este ensinamento de Jesus é relatado pelo evangelista Lucas, que mostra o Mestre com seus discípulos a caminho de Jerusalém, rumo à sua Páscoa de morte e ressurreição. No caminho, dirige-se a eles chamando-os de “pequeno rebanho”1, confiando-lhes aquilo que Ele mesmo traz no coração, os sentimentos profundos do seu ser. Entre esses estão o desapego dos bens terrenos, a confiança na providência do Pai, a vigilância interior, a operosidade em vista da chegada do Reino de Deus.

Nos versículos anteriores, Jesus os encoraja a desapegarem-se de tudo, até mesmo da própria vida, e a não ficarem angustiados devido às necessidades materiais, porque o Pai sabe do que eles precisam. Ele os convida a buscar, isso sim, o Reino de Deus, encorajando-os a acumular “um tesouro no Céu, que nunca se acaba”2. Evidentemente Jesus não convida à passividade diante das coisas terrenas, nem a uma conduta irresponsável no trabalho. Sua intenção é tirar de nós a ansiedade, a inquietação, o medo.

“Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” 

O “coração” nesse caso significa o centro unificador da pessoa, que dá um sentido a tudo o que ela vivencia. É o lugar da sinceridade, onde não há espaço para engano nem para dissimulação. Geralmente indica as verdadeiras intenções, aquilo que realmente se pensa, se acredita e se deseja. O “tesouro” é o que existe de mais valioso para nós e, portanto, nossa prioridade, aquilo que achamos que dá segurança ao presente e ao futuro.

“Hoje – dizia o Papa Francisco – tudo se compra e se paga, e parece que o próprio sentido da dignidade depende das coisas que se podem obter com o poder do dinheiro. Somos instigados a acumular, a consumir e a distrairmo-nos, aprisionados por um sistema degradante que não nos permite olhar para além das nossas necessidades imediatas.”3 Mas, no mais profundo de cada ser humano, existe uma busca premente pela felicidade verdadeira que não engana, que não pode ser dada por nenhum bem material.

Chiara Lubich escrevia: “Sim, existe aquilo que você procura: há em seu coração um anseio infinito e imortal; uma esperança que não morre; uma fé que rompe as trevas da morte e é luz para quem crê: não é por acaso que você espera, que você acredita! Não é por acaso! Você espera, você acredita para Amar.”4

“Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” 

Esta Palavra de Vida nos convida a fazer um exame de consciência: qual é o meu tesouro, qual a realidade que mais me importa? Ela pode assumir várias conotações, como o padrão econômico, mas também a fama, o sucesso, o poder. A experiência nos diz que é preciso retornar continuamente à vida verdadeira, aquela que não passa, a vida radical e exigente do amor proposto pelo Evangelho:

“Para o cristão não basta ser bom, misericordioso, humilde, manso, paciente… Ele deve ter para com os irmãos a caridade que Jesus nos ensinou. […] Com efeito, a caridade não é uma simples disposição para dar a vida. É dar a vida.”5

Devemos amar cada próximo que encontramos em nosso dia a dia (na família, no trabalho, em todos os lugares) com esta medida. Dessa forma vivemos não pensando em nós mesmos, mas pensando nos outros, vivendo os outros, experimentando uma verdadeira liberdade.

Organizado por Augusto Parody Reyes, com a comissão da Palavra de Vida.

1) Lc 12,32.

2) Lc 12,33.

3) Cf. PAPA FRANCISCO, Carta encíclica DILEXIT NOS, n° 218.

4) Cf. LUBICH, Chiara. Cartas dos primeiros temposjunho de 1944. São Paulo: Cidade Nova, 2020, p. 67.

5) Cf. LUBICH, Chiara. Companheiro de Viagem. São Paulo: Cidade Nova, 1988, p. 52-53.

Fonte: https://www.cidadenova.org.br/editorial/inspira/4063-onde_estiver_o_vosso_tesouro_ai_estara_t

A JMJ de Seul será de 3 a 8 de agosto de 2027

Jovens na JMJ de Lisboa em 2023  (JOAOLC \ GMG Lisboa 2023 / João Lopes Cardoso)

O Papa Leão XIV anunciou as datas da próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude.

Vatican News

No final do Angelus do último domingo (03/08), logo após a missa por ocasião do Jubileu dos Jovens, o Papa Leão XIV anunciou as datas da próxima Jornada Mundial da Juventude em Seul, na Coreia do Sul, em 2027:

“Renovo o convite feito pelo Papa Francisco em Lisboa, há dois anos: os jovens de todo o mundo se reunirão com o Sucessor de Pedro para celebrar a Jornada Mundial da Juventude em Seul, na Coreia, de 3 a 8 de agosto de 2027.”

A nossa peregrinação de esperança continua, unindo jovens de todo o mundo numa viagem simbólica da JMJ de Lisboa 2023 à JMJ de Seul 2027, atravessando as etapas intermediárias das celebrações locais das JMJ e o recém-concluído Jubileu dos Jovens.

Cardeal Farrell, cabe aos jovens se tornarem testemunhas da paz

"Agradecemos ao Santo Padre por anunciar as datas da próxima edição internacional da Jornada", comentou o prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, cardeal Kevin Farrell, "e convidamos todos os formadores, os departamentos da pastoral juvenil e os bispos a caminharem juntos rumo a Seul, guiados pelo tema da JMJ Seul 2027: 'Coragem! Eu venci o mundo!' (Jo 16,33). É precisamente a alegria da esperança, vivida neste Ano Jubilar, que nos dá a coragem de proclamar a vitória do Ressuscitado ao mundo inteiro. Cabe aos jovens tornarem-se peregrinos da esperança para curar a solidão e a pobreza, e testemunhar a paz neste mundo dilacerado por divisões, conflitos e guerras."

“A organização da JMJ Seul 2027 começou e prossegue a passos largos rumo às datas escolhidas pelo Santo Padre”, afirma o secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, Gleison de Paula Souza. “Junto com o Comitê organizador local em Seul, estamos trabalhando para garantir que bispos e jovens de todo o mundo, acolhidos pela Igreja coreana, se reúnam para testemunhar que o encontro com Cristo transforma a vida e dá a coragem para vencer os desafios aos quais são chamados.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

A ilusão da acumulação

Vaidade das vaidades (Fundação Nazaré)

A ILUSÃO DA ACUMULAÇÃO

01/08/2025

Dom Lindomar Rocha Mota
Bispo de São Luís de Montes Belos (GO) 

“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Ecl 1,2)! Estas palavras, repetidas pelo Qohelet, soam como uma denúncia universal de que o esforço humano encerrado em si mesmo é, no fim, um sopro vazio. O autor de Eclesiastes, com um olhar existencialista, constata a angústia de quem trabalha, planeja, acumula e morre. O texto de Ecl 2,21-23 aprofunda esse desconcerto ao dizer que, “quem trabalha com sabedoria, competência e diligência, deverá entregar a sua parte a outro que em nada colaborou”. A injustiça, portanto, não está em deixar para os outros o que se fez, mas em colocar a confiança última em obras finitas. O que se colhe, afinal, senão fadiga, preocupação e insônia? 

É nesse espírito que o Evangelho de Lucas 12,13-21 deve ser lido. Jesus, interpelado por um homem que deseja resolver uma questão de herança, recusa-se a ser juiz de disputas materiais. Em vez disso, conta a parábola de um rico cuja terra produziu tanto que ele decidiu construir celeiros maiores, viver folgadamente e dizer a si mesmo: “Tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, goza a vida!” Deus porém lhe disse: “Insensato! Ainda nesta noite tua vida te será exigida. E o que acumulaste, para quem será?” (Lc 12,20). A pergunta final de Deus ecoa Eclesiastes:para quem será? 

A convergência entre os dois textos está na crítica da falsa segurança proporcionada pela riqueza, pelo trabalho autossuficiente e pela lógica da posse. Em ambos, há uma denúncia da idolatria da acumulação: a crença de que o sentido da vida está no “ter” e no “produzir”. Tanto a sabedoria do Antigo Testamento quanto o Cristo, Senhor, desafiam a lógica dominante da produtividade e da propriedade, que ainda hoje governa as estruturas econômicas e existenciais do nosso mundo. Somos treinados para investir, garantir, acumular, mas quase nunca para viver a gratuidade do presente. 

A trama dos dois textos gira em torno da busca humana por controle e segurança, especialmente por meio da posse de bens, e colocam um espelho diante do ser humano, onde resplandece que o controle é uma ilusão, a morte é certa, e a herança pode ir parar nas mãos de quem não trabalhou — ou, como diz Jesus, pode ser perdida no instante em que se tenta usufruí-la. Em linguagem dos nossos dias, trata-se de uma crítica ao capitalismo emocional: onde o eu se consome na ansiedade de garantir o que não pode possuir pela eternidade. 

Jesus denuncia essa pretensão ao dizer: “Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” (Lc 12,21). A alternativa à vaidade é a relação, a comunhão, o desapego que permite ser verdadeiramente livre. O Reino de Deus não é acúmulo, mas partilha. Não é segurança garantida, mas confiança no Pai. A riqueza, então, não está em quantos celeiros tenho, mas em quanta vida sou capaz de doar. O Evangelho rompe com a lógica da escassez e nos insere na lógica da abundância da graça. 

Hoje, quando o mundo vive sob o domínio da produtividade, do consumo e da acumulação desmedida, esta Palavra é uma alerta e um convite à liberdade. O ser humano contemporâneo se vê refletido no rico insensato, cercado de tecnologia, garantias financeiras, projeções de futuro, mas sem saber se viverá o dia seguinte. É preciso, portanto, recuperar a sabedoria do Qohelet e a profecia de Jesus: tudo é vaidade se não estiver fundado no amor que transcende o tempo e resiste à morte. 

O Evangelho não nos convida ao desprezo do trabalho, mas à sabedoria da fé. Trabalhar, sim, mas com o coração livre, desapegado, orientado ao outro. Orientado ao Reino de Deus, que é presença e não posse. O que permanece é o que se doa. O que salva é o que se partilha. Só quem se desapega da vaidade se torna rico diante de Deus

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF