De Roma, um apelo que ressoa sobretudo no Oriente Médio,
palco de conflitos e tensões, com a proposta de um encontro entre bispos,
rabinos e imãs na Itália que seja “direto, não convencional nem confessional,
para testemunhar juntos uma responsabilidade comum”.
Vatican News
“Este apelo nasce da convicção da necessidade imperiosa de
promover qualquer iniciativa de encontro para conter o ódio, salvaguardar a
convivência, purificar a linguagem e tecer a paz. Responsabilidade de
indivíduos e de sujeitos coletivos!”. É com estas palavras que se inicia o
apelo inter-religioso divulgado nesta sexta-feira (29/08) em Roma, e promovido
pelos representantes das comunidades judaica, cristã e muçulmana de toda a
Itália.
As assinaturas do documento
O apelo, assinado por Noemi Di Segni (União das Comunidades
Judaicas Italianas), Yassine Lafram (União das Comunidades Islâmicas da
Itália), Abu Bakr Moretta e Yahya Pallavicini (Comunidade Religiosa Islâmica
Italiana), Naim Nasrollah (presidente da Mesquita de Roma) e pelo cardeal
Matteo Maria Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana, relembra a
necessidade de “encontrar soluções para o que humilha nossas crenças e
resistir”.
A atenção para o Oriente Médio
Palavras que ressoam especialmente para o Oriente Médio,
palco de conflitos e tensões cada vez mais trágicos.
“A consciência dos tempos sombrios que estamos atravessando
e do poder da ilusão que também paira sobre a tragédia em curso no Oriente
Médio nos chama, como líderes de comunidades religiosas, como crentes e como
cidadãos, a denunciar a insinuação de generalizações perigosas e confusões
prejudiciais entre identidades políticas, nacionais e religiosas”. Os
signatários denunciam ainda a “infâmia de uma propaganda que, explorando a
ingenuidade e a visceralidade, obscurece um discernimento saudável e banaliza o
sentido profundo da nossa própria humanidade”, fomentando o antissemitismo, a
islamofobia e a aversão ao cristianismo católico e às religiões em geral.
“Nenhuma segurança será jamais construída sobre o ódio. A justiça para o povo
palestino, assim como a segurança para o povo israelense, só passam pelo
reconhecimento mútuo, pelo respeito aos direitos fundamentais e pela vontade de
dialogar”.
Uma proposta concreta
Daí a proposta concreta de um encontro entre bispos, rabinos
e imãs na Itália: “um encontro simples, direto, não convencional nem
confessional, para testemunhar juntos uma responsabilidade comum”, com a
esperança de que as comunidades religiosas possam promover atividades locais e
nacionais com o envolvimento das instituições. “O dever de trabalhar por uma
convivência responsável nos chama, como religiosos, à necessidade de promover a
coesão social com base em valores compartilhados”, lê-se ainda no apelo, que
termina com um agradecimento pelas testemunhas amadurecidas nas últimas semanas
em Bolonha, Milão e Turim, como sinal de esperança em um tempo marcado pela
violência.
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