Uma calorosa recepção marcou a chegada de Leão XIV,
"Baba Lawun" em árabe - a Beirute, capital libanesa, segunda e última
etapa da primeira viagem apostólica do Pontífice.
Bianca Fraccalvieri - de Beirute
"Baba Lawun" está no Líbano! Depois de 13 anos, o
País dos Cedros volta a acolher um Pontífice e a visita é providencial. Estamos
a cerca de 100km de Damasco, capital da Síria, e a mesma distância até o norte
de Israel. Isso revela um pouco o contexto e a importância desta segunda etapa
da viagem apostólica do Papa Leão.
Se na Turquia a ênfase foi para o ecumenismo e o diálogo
inter-religioso, em Beirute o tema central é a paz, como contido no lema da
visita: "Bem-aventurados os pacificadores".
Chegada do Papa em Beirute
O Líbano enfrenta uma das piores crises econômicas da
história moderna, com inflação e uma desvalorização dramática da moeda local.
Há falta de serviços: frequentes quedas de energia, escassez de medicamentos e
combustível. Une-se a isso a corrupção estrutural e a presença no território de
aproximadamente dois milhões de refugiados, entre sírios e palestinos - o que
representa cerca de um terço da população, agravando as tensões sociais.
Na ausência do Estado, instituições religiosas, sobretudo
aquelas ligadas à Igreja Católica, desempenham um papel vital no apoio à
população.
O anfitrião do Pontífice, Beatitude Card. Béchara Boutros
Raï, Patriarca Maronita, assim comenta esta visita: "O Santo Padre traz
consigo as dimensões espirituais, as dimensões morais, e não vem de mãos
vazias, vem cheio de dons espirituais e morais. Para mim, este é um apelo
pessoal, a cada um de nós libaneses, um apelo para mudar, para virar página e
abrir uma nova, a página da paz, da esperança. Não podemos viver como se nada
tivesse acontecido. O Papa vem, as cerimônias são realizadas, a recepção é feita,
ele vai embora, tudo volta ao ponto anterior. Não, esperemos que os libaneses
reflitam um pouco e apreciem o valor desta visita, porque o Santo Padre sabe
que o Líbano está passando por um momento muito, muito crítico".
O regime democrático e o pluralismo confessional distinguem
o Líbano de todos os países do Oriente Médio. De fato, os primeiros eventos de
Leão XIV são dedicados às instituições políticas, com a cerimônia de
boas-vindas no aeroporto, a visita ao presidente do país, Joseph Aoun, que,
segundo a Constituição, deve ser sempre um cristão maronita. Depois, é a vez do
presidente da Assembleia Nacional, Nabih Berri, e do encontro com o
primeiro-ministro, Nawaf Salam. Deste modo, o Papa terá se reunido com os representantes
dos três pilares do sistema confessional libanês: maronita, xiita e
sunita.
O último compromisso será o encontro com as autoridades, a
sociedade civil e o corpo diplomático, ocasião em que pronunciará seu primeiro
discurso no Líbano.

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